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quinta-feira, 9 de junho de 2016

Aumentam manifestações internacionais reconhecendo golpe no Brasil

Especialistas ressaltam que repúdio forçará guinada nas relações exteriores 


Jornal GGN - Cresce o número de organizações que repudiam o golpe de estado no Brasil. A reportagem à seguir, do Brasil Atual, destaca manifestações que ocorreram durante conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT), vinculada à ONU, a moção de 30 eurodeputados que pediram à Alta Representante da União Europeia para Política Externa e Segurança, Federica Mogherini, que não negocie com Michel Temer, nos acordos entre o bloco e o Mercosul, a divulgação de notas oficiais da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e da Organização dos Estados Americanos (OEA), contra o afastamento forçado de Dilma e, ainda, a condenação de golpe pela União de Nações Sul-americana (Unasul), e por diversos países da região. 
Em suma, a pressão internacional contra o golpe no Brasil não vem só da imprensa estrangeira. Entretanto, apesar do cenário, dificilmente algum país irá romper relações diplomáticas com o Brasil, avaliam especialistas entrevistados para a matéria.   
Especialistas lembram repúdio de integrantes da sociedade civil no exterior e ressaltam eventual dano que guinada nas relações exteriores pode causar ao país
Por Rodolfo Wrolli
São Paulo – O filme do Brasil está cada vez mais queimado lá fora. Não são apenas os veículos de comunicação internacionais que andam denunciando a situação política que levou ao afastamento da presidenta Dilma Rousseff e à nomeação de ministros corruptos. O repúdio também emana de diversos países e organismos internacionais.
Ontem (3), ao negar o golpe, um diplomata brasileiro foi vaiado durante conferência da Organização Internacional do Trabalho, organismo vinculado a Organização das Nações Unidas (ONU).
A presidenta da sessão, Cecilia Mulindeti-Kamanga, cortou a fala do diplomata, alegando que o representante do governo infringiu as regras da conferência ao tratar de assunto fora da pauta.
Esta foi só a mais recente manifestação de repúdio em instâncias internacionais. No final do mês de maio, 30 eurodeputados assinaram carta enviada à Alta Representante da União Europeia (UE) para Política Externa e Segurança, Federica Mogherini, reivindicando que não negocie com o presidente interino Michel Temer. O governo brasileiro lidera o acordo comercial entre o bloco e o Mercosul.
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), a mais importante comissão da ONU no subcontinente, divulgou em março nota com teor forte em que presta total apoio ao mandato de Dilma Rousseff e conclama a sociedade brasileira a respeitar o resultado das urnas, sob o risco de desestabilizar a democracia em todo o continente.
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, igualmente defendeu o mandato da presidenta eleita e criticou as tentativas de tirá-la do cargo sem fundamento jurídico. Na sua avaliação, Dilma demonstra um claro compromisso com a transparência institucional e a defesa dos ganhos sociais alcançados pelo país. “É a realização de um processo de impeachment de uma presidente que não é acusada de nada, não responde por nenhum ato ilegal, sobretudo porque vemos que entre os que podem acionar o processo de impeachment existem congressistas acusados e culpados. É o mundo ao contrário”, afirmou.
A União de Nações Sul-americanas (Unasul) condenou seguidas vezes o processo de destituição da presidenta Dilma. O secretário-geral do organismo, Ernesto Samper, declarou que um julgamento político contra um presidente que não cometeu qualquer crime abre precedentes para que isso aconteça de forma indiscriminada em toda a região.
Países da América Latina foram os primeiros a se manifestar contra o golpe. Cuba, Nicarágua, Chile, Bolívia, Uruguai, El Salvador, Equador e Venezuela criticaram o processo de impeachment e expressaram apoio a Dilma. Os três últimos convocaram seus embaixadores de volta. Na linguagem diplomática, essa medida representa profundo descontentamento com o país onde se localiza a embaixada.
Sociedade civil
O coordenador do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, Giorgio Romano, ressalta, no entanto, que nenhum país ou organismo internacional vai romper relações com o Brasil por causa do golpe. Para ele, muito mais importante que essas reações é a pressão da sociedade civil no exterior, como as verificadas no festival de cinema de Cannes, em maio, quando os atores brasileiros do filme Aquarius – que concorreu à Palma de Ouro – denunciaram ao mundo a situação política brasileira.
Ele também cita a cobertura internacional da imprensa, que “simplesmente parou de reproduzir o que a Globo e companhia noticiavam e mandou os correspondentes trabalharem”.
O protesto de intelectuais que levaram o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a cancelar sua participação numa palestra sobre democracia na América Latina também foi lembrado por Romano.
Um grupo de integrantes da Associação de Estudos Latino-Americanos (Lasa), entre intelectuais brasileiros e estrangeiros, encaminhou à entidade petição defendendo ser inapropriado o tucano participar do painel organizado pela instituição no momento em que o PSDB é apontado como um dos colaboradores de um golpe no Brasil.
“Os relatos que temos é que o pessoal ligado o governo está extremamente incomodado com isso”, diz Romano. “O posicionamento da mídia e da sociedade civil internacional é muito crítico em relação ao processo [de destituição de Dilma Rousseff]. É evidente que um ministério formado apenas por homens brancos, muitos envolvidos em corrupção, gerou um desconforto. Tudo isso alimenta na Europa e nos Estados Unidos a ideia de instabilidade política.”
Guinada na política externa
Soma-se a isso a guinada que o governo interino vem implantando na política externa. O novo ministro das Relações Exteriores, José Serra (foto acima, à esquerda), já sinalizou a intenção de fechar postos diplomáticos abertos nos governos Lula (2003-2010) e Dilma Rousseff na África e no Caribe. Desde 2003 o Brasil vinha intensificando as relações entre países em desenvolvimento.
Em seu discurso de posse, Serra afirmou que a partir de agora as relações exteriores irão “atender à sociedade e não a um partido”. Entre as novas diretrizes, o tucano citou a prioridade das relações com os Estados Unidos e com Argentina, México, também comandados por governos neoliberais.
“O que está se tentando fazer num curto espaço de tempo é o que geralmente não se faz em política externa, que é tentar dar uma guinada muito rápida, por isso essa avalanche de críticas de organismos internacionais e países vizinhos”, afirma Moisés da Silva Marques, doutor em Relações Internacionais pela USP e coordenador do Centro Acadêmico 28 de agosto.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento Europeu envia carta à chefe da diplomacia europeia exigindo posicionamento sobre o Golpe no Brasil


Do Opera Mundi

O eurodeputado espanhol Javier Couso, membro da coalizão Esquerda Unida e vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento Europeu, enviou nesta segunda-feira (02/05) uma carta à chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, pedindo que o bloco se posicione oficialmente sobre o processo de impeachment da presidente do Brasil, Dilma Rousseff.
“Quero saber qual é a postura da União Europeia em tudo isso [situação política no Brasil]”, disse Couso na carta. “A UE precisa ter um posicionamento claro diante do que está ocorrendo, porque está pondo em risco a democracia brasileira”.
EFE

Em carta, vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento Europeu pediu posicionamento da UE sobre impeachment
Couso se refere ao impeachment como “golpe brando” e pergunta se a UE está acompanhando a crise política brasileira, que “desestabiliza a sexta economia do mundo”. O eurodeputado disse ainda que o processo contra a presidente Dilma está interrompendo “a normalidade institucional” do país e a oposição tem a única intenção de “ganhar por trapaça o que não conseguiu ganhar nas urnas”.

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Segundo Couso, os parlamentares brasileiros que são favoráveis ao impeachment “contam com o apoio do setor empresarial, financeiro e midiático” e “tentam tirar do poder um governo eleito democraticamente pelo povo brasileiro, com mais de 54 milhões de votos”.
“Boa parte desses deputados que votaram para derrubar Dilma estão sendo investigados por corrupção. É um escândalo”, disse o eurodeputado.
Em 20 de abril, três dias após a Câmara dos Deputados votar a favor da admissibilidade do processo de impeachment, a deputada portuguesa Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda, fez um pronunciamento na Assembleia da República no qual chamou a votação na Câmara de “degradante espetáculo” e mencionou que o nome do vice-presidente Michel Temer foi citado em investigações da Operação Lava Jato. “Para encobrir o nepotismo e proteger os seus próprios interesses os golpistas não se limitaram a opor-se ao governo, atiraram à Constituição e, com ela, à democracia”, disse Mortágua.