sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Corporativistas médicos cearenses filiam-se ao PSDB



CONTRA MAIS MÉDICOS, CEARENSES SE FILIAM AO PSDB


Fonte: Brasil 247

Cerca de 30 profissionais já aderiram ao partido tucano para fazer oposição ao governo federal; segundo o partido, mais 200 filiações devem ocorrer até sábado; médicos do Estado levantaram a maior bandeira contra o programa criado para trazer estrangeiros ao pais para preencher vagas em lugares remotos que não obtiveram interesse de brasileiros; no desembarque de cubanos em Fortaleza, eles protagonizaram protesto lamentável, com gritos de "escravos"
4 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 06:38
247 – Um grupo de médicos do Ceará aderiu ontem ao PSDB para fazer oposição ao governo federal, contra o programa Mais Médicos.
Segundo informações da Folha, houve 30 filiações de médicos ontem e estão previstas mais 200 até sábado. Dois desses profissionais foram escolhidos para disputar os cargos de deputado estadual e deputado federal em 2104.
Presente no evento do PSDB cearense que marcou a filiação, o ex-governador Tasso Jereissati também entrou no protesto: "Satanizaram os médicos brasileiros", afirmou o tucano.
A classe médica cearense é uma das mais resistentes ao programa lançado pelo ministro Alexandre Padilha e pela presidente Dilma Rousseff, que prevê a contratação de médicos estrangeiros para atuar nos 701 municípios que não atraíram o interesse de nenhum médico brasileiro, a despeito da bolsa de R$ 10 mil oferecida. No desembarque de profissionais de cuba, esses mesmos médicos protagonizaram um lamentável protesto em Fortaleza e alguns chegaram a vaiar e xingar de escravos os conterrâneos de Fidel Castro.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Aécio mente na TV sobre Educação e é desmascarado




Veja o vídeo acima e tire suas conclusões...

ONU reconhece mais uma vez a realidade o Aquecimento Global


Do Observatório da Imprensa:

AQUECIMENTO GLOBAL

A Terra sob ameaça real

Por Ulisses Capozzoli em 01/10/2013 na edição 766

A versão mais pessimista entre os quatro cenários considerados possíveis para o aquecimento global com mudanças climáticas, preparados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPPC), órgão das Nações Unidas (ONU), prevê que a temperatura média da Terra pode elevar-se em quase 5º C (4,8º C) até 2100 (ver aqui, em inglês).
É uma situação catastrófica e inédita na história da civilização, ainda que a maior parte das pessoas possa não se dar conta disso levando em conta a variação térmica de um único dia, que pode iniciar-se, digamos, com 16º C e atingir 36º C ou mais, antes de voltar a cair.
A diferença, aqui, está na expressão “temperatura média”, o que significa dizer que as temperaturas diárias globais serão significativamente elevadas e nos levam, a cada dia, para uma situação de completa insustentabilidade em escala planetária.
De um ponto de vista local, o pior cenário sugere que poderá haver tanto aquecimento insuportável quanto frio intenso, resultados de alterações no regime de ventos e correntes marinhas e, em muitos casos, custará a vida de pessoas e animais, sem incluir impactos agrícolas, com o comprometimento de safras.
Mas o que isso tem a ver com jornalismo, foco deste Observatório da Imprensa? Tem, em linguagem mais coloquial, tudo a ver, e ao longo deste texto vamos demonstrar essa relação. Antes disso, certamente vale a pena advertir que os dados que começaram a ser divulgados na sexta-feira (27/9) em Estocolmo, na Suécia (parte do quinto painel e que serão liberados até outubro de 2014), são conservadores, no sentido de já estarem desatualizados.
Um estudo publicado em novembro passado, e não incluído neste quinto painel, por exemplo, mostra que o permafrost do Ártico (terras congeladas) está se descongelamento mais rapidamente que o previsto e esse processo injetará um volume adicional de gases de efeito estufa na atmosfera, o que deve acelerar as mudanças em curso.
Camadas de gelos polares, no Ártico e na Antártida, também estão se desfazendo em ritmo mais acelerado do que o estimado antes, contribuindo para a elevação dos níveis oceânicos em todo mundo por aumentar o volume de água retirada dos continentes, despejada nos oceanos globais. Sem levar em conta a expansão térmica da água, provocada justamente pelo calor que tende (até que ponto?) ser absorvido pelos oceanos.
O grande desconhecido
Qual exatamente o impacto desse efeito?
A resposta é simplesmente um “não sabemos” e isso por um conjunto de razões que vão da complexidade intrínseca da climatologia à impossibilidade de se predizer como os oceanos vão reagir à essa nova injeção de agentes do efeito estufa.
Em julho deste ano, Kerry Emmanuel, do Massachusetts Institute of Technology (referências da edição de novembro da Scientific American Brasil, neste momento em fase de edição), atualizou modelos computacionais utilizados pelo IPCC com dados mais precisos sobre ciclones. Com isso demonstra que ainda durante a vigência do relatório que começou a ser divulgado tempestades poderosas, e por isso mesmo destruidoras, devem aumentar não apenas em intensidade, mas também em frequência em todo o mundo.
O que, em síntese, um quadro como este sugere? Que o IPCC deve alterar imediatamente sua forma de produzir e liberar dados, de forma que a opinião pública internacional, melhor e mais rapidamente informada, pressione seus governos a adotar políticas restritivas às emissões de gases de efeito estufa.
De imediato, essa é a única alternativa ao alcance das mãos da sociedade humana. E o resultado desse esforço deve convergir para próxima conferência das partes, que reúne 195 países, marcada para 2015, em Paris, numa tentativa de limitar o aquecimento a 2º C.
E aqui entra o papel da imprensa.
A mídia deve sensibilizar para cumprir o papel que lhe é devido, avaliando com mínimo de lucidez conteúdos relevantes e separando-os do que simplesmente é destituído de importância, num processo amplo de equipar comunidades nacionais para uma tarefa que até recentemente parecia impensável, por semelhar cenário da pura ficção: inibir o descontrole climático da Terra, nossa morada cósmica.
As vozes cínicas de sempre, comprometidas com a memória e não com a inteligência, pautadas pelo ego e não pela ética (e estética), certamente esboçarão sorrisos irônicos típicos, de comportamento acovardado. Dirão que não está devidamente demonstrado que o aquecimento global com mudanças climáticas é devido a ações antrópicas (deflagrado por humanos).
O mito do aquecimento natural
Argumentarão, como têm feito nos últimos tempos, que mudanças naturais, entre elas devido à variação da radiação solar, alterações orbitais de longos períodos da Terra e mesmo a travessia de nuvens galácticas mais densas, de gás e poeira, no deslocamento do Sistema Solar em direção à constelação do Hércules (ápex solar), justificam essas alterações.
O clima, de fato, é extremamente dinâmico e temperaturas globais médias mais elevadas foram registradas, por exemplo, durante o longo reinado dos dinossauros, algo entre 200 milhões e 65 milhões de anos atrás. Ocorre que essas mudanças foram lentas, com tempo para que as espécies se adaptassem (ainda que a extinção seja igualmente dinâmica), o que não ocorre neste momento.
E, de certa forma, o mais importante. Esse passado remoto não incluiu uma civilização como a atual. Os humanos sabem das ocorrências passadas por marcas deixadas por esses processos naturais em rochas e gelos polares, mas não estavam lá para presenciar essas cenas.
Agora, passamos de 7 bilhões de pessoas na Terra, o que significa dizer que temos, de um ponto de vista de ciência e ética, um compromisso que não havia no passado remoto.
O relatório do IPCC fala em 95% (contra 90% anteriormente) de certeza de o aquecimento global atual – disparado após a deflagração da Revolução Industrial, que lançou mão da energia contida em combustíveis fósseis em vez de músculos humanos e animais para produzir trabalho e, portanto, riqueza – ser de origem antrópica.
Os 5% restantes para completar 100%, na verdade, são uma margem de manobra para evitar críticas metodológicas de um pensamento predominantemente conservador quanto à interpretação da natureza antrópica do aquecimento.
Mas, e se essa pequena margem, os 5%, ainda puderem ser a interpretação correta do fenômeno (aquecimento natural)? As iniciativas preservacionistas, sugeridas pela versão antrópica, seriam, comparativamente falando, negativas em que? Em praticamente nada. Daí a conveniência de serem adotadas o mais breve possível.
Individualmente, é mais inteligente nos prepararmos para riscos maiores e, se eles não se revelarem tão desastrosos, tanto melhor. E isso também é válido para o coletivo, neste caso o conjunto da sociedade humana.
Assim, estaremos, como se pode dizer coloquialmente, “no lucro” e não no prejuízo, como sugerem recomendações que vão das fábulas de Esopo a uma diversidade de mitologias de todos os povos. Sem falar em procedimentos práticos para evitar acidentes como choques e incêndios em atividades que se estendem de estradas de ferro às vias aéreas, passando por ambientes industriais e moradias urbanas.
A crise da mídia
A mídia, no entanto, tem se mostrado ao rés do chão em meio ao processo de banalização que varre o mundo, peste que assola períodos de grandes transformações, quando o passado deixa de ser o que era e o futuro ainda não é o que virá a ser.
A grande mídia brasileira, em particular, está envolvida numa luta ideológica banal e mesquinha, com a determinação cotidiana de demonstrar que o governo que está aí não sobrevive por muito tempo: via inflação descontrolada (que não se confirma), apagão elétrico (que não se manifestou) ou, explosão do dólar (que não ocorreu).
O comprometimento ideológico rasteiro da grande mídia busca amparo na previsão largamente duvidosa de economistas, com pretensão de ciência exata, o que a economia está longe de ser e sugestivamente remete ao comentário ácido da rainha Elizabeth, sobre a crise de 2008: “De que se ocupavam os economistas, que não enxergaram nada disso?”
Claro que todo governo deve ser vigiado pela opinião pública, independentemente de sua coloração ideológica, mas esse já é outro assunto em que não convém entrar.
Em relação ao conteúdo divulgado pelo IPCC, agora, e o que deve ocorrer até outubro de 2014, é necessária uma reação nova e inédita da comunidade internacional via governos nacionais – o que não é nada trivial, deve-se reconhecer. Usinas nucleares, por exemplo, poderiam, de quase imediato, substituir as unidades térmicas, que no Brasil e outros países, oferecem energia elétrica a um brutal custo ambiental.
Usinas nucleares, em relação a gases de efeito estufa, são “limpas”, mas trazem temores, em parte fundamentados, por casos como o que ocorreu recentemente em Fukushima, no Japão.
Fontes alternativas também podem ajudar a diminuir a dependência dos combustíveis fósseis, mas não abastecerão as demandas globais, a menos que ocorram avanços científico-tecnológicos revolucionários na captação e uso, por exemplo, da energia solar, algo muito improvável.
Na essência, questões como aquecimento global com mudanças climáticas por liberação de gases de efeito estufa dizem respeito a uma transformação paradigmática nos padrões de energia utilizados por uma civilização como a nossa, que se prepara para espalhar-se por seu sistema solar de origem, supondo que não sejamos os únicos no Universo.
Um cenário de ficção
Pode parecer ficção, e de alguma forma é, com a diferença de que, neste caso, o futuro chegou e não está mais abaixo da linha do horizonte.
O astrofísico soviético Nikokai Kardashev antecipou-se a isso, em 1964, quando propôs um modelo para avaliar o grau de desenvolvimento tecnológico de uma civilização a partir da quantidade de energia consumida, neste caso em escala logarítmica, dividida em três grupos.
A primeira delas consumiria toda a energia de seu planeta de origem. A de segundo tipo sugaria a energia de sua estrela-mãe, no nosso caso o Sol. A terceira exploraria a energia de uma galáxia inteira.
Abordagens mais recentes (Zoltan Galantai) falam de um quarto típico, capaz de explorar a energia do universo visível ou (Milan M. Cirkovic) de um superaglomerado galáctico.
O conforto da ficção científica é que, na literatura, não somos personagens, ao contrário do que ocorre na vida real com a consolidação das previsões do IPCC.
Na vida real, em que se enquadram as previsões do painel da ONU, mudanças climáticas vão ameaçar desde o voo de aviões, com aumento de turbulência, à produtividade agropecuária nos campos, passando pela queda na oferta de alimentos dos mares, acidificados e com a vida comprometida. Além, como parece já ficar evidente, do aumento de desastres naturais.
Os preciosos estoques de águas deverão sofrer desvios ou se tornarão ainda mais escassos em determinadas regiões, com perturbação do ciclo hidrológico, a maneira como a água circula na Terra, acumulando-se em nuvens e precipitando como chuva ou neve, para abastecer fontes de lagos e rios que correm para o mar.
Num cenário assim, as previsões do IPCC, embora pareçam pura ficção, na realidade advertem de forma dramática que nossos netos não herdarão a Terra.
***
Ulisses Capozzoli, jornalista especializado em divulgação científica, é mestre e doutor em ciências pela Universidade de São Paulo e editor de Scientific American Brasil

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Bob Fernandes falando em video sobre o fascismo de Bolsonaro e o "medo" do Congresso




O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) diz ter sido agredido pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) nesta segunda-feira (23). Isso na visita da Comissão da Verdade ao Batalhão do 1º Exército, no Rio de Janeiro. Ali funcionou o Doi-Codi na ditadura; na prática, era um centro de tortura.
-Ele me socou por baixo (em direção ao estômago), mas não atingiu em cheio – acusa o Senador Randolfe.
Bolsonaro ensaia um desmentido: "Houve troca de insultos e empurrões…eu empurrei ele por baixo", admite, antes de oferecer maiores detalhes:
-Se dou um soco nele, eu o desmonto. Boto ele no chão para dormir 3 dias. (…) Eu o teria nocauteado.
(Isso é um deputado federal!)
O PSOL vai representar contra Bolsonaro por quebra do decoro parlamentar. De outras vezes, em outras acusações contra o deputado, não deu em nada.
Bolsonaro defende a tortura. Por mais de uma vez ofendeu colegas, usou expressões racistas e homofóbicas. O Congresso parece ter, ou tem mesmo medo de Bolsonaro.
Bolsonaro surge na cena pública em outubro de 1987, numa reportagem. Então a revista Veja revelou que ele e outro militar planejavam explodir bombas em quartéis do Rio de Janeiro, e na adutora do Rio Gandú.
A ação se daria na luta por melhores salários para os militares – daí nasce a base de votos do agora deputado. Bolsonaro foi processado. Ele negou tudo, foi absolvido pelo Tribunal Militar, mas havia cometido um erro.
A revista publicou um croqui, desenhado pelo próprio Bolsonaro, com a bomba que seria colocada na adutora.
Bolsonaro, como Marco Feliciano, ronda o fascismo. Feliciano, por esperteza, por cálculo eleitoral, joga com o tema religião. Bolsonaro, por conta do seu DNA, atiça o ódio ideológico.
Outro dia falamos aqui sobre o clima de ódio que se espalha, se esparrama pelo debate político em certas áreas. Ódio que, tendo como escoadouro e indutor as redes sociais, sepulta a razão.
Não é a maioria, entre torcedores mais fanatizados de partidos, mas cada vez mais há um tom de recalque, de ressentimento, de rancor.
Renato Janine Ribeiro é professor-titular de Ética e Filosofia Política na USP. Em conversa com o jornalista José Roberto de Toledo, do jornal O Estado de S. Paulo, Renato Janine concluiu:
-Essa polarização aniquila o debate político. Ninguém mais muda de idéia. As pessoas estão blindadas nas suas convicções. A corrupção tem hegemonia no debate político. Um acusa o outro de desonesto e isso dinamita as pontes. O clima de ódio prevalece.
Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da da Getúlio Vargas, pesquisa democracia, participação social e governo. Para o professor, o moralismo afasta as pessoas e "acirra paixões selvagens". Sobre essa polarização  disse ele em conversa também com o Estadão:
-É plebiscitária, contra ou a favor, sem ponderar.
Num ambiente como esse, gente como Bolsonaro avança. Trocando a razão, a inteligência, por ofensas e agressões.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Mídia amestrada e comprometida evita falar da devassa da justiça sobre Andrea Matarazzo e outros tucanos

MÍDIA aMESTRADA ESCONDE DEVASSA EM ANDREA matarazzo, O FAZ TUDO DO PSDB

Fonte: brasil 247




Segundo vereador mais votado de São Paulo e do Brasil, com 117 mil votos, titular da Secom e embaixador do Brasil em Roma no governo Fernando Henrique, de quem foi tesoureiro da campanha à reeleição, secretário de Energia de Mario Covas, chefe das Subprefeituras com José Serra e secretário de Cultura de Geraldo Alckmin; largo currículo do polivalente Andrea Matarazzo não foi suficiente para que seu nome fosse destacado pela mídia tradicional na notícia da quebra, pela Justiça, de seus sigilos bancário e fiscal sob suspeita de envolvimento no escândalo de corrupção Alstom-Siemens; Veja.com, após o surgimento do fato, optou por tratar de assunto econômico (acima); seria como informar que a AP 470 tem 42 réus, sem lembrar que os famosos José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, do PT, estão entre eles; dá para entender de onde Andrea retira toda essa influência para proteger-se?; investigação formal, agora, vai ajudar a responder estas e outras interrogações
30 DE SETEMBRO DE 2013 ÀS 21:02
Brasil 247 Por que o vereador Andrea Matarazzo tem tanta força na mídia tradicional?

O que fez dele um homem tão forte, desde o início de sua carreira política, na mais alta cúpula tucana?
Como ele conseguiu começar por cima sua carreira na vida pública, em 1991, e cumprir uma trajetória ascendente, ininterrupta e repleta de poder, nos últimos 22 anos, em todas, sem exceção, as administrações tucanas no plano federal (Fernando Henrique), estadual (governos paulistas de Mario Covas, José Serra e Geraldo Alckmin) e municipal (gestões Serra e Gilberto Kassab)?
Por ser sobrinho-neto do histórico conde Francesco Matarazzo?
Ou por ser repositário de segredos bem guardados no ninho tucano paulista, ao menos até o estouro das denúncias do escândalo Alstom-Siemens, de desvio de verbas e corrupção no sistema de transportes públicos em São Paulo?
Estas e outras interrogações poderão ser mais precisamente respondidas a partir de agora.
Nesta segunda-feira 30, a Justiça determinou a quebra dos sigilos fiscal e bancário de Matarazzo, além de dez outros suspeitos de envolvimento no escândalo que abala o moral dos tucanos paulistas. A maioria dos nomes é de gente desconhecida do público brasileiro (lista abaixo), entre os quais executivos das duas multinacionais envolvidas no esquema. Há, além deles, o nome do ex-presidente do Metro José Fagali Neto.
Mesmo sendo o personagem, disparado, de maior peso nesta turma da pesada, como prova da influência de Matarazzo na mídia tradicional seu nome ficou de fora dos títulos de destaque dos portais UOL, IG e G1.
Essas fontes noticiaram o fato, na tarde desta segunda 30, após a informação, levantada pelo jornalista Fausto Macedo, ter sido dada em primeira mão no Estadão.com.
Registre-se: na própria página virtual do jornalão paulista, porém, o nome de Matarazzo igualmente foi poupado do devido destaque.
Do ponto de vista jornalístico, noticiar, com a máxima discrição possível, a devassa que está para ser iniciada na vida financeira e tributária de Andrea Matarazzo não se justifica, seja qual for o ângulo pelo qual se examine a questão. Afinal, ele mesmo foi saudado, pela mesma mídia, no final do ano passado, como o segundo vereador mais votado de São Paulo e do Brasil, graças aos mais de 117 mil votos na eleição paulistana do ano passado.
Entre os tucanos, Matarazzo sempre foi o campeão. Um verdadeiro faz tudo. Além do feito político de, em sua primeira tentativa, bater todos os outros concorrentes do partido, Matarazzo é um polivalente do setor público tucano: foi secretário de Energia e presidente da estatal Cesp no governo Mario Covas, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Fernando Henrique, do qual também foi embaixador em Roma, secretário municipal de Serviços, primeiro, e das Subprefeituras, em seguida, na gestão de José Serra na Prefeitura paulistana, e, ufa!, secretário estadual de Cultura na gestão de Geraldo Alckmin.
Constaria de qualquer manual de jornalismo que uma notícia do porte da quebra de sigilos de um tucano como Matarazzo, dentro do pacote do rumoroso escândalo Siemens-Alstom, deveria ser um chamariz de leitura. Mas, do ponto de vista de sintonia com os tucanos, é, de fato, melhor que ele não apareça tanto quanto deveria. Não pega bem...
Para efeito de comparação, seria como se todos esses portais da mídia tradicional noticiassem que a Ação Penal 470, em julgamento no Supremo Tribunal Federal, analisa o envolvimento em corrupção de 42 réus. E não, como aconteceu, dos ex-presidente do PT José Dirceu e José Genoíno, e do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares.
Qual é a notícia mais forte: 42 réus são julgados na AP 470 ou Dirceu, Genoíno, Delúbio e outros 39 são réus no Supremo?
A resposta é óbvia.
Há, ainda, uma agravante. Assim como Delúbio foi tesoureiro do PT, Matarazzo foi apresentado, na campanha de reeleição de Fernando Henrique, em 1998, também como tesoureiro da campanha tucana. Ele nunca teve receio de arrecadar dinheiro para seu partido.
A quebra de seu sigilo bancário fornecerá informações importantes sobre sua eventual participação no escândalo Alstom-Siemens. Mas não apenas. Poderá esclarecer muito sobre o modus operandi do partido no poder.
Além de todos os cargos, Matarazzo desfruta da intimidade dos mais emplumados tucanos. Com Mario Covas, de quem era difícil divergir, o atual vereador foi um secretário de Energia e presidente da Cesp que privatizou a companhia por um modelo muito criticado na ocasião, inclusive com críticas do próprio governador. Considerada a estatal mais bem estrutura do Estado, a Cesp foi fatiada em 11 partes, sendo arrematada pelo mercado a preços que poderiam ser bem maiores do que os valores apurados no encerramento das operações que liquidaram a estatal, segundo especialistas do setor.
Diante do anti-tabagista militante José Serra, Matarazzo deu impressionantes mostras de segurança ao, em diferentes ocasiões, baforar a fumaça de seus cigarros sobre o rosto do ex-ministro da Saúde. Quem poderia fazer isso sem medo de uma reprimenda humilhante?
O pai de Andrea, Giannandrea Matarazzo, morto em 2011, foi presidente do Conselho Administrativo do colégio Dante Aliguieri, talvez o mais tradicional de São Paulo, e da sua associação de ex-alunos. Durante sua gestão neste último cargo, surgiram denúncias de desvios de verbas. O caso foi noticiado pelo jornal Folha de S. Paulo num dia e, em seguida, nunca mais apareceu em sua páginas. Nova prova de forte influência do tucano que poderá ser melhor compreendida a partir de agora.
A seguir, lista dos 11 nomes cujos sigilos bancário e fiscal foram quebrados pela Justiça nesta segunda 30:
Andrea Matarazzo, Eduardo José Bernini, Henrique Fingerman, Jean Marie Marcel Jackie Lannelongue, Jean Pierre Charles Antoine Coulardon, Jonio Kahan Foigel, José Geraldo Villas Boas, Romeu Pinto Júnior, Sabino Indelicato, Thierry Charles Lopez de Arias e Jorge Fagali Neto, (ex-presidente do Metrô).

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Caetano Veloso sobre os leitores de Reinaldo Azevedo e Olavo de Carvalho


Caetano Veloso está certo sobre os leitores de Reinaldo Azevedo



Obs.: O texto original de Caetano Veloso está reproduzido ao fim do primeiro, o comenário de Paulo Nogueira


Texto de Paulo Nogueira

Caetano Veloso machucou Reinaldo Azevedo. Magoou. Feriu.
Em sua coluna no Globo, ao falar sobre direita e esquerda no Brasil, ele disse que Azevedo parece se alegrar em ser lido por malucos que acham que a Globo está a serviço do comunismo internacional.
Foi uma definição dura, precisa e nada lisonjeira do público que Reinaldo Azevedo gosta tanto de invocar.
Num texto sobre as revelações de Glenn Greenwald veiculadas no Fantástico, muitos leitores de Azevedo disseram que a Globo estava cada vez mais à esquerda.
Pausa para risada.
Semanas atrás, sobre o mesmo assunto, eu dissera algo parecido sobre as pessoas que frequentam o blog: Reinaldo Azevedo escreve coisas repulsivas para leitores repulsivos.
Tinha me chamado a atenção, particularmente, o conteúdo homofóbico, preconceituoso e ignorante dos leitores de Azevedo ao comentar um texto sobre o parceiro de Greenwald, que fora detido em Heathrow.
Caetano fez uma conexão entre os leitores de Azevedo e os do filósofo, aspas, Olavo de Carvalho. Para os últimos, de acordo com Caetano, o NY Times é um perigoso agente do comunismo.
Nova pausa.
Outro blogueiro da Veja, Rodrigo Constantino, entrou na briga. Sua maior contribuição – além de sugerir que Caetano está senil – foi apoiar a hipótese de que o NY Times é realmente subversivo.
Bem, sobre o comunismo da Globo Constantino silenciou.
Reinaldo Azevedo parece transmitir a seus leitores com desvelo a chamada ignorância enciclopédica. Nos últimos dias, por exemplo, foi cômico vê-los combater, como se fossem Cíceros, as bases do voto com o qual Celso de Mello aprovou os embargos infringentes. Não sei se Mello agradeceu pelas aulas recebidas, em jurisdiquês, de Azevedo e amigos de jornada.
No texto que doeu em Reinaldo Azevedo, Caetano Veloso citou uma frase de Paulo Francis. Francis, em sua monumental arrogância, dizia que leitor que escreve carta para jornal só entrava a bala em sua casa.
É um absurdo, naturalmente. Mas no caso específico dos leitores de Reinaldo Azevedo – um grupo pequeno e ruidoso que costuma perder todas as eleições e cujo poder de convencimento fora do gueto exíguo é zero – a frase de Paulo Francis até que faz sentido.
Eles são grosseiros, toscos, desinformados, egoístas, maldosos. Torcem fanaticamente pelo câncer dos “petralhas”. Parecem acreditar que vivemos numa ditadura “bolivariana” e que os médicos cubanos são espiões comunistas.
Como o padrão dos comentários é constante, suponho que sejam sempre as mesmas pessoas que se conectam o tempo todo ao blog e ali se animam a compartilhar diariamente suas convicções com a humanidade.
O nível conta muito sobre o próprio Reinaldo Azevedo, uma vez que é ele quem aprova – ou censura – cada comentário. O que ele publica é, portanto, o que ele tem de melhor a oferecer no que diz respeito ao cérebro de seus seguidores.
Caetano Veloso não poderia estar mais certo.
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira, baseado em Londres, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.
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Interessante


Caetano Veloso

Fonte:   http://oglobo.globo.com/cultura/interessante-9962814


O espaço para comments na internet é, em geral, um paraíso para os que têm parafusos a menos

RIO - Gostaria de ter tido tempo para refletir antes de escrever. Mas aconteceu o contrário. Trabalhos dobrados se sobrepõem à montanha de assuntos de que eu queria poder tratar aqui hoje. Então vai tudo sem reflexão mesmo (não que isso seja uma novidade nesta notoriamente caótica coluna). Claro que vi um bom número de tweets ofensivos à minha pessoa por causa da foto com máscara tipo Black Bloc. E posts longos de blogueiros variados. 

Não vou evitar comentar: resumo dizendo que tudo parece maluquice pura. E lembrando que Paulo Francis dizia que quem escreve cartas para a redação é doido: o espaço para comments na internet é, em geral, um paraíso para os que têm parafusos a menos. Mas coisas mais interessantes do que eu mesmo se impõem. Um comentário de acompanhante de famoso blog direitista (o do Reinaldo Azevedo, que, não sei por que, se alegra em fazer sucesso com aquele tipo de plateia) protesta contra a manobra “esquerdista” da TV Globo ao pôr no ar, no “Fantástico”, reportagem sobre a espionagem americana no Brasil. Para ele, a TV Globo é um veículo da conspiração comunista internacional. O que, para nós brasileiros, soa mais estapafúrdio do que as reiteradas afirmações de Olavo de Carvalho sobre o “New York Times”, que ele retrata como uma espécie de braço do movimento comunista. A Globo, que os blogs de esquerda — e muitos manifestantes de rua — chamam de líder da mídia golpista, da trama que o venerável Mino Carta, dono da “Veja” do Lula, denuncia semanalmente. (O fato é que compro sempre uma “Veja” e uma “Carta Capital” para ler no avião — além da “The Economist” — quando tenho de cantar “Abraçaço” em distantes cidades brasileiras ou não brasileiras: preciso saber o que dizem os chamados dois lados para poder me manter centrista aqui.).

Porém, mais do que essas loucuras propriamente brasileiras, me impressionou um documentário russo que vi na internet, prefaciado por um nosso compatriota que se diz comunista. Para um velho como eu, parecia um pesadelo que se passasse na Guerra Fria. É tudo tão louco que não sei se o link para tal vídeo me foi enviado por alguém que foi comigo e Sidney Waismann falar com Beltrame ou se foi sugerido por outro comentarista do Azevedo (perdi muitos e-mails dos diálogos com a turma boa que foi à Central — e procurar no blog da “Veja” o comment em que talvez estivesse a sugestão me tomaria horas que não tenho). Mas dei busca no YouTube e achei: trata-se do site chamado “comunista” (www.comunista@spruz.com), e o documentário é da TV russa. Soldados do exército regular da Síria aparecem dançando passos folclóricos da região, empurrando crianças em balanços sob árvores, namorando à beira de riachos límpidos. Depoimentos de cidadãos civis sírios dão conta de que o país era, até a entrada dos rebeldes, um exemplo de paz e tolerância, sem nenhum traço de tensão entre grupos religiosos, um ambiente de doce camaradagem. Os rebeldes, segundo a versão da TV russa, não têm nada que se pareça com a Primavera Árabe, nem mesmo com a Síria, sendo todos mercenários a soldo do Qatar e dos EUA. O prefaciador brasileiro diz que essa é uma visão mais realista da guerra civil síria, que a imprensa ocidental só diz que os rebeldes lutam pela democracia. Bem, eu leio muita coisa da imprensa ocidental e, da “Economist” à “Carta de Mino”, passando pelo “Globo” e a “Folha”, nunca fiquei com a imagem de que os levantes sírios — por mais simpáticos que parecessem logo ao eclodirem — fossem harmônicos e tivessem a democracia como motivação única (ou mesmo principal) e como meta indisputável. Mas o crítico da imprensa ocidental que fala no vídeo não se peja de reafirmar o que diz o documentário pós-soviético: que os rebeldes sírios são homogeneamente maus e motivados apenas pelo dinheiro que recebem de fora.

É incrível que um documentário tão demagógico em seu tom quanto os filmes de propaganda do 
período stalinista seja anunciado como revelador da verdade que a imprensa “livre” oculta.

Hoje (sexta) acordei para as notícias de que Putin propõe que Assad entregue as armas aquímicas (ué, mas não disseram que não havia e que tudo era invenção dos americanos, como no caso do Iraque?) e que o supermandante sírio responde com o pedido de prazo de um mês, o que o governo americano não aceita.
Enquanto isso, 5x5 no STF, sentimentos cruzados no petismo e no antipetismo. Se houver ainda manifestações, ou seja, se nós da classe média (que, ao contrário de Marilena, eu respeito e amo) não desistirmos de gritar por medo dos BBs de Cora, o que será dito sobre Barroso e Barbosa? Não resta dúvida de que vivemos um tempo preocupantemente interessante. Talvez demais para o meu gosto.