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segunda-feira, 11 de março de 2019

Os militares e o governo Bolsonaro, por Aldo Fornazieri



Os militares fizeram uma boa escolha ao embarcar de cabeça no governo Bolsonaro? A resposta é não. E seria não mesmo que Bolsonaro fosse um presidente que se comportasse de forma razoável.

Os militares e o governo Bolsonaro

por Aldo Fornazieri (no GGN)

É certo que os principais generais que integram o governo Bolsonaro não participaram diretamente do golpe militar de 1964, mas a maior parte deles cursou os colégios e academias militares durante o regime. Sua formação militar, portanto, inscreve-se sob a égide da cultura política e das orientações ideológicas e educacionais que conformavam aqueles tempos. Em que pese isto, não há razões para duvidar dos compromissos democráticos desses generais. O que há, contudo, são evidentes ressentimentos entre setores militares e setores civis que o período de redemocratização não conseguiu desfazer.
A forma como se deu a superação do regime militar, particularmente a Lei da Anistia, e as críticas que ela sofreu pelos setores progressistas e de esquerda da sociedade criou ressentimentos mútuos. Por um lado, esses setores políticos e sociais alimentaram desconfianças em relação aos militares e, por seu turno, os militares alimentaram ressentimentos e animosidades com os setores progressistas e democráticos. O proselitismo da violência e da tortura que alguns militares, incluindo Jair Bolsonaro, promovem só ajuda a alimentar essa tensão. Os governos do PT representaram uma oportunidade impar para a superação desses ressentimentos, desconfianças e animosidades, mas a ocasião foi desperdiçada pelas débeis iniciativas que foram promovidas.
O fato é que no pós-regime militar, os militares carregavam como que uma espécie de marca, de mácula, de desconfiança, por parte de setores políticos e sociais. Assim, os militares viram no governo Bolsonaro uma chance de desfazer esta mácula e de se integrarem plenamente à vida nacional num ambiente de normalidade e sem exclusões, esposando a defesa da democracia e uma doutrina mais liberal na visão da economia. Embora na oficialidade superior, ao que se sabe, especialmente no Exército, Bolsonaro fosse visto com reservas, parece que os generais acreditaram que seria possível que ele se conduzisse por parâmetros de razoabilidade e de racionalidade na função de presidente da República. Não é isto o que tem se visto até agora.
Bolsonaro, de forma crescente, vem emitindo sinais de que não tem preparo emocional, psicológico, intelectual e político para exercer a mais alta magistratura do país. A postagem do vídeo obsceno no Twitter foi a manifestação mais alta de desequilíbrio. Em quase todos os pontos em que Bolsonaro interveio depois da investidura, o fez de forma negativa, desde as relações internacionais (China, Árabes e Venezuela) até os mais comezinhos assuntos internos a exemplo de cartilhas de educação sexual de jovens. Todas essas intervenções desastradas, somadas à ascendência de seus filhos radicais sobre o que ele pensa e como ele age e as suspeitas de envolvimento de sua família com milicianos no Rio de Janeiro, jogam uma pesada nuvem sobre o futuro de Bolsonaro na presidência. De forma prematura, o seu capital político vai se deteriorando e crescem as desconfianças acerca de sua capacidade e equilíbrio para governar.
Então, cabe a pergunta: Os militares fizeram uma boa escolha ao embarcar de cabeça no governo Bolsonaro? A resposta é não. E seria não mesmo que Bolsonaro fosse um presidente que se comportasse de forma razoável. Com isso não se quer dizer que alguns generais ou oficiais não pudessem vir a ocupar cargos importantes no governo e mesmo serem ministros. O problema é que a forma e o número de como oficiais da reserva e da ativa entraram no governo – mais de 100, ao que se sabe – conferiam a ele uma fisionomia claramente militar. E em sendo assim, a impressão que fica é a de que os militares querem se resgatar em relação à supracitada mácula pela via da política e isto constitui um grave erro. Registre-se: não que ex-militares não possam participar da vida política. Isto é comum em outras democracias, destacadamente nos Estados Unidos. O que não podem fazer é participar da vida política como  força militar que é a impressão que fica com o governo atual.
O problema, portanto, é esta investidura militar do governo e isto o conecta com a história do Brasil marcada pelo pronunciamento dos militares na vida política.  Isto não fez bem nem para o Brasil e nem para os militares. A Questão Militar no final do Império, a Proclamação da República, os primeiros anos da República Velha, os movimentos tenentistas na década de 1920, a Revolução de 1930, a Era Vargas, a redemocratização de 1945, as tentativas de golpe contra Vargas e Juscelino e o golpe militar de 1964 são os episódios mais agudos da presença dos militares na política.
Todas essas intervenções representam ações desviantes das funções dos militares numa democracia. A função central dos militares é a de se preparem para a guerra, definindo as estratégias e os meios para executá-las, observando sempre os princípios constitucionais que regem as Forças Armadas nas democracias. Em todas as democracias a função principal das Forças Armadas se volta para a garantia da soberania em face de ameaças externas. Como instituições permanentes do Estado podem cumprir várias outras funções complementares relevantes. Mas o princípio da separação do poder militar do poder político e da subordinação do poder militar ao poder civil é um princípio inquebrantável das Repúblicas.
Como consequência dessas intervenções desviantes dos militares brasileiros o fato é que eles nunca se preparam bem para a guerra e para a defesa da soberania. De fato, para um país continental como é o Brasil, portador de imensos recursos naturais estratégicos, não é possível dizer que as Forças Armadas possuem suficientes capacidades dissuasivas e de combate ante a possibilidade de ataques de potências mais fortes.
Compare-se, por exemplo, os investimentos e as capacidades militares do Brasil, não com Estados Unidos, Rússia, China e Europa, mas com a Índia, o Paquistão, o Irã, Israel etc.. É evidente que o Brasil não tem um suporte militar suficiente para que se apresente como uma potência média significativa no jogo do poder global. O Brasil não tem um respaldo militar compatível com o seu território e com a necessidade de defesa de seus recursos naturais. E, aqui, o problema e as responsabilidades não são apenas dos militares, mas também dos governos civis que nunca tiveram projetos estratégicos dignos desse nome, dos partidos políticos, das universidades e da sociedade civil.
Durante o regime militar e depois dele, foi feito um esforço de ocupação territorial no Centro-Oeste e no Norte, com o apoio do Exército. Daí derivou a força do agronegócio que é um ativo estratégico importante para o Brasil. Mas o Brasil nunca se tornará uma potência significativa se depender apenas do agronegócio, de comodities.
Os Estados Unidos se tornaram uma grande potência, primeiro, se expandindo territorialmente para o Oeste, no século XIX; segundo, conquistando os mares no século XX; e terceiro, buscando conquistar o espaço no século XXI. O desenvolvimento agrícola, industrial, tecnológico e científico daquele país se interliga com esses ciclos expansionistas. Comparativamente, o Brasil não foi capaz de pensar em nenhum projeto estratégico que sequer chegasse à sombra do modelo norte-americano. Os Estados Unidos dotaram o Pentágono com verbas públicas vultosas para a corrida tecnológica na segunda metade do século XX, visando não fazer frente apenas à Rússia, mas também ao Japão e à Europa e a outros polos de desenvolvimento tecnológico.
Nenhum país será militarmente forte se não for tecnologicamente desenvolvido. Neste ponto, o Brasil está perdendo largamente a corrida do século XXI. Onde ocorreram vultosos investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento Militar (P&DM) houve também desenvolvimento tecnológico da indústria civil. Indústria civil e indústria militar sempre se retroalimentaram. Desgraçadamente, o Brasil não investe nem em P&D civil e nem em P&DM.
É na elaboração de um projeto estratégico de desenvolvimento, integrando civis e militares, que as Forças Armadas deveriam concentrar seus esforços e seus objetivos. Isto implicaria que a formação dos militares tivesse um conteúdo exclusivamente profissional e que, do ponto de vista político e ideológico, elas ficassem suspensas, adotando o papel de o “grande mudo”, como se dizia no passado, se submetendo ao governo civil e obedecendo a Constituição. As Forças Armadas ajudarão o Brasil e o seu povo se se dedicarem às suas funções precípuas. Os governos civis podem e devem incorporar militares da ativa e da reserva em funções técnicas e escalões técnicos do Estado e até mesmo em cargos políticos, desde que tenham aptidões para tal.
Mas ao conferirem uma fisionomia militar ao governo Bolsonaro, as Forças Armadas correm um grande risco de incorporarem uma nova mácula e de proporcionarem uma nova politização dos militares.   Elas se associaram a um governante que vem se mostrando desastrado, despreparado, desagregador e que prejudica os interesses do Brasil. Mesmo que Bolsonaro sobreviva a ele mesmo, aos seus filhos e ao setor lunático que integra seu governo, será um governo fraco, de baixo desempenho.
Ocorre que Bolsonaro não é um líder político autêntico, não tem força popular, nem força política no Congresso e nem habilidade para manejar essas dificuldades. Será um governo dependente de vontades alheias, sem autonomia. Se conseguir fugir do fracasso, no máximo, será um governo mediano. Definitivamente, não será pela via da política, e menos ainda se tornando escudo e espada do governo Bolsonaro, que as Forças Armadas encontrarão um ponto de reconciliação definitivo com a sociedade brasileira, independentemente de ideologias.
Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).






terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Xadrez do trumpismo e do bolsonarismo, por Luis Nassif


"O documentário anônimo sobre o atentado a Jair Bolsonaro é perturbador. Nele, são identificadas pessoas que gravitam no entorno de Adélio durante a primeira tentativa e a segunda, logo depois. Em alguns momentos, parece até que montam uma barreira no meio do povo, para facilitar a aproximação de Adélio. E, quando ocorrer o atentado, correm a montar um cordão de proteção para impedir o linchamento do autor." - Luis Nassif

Do GGN:



Peça 1 - as bolsonarices de Trump
Na descrição da jornalista Elizabeth Drew, lotada em Washington, Donald Trump é “um presidente dos Estados Unidos que desdenha a opinião de especialistas, é impulsivo, mentiroso, não muito inteligente, perturbado, desinformado, indeciso, incompetente, destemperado, corrupto e um negociador pobre (conforme) ficou irrefutavelmente claro nos últimos dias”.
No entanto, imaginava-se que seria domado pelo “sistema”, as instituições que integram a maior democracia do planeta, que suas extravagâncias não mexeriam com a economia e os mercados.
Ledo engano!
Fato 1 - a interferência na Defesa
No dia 19 de dezembro, pelo Twitter, Trump informou que o EIIL (Estado Islâmico do Iraque e da Siria) havia sido derrotado e os Estados Unidos retirariam suas tropas da Síria. Anunciou também a retirada de metade das tropas do Afeganistão, no meio de negociações com os talibãs.
Não consultou países e grupos aliados, não informou previamente as lideranças republicanas no Congresso. Consultas prévias são essenciais para corrigir caminhos, levantar consequências e montar estratégias de implementação.
Estrategicamente, a medida foi considerada um desastre diplomático e estratégico. Os curdos foram deixados à mercê da Turquia e o poder na Síria se consolidou nas mãos de Bashar al-Assad, aliado da Rússia e do Irã. Não por coincidência, as duas únicas personalidades a saudar a medida por Recep Tayyip Erdoğan, da Turquia, e Vladimir Putin, da Rússia.
As reações foram imediatas. No Senado, houve o protesto do senador Lindsey Graham, em geral aliada de Trump. O Secretário de Defesa James Mattis, tido como única barreira aos impulsos de Trump, pediu demissão. Na lista de queixas, um diagnóstico arrasador dos desastres que uma diplomacia sem rumo pode provocar. Trump demonstrou confusão para identificar aliados e adversários, passou aos aliados sinais fortes que não poderiam confiar no apoio americano, esgarçou as alianças com a OTAN (Organização do Tratado do Atlêncito Norte).
A saída de Mattis provocou reações imediatas no Partido Republicano, conforme alerta do líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, que viu o governo Trump despido de qualquer barreira de proteção contra suas bolsonarices.
Fato 2 - o muro separando o México
Trump fez campanha defendendo a construção de um muro separando os EUA do México, para impedir a imigração ilegal. A proposta tornou-se impopular para o público. Em reunião televisionada na Casa Branca, os democratas jogaram uma casca de banana e Trump escorregou direto: para não abrir mão da rude franqueza sem-noção, declarou que ficaria “orgulhoso” de paralisar o governo, caso o Congresso não liberasse parte das verbas para a construção do muro.
Pouco antes do Natal, foram suspensos os salários de centenas de milhares de trabalhadores federais.
Fato 3 - a disputa com o FED
Junto com a paralisação da administração, veio o humor de que Trump planejava demitir Jerome Powell, presidente do FED. O desconforto do mercado obrigou o Secretário do Tesouro Steven Mnuchin a uma desmentido público.
Até então, o mercado acreditava que Trump latia, mas não mordia.
Fator 4 - as disputas com a China
A radicalização da guerra comercial contra a China, ameaçando a globalização e as cadeias de suprimentos globais, especialmente no setor de tecnologia, espalhou o pânico, radicalizando os receios de ampliação da crise global.
Segundo Nouriel Roubini - o economista que previu o crash de 2008 - hoje em dia o mercado enxerga Trump como o Dr. Strangelove, o personagem do filme de Stanley Kubrick.
Conclusão
Nos processos democráticos, há dois momentos distintos. Um, o das eleições, nas quais o eleitor se manifesta. A outra, no exercício do poder, restrito ao que o próprio Trump chama de “sistema”: o Congresso, a Suprema Corte, o sistema de Defesa, o Departamento de Estado, o mercado e a grande mídia sendo a síntese dos julgamentos de imagem que acompanham toda gestão.
Ou seja, as redes sociais ajudam a construir imagens junto ao povão; mas no exercício do poder valem  as regras de conduta aceitas pelo “sistema”.
Peça 2 - as trumpices de Bolsonaro
Se Steve Bannon não assessorou pessoalmente Jair Bolsonaro, nas últimas campanhas, estamos diante de um milagre superior aos feitos de João de Deus. Não apenas o uso das redes sociais, a geração de fakenews, mas as denúncias contra supostas manipulações na apuração, a criminalização dos adversários, o estímulo à violência, a disseminação do preconceito por gays, imigrantes, “vermelhos”, e um fanatismo religioso de talibã.
Os riscos do estilo Trump para uma democracia madura, como os Estados Unidos, servem de alerta a qualquer setor racional do sistema de poder brasileiro. E, em relação, ao “sistema”, há diferenças essenciais entre os Estados Unidos de Donald Trump e o Brasil e Jair Bolsonaro.
Há dois momentos na política: nas eleições, manifesta-se o povo; no governo, manifesta-se o “sistema”.
No caso brasileiro atual, há um enorme fator de desequilíbrio no “sistema”: o poder militar que emergiu com a falência do poder civil e que tem se constituído, até agora, no eixo mais racional da troupe Bolsonaro.
O STF (Supremo Tribunal Federal) perdeu a capacidade de mediação. No momento em que o presidente Dias Toffoli trouxe um militar como assessor, formalizou definitivamente a irrelevância do STF, como defensor da Constituição e agente de mediação.
O Congresso poderá ser subjugado pelo estado policial que está a caminho, comandado pelo futuro Ministro da Justiça Sérgio Moro.
O empenho com que a própria Procuradoria Geral da República vazou delações contra Renan Calheiros, candidato a presidente do Senado, e o papel solícito do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro em relação ao motorista dos Bolsonaro, são indícios do envolvimento político do ministério público.
Peça 3 - A volta dos porões
Há um enigma no ar, que é o papel a ser desempenhado pelos porões.
O documentário anônimo sobre o atentado a Jair Bolsonaro é perturbador. Nele, são identificadas pessoas que gravitam no entorno de Adélio durante a primeira tentativa e a segunda, logo depois. Em alguns momentos, parece até que montam uma barreira no meio do povo, para facilitar a aproximação de Adélio. E, quando ocorrer o atentado, correm a montar um cordão de proteção para impedir o linchamento do autor.
São indícios, mas que merecem atenção, assim como a pressa no deputado-delegado Francesquini em impedir entrevistas, ou a prontidão de quatro advogados assistindo Adélio logo após o atentado. E, mesmo, seu isolamento total depois do atentado.
É difícil que o atentado não tenha ocorrido. Não seria possível cooptar médicos da Santa Casa de Juiz de Fora e dos hospitais Albert Einstein e Sirio Libanês. Mas a hipótese de ter sido um conluio, e não a ação individual de um desvairado, não deve ser descartada. Havia  dois desfechos possíveis no atentado: um ferimento superficial ou um ferimento fatal. Em qualquer hipótese, o bolsonarismo sairia vencedor, com Jair ou sem Jair. Aliás, é só conferir a desenvoltura com o que o candidato a vice-presidente, general Hamilton Mourão, assumiu as rédeas da campanha.
É difícil que Mourão tenha participado de um jogo desses. Mas, e se fosse um grupo dos porões, que enxergasse no atentado a possibilidade de um presidente militar puro-sangue?
Os ataques terroristas
Seja o que for, há muito mais coisas no ar do que aviões de carreira. Já é antiga a insistência em encontrar células terroristas no Brasil, como álibi para a implantação de uma intervenção maior nas instituições.
A primeira tentativa foi o do então Ministro Alexandre de Moraes, armando um banzé em torno do episódios do grupo radical de Facebook - um bando de malucos, mas sem nenhum indício de que estariam planejando ações concretas.
Depois, a criação indiscriminada de operações nos estados com as forças nacionais, a indicação de um general da reserva, radical, para comandar o GSI (Gabinete de Segurança Interna), o decreto estendendo o conceito de segurança nacional para todos os cantos.
Agora, surge essa história da ameaça terrorista, e do manifesto pirado divulgado por um portal de Brasília, de autoria de um suposto grupo terrorista de ativistas da natureza, anunciando ações terroristas contra o governo Bolsonaro.
Não se tenha dúvidas de que as sementes que começaram a ser plantadas no início do governo Temer, para abrir espaço para uma intervenção militar, continuam sendo fartamente regadas. Não há nenhum álibi mais efetivo do que ameaças terroristas.
O polianismo
Tem-se o primeiro caso da história republicana, de governo religioso, com todos os riscos já conhecidos nesse embricamento  do fundamentalismo religioso com o Estado. Há ameaças de formação de um estado policialesco. O futuro presidente cria problemas diplomáticos graves por motivos religiosos e ameaça liquidar com os inimigos. O clima de macartismo espalha-se por todo o país.
Mas, para o diáfano Ministro Luís Roberto Barroso, do STF, todos esses sintomas constituem “a nova ordem que procura nascer e reflete a imensa demanda que se desenvolveu na sociedade brasileira por integridade, idealismo e patriotismo. Estamos procurando mudar paradigmas inaceitáveis e empurrar a história na direção certa”. 
Afinal, como diz o Ministro Ernesto Ataujo, das Relações Exteriores, amigo de fé e de esperança. “No Brasil (pelo menos), o nacionalismo tornou-se o veículo da fé, a fé tornou-se a catalisadora do nacionalismo, e ambos desencadearam uma estimulante onda de liberdade e de novas possibilidades. Deus está de volta, e a nação está de volta: uma nação com Deus; Deus através da nação." 
Peça 4 - os próximos passos
Os episódios recentes reforçam o cenário dos últimos Xadrezes.
1. O poder de fato está com o general Augusto Heleno, que tem ascendência sobre Bolsonaro e família, e sobre o eixo militar do governo.
2. A família Bolsonaro continuará ativista do fundamentalismo religioso do governo. E será cada vez mais fator de turbulências. Nem o episódio do motorista ajudou a refrear a ânsia de protagonismo da família. A eventual queda de Bolsonaro significaria a ascensão do general Hamilton Mourão. Por isso mesmo, a hipótese mais provável será, no próximo escândalo de vulto, o afastamento dos filhos do centro de poder. Sem os filhos, Bolsonaro se tornaria apenas a imagem do seu governo.
3. Também aumentarão os embates entre o núcleo Bolsonaro - liderado por Augusto Heleno - e o vice-presidente Mourão, que é um verborrágico incontrolável. Até agora Mourão não desceu do palanque do clube militar.
Um desenho mais claro do governo se terá a partir dos próximos dias, quando forem anunciadas as metas de cada ministério. Aí será possível avaliar a compatibilidade entre o plano de infraestrutura - aparentemente bem desenhado - e as limitações das políticas restritivas a serem implementadas por Paulo Guedes.
Quanto ao estado policial, se implantará sem lançamento oficial. Será gradativo, com cada medida sendo naturalizada pela opinião pública, minimizada pelo Supremo, como, aliás, têm sido a regra desde a campanha do impeachment.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Fernando Brito: "Janot, covarde, quer se limpar na mídia acusando Dilma e Lula"




Ante de ler o texto de Fernando Brito, publicado no Tijolaço, veja o vídeo acima, de Luis Nassif, sobre as trapalhadas de Rodrigo Janot e sua tentativa desesperada de agradar a Globo depois do vexame dos áudiios com a JBS


janotselimpa

A desmoralização da Procuradoria Geral da República o faz buscar, rápido, a recuperação de sua imagem diante da mídia.
Claro, usando os alvos dos quais a mídia gosta: Lula e Dilma.
Apresentou ao STF o pedido de abertura de inquérito contra ambos, Edinho Silva, João Vaccari, Antonio Palocci , Guido Mantega, Paulo Bernardo silva e a senadora Gleisi Hoffman por supostos desvios na Petrobras, segundo as primeiras informações.
Enlameado pela imundície da delação da JBS, Rodrigo Janot tenta “se limpar” com a mídia, depois da vergonha que protagonizou.
É que com Lula e Dilma, claro, não é preciso provas.
A Globonews só falta faltar  e procura disfarçar o fato de que, como o pedido tem 232 páginas, que não poderia ter sido feito às pressas.
É óbvio que boa parte destas páginas é ctrl + v, ctrl +v de depoimentos da Lava Jato de Curitiba e da Obebrecht, em Brasília.
Que vergonha, Janot.

sábado, 23 de julho de 2016

Trapalhada de Temer & cia. pode pôr Brasil na rota do terrorismo ao atual interino ministro da justiça fazer seu "show" midiático, por Eduardo Guimarães

"O desempenho do tucano Alexandre Moraes na luta fracassada do governo paulista contra o PCC parece ter-lhe subido à cabeça. O histriônico ministro agora quer usar suas fórmulas fracassadas para o enfrentamento de uma organização radical que vem desafiando – e até vencendo, algumas vezes – as grandes potências ocidentais: o dito “Estado Islâmico” (...) O governo Temer resolve promover um show de marketing usando aparato de segurança como a Polícia Federal, que tem se notabilizado por ações de cunho político contra inimigos políticos de grupos radicais de direita, ou seja, contra o Partido dos Trabalhadores e seu governo federal recém-deposto por um processo que, mundo afora, vem sendo chamado de golpe por grandes meios de comunicação estrangeiros, por governos, celebridades, intelectuais etc.".


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Minority Report é um filme de ficção científica lançado em 2002, estrelado por Tom Cruise e dirigido por Steven Spielberg. O roteiro é baseado no conto com o mesmo nome de Philip K. Dick.
A trama ocorre em Washington no ano de 2054. Uma “divisão pré-crime” acaba com a criminalidade no mundo; a polícia usa pessoas paranormais, os precogs, para preverem o futuro, localizar e prender futuros culpados antes que cometam crimes.
A metáfora é perfeita para definir a trapalhada marqueteira de mais um ministro “exótico” de Michel Temer, o tucano Alexandre de Moraes, quem, em lugar de combater a organização criminosa Primeiro Comando da Capital  (PCC), em São Paulo, quando foi secretário de Segurança, advogou para a facção.
O desempenho de Moraes na luta fracassada do governo paulista contra o PCC parece ter-lhe subido à cabeça. O histriônico ministro agora quer usar suas fórmulas fracassadas para o enfrentamento de uma organização radical que vem desafiando – e até vencendo, algumas vezes – as grandes potências ocidentais: o dito “Estado Islâmico”.
A organização é conhecida por “Estado Islâmico do Iraque e do Levante” (EIIL), ou “Estado Islâmico do Iraque e da Síria” (EIIS). É uma organização jihadista islamita que opera no Oriente Médio e que vem sendo combatida por grandes potências do Ocidente por razões controversas que não vêm ao caso neste texto, que não pretende julgar os conflitos no Oriente Médio, mas atos do governo brasileiro que podem envolver este país nesses conflitos.
Às vésperas das Olimpíadas, com as ações do Estado Islâmico se radicalizando mundo afora,  
O Show
A duas semanas da Olimpíada, a Polícia Federal prendeu na quinta-feira (21) dez brasileiros ditos “suspeitos de simpatizar com grupos terroristas”.
As forças de segurança do governo federal vinham monitorando cem pessoas no país que, segundo o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, manifestam simpatia ao Estado Islâmico. Os dez presos compunham os 10% que mais despertaram atenção das forças de segurança. Eles ficarão presos por 30 dias, prorrogáveis por mais 30.
Esta foi a primeira ação anti-terror da PF depois da aprovação da lei que tipificou os crimes dessa natureza, mas que recebeu uma leitura totalmente descabida do governo Temer.
Pelo texto sancionado pela presidente afastada Dilma Rousseff, o terrorismo é tipificado como a prática, por uma ou mais pessoas, de atos de sabotagem, de violência ou potencialmente violentos “por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública”.
Os suspeitos presos pela PF foram enquadrados nos artigos 3º e 5º.
> 3º — promover, constituir, integrar ou prestar auxílio, pessoalmente ou por interposta pessoa, a organização terrorista;
> 5º — Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito.
Ocorre que essas pessoas que foram presas não cometeram nenhum ato concreto que permitiria às autoridades enquadrarem-nas nos artigos da nova lei antiterrorismo, exigência feita ao Brasil para receber as Olimpíadas.
Não há um único registro de contatos diretos das pessoas presas com terroristas. Segundo a imprensa, um dos suspeitos teria chegado a entrar em contato com uma empresa de armas para comprar um fuzil AK-47, mas a compra nunca se concretizou e mesmo a tentativa de efetuar a transação nunca foi confirmada.
Aliás, vale perguntar: que tipo de terrorista é esse que compra armas por meios legais, no próprio nome? Um membro do grupo Estado Islâmico precisaria fazer tal transação para obter arma por um meio que seria tão fácil de rastrear?
Já os outros presos teriam “feito juramento de lealdade ao Estado Islâmico por meio de um site que oferece uma gravação do texto que deve ser repetido a quem deseja fazer parte do EI”. Mesmo se isso fosse verdade, porém, não há lei que proíba uma pessoa de simpatizar com o que quer que seja.
Invadir residências de cidadãos por crimes que eles possam vir a cometer tem tudo que ver com o filme hollywoodiano supracitado. E é muito ridículo.
A tal A Operação Hashtag, deflagrada na quinta-feira (21) pela Polícia Federal, deveria ser sigilosa. Mas recebeu grande publicidade no mundo inteiro. Seria extremamente simples surpreender essas pessoas e levá-las para depor sem alarde, mas o caráter marqueteiro da operação, com entrevista espalhafatosa do ministro da Justiça, é claro.
A inépcia é tanta que os envolvidos tiveram seus nomes divulgados:
Alisson Luan de Oliveira
Antonio Andrade dos Santos Junior
Daniel Freitas Baltazar
Hortencio Yoshitake
Israel Pedra Mesquita
Leandro França de Oliveira
Leonid El Kadre de Melo
Levi Ribeiro Fernandes de Jesus
Marco Mario Duarte
Mohamad Mounir Zakaria
Oziris Moris Lundi dos Santos Azevedo
Valdir Pereira da Rocha
Vitor Barbosa Magalhães
É desoladora a trapalhada do governo Temer. E preocupante.
Pelo seguinte: o EI é realmente uma organização que está promovendo um tipo de luta contra os excessos das grandes potências que comete crimes inomináveis sob o pretexto de combater o imperialismo. Porém, essas ações de grupos radicais islâmicos não são empreendidas aleatoriamente e contra quem não os incomoda.
A França, por exemplo, tem sido alvo de atos de terrorismo em retaliação a suas ações contra o EI no Oriente Médio. E todos sabemos que ações das grandes potências econômicas e militares no Oriente Médio cometem tantos abusos e crimes quanto os grupos radicais que praticam atos de terror em retaliação.
Que o diga o Wikileaks, que denunciou que em 12 de julho de 2007 um helicóptero Apache da Força Aérea dos Estados Unidos fazia o patrulhamento em Bagdá e a tripulação resolveu fazer uma “brincadeira de tiro ao alvo”, como se aquelas pessoas fossem reses para o abate.
Sete iraquianos desabaram mortos no chão, com os corpos perfurados de bala. O repórter Namir Noor Eldeen, da agência de notícias Routers, e seu motorista, Said Chmag, estavam no local fazendo uma matéria e foram atingidos pelos disparos.
Se o grupo radical Estado Islâmico não tinha razões para atacar o Brasil, após a ação destrambelhada do governo Temer passou a ter. Simpatizantes do grupo e do islamismo foram tratados de uma forma que pode estimular fanáticos a retaliarem o Brasil. A decisão do governo Temer comprou uma briga que não era nossa.
PS: se tivéssemos um governo com cérebro, ele exortaria o Estado Islâmico a não praticar atos contra o Brasil, pois não nos metemos nos conflitos no Oriente Médio.