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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Jânio de Freitas, na Folha de São Paulo: Onde está a inteligência?

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A melhor medida que Jair Bolsonaro tomou até agora foi o cala a boca dirigido aos seus circunstantes





A melhor medida que Jair Bolsonaro tomou até agora, apesar de infrutífera, foi o cala a boca dirigido aos seus circunstantes. Inaugurado com o vice Mourão, não parou de repetir-se com vários outros, por reconhecida necessidade e total inutilidade.

Um erro de princípio, aliás, contribuiu para o fracasso: Bolsonaro não se incluiu na conveniência do mutismo. E as asneiras e inverdades destrinchadas pelo noticiário não abarcam a safra diária.

O general Augusto Heleno, por exemplo, diz que “fizeram um auê disso aí sem nada”, sendo o “disso aí” a possibilidade de instalação de uma base militar americana no Brasil. O “auê” foi a simples notícia proveniente de Bolsonaro.

O general mostra sua firmeza: “Ele falou comigo que não falou nada disso. Foi um comentário quando falaram de base russa, não sei quê, aí saiu esse assunto, de repente é base americana.”
A tal base russa foi uma hipótese da guerra verbal contra a Venezuela. Mas se “aí saiu esse assunto” que é a base americana, o general diz, de modo indireto, que o assunto foi falado.

E, de fato, Bolsonaro disse no SBT que poderia negociar com os Estados Unidos a 
instalação aqui de uma base americana.

Se a ideia foi uma leviandade a mais ou se teve algum propósito definido, negar sua ocorrência na TV não é inteligente. E atribuí-la a um “auê” da imprensa é uma tentativa de tapear a opinião pública. O que em poucos dias já mostra mais uma deformidade dos novos governantes.

Onyx Lorenzoni demite em massa na assessoria da Presidência: “É a despetização do governo”. Daí decorrentes, dois títulos da Folha informam sobre o resultado: “’Caça a petistas’ de Onyx desarticula todo o corpo técnico da Casa Civil” e “Exonerações de Onyx paralisam Comissão de Ética da Presidência” (dias 7 e 8).

As demissões tão citadas em postagens de Bolsonaro e tão exploradas por Lorenzoni são uma farsa com face dupla.

Quem tinha vínculo com o PT foi substituído, junto a muitos outros, por vinculados a Geddel Vieira Lima, Moreira Franco, Eliseu Padilha, Carlos Marun e, claro, Temer e seu compra-e-vende com deputados e senadores.

As demissões estão feitas sem critério algum, para abrir o máximo de vagas aos vinculados à nova turma do poder. Várias nomeações do gênero já foram noticiadas, casos com algum atrativo particular. O dispositivo técnico está arruinado.

A extinção da Justiça do Trabalho, disse Bolsonaro também no SBT, “está sendo estudada”. Porque há “excesso de proteção” ao assalariado. Sua convicção: “Tem que ter a justiça comum” para o assalariado reclamante. “Até um ano e meio atrás, eram em torno de 4 milhões de ações trabalhistas por ano. Ninguém aguenta isso.”

Extinguir a Justiça do Trabalho, para eliminar o que Bolsonaro considera insuportável, é só uma obtusidade. Por sua receita, apenas acrescentaria milhões de processos ao entupimento da Justiça Cível e da Criminal, inviabilizando-as em definitivo. E isso é chamado de reforma.

O que Bolsonaro deseja está na eliminação de direitos. Tornados leis e regulamentos porque o patronato brasileiro, envenenado pelos legados escravocratas e pela concentração dos recursos financeiros, burlava com frequência até os mínimos deveres humanitários.

Esse patronato, por sua vez, deixou herança “cultural”. E a ela se deve a quase totalidade dos milhões de pedidos à Justiça do Trabalho para verificação de direitos talvez relegados —isto é o processo trabalhista. Mas Bolsonaro não pode compreender.

GGN: Governo Bolsonaro contabiliza nove recuos em nove dias de gestão



Falta de acordo entre presidente e cúpula reforça imagem de dispersão e falta de planejamento 
 
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
 
Jornal GGNO governo Bolsonaro completou nove dias de mandato com uma média de um recuo por dia. O levantamento é da matéria de Marina Dias, na Folha de S.Paulo. A avaliação é que os recuos reforçam a falta de planejamento, dispersão e capacidade pouco assertiva do primeiro escalão e do próprio presidente da República. 
 
A primeira pisada na bola aconteceu logo no dia 1º de janeiro. Horas depois de o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, dizer à imprensa que as primeiras ações de Bolsonaro seriam publicadas no dia seguinte, o novo presidente assinou o decreto que reajustou o salário mínimo.
 
Na sexta-feira (04) foi a vez de uma sucessão de derrapadas do governo começando pelo próprio líder. Bolsonaro anunciou o aumento do IOF (Imposto de Operações Financeiras) e redução da alíquota do Imposto de Renda. Sobrou para Onyx anunciar que o presidente havia se “equivocado”. O secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, reforçou que os impostos não iriam sofrer aumento.
 
Pouco antes, no dia 2 de janeiro, Onyx havia anunciado a "despetização" do seu ministério, orientando as outras pastas a fazerem o mesmo. Com a medida, o ministro exonerou 320 servidores vinculados à Casa Civil e que foram contratados durante os governos Lula e Dilma. O resultado foi a paralisação o trabalho da Comissão de Ética Pública que perdeu 16 dos 17 funcionários da sua equipe, obrigando o departamento a anunciar, dias depois, a readmissão dos servidores para evitar prejuízos. 
 
Na terça-feira (08), o comandante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, desmentiu Onyx de que o governo iria anunciar um plano de medidas prioritárias. A proposta teria relação com a divulgação de metas para os 100 primeiros dias da atual gestão, também anunciada pelo chefe da Casa Civil após duas reuniões de Bolsonaro com os 22 ministros, mas nada foi publicado. 
 
O general Augusto Heleno foi responsável, ainda, por acabar com a polêmica sobre a instalação de uma base militar americana no Brasil. O anúncio foi feito pelo presidente durante entrevista ao SBT, e causou preocupação no meio militar. No início desta semana, o governo voltou atrás. 
 
O comandante do GSI foi também quem descartou que não haverá, da parte do governo, interrupção no processo de venda da Embraer para a Boeing, desmentindo Bolsonaro que havia feito declarações no sentido contrário.
 
Os recuos mais recentes aconteceram nesta quarta-feira (09). O governo voltou atrás na suspensão do processo de reforma agrária e nas mudanças no edital de compra de livros didáticos pelo Ministério da Educação. 
 
Nos próximos dias, o governo deverá voltar atrás em pontos que têm defendido na reforma da Previdência. Bolsonaro fala em idade mínima de 57 anos para aposentadoria de mulheres e 62 para homens, contrariando o texto defendido por Paulo Guedes.