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sexta-feira, 3 de maio de 2019

Associação Americana de Juristas reconhece Lula como preso político, ou seja, vítima de um tribunal de exceção com propósitos não-democráticos


Do Blog da Cidadania, repassando matéria do Viomundo:



A Associação Americana de Juristas publicou nesta quinta-feira (2) uma declaração oficial na qual reconhece Luiz Inácio Lula da Silva como preso político.
Organização Não-Governamental com estatuto consultivo no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, a AAJ já havia denunciado a perseguição a Lula durante a Assembleia Geral da 39ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, no ano passado.
Esta é a primeira vez, no entanto, em que a entidade declara Lula oficialmente como preso político.
A declaração destaca que Lula deixou seu governo com mais de 80% de popularidade e, no ano passado, foi não apenas impedido de concorrer à Presidência como também proibido de dar entrevistas ou de se manifestar publicamente.
O documento condena ainda a violação do preceito constitucional da presunção de inocência até o julgamento final do processo.
Para a associação, está demonstrado que a prisão teve motivação política, sem relação com o delito a que Lula foi acusado e que cuja pena pretende “afastar a figura pública de Lula da Silva do processo político nacional”.
E o documento é direto ao afirmar que: “Esses fatos enquadram o caso naquilo que o Conselho da Europa define juridicamente como uma prisão política, e a Anistia Internacional como uma prisão de consciência”.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Ernesto Araújo, o novo ministro de relações exteriores do Brasil e o país submisso. Artigo de Augusto Colório, Marina Rossetto e Bruno Lima Rocha

  "Estamos diante de uma situação inusitada. O Brasil se porta como se fosse literalmente uma república bananeira, cumprindo a sina do Bananistão, o sonho macabro das elites brasileiras de transformarem o país novamente em um fazendão, uma plantation pós-colonial, governada de fato pelo baronato financeiro em condomínio com o que há de pior na nossa sociedade. Se há algo que não pode ser contestado é uma “incoerência” do “governo” Bolsonaro. Seu chanceler e aquilo que se anuncia para a política externa e as relações exteriores estão à altura do presidente eleito e sua trupe. Reiteramos: isso não é nenhum elogio."

Do GGN:



O novo ministro de relações exteriores do Brasil e o país submisso
por Augusto Colório, Marina Rossetto e Bruno Lima Rocha


O Brasil está em transe, tomando como referência o conceito do genial Glauber Rocha. Isto é fato. Infelizmente, o país vive um transe de mimetismo com um arcabouço de conceitos estapafúrdios, onde não há sequer uma “direita séria”, vivendo sob um jogo de espelhos retorcidos da pior faceta dos lunáticos dos EUA, as direitas mais à direita do Partido Republicano. Para desgraça da nação, a vitória eleitoral de Trump nos Estados Unidos veio ao encontro da “nova-velha” direita brasileira, em suas vertentes mais absurdas, justo as que se popularizaram a partir de 2014 e cuja parcela mais autoritária e “iconoclasta” encarna no “governo” de Jair Bolsonaro.
Estamos diante do inusitado, da mescla do pior com o pior, atingindo o cerne de instituições que todos pensávamos estarem meio que imunes a tanta sandice. Dentre estas, o Ministério das Relações Exteriores (MRE), conhecido como o Itamaraty, um lócus de poder e saber de Estado que sempre fora comparado ao “Foreign Office” do Brasil. Não que o Ministério e os respectivos diplomatas sejam isentos de críticas, longe disso. Menos ainda cair em uma fala vazia de “direção técnica” ao invés da “direção política” do órgão. Não há instituição sem disputa política, sem linhas antagônicas (por vezes muito antagônicas) e tampouco há virtude alguma em instituições insulares, isoladas da sociedade e cuja meta seria atender o interesse de sua cúpula dirigente. Mesmo com todas as considerações acima, há que se reconhecer que a atual situação passa de qualquer limite do previsível. Esta “ruptura” é por direita, bem à direita, e muito, mas muito subordinada ao imperialismo dos EUA sob seu governo de turno. Vejamos.
O discurso de posse do novo ministro de relações exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, parece confirmar o que as análises mais sensatas de relações internacionais vinham prevendo. Seguindo a política externa do pós-golpe, o Brasil deve romper ainda mais com o histórico de sua política externa - reconhecida mundialmente por pautar suas ações por alguns princípios dos quais quase nunca abre mão, como os de não intervenção, de autodeterminação dos povos e de solução pacífica de controvérsias.
A política externa brasileira proposta por Araújo vai em direção ao alinhamento ainda maior aos interesses estadunidenses (diríamos, alinhando-se especificamente ao governo Trump) para a política internacional, como forma de obter "desenvolvimento" deixando de lado as iniciativas de inserção autônomas para um mundo multipolar, na qual o Brasil tem uma margem de barganha muito maior. Se durante a campanha, Jair Bolsonaro prometia “desideologizar” o Itamaraty, a posse do ministro Ernesto Araújo acentuou uma presença ideológica que pelo visto era muito marginal dentro do órgão. O discurso da “desideologização” (muito em voga nos ‘comentaristas de economia”, ou seja, dos papagaios do capital financeiro) sempre foi uma farsa e agora parece uma ópera bufa, mescla de filmes B do gênero pastelão com os roteiros mais revoltantes do genial Pier Paolo Pasolini,
Se o ato de posse é o anúncio dos tempos vindouros, logo há muito a temer. O discurso conteve de tudo. Grego, latim, citações de Clarice Lispector, Renato Russo, Raul Seixas, Fernando Pessoa, Dom Quixote. No entanto, apesar do folclorismo demonstrado pelo diplomata (e como nada nos escapa, o não citado Joaquim Câmara Cascudo estava presente nas entrelinhas), existem pontos relevantes que devem pautar a radical transformação da política externa brasileira. Apesar do discurso servir mais como uma exaltação da “nova fase” do Brasil, bem como da chegada de “Deus” ao Palácio do Planalto, e pouco sobre estratégia de política externa, pode se perceber o alinhamento automático do Brasil aos interesses norte-americanos. Mesmo que travestidos de uma retórica antiglobalista, a fala do novo ministro deixa explícito que os mesmos objetivos da política externa do governo Trump serão almejados pelo Brasil, a partir de agora. É por isso que Araújo intensifica o discurso contra a Venezuela, exalta Israel, e aplaude governos conservadores que flertam com o fascismo como da Itália (Nova Itália na fala do ministro), Hungria (campeã da xenofobia) e Polônia (novo bastião da OTAN), de maneira fática disse: “os aliados dos Estados Unidos serão nossos aliados, e os seus inimigos serão os nossos inimigos”.
O novo ministro atacou de todas as formas o fenômeno que ele chama de globalista. Inspirado no astrólogo Olavo de Carvalho, Ernesto Araújo é adepto da teoria conspiratória que interpreta a relativa perda da soberania dos estados, como consequência da globalização, como um grande plano global guiado por forças internacionais que visam dominar o mundo. Para que essas forças sejam superadas, Araújo propõe o fortalecimento de laços bilaterais e a valorização da amizade com países que “admiramos” como os EUA e Israel. Araújo parece também, incentivar a lógica do discurso do inimigo externo, da soberania sob um possível ataque, da necessidade de protegermos a pátria a todo custo. Pode-se pensar nessa estratégia como forma de legitimar os futuros ataques aos direitos sociais e civis que já foram apresentados nos primeiros dias de governo - exatamente como o grande irmão do norte faz.
Outra promessa do novo ministro foi a de “libertar o Itamaraty de ideologias perversas”. Logo, supõe-se que o fará com a ascensão de “ideologias virtuosas”, como quais? O ministro não citou diretamente, mas nas entrelinhas houve referência ao paradigma de Ratzel para o “destino dos povos”. Muito preocupante para quem entende os termos da geopolítica. Com isso Araújo promete que o Itamaraty vai buscar o interesse do povo brasileiro por meio de decisões “técnicas”. No entanto, não há como proteger o interesse nacional omitindo assuntos extremamente importantes para a soberania nacional. Como justificar a proteção do setor estratégico vendendo uma das maiores empresas nacionais e com alto grau de tecnologia que é a Embraer? Além disso, o que justifica o alinhamento a Israel e a mudança da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, colocando em risco a exportação de carne Halal - considerado o Brasil maior produtor e exportador mundial de carne bovina segundo maior de frangos e líder nas vendas de carne Halal - para os países árabes? Ou, como promete proteger o interesse do povo brasileiro ao não denunciar a venda do Pré-Sal para potências estrangeiras e o sucateamento da Petrobras?
Araújo afirmou que a xenofobia não é um problema no mundo e que o problema real é "odiar o próprio lar". A posição, que reduz o tamanho da crise migratória mundial, já foi endossada pelo novo presidente que confirmou ao Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que o Brasil ia sair do pacto migratório da ONU.[1] O acordo que foi assinado por mais de 152 países é mais um exemplo do papel de retração que o Brasil deve ter no cenário internacional. No entanto, qual é a justificativa para perdermos capital político nos fóruns multilaterais? Qual é a legitimidade que o Governo Bolsonaro possuirá internacionalmente quando for necessário aprovar algum tipo de medida internacional que seja de interesse nacional ou que necessite apoio de outros países?     
O Governo Bolsonaro ao exaltar o Governo Trump esquece-se da diferença de poder existente entre os dois países no Sistema Internacional. Se por um lado Trump está sob o comando do país com a maior economia do mundo, com o maior arsenal nuclear do planeta e com mais de 800 bases distribuídas mundialmente, o Governo Bolsonaro comanda um país com projeção internacional extremamente limitada e que mesmo chegando a ser a oitava maior economia do mundo, dificilmente conseguiu garantir a sua soberania. Enquanto outros países são obrigados a lidar com o Governo Trump, o Brasil pode estar entrando em uma fase de isolamento internacional, tornando-se mais um país marginalizado da política mundial. Além disso, cabe ressaltar que os recentes acontecimentos na política interna dos Estados Unidos podem significar uma ameaça real de impeachment ao Governo Trump, o que poderia ter consequências graves para o Brasil por conta do alinhamento total do novo governo.[2]
Por fim, o discurso do novo ministro interrompe o projeto de uma política externa brasileira autônoma, que se inicia com o governo Jango/Jânio, perpassa a ditadura militar no governo Geisel, aparece no governo de Itamar Franco e é retomado pelos Governos de Lula e Dilma. Como já vinha se encaminhando no pós-golpe, pode se esperar um alinhamento total do Brasil ao “irmão do norte”, como fizeram Dutra, Café Filho, Castello Branco e Collor. Além disso, coloca o Brasil em um local completamente isolado nas questões multilaterais internacionais e enfraquece qualquer tipo de política externa autônoma como o frustrado BRICS.
Estamos diante de uma situação inusitada. O Brasil se porta como se fosse literalmente uma república bananeira, cumprindo a sina do Bananistão, o sonho macabro das elites brasileiras de transformarem o país novamente em um fazendão, uma plantation pós-colonial, governada de fato pelo baronato financeiro em condomínio com o que há de pior na nossa sociedade. Se há algo que não pode ser contestado é uma “incoerência” do “governo” Bolsonaro. Seu chanceler e aquilo que se anuncia para a política externa e as relações exteriores estão à altura do presidente eleito e sua trupe. Reiteramos: isso não é nenhum elogio.

Augusto Colório é mestrando e graduado em relações internacionais; Marina Rossetto é graduada em relações internacionais; Bruno Lima Rocha é professor de relações internacionais e de jornalismo. Quem redigiu este texto forma parte do Grupo de Pesquisa Capital e Estado (https://capetacapitaleestado.wordpress.com)

13 de janeiro de 2018


[1]https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2019/01/02/bolsonaro-confirma-aos-eua-que-brasil-saira-do-pacto-migratorio-da-onu.htm
[2]Mitt Romney, um dos líderes do Partido Republicano e ex-candidato à presidência dos EUA soltou uma carta na imprensa fazendo duras críticas ao Presidente Trump.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Temer é o maior do mundo. O maior em impopularidade


Como a Globo agora está furiosa com o sujeito que colocou no Governo, até saiu na Globonews, edição das 22h – se fosse a Dilma, seria na escalada do JN – uma pesquisa da badalada consultoria Eurásia em que Michel Temer é apontado como o governante mais impopular do mundo, disparado.

Seus 3% de avaliação positiva o colocam na “lanterna” do levantamento, muito distante dos demais. Mesmo de Nicolás Maduro, da Venezuela, a quem a Globo chama de “ditador”, tem quase oito vezes mais popularidade que o brasileiro.
Mas Temer, que só tem 3% dos brasileiros a seu favor, tem os tribunais e o parlamento por ele.
É o que já se disse hoje, mais cedo: a direita não tem um projeto, tem uma negação de projeto. Não importa como e com quem, seu negócio é impedir que o poder seja ocupado por quem o tenha.
É por isso que se esmera tanto em destruir Lula, que terminou seu governo com 83% de aprovação.
Nem mesmo na popularidade dos governantes essa gente  admite que o Brasil não possa estar num dos últimos lugares do mundo.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Para o jornal francês Le Monde o Brasil do golpe tornou-se presença pálida no cenário internacional


Jornal GGN - No jornal francês Le Monde, uma análise assinada pela correspondente Claire Gatinois e publicada nesta quinta-feira (22) classifica o Brasil como uma “estrela pálida” no cenário internacional. 
 
As viagens internacionais do presidente Michel Temer - primeiro para a Rússia, e depois para a Noruega - são consideradas como um ativismo do presidente que quer “mostrar que seu país não está paralisado”, diz Gatinois. 
 
O periódico europeu também diz que Temer tenta, em vão, a convencer outros países que o Brasil não virou uma República das Bananas. Na análise, a correspondente também aponta como sinal da queda do prestígio do país o fato de que nenhum chefe de Estado vem visitar o Brasil
 
Leia mais abaixo:

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Foto: Marcos Correa/PR
 
 
Do RFI
 
 
O jornal francês desta quinta-feira (22) publica uma análise da crise econômica que o país atravessa e do escândalo de corrupção sem precedentes que influenciaram a imagem do Brasil no exterior.
 
"A estrela pálida do Brasil na cena internacional” é o título da análise que o Le Monde traz nesta quinta-feira, assinada pela sua correspondente no país, Claire Gatinois. Segundo ela, o presidente brasileiro ignorou a ameaça da Justiça e foi para Rússia em viagem oficial, posando até mesmo ao lado do chefe de Estado russo Vladimir Putin em um espetáculo do balé Bolshoi, em Moscou.
 
Para o Le Monde, a viagem, que termina na Noruega nesta sexta-feira, é uma “demonstração do ativismo internacional de um presidente que está “determinado a mostrar que seu país não está paralisado."
 
Apesar da Operação Lava-Jato, que revelou um esquema de corrupção com tentáculos mais longos do que o esperado, Temer busca convencer os outros países que o Brasil não se transformou em uma República das Bananas. Segundo o Le Monde, a tentativa é em vão.
 
Crise moral e ostracismo
 
A crise moral no país se aprofunda e o mergulha em um ostracismo diplomático. Impossível, lembra o diário, não notar que nenhum chefe de Estado vem visitar o país, contrariamente à época de Lula, admirado por pesos pesados da política internacional como o ex-presidente dos EUA Barack Obama, por exemplo. Período em que o Brasil também foi escolhido para sediar a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos (2016).
 
A destituição de Dilma e os escândalos de corrupção também fragilizaram a imagem do Brasil dentro da América Latina, lembram especialistas citados pelo Le Monde, onde o país também não exerce mais uma liderança.
 
A perda de influência na cena internacional, lembra o Le Monde, começou entretanto com Dilma – economista tecnocrata que nunca foi uma “expert” em política externa, observa o jornal. Foi início de uma derrocada que se concretizou depois do impeachment. Paulo Sergio Pinheiro, ex-secretário dos Direitos Humanos, relator da ONU, diz querer acreditar em um “parênteses maldito”.
 
Para o jornal francês, o tamanho do Brasil e seus recursos naturais podem ajudar o país virar novamente o jogo e voltar a ser um ator nas questões internacionais. “Mas é necessária uma limpeza de sua paisagem política”, conclui o artigo.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Jornal do Brasil transcreve The New York Times: Dilma paga preço 'desproporcional', enquanto detratores figuram escândalos


Crise política afeta fé na saúde da jovem democracia, destaca jornal norte-americano


Jornal do Brasil
Em editorial publicado na versão impressa desta sexta-feira (13), o New York Times aponta que a presidente afastada Dilma Rousseff paga um "desproporcional" alto preço por erros de administração, enquanto muitos de seus mais vigorosos detratores são acusados de crimes bem mais graves. Além de passar pela pior recessão desde 1930, frisa o Conselho Editorial do jornal norte-americano, agora o Brasil assiste à crise política debilitar a confiança na saúde de uma jovem democracia. 
Para o jornal norte-americano, Dilma Rousseff pode até ter problemas no trato político e ter uma liderança que não impressiona, mas não há "evidência de que ela tenha abusado de seu poder para obter vantagem pessoal", enquanto muitos dos políticos que orquestram sua queda têm sido implicados em um enorme volume de escândalos de propina. 
O presidente interino Michel Temer, por exemplo, salienta o editorial, pode ficar inelegível por oito anos porque autoridades eleitorais recentemente apontaram violação aos limites de financiamento de campanha.

"Muitos suspeitam que os esforços para tirar a Sra. Rousseff têm mais a ver com a decisão dela de permitir que promotores avançassem com investigações na Petrobras"
"Muitos suspeitam que os esforços para tirar a Sra. Rousseff têm mais a ver com a decisão dela de permitir que promotores avançassem com investigações na Petrobras"

"Horas depois dos senadores votarem esmagadoramente para colocá-la em julgamento por suposta manobra financeira, a presidente do Brasil Dilma Rousseff denunciou o esforço para afastá-la como um golpe. 'Eu posso ter cometido vários erros, mas eu nunca cometi crimes', disse a Sra. Rousseff. Isso é discutível, mas a Sra. Rousseff está certa em questionar os motivos e a autoridade moral dos políticos que procuram derrubá-la", inicia o editorial. 
NYT lembra que na semana passada o Supremo brasileiro determinou que Eduardo Cunha, "o veterano parlamentar que liderou o esforço para derrubar a Sra. Rousseff", deveria ser afastado do cargo por prática de corrupção. 
A presidente Dilma é acusada de usar Dilma de bancos estatais para encobrir déficits orçamentários, "uma tática que outros líderes brasileiros empregaram no passado sem enfrentarem tamanho escrutínio". "Muitos suspeitam, contudo, que os esforços para tirar a Sra. Rousseff têm mais a ver com a decisão dela de permitir que promotores avançassem com as investigações na Petrobras, a companhia estatal de petróleo."


Compondo este quadro problemático, o governo ainda lida com o surto do vírus zika, pouco antes do início da Olimpíada no Rio de Janeiro.
"As recentes investigações sobre corrupção, que têm exposto uma podre elite que governa, têm indignado os brasileiros. Se o mandato da Sra. Rousseff é encurtado, os brasileiros deveriam ter a permissão para eleger um novo líder prontamente", sugere o New York Times
"Uma nova eleição poderia ser feita em breve se a corte eleitoral, que tem investigado alegações de que o dinheiro do escândalo da Petrobras teria ido para a campanha da Sra. Rousseff em 2014, invalidar sua última vitória. Alternativamente, o Congresso poderia aprovar uma lei para convocar eleições antecipadas", completa o editorial.
Enquanto Dilma Rousseff não gerenciou efetivamente o país, salienta o NYT, os senadores que aprovaram sua saída precisam lembrar que ela foi eleita duas vezes, e que o Partido dos Trabalhadores ainda têm um apoio considerável, principalmente entre os milhões que foram tirados da pobreza nas últimas décadas. 
"A confiança na Sra. Rousseff e no seu partido podem ter afundado nos últimos meses. Mas a Sra. Rousseff está para pagar um desproporcional alto preço por erros de administração, enquanto muitos de seus mais vigorosos detratores são acusados de crimes bem mais graves. Eles precisam perceber que muito do fogo que tem sido direcionado a ela vai em breve ser redirecionado a eles", conclui o editorial.
Por Pamela Mascarenhas

terça-feira, 19 de abril de 2016

The Guardian diz que impeachment é uma tragédia e um escândalo

Do The Guardian
Editorial
Traduzido por Luiz de Queiroz, do Jornal GGN
Apoiadores da presidente Dilma Rousseff reunidos em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, no domingo. Fotografia: Beto Barata/AFP/Getty Images
Desde que Stefan Zweig escreveu, em 1941, chamando o Brasil de “a terra do futuro”, o país vem sendo repreendido por falhar em atender às expectativas que o seu tamanho, recursos e isolamento de guerras e problemas que afetam outras partes do mundo parecem criar. Houve momentos em que essa promessa pareceu estar à beira de se tornar realidade, mas tais esperanças foram novamente, repetidamente, desfeitas. O mais recente veio com a ascensão ao poder do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003. Lula e o seu Partido dos Trabalhadores (PT) trouxeram novas ideias, nova energia e um novo estilo para a política brasileira, desfigurada pela corrupção, pelo paternalismo e por uma persistente procrastinação diante dos problemas urgentes da nação.
O PT era um partido real, com uma base massificada por todo o país, uma ideologia coerente e, aparentemente, um forte senso moral - características que faltavam em outras agremiações partidárias. As políticas sociais de Lula trouxeram para e ele e para o PT uma imensa popularidade, garantiram a reeleição para um segundo mandato e ajudaram sua sucessora, Dilma Rousseff, a conquistar as vitórias de 2010 e 2014. Desde então, a história foi ficando mais sombria até que atingiu o seu ponto menos iluminado no domingo, quando a Casa menor do Congresso Nacional, a Câmara dos Deputados, votou pelo seu impedimento. E ainda pode piorar, porque o impeachment, longe de ser a solução para a polarização política e social do Brasil, já agravou esse cenário.
A parede de metal erguida ao longo da Esplanada (uma área de parques no centro de Brasília) para prevenir manifestantes favoráveis e contrários à presidente de se engajarem em confrontos físicos durante a votação do impeachment é simbólica de quanto a polarização já foi longe demais. O historiador José Murilo de Carvalho disse recentemente que a radicalização e a intolerância no país chegaram a um ponto muito perigoso.
Como as coisas deram tão errado? A resposta pode ser encontrada nas mudanças da economia global, na personalidade da presidente, no abraço do PT a um sistema corrupto de financiamento partidário, no escândalo que explodiu quando esse sistema foi exposto e no relacionamento disfuncional entre os poderes Executivo e Legislativo do Brasil. A economia entrou em um declínio quando os preços das commodities, que são as principais exportações do país, caíram vertiginosamente. O crescimento diminuiu, depois parou, e enfim se reverteu; os empregos se tornaram mais escassos; os preços subiram e os programas sociais introduzidos por Lula se tornaram mais difíceis de financiar. O próprio PT, outrora o partido menos corrupto do país, escolheu resolver seus problemas financeiros mergulhando em um pote de dinheiro desviado da Petrobras, a empresa nacional de petróleo. A coalizão, os aliados e outros partidos se juntaram a eles.
Finalmente, a Constituição brasileira - que coloca no mesmo governo uma presidente eleita popularmente e membros de um Congresso eleitos em lista aberta, por representação proporcional - é uma receita para conflito na maioria das vezes. Como resultado, um líder teoricamente poderoso é confrontado por uma força de partidos que ele ou ela precisa cortejar com cargos, ministérios e compromissos políticos se quiser montar uma base no Congresso. A consequência, geralmente, é que o executivo chefe já perde metade do seu espaço de manobra antes mesmo de começar a tentar governar. Lula era um mestre em gerenciar essas contradições. A presidente Dilma, ineficiente e inconsistente, não tem a mesma habilidade.
Quando o Ministério Público e a Polícia Federal começaram a investigar o caso da Petrobras, e quando depois o juiz Sergio Moro assumiu, eles não previram os danos que essas revelações causariam? Provavelmente não. A intenção parece ter sido de purificar a política brasileira, tomando como precedente as investigações da Operação Mãos Limpas, na Itália, nos anos 90.
Mas o desfecho real é o oposto e é um paradoxo. A presidente não foi implicada no escândalo da Petrobras. As bases para o seu impeachment são de que ela manipulou dados financeiros antes das últimas eleições - o que não representa muito mais do que uma delinquência menor pelos padrões brasileiros. No entanto, quase todos os que estão envolvidos no seu impeachment são suspeitos de corrupção, incluindo Eduardo Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados.
Agora, muitos temem que a campanha anticorrupção vá desaparecer, com exceção de um esforço final de concentrar fogo em Lula. Michel Temer, o vice-presidente, vai enfrentar os mesmos problemas da derrotada Dilma Rousseff, e suas chances de lidar com eles de forma eficiente precisam ser classificadas como baixas. Uma oposição desacreditada vai assumir o lugar de um PT desacreditado. É difícil vislumbrar mais do que um panorama sombrio para o Brasil.