Do Canal TV 247:
terça-feira, 28 de julho de 2020
Pepe Escobar analisa o delícinio político e moral do império norte-americano e, nesta agonia, suas táticas de intervenção internacional e seu incentivo aos golpes de Estado e ao crescimento da extrema-direita...
Oxfam: Bilionários incentivadores da direita e extrema-direta amealham mais enquanto população perde emprego e renda
No meio desta pandemia, com distanciamento social e colapso dos sistemas de saúde, oito novos bilionários surgiram na região, o que representa um a cada duas semanas.
Jornal GGN – O novo relatório da Oxfam, “Quem Paga a Conta? – Taxar a Riqueza para Enfrentar a Crise da Covid na América Latina e Caribe”, os mais ricos acumularam o correspondente a um terço do total dos recursos dos pacotes de estímulo adotados na América Latina e Caribe. No total, aumentaram suas fortunas em US$ 48,2 bilhões durante a pandemia. Na outra ponta, a maioria da população perdeu emprego e renda.
Os 42 bilionários do Brasil aumentaram suas fortunas em US$ 34 bilhões no mesmo período, aponta o relatório que foi lançado nesta segunda, dia 27. O estudo ainda revela como, em uma das regiões mais desiguais do planeta, os bilionários passaram incólumes pela crise econômica provocada pela pandemia de coronavirus.
Consta do relatório que dos 73 bilionários da América Latina e do Caribe, o Brasil carrega 42 deles. Suas fortunas foram aumentadas em US$ 34 bilhões, subindo o patrimônio líquido de US$ 123,1 bilhões em março para US$ 157,1 bilhões em julho. Os números para comparação são da Forbes, a publicação e o ranking em tempo real.
“A Covid-19 não é igual para todos. Enquanto a maioria da população se arrisca a ser contaminada para não perder emprego ou para comprar o alimento da sua família no dia seguinte, os bilionários não têm com o que se preocupar. Eles estão em outro mundo, o dos privilégios e das fortunas que seguem crescendo em meio à, talvez, maior crise econômica, social e de saúde do planeta no último século”, diz Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil.
No meio desta pandemia, com distanciamento social e colapso dos sistemas de saúde, oito novos bilionários surgiram na região, o que representa um a cada duas semanas. Na outra ponta, estima-se que 40 milhões perderão seus empregos e 52 milhões entrarão na faixa de pobreza na América Latina e Caribe em 2020.
No Brasil, a situação parece não ver luz ao final. Se antes da pandemia já se contabilizava 12 milhões de desempregados e 40 milhões de trabalhadores informais, sem proteção social alguma, com o recrudescimento da situação vislumbra-se que o desemprego no país pode dobrar ou até quadruplicar até o final do ano. Mais de 600 mil pequenas e médias empresas brasileiras já fecharam as portas.
“Os dados são assustadores. Ver um pequeno grupo de milionários lucrarem como nunca numa das regiões mais desiguais do mundo é um tapa na cara da sociedade que, tanto no Brasil como nos demais países latino-americanos e caribenhos, está lutando com todas suas forças para manter a cabeça para fora d’água”, afirma Katia Maia, “Está mais do que na hora da elite brasileira contribuir renunciando a privilégios e pagando mais e melhores impostos”.
A taxação das grandes fortunas
Segundos as estimativas da Oxfam, há um colapso da receita tributária à vista. A perda desta receita em 2020 pode chegar a 2% do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e do Caribe, algo em torno de US$ 113 milhões a menos e equivale a 59% do investimento público em saúde em toda a região.
Diante deste quadro, medidas urgentes são necessárias, diz o relatório, que apresenta dados, análises e propostas estruturadas para evitar o colapso dos serviços públicos da América Latina e Caribe.
Reforma Tributária no Brasil
No Brasil discute-se a reforma tributária, mas sem que se aborde a reestruturação do sistema para que promova a redução das desigualdades, como prevê a Constituição Brasileira.
As discussões no Congresso abordam somente na simplificação da tributação sobre o consumo, o que não resolve as distorções do sistema onde quem ganha menos paga proporcionalmente mais imposto do que quem ganha muito, e não contemplam os problemas de arrecadação que o país enfrenta em meio à pandemia.
“Entre a pífia proposta apresentada pelo governo federal e os discursos de lideranças do Congresso, que defendem uma reforma tributária voltada para a simplificação e a melhoria do ambiente para investimento, a maioria da população é escanteada mais uma vez. Ninguém parece ter a intenção de tocar nos privilégios dos mais ricos, que nunca pagaram uma parte justa de impostos. É como se a maioria da população não tivesse o direito à uma vida digna.” afirma Katia Maia.
Propostas
Para fazer frente a esta calamidade, a Oxfam apresenta um grupo de propostas fiscais tanto emergenciais como de temas pendentes não resolvidos ainda, para que se possa distribuir melhor a conta da crise econômica. São elas:
Propostas emergenciais:
Imposto extraordinário às grandes fortunas.
Pacotes de resgates públicos a grandes empresas com condições.
Imposto sobre resultados extraordinários de grandes corporações.
Imposto Digital.
Redução de impostos para quem está em situação de pobreza.
Temas pendentes:
Arrecadar mais para blindar as políticas sociais.
Reduzir a regressividade do mix fiscal
Deter a enorme perda de arrecadação por conta da evasão fiscal.
Elevar ou criar taxas sobre rendimentos de capital
Revisar impostos sobre propriedades
Revisar os incentivos tributários
Estabelecer um novo pacto fiscal e fortalecer a cultura tributária
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A Elite fica mais rica com a extrema-direita e o resto da população mais pobre,
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domingo, 26 de julho de 2020
Elon Musk, da multinacional Tesla, expõe a relação dos financistas e das corporações com a geopolítica intervencionista dos EUA

247. - Neste sábado (25/07/2020) tomamos conhecimento que o empresário americano, Elon Musk, 7°pessoa mais rica do mundo pela lista da Bloomberg, dono da Tesla, a companhia dos carros elétricos assumiu sua participação direta no golpe político na Bolívia. (saiba mais aqui).
Musk que é controlador de uma holding com outras empresas além da Tesla, como uma companhia de painéis solares, sempre recebeu polpudos subsídios e incentivos fiscais do governo americano, afirmou ainda que não adianta reclamarem que ele continuará a agir desta forma e sob seus interesses.
Pois bem. Assim temos aí a plutocracia assumida.
É oportuno lembrar que a Bolívia tem grandes reservas de lítio, metal fundamental para as baterias que são usadas nos carros elétricos, exatamente, o negócio de Musk, que ainda faz o discurso ambientalista modernoso.
E ainda há quem chame as interpretações sobre os movimentos e interesses de agentes dos setores corporativos e financeiros, como teoria da conspiração.
Mais claro impossível.
Temos aí a América Latina com suas veias abertas (Eduardo Galeano) e como quintal dos interesses das corporações e geopolítica do Norte.
Ainda sobre o Elon Musk da Tesla, a professora, pesquisadora e escritora, Mariana Mazzucato, autora do excelente livro "O Estado empreendedor" postou mais cedo em seu twitter outra crítica ao dono da Tesla sobre suas posições contra apoio governamental às vítimas da crise criada com a Pandemia nos EUA:
"Musk julga que o governo dos EUA não deve socorrer as pessoas na pior crise econômica desde a Grande Recessão, mas não vê problemas em recolher subsídios governamentais e incentivos fiscais para o seu bolso".
Mazzucatto traz ainda um link (aqui) de uma matéria do Los Angeles Times, em 30 de maio de 2015: "O crescente império de Elon Musk é alimentado por US$ 4,9 bilhões em subsídios do governo".
Aliás, o tema estimula a leitura do livro da Mazzucato, O Estado empreendedor. A publicação apresenta uma farta pesquisa empírica e bela análise sobre papel do Estado no fomento às grandes corporações que coloca por terra o discurso neoliberal do sujeito-empreendedor liberal que advoga o "Estado mínimo" para os outros e máximo para si.
Voltando ao tema da exploração dos minerais raros, sugiro a quem se interessar em aprofundar o conhecimento sobre a exploração e o potencial dos minerais e terras raras na América Latina e na África, conhecer a pesquisa da professora Mônica Bruckmann, da UFRJ, cujo trabalho conheci e debati junto com o professor Theotônio dos Santos, de quem a peruana professora Mônica é viúva.
A pesquisadora Mônica Bruckmann tem farto material, mapas, gráficos e tabelas sobre a geoeconomia dos recursos naturais e sobre o potencial destes minerais e sobre a guerra do império pelo controle da destes recursos naturais e sobre o que ela já chamava da "geopolítica do lítio no século XXI".
Nos sites de buscas é possível localizar vários textos e vídeos com aulas e palestra sobre o tema que se relaciona diretamente com a notícia da participação do Musk nos movimentos do golpe político na Bolívia em 2019. Um destes vídeos no YouTube e pode ser visto aqui. Se trata de uma conferência em março de 2018, na UFSC, Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), sobre o tema "Imperialismo e Recursos Naturais na América Latina".
Enfim, um caso real sobre relação dos financistas e das corporações com a geopolítica dos EUA, a plutocracia (governo dos ricos e para os ricos) e imperialismo.
Voltando ao tema da exploração dos minerais raros, sugiro a quem se interessar em aprofundar o conhecimento sobre a exploração e o potencial dos minerais e terras raras na América Latina e na África, conhecer a pesquisa da professora Mônica Bruckmann, da UFRJ, cujo trabalho conheci e debati junto com o professor Theotônio dos Santos, de quem a peruana professora Mônica é viúva.
A pesquisadora Mônica Bruckmann tem farto material, mapas, gráficos e tabelas sobre a geoeconomia dos recursos naturais e sobre o potencial destes minerais e sobre a guerra do império pelo controle da destes recursos naturais e sobre o que ela já chamava da "geopolítica do lítio no século XXI".
Nos sites de buscas é possível localizar vários textos e vídeos com aulas e palestra sobre o tema que se relaciona diretamente com a notícia da participação do Musk nos movimentos do golpe político na Bolívia em 2019. Um destes vídeos no YouTube e pode ser visto aqui. Se trata de uma conferência em março de 2018, na UFSC, Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), sobre o tema "Imperialismo e Recursos Naturais na América Latina".
Enfim, um caso real sobre relação dos financistas e das corporações com a geopolítica dos EUA, a plutocracia (governo dos ricos e para os ricos) e imperialismo.
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No caso Elon Musk, da Cia. Tesla, a plutocracia do Império americano e suas elites o exibem golpismo próprio da extrema-direita sem pudor, por Paulo Moreira Leite
"Ao assumir seu papel na queda de Evo Morales, executivo da Tesla confirma a responsabilidade de empresas multinacionais nas derrotas da democracia", escreve Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia

Num sinal de enfraquecimento da democracia, nesta segunda década do século XXI patrocinadores de golpes de Estado já não pedem desculpas. Exibem seu feito sem remorso – forma de deixar clara a disposição de fazer tudo outra vez.
Foi assim que, ao ler no twitter uma crítica a atuação de sua empresa na queda do governo Evo Morales, na Bolívia, o bilionário Elon Musk, executivo da Tesla, um dos gigantes de tecnologia do planeta, reagiu em tom de ameaça. Afirmou que é capaz de "dar golpe em quem quiser".
Para deixar claro que não vê motivo para mudar de atitude, ainda acrescentou: "Lidem com isso", numa com arrogância típica de quem está pouco ligando para possíveis consequências – políticas e diplomáticas – de uma confissão com tamanha gravidade.
Ninguém irá negar a presença de interesses imperiais em golpes de Estado ocorridos na América do Sul, inclusive em países de maior peso geopolítico – como no Brasil de João Goulart e Dilma Rousseff, na Argentina peronista, no Chile de Salvador Allende, para ficar em casos clássicos.
Na Bolívia, onde um golpe militar derrubou o Juan José Torres e fechou a Assembléia Popular, em 1971, o governo foi assumido por Hugo Banzer, oficial de ideias fascistas e declarado respaldo norte-americano, atraído por outra riqueza mineral do país – as reservas de estanho.
Mesmo alimentado por uma grande hipocrisia, o respeito à autonomia dos povos, que está na base da diplomacia e do convívio civilizado entre os povos, impedia manifestações de tamanho descaramento. Não mais – mostra Elon Musk.
Matéria prima das baterias de automóveis e também de aparelhos celulares, as reservas de lítio boliviano, entre as maiores do mundo, estavam na base do projeto econômico do governo Evo Morales, derrubado quando sua reeleição representava a continuidade de um programa de desenvolvimento autônomo, capaz de beneficiar uma população historicamente excluída.
Nomeada presidente após o golpe, candidata numa eleição presidencial já adiada duas vezes, a senadora Jeanine Añez formou uma chapa onde o candidato a vice Samuel Doria Medina, faz campanha como testa-de-ferro da Tesla e propõe abrir o país para a empresa de Elon Musk explorar diretamente as reservas de lítio.
A Bolívia de hoje até parece uma fábula colonial da qual todos conhecem o desfecho mas a história pode produzir novas surpresas.
Em eleição marcada para 18 de outubro, o economista Luiz Arce, candidato do MAS, partido de Evo Morales, aparece como favorito absoluto. Apesar da tradição golpista e da eterna arrogância imperial, nesta conjuntura precisa a vontade da Casa Branca não é garantia absoluta.
Personagem indispensável para intervenções desse vulto, na segunda quinzena de outubro Donald Trump estará ocupado demais com a própria sobrevivência diante de Joe Biden, quem sabe impedido de prestar o auxílio que Elon Musk e sua turma gostariam.
Alguma dúvida?
Forças Armadas pagaram R$ 2,6 milhões, dinheiro dos cofres públicos, para empresas de militares da ativa
Pelo menos 14 empresas que têm militares da ativa no seu comando ou são sócios tornaram-se fornecedoras das Forças Armadas desde 2014

247 - Pelo menos 14 empresas que têm militares da ativa no seu comando ou são sócios tornaram-se fornecedoras das Forças Armadas, informou reportagem do Metrópoles. A informação trata de negociações iniciadas em 2014 com informações que estão no Portal da Transparência. As empresas receberam pelo menos R$ 2,6 milhões dos cofres públicos, indica a matéria.
“Em alguns dos exemplos, os contratos foram fechados com unidades militares das mesmas regiões ou de iguais comandos. Em três situações, as empresas com militares no quadro de sócios venderam bens e serviços para os exatos batalhões onde eles estavam lotados na época da negociação ou em um período próximo”, destaca.
Jamil Chade: Bolsonaro é denunciado em Haia por genocídio e crime contra a humanidade
Do UOL:

RESUMO DA NOTÍCIA
- Mais de 50 entidades e sindicatos brasileiros e estrangeiros entregam queixa ao Tribunal Penal Internacional
- Resposta à pandemia por parte do presidente é o foco da denúncia
- Sindicatos do setor de saúde lideram iniciativa, solicitando abertura de investigações por parte da procuradora-geral
O presidente Jair Bolsonaro é denunciado por crimes contra a humanidade e genocídio no Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia. A iniciativa, protocolada na noite deste domingo, está sendo liderada por uma coalizão que representa mais de um milhão de trabalhadores da saúde no Brasil e apoiado por entidades internacionais.
A Rede Sindical Brasileira UNISaúde acusa o presidente de "falhas graves e mortais" na condução da resposta à pandemia de covid-19.
"No entendimento da coalizão, há indícios de que Bolsonaro tenha cometido crime contra a humanidade durante sua gestão frente à pandemia, ao adotar ações negligentes e irresponsáveis, que contribuíram para as mais de 80 mil mortes pela doença no país", destacam.
Bolsonaro já foi alvo de uma outra denúncia no mesmo tribunal, envolvendo a situação dos indígenas. Naquele momento, a acusação era de risco de genocídio. Desta vez, porém, trata-se da primeira ação de iniciativa dos trabalhadores da saúde na Corte Internacional e já levando em consideração vetos a leis, a medidas de ajuda e sua responsabilidade de proteger tanto a população quanto aos profissionais de saúde.
Leia o restante da reportagem no UOL clicando aqui
Thiago dos Reis: Urgente! Bolsonaro indiciado formalmente no Tribunal Penal Internacional de Haia por Genocídio, denúncia efetuada por organismos brasileiros e estrangeiros
Do Canal Plantão Brasil:
Bozo acaba de ser denunciado no Tribunal de Haia por sua condução na crise sanitária que alastra o Brasil.
Moro precisa falar dos arapongas imorais de Bolsonaro, por Moisés Mendes, dos Jornalistas pela Democracia
“É provável que Bolsonaro tenha oferecido o birô da arapongagem paralela ao ex-chefe da Lava-Jato, que não se dedicou com afinco ao serviço, mas sabe como deveria funcionar”, sugere o colunista Moisés Mendes, do Jornalistas pela Democracia

Por Moisés Mendes, do Jornalistas pela Democracia - Sergio Moro era citado, antes mesmo do início do governo, em 10 de cada 10 observações sobre a ameaça de aparelhamento do Estado por Bolsonaro.
O ex-juiz seria o subalterno escolhido a dedo, pelo histórico na Lava-Jato, para cuidar da bisbilhotagem nos aparelhos bolsonaristas.
Poderia ser de Moro a tarefa de montar a estrutura de polícia política, como suporte paralelo à área que cuida oficialmente da inteligência.
Moro tinha sob seu comando no Ministério da Justiça as estruturas do Coaf e da Polícia Federal. Se quisesse, acessaria informações importantes para o governo e a família de Bolsonaro.
Mas poucos sabiam da existência da tal Seopi, a Secretaria de Operações Integradas, que aparece agora como produtora de dossiês contra inimigos do governo. E aí pode estar a explicação para parte da missão que deveria ter sido assumida pelo ex-juiz.
A Seopi é apresentada na reportagem do jornalista Rubens Valente, do UOL, sobre as ações sigilosas que resultaram em junho na identificação de 579 servidores federais e estaduais, todos da área de segurança, que o governo considera perigosos militantes antifascistas.
Os inimigos denunciados no dossiê, conta Valente, são policiais civis e militares, penais, rodoviários, peritos criminais, papiloscopistas, escrivães, bombeiros e guardas municipais, aposentados ou na ativa.
O governo está monitorando, não se sabe em que medida, as opiniões e os movimentos (e as vidas?) dessas pessoas. Seus nomes circulam agora dentro do Planalto nas listas de gente que merece cuidado.
A Seopi é parte da estrutura de inteligência do governo, mas nem sempre foi. Era uma coordenadoria e ganhou status de secretaria com a chegada de Moro.
Esse detalhe a seguir é interessante. A coordenadoria atuava principalmente em investigações nos Estados em torno de crimes como pornografia infantil, pedofilia e exploração sexual. Dava suporte às ações das polícias estaduais e tinha suas tarefas sob acompanhamento da Justiça.
Rubens Valente conta que Moro chega e, pelo decreto presidencial 9662, de janeiro de 2019, transforma a coordenadoria em secretaria.
O órgão vai assessorar o ministro “nas atividades de inteligência e operações policiais, com foco na integração com os órgãos de segurança pública federais, estaduais, municipais e distrital”.
E a secretaria pode ainda “estimular e induzir a investigação de infrações penais, de maneira integrada e uniforme com as polícias federal e civil”.
O resultado prático, como se vê pela produção dos dossiês concluídos em junho, todos com os nomes e os retratos dos inimigos, é a transformação da Seopi em polícia política à margem dos controles da Justiça.
Além dos policiais antifascistas, estão no dossiê a que Valente teve acesso os nomes dos professores universitários Paulo Sérgio Pinheiro (integrante da Comissão Arns de direitos humanos, presidente da comissão independente internacional da ONU sobre a República Árabe da Síria desde 2011, com sede em Genebra, nomeado pelo conselho de direitos humanos da ONU, ex-secretário nacional de direitos humanos no governo de FHC e ex-integrante da Comissão da Verdade); Luiz Eduardo Soares (cientista político, secretário nacional de Segurança Pública no primeiro governo Lula e co-autor do livro “Elite da Tropa” [Objetiva, 2006]); e Ricardo Balestreri (secretário estadual de Articulação da Cidadania do governo do Pará e ex-presidente da Anistia Internacional no Brasil). Há também um quarto nome da academia, Alex Agra Ramos, bacharel em ciências políticas na Bahia.
Bolsonaro e Moro se desentenderam por causa dos controles sobre a Polícia Federal e sobre informações da área de inteligência. Fica claro que Moro saiu por não ter dado conta das demandas de Bolsonaro, sempre obsessivo com o trabalho de arapongas. Moro pode ter amarelado.
Circula que o ex-juiz estaria escrevendo um livro, com a ajuda da mulher, a advogada Rosângela Moro, sobre sua passagem pelo governo. Se fala dos rolos de Bolsonaro com gente da Polícia Federal, Moro não deve esconder o que sabe das ações da Seopi.
É provável que Bolsonaro tenha oferecido o birô da arapongagem paralela ao ex-chefe da Lava-Jato, que não se dedicou com afinco ao serviço, mas sabe como deveria funcionar.
A notícia do dossiê sobre os policiais e os professores (quantos dossiês existirão com nomes de outras áreas?) alerta o Brasil antifascista para que preste mais atenção no que acontece na Argentina.
A Justiça Federal já mandou prender mais de 20 espiões que trabalhavam como clandestinos durante o governo de Maurício Macri, todos orientados pela Agência Federal de Inteligência (AFI) e sob o comando da direção do órgão. Os espiões eram identificados alegremente pelo próprio grupo como a turma do Super Mario Bros.
Macri mobilizou os arapongas para que seguissem Cristina Kirchner, deputados, senadores, jornalistas, sindicalistas e outros inimigos do governo.
Alguns agentes da AFI já delataram comparsas. Qual é a semelhança entre o que acontecia lá e o que acontece agora dentro do governo de Bolsonaro?
Há sinais de ilegalidade. O Ministério Público pode tentar descobrir, antes que seja tarde e a estrutura montada por Bolsonaro somente se desfaça, como ocorreu na Argentina, no fim do governo.
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sábado, 25 de julho de 2020
Luis Nassif, em vídeo: Bolsonaro finge recuo mas, na surdina, prepara listas e dossiês de adversários políticos
A lista de Bolsonaro; confira o comentário de Luis Nassif a respeito das últimas notícias do dia na política e na economia do Brasil e do mundo
Do Canal TV GGN:
ABJD ( Associação Brasileira de Juristas Pela Democracia) repudia ‘arapongagem’ ditatorial e autoritário no governo Bolsonaro contra movimentos antifascistas
O pluralismo político é um dos fundamentos de nossa Constituição Federal. A liberdade de expressão é princípio de nosso modelo de democracia, não podendo conviver com práticas ditatoriais.
Jornal GGN:
da ABJD
ABJD repudia ‘arapongagem’ no governo Bolsonaro contra movimentos antifascistas
A denúncia publicada hoje em vários portais, como Uol e Revista Época on line, sobre a existência de uma ação sigilosa, com produção de um dossiê elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, para monitorar 579 servidores identificados como militantes antifascistas, em sua maioria policiais e agentes de segurança e, ainda, dois ex-secretários nacionais de segurança pública e um ex-secretário nacional de Direitos Humanos é gravíssima.
Há menos de dois meses uma lista de pdf com mais de 900 nomes foi enviada no WhatsApp de jornalistas. Homens e mulheres de diferentes idades e profissões foram listados com alguma identificação “antifascista”.
As tentativas de perseguição aos militantes que se opõem ao governo Bolsonaro têm se repetido como tática de intimidação. Típica de regimes autoritários, a criação de listas de identificação de pessoas e movimentos da sociedade civil demonstra que o governo de Jair Bolsonaro não possui qualquer respeito pela liberdade de expressão e de organização.
Dossiês dessa natureza, além de seu caráter claramente intimidatório, merecem o repúdio veemente de toda a sociedade, e requerem uma resposta institucional e urgente dos poderes legitimamente constituídos e órgãos de controle, Ministério Público, Poder Legislativo e Poder Judiciário.
O pluralismo político é um dos fundamentos de nossa Constituição Federal. A liberdade de expressão é princípio de nosso modelo de democracia, não podendo conviver com práticas ditatoriais.
A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – ABJD, além de se solidarizar com todos os atingidos por essa ação espúria e ilegal, exige o esclarecimento, por parte do Sr. Ministro da Justiça, André Mendonça, sobre a informação divulgada e repudia a montagem de dossiês para identificar e perseguir opositores ao governo de Jair Bolsonaro.
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