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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Evidências internacionals da corrupção dos golpistas:Uruguai diz que Serra tentou 'comprar voto' do país para evitar que Venezuela assuma Mercosul

Do Ópera Mundi:

'Serra disse que, se suspendêssemos transferência, nos levaria em negociações com outros países', disse chanceler; Itamaraty pediu esclarecimentos

O chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, disse que o ministro das Relações Exteriores brasileiro, José Serra, tentou “comprar o voto do Uruguai” ao pedir que não transferisse a presidência pró-tempore do Mercosul à Venezuela.

“Não gostamos muito de que Serra tenha vindo visitar o Uruguai para nos dizer — ele fez disso algo público, por isso digo — que vinha com a pretensão de que se suspendesse a transferência [da Presidência do Mercosul] e que, além disso, se nós a suspendêssemos, nos levaria em negociações com outros países, tentando comprar o voto do Uruguai”, disse Novoa durante a Comissão de Assuntos Internacionais de Deputados na última quarta-feira (10/08), cuja declaração transcrita foi publicada pelo jornal local El País, que teve acesso ao documento.

José Cruz/Agência Brasil

Chanceler disse que Serra tentou "comprar voto" do Uruguai para evitar transferência de Presidência do Mercosul para Venezuela
Na visita ao país vizinho no início de julho, Serra esteve acompanhado do ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso para uma reunião com o presidente uruguaio Tabaré Vázquez. Em entrevista coletiva de imprensa, Serra afirmou que o Brasil faria uma “grande ofensiva” comercial na África e no Irã e queria que apenas o Uruguai, entre todos os outros países do Mercosul, participasse como “sócio”. Para tanto, o Uruguai deveria suspender a transferência da Presidência rotativa do bloco, o que a nação cisplatina não fez.
 “O presidente o respondeu de maneira clara e contundente: o Uruguai cumprirá com a normativa [do bloco] e vai convocar a mudança da Presidência”, informou Novoa, dizendo que a atitude de Serra “incomodou muito” o presidente Vázquez.
“O Uruguai não iria permanecer na presidência de jeito nenhum; atendendo a norma, em seis meses, deixaríamos o cargo”, afirmou.
O ministro ainda disse que Montevidéu entende que a “Venezuela é o legítimo ocupante da presidência pró-tempore, portanto, quando convocar uma reunião o governo uruguaio irá. Se os outros não forem, a responsabilidade será deles”.
Para ele, Brasil, Paraguai e Argentina — que não reconheceram a Venezuela à frente do bloco — querem “fazer bullying” contra o país. “Eu digo com todas as letras. Eles pulam o jurídico, que contém o corpo normativo [do Mercosul], e, alegando razões que não estão aqui, querem eludir, erodir, fazer bullying contra Presidência da Venezuela. Esta é a pura verdade”, afirmou.
No entanto, o ministro uruguaio ponderou que o impasse pelo cargo do Mercosul “não poderá se repetir em dezembro, quando a Venezuela tenha que passa-lo à Argentina”.
Em resposta, o Itamaraty afirmou por meio de comunicado oficial, que a visita realizada por Serra ao Uruguai visava aprofundar as relações entre os dois países e, assim, o "governo brasileiro recebeu com profundo descontentamento e surpresa as declarações do chanceler Novoa". "O teor das declarações não é compatível com a excelência das relações entre o Brasil e o Uruguai", consta na nota.
 
O Itamaraty também afirmou que convocou nesta tarde o embaixador uruguaio em Brasília para uma reunião em que o Secretário-Geral das Relações Exteriores brasileiro, Marcos Galvão, expressou "profundo descontetamento com as declarações e solicitou esclarecimentos".
Impasse na Presidência rotativa
Quando Montevidéu anunciou o fim de sua liderança à frente do bloco sul-americano, em 29 de julho, a Venezuela automaticamente assumiu a Presidência, apenas informando as chancelarias dos outros membros e realizando sua cerimônia de posse no dia 5 de agosto.
A atitude incomodou Brasil, Paraguai e Argentina, que não viam o processo como algo automático e alegaram que a nação passa por problemas econômicos e políticos, não cumprindo com os requisitos para liderar.
Em consequência, os três países rejeitaram a Presidência venezuelana e sugeriram um governo coletivo comandado por um conselho de embaixadores. Além disso, o Paraguai pediu uma “revisão jurídica” do protocolo de adesão de Caracas, após afirmar que houve “descumprimento das obrigações contidas nos referidos instrumentos”.
Em resposta, o Uruguai, que defende o direito de a Venezuela assumir, afirmou que “não está prevista em nenhum lugar uma Presidência coletiva”, apesar de reconhecer que o país não cumpriu “compromissos” do Protocolo de Adesão do Mercosul.
A acusação, contudo, foi rechaçada por Caracas, que classificou o pedido paraguaio como uma “manobra falsária e antijurídica” por parte da nação, aliada ao Brasil e a Argentina.
A Venezuela “não só incorporou grande parte do compêndio normativo do Mercosul” como “igualou, e na maioria dos casos superou, os Estados Partes, que, estando desde o início da fundação do Mercosul, não internalizaram todo seu acervo normativo”, disse a chancelaria venezuelana por meio de comunicado divulgado na segunda-feira (15/08).

domingo, 31 de julho de 2016

Veto dos EUA a visto para Jucá é humilhação para Temer e Serra

"Bandido de estimação brasileiro fica de fora"... Portanto, além de Jucá, #FORATEMER !


jucavisto
Por Fernando Brito, em O Tijolaço:
Imagine se o Brasil negar visto de entrada para um senador dos EUA que está sendo investigado, mas sem condenação…Ou se sugerisse que faria o mesmo como o próprio Presidente do Senado norte-americano?
O “grande irmão do Norte” estaria em pé de guerra, chamando de volta embaixador e fazendo os mais vigorosos protestos. A fila de vistos para brasileiros teria parado, em unzinho mais…
Agora leia a notícia dada em  O Globo por Jorge Bastos Moreno – intimíssimo do Governo de Michel Temer –  de que os EUA negaram visto para o senador Romero Jucá, até poucos dias atrás poderoso Ministro do Planejamento  e até agora integrante do núcleo do Governo é uma bofetada na cara do governo de usurpação. Do próprio presidente e de seu chanceler, José Serra.
Pessoalmente, acho que Jucá só deve ter visto de entrada em estabelecimentos prisionais, mas isso não é uma questão de opinião: ele não está condenado por coisa alguma e um governo estrangeiro não pode bloquear a entrada de um senador de “país amigo” (e, agora, com  Serra, “amiguinho”).
Vamos ver agora como age a turma que “fala grosso com índio e fala fino com cowboy” age.
Voltaram os tempos em que tirávamos os sapatos para entrar na Casa Grande.

terça-feira, 19 de julho de 2016

A diplomacia das patadas. Ou seriam pataquadas do vendilhão Serra?

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Entre os retrocessos do governo Temer, destaca-se a atuação de José Serra. Ele está demolindo, além de um projeto de independência, a boa reputação brasileira nas relações exteriores
Por Flávio Aguiar, na RBA
Sigamos algumas acepções do Aurélio para o termo “diplomacia”: “ciência ou arte das negociações”; “circunspecção e gravidade nas maneiras”; “delicadeza, finura”;”astúcia ou consumada habilidade com que se trata qualquer negócio”. Convenhamos, é tudo o que falta ao senador e ministro provisório das Relações Exteriores, José Serra, que desde que se tornou o interventor no Itamaraty, está implantando a sua “diplomacia das patadas”.
A diplomacia brasileira tem uma vasta tradição na arte de negociar. É respeitada no mundo inteiro, por sua formação profissional e sua capacidade de estar presente em todas as instâncias e circunstâncias. Na sua história, tem nomes respeitáveis, desde mesmo antes de existir como tal, como no caso de Alexandre de Gusmão, o artífice do Tratado de Madri e da teoria do uti possidetis que, na prática, quase triplicou a área ocupada pelo futuro Brasil.
Depois, em meio à instabilidade do cargo (a sucessão de ministros era vertiginosa durante o Império e os começos da República Velha) sucederam-se alguns nomes de grande porte: os Rio Branco, Visconde e Barão, pai e filho, sendo que o segundo ocupou o cargo durante oito anos, consolidando o profissionalismo como marca da nossa diplomacia.
Além deles, Lauro Müller, Otávio Mangabeira, Osvaldo Aranha, João Neves da Fontoura, José Carlos de Macedo Soares, San Thiago Dantas, uma curiosa trinca ditatorial, Gibson Barbosa, Azeredo da Silveira e Ramiro Saraiva Guerreiro – que foram responsáveis pela mudança da política brasileira em relação à África pós-colonial –, Celso Amorim. Posso até estar cometendo alguma injustiça, esquecendo algum nome (Vicente Rao…).
Mas enfim, a lista é longa e a tradição, respeitável. E respeitada no mundo inteiro. Despossuído de Forças Armadas relevantes em escala mundial (apesar da participação na Segunda Guerra), o Brasil sempre teve na diplomacia seu exército de atuação no exterior.
Com poucas exceções. Uma delas ocorre hoje: dentro dos desmanches das conquistas civilizatórias do Brasil desde a Constituição de 1988, sobressai a “diplomacia de patadas” promovida por José Serra, demolindo esta reputação duramente erguida e conquistada desde as complicadas questões do Prata durante o Império.
Atacando a torto e a direita, sobretudo em nome da direita e de seu afã de atuar para uma hipotética torcida local e provinciana, o ministro provisório vem promovendo um show internacional completamente desagradável e despido dos valores da diplomacia, cujo nome sugere, como diz o Aurélio, circunspecção e comedimento.
Agride os governos sul-americanos, despreza a África, corteja ostensivamente o que os Estados Unidos têm de pior, promove a subserviência como valor em relação aos grandes e a prepotência em relação aos pequenos, e assim vai promovendo o Brasil a ator de segunda – talvez terceira – categoria no cenário internacional, achando que está abafando a banca.
Original? Nem tanto. Tem predecessores. Raul Fernandes, ministro no governo Dutra, que torrou as reservas brasileiras em importações supérfluas, condicionou a política externa brasileira aos ditames do lado norte-americano da Guerra Fria então nascente, não reconheceu a URSS nem a China, em nome de obter favores dos Estados Unidos que nunca se materializaram, já que foram absorvidos pela prioridade do Plano Marshall.
Vasco Leitão da Cunha, ministro de Mazzilli e de Castelo Branco, encarregado de desmontar a Política Externa Independente de Jânio Quadros, João Goulart e San Tiago Dantas, também em nome de favores norte-americanos que só se materializaram no campo do auxílio à repressão.
Os esperados investimentos internacionais, com a política subserviente de acolher os tribunais e os juros estrangeiros como parâmetros da nossa dívida externa, transformaram o “milagre brasileiro” no pesadelo posterior, que pagamos até que o governo Lula liquidasse a dívida com o FMI.
Hoje, com o golpe em curso, vivemos riscos semelhantes. Pelo afã do desmonte das políticas públicas promovido pelo governo golpista, dá para medir o avanço civilizatório que conseguimos desde 1988 e a brutal regressão que se quer implantar aos idos anteriores a 1930.
Com a luta de foice no escuro promovida entre os promotores do golpe: Temer e seus PMDBs aloprados, PSDBs açodados, judiciários e PFs interessados em se promover como salvadores da pátria, ideólogos do Instituto Millennium, a mídia corporativa decadente, engolfada em perda de prestígio nacional e internacional, verbas públicas e renda. No bastidor, setores das Foças Armadas interessados em retomar a “liberdade perdida” desde 88…
Em meio a esta hecatombe, “brilha” a estrela do senador Serra, candidato ao Oscar de pior ministro de Relações Exteriores da história do Brasil. O ministro das patadas, que vão se transformando em pataquadas.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

A República Capivariana do Brasil, por Edivaldo Dias de Oliveira



"(...) há certas coisas que já nascem com seu nome inscrito de forma indissociável, como se estivesse sido cravado a ferro e fogo, não havendo nada nem ninguém que lhe possa mudar o registro. Para perceber tal registro, basta de nossa parte um pouquinho só de agudeza e logo ele está lá, luzindo.
Este certamente é o caso do governo de salteadores com o qual nos deparamos."
República Capivariana do Brasil
Bolivarianos, pensaram que ficariam sem resposta?
Edivaldo Dias de Oliveira
“É preciso dar nome as coisas e chamar as coisas pelo seu nome.” É o que nos diz Leon Trótski com propriedade. O que não diz o arguto teórico e ativista é que há certas coisas que já nascem com seu nome inscrito de forma indissociável, como se estivesse sido cravado a ferro e fogo, não havendo nada nem ninguém que lhe possa mudar o registro. Para perceber tal registro, basta de nossa parte um pouquinho só de agudeza e logo ele está lá, luzindo.
Este certamente é o caso do governo de salteadores com o qual nos deparamos.
Os quadros que o compõem parecem ter sido escolhidos a dedo para lhe dar a feição e o nome que agora nos transparece de forma tão cristalina.
É sabido que o nome capivara é a forma popular em todo o Brasil para designar BOs, Inquéritos e processos a que alguém responde e que neste governo os processos e que tais a que respondem seus mais importantes membros, não se medem em páginas, mas em volumes. Quanto maior e mais graves, mais importantes são os cargos que eles ocupam.
Assim, temos capivarianos nos mais importantes ministérios e nas principais empresas públicas, como Petrobrás e BNDES. Quem não possui alguma capivara deve ser partidário daqueles que a possuem. Mesmo entre os apoiadores mais destacados do movimento capivariano, encontramos portadores de sua própria capivara, como é o caso das Organizações Globo e sua capivara junto a Receita Federal.
Em que outro país do mundo um povo foi “contemplado” com a nomeação para o Ministérios da Justiça - dos mais importantes de qualquer governo - de alguém sob quem paira a suspeita de ter advogado para a principal organização criminosa, como é o caso do PCC? Olha o tamanho dessa capivara!?
O capivarianismo não se restringe apenas ao poder executivo, ele também já está muito bem fincado junto aos poderes legislativo e judiciário; naquele com portadores de suas próprias capivaras, que não são poucas, neste outro, mesmo e principalmente nas mais altas cortes, com muitos apreciadores, simpatizantes das capivaras dos outros.    
Também sabemos que a capivara é um roedor, mas não um roedor qualquer, é o maior roedor do mundo, seu habitat é toda a América do Sul menos o Chile. De posse dessas informações básicas sobre o animal, não é de se admirar a voragem, a sanha com que o governo capivariano se atira sobre o patrimônio do nosso povo.
Não se trata apenas de desconstruir ou demolir o que encontram pela frente, tais termos nos remete a um processo de retirar peça a peça de uma construção, quase como se fosse uma restauração. Não é isso o que estão fazendo desde o primeiro dia do assalto.
O que fazem atende pelo nome de destruição, implosão, saque, terra arrasada, como se tivessem vencido uma guerra e não aceitasse a rendição do inimigo, ateando fogo às suas casas, matando crianças, civis, violentado, estuprando suas esposa e filhas...e olhem que o processo do golpe ainda nem terminou...
Temos que suspeitar também que uma nova doutrina ideológica está sendo implementada entre nós, para fazer frente a prática até então adotada. De agora em diante uma “Nova Ordem” e um “Novo Progresso” se impõe.
As palavras Pátria, Nação e Soberania tornam-se termos injuriosos e por que não dizer, subversivos. Este novo ensinamento deve se iniciar nos quartéis onde tais termos lhes são tão caro. Agora as palavra da moda, que devem constar nas Ordens do Dia são; Subserviência, entreguismo e inação. Devem também as tropas estar preparadas para servir de guarda avançada da canalha salteadora, dando-lhes proteção contra arroubos nacionalistas.
Muito provavelmente os símbolos e brasões nacionais agora serão adornados com a cara do animal que tanto apreciam e serão ofertados como medalha de honra e mérito concedida a quem muito tem se esforçado pela destruição do Brasil. Nos templos e igrejas ele será consagrado em substituição aos coredeiros e bezerros de ouro.
Nas quebradas, onde num “enquadro” a primeira pergunta feita por um oficial é “Tem passagem?” será substituída por “Tem capivara?” e ai do neguinho que não tiver, é cana na certa, portanto vire-se e dê um jeito de conseguir logo a sua, pois isto lhe servirá de salvo conduto nesses novos e perigosos tempos capivarianos.
Capivara agora é In, é Top.
A famosa carteirada tão ao gosto de certa classe, será agora substituída pela capivarada, mas creio que não terão dificuldade para sacar do bolso uma cópia em miniatura com o devido certificado.
Bem, são os novos e modernos tempos que se nos apresenta. Quem a eles não quer se adaptar deve se preparar para lutar.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

O esquema da Transpetro com 18 políticos, e PMDB é o maior beneficiário.... E os paneleiros hipócritas, onde estão?

Temer, em ato falho:'Alguém q teria cometido aquele delito irresponsável q o cidadão Machado apontou não teria condições de presidir o país'



Na delação, Machado relembra repasses de mais de R$ 100 milhões ao PMDB, R$ 800 mil ao PT, R$ 550 mil ao DEM, R$ 250 mil ao PP e R$ 100 mil ao PCdoB.

Texto de Patrícia Faremann, no Jornal GGN


Com a retirada do sigilo da delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, novas denúncias e personagens das investigações vieram à luz. Nos depoimentos, Machado fez questão de não apenas arrolar o grupo do PMDB e de seu padrinho político, Renan Calheiros (AL), como também nomes da direita, centro até a esquerda: DEM, PSDB, PSB, PP, PT e PCdoB.

Ainda sem investigações sobre até que ponto os depoimentos de Sérgio Machado trazem provas materiais, o ex-presidente da Transpetro relatou um cenário na política brasileira quase que intrínseco às eleições: contou que o sistema de nomeação de apadrinhados em estatais com o objetivo de arrecadar propinas de grandes contratos e empreiteiras em forma de doações existe desde a Quarta República brasileira, durante o governo militar de Eurico Gaspar Dutra, em 1946.

Machado explicou que o sistema funcionava em três frentes:


Sergio Machado explicou que o esquema de propina nas empresas estatais funcionava, sobretudo, por meio dos aditivos: eles eram "a maior fonte de desvios de recursos públicos", disse. Afirmou que como presidente da Transpetro, desde julho de 2003 até novembro de 2014, arrecadou os recursos ilícitos, "mas nunca envolveu outros dirigentes da estatal, negociando diretamente com as empresas que venciam as licitações".

Também explicou o jogo de coerção usado, dentro das estatais, com as empreiteiras. Apesar de fazerem parte do esquema, por meio do pagamento de propina, em forma de doações, aos políticos, se as empresas não aderissem ou parassem de pagar a propina combinada, "não sofriam represálias durante a vigência do contrato, mas depois não conseguiam novos contratos".

Ainda que sem provas materiais, os principais políticos que recebiam propina de empresas ligadas à Transpetro eram a cúpula do PMDB: Renan Calheiros (AL), Jader Barbalho, Romero Jucá, José Sarney e Edison Lobão. 

Mas, "além destes políticos, o depoente [afirmou que] também repassou propina, via doação oficial, para os seguintes": Cândido Vaccarezza (PT-SP), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Luis Sérgio (PT-RJ), Edson Santos (PT-RJ), Francisco Dornelles (PP-RJ), Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Ideli Salvatti (PT-SC); Jorge Bittar (PT-RJ), Garibaldi Alves (PMDB-RN), Valter Alves (PMDB-RN), Valdir Raupp (PMDB-RO), José Agripino Maia (DEM-RN), Felipe Maia (DEM-RN), Sergio Guerra (PSDB-PE), Heráclito Fortes (PSB-PI).

Vaccarezza teria solicitado apoio para a eleição de 2010 e teria recebido R$ 500 mil por meio de doação oficial ao diretório do PT em São Pailo. A quantia seria oriunda de vantagens ilícitas da Camargo Corrêa com a Transpetro. 

Sobre a deputada Jandira Feghali (PCdoB) e o deputado Luis Sérgio (PT), Machado afirma que ambos eram defensores da indústria naval e que ambos o procuraram, o ex-presidente da Transpetro comunicava "de onde viria essa doação" cuja origem "eram vantagens indevidas".

No caso de Jandira, a deputada teria recebido a propina por meio de doação oficial da Queiroz Galvão, em 2010, no valor de R$ 100 mil. E Luiz Sergio, também da mesma empreiteira, teria recebido R$ 200 mil em 2010 e mais R$ 200 mil em 2014. Edson Santos, do PT, teria recebido R$ 142 mil da Queiroz Galvão, para a campanha a deputado federal em 2014. 

Como presidente do PP, Francisco Dorneles também teria solicitado o "apoio" para a eleição de 2010, recebendo R$ 250 mil da Queiroz Galvão, enviado para a direação estadual do PP no Rio de Janeiro.

Henrique Alves (PMDB) chegou a levar algumas empresas de tecnologia e serviços para a Transpetro firmar contratos, mas não obteve avanços, contou Machado. Mas que "o depoente sempre ajudava em época de campanha quando ele ligava pedindo um encontro". 

Ao PMDB, relatou Sérgio Machado, a Transpetro repassou mais de R$ 100 milhões. Desse total, R$ 1,55 milhão foi direcionado a Henrique Alves pela Queiroz Galvão, nos anos de 2008, 2012 e 2014, e pela Galvão Engenharia, em 2010.

Como líder do governo e candidata a governadora de Santa Catarina, Ideli Salvati (PT) teria recebido R$ 500 mil pela Camargo Correa, em 2010. Jorge Bittar, também do PT, também teria conseguido uma quantia em forma de doação oficial de R$ 200 mil, pela Queiroz Galvão, repassado ao diretório estadual do Rio de Janeiro.

Então presidente do PMDB, Valdir Raupp teria recebido R$ 500 mil, pela empresa Lumina Resíduos Industriais, do grupo Odebrecht, em 2012, no diretório nacional do partido. 

O senador Garibaldi Alves (PMDB), também teria recebido R$ 200 mil da construtora Queiroz Galvão, em 2010, e R$ 250 da Camargo Correa, em 2012. Em 2014, enquanto Ministro da Previdência, também teria se encontrado com Machado para pedir a "doação".

Um desses pedidos foi para a candidatura de seu filho, Valter Alves, a deputado federal (PMDB), conseguindo R$ 250 mil da Queiroz Galvão.

Ao citar os encontros com os peemedebistas, Sérgio Machado mencionou, mais de uma vez, que foi repassado ao PMDB mais de R$ 100 milhões em sua gestão na Transpetro. Desse total, R$ 700 mil foram para Garibaldi Alves. 

O ex-executivo contou que, durante o período eleitoral, José Agripino Maia (DEM) também pediu doações da Queiroz Galvão, uma em 2010, para o senador José Agripino, de R$ 300 mil, e outra em 2014, para o filho do senador, o deputado Felipe Maia (DEM), no valor de R$ 250 mil.

Pedido de Temer: R$ 1,5 milhão

Sérgio Machado não poupou o presidente interino Michel Temer. O nome do peemedebista é citado 22 vezes na delação premiada. 

Em dos momentos, Machado afirma o apoio de Michel Temer ao candidato a prefeito de São Paulo, Gabriel Chalita, em 2012. Que como "não estava bem na campanha", Temer foi chamado por Valdir Raupp, para solicitar "propina na forma de doação oficial para Gabriel Chalita".

O ex-presidente da Transpetro detalhou uma conversa que teve com Temer, na Base Aérea de Brasília, em setembro de 2012, sobre os recursos para o candidato a prefeito de São Paulo. Detalhou episódios do encontro, em que acertaram R$ 1,5 milhão de doação, pela Queiroz Galvão, a Chalita, a pedido de Michel Temer.

Esse valor integrava a cota do PMDB nas propinas articuladas pela Transpetro. 


Patrícia Faermann
No GGN

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Secretária de Mulheres de Temer é suspeita de desviar R$ 4 milhões, de acordo com o The HuffPost e Folha de São Paulo



HuffPost - Nomeada secretária de Mulheres do governo interino de Michel Temer nesta sexta-feira (3), Fátima Pelaes é investigada pelo Ministério Público Federal por umdesvio de R$ 4 milhões de emendas parlamentares, de acordo com a Folha de São Paulo.
O esquema foi revelado pela Operação Voucher, em 2011. Pelaes foi citada no escândalo ligado a uma ONG fantasma que havia celebrado convênio com o Ministério do Turismo.
Presidente do PMDB Mulher e deputada por cinco mandatos, Fátima apareceu ao lado de Temer no lançamento do plano de combate à violência contra a mulher nesta semana, apesar de ainda não ter sido nomeada no governo federal.
De acordo com as investigações, a peemedebista teria indicado uma ONG fantasma chamada Ibrasi para receber R$ 4 milhões de suas emendas para promover o turismo no Amapá. Na época, quatro depoimentos a apontaram como beneficiária de parte do dinheiro.
"Toda essa articulação criminosa contou com a participação da deputada federal Fátima Pelaes, que constantemente se reunia com servidores do Ministério do Turismo para agilizar a liberação das verbas do convênio", escreveu em 2012 o então procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
No inquérito aberto em 2013 pelo Supremo Tribunal Federal e devolvido à Justiça Federal do Amapá no ano passado depois que Pelaes deixou de ser deputada, os sigilos fiscal, bancário e telefônico da futura secretária foram quebrados.
De acordo com a PGR, Pelas teria ainda escolhido as pessoas que ministrariam os cursos oferecidos no âmbito do convênio, que aparentemente sequer foram realizados. Dessa foram, tais pessoas poderiam prestar depoimentos falsos futuramente.
A investigação partiu de uma auditoria Tribunal de Contas da União (TCU) segundo a qual a ONG não tinha condições de executar o contrato.
O inquérito sobre Fátima Pelaes poderá se transformar em denúncia à Justiça ou ser arquivado.
Pelaes afirmou à Folha, por meio da assessoria: "Eu confio no trabalho da polícia e da Justiça e estou tranquila de que tudo será esclarecido".
Desvios para igreja
Um dos braços da Operação Vaucher revelou que a empresa fantasma Conectur, que teria recebido a verba e repassado à então deputada, funcionava na Assembleia de Deus Casa de Oração do Betel.
Na época, o pastor Wladimir Furtado, disse tinha o convênio de R$ 2,5 milhões com o Ministério do Turismo por ser “turismólogo” e negou que o dinheiro teria sido direcionado à peemedebista.
Em depoimento à Polícia Federal, Hellen Luana Barbosa da Silva, sócia da Conectur, confirmou que a então deputada ficou com o dinheiro do contrato para abastecer o caixa da campanha de reeleição.
Pelaes nega as acusações.
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