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terça-feira, 17 de setembro de 2019

Cuidado Bolsonaro, o verdadeiro Führer, também conhecido como astrólogo e mentor da extrema direita no Brasil, está na Virgínia! Artigo de Rogério Maestri




  "A lógica da ascensão dos governos fascistas de raiz, o italiano e o alemão, sempre foi de montar milícias paramilitares. E quando os governos democráticos da época estavam fracos, mesmo com minoria parlamentar e com menos de 1/3 do apoio da população, assumiam o poder através de um estratagema parlamentar (legal): tomavam o poder para rapidamente colocar na ilegalidade todos os movimentos políticos que não fossem os vinculados ao poder dos partidos fascista e nazista."


Cuidado Bolsonaro, o verdadeiro Führer está na Virgínia!

por Rogério Maestri

A lógica da ascensão dos governos fascistas de raiz, o italiano e o alemão, sempre foi de montar milícias paramilitares. E quando os governos democráticos da época estavam fracos, mesmo com minoria parlamentar e com menos de 1/3 do apoio da população, assumiam o poder através de um estratagema parlamentar (legal): tomavam o poder para rapidamente colocar na ilegalidade todos os movimentos políticos que não fossem os vinculados ao poder dos partidos fascista e nazista.

Em todas as análises políticas da situação nos últimos quatro anos, sempre ressaltei que este tipo de tomada do poder passaria obrigatoriamente pela constituição de milícias e para que essas permitissem a chegada do poder de um regime de dominação integral, como o fascismo italiano e o nazismo alemão.

No caso brasileiro fica claro que o que chamamos de milícias são grupos criminosos que podem ter importância local, mas devido à origem dos mesmos, não há um comando central e disciplinado. Logo, é impróprio para dar golpes, pois não contam com o apoio da elite do poder que tem seus próprios esquemas de jagunços ou mesmo apoio de tropas militares ou de polícias militares.

Esta atipicidade da situação brasileira impede não só a formação progressiva de um estado classicamente totalitário de partido único, como falha em outros pontos quanto ao líder escolhido.

Muitos intelectuais de várias famílias, desde a esquerda até mesmo a direita, passam a vida a repetir que os governos fascistas são absurdos democráticos que contrariam o liberalismo econômico pregado pelos partidos que abertamente professam esta fé. Tanto Mussolini e, principalmente, Hitler, são tratados como monstros que simplesmente não são enquadrados como humanos e muito menos as capacidades intelectuais dos mesmos foi e ainda é subestimada. Porém, numa análise clara e não com viés moral da história, se verifica que Mussolini foi um forte ideólogo do movimento fascista internacional que sabia escrever, discursar para as massas e inebria-las com seus discursos, obtendo, durante um período da história do fascismo italiano, apoio de amplos setores da população. Da mesma forma, Hitler. com sua obra única, Mein Kampf, conseguiu atrair para o nazismo boa parte da população alemã, manejando habilmente conceitos como o anticomunismo, a supremacia da “raça ariana”, o ódio às minorias como judeus, ciganos e outras, que muitos estavam presentes no pensamento alemão da época. Ou seja, não dar os créditos de uma habilidade intelectual e retórica totalmente falaciosa aos escritos e discursos destes dois líderes é simplesmente tapar o sol com a peneira. Se compararmos Bolsonaro tanto com Hitler como, principalmente, Mussolini, ele é um verdadeiro anão intelectual, ou seja, uma figura caricatural tanto do Führer como do Duce.

Agora voltando ao caso brasileiro, a atual conclamação do Guru da família Bolsonaro à criação de um organização miliciana para apoiar incondicionalmente o atual ocupante da cadeira da presidência, após que este está já no poder, pode parecer completamente anacrônica, pois como se viu nos casos tradicionais Italiano e Alemão, depois do Duce e do Führer assumirem o poder, estas milícias tiveram que ser controladas (a italiana, menos organizada) ou simplesmente executadas a sua cúpula e controlada a base (a alemã, que tinha uma organização militar perfeita, por isto exigiu a execução física de seus líderes) para garantir o apoio necessário das forças armadas e das elites econômicas italianas e alemãs.
Então a formação fora de tempo de milícias bolsonarianas parece um verdadeiro contrassenso, pois criarão problemas com a base de apoio tradicional da direita, inclusive do exército. Porém se fizermos um pequeno giro lógico na história e compreendermos que o Führer verdadeiro não é aquele que ocupa a cadeira de presidente, mas sim outro, por exemplo o astrólogo da Virgínia, é possível criar um cenário imaginário de uma utilidade destas atuais milícias bolsonarianas para o verdadeiro golpe daquele que mais pensa no poder.

Vamos imaginar o seguinte cenário: através de uma operação de falsa bandeira faz-se um atentado exitoso contra o ocupante da cadeira da presidência. Quem irá aparecer num traumático funeral de um presidente? Provavelmente os filhos do presidente e, acompanhando o seu féretro, aquele que monta todo o esquema ideológico do atual presidente, ou seja, o astrólogo da Virgínia.

Com o impacto mediático deste atentado, que seria atribuído à esquerda, se abriria condições para que as milícias bolsonarianas, agora sob o comando direto do guru do grupo, começassem a sua função de desordem e de massacre direto da esquerda. Seriam fechados os partidos de esquerda e qualquer coisa que estivesse em oposição ao governo e numa situação de comoção pública exigir-se-ia novas eleições sem nenhuma oposição.
Feito isto, um dos filhos do falecido presidente, aquele que fosse mais fiel ao Guru, poderia ser eleito, colocando este último como uma espécie de primeiro ministro. Neste momento as milícias bolsonarianas teriam o mesmo destino dos camisas negras ou pardas, a eliminação, e se fecharia o ciclo na direção de um estado totalitário de partido único, e eliminando-se o que mais impede a radicalização à extrema direita do atual governo, a própria presença de um falso líder inábil como o próprio Jair Bolsonaro.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Jamil Chade, no UOL: Relatores da ONU pedem acesso ao Brasil para examinar execuções e milícias




Diante da ONU, protesto marcou o 1º aniversário do assassinato de Marielle Franco. Foto: Jamil Chade 


GENEBRA – Relatores da ONU solicitaram autorização para fazer uma missão ao Brasil para investigar as execuções sumárias e a atuação das milícias. Documentos oficiais revelam que os pedidos já foram apresentados em 2018. Mas, até agora, o Brasil não deu sinal verde para a realização dessas missões. 

O Brasil mantém uma política de portas abertas aos relatores da ONU. Mas condiciona as missões a um acordo sobre datas, uma forma encontrada pelo governo para administrar as eventuais visitas.

 Em 2018, por exemplo, praticamente nenhum dos relatores foi autorizado a entrar no país.  O Itamaraty justificava que, diante do período eleitoral no Brasil, essas visitas não tinham como ser realizadas.

Hoje, relatores diferentes da ONU aguardam na fila para que sejam autorizados a entrar no Brasil para realizar inspeções sobre violações aos direitos humanos. Alguns dos pedidos de missão ao Brasil datam ainda de 2017 e jamais foram atendidos pelo governo de Michel Temer (MDB).

Desde o início do ano, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) indicou que as visitas iriam ser restabelecidas. Nesta semana, por exemplo, o governo recebe a relatoria da ONU sobre a eliminação da discriminação contra pessoas afetadas pela hanseníase.

Em junho, existe a possibilidade de uma missão para avaliar a situação do racismo no país. Negocia-se ainda uma inspeção para examinar as ameaças aos defensores de direitos humanos no Brasil. 

O que já está confirmado é uma missão para avaliar a situação das comunidades afetadas pelas barragens, em dezembro.

Fila

Mas nem todos os pedidos de visitas têm recebido uma resposta. No dia 20 de março de 2018, a relatoria que investiga a situação de execuções sumárias e assassinatos enviou uma carta pedindo para que uma missão ao Brasil fosse autorizada em 2019.

Nenhuma data foi estabelecida, por enquanto, para a viagem. Isso não impediu que, ao longo dos últimos meses, denúncias fossem apresentadas pela relatoria contra o governo brasileiro, pedindo explicações sobre assassinatos. Um dos focos do trabalho deve ser o papel das milícias.

Nesta semana, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa fluminense denunciou o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), à Organização dos Estados Americanos (OEA) e à Organização das Nações Unidas (ONU). 

Em ofícios, a deputada Renata Souza (PSOL), que preside a comissão, aponta que as mortes em confrontos com policiais no estado do Rio chegaram a um nível recorde no primeiro trimestre deste ano. Foram, segundo ela, 434 pessoas mortas em ações das forças de segurança, entre janeiro e março.

Já no dia 9 de outubro de 2018, foi a vez do Grupo de Trabalho da ONU sobre Mercenários apresentar um pedido para realizar uma visita ao Brasil em 2019.

Já no dia 9 de outubro de 2018, foi a vez do Grupo de Trabalho da ONU sobre Mercenários apresentar um pedido para realizar uma visita ao Brasil em 2019.

A missão teria, como ponto central, avaliar o trabalho de empresas de segurança privada no Brasil, assim como eventuais cruzamentos com milícias. Não há, por enquanto, qualquer sinalização por parte do governo sobre uma eventual data para a visita..

A missão teria, como ponto central, avaliar o trabalho de empresas de segurança privada no Brasil, assim como eventuais cruzamentos com milícias. Não há, por enquanto, qualquer sinalização por parte do governo sobre uma eventual data para a visita.... 

- Veja o restante do texto em https://jamilchade.blogosfera.uol.com.br/2019/05/09/relatores-da-onu-pedem-acesso-ao-brasil-para-examinar-execucoes-e-milicias/?cmpid=copiaecola