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segunda-feira, 5 de junho de 2023

"Silêncio da grande mídia (pró-Moro) sobre Tony Garcia é derrota de todo o Brasil", lamenta Hildegard Angel

 

Jornalista aponta que omissão sobre entrevista-bomba de empresário à TV 247 mostra capacidade dos veículos de comunicação hegemônicos de "enganar e manipular" a narrativa política

Hildegard Angel, Tony Garcia e Sergio Moro

Hildegard Angel, Tony Garcia e Sergio Moro (Foto: Reprodução)

247 - A jornalista Hildegard Angel criticou o silêncio da grande mídia brasileira acerca das revelações feitas na entrevista-bomba do empresário Tony Garcia à TV 247 na sexta-feira (2). No entendimento de Hilde, a omissão dos jornalões foi "uma derrota de todos os brasileiros" e mais uma demonstração da capacidade dos veículos de comunicação hegemônicos de "enganar e manipular" a narrativa política para a população.

"A entrevista do Tony Garcia significou uma vitória e uma derrota. A vitória foi da mídia progressista, pois foi a ela que o Garcia recorreu quando procurou o 247 para dar esse depoimento impressionante. Nisso, o Tony Garcia, para salvaguardar a própria pele, acabou salvaguardando a própria história do Brasil. E ele procurou a mídia progressista porque se viu em risco de vida, completamente indefeso, sem poder sequer contar com o Judiciário - então quem dirá contar com o apoio da grande mídia", declarou Hilde ao Bom Dia 247 deste domingo (4).

>>> Tony Garcia revela que foi instruído por Moro a forjar prova contra José Dirceu em entrevista a Veja

"E aí está a derrota", ponderou a jornalista. "Ela é de todos nós, brasileiros, que mais uma vez testemunhamos a omissão dessa grande mídia, a obstinação dela em não praticar um jornalismo isento, real e imparcial, prejudicando a nossa nação. Ela silenciou. Eu achei que os jornais de ontem não puderam dar porque já estivessem fechados, a entrevista foi até de madrugada, mas os de hoje também não? Nenhuma menção, nada, zero, como se nada tivesse acontecido? O silêncio fala muito sobre eles".

Hilde destacou o papel histórico que a mídia hegemônica desempenhou nos golpes contra a democracia brasileira e ressaltou que, por já ter trabalhado em grandes veículos, conhece a capacidade deles em distorcer a narrativa: "a nação brasileira está com a grande mídia atravessada na garganta, porque ela sempre está pronta para prestigiar os golpes de Estado. Em 64 foi assim, 2016 foi assim, e ela morde e assopra para aparentar uma isenção que ela não tem, porque capacidade e qualidade ela tem, bons quadros ela tem, grandes nomes ela tem. Nós aqui, praticamente todos, somos egressos dessa grande mídia e sabemos de sua capacidade de informar e enganar, de manipular, de manifestar, de mistificar". Assista ao Bom Dia 247 abaixo:

terça-feira, 11 de abril de 2023

Hildegard Angel aponta “lobby da bala e dos bolsonaristas" no caso das ameaças terroristas às escolas

 

Jornalista sugere que a extrema direita tem se aproveitado da violência contra escolas para impor a militarização dos ambientes e fortalecer a prática do ensino em casa

www.brasil247.com - Hildegard Angel | Carro da Polícia Científica deixa creche que sofreu atentado em Blumenau, Santa Catarina

Hildegard Angel | Carro da Polícia Científica deixa creche que sofreu atentado em Blumenau, Santa Catarina (Foto: Ederson Casartelli | REUTERS/Denner Ovidio)

247A jornalista Hildegard Angel usou as redes sociais para afirmar que a extrema direita brasileira está aproveitando os recentes ataques à escolas em São Paulo e Santa Catarina, e mais recentemente no Amazonas, para impor a pauta da militarização das unidades de ensino e acelerar a implantação do ensino em casa, o chamado homeschooling, pautas defendidas por Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores desde a campanha eleitoral de 2018.

“A extrema direita está impondo a pauta da militarização das escolas e ao mesmo tempo passando a mensagem do ensino em casa… As ameaças de alunos contra outros estudantes se multiplicam. Os pais se apavoram. Clima de tensão no ar. Lobby da bala e dos bostanaristas em ação”, postou Hildegard no Twitter.

O Brasil registrou três atentados em escoas ao lomngo deste ano. O mais recente ocorreu na segunda-feira (10), no colégio particular Adventista, da zona Sul de Manaus (AM) e deixou ao menos três pessoas feridas. Uma creche de Blumenau (SC) e uma escola estadual de São Paulo também foram alvos de atentados no último mês, ambos deixando vítimas fatais.

Preocupado com o aumento da tendência, o Ministério da Justiça montou, na quinta-feira (6) uma força-tarefa para realizar ações preventivas e repressivas contra ataques nas escolas de todo o país.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Nós, familiares de vítimas da criminosa ditadura militar, louvamos o trabalho de Eugênia Gonzaga, por Hildegard Angel

 



Nós, familiares de vítimas da ditadura, louvamos o trabalho de Eugênia Gonzaga, por Hildegard Angel

Zuzu Angel e Stuart Angel 

Comentário ao post “Na posse de Silvio Almeida, a grande esquecida, por Luis Nassif

Redação do Jornal GGN

Nassif, eu represento uma família em que, graças ao empenho de Eugênia, teve duas certidões de óbito de familiares corrigidas e rescritas, repondo a trágica verdade histórica do massacre operado pelo estado brasileiro contra cidadãos indefesos.

Meu irmão, Stuart Edgar Angel Jones, torturado até morrer por sufocamento, com os pulmões queimados pela fumaça de óleo diesel aspirada, enquanto ele era arrastado pelo pátio da Base Aérea do Galeão, amarrado ao cano de descarga do Jeep.

Minha mãe, Zuleika Angel Jones – Zuzu Angel, emboscada numa madrugada de 14 de abril de 1976, por agentes do estado, que forjaram um “acidente” fatal, atirando-a para fora da estrada, num viaduto da Barra, à saída do túnel que hoje leva seu nome. Ela, sozinha, destemida, conduzindo seu Karman Ghia, mesmo sofrendo sucessivas ameaças daquela gente “do mal”.

Esse empenho de Eugênia em relação a memórias que tanto interesse despertavam na mídia certamente também contribuiu para a perseguição empreendida contra ela.

Assim como Eugênia, fico confortada por saber novamente empunhadas essa bandeira de luta, e por pessoa comprometida com ela como Nilmario Miranda. Assim como você, Nassif, sei que Eugênia tem ainda muito a contribuir para a causa dos mortos e desaparecidos, e que nós, familiares, precisamos dela em apoio a nossa infindável busca.

O desprezível ex-Presidente dizia que “quem gosta de procurar osso é cachorro”.

Nós, familiares, eternos perdigueiros da verdade, louvamos a sorte por ter tido Eugênia como condutora nessa busca, e esperamos continuar a tê-la.

Hildegard Angel é jornalista.


domingo, 20 de novembro de 2022

Lição de história e moral de Hildegard Angel a Carlos Sardenberg e à Gobo, ao vivo, por apoiaresm sempre as elites e o golpismo contra o povo brasileiro

 

Do Brasil 247:


Hildegard Angel é jornalista. Trabalhou também como atriz no teatro, cinema e televisão nas décadas de 1960 e 70. Ficou conhecida nacionalmente também como colunista social e de televisão nos jornais O Globo (décadas de 80 e 90) e Jornal do Brasil (2003 a 2010). Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável do Brasil 247. Florestan Fernandes Júnior é jornalista, passou pelas principais redações e emissoras do Brasil, como Folha de S. Paulo, TV Globo, TV Cultura, TV Manchete


quinta-feira, 14 de abril de 2022

O Reino do Faz de Conta do Partido Militar. Artigo de Hildegard Angel

 

   "Para Marcelo Pimentel (coronel da reserva) quem governa o Brasil é o Partido Militar, usando Bolsonaro apenas como um fantoche, que o coronel também chama de “mamulengo dos militares”. O projeto de poder então não seria de Bolsonaro, “mas dos generais que o inventaram candidato, o fizeram presidente e o usam como Cavalo de Tróia para ocupar cabeça, entranhas, a alma da máquina do Estado. E pergunta se com dezenas de generais na Petrobras a imprensa ainda não enxergou isso", escreve Hildegard Angel

www.brasil247.com - viagra-militares-Exército

viagra-militares-Exército (Foto: ABr)

Por Hildegard Angel, para o Jornalistas pela Democracia 

A mídia brasileira a pretexto de fazer oposição a Bolsonaro, e não ao Governo, adota práticas diversionistas – e isso desde o princípio do mandato, quando foram gastas laudas e laudas, horas e horas de noticiário para criticar a pretensão do filho 03 de ser nosso embaixador em Washington. Enquanto isso, as pedras rolavam por debaixo de panos jogados sobre os fatos pela própria mídia.

No primeiro mês, do primeiro ano deste Governo, o presidente em exercício, general Mourão, e o chefe de gabinete civil, Onyx Lorenzoni, decretaram o fim da transparência no Brasil, com a nova Lei do Sigilo, que antes podia ser determinado apenas pelo presidente, o vice, os ministros e comandantes militares, e conferiram a mesma autoridade de determinar o que é sigiloso, secreto, ultrassecreto aos servidores públicos, chefes de autarquias, diretores de empresas de capital misto. A notícia passou batido, já que o interesse era discutir se Dudu Bolsonaro fritava hambúrguer na grelha ou na chapa.

Agora, as atenções estão voltadas para a disfunção herética dos militares, a aquisição dos viagras, das próteses penianas, dos remédios para calvície e da não mais de meia dúzia de frascos de botox, enquanto sob nossos narizes passam regimentos de militares inativos se lançando candidatos a deputados e divulgando fotos vestindo farda, usando a designação hierárquica como deputado federal ou como candidato, contrariando o Estatuto dos Militares, Artigo 28 da Lei 6.880, de 9 de dezembro de 1980.

O deputado General Peternelli saudou o Dia do Serviço da Intendência, em 12 de abril, louvando o marechal Bitencourt, então Ministro da Guerra, e que, após sucessivas derrotas em CANUDOS, percebeu que o mau desempenho das tropas resultava da logística e da cadeia de suprimentos, às quais ele sistematizou e organizou o fluxo, vencendo (escrito em caixa alta) a guerra. Será que o general Peternelli quer mesmo discutir Canudos com os historiadores?

Essas lebres têm sido muito apropriadamente levantadas pelo coronel de reserva Marcelo Pimentel em seu Twitter, que já alcança quase 17 mil seguidores, em cuja apresentação do perfil está a frase do General Peri Bevilacqua: “Quando a política entra no quartel por uma porta, a disciplina e a sensatez saem pela outra”.

Para Marcelo Pimentel quem governa o Brasil é o Partido Militar, usando Bolsonaro apenas como um fantoche, que o coronel também chama de “mamulengo dos militares”. O projeto de poder então não seria de Bolsonaro, “mas dos generais que o inventaram candidato, o fizeram presidente e o usam como Cavalo de Tróia para ocupar cabeça, entranhas, a alma da máquina do Estado. E pergunta se com dezenas de generais na Petrobras a imprensa ainda não enxergou isso.”

Se alguém ainda tem dúvidas sobre se há militar patriota no Brasil, precisa acessar o Twitter de Pimentel, @marcelopjs .

Uma leitura de poucos minutos de seus tuítes é altamente esclarecedora, informativa, e faz o que os analistas, os intelectuais, o que nós, os jornalistas brasileiros, não fazemos. Inclusive nós, da mídia progressista, que muitas vezes nos deixamos capturar pela pauta maliciosa da grande mídia.

Voltando às próteses penianas, Marcelo ironiza a imprensa por chamar esses gastos de “roubo”, já que o FUNSEX é o SUS dos militares, e como este também adquire medicamentos, e com desconto em folha dos militares.

A imprensa distrai o brasileiro com firulas, enquanto generais e coronéis assinam ordens do dia laudatórias ao Golpe de 64 e à ditadura, “e ocupam cabeça, entranhas e alma da máquina governamental, usando o capitão como fantoche, enquanto recebem salários fura-teto”, ele posta.

Assim como compara a “novela da visita de pastores a Bolsonaro”, com sigilo imposto pelo GSI do general Heleno, ao mesmo tipo de armação que ele atribui à reunião secreta - e filmada!!! - de abril de 2020, que envolveu a encenação da saída de Moro do governo.

Outro alerta do coronel da reserva é quanto ao uso repetido pela mídia da expressão “bolsonarismo” para descrever fenômenos que já têm conceitos adequados muito mais claros, como são reacionarismo, fisiologismo, autoritarismo, machismo, que só ajuda a fortalecer o nome eleitoral do “espantalho”.

Estamos, sim, sob o governo, o comando e o poder do Partido Militar. A pior mídia é a que não quer ver e se atribui uma influência e um poder sobre os rumos da Nação que verdadeiramente não possui.

O jornalismo de hoje não é mais conteúdo, investigação, informação. É entretenimento. É uma “harmonização facial” da realidade brasileira, um enfeite, uma distração, assim como seus apresentadores e suas apresentadoras harmonizam as faces e desenham as sobrancelhas para serem suficientemente atrativos para o público.   

Vamos lembrar Roberto Marinho, no Golpe de 64, para o qual seu jornal tanto atuou e se empenhou. A divulgação em 2015 do telegrama, datado de sábado, 14 de agosto de 1965, 12:30 a.m., enviado pela Embaixada Americana no Rio de Janeiro ao seu Departamento de Estado em Washington foi altamente reveladora, apesar de “baixamente” repercutida.

Eis sua tradução: 1. “Este relata a conversa no almoço altamente confidencial de sexta-feira (na véspera) com Roberto Marinho, editor de O Globo, abordando o problema da sucessão presidencial. A proteção da fonte é essencial.

2.  “Há alguns meses, Marinho se convenceu que a manutenção de Castello Branco como presidente por um período mais longo é indispensável para a continuidade das atuais políticas do governo e para evitar uma desastrosa crise política aqui. Ele tem trabalhado discretamente com um grupo que inclui o General Ernesto Geisel, chefe militar do gabinete da Presidência, o general Golbery, chefe do Serviço Nacional de Informação, Luís Vianna, chefe do Gabinete Civil, o deputado Paulo Sarasate [UDN, cearense], um dos amigos mais íntimos do presidente, e outros com esse fim em vista.

3.  “No início de julho, a pedido do grupo, Marinho conversou em almoço privado com o presidente, no qual encontrou Castello fortemente resistente a qualquer forma de continuação de mandato ou reeleição, mas disposto a prometer não fazer declarações ainda mais firmes, como ameaça de renúncia em caso de reeleição, como já havia feito.

4.  “Marinho também obteve autoridade para sondar o embaixador Juracy Magalhães em Washington sobre a disposição de Juracy em retornar ao cargo de Ministro da Justiça, o que ele indicou que faria após as eleições de outubro [eleições estaduais em 3 de outubro de 1965].

5.  “O objetivo deste movimento é duplo: ter Juracy à mão, como possível candidato alternativo, e melhorar o funcionamento deste ministério politicamente importante, cujo atual chefe Milton Campos é um velho senhor altamente respeitável, mas totalmente ultrapassado.

6.  Em 31 de julho, Marinho teve segunda conversa íntima com o presidente em que colocou pressão no ponto que as eleições presidenciais diretas em 1966 sem o próprio Castello como candidato concorreriam [“para aumentar a crise”, imaginamos que seja, já que o telegrama foi divulgado incompleto].

Não sem razão, historiadores chamam o Golpe de 64 de “empresarial-militar”. Marinho desejava um Ministro da Justiça para chamar de seu. Juracy Magalhães foi Ministro da Justiça de 19 de outubro de 1965 a 14 de janeiro de 1966.

Juracy não foi o único. Armando Falcão, Ministro da Justiça de Geisel, de 15 de março de 1974 a 15 de março de 1979, trafegava pelos corredores do Globo como funcionário da casa, “assessor de dr. Roberto”.

Foi de Falcão a providência da elaboração do projeto de lei para a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, que passou a vigorar em 15 de março de 1975. Mudança contra a qual Roberto Marinho anos mais tarde se insurgiu, pelo bom senso e talvez por ter se dado conta do prejuízo que a fusão causou às suas organizações, sediadas no Rio de Janeiro, e ao seu patrimônio pessoal, quase todo no Rio de Janeiro.

Falcão era leal apenas a si mesmo. Conseguiu o malabarismo de ser ministro de JK, de Jânio Quadros, apoiar o golpe contra Jango, passar-se para a Arena e virar golpista de carteirinha, e deixou seu legado: quando houve a separação litigiosa de Roberto Marinho de sua segunda esposa, Ruth (foi uma mulher, a sra. Ruth, a primeira pessoa depois de Brizola a enfrentar Marinho), os advogados dela contra ele foram o filho de Armando Falcão e seu escritório.

Roberto Marinho dava as cartas. E deu por um bom tempo, enquanto os generais não haviam ainda tomado gosto, loteado o poder, distribuindo entre si as partes do latifúndio governamental.

Depois da vez de Castello foi a vez de Costa e Silva, depois chegou a vez de Médici, a vez de Geisel, a vez de Figueired - última vez, para desgosto de quem perdeu a vez.

Quando os militares se enraizaram no poder, com seus porões, os subterrâneos de chumbo, seu AI-5, o domínio de todos os campos, Marinho não mais determinava os destinos da Nação, ele se dobrava às imposições da censura ao seu jornalismo, às proibições de suas novelas globais.  

Agora é a vez do Partido Militar.

Como se darão as eleições de outubro sob a vigilância dos militares? Eis a questão.

Desde 2019, o Brasil está marchando para os quarteis com a cabeça de papel, pois sua imprensa parece não ter miolos. Eles fingem que não mentem, nós fingimos que acreditamos.

O Reino do Faz de Conta de Monteiro Lobato era o Sítio do Picapau Amarelo. E tudo era fantasia, encantamento, surpresas felizes. Era uma imaginação construtiva, que fazia o pensamento voar com plena liberdade, passear pelo imaginário brasileiro, as lendas das florestas, os mitos, a Cuca, o Saci Pererê.

O Reino do Faz de Conta do fantoche do Partido Militar é só tapeação, maldade e violência. É ódio, é mentira, ofensa e perversão. É o Reino que despreza e estupra as mulheres, pratica a pedofilia impunemente, impede criança violentada de abortar, quebra braço de idoso que buzina, elogia torturador, promove coronel torturador a marechal, posta fotos de tortura, em que mito e minto é a mesma coisa, nada é real, tudo é mentira, depreda, devasta, queima, arde, proíbe, censura, é o inferno, o inominável, o inenarrável.  

Precisamos estar unidos, atentos e fortes para tirá-los do poder através do voto, missão que pode parecer impossível, e assim é se lhes parece.

A Democracia merece nosso empenho, nossa exposição, com todas as fragilidades que efetivamente temos.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Vergonha de Bozo e de Ernesto Araújo (do lema fascista integralista "Anauê Jaci" e do pai que, na Ditadura Militar, não deixou que o nazista Gustav Franz Wagner fosse extraditado de volta à para julgamento por genocídio): Presidente e Chanceler do Brasil recebem descompostura inédita do Senado americano. Artigo de Hildegard Angel

 

"O pito começa enfatizando a demora do presidente brasileiro para reconhecer a eleição do presidente Biden, “parabenizando-o tardiamente”, e conclui com uma reprimenda pelas “observações de alegação falsa de fraude nas eleições presidenciais dos EUA de 2020", escreve Hildegard Angel


Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo

Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Por Hildegard Angel, do Jornalistas pela Democracia

É inédita nos anais de nossa República a descompostura que o atual Presidente, Jair Bolsonaro, acaba de receber do Senado dos Estados Unidos, por escrito, em papel timbrado, assinada pelo senador presidente do Comitê de Relações Exteriores de Washington, DC, datada do último 12 de fevereiro, remetida ao “Excelentíssimo Senhor Jair Boisonaro, Presidente da República Federativa do Brasil, Palácio do Planalto, Praça dos 3 Poderes, Brasília, DF”.

O pito começa enfatizando a demora do presidente brasileiro para reconhecer a eleição do presidente Biden, “parabenizando-o tardiamente”, e conclui com uma reprimenda pelas “observações de alegação falsa de fraude nas eleições presidenciais dos EUA de 2020.”“Tendo tomado conhecimento de sua recente carta ao presidente Biden, parabenizando-o tardiamente por sua histórica eleição e expressando interesse em uma estreita parceria com os Estados Unidos, estou escrevendo para expressar minha preocupação contínua com suas observações de alegação falsa de fraude nas eleições presidenciais dos EUA de 2020.”Prossegue o desacato, em protocolar linguagem diplomática, mas sem floreios, lembrando que não só Bolsonaro, como também membros de seu governo, inclusive o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, participaram dessa pantomima de apoio “às teorias vazias de conspiração e aos terroristas que atacaram o Capitólio’:

“Essas declarações suas e de membros de seu governo, além das observações feitas pelo ministro das Relações Exteriores Ernesto Araujo, parecem demonstrar um padrão de apoio de seu governo às teorias da conspiração vazias e aos terroristas domésticos que atacaram o Capitólio dos Estados Unidos e a democracia americana em janeiro 6, 2021.”

Que vergonha! Quanta desmoralização!  Prossegue o puxão de orelhas, lembrando o “infeliz retrocesso” na parceria dos dois países, numa hora em que o Brasil deveria estar empenhado “em aprofundar as relações, fortalecer a democracia global e melhorar a estabilidade política e econômica em nosso hemisfério e em todo o mundo.”“As observações podem representar um infeliz retrocesso na parceria Brasil-Estados Unidos, em um momento em que nossas nações devem se comprometer novamente com os objetivos comuns de aprofundar as relações, fortalecer a democracia global e melhorar a estabilidade política e econômica em nosso hemisfério e em todo o mundo.”

Em seguida, o Senado dos EUA ensina a Bolsonaro o que todo mundo acompanhou pela mídia e já sabia menos o Governo do Brasil:

“Não há nenhuma evidência de fraude generalizada nas eleições dos EUA de 2020. Além dos resultados do Colégio Eleitoral, que foram certificados pelo Congresso dos EUA, mais de sessenta ações judiciais questionando a eleição presidencial foram rejeitadas por vários tribunais nos Estados Unidos.”

Para deixar ainda mais claro seu ponto, a carta explica o episódio, bem ex-pli-ca-di-nho, na esperança de que Jair e Ernesto enfim entendam:

“Não há nenhuma evidência de fraude generalizada nas eleições dos EUA de 2020. Além dos resultados do Colégio Eleitoral, que foram certificados pelo Congresso dos EUA, mais de sessenta ações judiciais questionando a eleição presidencial foram rejeitadas por vários tribunais nos Estados Unidos. É importante ressaltar que essas rejeições partiram de juízes nomeados pelos democratas e pelos republicanos - incluindo juízes federais nomeados pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump. Por fim, em 11 de janeiro de 2021, a Suprema Corte dos Estados Unidos se recusou formalmente a acelerar o processo judicial relacionado a contestações eleitorais movidas pelo ex-presidente e seus aliados.”

 O parágrafo seguinte é dedicado ao chanceler Ernesto Araújo, o “Sr. Araújo”,  ilustrando “o quão distanciado ele está da realidade atual dos Estados Unidos”. Se mesmo assim não ficar entendido, resta ao embaixador brasileiro uma reciclagem nos bancos escolares do Instituto Rio Branco:

“Os trágicos eventos de 6 de janeiro foram um ataque direto ao nosso prédio do Capitólio, ao Congresso dos EUA e ao nosso processo constitucional. Esses eventos foram atos de terrorismo doméstico que resultaram em mortes, e não foram, como afirmou o Ministro Araujo, atos de bons cidadãos. ”O fato de o Sr. Araujo ter defendido tais atos de terrorismo doméstico mostra o quão distanciado ele está da realidade atual nos Estados Unidos.”

Segue-se uma página da cartilha básica da diplomacia. E olha que os brasileiros sempre foram incluídos no primeiro time mundial da carrière. 

“Esses comentários não são ações de um aliado e podem prejudicar a parceria entre os Estados Unidos e o Brasil. Tanto os republicanos quanto os democratas condenaram amplamente a violência exibida em nosso Capitólio, o que ressalta ainda que o ministro Araujo está essencialmente priorizando o relacionamento do seu governo com uma facção estreita e radical do espectro político dos EUA. Este é um erro estratégico significativo que pode ter ramificações para o nosso relacionamento diplomático no futuro.”

Vou repetir: “Este é um erro estratégico significativo que pode ter ramificações para o nosso relacionamento diplomático no futuro.”

Por fim o, digamos, dá ou desce: “Exorto você a...”.

“Exorto você a apoiar os Estados Unidos e a comunidade internacional em geral na condenação do incitamento à violência e os ataques contra a democracia dos EUA. Qualquer coisa que não seja uma rejeição categórica dos ataques de 6 de janeiro não serve apenas para sustentar a narrativa dos extremistas, mas também em detrimento de nosso relacionamento bilateral.”

Segue-se, “Sincerely”, a assinatura do chairman do Comitê de Relações Exteriores do Senado norte-americano, senador Robert Menendez.

A que ponto chegamos, ao ter nosso Presidente da República como destinatário de semelhante descompostura. Nem falar do que se senta na cadeira de Rio Branco...

O conhecimento liberta. Saiba mais.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Hildegard Angel: O episódio Greenwald-Biden-The Intercept, ou de quando o jornalismo se assume partidário

 

"O Intercept não é imparcial, Glenn também não é. No atual quadro, ninguém parece ser. Ao rasgar a fantasia de imparcialidade partidária, assumindo um lado, os órgãos da mídia, ao mesmo tempo em que se tornam mais transparentes, decretam o fim do jornalismo ideal", escreve Hildegard Angel, do Jornalistas pela Democracia

(Foto: Mídia NINJA)


Por Hildegard Angel, do Jornalistas pela Democracia

Não podemos ignorar que Glenn Greenwald já tinha Joe Biden atravessado na garganta desde sua perseguição a Edward Snowden. Não é de surpreender que o jornalista, nesse momento crucial para Biden, tenha aproveitado a oportunidade para lhe dar “o troco”. Esse é o aspecto das fraquezas humanas, que envolve o episódio Greenwald-Biden-The Intercept. O que não invalida o aspecto ético profissional da atitude de Glenn, ao romper com The Intercept ante a quebra da cláusula de um contrato, que lhe garantia total liberdade para seus textos e colocações. Não se trata de uma questão de “edição”, mas de “censura”, sejamos sinceros sobre isso.

E não é de estranhar que os trumpistas se aproveitem do calcanhar de Aquiles do oponente - e que calcanhar! – com a Fox News abrindo estúdio, câmeras e microfones para Greenwald expor a Tucker Carlson as suas razões. A Fox está jogando seu jogo aberto de sempre. O peão estranho nesse tabuleiro é Glenn, que não viu problema em ir falar no “campo inimigo”. Assim como a imprensa de esquerda, tradicionalmente combativa, muda de postura e recolhe as garras, como um cão domesticado e sem faro, passando ao largo dos e-mails nos três laptops de Hunter Biden deixados . para conserto numa oficina em Delaware.

Nessa reta final de campanha, qualquer descuido pode significar catástrofe tão grande quanto foi o vazamento dos “e-mails hackeados”, que pode ter custado a Hillary Clinton sua eleição em 2016. O que também expôs a conspiração contra Bernie Sanders pelo Democratic National Committee – DNC, desfazendo ilusões (se havia) de que nessa contenda existam éticos e bonzinhos.

Sim, os vazamentos dos e-mails de Hillary eram de interesse público e deveriam ter sido publicados de qualquer maneira. A política é uma disputa permanente entre a corrupção e a transparência. Ganha a democracia, quando a transparência é vencedora. A imprensa está agora confrontada com o mesmo impasse. Por mais que possa prejudicar Biden, o artigo de Glenn Greenwald também é de interesse público, e esse fato precisa ser esclarecido. Deixar a tampa sobre o lixo nem sempre evita o mau cheiro.

O The Intercept sabe disso, e não costuma se acanhar diante de fatos controversos. Seu acanhamento é que é o fato novo.

A liberdade jornalística está posta em questão, quando um site como o The Intercept, considerado um baluarte da liberdade de opinião, trai as próprias convicções ou - vamos ser mais realistas - trai a imagem da própria marca.

O Intercept não é imparcial, Glenn também não é. No atual quadro, ninguém parece ser. Ao rasgar a fantasia de imparcialidade partidária, assumindo um lado, os órgãos da mídia, ao mesmo tempo em que se tornam mais transparentes, decretam o fim do jornalismo ideal, sem preconceitos, no qual, mesmo se dele houvesse apenas o verniz, muitos ainda acreditavam.

 Inscreva-se na TV 247, seja membro e confira entrevista concedida por Glenn Greenwald neste sábado (31):

O conhecimento liberta. Saiba mais

domingo, 8 de março de 2020

Hildegard Angel: Quando olho hoje à minha volta, vejo as múmias do passado, caminhando assustadoramente…



"Não encontro mais em mim a possibilidade do silêncio, não encontro a coragem de ter medo", escreve a jornalista Hildegard Angel, neste Dia Internacional da Mulher, relembrando a ditadura militar




Por Hildegard Angel, para o Jornalistas pela Democracia - Para alguns, são fatos anacrônicos, que não valem ser lembrados. Para mim, foram ontem, hoje pela manhã, e eu os sinto e lembro com tal intensidade que me parece impossível permitir que seja apagado aquele bafo de terror que sufocou nossas vidas, quando só a impetuosidade criativa dos artistas nos possibilitava respirar, sorrir, esperançar e acreditar que a nuvem de chumbo passaria.
E ela passou… deixando em seu rastro cicatrizes, tragédias, lembranças doloridas e nos legando exemplos de heroísmo, coragem, rebeldia.
Quando olho hoje à minha volta, vejo as múmias do passado, caminhando assustadoramente, com passos de ganso, em nossa direção, e não encontro mais em mim a possibilidade do silêncio, não encontro a coragem de ter medo.
Neste Dia das Mulheres, vamos lembrar outra vez a fibra de Zuzu Angel, tudo de belo que realizou, tudo de muito que lutou.
Eis aqui o vídeo produzido pela Casa Zuzu Angel, com o talento de Rubens Ramos, a colaboração de Simone Costa e a contribuição de nossa História aos que nos honram com sua atenção.



domingo, 2 de setembro de 2018

O Brasil que eu não quero. Por Hildegard Angel



   "Hoje, em véspera de eleição, momento crucial em que a preocupação geral é a segurança, os telejornais a enfatizam, como agentes provocadores de intimidação dos brasileiros. Apavorados, os cidadãos só enxergam seu pânico, alheios a qualquer perspectiva positiva. E ações extremas passam a ser única opção. Uma sociedade manipulada, não só pelos fatos, mas sobretudo pelo noticiário, que potencializa os temores de cada um. Nenhuma brecha para fatos construtivos. É esse o projeto político da grande mídia? Incendiar o país? Plantar a discórdia? A insegurança generalizada?"



Publicado originalmente no Jornal do Brasil
POR HILDEGARD ANGEL
No início dos anos 60, a campanha urdida pelos udenistas, liderados por Carlos Lacerda, assombrava o país com o medo do “comunismo” e denúncias de desvios e corrupção. João Goulart seria um corrupto insaciável e Juscelino Kubitscheck, que morreu pobre, teria ficado milionário com a construção de Brasília, beneficiando seus amigos. Com ressonância na mídia, essa campanha martelava ininterruptamente na cabeça dos brasileiros. Eu, menina, com 11, 12 anos, lembro-me do medo que se tinha do tal “comunismo”. Os comunistas viriam para interromper nossos sonhos individuais de prosperidade e casa própria. Eles entrariam em nossas casas, nos destituiriam de nossos bens, e os pobres “ficariam com tudo nosso”. Era assim que os golpistas de então botavam terror no povo brasileiro. Eleito, o udenista Jânio Quadros – um descompensado que deu provas disso desde o período eleitoral – quis dar o golpe, não conseguiu, renunciou, jogando o Brasil em 20 anos de ditadura militar. E a UDN? E Lacerda? Foram jogados pra escanteio, tiveram que se comportar como sabujos lambe-botas para sobreviver.
Lacerda foi cassado. Os políticos, alijados dos cargos e da vida pública. Assim acontece quando há uma ruptura constitucional, quando as leis passam a, em vez de serem cumpridas, obedecer a “interpretações” subjetivas, a serviço de conveniências outras. Perde-se o controle, e quem se impõe não são os agentes da desestabilização. Estes, golpeiam, mas não levam. No Brasil, prevaleceram os que melhor interpretaram o medo coletivo do “comunismo”, oferecendo como alternativa a repressão violenta. Os militares.
E não havia, naqueles anos, uma empresa no Brasil, um negócio, uma portinha, que não precisasse ter em seus quadros um militar para poder se manter aberta. Caso contrário, eram só dificuldades. Fiscais multavam indevidamente, burocratas emperrava os processos. E se o empresário em questão tivesse algum tipo de ligação com governos anteriores, de Getúlio, Goulart e JK, estava fadado à perseguição e à falência.
A comunidade rejeitava qualquer pessoa ligada, mesmo que remotamente, a partidos políticos demonizados, como o PTB e o PSD. Muitas delas foram presas e perseguidas. Os partidários do PCB – Partido Comunista Brasileiro – foram presos e eliminados. Como Alberto Aleixo, irmão de Pedro Aleixo, vice-presidente de Artur da Costa e Silva. Alberto era um idealista, editava o jornal de esquerda Voz Operária. Em 1975, foi preso e morreu em consequência das torturas. Pedro soube de sua prisão, mas, mesmo com tantas credenciais, nada pode fazer pelo irmão.
No país, estabeleceu-se o terror. Hoje, os revelados documentos de Estado norte-americanos da época acusam o Brasil de ter praticado o “terrorismo de Estado”. A contrapropaganda era usada à exaustão e com sucesso. Então, terroristas não eram os que sumiam com as pessoas, as encarceravam, torturavam e matavam. Eram os jovens idealistas, que, quando muito, se defendiam com “coquetéis molotov” – uma garrafa e um pavio. “Subversivo” era todo aquele que pensasse diferente do poder. A qualquer denúncia anônima, agentes do Dops invadiam residências, vasculhavam tudo, e bastava encontrarem um livro de economia de Celso Furtado para a família inteira ser presa como agitadora. E as consequências, imprevisíveis. Não se sabe se sairiam vivos. Quem duvidar que duvide, mas era assim.
O terror de Estado, as violências, torturas com crueldades inimagináveis, ensinadas por especialistas importados dos EUA e até da França – estes últimos financiados por empresários de extrema direita, dos quais alguns se compraziam em assistir às sessões de tortura. Uns doentes.
Todos tinham medo de todos. A filha de um síndico da Base Aérea do Galeão relata o medo que os próprios oficiais tinham do comandante, brigadeiro Bournier, considerado um descontrolado, com sangue nos olhos e o poder nas mãos. O brigadeiro dos “voos da morte”, em que pessoas eram jogadas ao mar, e com o requinte das pernas quebradas. Caso sobrevivessem, não poderiam nadar.
Este era o Brasil. Sobreviviam os que baixassem a cabeça, não vissem, não escutassem, não comentassem, num perpétuo “jogo do contente”, que durou duas décadas. Mesmo em casa, ninguém podia conversar com franqueza, com o risco de algum empregado ou visitante escutar e denunciar. “Dedurava-se”, delatava-se, caluniava-se a três por dois, qualquer desafeto que atravessasse o caminho. O marido ciumento entregava como “subversivo” o vizinho, de quem desconfiava estar cortejando sua mulher. Sei de um caso em que o vizinho foi levado para averiguação e nunca retornou. Este era o cotidiano brasileiro.
Eram as pessoas soturnas, com seus coturnos, que oprimiam a liberdade de todos. Quem as desagradasse era “excomungado”, tornava-se um “degradado social”, mesmo se não fosse preso. Ninguém queria lhe falar, atender seu telefonema. Atravessavam a calçada. Ser covarde era um mérito.
Estudantes foram impedidos de frequentar escolas e universidades. A censura veio rigorosa e extremamente ignorante. Hoje, fazem piada dos exageros dos censores. Peças de teatro tiradas de cartaz. Novelas da TV tinham vários capítulos inteiros reescritos. Livros, como “Capitães de areia”, de Jorge Amado, e “Tarzan”, de Edgard Burroughs – aquele mesmo, o Tarzan da Chita – eram proibidos com a pecha de “comunista”. Em sua sanha perseguidora, os censores viam cabelo em ovo. As canções falavam por metáforas, para refletir o sentimento do artista e as angústias do povo.
O lema “Ame-o ou deixe-o” estava em plásticos colado às janelas dos automóveis, como um salvo-conduto para os motoristas. E tantos “deixaram”, forçados ao exílio como mecanismo de sobrevivência. Essas memórias são feridas que nunca param de sangrar.
Hoje, em véspera de eleição, momento crucial em que a preocupação geral é a segurança, os telejornais a enfatizam, como agentes provocadores de intimidação dos brasileiros. Apavorados, os cidadãos só enxergam seu pânico, alheios a qualquer perspectiva positiva. E ações extremas passam a ser única opção. Uma sociedade manipulada, não só pelos fatos, mas sobretudo pelo noticiário, que potencializa os temores de cada um. Nenhuma brecha para fatos construtivos. É esse o projeto político da grande mídia? Incendiar o país? Plantar a discórdia? A insegurança generalizada?
Esse medo coletivo fortalece a posição de candidatos sem qualquer capacidade ou preparo para exercer as funções de Presidente da República Federativa do Brasil, em que a segurança é fator importante, mas não único. E a educação? E a habitação? E o saneamento básico? E a retomada do desenvolvimento estagnado da Nação brasileira? E a engenharia brasileira, fundamental para o desenvolvimento e a multiplicação de empregos, desde a mão de obra não especializada ao engenheiro? Onde se quer chegar? Entregar a Nação a um despreparado? Ou a outro que já tenha mostrado competência? Qual o Brasil que queremos?

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Final feliz de Jorge Luz e seu Aprendiz, Eduardo Cunha, poderá ser no castelo da duquesa de Alba, por Hildegard Angel



"Jorge Luz, o maior operador da corrupção do país, permanece na ativa desde os militares. 
Conforme o noticiário, na Petrobras ele age desde 1986, em conluio com o PMDB. Contudo, perto do tamanho de seu próprio enriquecimento, parecem irrisórios os 40 milhões de dólares que ele teria distribuído em propinas ao partido nas negociatas."

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Jorge Luz, o maior operador da corrupção do país, permanece na ativa desde os militares. 
Conforme o noticiário, na Petrobras ele age desde 1986, em conluio com o PMDB. Contudo, perto do tamanho de seu próprio enriquecimento, parecem irrisórios os 40 milhões de dólares que ele teria distribuído em propinas ao partido nas negociatas.

Só mesmo o detentor de imensa fortuna poderia ter adquirido, como ele fez, um dos castelos da duquesa de Alba, em Sevilha, após a morte, em 2014, da mulher mais rica da Espanha e maior colecionadora de títulos de nobreza do mundo – e por isso não precisava se ajoelhar nem para o Papa. Naquela ocasião, Luz interessou-se em obter a cidadania espanhola, empenhando-se para isso junto um amigo português, lobista com bom trânsito na realeza de Espanha.
Como é de costume nas transações envolvendo grandes propriedades europeias, o castelo da duquesa de Alba, joia da arquitetura espanhola, foi vendido “com porteiras fechadas”, isto é, com tudo que há dentro, do mobiliário aos quadros nas paredes até às roupas nos cabides.
Vai depender do teor e do sabor das delações premiadas de Luz saber quando ele poderá voltar a desfrutar de seus luxuosos ambientes palacianos…
Em Curitiba, o decano dos lobistas, Jorge Luz, vai compartilhar muros prisionais com seu Aprendiz, aquele a quem dedica particular admiração e por quem se encantou ao conhecer e perceber nele múltiplos e especiais talentos. Foi Jorge quem, desde sempre, o instruiu e orientou nos primeiros passos, introduzindo-o no mundo do lobismo, das articulações, intermediações, pressões e maquinações. Falo de quem? Pensaram que eu fosse dizer Fernando Baiano? Não, meus amores, Baiano é só aparência, figuração. Falo de Eduardo Cunha, o verdadeiro gênio da raça.
O Palácio Dueñas, a joia da coroa entre a coleção de castelos da duquesa de Alba, em Sevilha, aquisição de Jorge Luz, um homem sofisticado, que sempre soube o que é bom, sempre manteve o perfil baixo, evitou os holofotes, as fotos, a visibilidade, e assim construiu sua fortuna. Até seu paraíso fiscal não é óbvio: Andorra.