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sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Polícia de SP e de Tarcísio de Freitas ficou seis dias com celular de assessor de Moraes; Zambelli foi avisada de ocorrência. Artigo de Rodrigo Vianna

 

"A Polícia Civil de São Paulo ficou pelo menos seis dias de posse do telefone celular de Eduardo Tagliaferro, ex-perito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citado em reportagem da Folha de S. Paulo, jornal de direita paulista. A matéria, assinada por Fabio Serapião e Glenn Greenwald, tentou atingir o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes (...)"


Segue o artigo completo de Rodrigo Vianna, publicado pelo Instituto Conhecimento Liberta:

Polícia de SP ficou seis dias com celular de assessor de Moraes; Zambelli foi avisada de ocorrência

"A polícia levou quase 24h para ter um súbito interesse pelo conteúdo guardado no telefone?", questiona Rodrigo Vianna


Por Rodrigo Vianna

A Polícia Civil de São Paulo ficou pelo menos seis dias de posse do telefone celular de Eduardo Tagliaferro, ex-perito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citado em reportagem da Folha de S. Paulo, jornal de direita paulista. A matéria, assinada por Fabio Serapião e Glenn Greenwald, tentou atingir o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, acusado pelo diário de agir “fora do rito”, ao utilizar estrutura do TSE para apurar ações golpistas do bolsonarismo.

Tagliaferro aparece em vários dos diálogos reproduzidos pela Folha, conversando com outros auxiliares de Moraes. Greenwald e Serapião afirmam que as mensagens não foram obtidas com hackeamento ilegal. E, por óbvio, não têm nenhuma obrigação de revelar como obtiveram os diálogos. Ao contrário, podem e devem proteger suas fontes.

Mas como a reportagem da Folha tem servido de munição para a extrema direita atacar Moraes, até com pedidos de impeachment, abre-se caminho para uma importante indagação: quem teria copiado as mensagens e repassado aos jornalistas? O material veio da polícia? Ou seria fruto de arapongagem militar?

Este jornalista teve acesso a dois registros oficiais da polícia paulista, que ajudam a entender a cronologia dos fatos.

No dia 8/05/23, Eduardo Tagliaferro foi preso na Grande São Paulo. Na época, ele atuava em Brasília, como um especialista em tecnologia que auxiliava nas investigações conduzidas pelo TSE, elaborando relatórios sobre fake news e ataques ao sistema eleitoral, que eram entregues a Moraes.

A família de Tagliaferro permaneceu em São Paulo, e o perito costumava se deslocar entre as duas cidades para encontrar a esposa. Foi num desses reencontros que ocorreu grave desentendimento. Tagliaferro teria ameaçado a mulher com uso de arma de fogo. Ela chamou a polícia, e o perito do TSE foi preso.

Era um grave episódio de violência, mas ganhou contornos políticos quando a deputada bolsonarista Carla Zambelli fez uma postagem, nas primeiras horas da manhã do dia 9/05/2023: “O assessor de um homem poderoso no Brasil está na delegacia”.

Reparem: Zambelli fez a postagem enquanto Tagliaferro ainda era ouvido nas dependências da polícia paulista, no município de Caieiras, na Grande São Paulo. Quem avisou Zambelli sobre o potencial político daquele caso, que começara como episódio de violência doméstica?

Não temos a resposta. Mas sabemos que o caso foi conduzido pela delegada Luciana Rafaelli Santini, como se observa no trecho final do boletim de ocorrência emitido pela Delegacia de Caieiras, às 6:10 da manhã do dia 9/05/23.

 

Naquele mesmo dia 9, ocorre um fato curioso: a polícia paulista, chefiada pelo governador bolsonarista Tarcísio de Freitas, dá ordem para que o celular de Tagliaferro seja recolhido. É o que vemos em outro documento reproduzido abaixo. Nele, fica claro que o aparelho — da marca Apple, com dois chips — foi levado à delegacia pelo cunhado de Tagliaferro. Por que o interesse no celular?

A polícia pode dizer que procurava no aparelho provas ou indícios de brigas ou ameaças do perito contra a esposa. Mas foi só isso? E por que Zambelli se apressou em politizar o caso de violência doméstica? Outra pergunta fundamental é: por que Tagliaferro foi preso no dia 8 à noite, e o celular dele só foi apreendido depois? A polícia levou quase 24h para ter um súbito interesse pelo conteúdo guardado no telefone?

O fato é que só no dia 15/05/23 o aparelho foi devolvido a Tagliaferro. A polícia de Tarcísio passou seis dias com o celular à disposição. Foram extraídos todos os dados do aparelho? Ou só aqueles que interessavam à investigação sobre violência doméstica?

 

O que se sabe é que Tagliaferro foi imediatamente afastado de suas funções no TSE, após o episódio. Este jornalista conversou com uma fonte em Brasília que garante: os funcionários do gabinete de Moraes receberam a instrução de bloquear Tagliaferro nas redes e evitar contato com ele, o que teria deixado o perito magoado com os antigos colegas.

Circulam nas redes sociais vídeos em que Tagliaferro participa de programas na rádio de extrema direita paulista Jovem Pan, defendendo o uso e porte de armas… Quem conhece Tagliaferro mais de perto diz que ele não tem um perfil de gestor comprometido com temas da democracia e estranha que ele tenha integrado um gabinete estratégico — que investigava postagens golpistas.

O que importa é que, um ano e três meses depois da prisão e apreensão do celular, as mensagens vazaram, numa operação midiática que tem como objetivo claro enfraquecer Moraes e anistiar o líder extremista Jair Bolsonaro.

As conversas vazadas, segundo a maior parte dos juristas ouvidos pelo ICL e por outros meios de comunicação, não indicam ilegalidades cometidas por Moraes. Mas servem como ferramenta de agitação política.

O próprio Tagliaferro poderia ter vazado o conteúdo? Foi a pergunta que fiz à fonte de Brasília, que teve interlocução constante com ele no período em que o perito atuava no TSE.

“É uma possibilidade, mas eu acho uma hipótese muito frágil, porque se passaram um ano e três meses. Para o Tagliaferro, não faz sentido se vingar só agora”, diz a fonte.

O vazamento das mensagens e a forma como a Folha tratou o episódio indicam forte articulação de bastidor para enfraquecer Moraes e salvar Jair. Chama atenção que Zambelli tenha deixado suas digitais em mais esse episódio, indicando que a deputada extremista não é mesmo provida de grande inteligência — como disse certa vez a ministra Carmen Lúcia.

Ainda assim, fica a pergunta: se os arquivos foram extraídos do celular de Tagliaferro em maio de 2023, por que só vazaram agora?

São perguntas em aberto.

 

SAIBA MAIS:

A questão Alexandre de Moraes

Folha passa recibo e fala em ‘lacre’ no celular de ex-assessor de Moraes. Artigo de Rodrigo Vianna

 



Por Rodrigo Vianna, no Instituto Conhecimento Liberta - ICL

Quase sete horas depois de o ICL Notícias publicar um extenso artigo, com descrição detalhada sobre a estranha apreensão de um celular do ex-perito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Eduardo Tagliaferro, a Folha de S. Paulo decidiu reagir.

O jornal paulista escolheu uma curiosa manchete para entrar no assunto: “Celular de ex-assessor do TSE que municiou inquéritos de Moraes foi lacrado após apreensão, diz BO”.

Jornalistas experientes entenderam a publicação da seguinte forma: a Folha passou um recibo gigante.

Vamos relembrar a história…

O ICL Notícias mostrou, nesta quinta-feira (15), que a Polícia Civil de São Paulo apreendeu e permaneceu pelo menos seis dias de posse do celular de Tagliaferro. O perito, que trabalhava para o ministro Alexandre de Moraes no TSE, foi preso no dia 8 de maio de 2023 por agredir a mulher na Grande São Paulo. A deputada bolsonarista Carla Zambelli foi informada da prisão, enquanto o assessor de Moraes ainda prestava depoimento na delegacia, e fez uma postagem sobre o fato na manhã do dia 9.

Tagliaferro foi um dos assessores citados em controversa reportagem da mesma Folha no início da semana, que reproduziu trocas de mensagens entre funcionários a serviço de Moraes. A matéria, assinada por Glenn Greenwald e Fábio Serapião, tentava demonstrar que o ministro usou estrutura do TSE para investigar golpistas ligados a Bolsonaro — mas sem seguir os devidos “ritos“, como definiu a Folha.

Detalhe: a matéria original de Glenn e Serapião omitiu o fato de que o celular de Tagliaferro fora apreendido pela polícia paulista, comandada pelo governador bolsonarista Tarcísio de Freitas. Só depois que o ICL Notícias trouxe os detalhes da apreensão é que a Folha respondeu, passando o imenso recibo.

O objetivo parece ser o de livrar a cara da polícia de do governador Tarcísio de Freitas: o celular de Tagliaferro foi de fato apreendido, admite agora o jornal, mas permaneceu “lacrado” na delegacia. Seria uma forma — de dizer que a polícia paulista não bisbilhotou o celular do então assessor de Moraes. Portanto, não seria a polícia de Tarcísio a origem da munição usada contra Moraes.

Recapitulemos os fatos: a polícia prendeu Tagliaferro no dia 8 de maio de 2023; Zambelli foi informada que um peixe grande ligado a Moraes tinha sido fisgado, e de forma afoita deu publicidade ao fato no dia 9; nesse mesmo dia 9, a polícia requisitou o celular do assessor fisgado mas… numa ação pura e angelical… decidiu lacrar o aparelho, que permaneceu intocado numa gaveta.

A Folha quer que os leitores acreditem nessa fábula?

Por que a polícia apreenderia um celular que permaneceria “lacrado”? Para zelar por ele? Para trocar a capa do aparelho? Para recarregar a bateria do telefone na delegacia?

Hum…

A Folha embarcou numa canoa furada ao publicar a tese mal ajambrada de que Moraes agiu “fora do rito”. Dobrou a aposta, dois dias depois, ao endossar a ideia de que um Moraes “fora do rito” enseja nulidade das investigações contra Bolsonaro, o que deixou a extrema direita em feliz alvoroço.

Juristas rapidamente desmontaram as falácias da Folha. Mas o jornal insiste, e agora tenta vender a história de um celular “lacrado”.

É evidente que Glenn e Serapião têm o direito — e até o dever — de proteger as fontes que forneceram a matéria-prima de sua reportagem. Isso não se discute.

Mas podemos discutir, sim, a má qualidade de um jornalismo que tenta torcer os fatos, até que eles caibam em suas teses. E age assim, sabendo que isso favorece o movimento de uma extrema direita autoritária e golpista.

 

SAIBA MAIS:

Moraes diz que pedido ao TSE era caminho mais eficiente para investigações

domingo, 23 de outubro de 2022

Rodrigo Vianna: Após explosão de gastos com campanha, Bolsonaro e Guedes planejam ‘achatar piso’ dos mais pobres

 Da Rede TVT:

No quadro ‘Receita da Semana’, o jornalista Rodrigo Vianna fala sobre o plano econômico de Paulo Guedes e Bolsonaro em não reajustar aposentadoria e o salário mínimo pela inflação e comenta a participação de Lula no FlowPodcast, furando a bolha e atingindo recorde de audiência.



terça-feira, 23 de agosto de 2022

Rodrigo Vianna sobre Bolsonaro no JN: zero a zero, com um show patente de mentiras que Bonner (e o Ali Kamel) não quis desmontar

 

"Bonner (e o Ali Kamel, no ponto) foram mansinhos, atrapalhados. Serão assim com Lula? A Globo foi tchutchuca do capitão", analisa o jornalista Rodrigo Vianna, vencedor dos Prêmios Vladimir Herzog e Embratel de Jornalismo, é também Mestre em História Social pela USP

www.brasil247.com - Jair Bolsonaro, William Bonner e Renata Vasconcellos

Jair Bolsonaro, William Bonner e Renata Vasconcellos (Foto: Reprodução)

Por Rodrigo Vianna

Minhas observações, a quente, sobre Bolsonaro no JN...

1 Alguns na oposição tinham a expectativa (ou o desejo) de que a entrevista seria um desastre para o capetão, de que ele seria atropelado etc.

E não foi.

2 Mas está longe de ter sido um passeio bolsonarista. O presidente delinquente nao conseguiu usar a tribuna para falar pra fora da bolha dele.

3 Não acho que a história da corrupção ficou boa pro sujeito: Centrão na testa, cinco ministros da Educação, escândalo dos pastores. Tudo exposto, para milhões de brasileiras e brasileiros obrigados a ver a pele maltratada de um presidente decrépito. Faltou maquiagem? Certamente, aquilo foi proposital; assim como a ridícula colinha na palma da mão, para gerar engajamento e buscas na segunda tela.

4 Ele nao foi nocauteado (longe disso), mas não vi uma boa performance do pai de Carluxo.

Ficou no zero a zero.

5 Além disso, o amigo do Queiroz não se comunicou bem com as mulheres (que era um objetivo declarado do bolsonarismo ao ocupar a tribuna na Globo). Tratou a Renata mal, interrompeu pra caramba a apresentadora mulher, enquanto foi mais manso com Bonner.

6 Bolsonaro até pode comemorar porque passou quase ileso pelo JN. Mas não foi uma entrevista pra mudar muita coisa na eleição.

7 Já o Bonner (e o Ali Kamel, no ponto) foram mal.

Ou será que foram bem? Era essa a encomenda, quem sabe...

Mansinhos, atrapalhados. Serão assim com Lula?

A Globo foi tchutchuca do capitão.

domingo, 7 de agosto de 2022

O Tempero da Notícias, com Rodrigo Vianna: Brasil em alerta máximo para a tentativa terrorista bolsonarista de forjar um atentado ao estilo do Rio Centro 1981 e melar as eleições

 

Da Rede TVT e Brasil de Fato:

A TVT, em parceria com o Brasil de Fato, exibe o programa Tempero da Notícia com Rodrigo Vianna. O jornalista faz análises dos principais fatos políticos e econômicos da semana. Nesta semana Rodrigo Vianna fala sobre a ameaça de um novo ataque Riocentro organizada por bolsonaristas e da exigência das Forças Armadas em inspecionar as urnas eletrônicas.



quinta-feira, 12 de maio de 2022

Rodrigo Vianna sobre a conspiração dos militares Heleno, Ramos e Braga Netto contra a Democracia brasileira para se perpetuarem no poder

 

Do Canal Cortes 247:


Rodrigo Vianna é jornalista. Passou por Folha, TV Cultura, Globo e Record, e hoje apresenta o "Boa Noite 247". Vencedor dos Prêmios Vladimir Herzog e Embratel de Jornalismo, é também Mestre em História Social pela USP.


domingo, 8 de maio de 2022

Programa O Tempero da Notícias, com o jornalista Rodrigo Vianna: Lula na capa da time e o recado da CIA ao Bolsonaro golpista e seus asseclas

 

Nesta semana Rodrigo Vianna fala sobre o destaque de Lula na capa da revista americana Time, onde foi retratado como um estadista e analisa a reação da imprensa brasileira e a fúria dos opositores de Lula. O caso de racismo no metrô de São Paulo e o desaparecimento de yanomamis na Amazônia também são destaques no programa dessa semana.

Da TVT e Brasil de Fato:




terça-feira, 12 de abril de 2022

Novo escândalo de CORRUPÇÃO no governo Bolsonaro-militares-a mamata acabou vira piada na internet

 

Do Canal Cortes 247:


Rodrigo Vianna é jornalista. Passou por Folha, TV Cultura, Globo e Record, e hoje apresenta o "Boa Noite 247". Vencedor dos Prêmios Vladimir Herzog e Embratel de Jornalismo, é também Mestre em História Social pela USP


domingo, 10 de abril de 2022

“Bolsonaristas ameaçam Lula e mostram que são milícia que merece ser derrotada”. Trecho do programa O Tempero da Notícia, com Rodrigo Vianna

 

Da Rede TVT:

No quadro ‘Receita da Semana’ do programa Tempero da Notícia, o jornalista Rodrigo Vianna analisa a denúncia da possível ligação do Palácio Planalto com a execução de Adriano da Nóbrega e a tentativa de Fabrício Queiroz de livrar a família Bolsonaro e responsabilizar Wilson Witzel. Vianna traz também atualizações da Guerra na Ucrânia e analisa as últimas pesquisas eleitorais além das ameaças de deputados bolsonaristas ao ex-presidente Lula.



sexta-feira, 8 de abril de 2022

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

terça-feira, 12 de outubro de 2021

Grande mídia, dos barões e suas famílias igualmente envolvidas em evasão de divisas para offshores, esconde o escândalo dos paraísos fiscais de Paulo Guedes e Roberto Campos Neto. Vídeo com o jornalista Rodrigo Vianna

 

Do Brasil de Fato e Rede TVT:

Na edição do Tempero da Notícia desta semana, Rodrigo Vianna traz a análise sobre as revelações do projeto Pandora Papers, do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que apontam, entre mais de 300 figuras públicas, o ministro da Economia Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, como mantenedores de recursos em contas offshore no exterior. Ambos terão que prestar explicações na Câmara e no Senado.


A TVT e a Rádio Brasil Atual, em parceria com Brasil de Fato, exibem o programa Tempero da Notícia com Rodrigo Vianna. O jornalista faz a análise dos principais fatos políticos e econômicos da semana.

domingo, 12 de setembro de 2021

Resumo da ópera bufa de Bolsonaro na semana do frustrado 7 de setembro golpista em vídeo do jornalista Rodrigo Vianna

 

Do Canal Brasil de Fato:



Jair Bolsonaro (sem partido) recuando após incentivar o caos e defender golpe contra o Supremo Tribunal Federal (STF) no 7 de setembro é um dos destaques do comentário político de Rodrigo Vianna no Programa Tempero da Notícia desta semana. Veja a análise do jornalista sobre as repercussões das expectativas para os atos de 7 de setembro e os movimentos no Palácio do Planalto, na rede bolsonarista, Congresso Nacional e mercado.

Vianna aborda também os atos contrários ao presidente em mais de 160 cidades do Brasil e do exterior e a crescente percepção do ex-presidente Lula como liderança política alternativa ao projeto de poder da extrema direita de Bolsonaro. Acesse o nosso site para mais notícias: http://www.brasildefato.com.br

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Rodrigo Vianna: pintar Sérgio Moro de super herói era prova de infantilização e imbecilização do Brasil

 

Do Canal 247:

Rodrigo Vianna é jornalista. Passou por Folha, TV Cultura, Globo e Record, e hoje apresenta o "Boa Noite 247". Vencedor dos Prêmios Vladimir Herzog e Embratel de Jornalismo, é também Mestre em História Social pela USP. Dayane Santos é editora e apresentadora na TV 247.





segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Fora Bolsonaro: os cenários para a crise terrível que se aprofunda. Por Rodrigo Vianna

 

"A poio popular a Bolsonaro derrete, ao mesmo tempo em que parte importante da elite brasileira passa a falar abertamente em impeachment", avalia o jornalista Rodrigo Vianna. "A direita quer a derrubada do capitão para fortalecer o projeto neoliberal, com Mourão e militares; a esquerda quer o impeachment e o fim do programa ultraliberal autoritário; quem ganha esse jogo?", questiona

Brasília- DF. 21-05-2020- Presidenta do PT, Gleisi Hoffmann e parlamentares da oposição durante entrevista após entrar com pedido de impeachment do Bolsonaro.

Brasília- DF. 21-05-2020- Presidenta do PT, Gleisi Hoffmann e parlamentares da oposição durante entrevista após entrar com pedido de impeachment do Bolsonaro. (Foto: LULA MARQUES)

247. - Os sinais já vinham desde a virada do ano. Mas se agudizaram com o caos em Manaus e a incapacidade do governo federal de providenciar as vacinas... E os sinais vêm tanto do andar de baixo, quanto do andar de cima.

A Globo, via Merval Pereira, porta-voz da família Marinho, já apoiara o afastamento do presidente. O Estadão, jornal que dialoga com parte da classe média paulistana e é gerido por um comitê de bancos, defendeu agora em editorial o afastamento imediato de Bolsonaro. A Folha abriu espaço para uma (boa) reportagem mostrando com gráficos e tabelas todos os crimes e atos inconstitucionais de Bolsonaro, que ensejam o pedido de impeachment.

A elite econômica está atônita com a incapacidade do governo de estabelecer um horizonte razoável no combate à pandemia. Sem a vacina, comérco/serviços/turismo não voltam ao normal. Já os bancos não reclamam de Bolsonaro/Guedes, mas ligaram também o sinal de alerta porque o castelo de cartas pode se desfazer.

As cúpulas dos partidos tradicionais de direita (PSDB, DEM e MDB) debatem o impeachment. E mesmo parlamentares do Centrão, informa o site Congresso em Foco, conversam sobre o tema. Até a Record e a Igreja Universal abandonaram a defesa incondicional do projeto de destruição sanitária do bolsonarismo.

Isso tudo não significa que o impeachment é fato consumado. Não. O bolsonarismo tem capacidade de reagir e de negociar situações intermediárias, o que já fez em meados de 2020, ao se livrar de estridentes defensores do fechamento do STF (Sara Winter, Weintraub et caterva), colocando-se sob as rédeas do Centrão. Se Artur Lira virar presidente da Câmara - o que hoje parece provável - esse cenário de rendição ao Centrão estará mais forte.

Mas a crise social e a incompetência absoluta movem os donos do dinheiro para a derrubada do capitão cloroquina e sua trupe mal ajambrada - que, além de tudo, ficaram sem o tutor Donald Trump. A burguesia quer alguma racionalidade. Já ensaiou a tática de colocar o capitão na coleira em 2020. Mas assim que ele se solta, corre pra morder os donos. Um perigo...

CENÁRIOS PARA A DIREITA

O cálculo da elite brasileira hoje é: o que custa mais? suportar o caos de Bolsonaro por dois anos, ou iniciar um impeachment que vai levar todo o ano de 2021? Ora, se o ano já está mesmo perdido para a Covid e o caos sanitário, melhor é adiantar o serviço e derrubar logo o presidente.

A queda de Bolsonaro arruma o jogo para a direita. Entra Mourão, num governo de transição. O governo segue a ser dos militares. Mourão faz as reformas que Temer e Bolsonaro não finalizaram (Tributária, Administrativa), acalma o mercado, enterra as loucuras terraplanistas e toca o terror no andar de baixo. Em suma: um governo da "ordem", para segurar o caos social.

No papel, é o mais racional.

Mas quem disse que Bolsonaro cai? Ah, o capitão vai dar muito trabalho...

Ele não tem Mídia/Empresários tradicionais/Partidos liberais; mas segura no gogó, no zap e nos cargos a turba de evangélicos/militares/milicianos. Até quando?

Ninguém se anima a derrubar governo com quase 40% de aprovação. Mas Bolsonaro desceu a ladeira esta semana. Pesquisa Ideia/Exame mostra o governo com 27% de ótimo/bom (em queda livre) e 45% de ruim/péssimo (aumento de 11 pontos, em apenas sete dias). 

O apoio a Bolsonaro no Norte/Nordeste despencou: por causa da falta de oxigênio em Manaus, por causa do fim do auxílio emergencial e pela lambança generalizada nas vacinas.

A direita tradicional, por isso, virou a chavinha e iniciou o processo de impeachment. Isso significa que o consórcio golpista de 2016, e que se juntou de novo em 2018 pra barrar a vitória de Lula/Haddad, se desfez momentaneamente. 

O que a esquerda deve fazer?

A ESQUERDA E O IMPEACHMENT

O senador Jaques Wagner, um petista moderado, disse que é preciso "ir com calma" com essa converesa de impeachment. Ele provavelmente acha que a derrubada do capitão arruma o jogo pra direita. É fato.

Mas então vamos assistir de fora? Não creio. A base de esquerda quer a queda do capitão. O que a esquerda deveria pensar é numa tática e numa palavra de ordem que delimitem diferenças em relação à direita "limpinha" que agora quer derrubar Bolsonaro (Huck, Moro, Mandetta, Globo - toda essa turma que nós sabemos bem o que fez no verão passado).

Uma bandeira interessante, parece-me, seria: "Fora Bolsonaro! Leve Guedes e os milicos junto"

A direita quer o impeachment para aprofundar o programa neoliberal. A esquerda quer o impeachment para enterrar o programa neoliberal e enfraquecer o projeto autoritário dos militares.

QUEM GANHA O JOGO?

A direita antibolsonaro tem a máquina midiática, mas não tem povo pra colocar na rua. A esquerda tem povo; não agora, com a pandemia, mas logo à frente...

Bolsonaro pode cair, fruto do caos que implantou no país. A derrubada dele pode significar mais liberalismo, ou pode significar uma virada de página, rumo a um projeto que Argentina e Bolívia (e, ao que parece, em breve também o Equador) conseguiram recuperar.

Até meados de 2021, podemos ter seis cenários, que listarei abaixo pela ordem do que considero mais provável, dada a atual correlação de forças na sociedade:

1 - Bolsonaro cai, mas o neoliberalismo fica com Mourão;

2 - Bolsonaro e o neoliberalismo saem, mas os militares ficam para arbitrar a retomada pós pandemia;

3 - Bolsonaro fica, domado pelo Centrão e os militares, e chega a 2022 com alguma força para embaralhar o jogo, apesar do caos sanitário e social;

4 - Bolsonaro fica, enfraquecido, e arrasta para o buraco militares e neoliberais (além de todo o país); a esquerda em tese se fortalece para 2022, se houver eleição;

5 - Bolsonaro cai depois de uma longa batalha, arrasta com ele militares e o programa neoliberal; abre-se uma crise institucional que termina com nova Constituinte;

6 - Bolsonaro fica, endurece o regime, e consolida um longo período autoritário.    

Só os cenários 4 e 5 interessam à esquerda. Os moderados do PT jogam com a opção 4. A opção 5 depende de fatores imponderáveis: povo na rua, novos atores sociais, emergência de protestos do mesmo tipo que varreram o Chile.

Quem olha para o país deve avaliar com realismo a correlação de forças, mas sabendo que movimentos sociais/partidos/lideranças agem para mudar o jogo de forças, ou para aproveitar mudanças rápidas geradas pela crise capitalista.

As pedras se mexeram nesse começo de 2021. A hora de definir a partida começa agora.  

O conhecimento liberta. Saiba mais