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terça-feira, 5 de novembro de 2019

Copiando e colando, juíza usou 430 vezes o nome de Lula, por Armando Coelho Neto, advogado, delegado aposentado da PF e ex-representante da Interpol



   "Dei uma espiadela na sentença e me lembrei do “Crime do IA”, texto que publiquei neste GGN, em março/2016.  Para ilustrar como a Farsa Jato inventou o “crime do IA”, destaquei: um promotor pediu a prisão de Lula por causa de um apartamento que ”IA” ser dele. Não se sabe se ”IA” comprar pelo preço normal ou subfaturado, com dinheiro dele ou roubado, mas os corretores afirmaram que o apartamento não foi vendido por que ”IA” ser do Lula. Depois surgiu uma OAS que “IA” beneficiar Lula. Lulinha, o falso dono da Friboi, “IA” intermediar e não foi. Mas, para o promotor, como Lula não tinha dinheiro, “IA” mesmo ganhar o imóvel."



Copiando e colando, juíza usou 430 vezes o nome de Lula, por Armando Coelho Neto

Depois dos laudos, a sentença de mais um crime do “IA”. A JUÍZA usou 430 vezes o nome do Lula, quase sempre copiando e colando. Como? Usando verbos no condicional, ou seja, no futuro do pretérito.



GGN.- O termo patricinha é usado para designar mulher rica (que pensa que é ou quer ser), mimada, consumista, modista, protegida pelos pais. Fútil e superficial, tem o ego lá cima, é esnobe, desagradável, arrogante. Em alguns círculos sociais é sinônimo de adolescente chata, desagradável. É o que consta na “net” sobre esse perfil, tão em voga na ascensão da alfafocracia. Politicamente correto à parte, generalizações idem, configura bem o tipo das figuras femininas que foram para a Av. Paulista tomar espumante, durante o ensaio geral do golpe de 2016 que derrubou a Presidenta Dilma. Bem a cara do filme “As Patricinhas de Beverlly Hills.
Não sei por que, mas sempre que olho a cara da juíza que condenou Lula no caso do sítio de Atibaia, lembro do filme. A rigor, não queria falar dela, mas depois de ler e escrever sobre a hipocrisia dos laudos do sítio de Atibaia, tive que dar uma piscadela na sentença da tal juíza. Quis ver no que deu a obra pericial que vai além da técnica, para ser opinativa: o sítio foi comprado para uso da família de Lula. Parece coisa encomendada para o JN editar.
Dei uma espiadela na sentença e me lembrei do “Crime do IA”, texto que publiquei neste GGN, em março/2016.  Para ilustrar como a Farsa Jato inventou o “crime do IA”, destaquei: um promotor pediu a prisão de Lula por causa de um apartamento que ”IA” ser dele. Não se sabe se ”IA” comprar pelo preço normal ou subfaturado, com dinheiro dele ou roubado, mas os corretores afirmaram que o apartamento não foi vendido por que ”IA” ser do Lula. Depois surgiu uma OAS que “IA” beneficiar Lula. Lulinha, o falso dono da Friboi, “IA” intermediar e não foi. Mas, para o promotor, como Lula não tinha dinheiro, “IA” mesmo ganhar o imóvel.
Depois dos laudos, a sentença de mais um crime do “IA”. A JUÍZA usou 430 vezes o nome do Lula, quase sempre copiando e colando. Como? Usando verbos no condicional, ou seja, no futuro do pretérito. Para o professor Leandro Cabral é um tempo verbal que “exprime frequentemente o irreal, o imaginário… notícia não confirmada, fato imaginário, possibilidade”. Já Daniela Diana, Professora licenciada em Letras, diz que o condicional expressa incerteza, surpresa e indignação, é utilizado para se referir a algo que poderia ter acontecido numa situação no passado. Resumindo, exprime dúvida, que aliás, virou certeza na cabeça daquela…
A juíza usou 41 vezes a expressão TERIAM e 141 vezes TERIA. Exemplos: “Grandes empreiteiras do Brasil, entre elas a OAS, UTC, Camargo Correa… TERIAM formado um cartel, através do qual TERIAM sistematicamente frustrado as licitações da Petrobras para ”… contratos da Petrobrás nos quais TERIA havido acertos de corrupção e que TERIAM também beneficiado o ex-Presidente…” Quer mais? “… o principal interlocutor do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o Grupo Odebrecht TERIA participado diretamente da decisão dos pagamentos das reformas do Sítio de Atibaia…” Aliás, entre os TERIA, duas vezes rolam “Lula teria dito”.
Onisciente, a juíza destacou: “comandava o esquema criminoso que TERIA possibilitado a arrecadação de valores a seu partido… parte desses valores TERIA ido para o ‘caixa geral’ do Partido dos Trabalhadores….” Esse conjunto de atos “configurariam o crime de lavagem de dinheiro TERIA ocorrido entre 27 de outubro de 2010 e junho de 2011 quando Lula… o crime TERIA sido praticado, segundo a denúncia, no âmbito do esquema criminoso que vitimou a Petrobrás…“  Consta dos autos que Lula “teria abençoado o negócio”. Tem mais: “há apontamento de que contratos internacionais da Petrobrás TERIAM alimentado as contas utilizadas pelo Grupo Odebrecht…”
Cheia de “certezas”, a juíza citou 130 vezes a palavra SERIA ou SERIAM, como em: “Luiz Inácio Lula da Silva, ex-Presidente da República, SERIA o beneficiário das reformas…” Mais na frente tasca um “o custeio SERIA da Odebrecht…” para depois registrar que fulano de tal “SERIA amigo próximo do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva”. Já os pagamentos, “SERIAM feitos em espécie… Esta SERIA a pena de Marcelo Bahia Odebrecht, não houvesse ele celebrado acordo”… “Fernando SERIA um mero laranja…”. Misturando alhos e bugalhos, numa referência a outro processo, que o Marreco desistiu de forçar a barra, ela fala da “reforma do local em que SERIA abrigado o acervo da presidência da República”.
Tudo com base nas expressões usadas pelo Ministério Público Federal, cheio de convicções. Desse modo, a sentença segue entre saberia, receberia, afetaria, existiria, conseguiria… Sempre com expressões no condicional. Expressões vagas configuram uma constante, como por exemplo, a “OAS teria pago propina a agentes da Petrobrás e a agentes políticos…” Que agentes? Paradoxalmente, quando se trata de argumento da defesa aquela “funcionária” quer detalhes, quer especificidade. A defesa, que reclamou da interceptação de 25 advogados, teve como resposta: “não há concretamente o apontamento de diálogos interceptados no referido terminal de outros advogados”.
Em nova versão do crime do “IA”, tudo seria, teria ou beneficiaria, a barnabé judicial concluiu que não estava em discussão a propriedade do sítio. Por pouco não disse que o sítio SERIA do Lula, mas este SERIA beneficiário das reformas, todas atestadas nos tais laudos. TERIA sido recompensa por atos não especificados que em tese configurariam crimes disso e daquilo. Como diz o próprio ex-presidente, “Depois de tanta mentira, Dr. Moro, o senhor está condenado a me condenar”. Não só condenou no caso do tríplex do crime do “IA”, como também condenou a juíza substituta a dar o mesmo desfecho.
Coisa de filme. De novo me vem à cabeça comédia “As Patricinhas de Beverlly Hills”.
Armando Rodrigues Coelho Neto – Jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Procuradores da Lava Jato devem explicações à sociedade (Parte III - Final), por Armando Coelho Neto, ex-representante da Interpo e delegado da PF, e Wilson Luiz Müller, Integrante do Coletivo “Auditores Fiscais pela Democracia” (AFD)


É preciso lembrar que, apesar dos aplausos, das flores e dos festejos pelos serviços entregues,  eles não  estão acima do bem e do mal, não estão acima das paixões políticas, não estão imunes ao erro e à possibilidade de também serem corrompidos. Não estão, sobretudo, acima da lei.


Procuradores da Lava Jato devem explicações à sociedade (Parte 3 – Final)

por Armando Rodrigues Coelho Neto e Wilson Luiz Müller

A novela da Fundação lavajatista está longe de acabar. Quando o acordo escandaloso foi revelado pelo jornalista Luís Nassif, passaram vários dias sem que a  sociedade reagisse para forçar as autoridades a tomar alguma  atitude. Essa aparente apatia – e isso seria compreendido na semana seguinte – decorria do sentimento de impotência a que se resignara a parcela da população que não concordava com os desmandos cometidos pelos comandantes da Força a Jato durante os últimos cinco anos. É aquele sentimento que se tem quando se está diante de algo quase intransponível: não vai acontecer nada com eles, estão há anos aplicando e fazendo lei como bem entendem e ninguém tem coragem de colocar limites, está tudo dominado.
Se havia esse sentimento de apatia e descrença na justiça por um lado, havia do outro a contrapartida que a justificava: a prepotência de quem se sente no comando da situação, mesmo quando flagrado em evidente ilegalidade. Mas algo havia mudado na percepção da sociedade. Isso lembra uma situação doméstica peculiar. Aquela peça onde vamos jogando todas as tralhas que nos incomodam para que sumam debaixo de nossos o olhos. E isso vai entulhando de tal forma que começamos a temer até entrar na peça.  Que dirá arrumar energia para colocar tudo em ordem de novo!
Em geral a coragem não nos vem, ela se impõe. No caso do entulho, é aquele cheiro de podre que dá a certeza de que deu ruim na peça, que algo apodreceu. E aí não tem jeito, é meter luvas e máscara e remexer em tudo até remover os podres. Nesse sentido, é forçoso o elogio a atitude corajosa e legalista da Procuradora Geral Raquel Dodge de enfrentar seus pares que andavam fora dos trilhos legais, legitimados pelo consenso e protegidos pela apatia. Assim como foi gratificante ver o STF não se submeter à chantagem dos que querem continuar agindo acima da lei. São sinais animadores de que essas importantes autoridades estão empenhadas na defesa do Estado democrático de direito.
Encerramos a parte 2 deste artigo, publicado ontem, citando as primeiras reações dos procuradores lavajatistas após o surgimento das denúncias. Foram publicadas no Twitter do coordenador Deltan Dallagnol, citando a manifestação do seu colega Carlos Fernando Lima. É interessante notar como ainda se sentiam no domínio da situação, tentando ridicularizar seus críticos, apesar da gravidade dos fatos denunciados. Textualmente, Lima disse:
“Sobre as críticas à destinação de 2 bilhões e 500 milhões de reais, pode-se dizer que há os que não leram e criticam; há os que leram, não entenderam, e criticam; e há os que leram, entenderam, e, por má-fé, criticam.”
Quem deles discorda só pode ser  mentiroso, gente que espalha fakes sobre o  acordo. Ou é preguiçoso, pois não se deu ao trabalho de ler o que eles escreveram e assinaram. Pode ser também burro, pois se esforçou lendo o que os doutos assinaram mas não conseguiu entender. Ou ainda mal-intencionado, pois  leu, entendeu que o acordo é bom para o país, mas critica porque tem má fé. Tomamos emprestadas, ontem, as palavras do jurista Lênio Streck: a Procuradora Geral da República leu, entendeu e, por má fé, se manifestou contra. Com a mesma má fé, o ministro Marco Aurélio criticou o acordo e o STF o suspendeu.
A censura aos procuradores decorre de questão elementar: o dinheiro deveria ser depositado na conta do Tesouro Nacional, conforme pacificado pela doutrina, do Tribunal de Contas da União e do próprio Supremo Tribunal Federal.
A reação que se seguiu aos tuítes lavajateiros mostrou que os cidadãos brasileiros não são o que os procuradores pensam.  A arrogância impulsionada pelo “está tudo dominado” foi estremecida. A sociedade brasileira está, sim, cansada de ser enganada por argumentos falaciosos que visam criar verdades baseadas em narrativas descoladas da realidade objetiva. A inquietação sobre isso vai além do que se poderia tratar como mi-mi-mi da esquerda. Com propriedade, o jornalista Reinaldo Azevedo destacou o desprezo pela lei, por parte dos procuradores. “Aliás, eis uma característica notável dessa turma – e incluo o agora ministro Sérgio Moro: são valentes justiceiros que, por obvio, mandam o ordenamento jurídico às favas”.
Indo além, aquele jornalista mostrou, com imagem, o que diz o acordo e o que disseram os procuradores, para sem meias palavras chamar de mentira o que escreveram. O acordo não prevê os procuradores como gestores de coisa alguma. Leia-se, um delírio que tem como suporte a construção do consenso e a apatia (está tudo dominado). Ao serem criticados, a resposta dos procuradores lembra a velha fórmula das oligarquias arrogantes quando se referem aos de baixo, essa gente inferior  preguiçosa, mentirosa, insolente,  burra, que só sabe reclamar e nunca tem razão.
Numa sociedade democrática e civilizada deveria ser inadmissível que altas autoridades da república se referissem dessa forma às críticas de cidadãos. Afinal, os procuradores nada mais fazem que sua obrigação, sendo muito bem pagos para isso. Vê-se que o deslumbramento com a fama e o poder auferidos nos últimos anos – quando se acostumaram com os aplausos quase unânimes da grande mídia – lhes fez mal.
É preciso lembrar que, apesar dos aplausos, das flores e dos festejos pelos serviços entregues,  eles não  estão acima do bem e do mal, não estão acima das paixões políticas, não estão imunes ao erro e à possibilidade de também serem corrompidos. Não estão, sobretudo, acima da lei. Apesar de suas importantes funções e prerrogativas, continuam sujeitos ao mesmo princípio a que está submetido o mais humilde e mal pago servidor público: só é permitido fazer o que lei autoriza.
Deveria ser desnecessário lembrar isso para autoridades que possuem entre as suas  funções a de defender a correta aplicação da lei. Mas é incontornável porque estão querendo resolver um problema atacando os críticos ao invés de atacar o problema.  O nosso problema é o embrulho no estômago provocado pelo acordo, porque não conseguimos digeri-lo.
O problema dos procuradores da Força a Jato é bem maior, porque foram eles que negociaram e assinaram o acordo. A sua obrigação agora  é explicar  ao povo, aos de baixo (preguiçosos, burros, mentirosos e mal intencionados), item por item, artigo por artigo, como chegaram a esse fabuloso resultado que obrigou a Petrobrás a lhes disponibilizar um bilionário fundo privado,  superior ao que dispõem 99,7% dos prefeitos brasileiros com seus orçamentos.
É preciso que expliquem isso em detalhes, porque não mais nos contentaremos com falácias. Talvez isso lhes soe estranho, mas neste caso quem tem o direito de fazer as perguntas somos nós, os de baixo, e quem tem a obrigação de responder são as autoridades fabricantes do acordo.
Os procuradores devem demonstrar aos brasileiros que não fomos lesados por uma nação estrangeira. Precisam explicar qual foi o seu papel no acordo pelo  qual a Petrobrás se comprometeu a pagar aos Estados Unidos a maior multa já aplicada a uma empresa estrangeira  (R$ 12  bilhões de reais), por terem tido as autoridades americanas acesso a informações da Forca a Jato, conforme noticiado pelo artigo do jornalista Luís Nassif  sob o título “Como foi montado o golpe do século contra a Petrobrás”.
Ainda segundo o artigo, o acordo resultou em valor muito superior à expectativa inicial dos acionistas americanos. Ainda: se há relação entre este  festejado acordo pelos americanos com a “boa vontade” das autoridades americanas em direcionar para os procuradores lavajatistas o percentual de  80% de uma outra  tungada imposta à Petrobrás, desta feita pelo Departamento de Justiça dos USA, o que, comparado ao acordo de 12 bi, não passa de uma bagatela.
A melhor forma de convencer os cidadãos é dar respostas técnicas, com citação dos dispositivos legais que embasaram seus atos em relação ao acordo em questão. Diante do demonstrado desprezo pela lei, como já registrado nos textos anteriores e ora bem lembrado pelo jornalista Azevedo, urge explicações. E, a título de contribuição, convocamos o leitor a cobrar dos procuradores da República, com suporte em lei, não em convicções, digressões e subterfúgios, a explicarem questões fundamentais, tais como:
1 – qual a base legal utilizada para os procuradores da Lava Jato atuarem como representantes do Brasil na negociação do acordo?
2 – qual o papel desempenhado pelos procuradores na disputa entre o DoJ e a Petrobrás (acusação, defesa, assessoramento do DoJ)?
3 – quem defendeu a Petrobrás na disputa (pergunta a ser respondida também pela diretoria da estatal)
4 – por que a afirmação de que a multa tinha que ser necessariamente depositada para a Fundação da Lava Jato  e não na conta do Tesouro Nacional? De quem era essa exigência? Por que os procuradores eram mais merecedores de confiança, pelo DoJ, do que o Estado brasileiro? Voltamos à época do delegado da PF que controlava dinheiro dos EUA em conta pessoal?
5 – agora que o STF suspendeu o acordo da fundação lavajatista, significa que o dinheiro deverá ser enviado para os USA, conforme tinham afirmado os procuradores diante das primeiras  críticas? A suspensão da fundação suspende a remessa de informações estratégicas da Petrobrás para os States?
6 – por que o DoJ era parte legítima para pleitear a indenização por eventuais  danos causados aos acionistas americanos se alguns meses antes a Petrobrás já tinha fechado um acordo de R$ 12 bilhões diretamente a esses acionistas?
7 – qual a base legal para os procuradores obrigarem a Petrobrás a abrir informações de interesse do estratégico para o Departamento de Justiça americano?
8 – aplicando ao caso dos R$ 2,5 bilhõesc da Fundação os mesmos parâmetros e critérios utilizados pelos procuradores contra os “alvos” investigados nos últimos anos,  como auferimento de vantagens diretas ou indiretas, confecção de documentos sem base legal, formação de quadrilha, não seria o caso de solicitar medidas cautelares para os envolvidos, prisão preventiva, condução coercitiva?
Tudo isso, obviamente, sem deixar de explicar preliminarmente, por que a vítima (Petrobras) tem que pagar multa ao invés de ser  ressarcida.
Armando Rodrigues Coelho Neto – delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.
Wilson Luiz Müller – Integrante  do Coletivo “Auditores Fiscais pela Democracia” (AFD)
Leia a primeira parte aqui
e a segunda parte aqui.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A receita depois do vexatório pesadelo Bolsonaro, por Luis Nassif

"Agora, o pesadelo de Bolsonaro traz uma nova divisão, que irá se consolidar gradativamente: entre o Brasil moderno, de esquerda e direita, e o país dos subterrâneos e das milícias.
"Seria relevante que as lideranças mais racionais, de lado a lado, começassem a construir a ponte para o recomeço, que se dará um ponto qualquer do futuro."




Prêmio Nobel de Economia em 2006, Edmund Phelps publicou um artigo instigante sobre as razões do dinamismo, ou da perda de dinamismo nas economias ocidentais.
Ele critica a dificuldade dos economistas em trabalhar com a incerteza. Tratam a economia como se fosse um processo cumulativo, calculado, em que o futuro é previsto a partir do passado. É o manual do cabeça de planilha. Em momentos de ruptura, de crise sistêmica, dançam.
O desenvolvimento do Ocidente, diz Phelps, sempre esteve ligado à noção da incerteza, e da busca do novo. A revolução se deu através da inovação na base, envolvendo todas as pessoas, trabalhadores, empresários, e todo tipo de indústria.
Ele atribui a Robert Solow, do MIT, a consagração da tese de que a taxa de progresso técnico era exógena à economia. Lembra em muito o ex-Ministro Pedro Malan, que minimizava políticas científico-tecnológicas, afirmando que bastaria importar máquinas modernas, que já vinham com o conhecimento embutido.
Aí se volta à noção da economia e do desenvolvimento como um sistema, uma engrenagem que produz desenvolvimento quando todos os fatores avançam na mesma direção.
No início dos anos 90, quando começaram os primeiros movimentos pela qualidade, parecia que esse sentimento tinha tomado conta de amplos setores. Aliás, no alvorecer do período democrático, Fernando Collor acertou em cheio com o conceito de câmaras setoriais - juntando, em um mesmo ambiente, produtores, fornecedores, trabalhadores em torno do objetivo de conferir competitividade ao setor.
Atrás de sua estratégia, havia conceitos claramente definidos pelo maior – e mais desconhecido – economista brasileiro da época, Júlio Mourão, do quadro do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Coube a ele lançar as bases da política da integração competitiva, entendendo o desenvolvimento como um processo sistêmico.
No governo Fernando Henrique Cardoso, avançaram-se nos conceitos de Arranjo Produtivo Local e nas bases dos primeiros programas de inovação, muito devido ao então Ministro Luiz Carlos Bresser Pereira.
No governo Lula, as conferências nacionais se constituíram em poderosíssimo instrumento de coordenação federativa. As conferências de inovação deram início a um pacto envolvendo associações empresariais, trabalhadores, sindicatos. Ganharam corpo os movimentos pela educação e pela inovação. A Confederação Nacional da Indústria chegou a montar o MEI (Movimento Empresarial pela Inovação), pelo qual grandes empresas – nacionais e multinacionais – implementariam programas para levar a qualidade aos pequenos.
O governo Dilma lançou alguns programas relevantes de inovação, como o Brasil Competitivo, em parceria com a CNI, estimulando institutos de pesquisa a atuarem em rede resolvendo problemas estruturais da indústria. E foi relevante com o MEI (Microempreendedor Individual), permitindo a formalização de milhares de microempresários por todo o país.  As políticas de compras da Petrobras estimulavam pequenas empresas.
Todos esses movimentos, uma construção social e econômico penosa – dado o ambiente negativo das políticas monetária e cambial – ruíram com a perda de rumo do governo Dilma. A própria Dilma poderia ter promovido uma correção de rumos. As eleições seguintes garantiriam a alternância de poder, necessária em toda democracia, com o esgotamento do ciclo petista.
Mas, aí, sobreveio o golpismo, com Ministério Público Federal, através da Lava Jato, e com a complacência cúmplice do STF (Supremo Tribunal Federal), dando início à destruição do sistema partidário e da economia nacional.
Agora, o pesadelo de Bolsonaro traz uma nova divisão, que irá se consolidar gradativamente: entre o Brasil moderna, de esquerda e direita, e o país dos subterrâneos e das milícias.
Seria relevante que as lideranças mais racionais, de lado a lado, começassem a construir a ponte para o recomeço, que se dará um ponto qualquer do futuro.
Assim que passar o pesadelo bolsonariano, o trabalho de reconstrução terá que se dar em torno de um amplo pacto nacional juntando movimentos, sindicatos, empresas, mercado, universidades, institutos.
O político, ou o pacto, que lograr essa síntese dominará o próximo ciclo político.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Triste, tristinho, ao ver pretenso Messias em Davos, por Rui Daher


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Do GGN :

Eu tava triste tristinho/Mais sem graça que a top model magrela na passarela/ Eu 'tava’ só sozinho/ Mais solitário que um Paulistano/Que um canastrão na hora que cai o pano/'Tava’ mais bobo que banda de rock’/Que um palhaço do circo Vostok. (Zeca Baleiro, em “Telegrama”). Uma das poucas criações da nova música popular brasileira que continua a letra dizendo “querer entregar flores ao delegado, bater na porta do vizinho dar bom dia, e beijar o português da padaria”.
É como me senti hoje ao ver e ouvir Jair Bolsonaro, em Davos. Almoçava sozinho, sem nenhum interesse por ele. Aonde foram seus parças, equipe preparada. Por que Luciano Huck não o acompanhou às bandejas do supermercado? Toda a direita civil-militar lá presente? O que terá comido? Goulash pelando de quente? Conseguiu falar seis minutos? Recorde negativo no Fórum congelado? Aonde foram ‘Keds”, Arnesto e asseclas? Ah, inglês insuficiente e ideias ultrapassadas? Por que não convidou Damares para expandir a cultura planetária com suas parábolas.
Costumam mencionar minha comiseração com pobres, daí ser da esquerda democrática e lembrar-me de Lula, no passado, e do que seria Fernando Haddad em seu discurso em Davos.Descubro que assim sou até com os pequenos de espírito com Jair Bolsonaro, mesmo sabendo que o mito me tiraria deste mundo, ao primeiro tiro, justificado pelo STF e seu ministro “camicia nera”.
Apelo ao Conselho Consultivo do "Dominó de Botequim", Somente desce Darcy.
- E os demais?
- Bebem cagando de rir de nosso presidente.
- Criticam-no: “ele quer copiar Tarso, Ivan, Maciel, Sérgio Augusto, Maciel, Armindo, Mouzar Benedito, Francis, Henfil, Nani, e outros d'O Pasquim, mas eles não tinham comiseração nenhuma. Lembra da destruição que os Fradinhos fizeram com Simonal, Elis, sem perdão”?
- Sou um covarde?
- Não é bem isso. Mas ter pena de um bosta, que todos sabiam sem nenhuma aptidão ao cargo. Logo estará fora do cargo. Nem sabe aonde está. Louco para voltar às suas chinelas Rider, camisetas folgadas, calções largos e varas de pesca, e aproveitar da grana que ele e família amealharam em legislativos mancos e beneficentes.
- Sinto pena. Acreditou em Bannon e no Departamento de Estado dos EUA. Gostemos ou não, ele foi representar o Brasil, como eleito pelos votos.
- Noventa milhões declararam #EleNão. O mundo todo lamentou um imbecil de ultradireita.
- Vamos aguentar, Darcy Ribeiro?
- Não, se partirem para a cultura e a chacota ou, como você prefere, a galhofa. Nunca foi mais fácil.
- Mas e aí, vêm, os militares.
- Melhor, Rui “Peninha” Daher. Se precisar, chame seu amigo Harmônica. Beijos meus, de Ariano, Melô e Dr. Walther.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

“É justo dizer que Bolsonaro não correspondeu às expectativas”, diz editor do jornal Telegraph



DCM. - O editor do jornal britânico The Telegraph, Ben Marlow, escreveu no Twitter suas impressões sobre o discurso do presidente eleito Jair Bolsonaro em Davos. Confira:
É justo dizer que Bolsonaro não correspondeu às expectativas. Discurso sem espírito, sem vida, com duração de menos de 15 minutos, que parecia excessivamente roteirizado e que passou por uma longa lista de compromissos já estabelecidos. Não posso imaginá-lo sendo convidado de volta tão cedo. # Davos2019

Fair to say Bolsonaro didn’t not live up to the billing. Pretty lifeless, wooden speech lasting less than 15 minutes, which felt overly- scripted and whizzed through a long list of already-stated pledges. Can’t imagine him being invited back in a hurry.

“Sem credibilidade ou substância”, diz repórter de TV alemã em Davos sobre Bolsonaro



Foto

DCM. - Após o vexame de Bolsonaro no discurso em Davos, jornalistas estrangeiros fizeram críticas à fala do presidente, que durou cerca de seis minutos.
O jornalista alemão Holger Zschaepitz afirma, em sua conta no Twitter, que “Bolsonaro decepciona com seu discurso. O Real cai 0,5% enquanto ele só fala em restabelecer a “credibilidade”, num discurso sem substância ou credibilidade”.
President Bolsonaro disappoints w/speech at the Davos crowd & fin mkts. Brazil Real drops 0.5% as he just touts reform "credibility" in a speech that has no substance & credibility. Investors had been looking for concrete measures on pensions, sale of state assets.
419 pessoas estão falando sobre isso

00:00/00:40Diário do Centro do Mundo


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