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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

O timing midiático dos "Filhos do Januário" como jogo pra-ver-se cola do caso Lulinha pela República do Paraná, por Luis Nassif



O caso Lulinha e o joga-pra-ver-se-cola da República do Paraná, por Luis Nassif

É apenas um lance de quem tem uma única estratégia defensiva: explorar politicamente as ações contra Lula, visando blindarem-se a si próprios.
Reprodução
GGN.-  A ofensiva da Lava Jato contra o filho de Lula, em cima de episódios antigos, já fartamente explorados, significa apenas um lance de quem tem uma única estratégia defensiva: explorar politicamente as ações contra Lula, visando se blindar a si próprios.
Não está fácil a vida da Lava Jato. 
O procurador Roberto Pozzobon, o titular da ação, é personagem central do caso Tacla Duran – que deverá entrar nas analises da correição aberta pela Procuradoria Geral da República.
A juíza Gabriela Hardt se desmoralizou valendo-se do copy-paste em sentenças de ampla repercussão. Em geral recorre-se à cópia em casos recorrentes.
Ao mesmo tempo, o PGR Augusto Aras repõe a ordem natural das coisas, trazendo de volta a capacidade da PGR de indicar assessores. Até então, a República de Curitiba atuava como se fosse um poder à parte e superior à própria PGR, graças à pusilanimidade do ex-PGR Rodrigo Janot e aos receios da sua sucessora Raquel Dodge.
Ao explorar novamente o caso Gamecorp, a República de Curitiba apenas reforça a parcialidade, em um momento em que o Supremo Tribunal Federal irá julgar a suspeição de Sergio Moro – o comandante em chefe da turma.
Tenho a impressão de que essa joga-pra-ver-se-cola não vai colar.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Xadrez de como Guedes negociou o COAF com Moro antes da eleição, por Luis Nassif



Na negociação do pacote de promessas e contrapartidas entabulada por Guedes como fiador de Moro e Bolsonaro, quem está ganhando de goleada mesmo é o negociador Guedes, que até agora ganhou todas.
Esse Xadrez foi feito com a colaboração de leitores bem informados.

Peça 1 – o acordo Guedes-Moro

A revelação de Bebiano de que Guedes e Moro se encontraram varias vezes antes da eleição joga luz sobre como o COAF foi parar nas mãos de Moro e quais eram os interesses, lado a lado, envolvendo a questão.
Por que Guedes foi escalado por Bolsonaro? Porque Guedes já tinha sido anunciado como futuro ministro da Economia, ministério que abrigava o COAF. A transferência do COAF para o Ministério da Justiça dependeria do aval do titular da pasta. Ao negociar com Guedes, como emissário de Bolsonaro, Moro tinha certeza de que não precisaria negociar com mais ninguém, que a fatura estaria liquidada com a vitória de Bolsonaro.

Peça 2 – porque o COAF foi o tema do encontro

Ao ser oferecido o cargo de Ministro da Justiça a Moro, ele passou a alimentar o sonho de levar a experiência da Lava Jato, que era uma experiência de Força Tarefa – que logo adiante acabaria – a uma estrutura permanente de governo. O Ministério da Justiça se transformaria numa lava jato permanente, com uma imensa estrutura a serviço dos interesses de Moro.
Se ele alcançasse seus objetivos, se tornaria o homem mais poderoso da república, podendo escolher entre ser ministro do Supremo Tribunal Federal ou mesmo ser candidato à presidência da república.
No período em que houve a negociação, antes da eleição, Moro tinha forte apoio no judiciário, inclusive no STF; tinha forte ascendência sobre o Ministério Público Federal e Polícia Federal, tinha apoio dos Auditores Fiscais da Receita Federal e de servidores e chefes do COAF (vide entrevista do presidente do COAF Antônio Ferreira em dezembro de 2018 confirmando que os servidores do COAF trabalhavam em salas de situação junto com a lava jato).
Mas Moro precisava mais: o controle absoluto do COAF. Com o COAF sob o guarda chuva do ministério da Justiça, Moro controlaria a Polícia Federal, o COAF, parte do judiciário, ministério público e Receita Federal (uma entidade associativa dos Auditores Fiscais da Receita Federal apoiava expressamente a transferência do COAF para o ministério comandado por Moro). Foi essa garantia dada por Guedes, autorizado por Bolsonaro, que convenceu Moro a largar a toga em troca do apoio explícito à campanha de Bolsonaro para depois assumir o ministério da justiça.

Peça 3 – a barganha com os Bolsonaro

Em contrapartida, interessava ao clã Bolsonaro que os integrantes da família fossem blindadas no COAF. Desde janeiro de 2018 o Ministério Público tinha conhecimento do relatório do COAF apontando as movimentações suspeitas de Queiroz, tesoureiro do clã.
O Ministério Público do estado do RJ tinha sentado em cima do caso, não tomando nenhuma providência para apuração dos fatos. O Ministério Público Federal fez de conta que não era com ele. Na operação Furna da Onça a Lava Jato prendeu vários deputados por suspeitas semelhantes às que pesavam sobre Flávio Bolsonaro. A diferença é que este nem sequer foi citado na operação. Mas o clã Bolsonaro sabia que o relatório existia e que a qualquer momento o assunto se tornaria público. Então era preciso que o COAF blindasse o clã, garantindo que novos relatórios não incriminassem a família. Era o tipo de negócio que ficava bom para todo mundo: todo o poder que Moro queria em troca da blindagem do clã Bolsonaro.

Peça 4 – a comprovação da teoria do fato

Os fatos subsequentes a eleição presidencial confirmam a teoria do fato aqui apresentada:
Três dias após a eleição, Bolsonaro anuncia Moro como ministro da Justiça e a transferência do COAF aos cuidados de Moro, restando evidente que a negociação da transferência do COAF tinha ocorrido bem antes da eleição, dada a completa impossibilidade de tal decisão administrativa, envolvendo dois ministérios e mudanças legislativas, pudesse ter sido tomada no calor das comemorações da vitória eleitoral.
Moro passou imediatamente a montar suas equipe, escolhendo delegados da Polícia Federal e Auditores Fiscais da Receita Federal de extrema fidelidade com a lava jato. Para a presidência do COAF nomeou Roberto Leonel, que era um dos Auditores Fiscais que passava informações sigilosas para a lava jato de forma informal, conforme revelado pelo The Intercept Brasil, além da delegada Erica Merena, outra fiel defensora dos métodos da Lava Jato de primeiro acusar e prender para depois ver se acha alguma prova.

Peça 5 – o destino conspira contra Moro

Tudo ia bem para os Bolsonaro também. Veio a Operação Furna da Onça em 08 de novembro e nem Flávio nem Queiroz estavam entre os alvos. Queiroz seria intimado somente três semanas após a eleição, mesmo o Ministério Público tendo conhecimento das movimentações desde janeiro de 2018.
Uma semana após a intimação de Queiroz, Flávio Bolsonaro se reuniria com o promotor encarregado do caso. Tudo em segredo. Tudo ia bem. Aconteceu então um imprevisto em 06 de dezembro, o vazamento ao público do relatório COAF do Queiroz. Após o vazamento, o Ministério Público do Estado do RJ pediu mais informações ao COAF, e então, inexplicavelmente, ficou-se sabendo que Queiroz tinha movimentado, não 1,2 milhão mas 7 milhões.
Moro como ministro da justiça nomeou as pessoas de sua confiança para o COAF. Mas já não poderia dar a contrapartida que Bolsonaro esperava dele: a blindagem do clã para que nenhuma nova informação viesse a público. Bolsonaro perdeu interesse em manter o COAF com Moro, pois percebeu o poder desmesurado que tinha dado a Moro. Ato contínuo, o congresso rejeitou a transferência do COAF para o MJ.

Peça 6 – Moro preso a Bolsonaro

Apesar das derrotas sucessivas de Moro, e da constatação do fracasso do seu plano de transformar o Ministério da justiça numa super lava jato incorporada à estrutura repressora e controladora do governo, Moro não tem opção a não ser continuar apoiando Bolsonaro.
Na negociação do pacote de promessas e contrapartidas entabulada por Guedes como fiador de Moro e Bolsonaro, quem está ganhando de goleada mesmo é o negociador Guedes, que até agora ganhou todas. Dos outros dois, nem Bolsonaro nem Moro entregaram um ao outro tudo que tinham prometido. De qualquer forma, Moro é o único que está perdendo de goleada. Estava 7 x 1 contra ele. Agora o Bebiano lhe jogou mais uma pá de cal para sujar seu belo terno preto italiano.

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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Sobre pretensos falsos leões e supostas hienas, ou sobre como a real hiena quer se passar por leão, por Ricardo Cappelli




  "Bolsonaro pode ser acusado de tudo, menos de incoerência. Sempre defendeu a ditadura militar. Publicamente, chegou a considerar a tortura necessária.  Deixou claro antes do pleito que representava as viúvas dos anos de chumbo. Seu desprezo pela democracia e pela Nova República não é nenhuma novidade. Sua família condecorava milicianos muito antes do Capitão subir a rampa do Planalto."

Sobre leões e hienas

por Ricardo Cappelli, no GGN

Bolsonaro pode ser acusado de tudo, menos de incoerência. Sempre defendeu a ditadura militar. Publicamente, chegou a considerar a tortura necessária. 

Deixou claro antes do pleito que representava as viúvas dos anos de chumbo. Seu desprezo pela democracia e pela Nova República não é nenhuma novidade. Sua família condecorava milicianos muito antes do Capitão subir a rampa do Planalto.

O presidente espancou a Globo nas eleições usando o apoio de Roberto Marinho ao Golpe de 64. Disse em alto e bom som que iria acabar com a Folha de São Paulo para uma Avenida Paulista eufórica.

Diante destes fatos, não é natural que seu filho considere a edição de um novo AI-5?

Mais importante que o protesto – a normalização precisa ser fustigada -, é tentar descobrir como, jogando deste jeito, o time adversário venceu a partida. O que fez o povo votar nele “com ditadura, tortura e milícia no pacote”?

Jair Messias venceu por se apresentar simbolicamente como a negação do sistema, de instituições incapazes de apresentar respostas para os problemas da Dona Maria.

Alguns profetizam – movidos pelo sempre necessário otimismo da vontade – que o isolamento crescente levará ao impeachment. Sua excelência, o povo, assiste a tudo de longe. Queda de presidente sem gente na rua seria uma tremenda novidade.

No Congresso, eventual palco da queda, a agenda de Guedes reina absoluta.
Deputados e senadores nunca tiveram tantas emendas, impositivas e “extras”. O Capitão criou o “presidencialismo de emendão”. Tirou a confusão da Esplanada e empurrou para parlamentares e prefeitos. Vem funcionado bem, apesar de ter potencial para virar o próximo escândalo nacional.

Os liberais que dirigem o Congresso demarcam com os arroubos autoritários, mas aplaudem a agenda econômica. Não há sinal de que a verborragia vai atrapalhar o andamento das reformas. Com emendas pagas e a Bolsa batendo recordes, a roda vai girando.

Se a economia não decola, também não afunda. O mais provável é que a situação do povo continue congelada. Até onde irá sua paciência? A agenda de costumes e valores será suficiente para manter uma base unida e mobilizada? Qual a capacidade da oposição de ressignificar a esperança e mobilizar a população?

Quando o bolsonarismo rouba da esquerda a bandeira do “Abaixo a Rede Globo!”, fica ainda mais difícil para o Seu João distinguir quem luta contra o sistema.

Num país que, segundo o IBGE, caminha para se tornar uma nação evangélica, como a esquerda pretende se reconectar com o povo? A defesa do passado recente é suficiente? Que posição assumir na disputa simbólica entre o novo e o velho, entre o passado e o futuro?

No debate sobre o Estado, que reformas sistêmicas a oposição propõe? A luta de resistência na defesa deste sistema é o melhor caminho?


Na política, muitas vezes a dificuldade está em aceitar a realidade e fazer as perguntas corretas. As bolhas seduzem e o ego nos empurra para dentro delas.  É preciso tomar cuidado para não vestir a fantasia de Hiena imaginando estar posando de Leão.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Nepotismo explícito: Bolsonaro tem nada menos que 13 parentes nomeados em gabinetes da família




Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro. Foto: AFP
Reportagem de Juliana Dal Piva, Bruno Abbud e Ana Clara Costa na Revista Época.
A lista dos 95 nomes cujos sigilos fiscais e bancários foram quebrados por decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), na esteira do caso que investiga o ex-policial militar Fabrício Queiroz e o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), inclui uma frente de investigação ainda pouco explorada pelo Ministério Público do Rio. No documento, constam os nomes de nove parentes de Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro e mãe de seu filho mais novo, Jair Renan. Além dos nove, outros três parentes de Ana Cristina ocuparam cargos no gabinete de Jair. A própria, inclusive, foi nomeada por Carlos Bolsonaro em seu gabinete na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Ana Cristina viveu em união estável com Jair por cerca de dez anos, entre 1998 e 2008. Assim, as 13 contratações podem configurar nepotismo. 
Entre as nomeações, está a do pai de Ana Cristina, José Cândido Procópio da Silva Valle, a irmã Andrea Siqueira Valle, os primos Juliana Vargas, Francisco Diniz, Daniela Gomes e os tios Guilherme Hudson, Ana Maria Siqueira Hudson, Maria José de Siqueira e Silva e Marina Siqueira Diniz. A maioria da família vive em Resende, no sul do Rio de Janeiro, e os parentes foram nomeados para exercer cargos de confiança no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) entre 2007 e o ano passado. A exceção fica por conta de Andrea Siqueira Valle, que, em 2018, mudou para Guarapari, no Espírito Santo. 
A família Siqueira integra há mais tempo a extensa lista de funcionários do clã Bolsonaro. Ao menos cinco deles também trabalharam como assessores no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, entre 2002 e 2007. Nesse período, estavam lotadas no gabinete em Brasília a irmã de Ana Cristina, Andrea Siqueira Valle; a prima Juliana Vargas; a mãe, Henriqueta Guimarães Siqueira Valle; o irmão, André Luiz Procópio Siqueira Valle; e o primo André Luiz de Siqueira Hudson. 
Guilherme Hudson e Ana Maria Hudson, tios de Ana Cristina, recebiam salário bruto de R$ 9.800 cada enquanto trabalhavam para Flávio. A irmã Andrea e os primos Juliana e Francisco tinham salário bruto de R$ 7.300. Já as tias Maria e Marina e a prima Daniela recebiam R$ 4.400, R$ 5.900 e R$ 6.400, respectivamente.
(…)

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Justiça finalmente autoriza quebra de sigilo de Flávio Bolsonaro e convenientemente "desaparecido" Fabrício Queiroz




Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz

Do jornal O Globo:
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) autorizou a quebra de sigilo do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, e do ex-policial militar Fabrício Queiroz. O pedido foi feito pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, autorizado em 24 de abril de 2019 e mantido em sigilo até este momento.
Além do afastamento de sigilo de Flávio e seu ex-assessor Queiroz, também terão suas informações bancárias averiguadas a esposa de Flavio, Fernanda Bolsonaro, a empresa de ambos, Bolsotini Chocolates e Café Ltda, as duas filhas de Queiroz, Nathalia e Evelyn, e a esposa do ex-assessor, Marcia.
(…)

terça-feira, 16 de abril de 2019

Bob Fernandes: O milicianato, suas vítimas, conexões políticas e militares, milhões em dinheiro corrente, Flávio Bolsonaro. Seguirão fingindo que não enxergam? Que não escutam?



Do Canal de Bob Fernandes

CRÉDITOS Direção Geral: Bob Fernandes Direção Executiva: Antonio Prada Supervisão Criativa: Pio Figueiroa Produção: Pletora Edição e Sonoplastia: Gabriel Edé Câmera e Som: Miguel Breyton Arte e Vinhetas: Lorota FOTOS: Lixão/Catadores (Marcello Casal Jr./Agencia Brasil)

segunda-feira, 18 de março de 2019

A Lava-Jato e a ANPR contra a procuradora-geral da República: mais um desserviço ao País, por Eugênio Aragão


"Pretendem que sua “independência funcional” tudo pode, como se soberanos fossem"



Do GGN:

O ministério público federal (mpf, com iniciais minúsculas mesmo) chegou ao fundo do poço. Entre tapas, arranhões e puxadas de cabelo, a instituição parece mostrar, de público, que não está à altura de sua missão constitucional. Nunca se viu tamanha degradação. Alguns membros lá da província do sul, embevecidos com a reputação que ilicitamente construíram na famigerada “operação Lava-Jato”, perderam todas as estribeiras e passaram a ignorar a lei, a chefia e até os princípios que regem o funcionamento de sua casa. Pretendem que sua “independência funcional” tudo pode, como se soberanos fossem.
Bem a calhar, lembro-me de certo episódio da alvorada de minha carreira no mpf, quando o então Procurador-geral da República, Ministro José Paulo Sepúlveda Pertence, foi indagado por sua nova assessora de imprensa, Memélia Moreira, sobre como se devesse dirigir aos procuradores da república. Perguntou-lhe a novata: é com “excelência”…? Respondeu o Ministro Pertence sem titubear, na fina ironia que lhe é própria: de “excelência”, chame a mim! Aos procuradores, reporte-se por “majestade”!
De lá para cá, as coisas só pioraram. Fui corregedor, pude constatar como uma parte nem tão numerosa, mas bem barulhenta deles tem dificuldade, no extremo de seu narcisismo, de lidar com frustrações. Não são deuses, são professores de Deus! Ninguém com eles pode e, em tempos mais recentes, a diretoria de sua associação (Associação Nacional dos Procuradores da República – (ANPR) passou a ser seu santo ofício, escolhendo lado em brigas entre associados, para canonizar sobre o que é certo e errado pensar e dizer dentro da instituição. Ai daquele que ousar ter ideias próprias. Pesa-lhe a eterna danação na carreira, como se tivesse violado a regra de “omertà” de uma organização mafiosa.
Curitiba levou à perfeição esse perfil funcional, como guarda pretoriana do ministério público ao qual tudo é permitido, desde que em consonância com o projeto de poder desenhado pelo santo ofício. Vozes dissonantes são eliminadas não só por bullying interno, mas sobretudo por uma mídia ávida em dar sustentação a esse projeto, para impedir que atores da esquerda partidária permaneçam ou voltem ao governo. Contam para isso com um juiz que legitima e enfurecidamente agrava as ilegalidades dos procuradores. Ao PowerPoint do “chefete” da autointitulada “força-tarefa” a caluniar o ex-Presidente Lula se acrescem vazamentos de interceptações ilegais de comunicações, distribuição à imprensa de depoimentos sigilosos extraídos à base da extorsão, contra-ordem sem jurisdição para descumprir mandado em habeas corpus expedido por superior instância, leiloamento de bens arrecadados de réus antes do trânsito em julgado de sentença primeva condenatória e por aí vai.
A ousadia do provinciano inquisidor-mor e de seus auxiliares no ministério público não encontra resistência nas cortes superiores. Uns por compartilharem a tosca visão de mundo da corporação abusada, outros, talvez, por medo de atrair contra si a ira de uma multidão ensandecida que quer o sepultamento do estado democrático de direito, deixam o barco correr e, a cada coonestação de suas ilegalidades, a turma fica mais motivada a seguir pela senda de destruição de garantias fundamentais.
A patifaria foi bem recompensada. O juiz de província virou ministro de um governo que ganhou o mandato graças a calúnias e difamações contra os adversários em escala industrial e o menino do PowerPoint acha que vai ser ou fazer o próximo Procurador-geral da República…
A empreitada curitibana, como disse o Ministro Gilmar Mendes, é um projeto de poder. Um projeto corporativo que passa por protagonismos individuais. Tanto o presidente do santo ofício, a ANPR, quanto o atrevido autor do PowerPoint, querem se dar bem, custe o que custar para o país. Centenas de milhares de empregos foram destruídos na sanha persecutória contra o setor de construção civil, ativos tecnológicos foram entregues de mãos beijadas a empresas estrangeiras, reinstaurou-se a dependência por know-how de fora para obras de infraestrutura e, o pior, deu-se de presente o petróleo do pré-sal a petroleiras norte-americanas. Mas, dane-se! Os moços têm um futuro brilhante como intocáveis justiceiros!
É preciso colocar os pontos no ii para desmascarar esse desserviço contra o Brasil, por uma horda de narcisos que a todo dia de manhã vão ao espelho depois de acordarem, para se dizerem “bom dia, lindão”! Usam a moral como lhes apraz, à busca de aplauso. Manipularam a agenda de enfrentamento da corrupção de modo seletivo, para fazer barulho e obter apoio de setores da economia que repudiavam as políticas sociais inclusivas, de “custo público intensivo” dos governos do PT. Endiabraram o governo e a liderança partidária. Com isso, atravessando as competências do executivo federal, estabeleceram contatos para si muito promissores com a agenda norte-americana de ferir mortalmente o interesse nacional brasileiro. Foram aos EEUU, fizeram acordos, entregaram informações sensíveis sobre a gigante petroleira brasileira e assumiram o trabalho sujo de liberar o espaço para as empresas norte-americanas. Tudo isso clandestinamente, com as bênçãos do procurador-geral de então, o vaidoso e pretensioso Rodrigo Janot.
As instituições do país metido numa das maiores crises políticas de sua história assistiam passivamente ao crescimento desse leviatã. Seus vozeiros criticavam abertamente ministros do STF, sem maiores reações dos atingidos e faziam terror midiático contra potenciais desafetos – enfim, tudo que não se espera de um agente “político” do estado investido nas graves funções de manuseio do monopólio de violência.
Mas, finalmente, parece que o STF acordou. Talvez tarde. O estrago na prática jurisdicional e na economia do país foi alto e definitivo. Foi preciso a corte sentir que era o alvo da vez nas invectivas descontroladas dos procuradores e de seu santo ofício para reagir.
A relação leniente entre o tribunal os inquisidores curitibanos sofreu um curto-circuito quando estes se arvoraram em criticar publicamente julgamento do pleno sobre a competência da justiça federal para processar e julgar crimes conexos a crimes eleitorais. O santo ofício se manifestou publicamente, com intenção de arrebanhar apoios contra eventual tendência de desempoderar a justiça federal e, com isso, o mpf. Certo procuradorzinho de Curitiba chegou a desafiar os ministros em artigo chucro nas redes e mereceu um pedido de providências do Presidente do STF.
Desta vez, contudo, o STF não se deixou intimidar e, por estreita maioria, fez prevalecer a Constituição e a lei na sua interpretação mais óbvia e literal: o art. 79 do CPP estabelece que os crimes ordinários conexos aos de jurisdição especial, como o justiça eleitoral, serão por esta processados e julgados; por sua vez, o art. 35 do Código Eleitoral deixa claro que os crimes conexos aos crimes eleitorais serão julgados pela justiça eleitoral. Enfim, não há óbice a estas disposições pré-constitucionais, uma vez que a própria Constituição, em seu art. 109, ao estabelecer a competência criminal da justiça federal, ressalva os crimes de competência da justiça eleitoral. A decisão majoritária do STF não fez outra coisa que reestabelecer o leito da legalidade.
A reação dos justiceiros de Curitiba foi histriônica, típica de quem não aprendeu em casa a lidar com um “não” de Papai e Mamãe. Afinal, como podem os lindões da “Lava Jato” ser colocados em seu lugar? A corporação não aceitou a captis diminutio e continuou a estribilhar desaforada.
Fui vice-procurador-geral eleitoral. Pude verificar, em dois anos e meio de mandato, que os procuradores eleitorais, em sua grande maioria, com raríssimas exceções, bebem chope do mesmo barril que os justiceiros. Não são melhores e nem piores. São inflexíveis no exame de reclamações e irregularidade, na tônica do “summum ius, summa iniuria”. Têm enorme dificuldade de dialogar com os jurisdicionados e entender as particularidades do processo eleitoral e, não raro, tratam a classe política como um bando de delinquentes. Se for por razões ideológicas, portanto, não tem muito o que temer, a turma curitibana. Os réus da “Lava Jato” receberão “tratamento” adequado pelos procuradores eleitorais.
Mas aí é que está o problema: os inquisidores da província do Paraná perderão protagonismo. Não serão mais eles que perseguirão os políticos a quem, muitas vezes sem prova cabal, atribuíram terem se corrompido para financiar suas campanhas eleitorais. Com o exame diferenciado da justiça eleitoral, pode-se chegar à conclusão que o financiamento se deu dentro da lei. Receber recursos de empreiteiras de obras de infraestrutura nem sempre configura propina. Essa simples constatação pode enterrar o discurso populista contra a política que inflou as taxas de aprovação dos lavajateiros nas pesquisas de opinião.
A extrema irritação corporativa tem, pois, razão de ser. Se houve sujeira processual colocada debaixo do tapete, ela já já se manifestará com a mudança para a justiça eleitoral. Não há sujeira que resista debaixo do tapete com a ação da Transportadora “A Lusitana”, que roda enquanto o mundo gira.
Mas não ficou só nisso. Outra ousada iniciativa da “Lava Jato” mereceu dura reprimenda do STF e, agora, por iniciativa da própria Procuradora-geral, que – at last but not at least – deu um basta às atitudes autocráticas da turma de Curitiba, que passaram por cima da autoridade da própria chefe.
O pano de fundo é um estranho acordo feito entre a Petrobrás e o Departamento de Justiça norte-americano (DoJ), através de sua seção de defraudações. Os EEUU se arrogam o direito de jurisdicionar sobre qualquer caso de corrupção mundo afora, que possa afetar a competitividade das empresas norte-americanas no mercado global. Trata-se de uma extensão, sem igual no direito comparado,  da jurisdição extraterritorial pelo princípio protetivo. O pagamento de propinas por uma suposta empresa de construção civil australiana a funcionário da Papua-Nova Guiné pode recair na competência da justiça estadunidense assim como a doação eleitoral feita por empreiteira brasileira a um servidor do próprio Brasil. Não interessa: tratando-se de negócio em que empresa dos EEUU poderia vir a ter interesse, pimba! A justiça norte-americana entra no circuito.
Essa legislação – Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) – mostra claramente do que se trata no “combate” transnacional da corrupção: impedir prejuízos aos negócios norte-americanos. É uma moral tão atravessada quanto aquela que inspirou ingleses, no século XIX, a reprimir o tráfico de escravos. Não era a vida de escravos que interessava (na interceptação de navios negreiros em alto mar eles morriam por afogamento, com o afundamento da embarcação em que eram transportados), mas apenas impedir que chegassem ao destino, para servirem de mão de obra aviltada, nas plantações de cana ou de algodão que concorriam com engenhos e fazendas britânicas, onde a escravidão fora abolida por ordem da Casa dos Lordes. O “combate” à corrupção, no espaço internacional, pouco se lixa com a qualidade governança dos países em que o ilícito é endêmico. O caso da Ucrânia bem exemplifica essa lógica.
A partir da “revolução laranja” de 2004-2005, fortemente suportada com recursos norte-americanos advindos do United States Agency for International Development (USAID) e doNational Endowment for Democracy (NED), os EEUU passaram a ter o comando sobre o governo e a economia da Ucrânia. Colocavam nos postos-chave quem lhes interessava e demitia altos funcionários quando lhes aprouvesse. Isso não impediu que os recursos dos contribuintes estadunidenses fossem desviados e que grande parte dos créditos do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial fossem parar nas mãos de oligarcas e depositados em contas off-shore, sem qualquer proveito para a população ucraniana. Mas não era isso que interessava aos EEUU. Queriam é criar um estado-cliente na fronteira da Rússia, completamente dependente da aliança ocidental. Corrupção, ali, foi vista não como custo ilegítimo, mas como investimento, feito a cenoura dependurada diante do burro com uma vara de pescar, para que se mova na direção desejada pelo carroceiro. E, quando em 2010 a situação fugiu do controle com a eleição do desafeto Victor Yanukovych, simpático ao governo de Moscou, para o cargo de presidente da república, os atores norte-americanos, secundados pelos da União Europeia, trataram de financiar grupos políticos nacionalistas e anti-russos que, em 2014, o depuseram, na chamada “revolução de Maidan”. A partir daí, com os mesmos oligarcas corruptos no poder, os EEUU e a União Europeia passaram ditar os destinos do país, mesmo com o PIB despencando em 60% do valor de 2014.
Não é a corrupção que interessa aos combatentes “anticorrupção”. São interesses estratégicos geopolíticos que os animam. E nossos meninos de Curitiba, assim como o ambicioso Rodrigo Janot, ou são burros ou são conscientemente coniventes com a destruição dos ativos nacionais brasileiros. De Rodrigo, por vezes inimputável, não se pode dizer muito, mas os justiceiros da província são toscos, porém não menos espertos para garantirem o proveito próprio.
Foi assim com o tal acordo entre a seção de defraudações do DoJ e a Petrobrás. As tratativas foram levadas a cabo por representante jurídica da empresa e as autoridades norte-americanas. Curiosamente, apesar de ter sido, o negócio, confessadamente induzido pela turma da “força-tarefa”, não consta da formalização do acordo nenhuma referência ao mpf e sequer a assinatura de algum representante seu.
O acordo traria para a Petrobrás “a vantagem” de não sofrer persecução penal nos EEUU por crimes que, segundo sua legislação, teriam sido praticados no Brasil. Na contrapartida, a empresa pagaria vultosa multa de bilhões de reais ao governo americano. O mais curioso é que a ameaça de persecução fere abertamente o princípio da não-ingerência profundamente enraizado no direito internacional. Para escapar dessa arbitrariedade, a petroleira se dispôs a pagar sem reclamar, num valor muito superior ao praticado em casos congêneres nos EEUU.
Pelo novo acordo, a Petrobrás poderia deixar de pagar aos estadunidenses 80% do valor da multa, se o aplicassem, metade, na indenização de acionistas no Brasil e, outra metade, num programa de politicas anticorrupção a ser levado a efeito em articulação com as “autoridades governamentais brasileiras”, aí compreendidos, expressamente, o Tribunal de Contas da União e a Comissão de Valores Mobiliários. Sobre o mpf, não se gastou uma só palavra.
Mas, clandestinamente, sem conhecimento da  assessoria internacional da PGR, os meninos hiperativos da província elaboraram um novo acordo com a Petrobrás, agora no Brasil, pelo qual 1,25 bilhões de reais da multa reverteriam para uma fundação a ser instituída em Curitiba pela empresa e comandada por um conselho cujos membros seriam escolhidos pelos procuradores e a juíza da 13ª vara federal de Curitiba. Sob segredo de justiça, submeteram o acordo à homologação da juíza, que, sem qualquer competência para a matéria, atendeu ao pedido.
Ocorre que mentira tem pernas curtas e logo o teor do acordo veio a lume pelas mãos do jornalista Luís Nassif. Sua forma e seus termos escandalizaram os meios judiciários. Ficou claro que membros do mpf em Curitiba queriam uma fundação endinheirada para chamar de sua. A finalidade do construto seria claramente política. Pretendia-se disseminar ações preventivas contra a corrupção, muito distantes do escopo de atuação do ministério público. Mas o pior é que aparentemente o mpf da província “tungou” os recursos da multa do DoJ para si, sem que fosse parte ou destinatário direto ou indireto do acordo celebrado nos EEUU. Afinal, o mpf não é “autoridade governamental brasileira” com atribuições na formulação de políticas públicas e o dinheiro, para todos os efeitos, pertenceria à União, pois é acionista controladora da Petrobrás e principal incumbida da agenda anticorrupção. A advocacia geral da União, no entanto, de nada sabia, segundo consta. E muito menos o ministério da justiça. Ao menos, assim fingiram.
O mais grave, porém, é que os procuradores envolvidos se comprometeram a prestar “consultoria” à Petrobrás para instituição da fundação, o que lhes é expressamente vedado no art. 129 da Constituição. E, não fosse só isso, os contatos diretos com autoridades estadunidenses ultrapassaram o âmbito de atribuições do mpf, sendo o ministério da justiça a autoridade central da cooperação jurídica com os EEUU, conforme o acordo que vige entre o Brasil e aquele país. Não compete ao ministério público ou ao judiciário manter relações com estados estrangeiros: essa função pertence exclusivamente ao Presidente da República.
Essas questões foram exaustivamente examinadas em ação declaratória de inconstitucionalidade (ADI) e em ADPF propostas pelo PT e pelo PDT junto ao STF. Concomitantemente,  também a Procuradora-geral da República também propôs ADPF para contestar na mais alta corte a iniciativa curitibana. Deixou muito claro que os procuradores envolvidos não falam pelo mpf, cuja única voz autorizada é da Procuradora-geral. Excederam-se e violaram a constituição. Criticou fortemente o protagonismo pessoal buscado pelos integrantes da “força-tarefa” e a completa falta de fundamento legal para a instituição da fundação por indução do ministério público.
O contra-ataque inesperado da Procuradora-geral desencadeou uma guerra intracorporativa no mpf. Nota do presidente da ANPR, tornada pública pela imprensa, fez inéditas acusações à chefe da instituição, que estaria a violar a independência funcional dos colegas do sul.
A sacrossanta “independência funcional”! Esse princípio virou, nas últimas décadas, uma panaceia para justificar todo e qualquer voluntarismo destrambelhado de procuradores ativistas. Com base nele, tornam-se intangíveis é incontroláveis, verdadeiras metralhadoras giratórias a cuspirem balas em todas as direções. O peso que se atribuiu à falsa garantia é responsável pelos desatinos que passaram a ser frequentes no mpf, em especial a partir da gestão de Rodrigo Janot. E, no entanto, seu emprego sem limites resulta de equivocada interpretação do texto constitucional.
Duas questões essenciais nesse domínio têm deixado de ser consideradas, por não se encaixarem na construção do empoderamento dos membros do mpf. São elas: a uma, a “independência funcional” não é prerrogativa pessoal, mas apenas “princípio institucional” a conviver com dois outros, convenientemente esquecidos – os da unidade e da indivisibilidade do ministério público, todos referidos em conjunto no art. 127 da Constituição; a duas,  a Procuradora-geral da República não é rainha da Inglaterra que reina mas não governa: o art. 128 a chama de “chefe do Ministério Público da União”. Chefe é chefe. Manda, não sugere. Tem a última palavra no governo institucional e representa o órgão externamente.
Por isso mesmo, o protagonismo da primeira instância de Curitiba é indevida invasão do espaço da chefe da instituição. A Constituição não abriu mão da estrutura hierárquica do mpf. Mas como isso se coaduna com a “independência funcional”?
A resposta é simples. A independência do procurador não é igual à do juiz. É ontologicamente diferente. Enquanto o juiz tem sua independência balizada pelos limites já postos da lide (as teses do autor e do réu), o ministério público tem o poder de construir a própria lide e fixar seus limites. Por isso, não pode ver a independência como atributo ou prerrogativa pessoal. Antes, faz parte da gramática do funcionamento institucional. A consciência do procurador não pode ser violada e, para tanto, ele tem o direito de não atuar em feito a explicitar tese com que não concorda. Ele passa o processo para outro. Mas a independência que se lhe aplica como princípio institucional convive com a unidade e indivisibilidade do ministério público, a demandar coordenação e controle, para que nenhum procurador desafine da orquestra de que faz parte. A coordenadora maior é a procuradora-geral. Ponto.
Claro que essa concepção constitucional não agrada a voluntariosos procuradores concurseiros: não fizeram concurso para serem comandados! Mas, num estado de direito, não pode haver exercício de poder sem freio e supervisão. E o ministério público não é coisa distinta desse estado de direito.
Pois bem, aí entra o imbróglio que representa o recente ativismo político autárquico da ANPR. Como mera associação a congregar os membros da carreira, para lutar por suas condições de trabalho e fazer propostas de aprimoramento da atuação institucional, inclui nos seus quadros, também, a Procuradora-geral da República e os que apoiam sua gestão. Têm o mesmo direito de serem representados pela diretoria associativa que os críticos da atuação da chefe. Por isso, não tem a ANPR qualidade para se opor publicamente contra iniciativa da PGR. Não pode a diretoria escolher lado, ainda mais quando foi eleita em chapa única.
Mas não é só isso. A ANPR não tem standing para contestar, como amicus curiae, a ação da Procuradora-geral no STF, como anunciou que pretende fazer. É que, constituída por procuradores que se submetem ao poder de coordenação da chefe, não tem como querer que seus associados venham, por meio da associação, se insurgir contra essa coordenação. Admitir o contrário seria destruir a arquitetura constitucional do ministério público. Pode a ANPR secundar os atos da chefe, mas não se opor em processo judicial, por não ter interesse processual para tanto.
Espera-se do STF que vete qualquer tentativa de hostilização associativa à PGR na ADPF por ela proposta como legítimo instrumento de reaver o controle da institucional no seu leito natural. Admitir, do contrário, que a ANPR se coloque como amicus curiae para contestar a medida de sua mais ilustre associada é um non-sense e apenas fortalecerá a atuação de protagonismo individualista dos bonitões da carreira. E a “Lava-Jato” já mostrou sobejamente seu potencial destrutivo sobre o sistema de garantias processuais, a governabilidade do país, sua economia e infraestrutura com o populismo persecutório à margem da lei, pelo que se notabilizou.
Eugênio Aragão – ex-ministro da Justiça

domingo, 27 de janeiro de 2019

Entenda o que são milícias e como esta forma mafiosa de crime organizado chegou ao poder. Reportagem do TVT.





"A recente descoberta de ligações entre Flávio Bolsonaro e milicianos do escritório do crime, despertou, mais uma vez, o alerta para a força desses criminosos. A equipe do Seu Jornal conversou com especialistas em segurança pública para explicar como essas milícias funcionam."

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Do Le Monde Dilpomatique: O crescimento da desigualdade no capitalismo contemporâneo





A história demonstra que é possível conter a escalada da desigualdade social. Não se trata de um problema de falta de ferramentas para realizar essa empreitada, mas de vontade política para isso. Parte do problema está no funcionamento de algumas democracias modernas, que blindaram a economia da interferência democrática, impedindo que a vontade da maioria prevaleça sobre o poder econômico

Do Le Monde Diplomatique

Em resumo: aquele que pede reformas igualitárias de acordo com os tempos e as circunstâncias, como o socialista, baseia-se na história. Aquele que defende a constituição de uma sociedade igualitária, em que todas as diferenças são consideradas irrelevantes no que diz respeito à distribuição das vantagens e das desvantagens, voa pelos céus da utopia. [i]

No livro “Zombie Economics”, John Quiggin discute alguns pressupostos econômicos que, mesmo após o surgimento de amplas evidências que os provem equivocados, insistem em “não desaparecer”. São as ideias zumbi, que, apesar de todas as provas de que elas deveriam estar enterradas, acabam retornando sob uma nova roupagem. Quiggin argumenta que essas teorias econômicas permanecem vivas porque apresentam alguma utilidade, pelo menos para alguém. [ii]

Um exemplo atualíssimo de uma ideia zumbi é a hipótese do “Trickle down economics” – a teoria do gotejamento. Resumidamente, os crentes na tese do “gotejamento” afirmam que as políticas públicas que favorecem os ricos irão, em longo prazo, inevitavelmente produzir benefícios para toda a sociedade. Ou seja, a riqueza do “andar de cima” eventualmente gotejaria para o “andar de baixo”, melhorando a vida dos mais pobres. Segundo esse raciocínio, a adoção de um sistema tributário leniente com os ganhos dos mais ricos, por exemplo, ensejaria o crescimento dos investimentos, impactando positivamente no emprego e na renda nacional, trazendo ganhos materiais para toda a população. [iii]

O pressuposto largamente aceito pelos economistas liberais de que o enriquecimento dos ricos irá, necessariamente, beneficiar os mais pobres teve um papel preponderante em moldar a institucionalidade do capitalismo contemporâneo e o entendimento – equivocado – que as pessoas têm sobre a economia. De qualquer forma, isso não muda os resultados da economia do gotejamento: enquanto os ricos se tornam cada vez mais ricos, não há uma compensação proporcional que beneficie o restante da população. O resultado é a explosão de desigualdade social.




Fonte: gráfico retirado de: ZUCMAN e SAEZ (2016)

O gráfico acima, retirado de um estudo realizado por Gabriel Zucman e Emmanuel Saez sobre o crescimento da desigualdade nos E.U.A, é emblemático do fenômeno aqui discutido. Se, após a segunda guerra mundial, o 0,1% mais rico se apropriava de 10% da riqueza total, após a década de 1980 é evidente que há uma tendência de concentração da renda: o segmento social mencionado passou a abocanhar mais de 20% da riqueza nos Estados Unidos[iv]. Duas questões são importantes: 1) como explicar o crescimento da desigualdade? 2) Será que a população se beneficiou da concentração da renda?

Em tom didático, Ha-Joon Chang procura derrubar essa ideia zumbi, de que a prosperidade para os mais pobres depende do enriquecimento dos mais ricos. Segundo o autor, a “economia do gotejamento” pode assim ser resumida: políticas públicas “pró-ricos” estimulam o crescimento, ao passo que as medidas “pró-pobres” reduzem o crescimento. Em seu contraponto, Chang pondera que entre os anos de 1960 e 1970, durante a “Era de Ouro do Capitalismo”, quando foi registrada uma queda substancial da desigualdade na maioria dos países capitalistas ricos, a economia cresceu mais de 3% ao ano em termos per capita, enquanto que entre 1980 e 2009 – período em que houve um crescimento acentuado da desigualdade – o crescimento atingiu apenas 1,4% ao ano. [v]

Desde 1980, demos aos ricos uma fatia maior da torta por acreditar que eles criariam mais riqueza, tornando a torta maior. Todavia, o que se verificou foi que se reduziu o ritmo de crescimento da torta. Em síntese: não há garantia alguma de que a maior concentração de renda nos estratos superiores resulta em mais investimentos, e tampouco é seguro dizer que os pobres irão se beneficiar do crescimento da desigualdade. Em poucas palavras: o simples fato de tornarmos os ricos mais ricos não faz com que todo mundo fique mais rico. [vi]



Fonte: gráfico retirado de ALVAREDO, F; CHANCEL, L; PIKETTY, T; SAEZ, E; ZUCMAN (2018)[vii]


O gráfico acima, extraído da pesquisa “World Inequality report”, escancara o processo de concentração de renda nos E.U.A, que tem ocorrido nas últimas décadas.  Enquanto que o 1% mais rico, após a década de 1980, passou a se apropriar de uma parcela da renda cada vez maior, o contrário aconteceu com os 50% mais pobres, que perderam espaço na disputa pela renda nacional. [viii]

Uma das explicações mais tradicionais sobre o crescimento da desigualdade social nas últimas décadas, que remete ao economista Gary Becker, aponta que o crescimento da desigualdade está relacionado às transformações tecnológicas e às maiores exigências por trabalhadores qualificados, detentores de mais capital humano. Conforme esse raciocínio, o crescimento da desigualdade seria um reflexo da maior importância do capital humano na sociedade contemporânea: trabalhadores com mais conhecimento, habilidades e aptidões específicas passariam a receber salários cada vez maiores, ao passo que os “desqualificados” estariam fadados à perda salarial. A redução da desigualdade social, segundo essa linha teórica, envolveria mais investimentos em capital humano, com o objetivo de aumentar o “estoque” de conhecimento da população. Por uma questão de oferta x demanda, diminuir-se-ia o “prêmio” dos trabalhadores mais qualificados.[ix]

Portanto, a explicação convencional mencionada acima, chamada de Skill-Biased Technological Change (SBTC), situa as raízes do crescimento da desigualdade em forças competitivas que atuam no mercado de trabalho. Seriam, conforme os adeptos dessa teoria, as inovações tecnológicas e as exigências por trabalhadores mais qualificados os fatores responsáveis por alargar o fosso da desigualdade de renda e rebaixar o salário dos trabalhadores pouco qualificados. Os índices mais elevados de desigualdade de renda, portanto, seriam reflexos da inovação tecnológica e de seus impactos no mercado de trabalho. [x]

Todavia, há motivos suficientes para manter o ceticismo com relação à explicação convencional supracitada. Não há evidências suficientes para provar que a maior demanda por trabalhadores qualificados é a grande responsável pela explosão da desigualdade social verificada nas últimas décadas. Ao dizer que a concentração da renda é um mero resultado das transformações tecnológicas e de seus desdobramentos no mercado de trabalho, certos economistas sobrestimam os efeitos de um modelo simples de oferta e demanda e desconsideram a dimensão política que caracteriza a formação dos salários numa economia. [xi]

David Howell traz uma visão alternativa. O autor salienta que, ao longo das últimas décadas, houve uma mudança na correlação de forças da sociedade: os trabalhadores tiveram seu poder de barganha diminuído, à medida que aqueles melhores posicionados para extrair recursos dos mercados imperfeitos viram a sua influência e o seu poder crescerem. A escalada da desigualdade, diz Howell, está intimamente relacionada ao fortalecimento da ideologia do livre mercado, à desregulamentação da economia, às novas práticas de governança corporativa e ao encolhimento do Estado de bem-estar social. [xii]

Robert Wade, por seu turno, ressalta o papel fundamental que a adesão indiscriminada à ideologia neoliberal teve em aprofundar as desigualdades sociais. A perseguição cega às preferências “do mercado” fez com que a balança de poder pendesse a favor dos endinheirados: como resultado, a distribuição de renda passou a acontecer, cada vez mais, em benefício dos ricos. A parte pouco divulgada dessa história, é que o “mercado”, uma abstração vendida como um mecanismo neutro e impessoal, é, na verdade, uma maneira “educada” de se referir aos donos do capital, especialmente do capital financeiro. [xiii]




O autor de “O preço da desigualdade”, Joseph Stiglitz, afirma que a desigualdade deve refletir a contribuição que cada indivíduo fornece para a sociedade. Contudo, quando a desigualdade deixa de refletir a contribuição individual, mas, sim, a capacidade de apropriação (injusta) de renda ou de benefícios econômicos diversos, tem-se um sinal de que a economia não está funcionando bem. Uma sociedade que possui níveis alarmantes de desigualdade será menos produtiva, menos eficiente e terá menos oportunidades de ascensão social. Em longo prazo, a democracia sofrerá com descrédito e distorções de representação. [xiv]

Se, por um lado, Stiglitz destaca os imensos obstáculos para se alcançar uma sociedade mais justa, o autor também esclarece que a desigualdade é, essencialmente, um problema político. As forças do mercado são, primeiramente, moldadas pela política, pelas leis e pela forma como as democracias modernas estabelecem um quadro legal para os agentes desenvolverem suas atividades econômicas. À vista disso, o economista argumenta que a solução para a concentração da renda envolve a construção de uma regulação econômica que estabeleça um pacto social compromissado com a redução das desigualdades.[xv]

Thomas Piketty, que realizou uma cuidadosa investigação retratando o crescimento da desigualdade de renda e de patrimônio, do século XVIII até os dias atuais, também merece destaque. O seu livro, que analisa o tema por meio de uma lente “convencional”, se afastando de teorias “radicais”, reduzindo assim o seu aspecto “ameaçador”, é uma leitura obrigatória para todos os interessados no assunto[xvi]. Piketty observa que, além do crescimento brutal da desigualdade social que houve nas últimas décadas, os níveis de desigualdade estão chegando nos picos mais altos já verificados[xvii]. O autor de “O Capital no século XXI” passa uma mensagem clara, e que não deve ser menosprezada: a desigualdade social é um problema urgente. [xviii]

A tributação progressiva, que cumpriu um papel fundamental na redução das desigualdades durante o século XX, hoje se encontra ameaçada pela guerra fiscal que existe entre os países. Uma solução eficaz para conter o crescimento da desigualdade repousa em: a) na criação de um imposto sobre o patrimônio em âmbito global; b) restabelecer um sistema tributário progressivo sobre a renda e sobre as grandes heranças. Cumpre mencionar uma importante lição do livro de Piketty, que certos economistas preferem ignorar: a progressividade tributária tem uma estreita relação com a dinâmica da desigualdade.  [xix]

O caso brasileiro é especialmente didático para compreender os efeitos que a regressividade tributária produz sobre a desigualdade social. A partir de dados disponibilizados pela Receita Federal, o estudo realizado por Gobetti e Orairmostra que que o nível de concentração de renda no Brasil  é significativamente maior do que se imaginava: os autores calculam que o  meio milésimo (0,0005) mais rico se apropria de 8,5% de toda a renda nacional. O ponto interessante, explicam os autores, é que esse resultado está relacionado ao sistema tributário brasileiro, que corrobora para que o Brasil tenha uma das maiores concentrações de renda do mundo. Os autores concluem: “os dados revelam que o Brasil é um país de extrema desigualdade e também um paraíso tributário para os super ricos, combinando baixo nível de tributação sobre aplicações financeiras, uma das mais elevadas taxas de juro do mundo e uma prática pouco comum de isentar a distribuição de dividendos de imposto de renda na pessoa física.”[xx]

Em primeiro lugar, cumpre lembrar que níveis alarmantes de concentração de renda são disfuncionais para o funcionamento da economia. Em segundo lugar, há de se ponderar os custos políticos que a extrema desigualdade social traz para a democracia. Na medida em que a concentração de renda aumenta o poder econômico dos estratos sociais do topo, e esse poder se manifesta por meio de políticas públicas voltadas à criação de uma institucionalidade que favorece o enriquecimento dos (já) abastados, há uma evidente corrosão dos princípios democráticos. O resultado é um quadro legal típico de um Estado plutocrático, onde o poder do Estado é empregado para para apoiar a concentração de renda, num processo que impulsiona o crescimento da desigualdade. Um círculo vicioso nada trivial de ser interrompido. [xxi]

No panorama hodierno, em que o poder econômico do 1% mais rico influi desproporcionalmente nos processos políticos, haverá uma desigualdade na representação dos interesses da população, o que configura uma distorção na democracia. As “regras do jogo”, que serão definidas conforme as orientações dos poderosos, irão beneficiar e favorecer o “andar de cima.”

David Cameron, que atuou como Primeiro Ministro do Reino Unido, deu um exemplo didático de como o interesse dos ricos é capaz de influenciar a formulação das políticas públicas. Em 2013, Cameron bloqueou os planos para a criação de um imposto sobre mansões (casas cujo valor ultrapassasse de 2 milhões de libras) pelo seguinte motivo: em suas palavras, “nossos doadores nunca concordariam com isso”. [xxii]

A incógnita reside em saber de onde virá a pressão política para a criação um novo pacto social compromissado com a redução da desigualdade. Uma das possibilidades, diz Stiglitz, repousa na luta social: confiar nos 99%; outra opção estaria no reconhecimento, pelos 1% mais ricos, de que um sistema econômico que opera para o benefício de uma ínfima minoria é, na realidade, prejudicial a todos, inclusive para os ricos[xxiii]. Todavia, desde que Stiglitz escreveu seu livro, “O Preço da Desigualdade”, em 2011, a desigualdade segue crescendo. Não há evidência alguma de que a camada mais rica da população está realmente incomodada com os níveis de concentração de renda.

Logo, é justo dizer que o crescimento da desigualdade não é um mero reflexo das forças de mercado, ou de processos econômicos neutros, inevitáveis e fora de controle da política. Em larga medida, o crescimento da desigualdade é uma consequência direta de políticas públicas que definem os mecanismos de concorrência, que moldam os sistemas tributários, que direcionam a despesa pública e, de maneira geral, estabelecem a institucionalidade que irá regular a economia.

O empresário Nick Hanauer, numa palestra “TED TALKS”, apela ao bom senso de seus colegas plutocratas e pondera que, evidentemente, não há problema algum em haver algum grau de desigualdade na sociedade. O problema surge, entretanto, quando a desigualdade social atinge níveis extraordinários. Seu raciocínio segue: na medida em que esse padrão de concentração de renda continuar, nossas democracias capitalistas se transformação em “sociedades rentistas neofeudais”. Por fim, Hanauer lembra que as sociedades com níveis inaceitáveis de desigualdade são caracterizadas ou por um Estado policialesco, ou por uma população pronta para a rebelião. A mensagem do empresário é clara: se algo não for feito para interromper o ritmo de concentração de renda, cabeças vão rolar: “os forcados estão chegando”.

A história demonstra que é possível conter a escalada da desigualdade social. Não se trata de um problema de falta de ferramentas para realizar essa empreitada, mas de vontade política para isso. Parte do problema está no funcionamento de algumas democracias modernas, que blindaram a economia da interferência democrática, impedindo que a vontade da maioria prevaleça sobre o poder econômico. Lamentavelmente, a outra parte do problema reside na defesa ferrenha que a elite faz de seus privilégios, utilizando de seu poder para influir na elaboração de políticas públicas em detrimento do resto da população.

No passado, a vontade política para conter a desigualdade social se fortaleceu após duas guerras mundiais, a crise de 1929, o nazismo e o fascismo. Esperamos que no século XXI a história se desenrole de maneira diferente.

O pessimismo hoje, seja-me permitida mais esta expressão impolítica, é um dever civil. Um dever civil porque só um pessimismo radical da razão pode despertar com uma sacudidela aqueles que, de um lado ou de outro, mostram que ainda não se deram conta de que o sono da razão gera monstros. [xxiv]

*Tomás Rigoletto Pernías é doutorando em Desenvolvimento Econômico pelo Instituo de Economia da Unicamp

[i] BOBBIO, N. As ideologias e o poder em crise. Brasília. Ed: Universidade de Brasília. 1999. p. 46
[ii] QUIGGIN, J. Zombie Economics. New Jersey: Princeton, 2010
[iii] QUIGGIN, J. Zombie Economics. New Jersey: Princeton, 2010
[iv] SAEZ, E; ZUCMAN, G. WEALTH INEQUALITY IN THE UNITED STATES SINCE 1913: EVIDENCE FROM CAPITALIZED INCOME TAX DATA. In: THE QUARTERLY JOURNAL OF ECONOMICS. May 2016, vol. 131. Issue 2.
[v] CHANG, H. J. 23 Coisas que não nos contaram sobre o capitalismo. São Paulo. Ed: Cultrix. 2013.
[vi] CHANG, H. J. 23 Coisas que não nos contaram sobre o capitalismo. São Paulo. Ed: Cultrix. 2013.
[vii] Ver ALVAREDO, F; CHANCEL, L; PIKETTY, T; SAEZ, E; ZUCMAN. Word inequality report. 2018.
[viii] Ver ALVAREDO, F; CHANCEL, L; PIKETTY, T; SAEZ, E; ZUCMAN. Word inequality report. 2018
[ix] ACEMOGLU, D; AUTOR, D. What does human capital do? A review of Goldin and Katz’s the race between education and technology. In: Nber working papers series. 2012
[x] HOWELL, D. R; WIELER, S. S. Skill-biased demand shifts and the wage colapse in the United States: a critical perspective. In: Eastern Economic Journal, Vol. 24, No. 3 (Summer, 1998), pp. 343-366
[xi] HOWELL, D. R; WIELER, S. S. Skill-biased demand shifts and the wage colapse in the United States: a critical perspective. In: Eastern Economic Journal, Vol. 24, No. 3 (Summer, 1998), pp. 343-366
[xii] HOWELL, D. R. The great laissez-faire experiment – American inequality and growth from na internacional perspective. Center for american progress. 2013
[xiii] WADE, R. How inequality plus neoliberal governance weakens democracy. Challenge, 56:6, 5-37. 2013
[xiv] Ver mais em STIGLITZ, J. E. O Preço da Desigualdade. Lisboa. Ed: Bertrand Editora. 2016.
[xv] Ver mais em STIGLITZ, J. E. O Preço da Desigualdade. Lisboa. Ed: Bertrand Editora. 2016.
[xvi] WADE, R. The Piketty phenomenon and the future of inequality. In: Real world economics review. n. 69. 2014
[xvii] PIKETTY, T. O Capital no século XXI. Rio de Janeiro. Ed: Intrínseca. 2014.
[xviii] PIKETTY, T. O Capital no século XXI. Rio de Janeiro. Ed: Intrínseca. 2014.
[xix] PIKETTY, T. O Capital no século XXI. Rio de Janeiro. Ed: Intrínseca. 2014.
[xx] GOBETTI, S. W; ORAIR, R. O. Tributação e distribuição da renda no Brasil: novas evidências a partir das declarações tributárias das pessoas físicas.     In: working paper n. 136, fevereiro. 2016
[xxi] Ver WADE, R. How inequality plus neoliberal governance weakens democracy. Challenge, 56:6, 5-37. 2013
[xxii] HOPE, C; WATT, H. Cameron opens talks with Clegg on second Coalition. The Telegraph. 27 de setembro de 2013. Disponível em http://www.telegraph.co.uk/news/politics/david-cameron/10340948/Cameron-opens-talks-with-Clegg-on-second-Coalition.html. Acessado em 28/12/2017
[xxiii] Ver mais em STIGLITZ, J. E. O Preço da Desigualdade. Lisboa. Ed: Bertrand Editora. 2016.

[xxiv] BOBBIO, N. As ideologias e o poder em crise. Brasília. Ed: Universidade de Brasília. 1999. p. 181