Mostrando postagens com marcador mediocridade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mediocridade. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Triste, tristinho, ao ver pretenso Messias em Davos, por Rui Daher


Resultado de imagem para jota camelo bolsonaro

Do GGN :

Eu tava triste tristinho/Mais sem graça que a top model magrela na passarela/ Eu 'tava’ só sozinho/ Mais solitário que um Paulistano/Que um canastrão na hora que cai o pano/'Tava’ mais bobo que banda de rock’/Que um palhaço do circo Vostok. (Zeca Baleiro, em “Telegrama”). Uma das poucas criações da nova música popular brasileira que continua a letra dizendo “querer entregar flores ao delegado, bater na porta do vizinho dar bom dia, e beijar o português da padaria”.
É como me senti hoje ao ver e ouvir Jair Bolsonaro, em Davos. Almoçava sozinho, sem nenhum interesse por ele. Aonde foram seus parças, equipe preparada. Por que Luciano Huck não o acompanhou às bandejas do supermercado? Toda a direita civil-militar lá presente? O que terá comido? Goulash pelando de quente? Conseguiu falar seis minutos? Recorde negativo no Fórum congelado? Aonde foram ‘Keds”, Arnesto e asseclas? Ah, inglês insuficiente e ideias ultrapassadas? Por que não convidou Damares para expandir a cultura planetária com suas parábolas.
Costumam mencionar minha comiseração com pobres, daí ser da esquerda democrática e lembrar-me de Lula, no passado, e do que seria Fernando Haddad em seu discurso em Davos.Descubro que assim sou até com os pequenos de espírito com Jair Bolsonaro, mesmo sabendo que o mito me tiraria deste mundo, ao primeiro tiro, justificado pelo STF e seu ministro “camicia nera”.
Apelo ao Conselho Consultivo do "Dominó de Botequim", Somente desce Darcy.
- E os demais?
- Bebem cagando de rir de nosso presidente.
- Criticam-no: “ele quer copiar Tarso, Ivan, Maciel, Sérgio Augusto, Maciel, Armindo, Mouzar Benedito, Francis, Henfil, Nani, e outros d'O Pasquim, mas eles não tinham comiseração nenhuma. Lembra da destruição que os Fradinhos fizeram com Simonal, Elis, sem perdão”?
- Sou um covarde?
- Não é bem isso. Mas ter pena de um bosta, que todos sabiam sem nenhuma aptidão ao cargo. Logo estará fora do cargo. Nem sabe aonde está. Louco para voltar às suas chinelas Rider, camisetas folgadas, calções largos e varas de pesca, e aproveitar da grana que ele e família amealharam em legislativos mancos e beneficentes.
- Sinto pena. Acreditou em Bannon e no Departamento de Estado dos EUA. Gostemos ou não, ele foi representar o Brasil, como eleito pelos votos.
- Noventa milhões declararam #EleNão. O mundo todo lamentou um imbecil de ultradireita.
- Vamos aguentar, Darcy Ribeiro?
- Não, se partirem para a cultura e a chacota ou, como você prefere, a galhofa. Nunca foi mais fácil.
- Mas e aí, vêm, os militares.
- Melhor, Rui “Peninha” Daher. Se precisar, chame seu amigo Harmônica. Beijos meus, de Ariano, Melô e Dr. Walther.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Desmontando o medíocre discurso de Bolsonaro em Davos, por Paulo Ghiraldelli



Do Canal do Paulo Ghiraldelli:


“Sem credibilidade ou substância”, diz repórter de TV alemã em Davos sobre Bolsonaro



Foto

DCM. - Após o vexame de Bolsonaro no discurso em Davos, jornalistas estrangeiros fizeram críticas à fala do presidente, que durou cerca de seis minutos.
O jornalista alemão Holger Zschaepitz afirma, em sua conta no Twitter, que “Bolsonaro decepciona com seu discurso. O Real cai 0,5% enquanto ele só fala em restabelecer a “credibilidade”, num discurso sem substância ou credibilidade”.
President Bolsonaro disappoints w/speech at the Davos crowd & fin mkts. Brazil Real drops 0.5% as he just touts reform "credibility" in a speech that has no substance & credibility. Investors had been looking for concrete measures on pensions, sale of state assets.
419 pessoas estão falando sobre isso

00:00/00:40Diário do Centro do Mundo


Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

GGN: Governo Bolsonaro contabiliza nove recuos em nove dias de gestão



Falta de acordo entre presidente e cúpula reforça imagem de dispersão e falta de planejamento 
 
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
 
Jornal GGNO governo Bolsonaro completou nove dias de mandato com uma média de um recuo por dia. O levantamento é da matéria de Marina Dias, na Folha de S.Paulo. A avaliação é que os recuos reforçam a falta de planejamento, dispersão e capacidade pouco assertiva do primeiro escalão e do próprio presidente da República. 
 
A primeira pisada na bola aconteceu logo no dia 1º de janeiro. Horas depois de o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, dizer à imprensa que as primeiras ações de Bolsonaro seriam publicadas no dia seguinte, o novo presidente assinou o decreto que reajustou o salário mínimo.
 
Na sexta-feira (04) foi a vez de uma sucessão de derrapadas do governo começando pelo próprio líder. Bolsonaro anunciou o aumento do IOF (Imposto de Operações Financeiras) e redução da alíquota do Imposto de Renda. Sobrou para Onyx anunciar que o presidente havia se “equivocado”. O secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, reforçou que os impostos não iriam sofrer aumento.
 
Pouco antes, no dia 2 de janeiro, Onyx havia anunciado a "despetização" do seu ministério, orientando as outras pastas a fazerem o mesmo. Com a medida, o ministro exonerou 320 servidores vinculados à Casa Civil e que foram contratados durante os governos Lula e Dilma. O resultado foi a paralisação o trabalho da Comissão de Ética Pública que perdeu 16 dos 17 funcionários da sua equipe, obrigando o departamento a anunciar, dias depois, a readmissão dos servidores para evitar prejuízos. 
 
Na terça-feira (08), o comandante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, desmentiu Onyx de que o governo iria anunciar um plano de medidas prioritárias. A proposta teria relação com a divulgação de metas para os 100 primeiros dias da atual gestão, também anunciada pelo chefe da Casa Civil após duas reuniões de Bolsonaro com os 22 ministros, mas nada foi publicado. 
 
O general Augusto Heleno foi responsável, ainda, por acabar com a polêmica sobre a instalação de uma base militar americana no Brasil. O anúncio foi feito pelo presidente durante entrevista ao SBT, e causou preocupação no meio militar. No início desta semana, o governo voltou atrás. 
 
O comandante do GSI foi também quem descartou que não haverá, da parte do governo, interrupção no processo de venda da Embraer para a Boeing, desmentindo Bolsonaro que havia feito declarações no sentido contrário.
 
Os recuos mais recentes aconteceram nesta quarta-feira (09). O governo voltou atrás na suspensão do processo de reforma agrária e nas mudanças no edital de compra de livros didáticos pelo Ministério da Educação. 
 
Nos próximos dias, o governo deverá voltar atrás em pontos que têm defendido na reforma da Previdência. Bolsonaro fala em idade mínima de 57 anos para aposentadoria de mulheres e 62 para homens, contrariando o texto defendido por Paulo Guedes. 
 

Leonardo Boff: ‘Novo governo é o triunfo da ignorância e da estupidez’




  Para o teólogo Leonardo Boff, o início do governo de Jair Bolsonaro mostra “todo o despreparo” do presidente eleito. “É contraditório, não sabe bem o que quer, nem sequer conhece as reais necessidades do país.” Mais do que isso, ele acredita que o novo presidente, que tomou posse no dia 1° de janeiro, “é a maior desgraça que ocorreu em nossa história”. Para Boff, a chegada dos atuais comandantes do país “é o triunfo da ignorância e da estupidez”.

Leonardo Boff. Foto: Wikimedia Commons

Do DCM, Publicado originalmente na Rede Brasil Atual
Para o teólogo Leonardo Boff, o início do governo de Jair Bolsonaro mostra “todo o despreparo” do presidente eleito. “É contraditório, não sabe bem o que quer, nem sequer conhece as reais necessidades do país.” Mais do que isso, ele acredita que o novo presidente, que tomou posse no dia 1° de janeiro, “é a maior desgraça que ocorreu em nossa história”. Para Boff, a chegada dos atuais comandantes do país “é o triunfo da ignorância e da estupidez”.
Depois de o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) divulgar, no dia 8, memorandos nos quais determinou a paralisação da reforma agrária, o presidente do órgão, Francisco Nascimento, revogou os documentos no dia seguinte, em mais um dos muitos recuos do governo em menos de 10 dias.
Uma eventual confirmação da suspensão da reforma agrária, que, de qualquer maneira, seria coerente com o ideário de Bolsonaro e seus apoiadores,  principalmente o agronegócio, é anticonstitucional, diz Boff. “A Constituição de 1988 prevê a reforma agrária. Bolsonaro não possui autonomia pessoal. Obedece ao agronegócio, à velha oligarquia que vive de privilégios. São, na verdade, os descendentes da casa-grande.”
Apesar de tudo, o teólogo ainda acredita no país. “Tenho esperança de que o Brasil seja muito maior do que as pequenas cabeças dos que agora vão governar dentro de um rígido fundamentalismo de corte religioso com um projeto econômico-político ultraliberal”, afirma, em entrevista respondida por e-mail à RBA.
Como o senhor avalia esse início de governo Bolsonaro?
Esse início de governo mostra todo o despreparo do presidente eleito. É contraditório, não sabe bem o que quer, nem sequer conhece as reais necessidades do país. É a maior desgraça que ocorreu em nossa história. É o triunfo da ignorância e da estupidez. Ele não está à altura da grandeza e da complexidade do Brasil.
Acredita que o governo ameaça a democracia?
Ele nunca falou em defender a democracia. Suas falas na campanha se orientaram por tudo aquilo que destrói uma democracia, mesmo a nossa, que é de baixa intensidade: desrespeito a minorias políticas que são maiorias numéricas, como os negros e negras, desprezo pelos indígenas e quilombolas, ameaça aos LGBT. Não possui o sentido da igualdade de todos em dignidade e direitos. É preconceituoso e pensa que os problemas se resolvem com a pancada. Isso é contra qualquer sentido democrático.
O que acha de uma eventual suspensão da reforma agrária, conforme ordenada pelo governo na terça-feira (8), apesar do recuou posterior?
É um ato anticonstitucional. A Constituição de 1988 prevê a reforma agrária. Ele não possui autonomia pessoal. Obedece ao agronegócio, à velha oligarquia que vive de privilégios e são, na verdade, os descendentes da Casa Grande. Temo apenas que essa exclusão da reforma agrária produza muita violência no campo e os sem-terra sejam criminalizados como terroristas.
E o papel desempenhado pelos movimentos sociais e pela esquerda brasileira diante do novo governo?
Acho que todos ficaram aturdidos se perguntando: como pode acontecer tudo isso e tanta insensatez em nosso país? Onde nós erramos? Como não conseguimos prever esse salto rumo à Idade Média? Creio que as esquerdas e os que compõem o campo progressista não encontraram ainda uma estratégia concreta para enfrentar tanto caos que já está se criando e que possivelmente aumentará.
Acredita na “união da esquerda”, na luta pela manutenção de direitos?
Na minha opinião, é preciso criar uma frente ampla democrática, de partidos progressistas e de forças sociais para defender a democracia, os direitos fundamentais dos cidadãos e os bens públicos, que são a base de nossa soberania e da construção de uma nação com menos desigualdades sociais e, por fim, para impedir que se acrescente mais sofrimento aos que sempre sofreram em nossa história.
Mas tenho esperança de que o Brasil seja muito maior do que as pequenas cabeças dos que agora vão governar dentro de um rígido fundamentalismo de corte religioso com um projeto econômico-político ultraliberal que sempre favoreceu o mercado e os poderosos à custa da marginalização das grandes maiorias de nosso povo.
Qual sua maior preocupação na atual conjuntura?
Preocupo-me com a eventualidade de um golpe militar brando que afaste o atual presidente por vê-lo como um estorvo às políticas minimamente sensatas e nacionalistas. Já sabemos como funciona a cabeça do militar acostumado a identificar o inimigo e dar-lhe combate constante, especialmente contra os que se opõem a um tal governo.
Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui.

O homem mediano e a elite brasileira, por Jorge Alexandre Neves


  "Como disse Eliane Brum em seu artigo para o El País, a principal marca de Jair Bolsonaro é a mediocridade. Nunca se destacou em nada que fez na vida. Foi um militar absolutamente irrelevante, tendo saído para a reserva com uma das mais baixas patentes do oficialato. Como deputado federal por quase três décadas, sempre participou do chamado “baixo clero” da casa. Por que os donos do dinheiro, os donos do poder e os sábios de plantão decidiram apoiar alguém tão desprovido de virtudes? A figura mais medíocre a chegar à presidência da República, no Brasil. Acho que, como têm pontuado alguns (entre eles Mino Carta), as elites nacionais passaram por um forte processo de decadência cultural e de liderança, nas últimas décadas." - Jorge Alexandre Neves


Do Jornal GGN:

Foto Notícias ao Minuto



O homem mediano e a elite brasileira, por Jorge Alexandre Neves

A coluna de Eliane Brum, publicada no El País, intitulada “O homem mediano assume o poder”  traz uma análise muito interessante e profunda sobre as razões pelas quais o brasileiro mediano votou em Jair Bolsonaro para presidente da República (*). Eu gostaria, contudo, de levantar uma reflexão sobre as elites nacionais e seu apoio maciço a Bolsonaro. Por que tanto a plutocracia quanto boa parte das oligarquias regionais e, talvez mais interessante, a elite dos “bacharéis”, aderiram à candidatura e ao governo do capitão reformado?

Como disse Eliane Brum em seu artigo, a principal marca de Jair Bolsonaro é a mediocridade. Nunca se destacou em nada que fez na vida. Foi um militar absolutamente irrelevante, tendo saído para a reserva com uma das mais baixas patentes do oficialato. Como deputado federal por quase três décadas, sempre participou do chamado “baixo clero” da casa. Por que os donos do dinheiro, os donos do poder e os sábios de plantão decidiram apoiar alguém tão desprovido de virtudes? A figura mais medíocre a chegar à presidência da República, no Brasil. Acho que, como têm pontuado alguns (entre eles Mino Carta), as elites nacionais passaram por um forte processo de decadência cultural e de liderança, nas últimas décadas.
Há alguns anos atrás, realizamos na FAFICH/UFMG uma pesquisa com amostragem probabilística da população adulta da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Entre os temas pesquisados estava o dos gostos e práticas culturais. Assessorando a análise de dados de colegas professores e alunos que se dedicaram ao tema, me chamou a atenção que não havia uma clivagem cultural profunda entre os estratos socioeconômicos mais baixos e a elite. Nada parecido com o que Pierre Bourdieu encontrou na França dos anos 1970. No máximo, a elite parecia ter um gosto cultural mais “onívoro” (me parece que era o termo utilizado pelos especialistas) do que os membros das “classes populares”. Nossa elite econômica, política e cultural se mediocrizou e, assim como o homem mediano, não se choca ou sente desconforto com uma figura tosca e boçal como Jair Bolsonaro. O anti-intelectualismo contaminou praticamente toda a elite nacional, inclusive boa parte dos “bacharéis”. Paralelamente, viu-se essa elite perder capacidade de liderança e se afastar por completo de qualquer compromisso com um projeto de nação.
No caso da plutocracia, gosto de propor uma comparação entre a figura símbolo do empresariado nacional de hoje e do nosso passado recente. Durante todo o último quartel do século XX, Antônio Ermírio de Moraes foi o grande símbolo do empresariado nacional. Um típico “capitão da indústria”, líder inconteste e um pensador pragmático dos problemas do país e de projetos para sua superação. Figura austera, viveu toda sua vida profissional no país, com fortes laços sociais e políticos em seu meio. Hoje, o grande líder empresarial brasileiro é Jorge Paulo Lemann, uma figura quase que estranha ao Brasil. Com vínculos mais fortes com o setor financeiro do que com a economia real. Ambos estudaram nos EUA, mas ao contrário de Antônio Ermírio e seus inegáveis vínculos com o país, Lemann não vive no Brasil e parece realmente ver o país basicamente como um lugar para ganhar dinheiro (todo seu investimento em think tanks pode ser apenas voltado para o mesmo objetivo).
Se este é nosso grande líder empresarial hoje, o que dizer do restante. Durante as investigações do “joesleygate”, pudemos ver a vulgaridade de uma figura que está entre os grandes empreendedores do Brasil hoje. O mesmo pode-se ver em indivíduos que apoiaram fortemente a candidatura de Bolsonaro, como é o caso do empresário Luciano Hang, figura absolutamente tosca e brutalizada, que chegou ao ponto de coagir seus empregados a votar em seu candidato. A plutocracia nacional viu em Bolsonaro a chance de empurrar sua agenda de precarização e superexploração do trabalho. Como boa parte é do setor de varejo, só sua enorme limitação intelectual pode explicar não perceberem o quanto isso é uma faca de dois gumes. Mas, esse é um velho problema de ação coletiva conhecido por nós cientistas sociais.
Os “bacharéis”, por sua vez, de fato já não são os mesmos. Historicamente, se sentiam (e talvez ainda se sintam, em um profundo ataque de autoengano) com o “encargo de civilizar a nação”, como bem colocado por Luiz Felipe de Alencastro. Hoje, estão mais próximos de serem os maiores responsáveis pela interrupção de nosso incipiente processo civilizatório.
Os “bacharéis”, como os membros de todo o estamento burocrático e profissional, têm – assim como os plutocratas que estão pensando nos benefícios financeiros que podem extrair da precarização do trabalho – razões objetivas para apoiar Jair Bolsonaro. Talvez até razões ainda mais fortes. Como têm no status, na distinção, um fator fundamental de sua realização humana, da constituição de sua dignidade, têm razões bastante claras para fazerem uma opção tão conservadora. Francis Fukuyama, em seu livro “As origens da ordem política”, clarifica esse ponto de forma brilhantemente didática: “(...) só é possível ter status elevado se todos os outros têm status mais baixo (...) a luta por status tem soma zero, onde se um jogador ganha, o outro necessariamente perde” (p. 477). O estamento burocrático e profissional brasileiro passou a travar um conflito de status com os membros dos estratos socioeconômicos inferiores que jamais imaginou que precisaria enfrentar, até menos de duas décadas atrás.
O estamento se mostrou extremamente competente para ocupar espaços de poder no Estado. Ao estamento jurídico se soma agora a volta entusiasmada do estamento militar, tendo objetivos muito claros, como podemos ver esta semana, a partir de todos aqueles discursos sobre a necessidade de serem excluídos da reforma da previdência. Entram com tudo na guerra por mais e mais privilégios. Todavia, assim como seus atuais professores – os membros do estamento jurídico – estão, a exemplo da plutocracia, mergulhando em um problema de ação coletiva. Vão acabar matando a galinha dos ovos de ouro!
 (*) Não fiquei muito satisfeito com sua explicação para o caso específico das mulheres. Mas, isso seria assunto para outra coluna.

Resultado de imagem para jota camelo charges bolsonaro

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

The Intercept: As tretas internas do PSL de Bolsonaro e Hasselman mostram a treta em que o Brasil se enfiou


 "Ao que parece, a oposição não terá tanto trabalho para marcar os governistas do PSL. O partido reúne todas as condições para se estrepar sozinho. Uma conversa do grupo de WhatsApp “Bancada PSL 2019″, que reúne integrantes do partido, foi vazada para O Globo e mostra que o debate interno lembra muito mais um episódio da Escolinha do Professor Raimundo do que de uma sigla que elegeu o presidente e que representará uma das maiores bancadas da Câmara."


As tretas internas do PSL mostram a treta em que o Brasil se enfiou

João Filho — 9 de Dezembro
Brigas internas revelam não apenas disputas de poder, mas o DNA dos seus integrantes, que cresceram na política movidos por moralismos de quermesse.









Do The Intercept Brasil:

QUANDO TEM UM CARA muito ruim de bola na pelada, dizemos que ninguém precisa marcá-lo porque “esse a natureza marca”. Ao que parece, a oposição não terá tanto trabalho para marcar os governistas do PSL. O partido reúne todas as condições para se estrepar sozinho. Uma conversa do grupo de WhatsApp “Bancada PSL 2019″, que reúne integrantes do partido, foi vazada para O Globo e mostra que o debate interno lembra muito mais um episódio da Escolinha do Professor Raimundo do que de uma sigla que elegeu o presidente e que representará uma das maiores bancadas da Câmara.
Os celulares pegaram fogo, e o barraco varou a madrugada. Dois grandes duelos se estabeleceram. Começou com Joice Hasselmann x Major Olimpio e descambou para Joice Hasselmann x Eduardo Bolsonaro. Com muitas indiretas e intrigas infanto-juvenis, os embates se deram em torno da escolha da liderança do partido na Câmara, sempre tendo Joice como pivô.
A mulher mais votada do país está tentando impor na marra sua liderança sobre os colegas. Não é a primeira vez. Durante a campanha, Joice anunciou publicamente que seria candidata ao governo de São Paulo sem conversar com ninguém no partido. Nem o presidente estadual do PSL, Major Olimpio, foi consultado. Fulo da vida, o major chegou a gravar um vídeo dizendo que o PSL “não é a casa da Mãe Joana”. As conversas do WhatsApp mostram que o major está redondamente enganado. O PSL é a definição perfeita de Casa da Mãe Joana.
Na sua obsessiva busca por protagonismo, Joice afirmou no grupo que a articulação política do partido estava “abaixo da linha de miséria”. Apesar de ser verdade, a fala não caiu bem entre os correligionários, já que muitos ali estão diretamente envolvidos com a articulação.
Mesmo sem nem ter assumido o mandato, já dá pra saber que atropelar aliados é uma marca de Joice. Quem a acompanha nas redes sociais sabe que ela já se comporta como se fosse a principal liderança do PSL. Boa parte do dia a dia da deputada eleita é transmitido ao vivo. Joice costuma falar para seus milhares de seguidores de dentro de um carro em movimento, contando os bastidores de reuniões feitas com gente muito importante. Sempre faz questão de reforçar sua proximidade com o presidente e é pouco discreta ao falar sobre suas atividades políticas. Joice se comporta muito mais como uma youtuber caçadora de likes do que como uma liderança partidária, uma posição que requer um mínimo de sobriedade e cautela.
hasselman-1544312980
Foto: Reprodução/Youtube
O Major Olimpio ficou ofendido com a crítica da companheira. Deu carteirada de veterano militar e retrucou dizendo que o Capitão Jair estava organizando a articulação junto com ele e com o Delegado Waldir. Joice então disse que não iria jogar fora o cacife que construiu “muito antes de ser candidata” e  insinuou que há “disputas de espaço pouco republicanas” na briga pelo comando da articulação.
O barraco estava armado. Os dois continuaram trocando farpas e tentavam encerrar a discussão com um “boa noite” passivo-agressivo. Mas a discussão prosseguia cada vez mais acalorada, até que Eduardo Bolsonaro, com sua autoridade hereditária, chegou com um textão para botar “ordem no galinheiro” — como afirmou um dos integrantes do grupo.
Com a sabedoria que se espera de um homem criado por Jair Bolsonaro, Eduardo tacou fogo no feno ao tentar organizar o galinheiro. Depois de chamar Joice de “sonsa” e comentar sobre sua “fama de louca”, o deputado mais votado da história do país ignorou o clima de briga e trairagem e simplesmente revelou ao grupo uma movimentação nos bastidores que seu pai gostaria de manter em segredo: “O PSL está fora das articulações? Estou fazendo o que com o líder do PR agora? Ocorre que eu não preciso e nem posso ficar falando aos quatro cantos o que ando fazendo por ordem do presidente. Se eu botar a cara publicamente, o Maia pode acelerar as pautas bombas do futuro governo”.
Rodrigo Maia deve ter ficado feliz em saber que Bolsonaro trama pelas costas. O vazamento da conversa aparece justamente no momento em que o presidente da Câmara lidera, junto com líderes de 15 partidos, a criação de um blocão para minar o poder das duas maiores bancadas da casa: PT e PSL. A intenção é enfraquecer o governo na Câmara e aumentar o poder de barganha do blocão. A realpolitik já está se impondo, mas alguns bolsonaristas ainda não saíram do modo treta.
Pensei que Joice ficaria indignada em saber que Bolsonaro fechou aliança com o PR de Valdemar da Costa Neto, condenado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro no mensalão, mas não. Sua única preocupação era com a ameaça de perder protagonismo no PSL. Joice jogou na cara que o sucesso eleitoral de Eduardo veio por causa do sobrenome e ordenou: “ponha-se no seu lugar”.
Todos os deputados presentes na conversa ficaram do lado de Eduardo, deixando claro o isolamento de Joice. Após a publicação da conversa, a discussão continuou pelas redes sociais e imprensa. O deputado eleito Bibo Nunes, que participava do grupo, disse em entrevista para o Zero Hora que Joice “chegou ontem e já quer sentar na janelinha”, além de ser  “deslumbrada e se achar a rainha do mundo”.
O major Olimpio afirmou que não há nenhum conflito no PSL. Há apenas Joice. Insinuou que provavelmente foi ela quem vazou a conversa. A deputada respondeu xingando muito no Twitter. Insinuou que o major é quem teria vazado a conversa e o chamou de “sindicalista de quartel” e “machão de meia tijela (sic)”.
Faltando poucos dias para o início do governo Bolsonaro, o país assiste a uma briga de quinta série entre a mulher mais bem votada da história da Câmara e o senador mais bem votado do Senado.
Todos os protagonistas dessa discussão foram forjados nas tretas. Tretar é quase um cacoete para eles. Major Olimpio até pouco tempo era um deputado estadual desconhecido que ganhou os holofotes ao discutir aos berros com Geraldo Alckmin em um evento público. Joice tretou com quase todos os seus empregadores recentes, com Reinaldo Azevedo, com Alexandre Frota e se consolidou como youtuber agitando tretas e conspirações a todo momento. A atuação parlamentar de Eduardo Bolsonaro também sempre foi movida por tretas, conseguindo a proeza de arranjar uma com Junior de Sandy & Junior. Não há porque imaginar que essa turma, que não sabe fazer outra coisa a não ser buscar o conflito, se manterá unida a partir do ano que vem.
Mas a Família Bolsonaro se meteu em mais treta durante a semana. Enquanto Eduardo brigava no WhatsApp, Carlos decidiu iniciar um bate-boca com Julian Lemos, vice-presidente nacional do PSL. O vereador afirmou que Lemos “não é e nunca foi coordernador de Bolsonaro no Nordeste”, apesar de se apresentar assim. Julian Lemos, que já foi preso pela Maria da Penha e condenado por estelionato, respondeu com um vídeo no Instagram em que Jair Bolsonaro aparece afirmando que ele é o “nosso coordenador no Nordeste”. Desmascarou mais uma mentira de Carlos. Os dois continuaram discutindo no Instagram. O motivo exato da briga é desconhecido, mas deixa claro a bagunça e o amadorismo na disputa pelo poder dentro do bolsonarismo.
Mas há um lado bom para o PSL nessas brigas. Elas dividiram o noticiário com um assunto muito mais grave para o governo Bolsonaro. Nós, brasileiros, não aguentamos mais notícias sobre corrupção, mas sempre vamos adorar acompanhar um barraco. Um ex-motorista de Flávio Bolsonaro foi pego pelo Coaf movimentando R$ 1,2 milhão de forma suspeita. Ele é ex-policial militar e tinha mulher e filha também empregadas no gabinete de Flávio. O motorista, que é um amigo pessoal do presidente eleito, chegou a fazer dez saques de R$ 49 mil, o que torna tudo ainda mais suspeito, já que é uma forma comum de driblar a fiscalização. Saques acima de R$ 50 mil devem ser explicados ao banco, que repassa as informações da transação ao Coaf.  Um dos cheques teve a futura primeira-dama como favorecida. O capitão disse que o cheque era pagamento de uma dívida que o motorista tinha com ele, e justificou o depósito na conta da esposa alegando não ter tempo de ir ao banco, o que não faz o menor sentido.
O PSL é um partido de aluguel, sem nenhuma capilaridade social. Bolsonaro escolheu a sigla para abrigar sua candidatura e de toda a sua trupe de extrema-direita. É um catadão de reacionários neófitos na política e de veteranos do baixo clero. As brigas internas revelam não apenas disputas de poder, mas o DNA dos seus integrantes, que cresceram na política movidos por moralismos de quermesse. Nunca prestaram serviços relevantes ao país, nunca foram propositivos e só construíram fama turbinados por um antipetismo obsessivo que caiu nas graças de parte considerável da população. Caíram de paraquedas no centro do poder político e tudo leva a crer que irão mais atrapalhar do que ajudar o presidente eleito.
Cansado dos partidos tradicionais, o Brasil entregou a maior fatia do poder para um não-partido que nada tem a oferecer ao país. A máxima de Tiririca, “pior que tá não fica”, foi a maior fake news na qual caiu boa parte dos brasileiros. É claro que fica.