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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Guerra na PGR começa na festa de posse de Raquel Dodge.Por Fernandon Brito




"(...)  a entrevista (de Ângelo Goulart Villela à Folha)  serve para demonstrar que houve uma inversão completa do Direito com os superpoderes do Ministério Público, quando ele informa que “hoje, prende-se para investigar. O ônus da prova é do investigado, eu que tenho que demonstrar que sou inocente”.

"É o “pendura até falar” que se importou de Curitiba, porque o resultado de poder acusar desta forma enche de poder os procuradores que o fazem. A “causa santa” do combate à corrupção justifica qualquer absurdo e deturpação num órgão de Estado onde, na verdade, o que se disputa é poder. (...) Porque a Lava Jato é uma só e, como se viu, engoliu a instituição Ministério Público. E, que ironia, nos deixa impune Michel Temer, agora mais sólido, o maior dos ladrões, que nos roubou a democracia."

Guerra na PGR começa na festa de posse de Raquel Dodge

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Daqui a minutos começa o ato de posse da nova procuradora geral da República, Raquel Dodge.
Cumpridas as formalidades e assim que sair dali a figura constrangedora de Michel Temer, liberando as conversas de grupos nos corredores, as conversas serão terríveis.
A entrevista do procurador – recém liberto – Ângelo Goulart Villela à Folha é um bambuzal inteiro para que os dois grupos em que se divide o Ministério Público se atirem flechas.
Afinal, Villela, por mais que possa estar se vingando do ex-amigo que o mandou prender – segundo a entrevista, para encobrir seus propósitos políticos -revela o clima de armações e conspirações que tomou conta da instituição.
Janot interpretou que eu havia mudado de lado também para apoiar a Raquel Dodge, a principal e mais importante adversária política dele.
No Encontro Nacional de Procuradores da República, em outubro do ano passado, início de novembro, o Janot soltou uma frase que me chamou a atenção. Estavam eu e mais alguns colegas, poucos, e ele falou: “A minha caneta pode não fazer meu sucessor, mas ainda tem tinta suficiente para que eu consiga vetar um nome”. E ele falava de Raquel, todo mundo sabia.
 A gente sabia que Raquel seria a pessoa indicada. Eu fui tachado por Rodrigo como se tivesse me bandeado para o lado dela. Esse era um alvo da flecha. O outro era que, derrubando o presidente, e até o nome da operação era nesse sentido –Patmos, prenúncio do apocalipse–, ele impediria que Temer indicasse Raquel. Não tenho dúvida alguma que houve motivação para me atingir porque, assim, ele [Janot] lança uma cortina de fumaça, para mascarar essa celeridade de como foi conduzida, celebrada e homologada uma delação tão complexa, em tempo recorde.
O Rodrigo, durante todo esse momento, não se preocupou com os esclarecimentos dos fatos. Fiquei 76 dias preso e até agora não fui ouvido na ação penal e na de improbidade. O Rodrigo só se preocupou com o que era conveniente para manter a versão dele, que hoje os fatos revelam ser meras fantasias. Fui uma pessoa útil. Seja porque ele se sentiu traído, seja porque seria importante ele demonstrar que estava sendo imparcial.
É, como se vê, não só o necessário para ampliar a guerra interna da PGR, do que já se tratou aqui, mas material até, se não se tratasse de uma instituição de deuses, mas de servidores públicos, para abertura de um procedimento de investigação sobre desvios de conduta de seu ex-chefe e seu grupo dirigente.
Para além da corporação, porém, a entrevista serve para demonstrar que houve uma inversão completa do Direito com os superpoderes do Ministério Público, quando ele informa que “hoje, prende-se para investigar. O ônus da prova é do investigado, eu que tenho que demonstrar que sou inocente”.
É o “pendura até falar” que se importou de Curitiba, porque o resultado de poder acusar desta forma enche de poder os procuradores que o fazem. A “causa santa” do combate à corrupção justifica qualquer absurdo e deturpação num órgão de Estado onde, na verdade, o que se disputa é poder.
Janot começa agora a suportar aquilo que ele próprio fazia praticar. Dificilmente escapará da execração pública. O único lado positivo é que exibe as entranhas do monstro acusador que se agigantou desde que se tolerou o endeusamento do “açougue de Curitiba”,  depois expandido para o “matadouro de Brasília”.
Porque a Lava Jato é uma só e, como se viu, engoliu a instituição Ministério Público.
E, que ironia, nos deixa impune Michel Temer, agora mais sólido, o maior dos ladrões, que nos roubou a democracia.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Fernando Brito: "Janot, covarde, quer se limpar na mídia acusando Dilma e Lula"




Ante de ler o texto de Fernando Brito, publicado no Tijolaço, veja o vídeo acima, de Luis Nassif, sobre as trapalhadas de Rodrigo Janot e sua tentativa desesperada de agradar a Globo depois do vexame dos áudiios com a JBS


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A desmoralização da Procuradoria Geral da República o faz buscar, rápido, a recuperação de sua imagem diante da mídia.
Claro, usando os alvos dos quais a mídia gosta: Lula e Dilma.
Apresentou ao STF o pedido de abertura de inquérito contra ambos, Edinho Silva, João Vaccari, Antonio Palocci , Guido Mantega, Paulo Bernardo silva e a senadora Gleisi Hoffman por supostos desvios na Petrobras, segundo as primeiras informações.
Enlameado pela imundície da delação da JBS, Rodrigo Janot tenta “se limpar” com a mídia, depois da vergonha que protagonizou.
É que com Lula e Dilma, claro, não é preciso provas.
A Globonews só falta faltar  e procura disfarçar o fato de que, como o pedido tem 232 páginas, que não poderia ter sido feito às pressas.
É óbvio que boa parte destas páginas é ctrl + v, ctrl +v de depoimentos da Lava Jato de Curitiba e da Obebrecht, em Brasília.
Que vergonha, Janot.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Suspeita confirmada: Procuradoria Geral da República ajuda ação nos EUA contra a Petrobras. Artigo da Carta Campinas


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O que era uma suspeita de que a procuradores brasileiros estavam colaborando com a Justiça dos Estados Unidos contra os interesses da Petrobras e do Estado brasileiro, agora se confirmou.
O ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, confirmou que fechou, com auxílio da Procuradoria-Geral da República, um acordo de colaboração com órgãos norte-americanos de Justiça, onde existem ações contra a Petrobras e que pedem indenizações milionárias.
Paulo Roberto Costa teria tido duas reuniões sobre este tema com autoridades dos Estados Unidos e do Brasil. Essa confirmação vai de encontro com as suspeitas apontadas pela defesa do ex-presidente Lula de que a força-tarefa da Operação Lava Jato colabore em caráter não formalizado com o governo dos Estados Unidos.
As ações contra a empresa estatal brasileira são movidas por investidores norte-americanos, muitos conhecidos como abutres. Logo após as denúncias de corrupção na empresa, eles entraram com ações para arrancar dinheiro da empresa brasileira alegando prejuízo bilionário pela corrupção. Procuradores, segundo Roberto Costa, estão ajudando nas ações.
Veja no vídeo abaixo o áudio a partir dos 22 minutos. Paulo Roberto Costa nega informações e os advogados do ex-presidente Lula reclamam da negação e do sigilo da testemunha, dizendo que não há previsão legal no Brasil. E segue-se o seguinte diálogo:
Sérgio Moro: Se ele faz um acordo nos EUA, imagino que lá é coberto pela lei americana.
Advogados: O problema é que nós estamos imaginando.
Em pronunciamento no plenário da Câmara dos Deputados , o deputado Paulo Pimenta denunciou a relação do juiz Sérgio Moro e da Procuradoria Geral da República (PGR) com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O parlamentar destacou que dois delatores da Operação afirmaram em seus depoimentos que estão mantendo diálogos com os órgãos de justiça americanos através de contatos realizados pela PGR.
“A PGR oferece réus da Operação Lava Jato para colaborar com os EUA em ação contra a Petrobrás, isso é um crime de lesa-pátria”, afirmou Pimenta. O deputado ainda falou que vai recorrer a todas as comissões da Câmara para convocar todos os envolvidos nessa relação com os Estados Unidos para que eles prestem esclarecimentos. O parlamentar ainda afirmou que essa relação se dá para enfraquecer a maior empresa nacional e facilitar para que o governo golpista entregue a Petrobrás para as grandes petroleiras americanas.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

“Tudo indica mais uma operação abafa, para blindar o senador Aécio Neves”

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional dos tucanos, é um dos parlamentares mais citados em delações da Lava Jato.

Rogério Correia pede ao MP acesso à delação de Marcos Valério, que, na moita, foi para Janot: “Tudo indica mais uma operação abafa, para blindar o senador Aécio Neves”

Marcos Valério, Rogério, Serra, Aécio e cia
por Conceição Lemes, no Viomundo
O senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional dos tucanos, é um dos parlamentares mais citados em delações da Lava Jato.
No final de 2014, o doleiro Alberto Youssef foi o primeiro a mencionar o presidente nacional dos tucanos, como beneficiário de esquema de propinas.
A Youssef, se seguiram Carlos Alexandre de Souza Rocha, o “Ceará”, e Fernando Moura.
Segundo o já antecipado pela imprensa, Aécio consta também das delações de executivos da Odebrecht, da Andrade Gutierrez e de Léo Pinheiro, da OAS.
Isso sem falar nas delações  premiadas de Sérgio Machado, ex-diretor da Transpetro, e dosenador  cassado Delcídio do Amaral (Sem Partido).
A delação de Delcídio tem 255 páginas. O nome do senador Aécio aparece dezoito vezes, sendo quatro como Aéceo.
Entre outras acusações, Delcídio diz que Aécio Neves, em 2005, na época governador de Minas Gerais, teria atuado no sentido de maquiar dados comprometedores fornecidos pelo Banco Rural à CPI dos Correios. A maquiagem, segundo Delcídio, teria servido para esconder a gênese do mensalão, que surgiu em Minas.
Delcídio - maquiagem 2
Delcídio disse, ainda, que Aécio recebeu propina do esquema de Furnas, confirmando a delação de Youssef.
Delcídio - Furnasu
“Em 2002, Aécio amealhou R$ 5,5 milhões [em valores atuais, cerca de R$15,9 milhões] apenas para ele”, observa o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG). “Nas provas, também tem o dinheiro que foi para José Serra e para Alckmin.”
Em junho deste ano, 2016, motivado pela delação de Delcídio, o publicitário Marcos Valério, preso em Minas Gerais, desde 2013, por envolvimento no “mensalão” do PT, resolveu abrir o bico em relação ao senador Aécio Neves.
Ele disse ao Ministério Público Estadual de Minas Gerais (MP-MG) ter documentos originais que provariam a maquiagem de informações do Banco Rural. Papeis que comprovariam as fraudes em empréstimos para políticos do PSDB mineiro.
Marcos Valério disse ter provas também provas em relação ao mensalão tucano, que a mídia insiste em chamar de mensalão mineiro. Aécio estava na lista do Cláudio Mourão, como tendo recebido R$ 110 mil reais; em valores atuais, R$ 482 mil.
A Lista do Mourão é de 1998 Foi a campanha de reeleição de Eduardo Azeredo, financiada com recursos públicos. Foram gastos mais de  R$ 100 milhões em dinheiro da época, uma verdadeira fortuna. Em valores atualizados, equivaleriam a R$ 438 milhões.
Já a Lista de Furnas refere-se à campanha eleitoral de 2002. Foi o esquema que sustentou os tucanos na campanha de 2002. Fechando parêntese.
Pois bem, em 21 de junho, segundo o jornal O TEMPO, Marcos Valério foi ouvido durante cerca de três horas por promotores de Defesa do Patrimônio Público e detalhou como poderia colaborar com as investigações do mensalão tucano, que ainda está sendo julgado pela Justiça mineira. O próprio Valério é réu em uma das ações do caso.
Diz O TEMPO:
De acordo com fontes próximas das negociações para acordo de delação, Valério teria munição para implicar até 18 pessoas, incluindo cerca de dez autoridades que têm foro privilegiado nos níveis federal e estadual.
Durante o mês de junho, a delação de Marcos Valério envolvendo Aécio Neves foi notícia em todos os grandes portais. Só que, de lá para cá, praticamente sumiu do noticiário.
Na sexta-feira passada, 19 de agosto de 2016, o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG), que, desde 2005, denuncia esquemas ilícitos envolvendo Aécio Neves, foi ao MP-MG, para tratar de uma questão dos trabalhadores da Educação, que ele acompanha direto.
Lá se encontrou com alguns promotores e teve uma grande surpresa.
O depoimento de Marcos Valério para a delação premiada foi, de fato, tomado pelos promotores.
Só que, não está mais em Minas. Já “voou” para Brasília, mais precisamente para o doutor Rodrigo Janot, procurador-geral da República.
“Pelo que me foi relatado, o Marcos Valério confirmou o que o Delcídio delatou sobre o Aécio”, afirma Rogério Correia. “As denúncias são gravíssimas. Tratam do mensalão tucano e da maquiagem dos dados do Banco Rural.”
O mensalão tucano, especificamente, saiu do STF, em Brasília, para Minas Gerais. Agora, saiu de Minas e retornou a Brasília, na moita.
“Afinal de contas, por que o depoimento de Marcos Valério está sendo mantido a sete chaves?”, questiona, indignado, Rogério Correia. “Cadê a delação do Marcos Valério? Ninguém pergunta. Silêncio total!”
A interpelação do deputado mineiro procede.
Marcos Valério pediu para fazer delação premiada em relação ao mensalão tucano, da época do Eduardo Azeredo e do Aécio Neves. Pediu também para falar da maquiagem das informações fornecidas pelo Banco Rural.
Ele deu o seu depoimento.
Os promotores encaminharam-no, então, ao procurador-geral de Minas Gerais, doutor Carlos André, que, dizem em Minas, é um tucano de bico roxo.
Só que, em vez de o doutor Carlos André ficar com os casos referentes a Minas, ele decidiu encaminhar tudo ao PGR Rodrigo Janot, para que ele faça a separação que julgar necessária, já que envolve algumas pessoas com foro privilegiado de outros Estados.
“Por que ele não ficou pelo menos com os de Minas, já que o STF enviou o mensalão tucano para cá?”, questiona Rogério Correia.
“Tudo indica que, a partir de Minas, fizeram mais uma operação abafa, para blindar novamente o senador Aécio Neves”, denuncia Rogério Correia. “O depoimento do Marcos Valério está com o Janot. E nós provavelmente vamos ficar de novo nas mãos dele e do Gilmar Mendes, que todo mundo sabe protege o Aécio.”
“Por que as outras delações são divulgadas e as referentes a Aécio Neves são escondidas?”, insiste Rogério Correia.
“A sociedade tem o direito de saber o que Marcos Valério revelou”, salienta o deputado.”Não podemos ficar mais reféns da blindagem feita pelo doutor Janot, pelo ministro Gilmar Mendes e pela mídia ao senador Aécio!”
Daí o deputado Rogério Correia ter protocolado nessa terça-feira, 24 de agosto, dois ofícios no Ministério Público de Minas Gerais (na íntegra, ao final), reiterando solicitação já encaminhada em julho (os negritos são nossos):
(…) “informações sobre o inquérito civil relativo ao empresário Marcos Valério, que aponta possíveis ilegalidades operadas por membros do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) no Estado de Minas Gerais, o chamado “mensalão tucano”, bem como a expedição de uma certidão acerca dos fatos, considerando as diligências realizadas no referido inquérito até o presente momento.
Ainda em tempo, gostaria que fosse enviado, caso seja possível, cópia da delação premiada feita pelo Sr. Marcos Valério que aponta possíveis fatos novos no tocante ao inquérito em questão.
Rogério Correia arremata: “O motivo real do golpe está ficando claro para a sociedade. Foi para retirar direitos sociais e trabalhistas. O pretexto da corrupção vai sendo esquecido. Para isso, é preciso livrar Aécio, Serra e companhia das denúncias de propinas. A grande mídia, Gilmar Mendes e Janot já estão cuidando disso”.
A propósito: Marcos Valério prometeu entregar documentos que comprovam o mensalão tucano.

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