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segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Os EUA imperialistas da extrema direita de Trump e suas ameaças a um passo do rompimento diplomático com o Brasil, por Luís Nassif

 

Ao lado dos planos de contingência, será necessário um programa de comunicação eficiente, em torno da defesa da soberania do Brasil (frente às ameaças de Trump e seus apaniguados).

Do Jornal GGN:

Os EUA a um passo do rompimento diplomático com o Brasil, por Luís Nassif




Vamos entender quais os objetivos da embaixada norte-americana, com as notas cada vez mais agressivas contra o Supremo Tribunal Federal. A cada nota, o Itamaraty convoca o embaixador para explicações. Segue-se nova nota no mesmo teor. Essa escalada tem um desfecho previsível: os Estados Unidos procuram um rompimento diplomático com o Brasil.

Aumentos de tarifas prejudicam exportadores brasileiros e importadores norte-americanos. Por isso, há uma dose alta de desgaste no uso político das tarifas. Trocou-se então pelos ataques ao Supremo, e a seus ministros, e pelas provocações diplomáticas, como forma de justificar a escalada e o futuro rompimento.

As consequências de um rompimento diplomático são as seguintes:

  • alguma influência adicional no comércio exterior;
  • interrupção de programas conjuntos em áreas como tecnologia, agricultura, medicina, energia e parceria espacial;
  • cortes em bolsas de estudo, intercâmbios e convênios acadêmicos;
  • interrupção de acordos militares e de inteligência;
  • redução da cooperação no combate ao narcotráfico e contrabando de armas.

Os cenários possíveis

Pedi ao Chat GPT que traçasse dois cenários:

  • Cenário A: rompimento sem sanções.
  • Cenário B: rompimento + sanções financeiras.

Impactos setoriais

  • Mais atingidos (A e B): aeroespacial (atrasos/certificações), metalurgia/aço, químicos finos, TIC/serviços com receita em EUA, autopeças.
  • Gargalos logísticos no curto prazo; efeito líquido menor em A e moderado em B.
  • Energia & mineração: mercados líquidos atenuam perdas; em B, controles de tecnologia/serviços especializados podem atrasar projetos offshore.
  • Educação & ciência: congelamento de novos convênios e bolsas com instituições dos EUA; cooperação espacial, clima e saúde sofre hiatos (mais longo em B).
  • Defesa & segurança: cooperação e inteligência virtualmente paradas; em B, vetos a peças/softwares críticos.

Mas há vários caminhos para mitigar esses efeitos:

  1. Seguro de + linhas BNDES/BB para manter embarques e alongar prazos.
  2. Fast‑track regulatório (equivalência técnica) com UE/Ásia; ofensiva de promoção comercial por NCM/destino. NCM são as categorias de classificação de produtos para comércio exterior.
  3. Hedge coordenado de estatais e orientação a grandes importadores para suavizar o câmbio.
  4. Reforço de pagamentos alternativos (euro, CNY) com banco.
  5. Ponte acadêmica via UE e organismos multilaterais enquanto convênios com EUA ficam suspensos.
  6. Mapeamento fino de cadeias críticas (aeroespacial, saúde, TIC) e estoque estratégico de insumos sensíveis.

De qualquer modo, já deve estar sendo preparado um plano de contingência para enfrentar os próximos tempos. Mas é inacreditável como a mídia, e a opinião pública, ainda não se deram conta da situação atual. Notas em off, sobre supostos medos de ministros do Supremo e ataques a Alexandre de Moraes.

Por isso, ao lado dos planos de contingência, será necessário um programa de comunicação eficiente, em torno da defesa da soberania. O viralatismo nacional terá que ser expulso ao som do samba, do frevo, do choro e dos dobrados.

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sexta-feira, 31 de julho de 2020

Até a Globo golpista alerta: o olavista-bolsonarista Ernesto Araújo causará prejuízo bilionário ao Brasil


Jornal dos Marinho lamenta a falta de uma diplomacia profissional no comando do Itamaraty e diz que o Brasil pagará caro por obedecer as ordens de Trump e por atacar a China, nosso maior parceiro comercial

Ernesto Araújo
Ernesto Araújo (Foto: Marcos Correa/PR)

247 – Nem mesmo o jornal O Globo, que fez campanha pelo golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, e pela prisão política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fatores que permitiram a ascensão do bolsonarismo, tolera a política externa de Ernesto Araújo, que é de total submissão às ordens de Donald Trump e contrária aos interesses econômicos do Brasil, como no caso do 5G.
"Falta uma diplomacia profissional como o Brasil já teve — e foi desativada pelo bolsonarismo, com sua visão tosca do mundo, em que o trumpismo e correntes similares são guardiões dos valores da humanidade. Está difícil evitar que um movimento geopolítico americano leve o país a virar as costas a seu maior parceiro comercial, a China. Os prejuízos irão muito além da tecnologia. O Itamaraty, ouvido no governo Geisel, contrariou os americanos em Angola nos anos 1970, ao reconhecer o governo do MPLA apoiado por Cuba. Defesa semelhante do interesse nacional parece hoje impossível", aponta editorialpublicado nesta sexta-feira.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

O FBI no núcleo da Lava Jato e a guerra híbrida imposta pelo império, por Roberto Bueno



Neste revolto mar desde o qual todavia não se avista terra firme, eis que foi veiculada informação sobre a Lava Jato, e ela apenas confirma o que já corria em determinados círculos.
Jornal GGN:

O FBI no núcleo da Lava Jato e a guerra híbrida

por Roberto Bueno

O Brasil vive sob intenso bombardeio de notícias desde o golpe de Estado contra o povo brasileiro em 2016 encarnado na derrubada de Dilma Rousseff da Presidência da República. Gravíssimas notícias são veiculadas diariamente sobre os mais diversos aspectos da vida nacional, ao que veio somar-se a morte contratada de dezenas de milhares de brasileiros(as) em face da omissão e das escolhas da administração política central. Neste revolto mar desde o qual todavia não se avista terra firme, eis que foi veiculada informação sobre a Lava Jato, e ela apenas confirma o que já corria em determinados círculos.
A recente publicação da Agência Pública e do The Intercept Brasil neste dia 01.07.2020 informa que em outubro de 2015 procuradores da Lava Jato curitibana e advogados de delatores receberam comitiva de 18 agentes do FBI, reunião ocorrida em flagrante desrespeito à legislação nacional. A reportagem indica que o Procurador da República Deltan Dallagnol ocultou da Procuradoria Geral da República (PGR) as articulações e todas as dimensões da ampla colaboração estabelecida diretamente entre a Lava Jato e o FBI norte-americano. O problema reside em que a legislação brasileira é taxativa quanto a que tal jamais poderia ter ocorrido senão através do Ministério de Relações Exteriores, ou seja, por intermédio do Poder Executivo federal, único detentor de competência para representa a soberania do Estado e, por conseguinte, entabular relações no plano internacional. A confirmação destas relações pela Lava Jato colocará os seus membros como atores de ações clandestinas e ilegais em cooperação com a ação de agentes estrangeiros em território nacional. Grave a questão, o que levou Dallagnol a ser chamado a conceder diversas entrevistas para a imprensa.
Em uma delas concedida no dia 02.07.2020 à Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, todos fomos surpreendidos por sua falta de memória, por exemplo, acerca da participação na Lava Jato de nada menos do que 18 integrantes do FBI, dentre os quais George “Ren” McEchern, Jeff Pfeiffer, Leslie Rodrigues Backschies e Patrick Kramer, todos eles com ficha funcional já identificada no que tange às suas atividades na citada agência. A entrevista de Deltan contém alguns trechos instigantes, como quando, por exemplo, trata da relação da Lava Jato com o FBI, e as confirma mas, paralelamente, procura justificá-las dizendo: “E o que a gente pediu foi uma ajuda para que o FBI a partir de sua tecnologia mais avançada quebrasse a criptografia e o sigilo daquele sistema para a gente conseguir entrar e descobrir os milhões de propina que a Odebrecht tinha pago a favor de “n” agentes políticos do Brasil o que é algo extremamente irregular, isto que a gente quer como sociedade brasileira descobrir os crimes de corrupção é algo que não tem nada de errado, pelo contrário, mostra nossa diligência […]”. Dallagnol não responde de forma alguma, por exemplo, por qual motivo precisaria reunir-se com 18 agentes do FBI para solicitar apenas esta tecnologia. Tampouco explica a reunião mantida com outros procuradores e os advogados de defesa na presença dos agentes do FBI.
No momento faltam elementos para que possam ser feitas afirmações. Sem embargo, sugerimos que a colaboração com os norte-americanos já vem de mais longa data, e que naquele ano de 2016 já vinha sendo aplicada para outras finalidades além desta alegada por Dallagnol para justificar a colaboração do FBI. Assim, por exemplo, recordamos a extrema celeridade com que as informações da gravação das conversas da Presidente Dilma com o Presidente Lula foram processadas e, logo, disponibilizadas para a imprensa, no caso, a TV Globo. A possibilidade de processar as informações em tão exíguo período de tempo seria possível tão somente com a tecnologia que apenas os norte-americanos possuíam à época e deste modo, portanto, não se tratava, como alega Dallagnol, de que os seus contatos com o FBI tivessem como objetivo exclusivo a quebra da criptografia de software da Odebrecht concebido para realizar o pagamento de propinas.
À certa altura da entrevista Dallagnol é interrompido pela repórter Kelly Mattos, que insiste na pergunta sobre os agentes: “Mas teve gente do FBI doutor?” Perante a direta pergunta para a qual não haveria como eludir entre comprometer-se com afirmar a presença injustificável ou comprometer-se com mentira insustentável, então, experiente, Dallagnol recorreu à zona da penumbra para ganhar tempo e elaborar estratégia: “Olhe, eu não consigo lembrar concretamente, eu teria que ir lá e recuperar”. À parte toda a documentação, todas as declarações, fotos, conversas, declarações de admiração, verdadeira tietagem, tudo bem documentado, quem, afinal, na qualidade de agente público, poderia esquecer ter mantido contato com agentes do FBI à trabalho no Brasil quando isto, no mínimo, é ocorrência profissional que margeia perigosamente a ilegalidade em meio a um processo de vasta repercussão nacional? Quem esqueceria isto?
O quadro que estas relações sugerem é gravíssimo, aponta para violações à soberania nacional e a colonização das forças policiais e de setores do poder togado, sobressaindo a urgência de fazer com que a legalidade volte a imperar. Pré-requisito será a realização de eleições livres e limpas para posterior restauração da democracia, o império da Constituição e, por fim, da soberania nacional. Nada disto será concretizado sem intensa luta política popular, pois a garantia da soberania historicamente é fruto de conquista e não gracioso reconhecimento e entrega, e tampouco será este o caso do Brasil, em que está em curso a expropriação das riquezas nacionais por parte das forças que impuseram o golpe de Estado de 2016. Estas não hesitarão em continuar a agravá-lo sob a radicalização da ditadura militar, sob a única exceção de que a correlação de forças aponte para alto e insustentável custo para os atuais donos do poder de fato.
Desfaçatez, tudo é desfaçatez, supina e suprema desfaçatez, indesculpável e moralmente ofensiva desfaçatez contra o povo e a soberania brasileira, imperdoável para autoridades públicas que nutram respeito pela função e cargo que ocupam. A retomada da democracia no Brasil depende da reconstrução das instituições e restauração urgente da legalidade, mas para isto as instituições estão a requerer imediata injeção de força política que apenas a população pode providenciar nas ruas. O presente quadro de decomposição interna e de debilidade das instituições leva a questionar se isto teria sido possível sem que tivesse sido instaurada a sua eficiente desidratação e contaminação interna, facilitando a infiltração de agentes estrangeiros ao tempo em que utilizando sofisticados métodos de inteligência e espionagem para reorientar as ações de figuras-chave da República colocadas em posição de não-retorno.
Tudo isto auxilia a compreender o quadro de substituição da aplicação dos velhos métodos de guerra pelo novo modelo de guerra híbrida. A finalidade em ambos os casos é a mesma, a saber, a apropriação de riquezas, como é o caso do petróleo e de recursos hídricos – dilemas que o Brasil conhece bastante bem nesta quadra histórica – assim como a ocupação de territórios com importância geopolítica. A grande diferença entre estes dois métodos reside nos meios empregados para o desenvolvimento das ações, pois agora, ao invés de deslocar material bélico, canhões, aeronaves e grandes contingentes humanos, tal como ocorria anteriormente, hoje há mobilização de alta tecnologia, aplicada para capturar tanto sistemas quanto recursos humanos, gente que ocupa postos-chave na administração dos Estados-alvo, seja cooptando quem os ocupa, seja determinando as suas decisões ou infiltrando indivíduos nestas posições decisivas. A devida atenção a este sintético resumo permite compreender quais são os motivos para a presença e intervenção de agentes estrangeiros no Brasil e tão intensa e obstinada seja a colaboração de alguns nacionais gerando estranheza apta a impor-nos dúvidas sobre o real sentido de suas motivações em face de tantas incongruências com o comportamento e decisões de tempos ordinários.
Nota: Não é possível falar sobre qualquer assunto no Brasil sem recordar que diariamente são postas a perder cerca de 1.300 vidas à razão crescente, como se se tratasse de bens fungíveis, todas vitimadas pela Covid-19, avançando rumo a perdermos uma vida por minuto. Nas fronteiras do reino da desídia do poder político central muitas vidas inocentes que poderiam ser poupadas são expostas à morte e as suas famílias ao flagelo do sofrimento desnecessário. Enquanto tudo isto durar temos a obrigação moral de recordar e alertar diuturnamente para este genocídio do povo brasileiro conduzido pela elite e consentido pelas instituições que hesitam, titubeiam, calam e, dentre todos, os que se omitem colaboram decisivamente para o resultado genocida perpetrado. A responsabilidade é individual, mas também coletiva, e a história cobrará, inclusive, de quem escreveu e de quem leu este texto enquanto eram abandonadas à morte, aproximadamente, outras sete vidas.
Roberto Bueno – Professor universitário. Doutor em Filosofia do Direito (UFPR). Mestre em Filosofia (Universidade Federal do Ceará / UFC). Especialista em Direito Constitucional e Ciência Política (Centro de Estudios Políticos y Constitucionales / Madrid). Professor Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Direito (UnB) (2016-2019). Pós-Doutor em Filosofia do Direito e Teoria do Estado (UNIVEM).

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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Os riscos da submissão brasileira aos EUA, por Bernardo Mello Franco



País afrontou tradição diplomática e criou riscos desnecessários à segurança nacional, diz jornalista
Foto: Alan Santos/PR (via fotospublicas.com)
Jornal GGN A submissão brasileira aos Estados Unidos no conflito com o Irã criou riscos desnecessários ao país. O afronte das autoridades à tradição diplomática trouxe preocupação a diplomatas e militares por conta da guinada da política externa do governo Jair Bolsonaro.
Em artigo publicado no jornal O Globo, o jornalista Bernardo Mello Franco explica que as queixas aumentaram desde a última sexta-feira, quando Bolsonaro ligou o general Qassem Soleimani ao terrorismo.
O general Santos Cruz, ex-ministro de Bolsonaro, chegou a declarar que o Brasil “não tem razões” para se envolver na briga entre Washington e Teerã e, em nota, ressaltou que abandonar a neutralidade é um sinal de “irresponsabilidade” e “falta de noção de consequência”.
A posição também foi defendida pelo embaixador Celso Amorim, chanceler dos governos Lula e Itamar. Para Amorim, a morte de Soleimani pode trazer novas dificuldades no longo prazo para os Estados Unidos por se tratar de “um ato de guerra não declarada”.
Em 2010, o chanceler trabalhou na concretização do acordo nuclear entre Estados Unidos e Irã – que foi firmado sem a participação brasileira cinco anos depois. Trump abandonou o trato em 2018 e, agora, os iranianos decidiram abandonar o acordo. Com a promessa de vingar a morte de seu general.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Bolsonarista, olavista e, portanto, pouco dado a leituras sérias, Ernesto Araújo mistura Gramsci com “alarmismo climático” e é ridicularizado por colunista do Washington Post



"Não sabemos se ele alguma vez leu sobre teorias críticas neomarxistas além do que está escrito na Wikipedia", disse colunista norte-americano


Foto: AFP
Jornal GGN O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, participou de um dos principais “think tanks” conservadores dos Estados Unidos, a Heritage, nesta quarta-feira (11), carregando no discurso ideológico e criticando a imprensa brasileira por “alarmismo climático” contra o governo de Jair Bolsonaro. Em resposta, o colunista do The Washington Post, Ishaan Tharoor, disse que falas de Araújo era uma “lengalenga sem fim de vitimização de alguém que está no poder”.
Em seu discurso ideológico, Araújo chegou a dizer que o boicote a produtos brasileiros como forma de protesto pelas queimadas na Amazônia do governo Bolsonaro era um tipo de “justiça social” que já foi usada “como pretexto para ditadura” e que estão hoje fazendo o mesmo “com o clima”, ao se referir ao meio ambiente.
“Parece a justiça stalinista para mim: acusar, executar. Aí você diz: onde está a justiça? Onde está o Estado democrático? As pessoas respondem ‘crise climática, cale-se'”, falou o representante do Itamaraty. A fala ocorre, ainda, menos de duas semanas antes da participação do mandatário brasileiro na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, onde deve ser questionado sobre a situação da Amazônia.
Em outros momentos, Araújo usou narrativas de Olavo de Carvalho para criticar a “esquerda”, o “marxismo cultural” e para falar de “globalismo”. Disse que tanto Bolsonaro quanto o polêmico presidente dos EUA, Donald Trump, são a “insurgência universal contra a besteira”, assim como os defensores do Brexit, na Inglaterra, juntos, segundo ele, em uma “revolta contra a ideologia” da esquerda.
Isso ocorre, segundo Ernesto Araújo, diante da “percepção” destes presidentes de “que estávamos sendo desprezados por uma elite que tenta nos governar em nome da justiça social, ou da integração europeia, ou de um mundo sem fronteiras ou do progresso”, afirma, reunindo em uma mesma frase críticas às políticas sociais e imigração.
Ainda misturou em uma mesma fala o que chamou de “alarmismo climático” sobre o que está ocorrendo com o desmatamento da Amazônia com falta de “debate democrático” e que “nem comer carne é permitido mais”. Fez críticas a Antonio Gramsci, Bertolt Brecht e Rosa Luxemburgo. E afirmou que o “clima” e a defesa ambiental “se tornou o silenciador do debate”.
Diante de todas estas falas, o colunista do jornal The Washington Post dirigiu duras críticas ao representante brasileiro e mostrou-se perplexo: “Isso é incrivelmente ideológico para um chanceler no exterior”. Em suas redes sociais, Ishaan Tharoor, afirmou que estava impressionado com a incoerência das falas de Araújo.
“Agora ele está falando algo sobre o socialismo do século 21 ser (Antonio) Gramsci conhecer os cartéis de drogas. E agora está citando (Herbert) Marcuse e todos os membros da Escola de Frankfurt”, disse o jornalista. “Isso é incrível. Não sabemos se ele alguma vez leu sobre teorias críticas neomarxistas além do que está escrito na Wikipedia”, completou.
Para Tharoor, a própria direita norte-americana “jamais se importaria com essas pessoas ou envolveria suas ideias, ainda que absurdamente, em um discurso de política externa” e que ninguém na Heritage, o think tank conservador, se importava com isso.
A íntegra do discurso do ministro de Relações Exteriores de Jair Bolsonaro, Ernesto Araújo, pode ser acompanhado aqui:


Leia abaixo as publicações do jornalista:

O GGN prepara uma série de vídeos que explica a influência dos EUA na Lava Jato. Quer apoiar o projeto? Clique aqui.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Enquanto Chile segue punindo militares, Brasil de Bolsonaro se recusa a falar em ditadura, chocando a ONU e o Mundo




Durante evento na ONU, Itamaraty se negou a usar o termo “ditadura militar” e não reconheceu existência de golpe em 64


OAB e Instituto Vladimir Herzog denunciaram Bolsonaro na ONU por apologia à tortura e à ditadura / Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

do Brasil de Fato (republicado no GGN)

Enquanto Chile segue punindo militares, Brasil se recusa a falar em ditadura

Tiago Angelo
Brasil de Fato | São Paulo (SP)
O Itamaraty se calou nesta quarta-feira (11) ao ser questionado sobre o apoio do presidente Jair Bolsonaro às ditaduras da América-Latina durante uma sabatina que ocorreu na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra. A informação é do jornalista Jamil Chade, do portal UOL.
O gesto é simbólico, uma vez que este 11 de setembro é a data em que os chilenos relembram o 46º aniversário do golpe de Estado que derrubou o presidente Salvador Allende, instituindo, sob a liderança de Augusto Pinochet, uma das ditaduras mais sangrentas da região.
O país vizinho nos dá uma lição: enquanto o governo brasileiro optou pelo silêncio, a justiça de transição do Chile avançou nos últimos anos, julgando, condenando e punindo militares responsáveis por prisões, torturas e assassinatos durante o regime de exceção que ocorreu no país entre 1973 e 1990.
O Estado brasileiro, por outro lado, segue preso pela prescrição dos crimes cometidos durante a ditadura, e pela Lei de Anistia (Lei nº 6.683), que perdoa as violações cometidas por agentes do Estado.
O país teve a oportunidade de rever a norma quando o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 153), movida pela OAB. A entidade pedia que o Supremo anulasse o perdão concedido aos militares.
O STF decidiu, por 7 votos a 2, pela constitucionalidade da lei. Um novo pedido de revisão, por meio da ADPF 320, dessa vez de autoria do Psol, foi enviado ao STF em 2014.
Na contramão do Brasil, a Suprema Corte chilena estabeleceu, em 1998, que a Lei de Anistia não poderia ser aplicada aos casos de violações de direitos humanos. A medida permitiu que uma série de investigações anteriormente barradas pudessem ter prosseguimento. De lá para cá, centenas de militares foram condenados.
ONU
Nesta terça-feira (10), o Brasil já havia protagonizado uma cena inédita na ONU. Durante um evento organizado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Instituto Vladimir Herzog (IVH) com o objetivo de denunciar Bolsonaro por apologia à tortura e à ditadura, o Itamaraty se recusou a usar o termo “ditadura militar” e não reconheceu a existência de um golpe em 1964.
Considerada pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Hélio Leitão, como o “último prego” nas políticas de Memória, Verdade e Justiça, a postura brasileira também é carregada de simbolismo: foi a primeira vez que um gesto como este ocorreu em um fórum internacional desde a redemocratização.
Segundo o diretor-executivo do IVH, Rogerio Sottili, “a organização, em parceria com a OAB e outros grupos, preparou um documento denunciando o desmonte com relação aos direitos humanos e da Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, sobretudo após a demissão da presidenta, Eugênia Gonzaga”. A procuradora foi exonerada por Bolsonaro no início de agosto.
De acordo com Sottili, o diplomata que representou o Brasil no ato de terça-feira “estava tão constrangido em falar, que deve ter pedido para que nem mencionassem seu nome”. O diretor do IVH também explica que o fato do Brasil ter se calado é significativo. “O silêncio do Estado sobre essa questão é a resposta, de fato, de que não há nada para falar quando você tem um presidente que faz apologia à ditadura e à tortura”, afirma.
Edição: Rodrigo Chagas

sexta-feira, 8 de março de 2019

Diplomata exonerado relata ao GGN o caos olavista e fundamentalista do Itamarati



Em entrevista ao GGN Paulo Roberto de Almeida, que foi cotado para assumir ministério das Relações Exteriores antes de Ernesto, mostra que decisão de afastá-lo está ligado às críticas que vem fazendo desde antes de Bolsonaro tomar posse. Ele conta que procurou orientar a equipe durante a campanha.

Foto: Roque de Sá/Agência Senado
Jornal GGN – “Não é surpresa [que a minha demissão aconteceria], mas é surpresa no sentido de cair em uma segunda-feira de carnaval pela manhã”, ironiza o embaixador Paulo Roberto de Almeida, exonerado pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, do cargo de presidente do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (Ipre), dia 4 de fevereiro.
Em entrevista ao jornalista Luis Nassif, do GGN, o diplomata e também escritor ressalta que sempre manteve um posicionamento crítico aos governos, desde que iniciou sua carreira diplomática. Como anti-petista, chegou a “ficar na geladeira” do Itamaraty entre os anos 2003 e 2016, até que o ex-presidente Michel Temer lhe deu o cargo no Ipre.
Ainda em 2018, Almeida foi convidado pela equipe que formava o governo Bolsonaro para assumir o ministério das Relações Exteriores. “Recusei de imediato muitos meses antes que o chanceler olavista [Ernesto Araújo] fosse sequer cogitado”. Na ocasião, as tratativas estavam sendo feitas com a equipe econômica do atual governo e Almeida explicou que não era eleitor de Bolsonaro por considerá-lo “um candidato fraco”. Ele votou em João Amoedo.
Almeida conta ainda que chegou a mandar materiais para nortear a proposta de política externa do governo Bolsonaro. Mas quando leu o programa final, publicado entre agosto e setembro, considerou a proposta para política externa “um horror, sem fim”. “Muito medíocre. Critiquei isso e eles não gostaram. E nunca mais falaram comigo”, relembra.
Almeida conta ainda que chegou a mandar materiais para nortear a proposta de política externa do governo Bolsonaro. Mas quando leu o programa final, publicado entre agosto e setembro, considerou a proposta para política externa “um horror, sem fim”. “Muito medíocre. Critiquei isso e eles não gostaram. E nunca mais falaram comigo”, relembra.
Assim, mesmo sendo anti-petista e crítico às política econômicas keynesianas, Almeida não se aproximou dos grupos “bolsonaristas” e, antes das eleições de 2018, já considerava o “olavismo” (termo que remete às ideias do escritor Olavo de Carvalho), nocivo à política externa brasileira.
“Eu o conheço [Olavo de Carvalho] desde os anos 90, como polemista, um opositor ferrenho do petismo, marxismo vulgar, gramscismo acadêmico, dos filósofos da USP, todo aquele progressivismo dos nossos ‘intelectuais’ de academia, que ele desenhava (…) Mas eu não tinha nenhuma atividade com essa pessoa que julgava apenas um polemista oposto ao petismo”, destaca. Até que um dia foi convidado para uma entrevista-debate com a participação do escritor.
“Eles [entrevistadores] tinham definido os temas que estão na berlinda: globalismo e globalização. Eu disse o que eu pensava da globalização, o que é, digamos, o common sense [senso comum] entre os acadêmicos bem informados, e disse todo o mal que pensava dessa imbecilidade, dessa estupidez do globalismo, que é um monstro metafísico alimentado por illuminates e adeptos das teorias da conspiração que juntam George Soros com a esquerda”, pontua.
Após bater de frente com Olavo de Carvalho, ridicularizando sua principal teoria, Almeida tornou-se mais um desafeto do escritor.
“Hoje mesmo o Olavo de Carvalho disse que provou que eu era ignorante em matéria de globalismo. Isso ficou mais na opinião dele, evidentemente, não com base em nenhuma evidência empírica”, sorri.
O filósofo das massas de direita emplacou, pelo menos, dios ministros no governo Bolsonaro: além de Ernesto Araújo, Ricardo Vélez Rodríguez na pasta da Educação – o ministro que ganhou destaque recente por mais um escândalo do governo ao enviar para as escolas um e-mail pedindo vídeos de alunos e funcionários cantando o Hino Nacional, junto a leitura de uma mensagem, escrita por ele, finalizada com a frase “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”. Após a repercussão negativa, Vélez Rodríguez voltou atrás.
Já Ernesto Araújo é conhecido entre seus pares do Itamaraty como um crítico ferrenho do globalismo e do PT. Algumas das frases publicadas em seu blog, antes de assumir o novo cargo, causaram preocupação internacional como essa: “Ao longo do tempo […] a esquerda sequestrou a causa ambiental e a perverteu até chegar ao paroxismo, nos últimos 20 anos, com a ideologia da mudança climática, o climatismo”.