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segunda-feira, 27 de maio de 2019

Recado do Nassif: as passeatas, o pacote Moro e o antiiluminismo da mídia



GGN. - Entrou-se em uma era da civilização e da comunicação no qual as redes sociais jogam a sociedade na Idade Média, ao eliminar qualquer forma de mediação e qualquer respeito ao conhecimento científico – dentro da lógica de abolir todas as hierarquias.




A única forma de diferenciação da mídia deveria ser a encarnar o espírito científico, o conhecimento especializado contra a barbárie.
Aí os jornais experimentam esse caminho, depois de décadas do mais puro obscurantismo. Mas a tentação de conquistar o leitor gado, para propósitos políticos, é irresistível. E toca a incensar o tal pacote anticorrupção do Ministro Sérgio Moro, um plano de segurança que atropela todos os estudos sérios sobre políticas de segurança. Pela cobertura da Globonews, as manifestações não pediram o fechamento do STF (Supremo Tribunal Federal) ou do Congresso, mas apenas defenderam Sérgio Moro e Paulo Guedes.
A quem pretendem enganar? Aos leitores bem informados, que têm filtro e acesso ao oceano de informações da Internet, e que deveriam ser seu público preferencial? Não e por aí. Ou a horda dos linchadores?
É evidente que o objetivo não é o plano medieval de encarceramento em massa defendido por um ex-juiz dotado de escassa formação intelectual e de baixíssimo conhecimento na área de segurança: é preservá-lo como exército de reserva político. Mesmo enganando os leitores, conferindo a Moro o brilho da luz do abajour lilás, ocultando sua falta de conhecimento e de brilho. O curto período de Moro, como Ministro, já revelou que a sombra que projeta é imensamente superior ao seu tamanho real.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Míriam, deprimente; Waack, abjeto. Mas é da Globo a maior vergonha. Por Fernando Brito






Publicado originalmente no Tijolaço
POR FERNANDO BRITO, jornalista e editor do blog Tijolaço
O triste espetáculo de Míriam Leitão, repetindo, tatibitati, a nota da Rede Globo, ao final (espichado) da entrevista de Jair Bolsonaro foi um dos mais deprimentes episódios da TV dos tempos recentes.
Não precisaria ter sido, porque Miriam tem traquejo, experiência e autoridade dentro da emissora suficiente para que pudesse resolver a situação.
Pedir um “brake”, pedir a nota por escrito e ler, com o texto na mão, deixando claro que era um editorial e não gaguejando, com olhos de vidro, num humilhante “jogral”. Um robô, nitidamente.
Deprimente, mas dentro do limite flácido da dignidade de quem já aceitou reproduzir a voz do dono da emissora, informalmente, mas que, como profissional,  deveria saber colocar o tom que até mesmo um Cid Moreira – que não era jornalista, mas apenas locutor – se obrigava a fazer.
E o fez em momentos certamente terríveis, para ele, como o do direito de resposta concedido a Leonel Brizola no Jornal Nacional.
Ao contrário de nós, que fomos “bagrinhos” nas empresas Globo, Miriam não seria demitida sumariamente.
Nem toquei no assunto, aqui, porque os leitores deste site já têm perfeita consciência de quem é Miriam Leitão, que aceita, como já fez de outras vezes, ser ofendida por aqueles a quem serve, como no episódio quem que recebeu um “que bobagem, Míriam” – aliás, com razão – de José Serra, na campanha de 2010.
Míriam mostrou, porém, os limites de sua valentia verbal.
Ao ponto de ser “zoada” por ninguém menos que William Waack, 21 anos de Globo, antes de ser “afastado” pelo notório “coisa de preto” dito fora do ar.
Coisa de gente sem caráter promover-se dizendo que não fala as coisas porque o “chefe está no ponto”, referindo-se ao fone de ouvido do apresentador e, pior ainda, imitando o gaguejar da ex-colega.
O comportamento de Miriam foi deprimente, vergonhoso. O de Waak, abjeto. Mas não se pode esquecer, nunca, que menos perdoável que o papel do humilhado é o de quem humilha.
Dias depois de ter baixado o AI-5 em que diz como os seus empregados devem se portar, em matéria de política, abstendo-se de terem opiniões e simpatias, a Globo fez uma errata, ao vivo, neste episódio.
Eles não só podem como devem ter, e têm, uma opinião: a dos seus patrões.

sábado, 13 de maio de 2017

As mentiras de Miriam Leitão sobre Marisa e o triplex marcam a nova ofensiva da Globo contra Lula. Por Joaquim de Carvalho, antecedida de esclarecedor vídeo que mostra comoMoro mantém D. Marisa Letícia como ré até hoje;


Antes do texto, publicado no Diário do Centro do Mundo, de Joaquim de Carvalho, veja o seguinte vídeo, do canal do Blog da Cidadania, que é esclarecedor dos ataques fascistas da chamada grande mídia e entenda o jogo sujo por trás da perseguição a Lula (por sinal, algo que, entre insuflar ódios e destruir reputações, desvia a atenção do público desavisado do desmonte ladroeiro do Estado Brasileiro, por incentivo e partilha entre as elites nacionais e os interesses externos):


As mentiras de Miriam Leitão sobre Marisa e o triplex marcam a nova ofensiva da Globo contra Lula. 





Depois do depoimento de Lula a Sérgio Moro, a Rede Globo subiu um patamar na escalada do massacre midiático.
Agregou à estratégia da meia verdade a divulgação de mentiras completas.
A meia verdade pode ser também uma meia mentira, mas, em geral, ela tem um formato que faz parecer coisa séria.
E dá uma porta de saída ao jornalista mentiroso: ele pode dizer que o que disse ou escreve é fato.
Só não disse tudo, mas o que relatou é um fato.
Por exemplo: o caso do tríplex, o centro da acusação que levou o ex-presidente da República a depor em Curitiba.
É fato que a OAS tentou entregar o imóvel para Marisa Letícia Lula da Silva e Lula.
Este é o fato que se vê todos os dias na televisão.
Faz sentido à tese de que o tríplex era propina.
Mas há outros fatos, e estes não são divulgados, porque enfraquecem a tese da propina.
Marisa tinha iniciado o processo de aquisição do imóvel em abril de 2005, com o pagamento de entrada e parcelas, referentes à cota-parte.
Ela pagou à Bancoop um valor que, corrigido, ultrapassa os 300 mil reais.
Isso está declarado no imposto de renda do casal Lula e Marisa.
O imóvel só passou a pertencer à OAS quando a Bancoop quebrou, em 2009.
Também é fato que a OAS, quando entrou em dificuldade e abriu um processo de recuperação judicial, relacionou o tríplex do Guarujá como propriedade dela, para a garantia dos credores.
Como a empresa relacionaria o tríplex se ele não lhe pertencesse?



Marisa Letícia

Isso não se divulga, porque enfraquece a tese do tríplex como propina.
A notícia que é martelada todos os dias é: Lula recebeu como propina um imóvel da OAS.
É uma mentira, mas há um fato que a esconde: o empenho da OAS para vender o imóvel a Lula e Marisa.
Por isso, no conjunto, o que se divulga é meia verdade.
Hoje, o Bom Dia Brasil passou para a mentira integral.
Ao chamar Miriam Leitão para comentar o depoimento de Lula – ela não fala mais apenas sobre economia, mas também sobre assuntos jurídicos –, a apresentadora Ana Paula deu o tom, ao dizer que o ex-presidente, “com um discurso político, tentou ESCAPAR das acusações”.
Escapar é verbo que já condena Lula. Mas o que disse Miriam é pior:
— A negativa de Lula no caso central, a compra do tríplex, não responde a vários pontos que ficaram nebulosos e permanecem nebulosos. O mais importante é: por que ele não desistiu ou a família não desistiu quando a OAS abriu essa possibilidade, para todos os compradores  em 2011? E se desistiu, por que é que não pediu de volta os 209 mil reais que a família pagou?
Se Miriam Leitão, que fez fama como comentarista de economia tivesse se prendido à sua área, ela mesma daria a resposta: Marisa comprou uma cota-parte – não o imóvel – e, portanto, era um investimento, que, como tal, se valoriza.
Qualquer pessoa pode deixar sua cota parte lá e, quando lhe for conveniente, resgatar.
Miriam errou ao dizer que a OAS ofereceu a possibilidade de desistência em 2011.
Não foi em 2011, foi em 2009, erros assim acontecem.
Mas mentiu ao dizer que a família não pediu o dinheiro de volta.
Existe uma ação em São Paulo na qual Marisa cobra da Bancoop e da OAS o valor investido.
Era 209 mil reais em 2009. Hoje é R$ 300,8 mil. O processo está na 34ª Vara Cível.
Para revelar a farsa da acusação do tríplex como propina, Miriam Leitão também poderia se valer de seus conhecimentos sobre economia.
O tríplex, além de ser oferecido como garantia no processo de recuperação judicial da OAS, também foi relacionado pela empresa para garantir uma operação de emissão de debêntures – através dessa operação, a construtora captou recursos no mercado.



O triplex no Guarujá

A OAS ofereceria o tríplex como garantia da dívida se ele pertencesse a Lula e Marisa?
Que tipo de propina é essa?
Se Miriam dissesse isso na Globo, explicando o que é debênture e o processo de recuperação judicial, ela desmontaria o teatro do Lula ladrão, mas, nesse caso, já não seria chamada nem para comentar sobre culinária no programa de Ana Maria Braga.
Na GloboNews, o Festival de Besteiras que Assola o País nunca desliga.
Gerson Camarotti, para sustentar o comentário de que Lula orientou o ex-diretor da Petrobras a destruir provas, diz que, depois da conversa de Lula com Duque, este transferiu o dinheiro da Suíça para Mônaco.
Ora, Duque disse no depoimento a Moro que transferiu o dinheiro porque foi obrigado, não por Lula, mas pelo banco na Suíça — possivelmente em razão do fato de que seu nome já estava relacionado ao escândalo de corrupção.
Camarotti pode ter errado porque não viu na íntegra o depoimento de Renato Duque a Moro, mas não corre risco de perder o emprego por essa mentira.
Afinal, o erro foi contra o Lula. Se fosse a favor, pobre Camarotti.
O que a Globo faz hoje é jornalismo de guerra e isso pode ser tudo, menos jornalismo.
Mas ele segue adiante e, para que atinja seus fins, precisa de assassinos de reputação.
É nítido que o prestígio de Camarotti na GloboNews tem aumentado, mas, nesse papel, ninguém supera a mãe de um dos biógrafos de Sérgio Moro.
Fonte: DCM

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Fernando Brito: "Temer só é menos oco, cínico e idiota que a imprensa brasileira"

"E nem uma palavra dos jornalistas sobre Michel Temer ter dito que sua “suposta” (suposta?) impopularidade o ajuda a implementas as “reformas”, como se um presidente sem diálogo com a população, incapaz de ir até a velórios, pudesse convencer o povo brasileiro."

semantica



Como eu mereço algum castigo por meus pecados, assisto neste momento a Globonews, depois de passar o dia lendo os sites dos grandes jornais.
Não dá para contar a quantidade de barbaridades primárias que escuto.
Por exemplo, que a flexibilização das leis trabalhistas iria aumentar o emprego, quando é justamente o contrário, óbvio, porque o empresário que hoje tem de ter dois empregados para cobrir o funcionamento de seu estabelecimento poderá ter apenas um.
E nem uma palavra dos jornalistas sobre Michel Temer ter dito que sua “suposta” (suposta?) impopularidade o ajuda a implementas as “reformas”, como se um presidente sem diálogo com a população, incapaz de ir até a velórios, pudesse convencer o povo brasileiro.
Não pode, claro e cada vez menos poderá impor, com a cumplicidade de deputados e senadores tão desmoralizados quanto os que temos.
Sobre o tema, que abordei de passagem hoje, mais cedo,  Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo, publica um texto demolidor, para presidente e jornalistas, que reproduzo abaixo:

‘Aproveito a impopularidade para tomar medidas impopulares’: a última barbaridade de Temer

Temer ainda teve tempo, no finalzinho de 2016, para proferir uma frase destinada à antologia das obtusidades.
Sequer original ele foi. Tomou a sentença do publicitário Nizan Guanaes.
“Um governo com popularidade extraordinária não poderia tomar medidas impopulares”, disse ele nesta quinta num encontro com jornalistas.
“Estou aproveitando a suposta impopularidade para tomar medidas impopulares.”
Ele se referia à reforma na legislação trabalhista e às mudanças na Previdência.
 O mais pitoresco foi o uso do adjetivo suposto com o qual Temer se referiu ao apoio da sociedade a seu governo.
Suposta impopularidade?
Um momento: alguém tem dúvida disso? Temer vem batendo sucessivos recordes de rejeição. Cada pesquisa é pior que a anterior.
Não foi tudo.
Numa inversão monumental, ele conseguiu dizer que um governo popular não conseguiria aprovar medidas impopulares.
Desde quando?
É exatamente o contrário.
Administrações populares — sobretudo em seus primeiros meses — são as mais talhadas para passar medidas impopulares.
Como cientista político, aspas, Temer revelou-se uma tragédia ao proferir uma barbaridade daquelas.
Para completar o circo, nenhum dos jornalistas presentes o questionou sobre a abstrusa tese que ele fabricou.
É como se eles, a exemplo do que ocorreu no infame Roda Viva, estivessem dizendo a Temer: “Tamos juntos, presidente!”