segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Fábio Pannunzio: Os Estados Unidos, sob Trump, viraram uma ditadura global

 

Do Canal ICL:




Homer Simpson tenta entender o trumpismo no Brasil... Texto de Xico Sá

 

Alvo de fúria de "patriotas" ao fazer humor sobre o Rio, o caricato personagem dos EUA não entende os bolsonaristas que apoiam o tarifaço

Do ICL:



Pobre Homer, não está entendendo nada.

O patriarca da família Simpson até deve achar normal, em se tratando de Donald Trump, a interferência da Casa Branca no Brasil.

O que não entra na sua cabeça, aposto, é o fato de uma imensa legião de brasileiros portar bandeira dos EUA em manifestações. E o pior dos piores: apoiar o tarifaço de 50% sobre as nossas exportações.

Homer pode até pensar que se trata de um comportamento suicida induzido por um Jim Jones tropical. Ora, apoiar uma medida que leva ao desemprego e ao desmantelo da própria economia?

Só pode ser coisa de um povo ludibriado por um pastor apocalíptico como naquele episódio macabro de Jonestown. Só pode ser.

Podre e rude Homer. Haja cerveja para tentar pensar melhor e compreender o incompreensível. Não entra na sua cuca a ideia bolsonarista de apoiar o Trump para derrotar o Brasil.

Ora, Homer bebe, mas tem memória. Até 2002, ele recorda, o povo daqui não aceitava nem certas gracinhas de desenho animado tirando onda com o país.

Homer recorda que, por muito menos, os Simpsons provocaram revolta em parte da população brasileira, mexeram com a Xuxa e uniram todas as autoridades contra a intromissão dos norte-americanos.

Parece uma piada do Homer, mas aconteceu na realidade, em abril 2002. Tudo isso por causa do lançamento do episódio “Blame it On Lisa”, título que faz uma paródia com o filme “Blame It on Rio” — “Feitiço do Rio”, na versão nacional exibida nos cinemas.

O desenho animado mostrou uma paisagem carioca repleta de macacos, jiboias e um ambiente violento para os humanos. Sob a alegação de que a cidade teria prejuízos, por causa do episódio, como a redução do número de visitantes, a diretoria da Riotur ameaçou processar na Justiça a produtora Fox Cable International, tv responsável pela série.

O presidente Fernando Henrique Cardoso, mesmo sem ter visto o desenho, protestou, por intermédio do porta-voz do Palácio do Planalto, contra “as visões distorcidas sobre o Brasil”. Em programas de rádio e televisão ao estilo “povo fala”, brasileiros anônimos também ergueram seu brado retumbante contra a família dos Simpsons.

Exibido no país pelo SBT, o episódio é repleto de clichês sobre a cultura latino-americana: todas as personagens jogam futebol e se deslocam para o trabalho em uma fila ao ritmo da conga. Na “samba school”, os brasileiros aprendem a lambada e a “penetrada”, um ritual que faz com que o sexo se pareça com uma cerimônia religiosa.

Na trama, Homer, o chefe da família, acaba sendo sequestrado por um taxista clandestino (não licenciado pela prefeitura) e vai parar, pasme, lá na Amazônia. Durante o clímax, os cabos do bondinho do Pão de Açúcar arrebentam, causando um grave acidente. Haja aventura no balneário..

O roteiro não perdoa nem a artista Xuxa Meneghel, representada na série pelo personagem “Xoxchitla”, uma famosa apresentadora de um programa infantil chamado “Teleboobies” (literalmente tele-peitos).

Em reação à revolta dos brasileiros, o produtor-executivo do programa, James L. Brooks, divulgou uma nota oficial dizendo: “Pedimos desculpas à adorável cidade e ao povo do Rio de Janeiro. E se isso não resolver a questão, Homer Simpson se oferece para enfrentar o presidente do Brasil no programa Celebrity Boxing da Fox”.

Pobre Homer, não está entendendo nada.

Não entenderá jamais este país que apoia o bolsotrumpismo — com tarifaço e tudo — e fecha questão contra um episódio de humor sobre o Rio de Janeiro.

Cadê o patriotismo que estava por aqui?, reflete Homer, com saudade do Brasil.



Os EUA imperialistas da extrema direita de Trump e suas ameaças a um passo do rompimento diplomático com o Brasil, por Luís Nassif

 

Ao lado dos planos de contingência, será necessário um programa de comunicação eficiente, em torno da defesa da soberania do Brasil (frente às ameaças de Trump e seus apaniguados).

Do Jornal GGN:

Os EUA a um passo do rompimento diplomático com o Brasil, por Luís Nassif




Vamos entender quais os objetivos da embaixada norte-americana, com as notas cada vez mais agressivas contra o Supremo Tribunal Federal. A cada nota, o Itamaraty convoca o embaixador para explicações. Segue-se nova nota no mesmo teor. Essa escalada tem um desfecho previsível: os Estados Unidos procuram um rompimento diplomático com o Brasil.

Aumentos de tarifas prejudicam exportadores brasileiros e importadores norte-americanos. Por isso, há uma dose alta de desgaste no uso político das tarifas. Trocou-se então pelos ataques ao Supremo, e a seus ministros, e pelas provocações diplomáticas, como forma de justificar a escalada e o futuro rompimento.

As consequências de um rompimento diplomático são as seguintes:

  • alguma influência adicional no comércio exterior;
  • interrupção de programas conjuntos em áreas como tecnologia, agricultura, medicina, energia e parceria espacial;
  • cortes em bolsas de estudo, intercâmbios e convênios acadêmicos;
  • interrupção de acordos militares e de inteligência;
  • redução da cooperação no combate ao narcotráfico e contrabando de armas.

Os cenários possíveis

Pedi ao Chat GPT que traçasse dois cenários:

  • Cenário A: rompimento sem sanções.
  • Cenário B: rompimento + sanções financeiras.

Impactos setoriais

  • Mais atingidos (A e B): aeroespacial (atrasos/certificações), metalurgia/aço, químicos finos, TIC/serviços com receita em EUA, autopeças.
  • Gargalos logísticos no curto prazo; efeito líquido menor em A e moderado em B.
  • Energia & mineração: mercados líquidos atenuam perdas; em B, controles de tecnologia/serviços especializados podem atrasar projetos offshore.
  • Educação & ciência: congelamento de novos convênios e bolsas com instituições dos EUA; cooperação espacial, clima e saúde sofre hiatos (mais longo em B).
  • Defesa & segurança: cooperação e inteligência virtualmente paradas; em B, vetos a peças/softwares críticos.

Mas há vários caminhos para mitigar esses efeitos:

  1. Seguro de + linhas BNDES/BB para manter embarques e alongar prazos.
  2. Fast‑track regulatório (equivalência técnica) com UE/Ásia; ofensiva de promoção comercial por NCM/destino. NCM são as categorias de classificação de produtos para comércio exterior.
  3. Hedge coordenado de estatais e orientação a grandes importadores para suavizar o câmbio.
  4. Reforço de pagamentos alternativos (euro, CNY) com banco.
  5. Ponte acadêmica via UE e organismos multilaterais enquanto convênios com EUA ficam suspensos.
  6. Mapeamento fino de cadeias críticas (aeroespacial, saúde, TIC) e estoque estratégico de insumos sensíveis.

De qualquer modo, já deve estar sendo preparado um plano de contingência para enfrentar os próximos tempos. Mas é inacreditável como a mídia, e a opinião pública, ainda não se deram conta da situação atual. Notas em off, sobre supostos medos de ministros do Supremo e ataques a Alexandre de Moraes.

Por isso, ao lado dos planos de contingência, será necessário um programa de comunicação eficiente, em torno da defesa da soberania. O viralatismo nacional terá que ser expulso ao som do samba, do frevo, do choro e dos dobrados.

Leia também:

domingo, 10 de agosto de 2025

Decadência do sonho estadunidense - Jamil Chade no Juca Kfouri Entrevista

 

Do Canal Rede TVT:




Imprensa empresarial e controlada por banqueiros insiste em negociar com bolsonarismo, mas com fascismo não se brinca, alerta historiador

 

“Acham que podem usar o bolsonarismo para fazer o trabalho sujo”, diz Valdei Araújo

Do Jornal GGN:


Ainda há setores da grande imprensa que insistem em tratar o bolsonarismo como uma força política, como se fosse apenas exercício da liberdade de expressão, e não da barbárie. É um erro grave e perigoso, alerta o historiador Valdei Araújo.

“Imprensa ainda acha que pode negociar com o bolsonarismo, que pode usar o bolsonarismo para fazer o trabalho sujo dela. E quando terminar de fazer o trabalho, eles retiram o bolsonarismo da sala. Mas com o fascismo não se brinca”, disse o historiador, professor da Universidade Federal de Ouro Preto e autor de Bolsotrump.

Para Valdei, o bolsonarismo não é política, mas “a destruição da política pela força, pela mentira”. E o problema não começou ontem. “A trajetória do Bolsonaro não começou ontem. É um processo longo que visa destruir as instituições democráticas por dentro”.

O golpe contra a democracia, avalia o historiador, segue em curso, mesmo diante da justiça sendo aplicada aos golpistas envolvidos no 8 de janeiro. “O erro do Moraes foi demorar para agir contra Bolsonaro. Qualquer outro processado já estaria preso há muito tempo, porque não se pode deixar alguém ameaçar constantemente o juiz do processo. As ameaças reincidentes contra Moraes exigiam uma resposta imediata”.

Para o historiador, a ideia de que um golpe está em curso se reforça pelo peso do cenário internacional, especialmente diante da aplicação da Lei Magnitsky por Trump contra Moraes. “Trump está muito forte nos Estados Unidos. Se a eleição do Lula aconteceu com Biden na presidência, imagine o que teria ocorrido se fosse Trump no comando”, compara.

Esse quadro reforça o chamado “viralatismo” brasileiro, que Valdei explica como resultado do desmonte do Estado nacional e da falta de um projeto consistente de soberania.

“Apesar dos problemas, em diversos momentos da nossa história tivemos projeto de Estado. Conseguimos manter a integridade do território e avançar, mesmo que de forma conservadora e excludente”.

No entanto, faltou investimento estratégico em áreas essenciais para o desenvolvimento da cidadania plena, porque sem um projeto de país, o Estado não se sustenta. “Demoramos a democratizar a escola e a incorporar toda a população ativa. Tivemos 30 anos de ditadura militar, que atrasou esse processo”.

Assista à entrevista completa abaixo:

sexta-feira, 8 de agosto de 2025