segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Xadrez das insurreições/conspirações nazifascistas-funtamentalistas-bolsonaristas, por Luis Nassif

 

Mas não deve haver ilusões: o país enfrenta nitidamente uma conspiração com participação de think tanks, pastores evangélicos, agentes infiltrados nas corporações públicas, inclusive no Exército, estimulando teorias conspiratórias.

Por Luis Nassif


Como entender o que se passa hoje no país, com multidões de zumbis, repetindo teorias conspiratórias das mais amalucadas, e acampando em frente aos quartéis?

Trata-se de um xadrez complexo, que envolve muitos personagens, um clima de mal-estar generalizado em relação às limitações do modelo democrático liberal, em cima dos quais atuam ideólogos e agentes provocadores, invocando vários instrumentos do fascismo histórico.

Um dos principais sociólogos contemporâneos, Manuel Castells faz uma boa síntese dos tempos atuais:

Peça 1 – como ocorrem os golpes civis

Nas duas últimas décadas multiplicaram-se os chamados golpes civis, sem o velho modelo de intervenção militar, mas com uso intensivo das redes sociais, insuflando a revolta popular. Foram batizados de “revoluções coloridas”, ou “primaveras”.

Não é um fenômeno simples e individual, como um golpe militar. Há a necessidade de uma insatisfação mais disseminada, que se espraia por vários grupos e organizações. É nesse caldeirão que atuam os demais personagens: os agentes ideológicos, os financiadores e a malta propriamente dita. alimentada por teorias conspiratórias.

O fato de existir um clima prévio de insatisfação impediu muitos analistas de enxergarem o todo. Passaram a enquadrar os movimentos pós-2013 na categoria de geração espontânea e qualquer tentativa de identificar influências externas foram tratadas como “teoria conspiratória”.

Isso porque havia o movimento de uma rapaziada em torno da bandeira do passe-livre, provavelmente nascido espontaneamente do ativismo digital. Havia (e há) um caldeirão de insatisfações diversas, no qual se movem estruturas organizadas para dirigir o movimento de manada para os jogos políticos.

Em 2015, o livro “Guerras Híbridas: Das Revoluções Coloridas aos Golpes”, de Andrew Korybko, traduzido para o português pela Expressão Popular, sistematizou os pontos em comum entre as diversas “revoluções coloridas”.

Um dos diagramas mostra o funcionamento desses movimentos.

No comando da organização, há os ideólogos fornecendo o cimento que juntará todos os tijolos. Abaixo deles, os financiadores e o social – os institutos e ONGs que passaram a organizar movimentos jovens por vários países.

Essas ONGs, das quais a mais notória é a Atlas Network, monta treinamentos para jovens atuarem politicamente nas redes sociais e na vida real. A partir daí geram um conjunto de informações, fatos e teorias conspiratórias que alimentam a mídia.

O símbolo de punho cerrado remete ao movimento original, que forneceu o know how e a inspiração para os demais: o Otpor, sobre o qual se falará mais abaixo.

Cada um desses núcleos possui um patrocinador. No caso brasileiro, em geral organizações norte-americanas. Depois, os chamados Tenentes/Assistentes – os movimentos tipo Vem Pra Rua, MBL, Passe Livre etc. Finalmente, os civis/simpatizante, na sua versão atual infestando as portas dos quartéis.

Se o Ministério Público Federal quiser sucesso em sua empreitada de investigar os sediciosos, tem que identificar os ideólogos (que articulam todas as peças do jogo) e os financiadores.

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Peça 2 – a criação da tecnologia do golpe

A tecnologia das chamadas “revoluções coloridas” veio da Sérvia, no levante de 2000. Depois, houve a Revolução das Rosas, na Geórgia, em 2003; a Revolução Laranja, na Ucrânia, em 2004, e a Revolução das Tulipas, no Quirguistão, em 2005, todas elas no rastro do desmanche do império soviético.

A primeira organização que emergiu dessas manifestações foi a Otpor, constituída por jovens da Sérvia, que depois adotou o nome de Canvas. Seu símbolo esteve presente em vários movimentos, inclusive nas jornadas de 2013 no Brasil.

Conforme trabalho de 2009 (quatro anos antes das manifestações brasileiras) por Felipe Afonso Ortega, na tese de mestrado de relações internacionais “Cores da Mudança? As Revoluções Coloridas e seus reflexos em política externa” pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, havia um padrão comum a todos esses movimentos.

  • Participação direta dos Estados Unidos, através do Departamento de Estado ou think tanks. Há uma divergência menor: se o apoio norte-americano (e europeu) foi essencial para o movimento, ou apenas ajudou a turbinar um descontentamento que já mobilizava a população.
  • Adesão dos revoltosos aos Estados Unidos, Europa e OTAN.
  • Ligações transnacionais entre todos esses movimentos.
  • A utilização de eleições (nem sempre presidenciais) para contestar abertamente o governo e/ou o regime vigente.
  • Uma grande participação popular, não apenas durante as eleições, mas também antes e, se necessário, após os processos de votação, para contestar possíveis fraudes. 
  • E uma mudança significativa de governo, às vezes acompanhada por mudança de regime. 

O episódio brasileiro mais revelador foi a própria eleição de Bolsonaro. Nos primeiros meses de governo, além de um lambe-botas humilhante em relação aos Estados Unidos, vendeu a ideia da entrada do Brasil na OCDE (o grupo de países desenvolvidos), embora provavelmente não tivesse a menor ideia sobre o seu significado.

Mark Bessinger, professor de Princeton e um dos autores mais citados sobre o tema “primaveras”, com o livro “Structure and Example in Modular Political Phenomena: The Diffusion of Bulldozer/Rose/Orange/Tulip Revolutions Perspectives on Politics”, mencionou::

“O governo Americano gastou 65 milhões de dólares promovendo a democracia na Ucrânia nos anos imediatamente precedentes à Revolução Laranja. Em maio de 2005, Bush viajou para Tbilisi, onde caracterizou a Revolução das Rosas como um exemplo a ser seguido por todo o Cáucaso e pela Ásia Central. Sob a influência das comunidades da sociedade civil que elas servem e de seus financiadores governamentais (…), um grande número de ONGs americanas (Freedom House, National Endowment for Democracy, National Democratic Institute, International Republican Institute e a Fundação Soros) silenciosamente passaram a adotar modos mais confrontacionais de promover mudanças”.

Peça 3 – os think tanks no Brasil


Todas essas revoluções – incluindo as manifestações de 2013 no Brasil – tiveram apoio ostensivo de Institutos e ONGs norte-americanos.

Não significa necessariamente que o grupo original do Passe Livre tenha sido pau-mandado de ONGs externas. Mas, a partir de determinado momento, houve o apoio direto de agências de publicidade ligadas ao Partido Democrata e que se especializaram em aporte operacional a movimentos dessa ordem.

Antes mesmo de 2013, houve os primeiros ensaios,  como o Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, conhecido como Cansei, organizado pelo então empresário João Dória Jr. Ou o Dia do Basta, em 2013.

A organização com maior penetração no país foi a Atlas Network, uma rede de think tanks americana canalizando recursos públicos do Departamento de Estado Norte-Americano e do National Endowment for Democracy (Fundação Nacional para a Democracia – NED) para estruturar, financiar e dar treinamento a uma série de afiliadas pelo mundo.

Os braços da Atlas Network no Brasil

No Brasil, o principal ativista e o ponto de contato com esses think tanks é Winston Ling, herdeiro do grupo Olvebra, de uma família ligada a Chiang Kai-shek, um dos governos mais corruptos da história, derrubado por Mao Tse Tung. Com a queda, famílias como a Ling e a família Pih fugiram para o Brasil com parte do patrimônio acumulado. 

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Ling não se envolve diretamente nos negócios da família, é considerado um bon vivant. Seu feito empresarial mais conhecido foi ter adquirido os direitos do concurso Miss Brasil. 

Ele vive em Hong Kong, onde dirige a Ouray Iniciative, de defesa da autonomia da região.

Peça 4 – o fator religioso

O segundo personagem relevante desses movimentos são pastores pentecostais.

Há dois movimentos que explicam sua ascensão no país – ambos ligados à geopolítica norte-americana.

O primeiro, o Relatório Rockefeller, fruto de sua viagem à América Latina em 1969.

Batizado de “A qualidade de vida nas Américas”, o relatório trazia conclusões interessantes. Uma delas era a ampliação do uso do rádio transistor que afetaria as expectativas de “milhões que ficam isolados por analfabetismo e por localizações remotas” e, sabendo que existiam modos de vida diferentes, “nunca mais se contentaram em aceitar como inevitáveis os padrões do passado”. O que comprova que toda mudança tecnológica na comunicação desorganiza o mercado de informações trazendo instabilidade.

Um ponto positivo foi chamar a atenção para a relevância da ciência e da tecnologia no crescimento e, consequentemente, na estabilidade democrática do continente. A Fundação Rockefeller foi relevante para acelerar a biotecnologia e a pesquisa agrícola e nuclear no país.

Há trechos dedicados à Igreja católica, com preocupações explícitas:

“As comunicações modernas da Igreja e a educação crescente têm causado uma agitação entre as pessoas que teve um impacto tremendo na Igreja, tornando-a uma força dedicada à mudança – mudança revolucionária se necessário. 

A Igreja pode estar um pouco na mesma situação que os jovens – com um profundo idealismo , mas como resultado, em alguns casos, vulneráveis ​​à penetração subversiva; pronto para empreender uma revolução, se necessário, para acabar com a injustiça, mas não está claro quanto à natureza última da própria revolução ou quanto ao sistema governamental pelo qual a justiça que ela busca pode ser realizada”.

Atribui-se a essa visita de Rockefeller a iniciativa americana de substituir a influência da Igreja Católica no país – especialmente o ativismo das comunidades eclesiais de base – por novas formas de religiosidade, estimulando a expansão do neopentecostalismo no país.

Não por coincidência, as primeiras notícias sobre a nova religião aparecem na primeira metade dos anos 70, em matéria de capa da revista Veja.

O ex-MInistro Eugênio Aragão chama a atenção para outro personagem:

“Importante explorar o papel do Summer Institute of Linguistics (SIL) durante o governo Geisel, para trazer o pentecostalismo ao Brasil como alternativa ao catolicismo. A fachada era o trabalho missionário de indígenas, mas esse instituto se converteu no verdadeiro think-tank e atuador na importação do pentecostalismo no Brasil”.

Peça 4 – o pacto político de Reagan e João Paulo 2o


Mas a pá de cal nos movimentos eclesiais de base, deixando o campo aberto para o neopentecostalismo, foi dado pelo Papa João Paulo 2o, em um pacto com o governo Reagan.

Principal estudioso do pacto Reagan-João Paulo 2o, Mark Riebling traz informações definitivas em seu livro “A equipe da Guerra Fria do Papa João Paulo II e Ronald Reagan” com base em arquivos ultrassecretos do Conselho de Segurança Nacional, disponíveis na Biblioteca Ronald Reagan em Simi Valley, Califórnia.

“Na verdade, os documentos revelam uma corrida contínua para reforçar o apoio do Vaticano às políticas dos Estados Unidos. Revelam também um Vaticano que age politicamente, mas sempre de forma altamente espiritual”.

O papel político “altamente espiritual” de João Paulo 2o para desmontar a teologia da libertação pode ser conferido no trabalho “O Vaticano e a Igreja no país”, de Ivo Lesbaupin, Sociólogo da Universidade Federal do Rio de Janeiro Centro Joao XXIII – /SER.

“O documento de Santa Fé I, de 1980, que propunha a política norte-americana para a América Latina a ser implementada pelo governo Reagan, dizia: “( … ) A política exterior dos EUA deve começar a enfrentar (e não simplesmente reagir posteriormente) a Teologia da Libertação tal como é utilizada pelo clero da Teologia da Libertação. O papel da Igreja na América Latina é vital para o conceito de liberdade política. Lamentavelmente, as forças marxistas-leninistas utilizaram a Igreja como uma arma política contra a propriedade privada e o sistema capitalista de produção, infiltrando a comunidade religiosa com idéias que são menos cristãs que comunistas “.

O artigo lista algumas das intervenções do conservadorismo do Vaticano no Brasil:

  • 1984 – Fevereiro: o cardeal Dom Eugênio Salles suspende a Missio Canônica de Frei Clodovis Boff, que era professor da PUC desde 1978. A suspensão atinge também Frei Antônio Moser. –
  • Maio: inspeção nos seminários e casas de formação. O cardeal Hoeffner visita o seminário na Arquidiocese de sao Paulo. 
  • 7 de setembro: colóquio de Leonardo Boff com Ratzinger em Roma. Depois de duas horas, a conversação é acompanhada pelos Cardeais D. Aloísio Lorscheider (presidente da Comissão Episcopal de Doutrina da CNBB) e D. Paulo Evaristo Ams. De entrada, D. Paulo sugere que, para a elaboração do novo documento da Teologia da Libertação, deveriam ser consultados os teólogos da libertação, os episcopados onde há pastoral popular junto aos oprimidos numa linha libertadora e o documento deveria ser elaborado no Terceiro Mundo. 
  • Os cardeais D. Aloísio Lorscheider e D. Paulo Evaristo Arns perdem vários dos seus cargos nos dicastérios romanos. 
  • 1985 – 11 de março: notificação romana sobre o livro de Leonardo Boff, Igreja, carisma e poder. Aí se afirma que as opções analisadas no livro são de tal natureza que 22 põem em perigo asa doutrina da fé( … )”. O teólogo acata a decisão da Congregação para a Doutrina da Fé. 
  • 19 de março: em visita ao Brasil, D. Agnello Rossi publica documento em que critica a Teologia da Libertação: Verdades, erros e perigos da Teologia da Libertação.

O principal ideólogo desse conservadorismo era o teólogo Joseph Aloisius Ratzinger, depois Papa Bento 16, de curto reinado.

O jogo continuou no governo Bush.

Na biblioteca da Universidade de Princeton é possível consultar o documento “Documento de Santa Fé II. A estratégia americana. A política do governo Bush para a América Latina”, continuação no Santa Fé I.

O início é terrorista:

“As Américas ainda estão sob ataque. Alertamos sobre esse perigo em 1980 (1). O ataque se manifesta na subversão comunista, terrorismo e tráfico de drogas”

E propunham uma repressão severa às oposições: 

“As forças contrárias ao desenvolvimento devem ser diminuídas o máximo possível. Esta proposta não é importante apenas porque apoia o direito dos regimes latino-americanos de estabelecer os limites constitucionais da atividade política democrática”.

Havia propostas para atrair os militares, aumentar o orçamento da USIA (Agência de Informação dos Estados Unidos) e fortalecer o Escritório de Diplomacia Pública.

Havia propostas específicas para os sistemas judiciais, com viés claramente repressivo:

“Para realmente promover os direitos humanos, os EUA devem ajudar a fortalecer os sistemas judiciais na região. Também deve diferenciar entre grupos de direitos humanos que apóiam o regime democrático e aqueles que apóiam o estatismo”.

Obviamente, ênfase total na privatização das indústrias das paraestatais:

“Os Estados Unidos devem encorajar o desenvolvimento da iniciativa privada na América Latina por meio de programas públicos e privados e fazer tentativas para acelerar a privatização das indústrias paraestatais”.

E um chamamento à participação das instituições privadas:

“A opinião pública e as instituições privadas nos Estados Unidos devem se encarregar da educação da mídia e dos líderes comunitários quanto à natureza do conflito marxista-leninista adaptado pelos nacionalistas aos problemas do subdesenvolvimento. O casamento do comunismo com o nacionalismo na América Latina, porém, representa o maior perigo para a região e para os interesses dos Estados Unidos”.

Peça 6 – a expansão do coronelismo neopentecostal

Em 5 de janeiro de 2020, o Jornal GGN trouxe a seguinte matéria: “Como os neopentecostais conquistaram o Brasil”, mostrando que adquiriu, por aqui, características muito similares ao coronelismo da Velha República, permitindo um controle absoluto sobre os fiéis.

Um relatório de 2014 sobre o movimento pentecostal na América Latina, da consultoria espanhola Lorentz & Cuenca, traz boas luzes sobre o avanço do movimento pentecostal na América Latina.

O estudo lembra o Relatório Rockefeller de 1969, que sugeria o uso das igrejas como estratégia dos EUA e da CIA para deter o auge da Teologia da Libertação. O Relatório Rockefeller se tornou uma lenda, mas é enquadrado pelo trabalho na relação das teorias conspiratórias. 

Mas não ignora a profunda influência americana nas primeiras investidas neopentecostais.

As novas missões protestantes, especialmente as vindas dos Estados Unidos, traziam novos rituais, baseados na conversão e no êxtase religioso. Gradativamente foram se adaptando às condições latino-americanas, em um processo de aculturamento originalíssimo.

(…) Cria-se um pentecostalismo latino, uma miscelânea religiosa emulando várias características do catolicismo tradicional.

Enquanto o protestantismo norte-americano se adaptava ao liberalismo do país, as igrejas latino-americanas recriaram as relações patriarcais das fazendas, dos colonos colocados sob o guarda-chuva protetor dos coronéis e da fé. Era o patriarcado colonial adaptado às condições das megalópoles contemporâneas.

(…) Mencionado no trabalho, Jean-Pierre Bastian ressalta que 

“poderíamos dizer que nesta ‘hibridez’ se está lidando não só com a adaptação ao mercado latino-americano, mas também com a criação de produtos originais, híbridos, que os pentecostalismos ofereceram em toda a região. Isso se nota em particular a partir da produção musical dos hinos, que de fato até os anos 70 era de origem anglo-saxão, e que a partir de então se transformou em cantos diretamente inspirados pelas tradições musicais populares endógenas. Hoje em dia, vemos se desenvolver o que estes movimentos chamam de “Ministérios de louvor”, que adotam a música local, em particular o samba ou outros gêneros tropicais como a salsa etc. Inclusive se chamou a este tipo de expressão musical com algum tipo de anglicismo como “salsa-gospel” ou “samba-gospel”.

Peça 7 – a reconstrução da democracia

Como se mostrou, o caos político do país – iniciado na década de 2010 – decorre da confluência de vários personagens, com ligações internacionais, quase todos estimulados pela geopolítica norte-americana, a parceria do Departamento de Estado com o clube dos bilionários.

Esse jogo, no Brasil, levou a ameaças concretas de dissolução do conceito de nação, permitindo um pacto amplo das forças modernas contra o anacronismo representado pelo bolsonarismo e pelas Forças Armadas – hoje em dia mais parecidas com sub-sucursais do exército americano do que defensoras do interesse nacional..

O fato Amazônia/meio ambiente muda o cenário. Mesmo os Estados Unidos se dão conta do risco global representado pelo desarranjo das instituições brasileiras.

Mas não deve haver ilusões: o país enfrenta nitidamente uma conspiração com participação de think tanks, pastores evangélicos, agentes infiltrados nas corporações públicas, inclusive no Exército, estimulando teorias conspiratórias.

A luta pela democracia passa, agora, pelo desmonte desses movimentos conspiratórios. Daí a necessidade do Ministério Público, Polícia Federal, polícias estaduais centrar as investigações nos cabeças desse jogo, os ideólogos e financiadores. Antes que um candidato a general Olimpio Mourão Filho resolva sair a campo.

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domingo, 20 de novembro de 2022

Meteoro Brasil: Agronegócio (sulista) é máfia, agonegócio é crime, agroneócio é golpe e financiador de extremistas bolsonaristas

 

Do Canal Meteoro Brasil:

Após 43 contas bancárias terem sido bloqueadas por suspeita de financiamento dos atos golpistas, ficou claro que o agronegócio é um dos principais setores financiando os atos.



Lição de história e moral de Hildegard Angel a Carlos Sardenberg e à Gobo, ao vivo, por apoiaresm sempre as elites e o golpismo contra o povo brasileiro

 

Do Brasil 247:


Hildegard Angel é jornalista. Trabalhou também como atriz no teatro, cinema e televisão nas décadas de 1960 e 70. Ficou conhecida nacionalmente também como colunista social e de televisão nos jornais O Globo (décadas de 80 e 90) e Jornal do Brasil (2003 a 2010). Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável do Brasil 247. Florestan Fernandes Júnior é jornalista, passou pelas principais redações e emissoras do Brasil, como Folha de S. Paulo, TV Globo, TV Cultura, TV Manchete


Madeleine Lackso: Sob Augusto Heleno (filhote do pior da ditadura militar) já era esperado ter agentes do GSI fazendo isso na transição; Dino fez bem ao denunciar

 

Do UOL:

Flávio Dino (PSB), coordenador de Justiça da transição do governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou em entrevista à revista Veja que agentes do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) tentaram ocupar o CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil). O prédio funciona como sede para que a equipe do petista trabalhe na transição.



Greg New (trechos do programa da HBO): DESNAZIFICAÇÃO (DESBOLSONARIZAÇÃO)

 

Seguem trechos do programa Greg News, da HBO:




sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Xadrez da chantagem criminosa do tal mercado financeiro contra Lula, por Luis Nassif

 


O que a que a mídia chama de “mercado”, que jornalistas tratam como entidade mítica, na verdade é um clube de operadores

Reportagem de Luis Nassif, para o Jornal GGN:

Peça 1 – o que é o tal mercado


Nem se fale do ridículo do tal mercado fazer subir o dólar e a Bolsa e o movimento refluir no dia seguinte. Foi um vexame maior do que os bloqueadores de estradas.

Mas é interessante entender esse jogo de forças.

O que a que a mídia chama de “mercado”, que os jornalistas tratam como entidade mítica, impessoal, na verdade trata-se de um clube de operadores – aquelas pessoas que dão ordens de compra e venda para dinheiro de terceiros. São tão assalariados quanto os jornalistas que se dizem íntimos, com alguns benefícios adicionais, como prêmios por resultados.

Mas dão status aos jornalistas, que recolhem qualquer afirmação do operador e atribuem, de boca cheia, a “fontes do mercado”.

Na ditadura, havia jornalistas com acesso a Golbery dos Couto e Silva e Heitor de Aquino. Quem não tinha acesso recorria ao Sargento Quintão – um ajudante de ordens de Golbery – e atribuía as declarações, muitas delas estapafúrdias, a “fontes do Palácio”. É a versão preliminar das “fontes do mercado” mencionadas por repórteres.

Entre os operadores, há um primeiro time mais esperto que atua de forma cartelizada. Isto é, combinam, entre eles, movimentos de venda ou de compra de contratos de juros e câmbio. A intenção é faturar em cima dos trouxas, a rapa que não pertence ao clube e que são guiadas pela parceria com a imprensa.

Conseguem movimentos, mas de curto prazo.

Por exemplo, criam um acordo tácito de que se se falar no nome de Henrique Meirelles para Ministro da Fazenda é hora de comprar – “comprando”, a Bolsa e os contratos futuros de juros sobem. Se for Fernando Haddad, é hora de vender. Se sair a reforma da Previdência é para comprar; se não sair é para vender.

Não lhes peça nenhuma análise sobre causas e consequências das medidas. O movimento macro é do pensamento único: se cortar despesas, compre; se aumentar os gastos, venda. São profundos e analíticos como um filho temporão do Sardenberg com a Cantanhede.

Mas são esses movimentos que permitem bicar ganhos em cima da plebe ignara.

Peça 2 – o efeito manada e as grandes tacadas


O ponto central do jogo especulativo é o efeito manada da saída e entrada de dólares – que era frequente antes de Lula acumular US$ 350 bilhões em reservas.

Era simples. 

O livre fluxo de capitais faz com que os capitais internacionais tenham o mundo como mercado. Se um país aumenta as taxas de juros, se um ativo (como petróleo, trigo ou outra commoditie) tem aumento de demanda, os capitais caminham nessa direção. Esse movimento de onda provoca uma bolha no ativo até o momento em que se percebe que atingiu o pico. Aí os capitais começam a sair em desabalada carreira: quem fica por último morre com o mico (lembrando o jogo de baralho).

Por aqui, desde o governo FHC repetiu-se esse movimento à exaustão no mercado de câmbio. O dólar ia entrando. À medida em que entrava, o aumento da oferta diminuía seu valor em relação ao real. Com esse movimento, as exportações ficavam mais caras e as importações mais baratas. Criava-se um déficit crescente na balança comercial que estimulava um efeito-manada de fuga de dólares. Sabia-se, a qualquer momento, o déficit provocaria uma maxidesvalorização da moeda. Os especuladores tinham que sair então enquanto a real estava forte, para voltar quando o real se desvalorizasse. 

Com a desvalorização do real, havia um choque na inflação, obrigando o Banco Central a aumentar as taxas de juros. 

Aí os dólares voltavam para ganhar com os juros, e com a nova rodada de apreciação cambial, e com o risco reduzido, já que a máxi ajudava a reequilibrar a balança comercial.

Veja um exemplo simples:

Com o dólar a R$ 6,00, as taxas de juros internas a 12,5% e as internacionais em 1%, o investidor toma US$ 1.000,00 de empréstimo, entra no Brasil e adquire R$ 6.000,00.

Um ano depois, com as taxas de juros internas, seu capital saltou para R$ 6.750,00. Com os juros internacionais a 1%, sua dívida será de US$ 1.010,00. 

Aí começa o movimento de entrada de dólares, provocando um aumento do seu valor: em vez de um dólar valer R$ 6,00, passa a valer apenas R$ 4,00.

Com os R$.6.750,00 acumulados, e com o dólar a R$ 4,00, o investidor recompra os dólares e sai com US$ 1.687,50 – ou seja, 68,75% a mais do que entrou.

Como sua dívida é de apenas US$ 1.010,00, ele quita a dívida e fica com um ganho de US$ 677,50 sem ter investido um tostão de recursos próprios na operação: apenas fazendo arbitragem entre taxas.

Com os capitais externos fugindo do país, a bomba cambial explodia e o governo era obrigado a fazer uma maxidesvalorização cambial para acertar os déficits nas contas externas. O dólar voltava aos R$ 6,00. A desvalorização provocava inflação, obrigando o Banco Central a aumentar novamente os juros. E resolvia o déficit externo, reduzindo os riscos cambiais até a próxima rodada.

O movimento abaixo foi recorrente, permitindo os maiores assaltos da história contra a dívida pública.

Essa mamata persistiu do governo FHC até metade do governo Lula, quando o país criou um colchão de reservas cambiais acabando com esse jogo.

Aí restou o varejo do câmbio, jogo do qual a cobertura financeira tem papel essencial.

Peça 3 – a especulação e os gatilhos cambiais


O varejo da especulação com juros e câmbio é facilmente identificável. Criou-se um gatilho em torno do equilíbrio fiscal. Há uma lógica torta por trás disso. Imagina-se que, sem equilíbrio fiscal, o país não teria condições de honrar a dívida pública.

Repare que nenhuma crise brasileira decorreu da dívida pública, mas sim das contas externas. E país que tem o volume de reservas e o saldo comercial do país, não corre mais o risco das crises sistêmicas que atrapalharam o crescimento desde os anos 50.

Portanto, a questão do suposto equilíbrio fiscal serve apenas de gatilho para movimentos especulativos visando pegar os desavisados – ou pressionar o governo para não tirar os privilégios do mercado.

O ponto central de poder dos tais operadores é a capacidade de criar pequenos efeitos-manada com o dólar.

Se o dólar começa a subir de forma consistente, pressiona a inflação e o Banco Central se vê obrigado a aumentar os juros. Aumentando os juros os dólares retornam e o câmbio volta a ceder. Se o dólar fica valorizado por muito tempo, há influência na inflação, nos preços dos comercializáveis (produtos importados e exportados).

Portanto, o ponto central do desequilíbrio é o livre fluxo dos dólares, a capacidade de entrar e sair a qualquer momento. Em um ponto qualquer do futuro, haverá condições políticas para impedir esse entra-e-sai dos dólares.

Em todo caso, os fatores que interferem nesse movimento são muito maiores do que a concatenação do clube dos malandros. Envolve fluxo internacional de capitais, taxa de juros dos bancos centrais – especialmente o FED – indicadores de comércio internacional, de PIB global etc. O que o tal de mercado consegue fazer são marolas, que a cumplicidade ignorante da mídia transforma, às vezes, em ondas mais fortes.

Obviamente episódios como o “orçamento secreto” e quetais não entram no jogo. Nem as gambiarras de Paulo Guedes para montar a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2022.

O mercado se move para manter as políticas que garantem o jogo especulativo.

Peça 4 – O déficit público


Aí entram as superstições sobre o déficit público.

Segundo o tal do mercado, o equilíbrio das contas públicas é essencial para atrair investimentos

Há duas formas de equilibrar as contas públicas: através do aumento da receita, ou corte nas despesas. Quando a economia está fraca, corte nas despesas implica em mais queda da economia e, consequentemente, na arrecadação fiscal, além de impactos no mercado de consumo.

Em 2015, após o desastroso pacote Joaquim Levy houve o golpe jurídico-parlamentar que colocou MIchel Temer no poder. Em geral, após uma queda acentuada de PIB, a recuperação costuma ser rápida. Temer deu prosseguimento à pior ortodoxia econômica, reduzindo direitos trabalhistas, privatizando de forma escandalosa, criando a inominável Lei do Teto e reduzindo os gastos públicos. 

Fez tudo o que o mercado queria. E o que aconteceu? Multinacionais saindo do país devido ao desmonte do mercado de consumo. Como assim? Fez tudo o que o mercado pediu e as empresas se mandaram?

Aí se entra no busílis da questão, que nunca é abordado pela cobertura financeira da mídia. Há dois tipos de capitais: o de curto e o de longo prazo.

O primeiro entra para beliscar ganhos, fazer arbitragem de taxas de juros, adquirir empresas em dificuldades e passá-las para frente. É capital gafanhoto, que não traz riqueza, empresa ou desenvolvimento.

O segundo é o capital de longo prazo, que entra apostando no país, trazendo indústrias, criando empregos e aumentando a receita fiscal. Para o segundo grupo, é essencial uma economia em crescimento e um mercado de consumo robusto.

Em relação ao câmbio, há uma diferença fundamental entre eles. O primeiro – o de curto prazo – adora a volatilidade cambial, porque permite ganhos de arbitragem. O segundo – o de longo prazo – abomina a volatilidade, porque impede a real análise financeira do negócio e do mercado.

Em relação aos gastos públicos, o primeiro abomina os investimentos em infraestrutura, porque não lhes permite ganhos de curto prazo. Mas adora uma privatização em cima de empresas já consolidadas, como as refinarias da Petrobras.

O segundo sabe que o aumento dos gastos públicos amplia a economia e o mercado, abrindo possibilidade de negócios saudáveis para diversos setores. Sabe que uma economia exangue não atrai capital privado – a não ser o capital gafanhoto para ganhos especulativos.

Por isso, quando o repórter menciona fontes de mercado para dizer que tal medida vai espantar o capital estrangeiro, ele está se referindo exclusivamente ao capital especulativo, de curto prazo.

Peça 5 – o terceiros governo Lula


Sabe-se da preferência de Lula por Fernando Haddad para Ministro da Fazenda.

Para limpar de vez as políticas macroeconômicas, para que se tornem efetivamente agentes de promoção do desenvolvimento, Haddad terá que desmanchar as seguintes armadilhas:

  1. O livre fluxo de capitais, principal responsável pelos soluços da inflação e pelas marolas do mercado.
  2. A política de metas inflacionárias, que faz com que o BC sempre defina uma taxa de juros alguns pontos acima da inflação esperada.
  3. As operações compromissadas, pelas quais o BC remunera os bancos até pelo dinheiro parado nas contas.
  4. O próprio modelo de enxugamento da liquidez, feito com títulos públicos, tornando a dívida pública brasileira uma hemorragia permanente de recursos públicos.

Haddad é suficientemente preparado para conduzir uma política gradativa, racional, e com capacidade suficiente para defender publicamente as medidas. O desafio consiste na extrema mediocridade dos canais que influenciam a opinião pública: a mídia, cada vez mais refém do tal do mercado.

Espera-se que esse bloqueio seja rompido com um pacto com as multinacionais da economia real, os grandes fundos internacionais de investimento – que sabem que o combate à miséria e a consolidação do governo Lula serão fundamentais na batalha pela preservação do meio ambiente. E também com a mídia mais racional, que entenda os novos tempos e saia da armadilha dos lugares-comuns.

Quando ouço subjornalismo, como Boris Casoy, e jornalistas tarimbados, como William Waack, repetindo o mantra dos cortes de gastos percebo que há uma grande irracionalidade envolvendo a mídia, similar àquela que envolve senhoras que acampam na frente dos quartéis, ou os negacionistas da vacina.

A "Grande mídia" empresarial pró mercado mostra as garras para Lula em ataque coletivo contra furo no Teto de Gastos à favor do social, mas contra os interesses dos vampiros do dinheiro público

 


Folha, O Globo e Estadão sobem o tom contra a PEC da Transição em publicações alarmistas, com "conselhos" e ofensas à equipe de Lula


GGN. - Os jornais da chamada grande mídia, todos sensíveis aos ânimos do mercado financeiro, começaram a mostrar as garras para o novo governo Lula (PT). Nesta quinta-feira (17), um festival de matérias e editorial em Folha, Estadão e O Globo coloca Lula contra a parede por causa do furo no Teto de Gastos para pagar benefícios sociais.

O ataque coletivo, motivado pela desaprovação em relação à PEC da Transição, inclui desde ofensas ao time de Lula até conselhos e projeções alarmistas sobre a economia.

Por causa da PEC, Folha de S. Paulo manchetou que Lula “larga na contramão do que levou ao sucesso de seus dois governo no combate à pobreza”. O jornal argumentou que “responsabiliade fiscal e superávits primários foram fundamentais para que o petista fizesse mais pelo social”.

Na esteira, O Globo disse que “Lula testa a paciência ao ignorar críticas” e sugeriu que “em vez de ouvir os aduladores, ele deveria prestar atenção à bomba fiscal prestes a ser lançada sobre o país.”

Estadão, por sua vez, entrevistou o presidente de um grande banco privado, o Bradesco, para avisar a Lula que “não temos espaço para testes ou experimentos” por parte da equipe econômica, seja ela qual for. O Estadão também dedicou um espaço em sua página principal a uma matéria sobre André Lara Resende, Guilherme Mello, Nelson Barbosa e Pérsio Arida terem sido “escanteados na PEC da Transição”.

A decepção de O Globo com Lula


Nesta quinta (17), O Globo publicou um editorial ácido, falando da “decepcionante reação” de Lula às críticas que ele tem recebido do mercado. O jornal disse que o furo no Teto de Gastos é “irresponsável” e chamou as declarações de Lula sobre o tema de despropositadas. O editorial ainda faz terrorismo sobre o futuro.

“Paciência, o novo governo tem testado não apenas a dos mercados, mas a de todos os brasileiros que sabem fazer contas. Aumentar gastos sem amparo de receitas nem gestão do passivo levará a um ciclo bem conhecido no Brasil: aumento descontrolado do endividamento, juros elevados, dólar mais caro, inflação alta e menos crescimento econômico”, definiu O Globo.

Segundo O Globo, a PEC da Transição fará um furo “irresponsável” no Teto de Gastos, de R$ 198 bilhões em 2023 e R$ 175 bilhões “todo ano daí para frente”. “Tudo falaciosamente em nome dos mais pobres. Na prática, trata-se de gasto no presente, com inflação e misérias contratadas no futuro.”

A pedido de O Globo, consultores fizeram cálculos e constataram que “se forem aprovados os R$175 bilhões fora do teto, as consequências serão terríveis.” O jornal sugeriu o limite de R$ 79 bilhões para a PEC em 2023.

O editorial de O Globo termina com golpe duro no PT. Para o jornal, só de a PEC ter chegado ao valor de R$ 198 bilhões, perto de 2% do PIB, é sinal da volta do “discurso e prática do velho PT que levou o Brasil à bancarrota: o Estado é a solução para todos os males, o mercado vive especulando ‘todo santo dia’, e criar ministérios é solução mágica para tudo.”

Folha explica a importância do mercado


A matéria da Folha foi feita para explicar de maneira didática a importância que tem a opinião do mercado financeiro para um governo. Assim como O Globo, Folha bate na estimativa de furo de R$ 175 bilhões no Teto de Gastos.

Com um texto ainda mais alarmista, Folha pregou que o furo tornará “difícil para Lula concluir seu mandato” realizando o “superávit primário necessário para estabilizar a dívida pública em relação ao PIB”.

Folha projetou, inclusive, que o governo Lula vai acabar “derrubando a economia” e gerando mais inflação, pois sem superávit primário, o mercado exigirá juros cada vez mais caros para financiar o governo.

O jornal atrelou o sucesso de Lula entre 2003 a 2010 ao fato de que ele conseguiu realizar superávits todos os anos. Pagando juros mais baixo para se financiar, os governos Lula evitaram aumento de carga tributária. Daí a origem do “ciclo virtuoso de crescimento sustentável”, explicou Folha.

Na visão da Folha, a responsabilidade fiscal é essencial para que os “agentes econômicos”, como “empresas, mercado financeiro e empreendedores”, “confiem na solvência do País.

Folha ainda cravou que o “baixo crescimento” econômico que se viu no País desde 2014 ocorreu graças ao “fim da responsabilidade fiscal” – ou quando o “mercado” passou a entender assim.

O diário ainda arriscou alguns conselhos a Lula: “Diante da precariedade das contas públicas e da experiência pregressa, Lula e equipe poderiam se debruçar sobre o que deu certo, e onde é possível economizar e melhorar a eficiência da despesa pública. Como a trajetória de Lula e Dilma na Presidência demonstrou, há dois caminhos a seguir. Lula parece estar pegando a via errada.”

O recado dos bancos


De Nova York, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, mandou alguns recados a Lula por meio do Estadão.

O empresário que Lula pode tomar o tempo que quiser para anunciar a equipe econômica, mas que não haverá “espaço para testes ou experimentos na área”. Defendeu que o furo no Teto de Gastos deve ser “o mínimo necessário” para garantir a continuidade de programas sociais num primeiro momento; mas, a partir daí, o governo deve encontrar um caminho para equilibrar as contas. Ele sugeriu uma reforma fiscal, mas deixando claro que nem a sociedade como um todo, nem os bancos privados aceitarão pagar mais impostos. A expectativa dele é que o governo Lula trabalhe inicialmente para “debelar a inflação” e, em seguida, reduzir a taxa de juros.

Estadão também ouviu de um economista e sócio de uma gestora de investimentos que o gasto de R$ 175 bilhões por ano (mais ou menos o valor da PEC da transição) elevaria a dívida bruta para 89% do PIB ao fim do governo Lula. A estimativa de O Globo passou dos 90%.


UOL: Moraes irá até onde for preciso contra financiadores de golpistas, diz Tales Faria

 

Do UOL:

No programa Análise da Notícia, José Roberto de Toledo e Tales Faria falam sobre as ações do ministro Alexandre de Moraes, do STF, contra financiadores de atos golpistas pelo Brasil.



Reinaldo Azevedo: Golpistas amarelados da fanática seita bolsonaristas agora veem “generais-melancia”, e Exército se zanga

 

Da BandNews FM:




Bob Fernandes: Derrotados, Bolsonaro e Casta Elitista Militar atiçam encenação golpista e histeria diante de quartéis

 O Brasil, o ansioso, aguardou o “Relatório da Defesa” sobre urnas e eleições. Tiro de festim, aplausos para o TSE. Bolsonaro e Casta Militar ao primeiro atrelados, contudo, atiçam romarias de reféns de discursos e imagens dos derrotados. Delírios e histeria diante de quartéis. Vejam:


Do Canal de Bob Fernandes:



DERROTADOS, BOLSONARO E CASTA MILITAR ATIÇAM ENCENAÇÃO GOLPISTA E HISTERIA DIANTE DE QUARTÉIS

Derrotada, a extrema-direita esperneia e se aconchega na cumplicidade dos quartéis.

Bolsonaro, cavalo de troia do Poder militar, é um vagabundo.

Não no sentido ofensivo dessa palavra. Ou no lúdico; afinal, vagabundear é direito natural, universal.

É um vagabundo no sentido careta da expressão. Não trabalha e não gosta de trabalhar.

Depois da eleição, o Jair, talvez atendendo a sugestão de Maderada, parecia “ter ido embora”.

Renunciou definitivamente à função de presidente.

Nas raras aparições, faz, fez o combinado com a chefia militar: ameaças, com ambiguidade.

Hoje, amanhã ou depois, ameaça, o país conhecerá a verdade.

Verdade sobre o quê? O casal? Por que o Daniel Alves?

A "verdade das urnas", urdida por seus chefes militares e guardada como ameaça para o pós-derrota.

Nesta quarta, saiu o Relatório dos Militares, o Ministério da Defesa. E... nada.

Em bom baianês do Recôncavo d’antanho, um “bolodório”.

Não aponta nenhuma fraude. E fala em risco “hipotético”. Para o futuro.

O TSE agradeceu o atestado de ótima performance na eleição, e fim de papo.

Buscaram espalhar frenesi digital e, daí, medo para os que são assustáveis.

Para manter agrupado o que há de pior, injetarão toda tensão e angústia que incautos seguirem engolindo até janeiro.

Terça-feira da semana passada, 48 horas de silêncio depois de Bolsonaro e militares serem derrotados.

Mas seguiam pautando as Mídias, a imprensa.

Por um hora e uns 20 minutos, em algumas das maiores redes de TV do país, uma imagem estática.

Um pedestal com um conjunto de microfones. O espelho ao fundo refletindo jornalistas.

O jornalismo não se viu no espelho.

Karl Kraus, jornalista, dramaturgo, satírico alemão, diz que vaidoso é quem não se olha no espelho.

Capturados, no espelho. Um hora e tanto, jornalistas confinados no Palácio do Planalto.

Nos estúdios, desplugados e desplugadas das telas, vários e várias de equipes com muito talento.

Suas vozes nos estúdios se perdendo diante do toço de microfones.

Imagem imposta, atraindo e traindo o jornalismo.

Mais de um hora dum pedestal de microfones engolidos por uma imagem quase congelada.

Repetição de quatro anos naquele curralzinho diante do Palácio da Alvorada.

Alô, alô, Chefias e comandos, lembremos o velho Marshall McLuhan: “O meio é a mensagem”.

As imagens, naquele caso, nesse caso, são tudo, são conteúdo. Liberem a rapaziada.

E assim o derrotado seguiu pautando, buscando normalizar o inaceitável.

Tentar tornar vitória a histórica derrota. Com romarias e histeria diante de quartéis.

Com os donos da imobiliária 51 - tudo em dinheiro vivo - indo atrás de passaporte italiano.

Com Valdemar do PL, de extensa ficha, dizendo “aguardar o relatório militar sobre as urnas”.

A eleição acabou, Lula venceu, o TSE confirmou, o mundo já despachou o Jair.

Querem tornar vitória a derrota?

Bem, uma amiga minha quer um cafezinho com o Cauã Reymond.

Um amigo espera ansiosamente um mero olhar, ou pelo menos um tchau, da Sophie Charlotte.

Macheza, truculência, ameaças, mas estão é com medo.

Medo de que os últimos anos sejam investigados e revelados até os intestinos.

Cartões corporativos, sigilos de 100 anos, rachadinhas, imóveis com dinheiro vivo, corrupção da grossa via orçamento secreto, compras militares.

E nas bilionárias compras, mais ainda as que dispensem licitações.

Medo de um pente fino, mesmo que no mais miúdo, mas não menos significativo.

Nos que se penduraram nas tais escolas cívico-militares.

Ganhando um segundo salário maior do que o piso dos professores.

Lembram a idiotia “escola sem partido”? Aprendamos.

O que queriam era uma escola com partido. O deles.

O dos militares. Escolas para aprofundar e tornar futuro um projeto de Poder.

Querem que você, amiga, amigo, esqueça que, de 1985 até o impeachment de Dilma, o Brasil viveu o mais longo período de construção da democracia desde o início da República... Foram escassos 31 anos.

República instaurada há 133 anos por um golpe militar em aliança com elites econômicas.

Mesmo DNA agora nas ruas. E nas manchetes, agora bradando pelo invisível e onipresente O “O Mercado”.

Perguntem-se: quem está lambendo botas e pedindo golpe nas portas dos quartéis?

Coronel do Exército na reserva, Marcelo Pimentel conhece os seus e já deu a letra.

Boa parte, diz ele, são militares inativos e suas famílias. Mas não apenas.

Também militares da ativa tuitando com designação das suas respectivas patentes, e assim rasgando o estatuto dos Militares.

Eles e esposas, famílias.

Se deram bem no Poder e com Bolsonaro.

A partir da aposentadoria integral privilegiada e penduricalhos.

Some-se, só no governo federal, mais de 6 mil empregados militares.

Imaginem suas famílias nessa hora.

Estão nas federações, tipo FIESP. Estão nos estados, nos parlamentos.

Gostam, sempre gostaram do poder. E das mamatas.

Na última ditadura, quando expostas as mamatas, foram chamadas de “mordomias”.

A mais vasta e oculta operação de dinheiro público, de corrupção, que se tem notícia é o orçamento secreto.

Apenas imaginem dezenas e dezenas de bilhões sendo entregues não se sabe para quem, por quem e para quê.

E como foram gastos no Secretão. Criado por um general então ainda na ativa.

Luiz Eduardo Ramos, à época ministro-secretário de governo. Governo Bolsonaro.

Que criou o Secretão para eleger Arthur Lira presidente da Câmara e Rodrigo Pacheco no Senado.

Investigação do Secretão? Ou a imprensa faz isso ou o Ministério Público vai atrás.

O futuro governo se meter nisso? Esqueça. Se avançar nessa, perde o Congresso de vez.

Na porção do Brasil derrotado, delírios, histeria e transe.

Milhares de exemplos da ignorância, estupidez, burrice, violência, e mesmo atos de terrorismo.

Sempre alimentados via digital e incautos nas mídias.

Com, imaginem só, quartéis e polícias se prestando não só a cenário e figuração.

Tudo isso é, obviamente, uma operação planejada. Com digitais da Inteligência militar.

Vocês imaginam o que aconteceria se, mesmo pacificamente, militantes do MST cercassem quartéis?

Ou indígenas, PT, UNE, MTST? Imaginaram?

Pois então reflitam e concluam sobre o que estamos assistindo desde a fragorosa derrota. De Bolsonaro e do Poder Militar.

Que agora se reagrupam para, no mínimo, manter força política.

A força das armas já têm. A legal e a ilegal espalhadas via CACs etc.

Mas não é tão simples usá-las diretamente. O mundo está de olho no Brasil.

Salvo ditadores de estimação da direita, todos querem se ver livre de Bolsonaro e de seu rastro de destruição e morte.

Aos olhos do mundo, é incomensurável o custo, para o Brasil, do neofascismo com ascensão neonazista na cola.

O oposto desse custo, veremos semana que vem, se Lula, de fato, chegar à Conferência do Clima no Egito.

Custos. Quem está pagando a mortadela nas ruas desde a derrota da extrema-direita?

Quem paga mobilizações, caminhões que ficaram parados e caminhoneiros?

Quem são os que se permitem faltar ao trabalho por uma semana, por 10 dias, por duas semanas?

Vagabundos? Mortadelas, como eles diziam, como arrotavam diante das manifestações adversárias?

Militares estão jogando parados. Como se dissessem:

- Estão vendo? Eles querem, e se quisermos, faremos.

Mas sabem dos custos, monumentais, e das incertezas.

A começar pelo que, hoje, seria inescapável: isolamento no planeta.

Sabem, ou deveriam saber, que se milícias cariocas têm direção política e donos conhecidos, dezena de facções do crime controla territórios de cidades, Brasil afora.

Eles negociariam com o crime ou fariam sanguinário enfrentamento militar com facções, comandos etc?

Nunca fizeram por não ser a função e por saber dos enormes e variados custos.

Não essa casta que tomou o poder, mas militares encarregados de pensar o Brasil para o médio e longo prazo não percebem os riscos?

33 milhões com fome, miséria, desigualdade brutal, país cada dia mais rachado.

Num mundo com temperaturas em alta. Inclusive a geopolítica.

O mundo não dá passos atrás quando os tempos são de ebulição e desarranjo generalizados.

Não será agora, com Estados Unidos e OTAN e China e Rússia disputando o poder imperial futuro.

Nas disputas geopolíticas, a temperatura tende a aumentar.

Militares que têm o dever de pensar o amanhã do Brasil não estão pensando?

Numa situação de acirramento, quanto custaria para forças externas se conectarem às forças, formais ou não, internas?

Facções, comandos ou o que fosse.

Quantas vezes já não assistimos a isso aqui mesmo nas Américas?

Nas guerras de libertação na África, na Ásia?

Até onde a fome de Poder, a falta de noção dessa gente?

O Exército fez um pedido ao governo do Distrito Federal.

Pedido assinado pelo chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Planalto, coronel Fabiano Cunha.

Pedido para organizar o trânsito e a higiene em frente ao Quartel-General do Exército, já que “não há previsão de término”.

Ah, pediram também que não permitam a entrada de um “trio elétrico”.

Se escondem na desculpa do "respeito às manifestações democráticas".

Mas pedir intervenção militar acintosamente é crime.

Alegações de fraude, ataques ao TSE e ao STF são parte da farsa.

Que não provoquem tragédias.

Por ora seguem o delírio, o transe dos extremistas de direita derrotados.

Neofascistas, neonazistas. E de tantos que fizeram opção pela extrema-direita.

Informados, ou desinformados por charlatães, por picaretas, pelo universo zap.

Fanatizados por generais que fazem política e por vendedores, mercadores da fé.

E por redes e manchetes reféns da pauta dos derrotados.

Bolsonaro sempre teve um extraordinário talento.

O de ser um ímã para ressentidos, recalcados, frustrados, desajustados na vida.

E isso, de toda e qualquer classe social.

Atiçados, nascem os espetáculos grotescos, por vezes hilários, que estamos vendo país afora.

Exemplos, esse muro das lamentações e demais.

Vejam o tipo a seguir: autodenominado Comandante Medeiros.

Da, diz ele, “academia pré-militar-sócio-ambiental-do-Espírito-Santo”.

O tipo convoca para greve e “guerra civil”.

Ao que parece, esse balaio de contradições em termos seria um curso para ingresso na carreira militar.

Por ora, o célebre guarda da esquina sentindo-se empoderado. Por quem?

Por tipos como o general Heleno, o Pequeno.

Chefe do gabinete de segurança institucional da presidência, Chefe da espionagem.

Lula e Janja haviam passado uns dias no sul da Bahia.

Saindo do Alvorada, Heleno, o general pequeno, diz, desmentindo boato em que milhões embarcaram...

“Infelizmente” Lula não estava internado e doente.

“Cachaceiro”, disse o general, referindo-se ao presidente eleito.

Sim, o mesmo general que atacava o Centrão e depois o engoliu inteiro, lambendo, com gosto.

Mesmo general que, de 1º de agosto de 2011 a 9 de novembro de 2017, foi “diretor de comunicação e educação corporativa" no Comitê Olímpico Brasileiro.

Sim, o COB de grossa ladroagem, corrupção.

Corrupção que Heleno, o Pequeno, não via e não viu.

Enquanto faturava R$ 58 mil de salário por mês. Isso sem contar o acumulado do seu salário de general.

Heleno ganhou ali, em 6 anos no COB, R$ 4 milhões e 217 mil.

E, por conta de uma portaria de Bolsonaro permitindo acúmulo de aposentadorias acima do Teto Constitucional, o dos ministros do Supremo, de R$ 39 mil, Heleno, o pequeno, recebeu outros R$ 866 mil. R$ 342 mil acima do teto constitucional.

Também por isso essa gente, derrotada, esperneia e nas ruas move delírios, otárias, otários e desinformados.

Nos últimos dias, não só o patriota lutador Vitor Belfort.

Dezenas de milhares espalharam mensagem de um general de Twitter que anunciava o golpe, pregava o golpe militar.

O general Benjamin Arrola. O repto patriótico se espalhou pelas redes sociais.

Até que alguém decidiu ler em voz alta e sem pausas nome e sobrenome do súbito general:

Benjamin Arrola. Mas isso não é tudo. Não foi tudo.

O imaginado general teria brotado no blog de também imaginada jornalista...

Elma Maria Pinto. Por favor repitam, sem pausas, o nome e o sobrenome. Elma Maria Pinto.

Durma-se com um fascismo desse.