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sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Ricardo Noblat: Finalmente rachou o paredão do silêncio que protegia os Bolsonaro

 O advogado Frederick Wassef cantou no seu depoimento prestado à Polícia Federal. Cantou exatamente o quê, por ora não se sabe, mas cantou.

Do Metrópoles:

 atualizado 

Hugo Barreto/Metrópoles
o presidente Jair Bolsonaro (PSL) falando ao celular - Metrópoles

O advogado Frederick Wassef cantou no seu depoimento prestado à Polícia Federal. Cantou exatamente o quê, por ora não se sabe, mas cantou. Para quem disse que não fora buscar em Nova Iorque o Rolex roubado por Bolsonaro, e foi e agora confessa que foi, é um avanço. Contra documentos mentiras não se sustentam.

O tenente Osmar Crivelatti, ex-assessor da Presidência da República, também cantou, embora menos do que a Polícia Federal desejava. É um passarinho que está aprendendo a cantar. Foi ouvido durante oito horas. Será ouvido novamente quantas vezes seja necessário para que se esgote sua produção musical.

O tenente-coronel Mauro Cid continuou cantando, e tão cedo irá parar. Com o depoimento de ontem, cantou até aqui mais de 23 horas. Cantou sobre as joias roubadas e devolvidas para esconder o crime, sobre joias não devolvidas, sobre algumas ainda desaparecidas, sobre outras que nem se sabia que existiam.

Cantou sobre as movimentações financeiras de Bolsonaro e de Michelle, sua mulher. E, naturalmente, sobre os certificados falsos de vacina contra a Covid-19. Como ex-ajudante-de-ordem de Bolsonaro, Mauro Cid conhece todos os seus segredos. A cantoria sobre o golpe está longe de terminar.

E pela primeira vez, um general, Mauro Cesar Lourena Cid, pai de Mauro Cid, fez parte do recém-formado Coral dos Canários do Planalto, que dispensa regente e por isso desafina de vez em quando. Rapazes esforçados, esses. Alguns se estranham, mas todos estão unidos pelo mesmo propósito: obter redução de pena.

Estão unidos também, à exceção de Wassef, por outro sentimento: o de que foram abandonados por seu tratador, que os deixou presos na gaiola, sem comida, sem afagos, sem futuro. Magoaram com razão. Foram abandonados, largados sozinhos, sujeitos às intempéries, à beira da desonra ou desonrados.

O par de canários imperiais, marido e mulher, fez as contas e concluiu que perderia menos se se recusasse a cantar. Aferrou-se à tese oferecida por Augusto Aras, Procurador-Geral da República, de que falta ao Supremo Tribunal Federal competência para julgá-lo. A competência seria da primeira instância da Justiça.

Tese fajuta porque roubo de joias, ataques às urnas eletrônicas e à democracia, tentativa abortada de golpe, tentativa fracassada de golpe, tudo tem conexão. O Supremo já deliberou sobre isso. Se for o caso, deliberará outra vez, e o placar provável é de 9 votos contra 2 – os dos ministros Nunes Marques e André Mendonça.

Michelle anda muito assanhadinha para o gosto cerimonioso da toga. Palavra é prata e silêncio é ouro, ensina um ditado árabe. O seu marido sabe, e por isso calou-se ultimamente. Morreu pela boca, não tem por que matar-se de novo. Michelle disse: “Não posso me submeter a prestar depoimento em local impróprio”.

Foi o ministro Alexandre de Moraes, o xerife da República, que autorizou a Polícia Federal a ouvir Michelle. Se ela acha que está certa em seguir a orientação dos seus advogados, que deixe a palavra com eles, não precisa expor-se. Muitos menos apelar para o deboche, o que fez na semana passada ao falar das joias:

“Falaram tanto de joias que em breve teremos um lançamento: Mijoias para vocês”.

A mudez do par de canários imperiais deixa seus antigos devotos sem argumentos para defendê-lo. Isso é mais corrosivo do que possa parecer neste instante. Para os devotos, a acusação de golpe vale nada, porque era para ter havido um golpe, sim, pena não ter sido um êxito. Roubo é diferente. Ladrão é mal visto.

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Atenção, Forte Apache fardado. Veja no que deu, no que era previsível. Artigo de Ricardo Nobat

 atualizado 

Bolsonaro e militares

 Foto: Orlando Brito

Recorte da série de pesquisas Genial Quaest, a mais recente de meados de agosto com 2.029 entrevistas realizadas presencialmente em 120 municípios com pessoas de 16 anos ou mais, mostra que a confiança dos brasileiros nas Forças Armadas vai mal, obrigado. Recuou desde o fim do ano passado.

Entre dezembro e agosto, passou de 43% para 33% o percentual dos que dizem “confiar muito” nos militares. Já a soma dos que declaram “confiar pouco” ou “não confiar” subiu de 54% para 64% no período. No 8 de janeiro houve a tentativa fracassada de golpe que abalou o país e emporcalhou a farda.

A confiança nos militares caiu em praticamente todos os segmentos da população, mas foi mais acentuada entre os que votaram em Bolsonaro. Nesse grupo, caiu de 61% para 40% a taxa dos que afirmam “confiar muito”. O percentual dos que dizem “não confiar” na instituição subiu de 7% para 20%.

Entre os evangélicos, grupo que majoritariamente apoiou Bolsonaro, a taxa dos que “confiam muito” nas Forças Armadas caiu também de 53% para 37% em oito meses. No Norte e no Centro-Oeste, regiões onde o ex-presidente teve mais votos que Lula no segundo turno, o percentual diminuiu de 46% para 32%.

Foi por falta de aviso que isso aconteceu? Claro que não. Era mais do que previsível. Militar não tem que se meter em política, a Constituição proíbe. O braço armado não pode se impor ao desarmado, seria covardia. Civil não é menos patriótico do que militar. Quer fazer política? Tire a farda para nunca mais usá-la.

No carnaval, pode, mas só como fantasia,

Ricardo Noblat: Joias milionárias em troca de serviços prestados aos sauditas

 

Foi sob o estigma do roubo de joias milionárias doadas pela ditadura da Arábia Saudita ao Estado brasileiro que o patriarca dos Bolsonaro e sua encantadora mulher fugiram do país em 30 de dezembro último.

 atualizado 

Igo Estrela/Metrópoles e Divulgação
Imagem com montagem mostra Bolsonaro, Michelle e joias - Metrópoles


Os Bolsonaro evoluíram. Foi sob o estigma da rachadinha que a família subiu a rampa do Palácio do Planalto pela primeira vez em janeiro de 2019. Carlos, o filho Zero Dois, carregava um revólver na cintura. Desfilara armado em carro aberto ao lado do pai pela Esplanada dos Ministérios repleta de camisas amarelas.

Foi sob o estigma do roubo de joias milionárias doadas pela ditadura da Arábia Saudita ao Estado brasileiro que o patriarca dos Bolsonaro e sua encantadora mulher fugiram do país em 30 de dezembro último. O golpe planejado para aquele mês fracassara porque o Alto Comando do Exército dividiu-se na hora de apoiá-lo.

Todos os generais eram bolsonaristas, uns mais do que os outros. Ajudaram a eleger Bolsonaro presidente, ajudaram-no a governar e se beneficiaram disso, ajudaram-no a se reeleger, mas uma parcela não estava disposta a arriscar a carreira participando de um golpe que poderia não dar certo, como não deu.

A apropriação de parte dos salários pagos a funcionários dos Bolsonaro, a tal da rachadinha, foi ofuscada pelo escândalo das joias. Rachadinha é uma invenção antiga. Sempre existiu e continuará existindo. No caso, fez diferença porque nunca um presidente fora acusado de valer-se dela para enriquecer.

As joias, pelo seu valor excepcional, contam uma história que a Polícia Federal corre atrás. Foi recompensa por relevantes serviços prestados por Bolsonaro aos sauditas, mas ainda ocultos? Foi pagamento adiantado por serviços a serem prestados tão logo ele se reelegesse? Uma espécie de aposta no mercado futuro?

Apenas o conjunto de joias destinado a Michelle foi avaliado em R$ 4.150.584. E tem mais na caixa de joias, como um relógio todo de diamantes, da pulseira até o mostrador, e avaliado em R$ 1 milhão. Observa uma perita da Polícia Federal ouvida pelo “Fantástico”, programa da Rede Globo de Televisão:

“E não é só a qualidade dos diamantes que conta. É também a quantidade, porque não são dezenas ou centenas. São milhares. Só no conjunto que tem o colar, a perícia identificou 3.161 diamantes, cada um avaliado individualmente.”

As peças masculinas também têm diamantes. Na caneta de ouro branco, eles são pequeninos, mas muitos: 1.120, o que deixa o valor da peça em R$ 100 mil. O Rolex, que faz parte do kit ouro branco, tem 184 diamantes. No mostrador de madrepérola, as pedras substituem os números. E há rubis até no mecanismo interno.

Em 2022, os kits masculinos de joias foram levados para os Estados Unidos em voo oficial. Na Pensilvânia, o tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, vendeu o Rolex e outro relógio da marca Patek Philippe. Os dois itens foram vendidos por US$ 68 mil. Só o Rolex valia US$ 75 mil..

O dinheiro apurado foi depositado na conta do pai de Cid, general Mauro Lourena Cid, que morava em Miami, e enviado aos poucos para o Brasil. O kit de ouro rosé foi para uma casa de leilões em Nova York, onde foi resgatado em março pelo grupo do coronel Cid e entregue ao Tribunal de Contas da União.

Acredite se quiser: o advogado de Cid, Cezar Roberto Bittencourt, afirma que seu cliente não sabia que era ilegal vender as joias. Não sabia mesmo:

“Ele [Cid] retirou o dinheiro e destinou a quem era de direito, a família presidencial, o presidente, a primeira-dama”.

A Polícia Federal encontrou uma mensagem no celular de Cid, o filho, que indicam que Bolsonaro sabia das tentativas do seu ajudante de ordem de vender e depois resgatar as joias. À CNN Brasil, o próprio Bolsonaro já confessou:

“Alguém falou que poderia vender. Aí eu falei: faz aí, mas dentro das quatro linhas. Se pode vender, então vende”.

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Ricardo Noblat: Adeus, Bolsonaro. Talvez nos reencontraremos daqui a oito anos

 

O sujeito oculto do julgamento são as duas tentativas de golpe, uma, em dezembro, a outra em janeiro


 atualizado 


É de ver se Nunes Marques, que deve a Bolsonaro sua indicação para ministro do Supremo Tribunal Federal, seguirá prestando favores ao padrinho como tem feito desde que assumiu o cargo.

Só o voto dele poderá impedir que Bolsonaro tenha seus direitos políticos cassados no julgamento marcado para a próxima quinta-feira (22/6) no Tribunal Superior Eleitoral.

Bolsonaro é acusado de abuso do poder político e de ato hostil à democracia quando atacou o Poder Judiciário e tentou pôr em dúvida a segurança do processo eleitoral brasileiro.

Nunes Marques votará por sua absolvição, disso seus colegas têm certeza. Mas se ele pedir vista do processo, a sessão de julgamento será suspensa e só deverá ser concluída a partir de agosto.

Para quê pedir vista do processo se é certo que Bolsonaro ficará inelegível por oito anos? O próprio Bolsonaro, ontem, admitiu que é isso o que provavelmente acontecerá.

“Não vamos apavorar com o resultado que vier. Obviamente, não quero perder os direitos políticos. […] A gente quer continuar vivo contribuindo com o país. Nós temos esse problema agora. Vamos enfrentar isso no dia 22. Já sabemos que os indicativos não são bons, mas estou tranquilo”.

Os indicativos são péssimos, ele sabe. E tranquilo não está. O sujeito oculto do julgamento é o golpe que Bolsonaro não deu porque desconfiava da adesão dos comandantes militares.

Foram duas as tentativas frustradas de golpe, e para cada uma havia uma minuta. Tramou-se a primeira entre novembro e dezembro. A segunda materializou-se em 8 de janeiro.

De acordo com a primeira minuta, Bolsonaro decretaria o estado de sítio no país e convocaria os militares para restabelecer a ordem pública, mesmo que não houvesse desordem.

No estado de sítio, o presidente restringe o sigilo das comunicações, a liberdade de imprensa e o direito de reunião. Pessoas podem ser presas sem ordem da justiça.

A minuta do golpe de dezembro foi encontrada no celular do tenente-coronel Mauro Cid; a do golpe de janeiro, na casa de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro.

Mauro Cid está preso na Vila Militar, em Brasília. Torres cumpre prisão domiciliar usando uma incômoda tornozeleira eletrônica. Bolsonaro ainda está solto. Mas, até quando?

terça-feira, 30 de maio de 2023

Ricardo Noblat critica imprensa por não ter visto que Dallagnol é um "fanático de extrema-direita"

 

Noblat classificou Dallagnol como intelectualmente desonesto

Ex-Deputado cassado, Deltan Dallagnol, durante pronunciamento no salão verde da Câmara.

Ex-Deputado cassado, Deltan Dallagnol, durante pronunciamento no salão verde da Câmara. (Foto: Lula Marques/ Agência Brasil)

247 – O jornalista Ricardo Noblat fez duras críticas ao ex-procurador e ex-deputado Deltan Dallagnol, afirmando que se a imprensa tivesse exposto o Dallagnol que foi visto ontem no programa Roda Viva, a história da Operação Lava-Jato poderia ter sido diferente. Noblat classificou Dallagnol como intelectualmente desonesto e o rotulou como um fanático de extrema-direita.

Noblat sugeriu que a imprensa não revelou completamente a verdadeira personalidade de Dallagnol durante o auge da operação, insinuando que isso poderia ter alterado o curso dos acontecimentos. Confira:

quinta-feira, 27 de abril de 2023

Deu a louca nos advogados e porta-vozes que defendem os Bolsonaro. Artigo de Ricardo Noblat

 

Só a crença no absurdo é capaz de salvar Jair e Michelle dos apuros em que se meteram


 atualizado 27/04/2023 7:53

Imagem colorida mostra Ex-presidente Bolsonaro deixa depoimento na Polícia Federal sobre o 8 de janeiro - Metrópoles

Em menos de 48 horas, eles ofereceram duas saídas bizarras para os perrengues que enfrentam
 o ex-presidente e a ex-primeira dama, ambos às voltas com o escândalo das joias milionárias 
ofertadas pela ditadura da Arábia Saudita; e no caso específico de Bolsonaro, também com 
a tentativa de golpe do 8 de janeiro.

As joias de Michelle, no valor de 16,5 milhões de reais, foram apreendidas pela Receita 
Federal. As de Bolsonaro, que entraram ilegalmente no país, apareceram dentro de um pacote 
entregue nas mãos de Michelle no Palácio da Alvorada. E o que seu porta-voz disse depois d
e ela ter dito que desconhecia as joias?

Que o pacote, cujo conteúdo Michelle ignorava, ficou fechado dois ou três dias, abandonado 
sobre uma pia da cozinha do palácio. Mais tarde foi aberto. Foi quando ela soube das joias 
presenteadas ao marido. Quanto às joias destinadas a ela, Michelle só ouviu falar por meio 
da imprensa. Não as pediu, nem recebeu.

A segunda explicação bizarra: foi “sem querer”, e sob efeito de morfina, que Bolsonaro, 
internado em um hospital americano, postou um vídeo no Facebook de estímulo tardio ao 
golpe que fracassara. Com a palavra, Paulo Cunha Bueno, um dos advogados que acompanhou 
o depoimento de Bolsonaro à Polícia Federal:

“Esse vídeo foi postado na página do presidente no Facebook, quando ele tentava transmiti-lo 
pro seu arquivo de WhatsApp para assistir posteriormente. […] A postagem foi feita de forma equivocada, tanto que pouco tempo depois, duas ou três horas depois, ele foi advertido e
 imediatamente a retirou”.

Postado em 10 de janeiro, o vídeo questionava a lisura e a confiabilidade das eleições 
presidenciais  de 2022. Acusava Lula de não ter sido eleito de maneira legítima pela população, 
mas sim por um conluio entre ministros de tribunais superiores. Bolsonaro recuperava-se de uma obstrução intestinal.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou à época que a conduta de Bolsonaro poderia ser enquadrada no delito de incitação ao crime, previsto no artigo 286 do Código Penal e cometido por quem estimula a prática de infrações. E que tinha “o poder de estimular novas ações” contra os 
Poderes da República.


Ao incluir Bolsonaro nas investigações em torno do golpe, Alexandre de Moraes destacou um 
trecho da manifestação da PGR que diz que ele disseminou falsas informações “sobre as instituições judiciárias responsáveis pela organização dos pleitos, alegando que tramavam contra sua reeleição”.

Morfina não combina com obstrução intestinal, segundo médicos consultados pelo O Globo. É um medicamento usado contra diarreia e tem potencial de agravar o quadro de obstrução intestinal de Bolsonaro. Além disso, ela não provoca um quadro de confusão mental, a não ser se ministrada em doses elevadas.

Para a professora de farmacologia e ex-reitora da Universidade Federal de São Paulo, Soraya Smaili, 
a alegação é “estranha”:

“É uma argumentação ruim porque a morfina causa mais constipação, ao provocar uma diminuição 
na motilidade gastrointestinal.”


“Em relação ao sistema nervoso central, a morfina causa principalmente sonolência, uma certa depressão. Agora, confusão mental, só numa concentração muito alta”.

Bolsonaro já havia recebido alta do hospital quando postou o vídeo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Ricardo Noblat: Bestificado, o país assiste às claras a mais uma tentativa criminosa de golpe

 


"A derrota foi uma surpresa para Bolsonaro e Trump. Com a diferença de que Bolsonaro sempre teve o golpe como uma saída para não largar o poder, e Trump apelou para ela na última hora."

A democracia segue em risco, mas tudo vai ficando por isso mesmo




 atualizado 07/11/2022 3:40

Manifestantes pró-Bolsonaro acampam no QG do Exército - MetrópolesVinícius Schmidt/Metrópoles

A extrema-direita brasileira, e parte da direita que lhe paga tributo, tem razão de sobra para se orgulhar: sua tentativa de golpe em curso superou a do 6 de janeiro de 2021 nos Estados Unidos.

Donald Trump preparou o espírito dos americanos para o golpe durante dois meses, período entre sua derrota para Joe Biden e a reunião do Congresso que proclamaria os resultados.

Aqui, Bolsonaro dedicou-se à tarefa desde que participou do comício às portas do QG do Exército, em Brasília, no dia 19 de abril de 2020, onde seus devotos pediram intervenção militar.

À época, ele tinha menos de quatro meses de governo. Dois meses depois, em um quartel do Rio Grande do Sul, pela primeira vez falou em armar os brasileiros para que “não sejam escravos”.

Estimulada por Trump, a invasão do Capitólio, em Washington, reuniu pouco mais de mil pessoas, várias delas armadas, que quebraram o que encontraram e tentaram matar parlamentares.

Foi um crime coletivo que chocou e paralisou o mundo, televisionado para centenas de países, mas que não contou com a participação dos militares nem do alto nem do baixo escalão.

A sublevação, aqui, completa, hoje, uma semana. Não teve nenhum prédio público como alvo dado que a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi interditada, e a Praça dos Três Poderes protegida.

Mas os golpistas, que exigem a anulação da vitória do presidente eleito Lula da Silva, bloquearam estradas em todos os estados e ainda estão acampados diante de unidades militares.

Foram cerca de 30 mil nos primeiros dias da semana passada defronte ao Comando Militar do Sudoeste, em São Paulo. Centenas permanecem acampadas defronte do QG do Exército, em Brasília.

Aqui, a ação golpista alimentou-se da indiferença ou da cumplicidade da Polícia Rodoviária Federal, que no dia das eleições retardou no Nordeste o tráfego de eleitores de Lula.

Os bloqueios, quase todos, já foram suspensos, mas caminhoneiros instigados pelo agro que não é pop ameaçam se deslocar até Brasília. A qualquer momento poderão chegar em Cuiabá.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos prendeu e indiciou mais de 725 pessoas em quase todos os 50 estados do país, mas muitas já foram soltas ou cumpriram penas menores.

Ao menos 225 indivíduos foram indiciados por agressão ou impedimento da aplicação da lei, e 165 se confessaram culpados de crimes federais – dos quais 22 cometeram crimes graves.

Aqui, onde a baderna está longe de acabar, ninguém foi punido até agora. Nem mesmo o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal e o ministro da Justiça claramente implicados no movimento.

Trump está sendo processado e o Congresso o convocou para depor. Bolsonaro limitou-se a dizer para ministros do Supremo Tribunal Federal que “acabou”, embora acene com uma surpresa.

A derrota foi uma surpresa para Bolsonaro e Trump. Com a diferença de que Bolsonaro sempre teve o golpe como uma saída para não largar o poder, e Trump apelou para ela na última hora.

Bolsonaro empenhou-se durante anos em desacreditar o processo eleitoral, valeu-se dos militares para tal, atacou ministros de tribunais superiores e reuniu embaixadores estrangeiros.

Usou a internet para espalhar notícias falsas, usou e abusou do poder econômico e político, usou e abusou da máquina do governo, e beneficiou-se da compra escancarada de votos.

Perdeu a eleição mais comprada da história do país de 1989 para cá, mas tem 54 dias para não largar o poder. O país assiste bestificado à prática de um crime contra a democracia.

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Ricardo Noblat, no Metrópoles: Um general 'confuso' no seu labirinto e um Bolsonaro à moda Zelensky

 

Jogaram, perderam e agora terão que engolir Lula

 atualizado 03/11/2022 8:38

Reprodução/Redes sociais

Esperto, o general Hamilton Mourão, vice-presidente da República em final de carreira. Maltratado por Bolsonaro, afastou-se dele e foi para o Rio Grande do Sul, seu estado, elegendo-se senador.

Tosco, o general Mourão. Passou a falar que a imprensa tem que “acordar para o fato de que” dos 156 milhões de brasileiros aptos a votar este ano, 96 milhões não votaram em Lula.

O que quer dizer com isso? Que o mandato de Lula é menos legítimo? Ora, dos 147,3 milhões de eleitores aptos a votar em 2018, 89 milhões (ou seja: 61,8%) não votaram em Bolsonaro.

Há quatro anos, pois, Bolsonaro elegeu-se com 39,2% do total de votos. Mourão não deve ter feito essa conta. E se fez, escondeu-a. Vence quem alcançar 50% mais um dos votos válidos, diz a lei.

Em 1955, Juscelino Kubitschek (PSD) foi eleito presidente, juntamente com o vice João Goulart. As eleições para presidente e vice eram separadas. Goulart recebeu mais votos que Juscelino.

Carlos Lacerda (UDN), líder da oposição, tentou impedir a posse de Juscelino alegando que ele só obteve 36% do total de votos. Parte dos militares ficou ao lado de Lacerda. Não houve golpe.

Lula é o próximo presidente do Brasil simplesmente por ter tido mais votos que Bolsonaro. Para ser exato: 2.139.645 votos a mais, quase o equivalente à população de Manaus.

Se os dois tivessem empatado, Lula estaria eleito. Em caso de empate, segundo a lei, a vitória é do mais velho. Você acha isso um absurdo? Pressione o Congresso a mudar a lei.

Se você acha que quem teve mais votos não necessariamente deve se eleger, pressione o Congresso a mudar a Constituição. Se você acha que a Constituição pode ser ignorada… Bem, aí complica.

De volta a Mourão:

“Nós concordamos em participar de um jogo que o outro jogador não deveria jogar. Se concordamos, não há mais o que reclamar. Não adianta chorar. Perdemos o jogo”.

Por que Lula não poderia participar do jogo se o Supremo Tribunal Federal decidiu que podia? E o que Bolsonaro deveria ter feito? Recusar-se a jogar? Foi uma boa ideia que ele não teve.

Ou Bolsonaro não deveria ter aceitado a decisão do Supremo? O que ele faria então? Fecharia o Supremo? Seu filho, Eduardo, sempre defendeu que seria muito fácil fechar o Supremo.

Mourão acha que os protestos de agora deveriam ter sido realizados “quando o jogador [Lula] foi autorizado a jogar; ali, deveriam ter ido para a rua, buzinar, mas não fizeram”.

É uma crítica a Bolsonaro que, à época, não mandou seus devotos protestar nas ruas? Ou é uma crítica aos bolsonaristas que aceitaram a ideia de jogar o jogo por que acreditaram na vitória?

“Não considero que houve fraude”, confessa Mourão, “mas um jogador não deveria ter jogado”. General: vá se queixar com os ministros do Supremo ou com o jogador que insistiu em jogar.

Perguntado se dialogará com Lula se for convidado, Mourão responde sem hesitar: “Lógico”. A essa altura, qual político não quer dialogar com Lula? Talvez Zambelli, a pistoleira dos Jardins.

Bolsonaro, que apareceu, ontem, vestido à moda Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia (camiseta azul escuro, cabelinho cortado), já perdeu todos os aliados políticos que tinha.

Restam-lhe parte dos caminhoneiros financiados pela ala menos pop do agro, a nova geração das viúvas de Lacerda, os siderados que marcham diante de quartéis e os admiradores de Hitler.

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Ricardo Noblat, no Metrópoles: O plano de Bolsonaro para a noite do domingo das eleições

 

Ele quer um terceiro turno (através do caos), se perder

 atualizado 27/10/2022 7:26

O presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro discursa com microfone na mão em evento na cidade de Teófilo Otoni (MG). Várias pessoas o cercam e uma bandeira do Brasil aparece no telão atrás - MetrópolesReprodução/vídeo

Metrópoles.Um mutirão de apelos, feito por assessores, demoveu Bolsonaro de tentar lançar granadas, ontem, ao cair da tarde, no ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

Não se pode dizer que Bolsonaro estava furioso como jamais se viu – já se viu, sim, e talvez em pior estado. Ao exercício da fúria inútil sucede quase sempre o recuo com medo das consequências.

Ele morde e assopra. Late e cala. Bate na mesa e depois corre para debaixo da saia de Michelle. Justamente por apoiá-lo, os militares conhecem muito bem com quem estão lidando.

“Cavalão”, seu apelido no tempo dos quartéis, não decorre de nenhuma demonstração de força admirável que ele tenha dado. Ele só se destacou por correr rápido como um cavalo árabe.

Em Minas Gerais, Bolsonaro constatou que, ali, não vencerá as eleições, e que poderá aumentar a diferença em favor de Lula. Então, quando voava ao Rio, mandou desviar o avião para Brasília.

Chegou bufando ao Palácio da Alvorada. Quis convocar uma reunião ministerial – mas cadê os ministros? A maioria estava nos estados. Clima de fim de feira é assim. Encontrou-se com três.

E o anúncio de golpe que muitos temiam virou uma gotinha. Por sinal, golpe não se anuncia, aplica-se. Bolsonaro disse que lutará até o fim “dentro das quatro linhas da Constituição”.

É o que se espera que faça. Não gostou da decisão de Moraes de rejeitar a denúncia de que fora garfado por emissoras de rádio que não teriam veiculado seus comerciais?

Tudo bem. Vá reclamar ao Supremo Tribunal Federal. A denúncia não passou de mais uma fake news para fazer o país mudar de assunto. O assunto era Roberto Jefferson. Deixou de ser.

O assunto, hoje e amanhã, deverá ser o último debate entre Lula e Bolsonaro na noite desta sexta-feira. Se empatar ou perder o debate por poucos pontos, Lula terá ganhado.

Sabe-se lá mais o quê, à base do desespero e diante da derrota que se avizinha, Bolsonaro poderá aprontar até sábado, quando as últimas pesquisas de intenção de voto serão reveladas.

Mas, no domingo, é certo o que ele planeja. Simples: os votos do Nordeste são os últimos a serem apurados. Bolsonaro deve anunciar sua vitória quando estiver à frente da apuração.

Se a apuração terminar com sua derrota, dirá que a eleição foi roubada e que reagirá “dentro das quatro linhas da Constituição”. Ou simplesmente dirá que ela foi roubada.

O resto ficará por conta dos seus seguidores mais radicais. Bolsonaro espera que eles saiam por aí botando para quebrar, e exigindo a realização de uma espécie de terceiro turno.

Não sorriam. Acreditem. Há loucos bastante no mundo. E sob o comando de um tresloucado, são capazes de acreditar nas maiores barbaridades, e de se empenharem por realizá-las.

Nada de pavor. Muita calma. O domingo nunca demorou tanto para chegar, mas chegará. Votai, vigiai e cautela, que como caldo de galinha não faz mal a ninguém.

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Ricardo Noblat, no Metrópoles: No caso Roberto Jefferson, outra vez, Bolsonaro atira no pé e pode ter acertado no próprio peito

 Foi tudo de caso pensado: o ataque sujo, covarde, nojento do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB e aliado de Bolsonaro, à honra da ministra Cármen Lúcia; e a nova prisão dele, que a Justiça se veria forçada a decretar, como decretou.

Peça escrita a quatro mãos acaba mal para o presidente

 atualizado 24/10/2022 8:11

Bolsonaro e Roberto JeffersonReprodução/Instagram

Do Metrópoles:

Foi tudo de caso pensado: o ataque sujo, covarde, nojento do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB e aliado de Bolsonaro, à honra da ministra Cármen Lúcia; e a nova prisão dele, que a Justiça se veria forçada a decretar, como decretou.

O que não estava no script, escrito a quatro mãos por Jefferson e Bolsonaro: os tiros e as granadas lançadas pelo ex-deputado na direção dos agentes da Polícia Federal que foram prendê-lo. Jefferson, canastrão como sempre, exagerou no seu papel.

Estilhaços das granadas feriram dois agentes, um deles uma mulher, e atingiram gravemente o plano de Bolsonaro de se reeleger no próximo domingo. Concordo: com granadas ou não, é difícil que um bolsonarista radical deixe de votar em Bolsonaro.

Mas bolsonaristas moderados e com vergonha na cara, se é que existem; eleitores de Simone Tebet (MDB) e de Ciro Gomes (PDT) que migraram para Bolsonaro ainda no primeiro turno; e os chamados indecisos que cogitam votar nele podem recuar.

A pesquisa Ipec, a ser divulgada hoje, não vai registrar os efeitos do que teria sido uma farsa se não tivesse acabado como mais uma prova de que o bolsonarismo mata; ou deixa que morram os que tiverem de morrer (lembre-se da pandemia da Covid-19).

Os trackings que poluem a campanha (pesquisas diárias feitas por telefone para consumo interno de partidos, bancos e empresas) devem captar eventuais alterações no panorama; pesquisas a serem divulgadas a partir desta quarta-feira, certamente.

“As consequências vêm depois”, ensinou o jornalista gaúcho Aparício Torelly, o “Barão de Itararé”, que com esse pseudônimo tornou-se famoso no Rio de Janeiro dos anos 1950. A peça foi escrita para que suas consequências favorecessem Bolsonaro.

De alguma maneira, ela beneficiaria também Jefferson, um político que só brilhou na vida ao meter-se em escândalos; foi da tropa de choque de Fernando Collor, derrubado por corrupção; e mensaleiro do PT, condenado e preso por corrupção.

Jefferson cumpria prisão domiciliar por ataques à democracia e ao Supremo. Ofereceu-se para ajudar Bolsonaro na reta final de campanha voltando a atacar o tribunal na pessoa da ministra. Assim, alimentaria o discurso de Bolsonaro contra a justiça.

Fez sua parte, e Bolsonaro a dele, que era calar-se e desconhecer o que Jefferson havia dito. Mas o barulho dos tiros e das granadas obrigou Bolsonaro a se pronunciar: repudiou o ataque à ministra e solidarizou-se com ela depois de um silêncio de 48 horas.

Pensou que bastaria. Então, acionou o ministro da Justiça para que negociasse a rendição de Jefferson. Finalmente, ao dar-se conta do tamanho da estaca com a qual seria empalado, mentiu, que é só o que lhe ocorre ao ver-se em apuros.

Bolsonaro fez um segundo pronunciamento. Disse que o ministro o informou que Jefferson fora preso. E chamou de “bandido” o comportamento do ex-deputado. Enfim, entregou-o às feras para salvar-se. Quantos auxiliares Bolsonaro já não entregou até hoje…

Será suficiente? É o que veremos daqui a seis dias.

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Ricardo Noblat, no Metrópoles: O dia 12 de outubro de Bolsonaro iniciou sob a bênção do pastor (condenado) e indiferença dos padres

 

Não completou as orações nem rezou o Pai Nosso. Um padre foi até onde ele estava e lhe ofereceu a hóstia. Bolsonaro balançou a cabeça três vezes, indicando que não comungaria. Se o rito não mudou, só pode comungar quem tenha confessado seus pecados.

Confusão cancela a reza do terço paralelo em Aparecida

 atualizado 13/10/2022 8:22

Reprodução/CNN

O católico-evangélico ou evangélico-católico Jair Messias Bolsonaro aproveitou o feriado para louvar Deus e o seu governo em Belo Horizonte, sob a bênção de um pastor evangélico enrolado com a Justiça, e só Deus na Basílica Nacional de Aparecida.

Foi uma maratona cansativa atrás de votos. Se ele se sentiu seguro de manhã na companhia do pastor Valdemiro Santiago, ex-bispo da Igreja Universal, foi o contrário à tarde diante do arcebispo Dom Orlando Brandes e de sacerdotes da Igreja Católica.

“O Brasil é um país abençoado com uma das gasolinas mais baratas do mundo, com auxílio para o povo sofrido de R$ 600, onde há pouco tempo começava com R$ 40 do Bolsa Família”, declarou o presidente, sob o olhar cúmplice do pastor.

Santiago fundou uma nova igreja, a “Mundial do Poder de Deus”. Bolsonaro compareceu à inauguração de um novo templo da igreja de Santiago que teve recentemente 15 condenações em 30 dias por não pagar aluguel de imóveis em São Paulo. O dízimo já foi maior.

Ao desembarcar em Aparecida, Bolsonaro logo ficou sabendo que ali o ambiente não seria tão acolhedor para ele. Em missa rezada pela manhã, sem citar o seu nome, Dom Orlando Brandes havia advertido os milhares de romeiros que lotaram a basílica:

“É preciso vencer os dragões do ódio e da mentira. Maria venceu o dragão, e temos muitos outros que ela vencerá. Temos o dragão do ódio, que faz tanto mal, e o da mentira. E a mentira não é de Deus, é do maligno”.

Bolsonaro entrou na basílica sob vaias e aplausos dos fiéis. Antes desfilara bem devagar pela cidade com o corpo para fora de uma camionete e acenando para as pessoas. Ao seu lado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato ao governo do estado.

Motos da Polícia Rodoviária Federal abriram caminho para a passagem da camionete. E ao chegarem próximas à basílica, ligaram as sirenes bem alto. Bolsonaro assistiu à missa das 14 horas, mas não conversou com nenhum membro de sua comitiva.

Não completou as orações nem rezou o Pai Nosso. Um padre foi até onde ele estava e lhe ofereceu a hóstia. Bolsonaro balançou a cabeça três vezes, indicando que não comungaria. Se o rito não mudou, só pode comungar quem tenha confessado seus pecados.

O compromisso seguinte de Bolsonaro seria com um grupo de católicos da ultra direita que o aguardavam para rezar o terço diante da antiga basílica de Aparecida. Havia uma tenda pronta para recebê-lo e todos vestiam camisas com seu rosto estampado.

Aí, a certa altura, parte dessa gente, movida a rezas e cerveja comprada a camelôs, exaltou-se e começou a vaiar o padre que celebrava uma missa na antiga basílica. O padre Camilo Júnior acabara de dizer e fora delirantemente aplaudido pelos fiéis:

“Parabéns a você que está aqui dentro e testemunha. Parabéns a você que está aqui dentro e está rezando, porque hoje não é dia de pedir voto. É dia de pedir benção”.

Então, estourou a confusão. Os devotos de Bolsonaro do lado de fora passaram a xingar os jornalistas que esperavam o presidente. Partiram para cima de alguns deles, e também para cima de uma pessoa desavisada que vestia uma camisa vermelha.

Jesus talvez não se acanhasse ao ouvir o que eles disseram, mas os anjos, seres mais inocentes, certamente que sim. Avisado a tempo, Bolsonaro cancelou o terço paralelo que seria rezado e preferiu dar um pulo na tenda reservada aos peregrinos de saúde frágil.

E assim terminou mais um dia do presidente que ainda carece de votos para se reeleger. O de Lula terminou em Salvador com uma caminhada que atraiu cerca de 200 mil pessoas.