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sexta-feira, 22 de março de 2024

Desmascarando: Nos áudios prentensamente "vazados" para a Veja, Mauro Cid demonstra sua associação com Bolsonaro e a mentalidade militar tradicional e golpista, atacando o STF insinuando que foi torturado por Alexandre de Moraes para delatar

 

Do Canal Desmascarando:




Jeferson Miola: Exército posicionou tropas e blindados para impedir prisão da esposa e da filha do general Villas Bôas no acampamento

 

'Há provas da atuação institucional das cúpulas das Forças Armadas na tentativa de golpe contra a democracia', escreve o colunista Jeferson Miola

Villas Bôas
Villas Bôas (Foto: Marcos Oliveira)

O general Júlio César Arruda assumiu o comando do Exército em 30 de dezembro de 2022 no lugar do general Freire Gomes, que junto com os insubordinados comandantes bolsonaristas da Aeronáutica e da Marinha abandonou o comando. Tudo porque eles não reconheciam o resultado da eleição e não aceitavam ter de bater continência ao presidente eleito pela soberania popular para ser o comandante supremo das Forças Armadas.

O general Arruda comandou o Exército brasileiro apenas durante os 21 dias iniciais do governo Lula; foi o mais breve no cargo na história da República.

Ele acabou demitido em 21 de janeiro de 2023 por descumprir ordem do presidente Lula de anular a nomeação do Mauro Cid para o comando do 1º Batalhão de Ações e Comandos do Exército, sediado em Goiânia.

Mas Arruda poderia [ou deveria] ter sido demitido bem antes, e inclusive recebido voz de prisão dos ministros Flávio Dino e José Múcio ou do interventor Ricardo Capelli ainda na noite de 8 de janeiro.

Naquela ocasião, ele afrontou o judiciário e o poder civil ao posicionar ostensivamente tropas e blindados para impedir o cumprimento da ordem judicial da Suprema Corte de prisão dos criminosos acampados no QG do Exército.

Sabia-se até então que o general Arruda teria agido dessa maneira para esconder delinquentes fardados e impedir a prisão de oficiais da ativa e da reserva e integrantes da família militar que participaram dos atentados no STF, no Congresso e no Planalto e depois se amotinaram no Quartel-General do Exército brasileiro juntamente com outros criminosos lá acampados.

Sabe-se hoje, no entanto, graças à bombástica apuração da competente jornalista Denise Assis, que o motivo real para decisão tão grave do general Arruda, que poderia lhe custar o próprio cargo, foi as presenças da esposa e da filha do general Villas Bôas dentre os criminosos amotinados no QG do Exército.

Arruda mandou posicionar as tropas e blindados em linha de combate contra a PM do Distrito Federal para impedir que fosse executada a prisão da Dona Cida, como é conhecida Maria Aparecida Villas Bôas, e de Ticiana Hass Villas Bôas, que lá se encontravam.

Denise Assis confirmou com “uma fonte muito considerada do meio militar” que a esposa e a filha do general Villas Bôas estiveram na Praça dos Três Poderes durante as depredações do 8 de janeiro, e depois se refugiaram no acampamento do QG do Exército, onde “correram o risco de serem levadas para o presídio da Papuda”.

Arruda teria combinado a manobra “com o general Gustavo Henrique Dutra, chefe do Comando Militar do Planalto, e teve como objetivo ganhar tempo na negociação que passaria a ocorrer a partir daquele momento”, ela explica.

O enredo descrito pela jornalista Denise Assis sobre aquelas horas tensas é cinematográfico: “Enquanto Arruda se apressou em posicionar os blindados, […] o general Dutra ligou para o general Gonçalves Dias. Precisava falar urgentemente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que àquela altura já retornara de sua viagem a Araraquara (SP)”.

Denise descreve que no telefonema para o presidente Lula, o general Dutra “tinha o objetivo de abrir o jogo. Ser claro. Não havia como liberar as prisões, sob pena de expor o general Eduardo Villas Boas, um dos quadros mais considerados pelos militares, prendendo a filha e a esposa daquele a quem todos chamam, segundo a fonte, de ‘o Líder’”.

“Aterrorizado com a ideia da desmoralização de Villas Boas, o que mancharia ainda mais a imagem das Forças Armadas, e do ‘Líder’, Dutra se encorajou e conseguiu que o general Gonçalves Dias passasse o telefone para Lula. Dutra então expôs para o presidente o porquê da atitude de Arruda e o risco de sublevação, caso D. Cida fosse colocada em um dos ônibus, juntamente com a filha, rumo ao presídio”, descreve Denise.

Com a concessão feita por Lula para evitar um banho de sangue, conforme versão oficial divulgada, “os acampados –[leia-se: Dona Cida, Ticiana, oficiais da ativa, da reserva e familiares de militares]–, tiveram a noite toda para deixar o acampamento” e conseguirem escapar da prisão.

Dona Cida era uma frequentadora assídua do acampamento no QG do Exército. Era tratada como celebridade pela horda que preparava a “festa da Selma”.

As investigações da PF indicam que a esposa do general Villas Bôas teve envolvimento ativo na preparação do golpe. Provavelmente representando o marido, que padece de doença degenerativa limitante, ela participou de pelo menos uma das diversas reuniões das cúpulas militares que discutiram a conspiração.

Apesar do avanço das investigações evidenciar o envolvimento institucional e sistêmico das cúpulas militares na tentativa de golpe, a maioria dos oficiais implicados, muitos deles ainda na ativa, estão conseguindo passar incólumes e preservando privilégios.

O general Villas Bôas, por exemplo, peça-chave em toda engrenagem de desestabilização do país e na gestação do golpe –da conspiração com Temer para derrubar Dilma, passando pelo tweet de ameaça ao STF até a sustentação do governo militar com Bolsonaro– não só goza da mais absoluta impunidade, como é brindado pelo Exército com a regalia de residir no Prédio Residencial Nacional do Exército [PRN], condição restrita a oficiais da ativa.

“Por questão de humanidade, ele está muito doente –e até mesmo em respeito à liderança que ele é–, foi-lhe facultado o direito de permanecer no PRN”, revelou para Denise Assis sua fonte, acrescentando que “ele [Villas Bôas] é muito respeitado. O que se sabe é que naquele episódio da demissão dos três comandantes [30/3/2021], ele chegou a dizer entre amigos que se estivesse bem de saúde, tiraria Bolsonaro do cargo e assumiria o poder. E seria apoiado, se o fizesse”.

Diante de tantas evidências e provas da atuação institucional das cúpulas das Forças Armadas na tentativa de golpe contra a democracia, não é aceitável nem a empulhação de que os militares salvaram a democracia, e tampouco a decisão do presidente Lula de proibir a rememoração dos 60 anos do golpe de 1964, cujos ecos estão muito vivos no presente.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Do Programa O Assunto, com Natuza Nery e convidados, pelo G1: O cerco a Bolsonaro e a prisão de militares (escancaradamente de extrema dirieta)

 

Do G1:

Novos detalhes do plano golpista de Jair Bolsonaro foram revelados na quinta-feira (8), na operação Tempus Veritatis (Hora da Verdade) da PF. O ex-presidente teve o passaporte apreendido e agora está impedido de sair do Brasil. No mesmo dia, militares foram presos e a investigação chegou a militares de alta patente, aliados de primeira ordem do ex-presidente na tentativa de golpe contra a democracia. Para entender como a operação se aproxima do núcleo duro do governo passado e o ineditismo da prisão de militares, Natuza Nery recebe a jornalista Daniela Lima, apresentadora e comentarista da GloboNews e colunista do g1. Participa também Adriana Marques, professora e coordenadora do Laboratório de Estudos de Segurança e Defesa da UFRJ.



segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Atenção, Forte Apache fardado. Veja no que deu, no que era previsível. Artigo de Ricardo Nobat

 atualizado 

Bolsonaro e militares

 Foto: Orlando Brito

Recorte da série de pesquisas Genial Quaest, a mais recente de meados de agosto com 2.029 entrevistas realizadas presencialmente em 120 municípios com pessoas de 16 anos ou mais, mostra que a confiança dos brasileiros nas Forças Armadas vai mal, obrigado. Recuou desde o fim do ano passado.

Entre dezembro e agosto, passou de 43% para 33% o percentual dos que dizem “confiar muito” nos militares. Já a soma dos que declaram “confiar pouco” ou “não confiar” subiu de 54% para 64% no período. No 8 de janeiro houve a tentativa fracassada de golpe que abalou o país e emporcalhou a farda.

A confiança nos militares caiu em praticamente todos os segmentos da população, mas foi mais acentuada entre os que votaram em Bolsonaro. Nesse grupo, caiu de 61% para 40% a taxa dos que afirmam “confiar muito”. O percentual dos que dizem “não confiar” na instituição subiu de 7% para 20%.

Entre os evangélicos, grupo que majoritariamente apoiou Bolsonaro, a taxa dos que “confiam muito” nas Forças Armadas caiu também de 53% para 37% em oito meses. No Norte e no Centro-Oeste, regiões onde o ex-presidente teve mais votos que Lula no segundo turno, o percentual diminuiu de 46% para 32%.

Foi por falta de aviso que isso aconteceu? Claro que não. Era mais do que previsível. Militar não tem que se meter em política, a Constituição proíbe. O braço armado não pode se impor ao desarmado, seria covardia. Civil não é menos patriótico do que militar. Quer fazer política? Tire a farda para nunca mais usá-la.

No carnaval, pode, mas só como fantasia,

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Luis Nassif e o Xadrez do partido militar: o golpe fardado está próximo da vitória com a indicação de José Múcio para a Defesa

 

A indicação de Múcio para Ministro da Defesa será a confirmação tácita de que o golpe foi vitorioso.




Por Luis Nassif (no Jornal GGN)


Vamos complementar o “Xadrez do dia 31 de dezembro de 2022” com a peça que faltava. No Xadrez anterior, apontei duas razões hipotéticas para a movimentação em frente os quartéis: a criação de um clima para explodir em 31 de dezembro, tirando os militares do quartel; ou um mero esperneio para manter a militância mobilizada.

Vamos a duas consequências mais objetivas, que explicam melhor a insistência em manter a mobilização à porta dos quartéis.

Peça 1 – as negociações com o Alto Comando


A cada dia que passa consolida-se a percepção de que a maior parte dos manifestantes acantonados na porta dos quartéis são familiares de militares. É o que poderia explicar, por exemplo, a presença dos tais homens de preto armados, possivelmente para oferecer segurança aos manifestantes.

Segundo fonte bem informada sobre os movimentos militares, a intenção das manifestações seria pressionar o novo governo para manter em mãos dos militares as definições sobre o Ministro da Defesa e do Alto Comando. O candidato dos militares para o comando do Exército é o general Estevam Cals Theophilo Gaspar, comandante de Operações Terrestres.

Inicialmente, Lula montou um grupo de trabalho informal, para se aconselhar. Há uma proposta do grupo, de indicação de Nelson Jobim para o Ministério da Defesa, assessorado por um Grupo de Trabalho encarregado de estudar as Forças Armadas e propor um plano de ação para sua profissionalização e despolitização..

No meio do caminho, entrou o Ministro do Tribunal de Contas da União, José Múcio Monteiro, fazendo lobby em favor de Aldo Rebelo.

Ainda no governo Dilma, Aldo tornou-se a quinta coluna dos ruralistas e dos militares. A extraordinária ingenuidade do PT impediu-o de ver o boicote de Aldo – então Ministro dos Esportes – na defesa da Copa do Mundo. Foi o primeiro grande embate nas redes sociais, após as manifestações de 2013. E Aldo não apenas não participou como boicotou a defesa do evento.

Em outro episódio, na discussão da lei ambiental, Aldo agiu radicalmente em favor dos ruralistas. Conseguiu colocar todo o movimento ambientalista contra Dilma e não agregou ao governo um centímetro de apoio dos ruralistas, já que a vitória deles foi atribuída exclusivamente a Aldo. Hoje em dia, Aldo se alinha com a direita conspiratória das Forças Armadas e dos ruralistas, tendo recebido apoio do general Villas Boas à sua candidatura ao Senado.

Sendo impossível a indicação de Aldo, o Alto Comando passou a pressionar pelo nome de Múcio Monteiro, egresso da Arena, com vínculos com o governo militar, com boa relação com os militares, na condição de ministro do TCU,  mas, também, com folha de serviços prestados ao governo Lula, na lógica do presidencialismo de coalizão.

Primeiro, Lula indicou Múcio para o Grupo de Transição da Defesa. Agora, anuncia-se a dissolução do grupo e a possível indicação próxima de Múcio para Ministro da Defesa.

Segundo observadores de dentro, a contrapartida dos militares, à indicação de Múcio, seria a desmobilização das manifestações na porta dos quartéis. Ainda é uma suposição. Mas, confirmando, revelaria interferência direta do Exército nas manifestações.

Para os observadores de dentro, o envolvimento de Lula com questões internacionais o está impedindo de se debruçar de forma mais aprofundada em temas centrais, dos quais um dos mais delicados é o Ministério da Defesa.

Lula não teria se dado conta, ainda, que a indicação de Múcio pode ser o primeiro grande desastre da transição, pois traria de volta o velho Lula de 2002, disposto a concessões em temas tabus. E a desmilitarização e profissionalização das Forças Armadas é um dos pontos centrais do grande arco civil em apoio ao seu governo.

Peça 2 – as negociações com Bolsonaro


Outra informação alarmante foi sobre possíveis negociações do Ministro Gilmar Mendes com Jair Bolsonaro, aconselhando-o a desmobilizar as manifestações, em troca de uma postura mais condescendente do Supremo Tribunal Federal em relação aos seus crimes.

Ou seja, tenta-se repetir, mais uma vez, o maior dos erros da redemocratização: a flexibilização da Lei da Anistia para englobar crimes contra a humanidade e a democracia, cometidos por militares. Entraram na Lei até crimes praticados após sua aprovação, como a tentativa de atentado no Riocentro e o assassinato da secretária da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Rio de Janeiro.

O pesadelo Bolsonaro foi filho direto do “jeitinho” brasileiro e da submissão do poder civil ao que o jornalista Fábio Vitor batizou de “poder camuflado”. A indicação de Múcio vai manter inalterada essa estrutura de poder. Até que se reúnam condições para o próximo golpe.

A indicação de Múcio para Ministro da Defesa será a confirmação tácita de que o golpe foi vitorioso.

Agora há pouco, em entrevista ao Metrópole, o general Hamilton Mourão Filho não poderia ter sido mais claro:

“Julgo que seria muito bem visto pelas Forças Armadas. Tenho muito apreço e respeito pelo ministro Múcio, com quem tive ótimo relacionamento quando ele estava no TCU”.