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domingo, 5 de junho de 2016

A farra dos aumentos dados por Temer aos comparsas: 58 Bilhões dariam para duas Copas do Mundo e três anos de Bolsa Família... Mas o dinheiro vai para a Justiça e o alto escalão pró-golpista



Do El País: 

 "Câmara aprova reajustes salariais com impacto de 58 bilhões de reais no Orçamento. Deputados também estenderam para até 2023 o prazo para o Governo possa manipular recursos do Tesouro por meio da DRU"



Servidores da AGU comemoram aprovação de reajuste na Câmara.
Servidores da AGU comemoram aprovação de reajuste na Câmara. AG. CÂMARA LUIS MACEDO
AFONSO BENITES  e ANDRÉ DE OLIVEIRA - Para o El País
A Câmara dos Deputados aprovou entre a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta-feira 14 pautas-bomba que terão um impacto de 58 bilhões de reais no orçamento em três anos, além de um projeto de lei que autoriza o Governo Federal a manipular parte das receitas até o ano de 2023. O pacote de reajustes salariais assim como a extensão do prazo para a Desvinculação das Receitas da União, a DRU, eram projetos negociados pela gestão Dilma Rousseff (PT) e foram encampados pela equipe do presidente interino Michel Temer (PMDB).





Os reajustes servirão para funcionários de várias carreiras públicas, como do Executivo, da Justiça Federal, do Ministério Público da União, do Tribunal de Contas da União, da Câmara e do Senado Federal. O principal impacto será o reajuste concedido aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Os vencimentos deles passam de 33.763 reais para 39.293 reais. Como esse valor passará a ser o teto do funcionalismo público, várias outras carreiras terão seus salários aumentados porque os valores são vinculados ao dos ministros do STF. Os ministérios da Fazenda e do Planejamento estimavam que esse reajuste em cascata representaria um aumento de 6,9 bilhões de reais ao orçamento até o ano de 2019.
O pacote de aumentos para o funcionalismo público quase não enfrentou restrições entre os parlamentares, mesmo o país vivendo seu segundo ano seguido de recessão e com uma previsão de rombo nas contas de 170 bilhões de reais. A principal briga acabou sendo para assumir a “paternidade” das propostas. Representante da oposição, o líder da minoria, José Guimarães (PT-CE), dizia que era necessário aprovar as medidas que já haviam sido negociadas pelo Governo Rousseff. Enquanto que membros governistas, como o líder de Temer na Câmara, André Moura (PSC-SE), afirmavam que os gastos já estavam previstos no orçamento de 2016 e era apenas uma questão de sacramentá-los no plenário da Câmara.
Das 14 propostas, apenas uma não precisará ser votada pelo Senado, que é o reajuste salarial dos servidores desta Casa. As demais ainda terão de ser analisadas pelos senadores antes de se tornarem leis. Ainda falta uma medida de reajuste a ser analisada, a que prevê aumentos salariais para os membros da Defensoria Pública da União (DPU).

Desvinculação de receitas

A aprovação da DRU, em primeira votação, precisará ser chancelada novamente pelos deputados. Seu objetivo é liberar recursos, que estariam comprometidos com despesas específicas, para fazer com que o governo cumpra a meta de resultado primário (diferença entre receitas e despesas do Governo). Para este ano, está previsto um resultado negativo, com um déficit de 170 bilhões de reais, pelo descontrole das contas públicas que houve ao longo do Governo Dilma. É essa dificuldade de fechar as contas que tem pressionado o Governo a estender a DRU.
Conforme o texto, aprovado por 334 votos a 90, a União poderá realocar livremente 30% das receitas obtidas com taxas, contribuições sociais e de intervenção sobre o domínio econômico (CIDE), que atualmente são destinadas, por determinação legal, a órgãos, fundos e despesas específicos. Na prática, a margem de manobra é de até 120 bilhões de reais.
O projeto também permite que Estados e Municípios façam essa desvinculação. Até agora, apenas o governo federal tinha essa liberdade de movimentação de seus recursos. A DRU foi criada há 22 anos, durante a gestão Itamar Franco. Desde então, sempre teve seu prazo estendido por períodos de até cinco anos. Essa será a primeira vez que a ampliação chegará aos oito anos (2015-2023).

Judiciário mais caro do ocidente

Além de ser fonte dos maiores gastos públicos, os aumentos dos funcionários da Justiça só reforçam a tese de que o país tem um dos Judiciários mais caros do mundo ocidental, proporcionalmente em comparação com o Produto Interno Bruto (PIB). Um estudo elaborado pelo cientista político Luciano Da Ros, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mostra que o país gasta 1,3% de seu PIB com a Justiça. É o que mais gasta entre os 11 países estudados por Da Ros. Na sequência, com 0,3% aparecem a Venezuela e a Alemanha. Os que menos gastam nesta proporção, 0,1% do PIB, são Inglaterra, Estados Unidos, Argentina e Espanha.
Em 2015, o reajuste dos servidores do Judiciário foi tido como uma das principais batalhas do Governo no Congresso, onde foi aprovado por ampla maioria. A proposta inicial, que previa reajuste de 53% a 78%, acabou vetada pela presidenta Dilma Rousseff. Na época, o Ministério do Planejamento projetava que os gastos aumentariam em 5,3 bilhões de reais em 2016 e 36,2 bilhões de reais em 2019. Para evitar que o veto fosse derrubado, Dilma negociou uma proposta alternativa com Lewandovski.
A atual PL 2648 teria respaldo na lei Orçamentária para o aumento de gastos este ano, segundo uma nota técnica da Câmara, uma vez que a remuneração dos servidores do Judiciário está, de fato, defasada. Quando Dilma estava no poder, o reajuste do Judiciário era tratado por alguns deputados como uma “cobrança de fatura”. Depois do STF não ter interferido no rito do processo do impeachment, agora estaria pressionando para ver o reajuste aprovado.
Mas, segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União, uma das principais entidades envolvidas na questão, a sugestão da “cobrança de fatura” é absurda. “O PL é fruto de um acordo entre Executivo e Judiciário, firmado em agosto do ano passado. Ele só não foi votado em 2015 porque existia um movimento de junção de forças entre a oposição e setores extremistas que forçou a votação do PL sem orçamento para criar tensão com o Governo”, diz Roberto Ponciano, diretor da Fenajufe.

domingo, 6 de dezembro de 2015

A luta dos estudantes e o Estado de Direito em discussão, por Rafael Valim



  "Ainda custo a acreditar nas cenas a que assisti nos últimos dias. A brutalidade da Polícia Militar do Estado de São Paulo contra adolescentes em plena luz do dia, à vista de todos, beira o fantástico.
  "Também surreal é o sossego das varandas gourmets, a apatia das panelas, o silêncio cúmplice dos “cidadãos de bem” de nosso Estado démodé perante uma situação de tamanha gravidade. Será que testemunharíamos a mesma reação se a violência fosse perpetrada contra adolescentes que frequentam, por exemplo, uma escola da elite paulistana?" - Rafael Valentim



A luta dos estudantes e o Estado de Direito 


por Rafael Valim, Doutor em Direito e Professor da Faculdade de Direito da PUC/SP.

Fonte do texto: Jornal GGN

Ainda custo a acreditar nas cenas a que assisti nos últimos dias. A brutalidade da Polícia Militar do Estado de São Paulo contra adolescentes em plena luz do dia, à vista de todos, beira o fantástico.

Também surreal é o sossego das varandas gourmets, a apatia das panelas, o silêncio cúmplice dos “cidadãos de bem” de nosso Estado démodé perante uma situação de tamanha gravidade. Será que testemunharíamos a mesma reação se a violência fosse perpetrada contra adolescentes que frequentam, por exemplo, uma escola da elite paulistana?

A postura da Polícia Militar, entretanto, revela algo muito mais profundo. Em outras palavras, a covardia, o sadismo e, sobretudo, o ousadia demonstrados por aqueles ignóbeis militares são apenas a face visível de um fenômeno que se desenvolve há muitos anos no Estado de São Paulo.

E qual seria este fenômeno? Bastam poucas palavras para defini-lo: em São Paulo não há Estado Democrático de Direito. Ou seja: há muitos anos o Estado de São Paulo não se submete à Constituição e às leis e, por consequência, à vontade popular.

A Assembleia Legislativa, o Ministério Público Estadual, o Tribunal de Justiça e o Tribunal de Contas do Estado simplesmente não contrariam o “soberano” Governador do Estado, cujas decisões costumam vir acompanhadas dos conselhos “sábios” de dois arremedos de constitucionalistas. Isto explica a “valentia” dos milicos em face dos estudantes, bem como outros episódios grotescos como a falta de água na maior parte do Estado e as chacinas não investigadas nas periferias das grandes cidades.

Aliás, se São Paulo fosse um Estado sério e obediente à ordem jurídica, neste momento já estaria deflagrado o processo de impeachment do Governador, cuja nefasta política violou, à toda evidência, o art. 227 da Constituição Federal, cujos termos nunca é demais lembrar: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão” (grifos nossos).

A tudo isto se soma uma imprensa beija-mão que se incumbe de distorcer fatos e ocultar os desvarios de um Governo medíocre, farsesco e que se recusa ao diálogo.

Toda esta nefasta conjuntura, entretanto, só aumenta a importância e a transcendência dos gestos heroicos desta rapaziada que, no eterno verso de Gonzaguinha, segue em frente e segura o rojão, que não foge da fera e enfrenta o leão, que não corre da raia à troco de nada e que constrói a manhã desejada!

E vamos à luta!

Rafael Valim é

sábado, 3 de outubro de 2015

Onde estão todos aqueles cidadãos que nas manifestações de ruas, nas mídias sociais, nos panelaços de janelas de prédios bacanas, se manifestam contra a corrupção no Brasil? Por que se calam com Cunha?



Estão perdendo o trem da história em não agir, agora em defesa da cassação do mandato do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. 
Essa sim é uma questão real, e que por sua absurda continuidade está se tornando  surreal.

Segue texto de  Chico Vigilante:




Foto: Zeca Ribeiro/ Câmara dos Deputados: <p>Brasília- DF- Brasil- 10/09/2015- Sessão extraordinária para discussão e votação de diversos projetos. Na foto, presidente da Câmara dos Deputados, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Foto: Zeca Ribeiro/ Câmara dos Deputados</p>

Onde estão todos aqueles cidadãos que nas manifestações de ruas, nas mídias sociais, nos panelaços de janelas de prédios bacanas, se manifestam contra a corrupção no Brasil?
Estão perdendo o trem da história em não agir, agora em defesa da cassação do mandato do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. 
Essa sim é uma questão real, e que por sua absurda continuidade está se tornando  surreal.
O que estão esperando para se juntar aos movimentos sociais sérios que hoje pedem a saída de Eduardo Cunha?
Enquanto os proprietários das grandes construtoras deste país e líderes petistas estão presos - a maioria preventivamente - Eduardo Cunha, com cinco denúncias  por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, continua livre, leve e solto.
O que estamos permitindo que Eduardo Cunha faça? que incentive a crença na impunidade e continue a tumultuar a pauta da Câmara e do Congresso, com expedientes  nada ortodoxos, no intuito explícito de dificultar a governabilidade.
O que está acontecendo com os brasileiros? Por que isso acontece e uma maioria silenciosa aceita ? 
Gente, é fato consumado. É dado oficial  divulgado pela PGRque Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e seus familiares possuem contas secretas na Suiça, e que os valores já foram, inclusive, bloqueados pelas autoridades daquele país.
Que outros indícios de bandidagem suas excelências, senhores congressistas necessitam para pedir o afastamento de Cunha da presidência da Casa? 
Com a denúncia, Cunha, que já foi citado por cinco delatores da Operação Lava Jato, em outros crimes, perde totalmente as condições de se manter à frente de uma das casas do Poder Legislativo.
O Ministério Público da Suíça enviou ao Brasil, no dia 30 de setembro, os autos da investigação contra Eduardo Cunha, por suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção passiva e a transferência da investigação criminal foi aceita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. 
Por ser brasileiro nato, Eduardo Cunha não pode ser extraditado para a Suíça, mas a transferência de processo é um procedimento de cooperação internacional, que assegura a continuidade da investigação ou processo na jurisdição mais adequada. 
No Brasil a causa é de competência do Supremo Tribunal Federal, em virtude da prerrogativa de foro do presidente da Câmara. 
A responsabilidade pela abertura de ação penal contra Eduardo Cunha caberá ao plenário do STF, após a análise das acusações pelo ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Lava Jato no Supremo.
Na denúncia apresentada ao STF, em agosto, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma que Cunha recebeu US$ 5 milhões para viabilizar a contratação, em 2006 e 2007, de dois navios-sonda pela Petrobras com o estaleiro Samsung Heavy Industries. 
O negócio, formalizado sem licitação, ocorreu por intermediação do empresário Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, preso há nove meses em Curitiba. 
Segundo investigações da Polícia Federal, Cunha teria usado a igreja a que pertence, a Assembleia de Deus em Madureira, Zona Norte do Rio, para lavar dinheiro e distribuir parte da propina arrecadada, durante sua campanha eleitoral. 
Cunha nega tudo. Diz que não tem contas na Suiça e que nunca recebeu vantagens devidas ou indevidas. Ou seja, ele está afirmando, então, que o governo suíço está mentindo? O presidente da Câmara dos Deputados com suas declarações cria um impasse diplomático.
Ele também foge às perguntas sobre as declarações do ex-gerente da área internacional da Petrobras Eduardo Musa, segundo o qual era Cunha quem dava a palavra final em relação às indicações para a Diretoria Internacional da estatal.
Quanto mais denúncias de corrupção pululam contra ele mais ele age com desenvoltura contra os interesses do país, impondo condições para incluir na pauta da Câmara  questões de extrema importância como os vetos de Dilma a projetos recentemente votados.
Os cidadãos sérios deste país - que  sonham entrar para a história como gente que trabalhou pelo bem do Brasil - devem se unir à luta dos movimentos que defendem a saída imediata de Cunha; assinar as campanhas neste sentido cujo número de adeptos cresce na internet; e exercer o direito democrático de se manifestar na frente do Congresso Nacional pela cassação de Eduardo Cunha.