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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Procuradora do DF derruba lógica do domínio do fato, usado como instrumento de Lawfare aos considerados "inimigos", e pede absolvição de Lula e Dilma



'A utilização distorcida da responsabilização penal sem os elementos do tipo objetivo e subjetivo, provoca efeitos nocivos à democracia, dentre elas a grave crise de credibilidade e de legitimação do poder político como um todo'.

Jornal GGN – A procuradora Marcia Brandão Zollinger, do Ministério Público Federal de Brasilia, pediu a absolvição de Lula, Dilma, Palocci e Mantega no inquérito batizado de “quadrilhão do PT”. Segundo ela, ‘a utilização distorcida da responsabilização penal sem os elementos do tipo objetivo e subjetivo, provoca efeitos nocivos à democracia, dentre elas a grave crise de credibilidade e de legitimação do poder político como um todo’.
Aqui, a reportagem do Estadão:

Procuradora pede absolvição de Lula, Dilma, Palocci, Guido e Vaccari no ‘Quadrilhão do PT’

Marcia Brandão Zollinger, do Ministério Público Federal em Brasília, afirma que ‘a utilização distorcida da responsabilização penal sem os elementos do tipo objetivo e subjetivo, provoca efeitos nocivos à democracia, dentre elas a grave crise de credibilidade e de legitimação do poder político como um todo’
A procuradora da República no Distrito Federal Marcia Brandão Zollinger se manifestou pela absolvição sumária dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, e dos ex-ministros Antonio Palocci e Guido Mantega na ação penal movida contra petistas por suposta organização criminosa em esquemas na Petrobrás, no BNDES e em outros setores da administração pública, que ficou conhecida como ‘Quadrilhão do PT‘.
Documento
acusação é de 2017, e foi oferecida ao Supremo Tribunal Federal pelo então procurador-geral Rodrigo Janot. Quando enviada pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato na Corte, ao Distrito Federal, a peça chegou a ser endossada pela Procuradoria, e recebida pelo juiz federal Vallisney de Oliveira, que abriu ação penal.
A nova denúncia atribui aos petistas o recebimento de R$ 1,48 bilhão em propinas. Janot também apresentou à época acusações contra o ‘quadrilhão’ do MDB, que inclui o ex-presidente Michel Temer, e o do PP. O então PGR afirmou que entre 2002 e 2016, os denunciados ‘integraram e estruturaram uma organização criminosa com atuação durante o período em que Lula e Dilma Rousseff sucessivamente titularizaram a Presidência da República, para cometimento de uma miríade de delitos’.
Para Dilma, Lula, Palocci, Vaccari e Guido, o caso foi desmembrado à 10ª Vara Criminal Federal de Brasília. A mesma acusação sobre Gleisi e Paulo Bernardo foi mantida no Supremo. Edinho Silva, também acusado, responde pela ação no Tribunal Regional Federal da 3ª Região.
Para a procuradora, ‘percebe-se, portanto, que não há o pretendido domínio por parte dos denunciados, especialmente pelos ex-Presidentes da República, a respeito dos atos criminosos, que obviamente merecem apuração e responsabilização e são objetos de investigações e ações penais autônomas, cometidos no interior das Diretorias da Petrobras e de outras empresas públicas’.
“Há, de fato, narrativas de práticas criminosas que estão sendo apuradas em processos autônomos, mas do conjunto das narrativas não se pode extrair, com segurança, que haveria uma estrutura organizacional estável integrada por Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Vana Rousseff, Antonio Palocci Filho, Guido Mantega e João Vaccari Neto, tampouco que a união desses atores políticos tivesse o propósito de cometimento de infrações penais visando um projeto político de poder”, escreve.
Segundo Márcia Brandão Zollinger, é ‘incontestável é a situação da necessidade da responsabilização penal no caso da prática de uma infração penal no âmbito das relações políticas’.
“Porém, a utilização distorcida da responsabilização penal, como no caso dos autos de imputação de organização criminosa sem os elementos do tipo objetivo e subjetivo, provoca efeitos nocivos à democracia, dentre elas a grave crise de credibilidade e de legitimação do poder político como um todo. Assim sendo, não pode o Ministério Público insistir em uma acusação cujos elementos constitutivos do tipo penal não estão presentes”, concluiu.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Juiz admite prática de vazamentos da Lava Jato, mas omite seletividade e intenções políticas claras. Reportagem de Patrícia Faermann



Bonat disse que não foi Sergio Moro, mas a PF, que deixou de incluir alguns áudios nos autos do processo, confirmando a responsabilidade de Moro nos vazamentos






Jornal GGN A explicação dada pelo juiz federal Luiz Antonio Bonat, o sucessor de Sergio Moro na Lava Jato de Curitiba, para não incluir algumas conversas interceptadas do ex-presidente nos autos em sigilo foi do risco de tais mensagens pessoais serem vazadas. Entretanto, além de o próprio juiz Sérgio Moro ter admitido a irregularidade no grampo de Lula, foram vazadas à imprensa durante todo o período da Lava Jato mensagens pessoais, boa parte delas sem nenhuma relação jurídica ou política.
Não foram incluídas no processo que tramita em sigilo as conversas trocadas entre o ex-presidente Lula e Dilma Rousseff, então presidente, sobre a entrega a ele do termo de posse como ministro da Casa Civil. A conversa foi vazada pelo próprio ex-juiz Sergio Moro, em 2016, que foi confrontado no Supremo Tribunal Federal (STF) da ilegalidade, chegando o magistrado a admitir o erro.
Os próprios advogados de Lula também foram grampeados e feito o monitoramento ilegal das conversas, prática que foi questionada por organismos de direito e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A quebra do sigilo das mensagens foi feita diretamente pelo ex-magistrado Moro, em determinação no dia 16 de março de 2016, vazando as mensagens pessoais de Lula, Dilma, então sob foro privilegiado e dos advogados do ex-presidente.
A justificativa dada pelo então juiz era que os advogados poderiam estar envolvidos em supostas ilegalidades do ex-presidente Lula e que ele não havia identificado “com clareza a relação cliente/advogado a ser preservada entre o ex-presidente e a referida pessoa [Roberto Teixeira]”. Sobre os vazamentos de Dilma, Moro havia dito simplesmente que as captações foram ao acaso, fortuitas.
As mensagens de Dilma liberadas por Moro à época tampouco continham relação com a coleta de provas a que se destinava os grampos realizados no telefone do ex-presidente Lula. O caso específico da mensagem sobre a entrega do termo de posse de ministro a Lula, visivelmente vazado com motivações políticas e não jurídicas, recentemente foi confirmado por reportagem do The Intercept Brasil com a Folha de S.Paulo.
Segundo a matéria, do dia 8 de setembro, os procuradores da Lava Jato, incluindo Deltan Dallagnol, estavam cientes da ilegalidade de vazar o áudio da conversa entre o ex-presidente Lula e Dilma. O objetivo era justamente barrar a nomeação de Lula como ministro da Casa Civil e a força-tarefa de Curitiba sabia que era um ato ilegal. “A questão jurídica é filigrana dentro do contexto maior que é político”, havia admitido Dallagnol, na mensagem no Telegram obtida pelo The Intercept na chamada Vaza Jato.
E não somente o teor político foi vislumbrado no caso dos vazamentos das mensagens sigilosas como também de maneira pejorativa contra a ex-presidente Dilma e Lula. É o caso, por exemplo, da reportagem no blog de Fausto Macedo, no Estadão, intitulada “Em áudio, dona Marisa manda adeptos dos panelaços enfiarem panelas no c…”.
A reportagem do blog de Fausto Macedo tomou como base o trecho do grampo captado pela Polícia Federal e vazado por Sergio Moro em que mostra conversas pessoais de dona Marisa Letícia, falecida esposa de Lula, criticando a oposição. As conversas eram de Marisa com seus filhos.
Após a informação divulgada pelos próprios procuradores da força-tarefa de Curitiba, nas mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil, foi que o ministro relator da Lava Jato no Supremo, Edson Fachin, solicitou explicações à primeira instância de Curitiba.
Não mais sob o comando de Moro, o substituto juiz federal Luiz Antonio Bonat afirmou que parte das conversas havia sido deixada de fora dos processos em sigilo porque justamente poderiam ocorrer vazamentos. Além de admitir a prática, Bonat disse que não foi Moro, mas a Polícia Federal quem grampeou as conversas, omitindo a abertura e quebra dos sigilos determinados pelo ex-magistrado naquele 16 de março de 2016.
Entretanto, o juiz disse que não foi Sergio Moro, mas a PF, que deixou de incluir alguns áudios nos autos do processo, o que acabou confirmando a responsabilidade de Moro nos vazamentos, e que os investigadores retiraram os trechos de conversas pessoais do ex-presidente por “respeito à intimidade” de Lula.
Justificou, por outro lado, que os grampos feitos em pessoas que detinham foro privilegiado, no caso de Dilma, ocorreram de forma “fortuita”, uma vez que a investigação era direcionada contra Lula.