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sábado, 6 de fevereiro de 2021

As jogadas da Lava Jato com o Fernando Henrique Cardoso. Artigo de Luis Nassif

 

A denúncia contra FHC e o PSDB nunca ocorreu, depois que Sérgio Moro ponderou que criaria difculdades com um aliado.

Jornal GGN:

Uma das maiores evidências da parcialidade da Lava Jato foi a maneira como tratou as doações da Odebrecht para o Instituto Lula e para o Instituto Fernando Henrique Cardoso.

Na análise dos e-mails da Odebrecht foram identificadas correspondências com o IFHC.

No dia 15 de novembro de 2015, foram identificados os e-mails. Pensa-se, inicialmente, em abrir um inquérito contra o IFHC. Depois, tentam enquadrar a operação apenas em crime tributário. Mas, ponderam, poderia ser utilizado por Lula para alegar inocência.

A denúncia nunca ocorreu, depois que Sérgio Moro ponderou que criaria difculdades com um aliado.

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quarta-feira, 31 de julho de 2019

Por que Moro ainda não caiu? Por Jessé Souza




 "O escândalo da “Vaza Jato”, provocado pelo The Intercept e pela extraordinária coragem de Glenn Greenwald, desmascarou a hipocrisia do jeito brasileiro de fazer política que já vem acontecendo há mais de cem anos. A Lava Jato não é, afinal, uma história de cinco anos que começa em 2014 com o “escândalo da Petrobras”, mas sim uma história que vem desde 1930, quando Getúlio toma da “elite do atraso” o poder de Estado. Foi aí que se construiu a ideia estapafúrdia de que a “corrupção só da política”, usando o conceito de patrimonialismo como contrabando, é a raiz de todos os problemas brasileiros. A construção dessa ideia ridícula como suposta explicação central para os problemas brasileiros “coincide” com a ascensão de Vargas ao poder político contra as elites do dinheiro. Como a elite do dinheiro tem que “moralizar” sua rapina, desde então seus inimigos são perseguidos e sistematicamente depostos do poder com falsas acusações de irregularidade pelo uso supostamente “patrimonialista” e corrupto do Estado e da política." - Jessé Souza


Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) realiza audiência pública interativa para ouvir o ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública, sobre informações e esclarecimentos a respeito das notícias veiculadas na imprensa relacionadas à Operação Lava Jato. À mesa, ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. | Foto: Pedro França/Agência Senado

Por que Moro ainda não caiu?

por Jessé Souza

em seu site 

O escândalo da “Vaza Jato”, provocado pelo The Intercept e pela extraordinária coragem de Glenn Greenwald, desmascarou a hipocrisia do jeito brasileiro de fazer política que já vem acontecendo há mais de cem anos. A Lava Jato não é, afinal, uma história de cinco anos que começa em 2014 com o “escândalo da Petrobras”, mas sim uma história que vem desde 1930, quando Getúlio toma da “elite do atraso” o poder de Estado. Foi aí que se construiu a ideia estapafúrdia de que a “corrupção só da política”, usando o conceito de patrimonialismo como contrabando, é a raiz de todos os problemas brasileiros. A construção dessa ideia ridícula como suposta explicação central para os problemas brasileiros “coincide” com a ascensão de Vargas ao poder político contra as elites do dinheiro. Como a elite do dinheiro tem que “moralizar” sua rapina, desde então seus inimigos são perseguidos e sistematicamente depostos do poder com falsas acusações de irregularidade pelo uso supostamente “patrimonialista” e corrupto do Estado e da política.
Como nenhum fato isolado se explica por si só, é necessário articular conscientemente a cadeia entre as causas. Toda exploração econômica tem que se servir de um “álibi”, ou seja, de um recurso simbólico que torne o fato da exploração invisível enquanto tal, para poder ser exercida de modo que os próprios explorados a considerem aceitável ou inevitável. O caso brasileiro é, no entanto, um caso limite. Alguma forma de distorção da realidade está sempre presente em todos os casos de sociabilidade humana conhecidos na história. No caso do nosso país, como o escândalo da “Vaza Jato” mostra tão bem, a capa de moralidade não é mera distorção da realidade vivida. Aqui, tal realidade é “invertida” e posta de cabeça para baixo, o que explica o caráter patológico e neurótico para quem vive a conjuntura política atual.
Afinal, a descoberta irrefutável de uma quadrilha funcionando dentro do aparelho de Estado, usando os cargos públicos não apenas para enriquecimento e vantagens pessoais, mas também como uma forma despudorada de manipular a opinião pública e minar todos os pressupostos da democracia com fins partidários, não levou – ainda –sequer à perda dos cargos nem à prisão dos responsáveis. A lei parece não se aplicar aos desmandos de Moro e sua quadrilha, muito menos para as fontes de renda misteriosas da família Bolsonaro. Será que é porque esse pessoal assegura, por outro lado, o saque do Estado e das riquezas nacionais pela elite endinheirada? Quem ainda possuir dois neurônios intactos saberá responder.
Mas, e como fica a necessidade de se criar uma capa de moralidade e de falseamento da realidade para legitimar os desmandos? A Lava Jato funcionou como articulação explícita para a “corrupção real”, a da apropriação por agentes privados de empresas públicas a preço de banana, o mesmo que, aliás, aconteceu recentemente com a BR Distribuidora, pelos bancos que tiveram uma reunião secreta com Fux e Deltan. Ao que parecia, a questão era que o PT não podia ser alçado ao poder para não melar os “bons negócios”. Então, com uma corrupção tão descarada como essa, como ninguém dos “camisas amarelas” vai às ruas para pedir que a honestidade volte?
Ora, só pode ser porque a maior parte dos “camisas amarelas” nunca esteve de fato interessada em combater a corrupção. O que, de resto, apenas comprova a tese do falso moralismo do “combate à corrupção”, visto que só vale para partidos populares. A dificuldade geral, especialmente para a elite e a classe média, é a perda do único “álibi” existente para mascarar seu ódio e desprezo pela população negra e mais humilde sob a forma da falsa criminalização dos seus representantes. É a compreensão intuitiva disso, o que explica também as idas e vindas de órgãos da elite, como a Veja e a Rede Globo, na cobertura do caso. Eles precisam manter um vínculo com a realidade, agora desmascarada, sob o risco de perder qualquer legitimidade, até para a parte mais esclarecida do próprio público. Por outro lado, estão envolvidos até o pescoço na manipulação desse mesmo público. O jogo havia sido controlado de cima pela elite e sua imprensa venal. Moro e Deltan foram apenas os “laranjas”, os pequenos oportunistas que ficam com as sobras do negócio grande. Tudo indica que a parte mais esclarecida da classe média já desceu do barco. Reinaldo Azevedo e outros arrependidos falam para esse público.
É Bolsonaro e sua base de poder infensa a argumentos racionais que permite a continuidade da farsa. O seu público não precisa de legitimação porque seu protesto radicalizado está vincado em sentimentos irracionais como ressentimento, inveja social e preconceitos racial e de classe. Inveja e ressentimento contra os de cima, o que explica os ataques à arte, à cultura e ao conhecimento em geral. Também a vingança, há muito esperada, contra séculos de desprezo dos “doutores” contra os remediados entre os pobres, a base real de Bolsonaro, muitos dos quais são brancos e, por isso, se acham no direito “racial” de um futuro melhor do que de fato possuem. Contra os de baixo, por sua vez, a raiva se volta para os negros e mestiços pobres que tiveram a ousadia de ascender socialmente no período recente e de chegar ainda mais perto deles. É difícil saber o que causa mais revolta nestes 20% da população brasileira que são a base real da força de Bolsonaro: a raiva contra os de cima ou contra os de baixo. Esse é seu público cativo, os 20% que sempre apostaram nele mesmo antes da “fakeada”.
Para esse pessoal, a democracia não é mais do que uma palavra odiada, afinal ela nunca lhes serviu para nada. Ela só parece vantajosa para os já privilegiados e para a população negra e humilde que ascendeu com o PT. Por causa disso, Bolsonaro lhes parece o “vingador” perfeito. O discurso contra as elites, utilizado para a arregimentação dos “bolsominions” para o último dia 26 de maio, mostra o sequestro do tema da luta de classes pela direita, já que a esquerda foi covarde e incapaz de qualquer protagonismo nessa área. Por outro lado, a única política pública informal efetiva do bolsonarismo é armar milícias e polícias para a chacina indiscriminada dos negros, índios e pobres, o que alimenta seu desprezo e o de seu público pelos mais frágeis. Da mesma forma que a distância em relação à “cultura” os inferioriza, a violência aberta contra os mais frágeis os torna “aparentemente” poderosos. A destruição da cultura e do conhecimento satisfaz sua inveja. A destruição dos fragilizados satisfaz seu desprezo e seu medo deles. É tudo aparência para mentes doentias, mas a aparência pode ser tudo para quem não tem mais nada.
Essa “minoria barulhenta” pressente que o momento da vingança chegou. Ela se tornou abertamente fascista porque é ela que diz: não importa se é ou não verdade o que diz a “Vaza Jato”. O que importa é o que é “necessário” para se sentir melhor do que se é. São pessoas em boa parte frustradas na vida privada, que usam a política como forma de dar sentido a uma vida vazia e sem direção. O “bolsominion” típico é um pobre remediado, na maioria um “lixo branco” sem cultura e sem grandes esperanças na vida, que, de repente, pode se ver como protagonista de alguma coisa. Ao se definir como conservador e de direita, se sente como alguém que “protesta”, um pequeno herói, supostamente contra as tendências de seu tempo, que ao se identificar com o tirano que “tira onda” de poderoso, se sente igualmente poderoso. Como é incapaz de compreender uma realidade complexa, refugia-se em bravatas estereotipadas e finge conhecer muito do que nada conhece.
Para essas pessoas, Moro é, hoje, tanto seu herói quanto Bolsonaro. Os “likes” de Moro desceram a escala social, embora ele não tenha a menor ideia disso. Acredita-se onipotente. Como sua valia para Bolsonaro era ser uma ponte com a classe média estabelecida pseudomoralista, toda a sua base de apoio mudou ou está mudando. Os 20% de supostos “empoderados” barulhentos é a única sustentação real do atual arranjo de poder. Bolsonaro, por sua vez, também depende de Moro. Afinal, a mentira da Lava Jato se alongou na própria mentira. Sem a Lava Jato não existiria Bolsonaro. Os dois são carne da mesma carne e sangue do mesmo sangue. A solução não é simples para ninguém neste jogo. Ver a “casa cair” é o que o “bolsominion” mais quer. Enquanto isso, a elite mais saqueadora quer a grana fácil das grandes mamatas e sequer se dá conta do perigo. Bolsonaro institucionaliza o roubo pequeno e miliciano do botijão de gás sem bandeira. Esses são, hoje em dia, os apoios efetivos da Lava Jato. Os 80% restantes observam bestializados um mundo que não mais compreendem.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Moro faz sua aposta final: portaria (de numero bíblico 666) dispondo sobre deportação de estrangeiros, por Luis Nassif


Veja o vídeo e leia o texto de Luis Nassif:




"A Portaria é o último vagido de Moro. Preparou antes de avaliar a reação da opinião pública ao factoide do hacker de Araraquara. Antes de ter essas informações, dá sua cartada final.
"Agora não há alternativa. Ou Moro sai pela porta da frente, ou a democracia será escorraçada pela porta de trás.
"Uma coisa fica claro. Nenhum apoiador institucional de Moro poderá mais ignorar sua verdadeira personalidade."


Do GGN:



A Portaria é o último vagido de Moro. Preparou antes de avaliar a reação da opinião pública ao factoide do hacker de Araraquara. Antes de ter essas informações, dá sua cartada final.

O Ministério da Justiça publicou, no Diário Oficial de hoje, portaria No. 666, de 25 de julho de 2019, que  “Dispõe sobre o impedimento de ingresso, a repatriação e a deportação sumária de pessoa perigosa ou que tenha praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal”. Fica nítido o propósito de intimidar o norte-americano Glenn Greenwald.
Alguns trechos da portaria:
Art. 1º Esta Portaria regula o impedimento de ingresso, a repatriação, a deportação sumária, a redução ou cancelamento do prazo de estada de pessoa perigosa para a segurança do Brasil ou de pessoa que tenha praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal, para aplicação do
Art. 2º Para os efeitos desta Portaria, são consideradas pessoas perigosas ou que tenham praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal.
I – terrorismo, nos termos da Lei nº 13.260, de 16 de março de 2016;
Como integrante de um governo fundamentalista, Moro escolheu o número adequado para a Portaria. O livro do Apocalipse 13:1, 17, 18 diz que 666 é o nome da besta, de sete cabeças e dez chifres que sai do mar.
A Portaria é o último vagido de Moro. Preparou antes de avaliar a reação da opinião pública ao factoide do hacker de Araraquara. Antes de ter essas informações, dá sua cartada final.
Agora não há alternativa. Ou Moro sai pela porta da frente, ou a democracia será escorraçada pela porta de trás.
Uma coisa fica claro. Nenhum apoiador institucional de Moro poderá mais ignorar sua verdadeira personalidade.

terça-feira, 9 de julho de 2019

A PGR, pela dignidade da instituição, deve alterar a composição da Lava Jato, por Francisco Celso Calmon




A manutenção da prisão de Lula e eventual desfecho fatal de sua vida será responsabilidade direta das instituições, da grande mídia e parcelas da sociedade



Foto: Lula Marques
Por Francisco Celso Calmon no GGN
A rosca do Moro, não sei, talvez, quem sabe
A democracia que estava sendo construída está agonizando, uma nova custará a aparecer, e nesse intervalo estamos a viver o lusco-fusco da ideologia fascista.
Como um país imenso como o Brasil ficou de quatro para a “republiqueta” de Curitiba? Quanta fragilidade de nossas instituições terem ficado subjugadas a uma mera força-tarefa, isto é, a um grupo de trabalho do MPF de Curitiba.
A mídia que fora o apoio logístico ao golpismo inaugurado em 2016, que construiu a figura do super-justiceiro Sérgio Moro, dá credibilidade às revelações do The Intercept ao examinar o material e publicá-las. Cabe-lhe, por dever ético, desfazer a imagem criada e reconhecer seu erro ou vai esperar 50 anos como o Globo fez em relação ao apoio dado ao golpe de 64?
Se o Moro ainda que fosse bem-dotado intelectual e profissionalmente, mas é medíocre, chulo, apedeuta, e a mídia o fez, as instituições se amedrontaram e acovardaram, e o mais grave: por omissão ou participação estão cúmplices do desmonte do Estado Democrático de Direito e encolhimento da economia nacional.
Moro possui armas perigosas: 1 – a mentira; 2- a corrupção, 3- o despudor; 4 – o arrepio às normas e leis, 5 – a desqualificação dos contrários, sendo que esta última arma ele já usou e usa contra advogados, jornalistas, a OAB e partidos.
Na ditadura militar as pessoas eram sequestradas e os seus familiares iam em busca delas nas unidades de repressão, como os DOIs-CODIs e DOPS, e as respostas nunca eram assertivas e verdadeiras. O deputado Alencar Furtado pronunciou um discurso, em 1977, denunciando, que lhe custou a cassação e ficou para a história: “O programa do [antigo] MDB defende a inviolabilidade dos direitos da pessoa humana para que não haja lares em prantos; filhos órfãos de pais vivos — quem sabe — mortos, talvez. Órfãos do talvez ou do quem sabe. Para que não haja esposas que enviuvem com maridos vivos, talvez; ou mortos, quem sabe? Viúvas do quem sabe ou do talvez.”
As armas do Moro são letais à dignidade e à vida das pessoas, bem como, a saúde das instituições, particularmente no presente quando detém a titularidade do Ministério da Justiça tendo a PF subordinada.
As últimas revelações são contundentes em demonstrar que o ex-juiz Sérgio Moro manipulou, fraudou e intoxicou o devido processo legal ao ajudar um dos lados, o MPF, para atingir o seu próprio objetivo político de excluir Lula da disputa eleitoral. Excluí-lo e silenciá-lo!
Sem o Moro o Bolsonaro não chegaria à presidência.
Não chegaria à presidência se tivesse sido respeitado o direito político de Lula, mesmo aprisionado, de dar entrevistas, gravar áudios e vídeos para a campanha do Haddad.
O que resta aos violadores do direito Moro&Dallagnol, senão responderem judicialmente pelos seus atos e politicamente serem afastados de suas funções no âmbito da Justiça?
Não é o momento para tirar férias e nem se recusar a comparecer à Comissão de Direitos Humanos da Câmara, é chegado a hora, sim, de serem afastados de suas funções, antes de prosseguirem a contaminar as instituições e enxovalhar internacionalmente o país.
Moro está sendo enroscado e a sua rosca não tem final à vista.
As revelações não devem levar a uma associação mecânica ao processo Lula, antes deve, sim, evidenciar substantivamente que Moro não reúne condições de permanecer no M. da Justiça.
Não apoiei a Lava Jato em momento algum, mas entendi o equívoco de pessoas esclarecidas a terem apoiado, porque o objetivo que alardeava de combate a corrupção somos todos a favor.  Os meios de combate-la é que nos distingue, como também nos distingue a compreensão das causas de origem e fomento.
No atual quadro das revelações da promiscuidade Moro&Dalagnol e asseclas, o que ficou insustentável é a manutenção desse grupo epiceno na lava jato. A PGR, se comprometida com as normas constitucionais, as leis e a ética, não deve mais fazer como o avestruz, pela própria dignidade da instituição e do combate a corrupção, deve, no mínimo, alterar a composição da força-tarefa autodenominada lava jato.
Quando se esquece o passado a probabilidade de errar no futuro é enorme. Esquecer que o ministro Lewandowski tem as digitais no impeachment da Dilma, que Gilmar Mendes  impediu  Lula de  assumir a Casa civil no governo Dilma, que os ministros Luiz Fux e Edson Fachin foram considerados pelo grupelho da lava jata como aliados, e não levar ao pé da letra a articulação do golpe com o Supremo e tudo, pode estar ocasionado miragens.
A manutenção da prisão de Lula e eventual desfecho fatal de sua vida será responsabilidade direta das instituições, da grande mídia e parcelas da sociedade brasileira.
Só o povo arranca o Lula do cárcere.
Quem mandou matar Marielle, cadê Queiroz, quem banca Adélio Bispo?
Francisco Celso Calmon é Advogado, Administrador, Coordenador do Fórum Memória, Verdade e Justiça do ES; autor do livro Combates pela Democracia (2012) e autor de artigos nos livros A Resistência ao Golpe de 2016 (2016) e Comentários a uma Sentença Anunciada: O Processo Lula (2017)

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Desmontando a desculpa de Moro sobre a pista contra Lula enviada a Dallagnol



"Em vez de receber uma denúncia anônima e investigar o que ela alega, Moro orientou o procurador a fingir que a denúncia foi anônima para justificar um caminho investigativo cuja conclusão já estava pronta antes de as apurações começarem"



Foto: Agência Brasil
Jornal GGN O ex-juiz Sergio Moro mudou, em menos de 24 horas, a versão sobre ter encaminhado a Deltan Dallagnol uma pista de investigação contra o ex-presidente Lula, cerca de um ano antes do caso triplex virar uma ação penal.
Na edição do Estadão que saiu na manhã desta sexta (14), Moro disse que é absolutamente normal um magistrado receber informações que precisam de investigação e repassá-las ao Ministério Público. O hoje ministro da Justiça não viu nenhum problema em ter feito isso fora dos canais oficiais, mas pelo Telegram.
À tarde, em entrevista à Folha, Moro mudou o tom. Disse que foi um “descuido” de sua parte ter usado um aplicativo de mensagem.
Mas o ex-juiz esqueceu, nos dois casos, do detalhe principal.
A pista contra Lula e sua família teria sido dada por uma fonte que, contatada por Dallagnol, não quis falar aos investigadores.
O procurador, então, reportou a Moro que estava pensando em transformar a informação que eles tinham em uma falsa denúncia anônima. Moro concordou.
O site Conjur, especializado em notícias do mundo do Direito, alertou que o que Moro fez foi, na verdade, “uma inversão do que acontece normalmente”.
“Em vez de receber uma denúncia anônima e investigar o que ela alega, Moro orientou o procurador a fingir que a denúncia foi anônima para justificar um caminho investigativo cuja conclusão já estava pronta antes de as apurações começarem.”
Conjur ainda observou que “a Lei de Ação Civil Pública estipula que a notícia-crime deve ser formalizada nos autos, o que não aconteceu.”
Isso significa que mesmo a versão que Moro deu ao Estadão não para em pé.
Ao jornal que operou como porta-voz da Lava Jato durante os 5 anos de operação, Moro defendeu a legalidade de seus atos:
“Alguém informa que tem informações relevantes sobre crimes e eu repasso para o Ministério Público. Isso está previsto expressamente no Código de Processo Penal, artigo 40, e também no artigo 7 da Lei de Ação Civil Pública diz que ‘quando o juiz tiver conhecimento de fatos que podem constituir crime ou improbidade administrativa ele comunica o Ministério Público’. Basicamente é isso, eu recebi e repassei. Porque eu não posso fazer essa investigação.”
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Moro não quer que o Intercept faça com ele o que a Lava Jato fez com os investigados



Moro não quer saber se divulgação de conversas pelo Intercept aos poucos. Inclusive, chamou essa estratégia de "mecanismos espúrios" e defendeu a entrega de todo o dossiê para perícia


Foto: Agência Brasil
Jornal GGN – Vazar material sigiloso que narram supostas ilegalidades foi e ainda é um expediente usado à exaustão pela Lava Jato. Mas agora que o vazamento a conta gotas é contra a força-tarefa e o ex-juiz símbolo da operação, Sergio Moro denota que não está nada contente. O hoje ministro de Jair Bolsonaro, inclusive, classificou a estratégia de divulgação do The Intercept Brasil de “mecanismos espúrios”.
“Por que não apresenta desde logo tudo? Se tem irregularidade mesmo, tão graves, apresenta tudo para uma autoridade independente que vai verificar a integridade do material. Aí, sim, se a ideia é contribuir para fazer Justiça, então vamos agir dessa forma. E não com esses mecanismos espúrios“, pregou Moro.
Em entrevista veiculada pelo Estadão nesta sexta (14), o ex-juiz insinuou ainda que o Intercept tem trabalhado com criminosos. Isto porque, na narrativa criada por Moro com ajuda da Lava Jato e da Rede Globo e Estadão, o dossiê do site jornalístico é fruto de invasões de um ou mais hackers nos celulares de procuradores de Curitiba e outras vítimas.
“Não é só uma invasão pretérita que um veículo de internet resolveu publicar o conteúdo. Nós estamos falando aqui de um crime em andamento. De pessoas que não pararam de invadir aparelhos de autoridades ou mesmo de pessoas comuns e agora têm uma forma de colocar isso a público, podem enviar o que interessa e o que não interessa. E também esse veículo (The Intercept Brasil) não tem nenhuma transparência com relação a esse conteúdo. Então vai continuar trabalhando com esses hackers?”
Na Lava Jato, material divulgado contra os investigados nunca passou por perícia fora dos autos apenas porque um dos atingidos colocou sua veracidade em xeque. Mas Moro disse mais de uma vez que o dossiê Intercept precisa ser averiguado, e que “as autoridades independentes” para fazer uma perícia seriam a Polícia Federal – que está sob o guarda-chuva do ministério que ele comanda – ou o Supremo Tribunal Federal.
“Se não querem apresentar à Polícia Federal, apresenta no Supremo Tribunal Federal. Aí vai se poder verificar a integridade daquele material, exatamente o que eles têm, para que se possa debater esse conteúdo. Agora, do contrário, eu fico impossibilitado de fazer afirmações porque eu não tenho o material e, por outro lado, eu reconheço a autenticidade de uma coisa e amanhã aparece outra adulterada. Alguns diálogos, algumas mensagens lá me causam bastante estranheza.”
Na entrevista, Moro também adotou um discurso “sabonete”: admitiu que conversava com frequência com os procuradores pelo Telegram. Disse também que, em sua visão, o que o Intercept revelou até agora, “despido o sensacionalismo”, não tem nenhuma ilegalidade. Mas não assumiu fala A ou B, por dois motivos: alguém pode ter adulterado as mensagens, e ele já não se lembra do contexto em que se deram as conversas.