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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Votação acirrada no Senado contra bolsonaristas confirma reeleição de Rodrigo Pacheco

 

Rodrigo Pacheco, do PSD, recebeu 49 votos enquanto seu oponente, o senador Rogério Marinho, do PL e representante do golpismo de Bolsonaro, conseguiu amealhar 32 votos.


Pablo Valadares – Agência Câmara

Rodrigo Pacheco, do PSD de Minas Gerais, foi reeleito presidente do Senado Federal com 49 votos. Seu oponente, o senador Rogério Marinho do PL do Rio Grande do Norte, recebeu 32 votos. Marinho foi apoiado pelos bolsonaristas do Senado.

A eleição ocorreu na tarde de hoje, dia 1, quando a 57ª legislatura se inicia.

Conforme as normas, a disputa só pode ser vencida com um dos candidatos recebendo a maioria absoluta dos votos, ou seja, 41 dos 81 senadores.

O senador Pacheco contou com o apoio da base aliada do governo Lula enquanto o ex-ministro de Bolsonaro, Rogério Marinho, ficou com os votos da oposição e dos independentes. Eduardo Girão, do Podemos do Ceará, também estava na disputa, mas retirou sua candidatura minutos antes do início da votação.

O PT, MDB, PSD, PDT e alguns senadores da União Brasil se uniram em torno do nome de Pacheco, o que permitiu sua reeleição. Já Marinho recebeu apoio do PL, PP e Republicamos, e tornou a disputa bem nervosa.

Os bolsonaristas tinham Pacheco como ‘desfavorável’ para os aliados e Marinho era apoiado com o argumento de que devolveria ‘o equilíbrio e a harmonia entre os Poderes’.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Senado cria comissão para investigar escândalo de Itaipu que respinga em Bolsonaro



Segundo o requerimento do senador Jaques Wagner, a comissão deveria investigar a "tentativa de favorecimento ilegal a uma empresa brasileira que atua na área de energia, a Leros"


Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – O senador Jaques Wagner (PT-BA) conseguiu aprovar nesta quinta-feira (8), na Comissão de Relações Exteriores do Senado, uma subcomissão para investigar o escândalo do acordo de Itaipu, que levou o governo do Paraguai a uma crise que pode custar o mandato do atual presidente, Mário Abdo Benitez, e do vice, Hugo Velazquéz.
O caso respinga em Jair Bolsonaro porque o tratado teria sido alterado por lobistas para favorecer uma empresa brasileira de energia, a Leros, que teria sido associada à família do presidente.
A Leros teria demandado exclusividade na compra de energia excedente de Itaipu, removendo do acordo a possibilidade da estatal paraguaia fazer a distribuição no mercado brasileiro. O empresário Alexandrino Giordano teria sido o brasileiro, suplente do senador Major Olímpio (PSL), a afirmar que a Leros tem ligações com a família Bolsonaro. Depois que o caso veio à tona, ele negou a informação divulgada pela imprensa paraguaia.
Segundo o requerimento de Wagner, a comissão deveria investigar a “tentativa de favorecimento ilegal a uma empresa brasileira que atua na área de energia, a Leros”. Além disso, deve “fazer gestões junto ao Senado do Paraguai, no sentido de distender o clima de apreensão e desconfiança criado por negociações sigilosas e malconduzidas.”
Leia abaixo o requerimento (Req 052/2019) aprovado no Senado:
Senhor Presidente,
Requeiro, nos termos do art. 73 do Regimento Interno do Senado Federal, a criação de Subcomissão Temporária, composta de 3 (três) membros titulares e igual número de suplentes, para, no prazo de 60 (sessenta) dias, informar-se inteiramente sobre tentativa de favorecimento ilegal a uma empresa brasileira que atua na área de energia, a Leros, à qual fora prometida a venda de energia excedente do Paraguai no mercado livre de energia do Brasil a preços e condições imbatíveis, gerando grande sensibilidade política, no contexto das relações bilaterais Brasil/Paraguai. Ao mesmo tempo, fazer gestões junto ao Senado do Paraguai, no sentido de distender o clima de apreensão e desconfiança criado por negociações sigilosas e malconduzidas.
USTIFICAÇÃO
Tal renegociação, ocorrida em inexplicável sigilo, resultou na elaboração de uma Ata que modificava parte do texto do Tratado de Itaipu, com o objetivo de aumentar a energia contratada pelo Paraguai naquela hidrelétrica Tal Ata provocou imensa comoção no Paraguai, com acusações de que os negociadores traíram os interesses paraguaios, pois essa modificação na quantidade de energia contratada provocaria aumento no preço da energia elétrica consumida por nosso vizinho. Como resultado, caíram de seus cargos o Ministro da Relações Exteriores do Paraguai e várias outras autoridades paraguaias. O próprio presidente do Paraguai, Mario Abdo, está ameaçado de juicio político (impeachment), por ter conduzido as negociações. Para agravar o quadro, a imprensa do Paraguai divulgou, com base em mensagens trocadas por autoridades paraguaias, que teria havido tentativa de favorecimento ilegal a uma empresa brasileira que atua na área de energia, a Leros, à qual fora prometida a venda de energia excedente do Paraguai no mercado livre de energia do Brasil a preços e condições imbatíveis. Independentemente dos interesses legítimos do Brasil em tal renegociação, é forçoso reconhecer que seus resultados foram desastrosos para nosso país. É preciso lembrar que o tema Itaipu é de grande sensibilidade política, no contexto das relações bilaterais Brasil/Paraguai. Nesse sentido, a intensa repercussão negativa dessas renegociações no Paraguai compromete as relações bilaterais com o Brasil e lança sombras sobre a revisão do Anexo C de Itaipu, que terá de ser inteiramente reformulado em 2023. Caso essas relações bilaterais sejam azedadas, o Brasil correrá o sério risco de ficar sem a energia que o Paraguai não usa em Itaipu.
SF/19162.42302-46 (LexEdit)
Assim sendo, julgamos urgente e prioritário que o Senado Federal envie comissão ao nosso querido vizinho para informar-se inteiramente sobre tal questão e, ao mesmo tempo, fazer gestões junto ao Senado do Paraguai, no sentido de distender o clima de apreensão e desconfiança criado por negociações sigilosas e malconduzidas. Nesses termos, pedimos o apoio dos nobres pares a essa importante propositura.
Sala da Comissão, 7 de agosto de 2019.
Senador Jaques Wagner (PT – BA)

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sábado, 16 de dezembro de 2017

Previdência: a Argentina também resiste



Foto: Julieta Sou
 
Do blog Outras Palavras
 
 
Em resposta ao repúdio popular massivo, mais de mil oficiais das forças policiais argentinas foram colocados nas ruas de Buenos Aires
 
Os próprios oficialistas foram obrigados a suspender a votação da Contrarreforma Previdenciária argentina na Câmara de Deputados na tarde de hoje, após episódios de violência que deixaram dois parlamentares da oposição e vários manifestantes feridos.
 
Os protestos desta quinta-feira (14), começaram às 9h da manhã (horário de Brasília) e reuniram até às 15h, horário previsto para a votação, milhares de trabalhadores contrários à reforma que pretende economizar 100 bilhões de pesos argentinos (aproximadamente 20 bilhões de reais) para o Estado às custas de 17 milhões de aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais.
 
Convocados pela CTA (Central Autônoma dos Trabalhadores) e a CGT (Central Geral dos Trabalhadores), os manifestantes marcharam pela Avenida de Maio em direção ao Congresso Nacional, mas tiveram que recuar ao serem reprimidos pelas forças policiais.
 
Mais de mil oficiais da Polícia Federal, Gendarmeria (a Força Nacional Argentina) e Polícia de Segurança Aeroportuária participaram da ação. Bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e jatos de água com corante eram atirados nos manifestantes que abriam a manifestação e em um grupo de pessoas mascaradas que se separou dos manifestantes para jogar pedras e garrafas nos policiais.
 
Enquanto isso, dentro do Congresso, os policiais impediam a entrada de deputados da oposição na sala de votação; entre eles, Axel Kicillof, ex-ministro de economia do governo de Cristina Kirchner. Ao menos dois deputados ficaram feridos; um deles foi levado em uma ambulância após receber um golpe de um dos policiais.
 
Também houve muita confusão entre os parlamentares. Para iniciar a sessão, eram necessários 129 deputados. O presidente da câmara, Emilio Monzó (PRO-Cambiemos), da base governista, anunciou às 15h30 que o quórum mínimo tinha sido atingido, mas a oposição questionou o número e a validade da sessão, e denunciou a repressão policial. Muita discussão e até empurra-empurra depois, por volta das 16h15, a deputada governista Elisa Carrió também pediu que a sessão fosse anulada e teve o seu pedido acatado por Monzó. Enquanto a oposição comemorava o adiamento e denunciava a atuação truculenta inédita do lado de fora, governistas diziam que a oposição tinha agido de forma violenta dentro do plenário.
 
A contarreforma previdenciária proposta pelo governo altera o critério de atualização dos benefícios de aposentados, pensionistas, pessoas com deficiência e beneficiários de programas de renda mínima. A aprovação da proposta somente é possível porque uma parte da oposição peronista, composta pelos governadores, negociou com o governo para que uma parcela dos recursos economizados seja destinada às províncias, que atualmente estão fortemente endividadas.
 
O projeto, que já recebeu meia sanção do Senado, deveria ser votado na Câmara de Deputados teve sua tramitação adiantada pelo partido do governo, para que a votação acontecesse hoje, data que coincide com o fim da Reunião Ministerial da OMC na cidade.
O efetivo militar preparado para garantir a segurança de executivos e autoridades de Estado do mundo todo que participaram do evento foi então aproveitado para reprimir os protestos que já haviam começado desde terça-feira. A resistência, no entanto, deve continuar. A CGT (Central Geral dos Trabalhadores) convoca para amanhã uma greve geral de 24 horas.
 
Veja o vídeo aqui.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Da Rede Brasil Atual: Curador da exposição Queermuseu desanca senadores obscurantistas em CPI



Da RBA:

REPRODUÇÃO/TV SENADO
gaudêncio.jpg
Gaudêncio mostra a imagem da obra 'O Eu e o Tu', de Lygia Clark, uma das maiores artistas brasileiras
Gaudêncio Fidelis, curador de exposição fechada em setembro após pressão de conservadores, enfrentou preconceitos de parlamentares e questionou difusão de mentiras em redes sociais
por Redação RBA publicado 23/11/2017 19h48, última modificação 24/11/2017 00h34

São Paulo – Durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus Tratos a Crianças e Adolescentes, presidida por Magno Malta (PR-ES), o senador José Medeiros (Pode-MT) questionou o curador da exposição Queermuseu, Gaudêncio Fidelis, sobre materiais que constavam em seus documentos como “provas” de conteúdo impróprio da mostra censurada em setembro, pelo mantenedor Santander, por pressão de grupos políticos conservadores como o Movimento Brasil Livre (MBL).
Todos foram desmontados como boatos de redes sociais, notícias e imagens falsas. Uma delas era a distribuição de uma suposta cartilha para estudantes. “A grande maioria das grandes instituições brasileiras desenvolve um projeto educativo muito extenso para cada exposição”, disse o curador.
Medeiros questionou se Gaudêncio não teria “mandado fotos das obras para as escolas”, e foi prontamente respondido: “Vou concluir para deixar mais claro. O projeto educativo do Santander é destinado à formação de professores. Ele é realizado a partir dessa formação e depois executado, destinado para as escolas. Esse é um processo contínuo. Com isso, é produzida uma publicação, que imagino ser esta cartilha à qual o senhor se refere”, disse.
“Esse caderninho é chamado material de professores e serve como instrumento para que os professores entendam melhor a exposição”, continuou.
Medeiros replicou dizendo ter recebido “vasto material como figuras e twitteres”. O senador mostrou duas figuras para o curador. Devido ao conteúdo explícito, o parlamentar pediu discrição ao mostrar as imagens para o curador que respondeu: “Essa obra não pertence à exposição Queermuseu. Mas quero fazer uma observação. Nesse processo difamatório, uma das coisas que aconteceu foi que, em algum momento experienciamos um fenômeno surpreendente que simplesmente me chocou, que foi uma produção inacreditável de imagens de obras que não estavam na exposição. Isso nos coloca um problema extraordinário e insolúvel. Quando uma obra é jogada na internet, como provamos que não pertence, quando a exposição, além de tudo, está fechada?”, disse.
“Nós tentamos, de todas as maneiras possíveis, comunicar, não por nenhuma razão, mas apenas comunicar que essa e várias obras não pertenciam à exposição. Isso seria fácil de constatar se as pessoas tivessem acesso à exposição”, acrescentou.
Neste momento, a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) pediu a palavra: “Essa fala corrobora com o argumento em relação ao uso que foi feito da arte para outros fins. Foi muito orquestrado. Lamento que tenhamos embarcado nisso, um movimento criado para inventar uma turbulência e uma polarização que não tem a ver com a arte”, disse.
Outro ponto apresentado pelo senador, que foi prontamente desconstruído, dizia respeito a uma obra da artista brasileira Lygia Clark. “Havia um exercício para as pessoas transitarem entre os gêneros para viver uma experiência em outro sexo. Queria que o senhor confirmasse se essa performance existia e se crianças participaram dela”, disse Medeiros.
A explicação de Gaudêncio: “Essa é uma obra histórica de uma das artistas mais celebradas do mundo e se chama O Eu e o Tu, que foi produzida na década de 1960. Essas obras são compostas de dois macacões em uma escala grande, para adultos. Ela discutia, dentro do contexto da produção dos anos 1960 a transição não necessariamente de gênero, mas de percepção do outro. Essa obra é uma obra muito importante, que já esteve em inúmeras exposições do mundo, e tem um caráter museológico. Ela não pode ser manipulada, é uma obra de museu. Ela estava na exposição desta forma".
“Então, a resposta é não”, completou.
O senador retrucou: “Então não haviam crianças dentro dela?”. A resposta do curador: “São macacões de 2 metros e ela não foi feita com essa concepção que o senhor descreveu. Ela foi feita para uma experiência, procurando ser preciso, de entendimento do outro a partir do fato de que o outro possa ser considerado com uma visão a priori do que ele é. Ela tem capuzes. É uma obra para adultos, até porque a obra traz questões complexas e conceituais. É uma obra histórica”, disse.
“Esse comentário se originou, para o choque de todos nós, em uma entrevista coletiva em Porto Alegre, onde estava o filho de Lygia Clark. Uma pessoa que participava da entrevista, coordenadora do Movimento Brasil Livre (MBL), fez uma afirmação peremptória e disse: ‘Havia nessa exposição obras para crianças vestirem e se tocarem sexualmente’. Isso foi um choque tão grande porque, primeiro, estávamos diante do filho da artista que tem 60 anos, e é uma obra conhecida internacionalmente, uma das obras mais importantes da história da arte brasileira e mundial”, reagiu.
Medeiros concluiu tentando justificar a convocação de Gaudêncio à CPI. “Como o senhor explicou, a vestimenta estava lá e lhe confesso que não sou a última bolacha, o suprassumo do progressismo, mas também não estou na caverna. Mas confesso que me choquei quando diziam que as crianças se vestiam e se tocavam sexualmente (…) O senhor me tira uma laje da cabeça agora que era apenas uma roupa lá de uma obra. Estou satisfeito”, disse.
Sobre a mentira do MBL, Gaudêncio completou: “Essas obras estavam em manequins, fixos, porque não podem ser tocadas”.
Diante do boato divulgado pelo grupo político conservador de direita, o senador Humberto Costa (PT-PE) pediu a palavra: “Foi excelente a vinda do doutor Gaudêncio. Me preocupo com o que acontece hoje no nosso país e no mundo inteiro. Para o que essas redes sociais terminam se prestando? Vai depender de quem faz o uso delas. Eu vi essa semana algo que nem um louco acreditaria. Um cidadão botando um deputado identificado com a questão LGBT dizendo que ele era namorado de outro identificado como o mais homofóbico do Brasil”, disse.
“Imagina o prejuízo que houve, por exemplo, para a criança em relação à obra do Masp. No colégio dessa criança, os amigos da mãe dessa criança. Qual foi o grande crime? Foi divulgar aquilo. No caso do Queermuseu, não sei os outros quadros, mas só por esses exemplos vemos uma manipulação. Nós aqui não podemos embarcar nisso, o Parlamento. Precisamos ter um cuidado maior em relação a essas coisas”, completou Costa.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Derrota Temer: Reforma trabalhista é rejeitada por Comissão do Senado



Foto: Lula Marques, mostrando o Romero "Suruba" Jucá desconsolado....

Jornal GGN - Conforme já tecido pelo líder do PMDB no Senado e uma das principais figuras de oposição ao governo Temer no Congresso, Renan Calheiros, a reforma Trabalhista sofreu derrota na Casa e teve o relatório rejeitado por 10 votos, contra 9 favoráveis na Comissão de Assuntos Sociais (CAS).
 
Foi a primeira derrota do mandatário peemedebista junto à sua grande base aliada no Legislativo. Dentro do Planalto, o governo esperava uma vitória de 11 votos favoráveis ao texto de autoria do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES). Mas não obteve.
 
Ainda assim, mesmo com o sinal negativo, a matéria foi encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde deve ser lida amanhã (21). Na segunda Comissão, o presidente Michel Temer cria expectativa de reverter o cenário, encaminhando a reforma para o plenário antes mesmo do fim do primeiro semestre parlamentar.
 
Entretanto, aqueles que foram contra o texto lembraram que a derrota na Comissão de Assuntos Sociais mostra que o peemedebista não detém de amplo apoio junto a parlamentares, quando o tema são as pautas econômicas propostas por seu governo.
 
"Derrota significa que a reforma por si só nesse momento só vai agravar a circunstância econômica. Está ficando claro que somar terceirização e reforma trabalhista, vai desempregar ainda mais. Sem investimento não tem como levantar a economia, gerar renda ou emprego", disse Renan, em dura crítica.
 
O peemedebista defendeu o diálogo para a aprovação de reformas como esta, que devem ser amplamente debatidas entre todos os setores da sociedade e no Congresso. O texto impõe que o acordo entre patrões e empregados se sobrepõe sobre os direitos trabalhistas assegurados em lei. 
 
No lugar do texto do senador tucano, a Comissão aprovou um texto alternativo do senador Paulo Paim (PT-RS), que recomenda a rejeição integral da reforma trabalhista. Os relatórios das Comissões são, contudo, apenas orientações para o Plenário votar, sendo que o texto de Ferraço é o que segue para análise.
 
Já para o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), o resultado "nada muda", uma vez que os três relatórios serão enviados ao Plenário do Senado e analisados separadamente. "Os três relatórios irão para o plenário. Não muda nada, não muda a posição do governo, não muda o plano de aprovar", defendeu.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

13 de Dezembro: Dia da Vergonha das Elites, por Samuel Pinheiro Guimarães


"Suspendido o programa neoliberal de FHC e do PSDB  com a vitória democrática do Presidente Lula e de seu extraordinário governo de 2003 a 2010, e com a vitória de Dilma Rousseff,  a campanha das classes hegemônicas para a reconquista do poder e a retomada do programa neoliberal recomeçou assim como as denúncias de corrupção midiatizadas contra o PT e contra Lula.
Esta operação política-midiática se realiza graças à conivência  do Judiciário, desde a primeira instância de Curitiba, nova república do Galeão, com Moro,  até o Supremo Tribunal Federal, e cada um de seus Ministros, coniventes com as contínuas ilegalidades cometidas por Moro, e a solícita ajuda do Ministério Público e do Procurador Geral Rodrigo Janot."

13 de Dezembro: Dia da Vergonha das Elites
por Samuel Pinheiro Guimarães
Jornal GGN. - Muitos anos depois, o povo brasileiro (as elites já conheciam) ficou sabendo, através de documentos do governo norte americano, da ativa participação dos Estados Unidos no golpe de 1964, e sua sequência, o AI-5, instrumento importante de poder ditatorial para garantir a implementação de uma política econômica neoliberal.
Essa política, na época comandada por Roberto Campos com o auxílio ativo de economistas americanos, tinha como objetivos, entre outros, o arrocho salarial que permitiria aumentar os lucros das empresas; a concessão de privilégios ao capital estrangeiro; a abertura comercial e a livre movimentação do capital estrangeiro. 
A política econômica do governo golpista de Castelo Branco, apesar de sua resistência final desesperada, foi sofrendo alterações nos governos militares que o sucederam em direções contrárias aos interesses norte-americanos, como no caso das políticas nuclear; de informática; de comércio exterior; de fortalecimento das empresas estatais etc.
O governo de Fernando Collor retomou, com grande empenho, a política econômica inicial do golpe de 1964, terminando abruptamente com a política de informática, praticando uma abertura comercial radical e unilateral, com graves prejuízos para a economia, em especial para a indústria nacional, e muito favorável aos interesses exportadores dos Estados Unidos e de outras grandes potências industrializadas.
Mais tarde, depois do honroso interregno de Itamar Franco, honesto, nacionalista e democrático, surge das sombras do Plano Real a figura de Fernando Henrique Cardoso, príncipe dos sociólogos, principal ideólogo das classes conservadoras e mais ricas da sociedade brasileira.
Fernando Henrique recolocou em prática, com ardor e malemolência, o programa neoliberal do Consenso de Washington: privatizar ao máximo; abrir a economia; rigoroso equilíbrio fiscal, âncora cambial; redução do Estado.
Teve FHC, nesta tarefa inglória, a entusiástica ajuda dos grandes conglomerados de imprensa, em especial da Rede Globo, que tem um papel hegemônico na formação do imaginário e da interpretação dos eventos ao deter cerca de 40 % da audiência total de televisão.
O governo de Fernando Henrique foi um fracasso retumbante do ponto de vista da realidade: privatização das empresas estatais, aumento da dívida pública, aumento da dívida externa, elevado desemprego, altíssimas taxas de juros, destruição da indústria nacional, alinhamento da política externa com os EUA, assinatura do TNP- Tratado de Não Proliferação e de todos os acordos de não-proliferação e controle de armas de interesse dos Estados Unidos.
FHC somente foi contido em seu objetivo de eliminar, através da aceitação dos compromissos da ALCA, toda a possibilidade de ação desenvolvimentista do Estado brasileiro graças ao amplo movimento de opinião pública que levou ao encerramento das negociações.
Os EUA, todavia, não desistiram até hoje de seu objetivo de construir uma área de livre comércio nas Américas, como provam os acordos com o Chile, o Peru, a Colômbia e os Estados da América Central e a permanente perseguição midiática que se realiza contra o Mercosul.
Até hoje, na grande mídia, o governo Fernando Henrique é celebrado como de grandes resultados devido ao controle da inflação sem se lembrar dos danos estruturais causados à economia e ao Estado brasileiros e da destruição ou alienação das empresas de capital nacional.
Todavia, o povo não se engana e rejeitou, nas urnas, as políticas nefastas de FHC. 
Suspendido o programa neoliberal de FHC e do PSDB  com a vitória democrática do Presidente Lula e de seu extraordinário governo de 2003 a 2010, e com a vitória de Dilma Rousseff,  a campanha das classes hegemônicas para a reconquista do poder e a retomada do programa neoliberal recomeçou assim como as denúncias de corrupção midiatizadas contra o PT e contra Lula.
Esta operação política-midiática se realiza graças à conivência  do Judiciário, desde a primeira instância de Curitiba, nova república do Galeão, com Moro,  até o Supremo Tribunal Federal, e cada um de seus Ministros, coniventes com as contínuas ilegalidades cometidas por Moro, e a solícita ajuda do Ministério Público e do Procurador Geral Rodrigo Janot.
O golpe e os golpistas que destituíram Dilma Rousseff tinham uma agenda já preparada, a Ponte para o Futuro, agora não mais neoliberal mas sim ultra neoliberal.
Seu objetivo é o mesmo de Castelo Branco, Fernando Collor e Fernando Henrique: a partir de uma visão equivocada da sociedade e da economia, impedir, para alegria dos competidores internacionais,  o desenvolvimento da sociedade brasileira e a construção de uma sociedade moderna, democrática e inclusiva, menos desigual e mais harmônica.
Seus principais instrumentos são:
- a PEC 241 que será aprovada, com toda a probabilidade, pelo Senado Federal, neste fatídico dia 13 de dezembro;
- a reforma da Previdência, com sua privatização e danos econômicos e sociais para todos os brasileiros, em especial os indivíduos e classes mais frágeis e os municípios mais pobres;  
- a revogação da legislação trabalhista, através da terceirização e da doutrina de prevalência do “negociado sobre o legislado”;
- a privatização dos bancos oficiais e das empresas brasileiras,  em especial da Petrobrás, que, com o pré-sal, poderia fazer do Brasil   um dos maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo;
- o alinhamento da política externa brasileira com os interesses americanos na América do Sul, no que diz respeito à Venezuela, e no mundo no que diz respeito aos BRICS.
A PEC 241  é um verdadeiro segundo golpe de Estado:
- de iniciativa de um governo ilegítimo, resultado de um golpe de Estado reconhecido como tal no mundo;
- de implementação acelerada por um governo corrupto e corruptor, até a sua medula,  como revelam o seu modo de operar e as denúncias contra o Presidente Temer e seus principais Ministros;
- por ser uma emenda constitucional aprovada depois de um processo aparentemente constitucional porém graças a uma série de irregularidades regimentais, cometidas pelos Presidentes da Câmara e do Senado, o último, aliás, acusado de corrupção e objeto de onze processos, sendo declarado réu em um deles; 
- devido à ausência de debates públicos sobre as consequências da PEC que afetarão a todos os brasileiros, sem que tenha havido discussão  minimamente adequada e refletida  no próprio Congresso, corrompido, que age como constituinte;  
- cometido por ato legislativo eivado de toda sorte de inconstitucionalidades;
- que determina e consagra na Constituição as políticas econômicas e sociais  a serem seguidas por cinco governos futuros durante vinte anos, medida sem precedente em qualquer pais do mundo;
- que privilegia os indivíduos mais ricos do Brasil, detentores de títulos públicos, cujos juros estarão preservados por vinte anos de qualquer regulamentação  ou restrição e terão prioridade para pagamento;
- que privilegiará os investidores e empresas  estrangeiras que penetrarão em todas as brechas na economia que serão criadas pela inação do Estado e a fraqueza das empresas de capital nacional, a primeira forçada pela PEC 241 e a segunda pelo enfraquecimento dos bancos oficiais.
Este programa ultraneoliberal implantado a toque de caixa é resultado de um pacto entre, de um lado, os políticos acusados de corrupção e, de outro, as elites hegemônicas brasileiras e seus comparsas estrangeiros, no sentido de que a aprovação legislativa destas medidas econômicas, de redução do Estado brasileiro e de arrocho salarial, seria a contrapartida de sua “absolvição” pelo Judiciário das acusações e processos de que são alvo. 
13 de dezembro de 2016 será o Dia da Vergonha das elites brasileiras.
O povo brasileiro jamais aceitará este programa econômico e social, reacionário e catastrófico, e lutará permanentemente pela sua revogação e pelo seu direito a um futuro mais democrático, mais justo, mais próspero e mais soberano.
Daqui a muitos anos, como ocorreu com o golpe de 1964, o povo brasileiro (as elites já bem sabem) tomará conhecimento dos interesses e da ativa participação americana que se encontram por trás do golpe de Estado de 13 de dezembro de 2016.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Cunha caiu. Temer continua na berlinda. Surge o Fora Gilmar Mendes! Artigo de Marcelo Auler





Abandonado até mesmo por aqueles que o defendiam ardentemente quando ele, por vingança, acatou o pedido de impeachment contra a presidente eleita Dilma Rousseff, deflagrando o início do golpe que cassou 54 milhões de votos, sem que nenhum crime de responsabilidade fosse apontado corretamente, Eduardo Cunha hoje é carta fora do Parlamento. Não se pode dizer que ele é carta fora do baralho, mesmo estando com seus direitos políticos cassados. Apesar de no painel eletrônico, apenas 19 parlamentares jogarem a seu favor — 10 negando sua cassação e nove se abstendo — não se deve duvidar do seu poder de fogo e de arregimentar seguidores.


Paralelamente, Michel Temer, apesar de ter conseguido duas vitórias: o golpe que derrubou Dilma e lhe pos na cadeira da presidência da república; e a cassação de Cunha, continua na berlinda. Já está impedido de se candidatar por decisão do Tribunal Regional Eleitora (TRE) de São Paulo. Mesmo não podendo ser investigado nas denuncias em que seu nome apareceu nas investigações da Lava Jato, não conta com respaldo popular. Vai continuar ouvindo na rua que é golpista e assistindo aumentar o coro que pede Diretas Já.


A estas campanhas — contra Temer e pelas Diretas — surge agora uma nova luta para a sociedade se engajar: o "Fora Gilmar Mendes”. Na tarde desta terça-feira (13/10) dois pedidos de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, foram protocolados no Senado Federal. O primeiro, que o Brasil 247  publicou na íntegra há cinco dias, na reportagem  Juristas pedem impeachment de Gilmar Mendes, leva a assinatura dos juristas Celso Antônio Bandeira de Mello, Fábio Konder Comparato, Sérgio Sérvulo da Cunha e Álvaro Augusto Ribeiro da Costa (subprocurador da República aposentado), Eny Raymundo Moreira (eterna dcefensora dos Direitos Humanos e ex-participante da Comissão Estadual da Verdade do Rio( e pelo ex-deputado e ex-presidente do PSB, Roberto Amaral.


crimes de responsabilidade dos juizes 


Um segundo pedido, também protocolado nesta mesma tarde, leva a assinatura do ex-procurador-geral da República, Claudio Fonteles, do subprocurador da República aposentado Wagner Gonçalves e dos juristas Gisele Guimarães Cittadino, Professora de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ), Antonio Gomes Moreira Maués, Professor de Direito da Universidade Federal do Pará (UFPA) e Marcelo da Costa Pinto Neves, Professor Titular de Direito Público da Universidade de Brasília (UnB).


No pedido,os autores alegam que o ministro Gilmar Mendes, no exercício de suas funções no Supremo Tribunal Federal  (STF) cometeu crimes de responsabilidades previstos na Lei 1.079/1950 nas seguintes situações:
1) manifestações públicas sobre processos, inquéritos e investigações na alçada do Supremo Tribunal Federal; 

2) o uso de linguagem impolida, desrespeitosa e indecorosa; 

3) julgamento em casos em que seja suspeito ou impedido: quebra da imparcialidade; 

4) pedido de vista com protelamento patentemente injustificado na devolução dos autos para julgamento;

5) envolvimento em atividades político-partidárias;
O segundo pedido entregue hoje no Senado, tem 61 laudas e foi resumido pelos próprios signatários da seguinte forma:


Três dos autores da denúnciua contra Gilmar Mendes: Wagner  Gonçalves,  Gisele Cittadino e Claudio Fonteles
Três dos autores da denúncia contra Gilmar Mendes: Wagner Gonçalves, Gisele Cittadino e Claudio Fonteles

Denúncia contra o Ministro Gilmar Ferreira Mendes

por crimes de responsabilidade

1. Aspectos gerais – Em 13 de setembro de 2016, por volta de 15h, foi apresentada denúncia perante o Senado Federal contra o Ministro do STF Gilmar Ferreira Mendes por crimes de responsabilidade. A denúncia, de caráter estritamente técnico-jurídico é subscrita por Claudio Lemos Fonteles, ex-Procurador-Geral da República, Gisele Guimarães Cittadino, Professora de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ), Wagner Gonçalves, ex-Subprocurador Geral da República, Antonio Gomes Moreira Maués, Professor de Direito da Universidade Federal do Pará (UFPA), e Marcelo da Costa Pinto Neves, Professor Titular de Direito Público da Universidade de Brasília (UnB).


Na primeira seção da denúncia, concernentes aos fatos, os denunciantes narraram as seguintes situações: 1) manifestações públicas sobre processos, inquéritos e investigações na alçada do Supremo Tribunal Federal; 2) o uso de linguagem impolida, desrespeitosa e indecorosa; 3) julgamento em casos em que seja suspeito ou impedido: quebra da imparcialidade; 4) pedido de vista com protelamento patentemente injustificado na devolução dos autos para julgamento; 5) envolvimento em atividades político-partidárias.


Na segunda seção da denúncia, foram apresentados os fundamentos jurídicos, enquadrando-se os fatos nos tipos de crime de responsabilidade previstos no art. 39, itens 2 a 5, da Lei nº 1.079/1950:


“Art. 39. São crimes de responsabilidade dos Ministros do Supremo Tribunal Federal:


[…]


2 – proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa;


3 – exercer atividade político-partidária;


4 – ser patentemente desidioso no cumprimento dos deveres do cargo;


5 – proceder de modo incompatível com a honra dignidade e decoro de suas funções.”


2. Proferimento de julgamento quando legalmente suspeito (ou impedido) na causa (crime de responsabilidade previsto no art. 39, item 2, da Lei nº 1.079/1950)


2.1. Do julgamento pelo denunciado de causas ou processos em que seus amigos íntimos são advogados
Os autores da denúncia referem-se, em especial, à participação em julgamento de processos em que atua como advogado Rodrigo de Bittencourt Mudrovitsch, seu exorientando de mestrado na Faculdade de Direito da Universidade Brasília, professor do IDP (instituição de ensino na qual o Ministro Gilmar Ferreira Mendes é proprietário), colaborador em diversas publicações e projetos de pesquisa e advogado particular em várias causas. Nesse particular, aplicam-se sobretudo as normas de suspeição expressas no art. 135, inciso V, do Código de Processo Civil de 1973, e no art. 145, inciso I, do novo Código de Processo Civil.
2.2. Julgamento de causas em que é inimigo de uma das partes:
A esse respeito, os autores referem-se a particularmente às declarações de desapreço e mesmo injuriosas sobre o ex-Presidente Luís Inácio Lula da Silva, que configuram inimizade. Apontam que, apesar disso, o Minsitro continua julgando ou participando de julgamentos do ex-Presidente. A base para a suspeição encontra-se no art. 135, inciso I, do CPC de 1973, e no art. 145, inciso I, do novo CPC.
2.3. Do julgamento em hipótese de impedimento: julgamento pelo denunciado de casos em que a parte é cliente de escritório de advocacia do qual é membro e sócia a cônjuge do julgador.
A respeito de julgamento em casos no qual se encontra impedido, cabe observar que o Ministro Gilmar Ferreira Mendes participou/participa, como relator, do julgamento de causas ou exerceu/exerce funções em processos nos quais Guilherme Pitta atuou ou atua como advogado no Tribunal Superior Eleitoral. Guilherme Pitta é advogado e sócio do Escritório de Advocacia Sérgio Bermudes, do qual a esposa do Ministro Gilmar Ferreira Mendes, advogada Guiomar Feitosa Lima Mendes, é membro ativa e sócia. Aplicam-se a esses casos as normas de impedimento previstas no art. 144, § 3º combinado com inciso III e VIII, do novo Código de Processo Civil.


2.4. Interessado no julgamento da causa ou do processo em favor de qualquer das partes: exercício de função judicante ou julgamento após prejulgamento do respectivo processo em declarações públicas.


Os autores da denúncia referem-se a diversas situações em que o Ministro Gilmar Ferreira Mendes julgou causas em relação às quais já havia se manifestado sobre a matéria concreta em típico prejulgamento.
Desataca-se, a esse respeito, o julgamento do de Medida Cautelar em Mandado de Segurança nº 34.070/DF, em 18 de março 2016, no qual suspendeu ato de nomeação do ex-Presidente Lula para Ministro de Estado, embora nos dois dias anteriores tenha feito prejulgamentos do caso perante a imprensa.
Nesse particular, aplicam-se as normas de suspeição previstas no art. 135, inciso V, do CPC de 1973, e o art. 145, inciso IV, do novo CPC.


3. Exercício de atividade político-partidária (crime de responsabilidade previsto no art. 39, item III, da Lei nº 1.079/1050)


Os autores da denúncia apontam para diversas manifestações de cunho político-partidário, mas também para articulações com certas forças político-partidárias em detrimento de outras.
As manifestações dizem respeito a posições de desprezo e mesmo de criminalização de partidos e políticos, especialmente o Partido dos Trabalhadores e o ex-Presidente Lula, combinada com opiniões de apreço a outras forças político-partidárias.
Os denunciantes também se referem a articulações em ambiente privado com membros do atual governo, no sentido de reverter decisão do STF que corresponde aos interesses da oposição e contrariam os interesses do governo (proibição de financiamento das campanhas por pessoa jurídica), assim como para influenciar no andamento do impeachment da presidenta Dilma Rousseff. O Ministro, dessa maneira, está publicamente envolvido em típica atividade político-partidária.


4. Atitude patentemente desidiosa no cumprimento dos deveres do cargo (crime de responsabilidade previsto no art. 139, item 4, da Lei nº 1.079/1950);


Os denunciantes esclarecem ser “patentemente desidiosa” o pedido de vista de processo, sem nenhuma justificação razoável, para fins de protelar a solução do caso quando já se formou maioria ou se vislumbra claramente a formação de uma maioria do colegiado contrária à posição do respectivo magistrado, especialmente se este ultrapassa absurdamente todos os prazos juridicamente estabelecidos para a devolução do processo para julgamento, ferindo manifestamente a boa-fé processual.
Concentram-se, nesse particular, na atuação do Ministro Gilmar Ferreira Mendes no julgamento da ADI 4650/DF. O Ministro reteve os autos por mais de 17 (dezessete) meses, extrapolando todos os limites de prazo estabelecidos regimentalmente para a devolução do processo, sem nenhuma justificativa que pudesse apresentar um mínimo de aparência de razoabilidade, senão a de estar caprichosamente inconformado com formação de maioria contrária ao seu posicionamento.
5. Conduta incompatível com a honra, a dignidade e o decoro de suas funções (crime de responsabilidade previsto no art. 39, item 5, da Lei nº 1.079/1950);


Os denunciantes apontam particularmente para as inumeráveis situações em que o Ministro Gilmar Ferreira Mendes fez uso de linguagem impolida e depreciativa para com as partes, advogados, membros de outros poderes, lideranças políticas, colegas, membros do Ministério Público, instituições da sociedade civil e mesmo para com parcela do eleitorado.
Destaca-se, recentemente, o uso de palavras como “cretino” para membros do MP e juízes; “bêbados” para os responsáveis pela Lei da Ficha Limpa, de inciativa popular, aprovada por ampla maioria do Congresso Nacional, com apoio da CNBB, OAB e AMB, e subscrita por cerca de 1.600.000 eleitores.
Também se enfatiza a postura recente do Ministro Gilmar Ferreira Mendes de desprezo e desconsideração pelo Presidente do STF, quando o Ministro denunciado afirmou que o responsável (o Presidente do STF) pela decisão de separar a votação do julgamento da inabilitação da Presidenta Dilma Rousseff para o exercício de função pública “não passa na prova dos 9 do jardim de infância do direito constitucional”. Ofensas verbais de tal magnitude, em tom de zombaria e desdém contra colegas do STF, membros do Judiciário e do MP, o Congresso Nacional, seus membros, parcela do eleitorado e importantes instituições da sociedade civil, configura obviamente insulto incompatível com a dignidade, a honra e o decoro inerentes à função de Magistrado, particularmente à função de Ministro do Supremo Tribunal Federal.

6. Do pedido


Diante de tudo o que foi exposto, os denunciantes requerem ao Presidente do Senado Federal que a denúncia seja recebida e o cidadão Gilmar Ferreira Mendes seja destituído do seu cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal, nos termos do processo estabelecido nos artigos 41 a 73 da Lei nº 1.079/1950, e inabilitado, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis (CF, art. 52, parágrafo único), por ter o Ministro ora denunciado praticado os crimes de responsabilidade tipificados no art. 39, incisos 2, 3, 4 e 5, dessa Lei especial.

Marcelo Auler - extraído do Contexto Livre e também divulgado pelo Jornal GGN