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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

ESTREIA a série do GGN sobre a influência dos Estados Unidos na Lava Jato, destruindo a Petrobrás e a Economia Nacional e abrindo caminho à extrema-direita. Episódio 1:Como os EUA montaram a estrutura "anticorrupção" que atingiu a Petrobras


Do GGN:

A Lava Jato levou a Petrobras a ser processada nos Estados Unidos. No total, a empresa despendeu 3,8 bilhões de dólares em multa imposta pelo governo norte-americano e indenizações aos acionistas estrangeiros.
As perdas da Petrobras no exterior se devem à montagem de uma estrutura global dedicada ao combate à corrupção, que cresceu exponencialmente após o atentado às Torres Gêmeas, levando o País a se tornar uma espécie de polícia do mundo.
Essa estrutura foi construída a partir de três leis e duas instituições que vamos abordar no primeiro capítulo da série.
As leis permitem investigações contra estrangeiros mesmo quando os crimes não têm origem nos Estados Unidos.
Já as duas instituições fundaram uma notável rede de cooperação internacional, um arranjo que alguns críticos consideram inconstitucional porque desrespeita a soberania dos estados nacionais.
Este vídeo é a estreia da série inédita do GGN sobre a influência dos Estados Unidos na Lava Jato e a indústria do compliance.
São 5 capítulos, no total, cada um abordando uma peça específica desse grande “xadrez” envolvendo a Lava Jato e os interesses norte-americanos:
1- Como a anticorrupção virou bandeira política dos EUA 
2- A cooperação internacional BRA-EUA: do Banestado à Lava Jato 
3 – A geopolítica do capital: Brasil (e pré-sal!) na mira dos EUA 
4 – Os processos que a Petrobras enfrentou nos EUA 
5 – A indústria do compliance
 Fonte: Jornal GGN
LAVA JATO LADO B (2019)
Argumento: Luis Nassif

Pesquisa, entrevistas e roteiro: Luis Nassif e Cintia Alves
Câmera e edição: Nacho Lemus
Narração: Marco Aurélio Carvalho
Coordenação geral: Lourdes Nassif e Cintia Alves
Colaboradores: André Sampaio (entrevista Mark Weisbrot) e Zé Bernardes (imagens Pedro Serrano)
Agradecimento especial: Estúdio Criar Brasil.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

O Cone Sul e a Operação Condor 2.0 Pró-Golpes de extrema-direita, por Cesar Calejon, jornalista com especialização em Relações Internacionais pela Fundação Getúlio Vargas



Atualmente, os métodos da Operação Condor 2.0 incluem a manipulação de vastas camadas populares por meio da mídia e de censuras explícitas, vide o exemplo do longa-metragem produzido pelo ator e diretor Wagner Moura sobre o próprio Marighella

O Cone Sul e a Operação Condor 2.0

por Cesar Calejon

Desde a ascensão de Lula à Presidência do Brasil, em 2002, a extrema-direita dos Estados Unidos, que considerou a eleição do petista como o maior fracasso da história da CIA (Central Intelligence Agency) no Cone Sul, tenta unir esforços para evitar que a esquerda brasileira (e de toda a região) permaneça no poder.   
Utilizando documentos inéditos e entrevistas exclusivas com os principais atores envolvidos na transição do governo de FHC para Lula, Matias Spektor, autor do livro intitulado 18 dias, reconstituiu a transição presidencial mais saudável (entre antagonistas) da história recente, quando petistas e tucanos uniram-se, forçados pelas circunstâncias, para evitar que a direita estadunidense ameaçasse, já naquela ocasião, a chegada da esquerda brasileira ao poder. A história começa em 28 de outubro, um dia depois da vitória de Lula nas urnas, quando José Dirceu e Condoleezza Rice costuraram uma delicada aproximação entre seus respectivos chefes, e termina com o encontro histórico de 10 de dezembro, quando Lula e Bush, com apoio ativo de FHC, se encontraram na Casa Branca pela primeira vez. 
“Tenho clareza que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos está por trás disso (Lava Jato)”, disse o ex-presidente Lula em entrevista concedida ao jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept, em maio de 2019. “A Lava-Jato, aos poucos, foi se transformando em uma operação política a benefício de quem dela participa. Eu vou te fazer uma sugestão, uma denúncia que você pode ajudar a investigar […] Houve um acordo feito no Departamento de Justiça dos Estados Unidos em que o (Deltan) Dallagnol estava pegando para o Ministério Público, para a Operação Lava Jato, dois bilhões e meio de reais dos Estados Unidos”, complementou o ex-presidente. 
O próprio procurador-chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol, revelou em conversa com o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, que era submetido à autorização dos “americanos” para iniciar novas fases da Lava-Jato no Brasil.
Em diálogo de 31 de agosto de 2016 pelo Telegram, Dallagnol é cobrado por Moro para começar uma nova operação e responde que uma delas “depende de articulação com os americanos”.    
Contudo, a ingerência estadunidense nos rumos da política sul-americana não começou no século XXI. Ainda em 1992, foi comprovada, por meio de documentos da polícia secreta do Paraguai, a existência de uma ação de Estado efetivada em toda a América do Sul. De fato, a Operação Condor foi um acordo compactuado por todos os países da região, com o objetivo de viabilizar a cooperação regional na repressão aos opositores dos regimes militares que então governavam o Brasil, a Argentina, o Chile e a Bolívia.
Documentos secretos divulgados pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos em 2001 demonstraram que o governo estadunidense tinha conhecimento da ação que estava sendo conduzida entre 1968 e 1989 de forma coesa no Cone Sul. Comunistas, socialistas e opositores às juntas militares e governos de direita na América do Sul foram os alvos da Operação Condor, que matou algo em torno de 60 a 80 mil simpatizantes de esquerda e fez mais de 400 mil prisioneiros políticos. O objetivo fundamental era eliminar os opositores dos regimes militares vigentes nestas nações, como Carlos Marighella, da Aliança Libertadora Nacional (ALN), no Brasil, os Tupamaros, no Uruguai, os Montoneros, na Argentina, e o MIR, no Chile, por exemplo.  
Neste contexto, o ocidente vivia a polarização da Guerra Fria: comunistas versus capitalistas. Soa familiar? Contudo, naquela ocasião, o mundo ainda era totalmente analógico e assassinatos eram mais fáceis e menos onerosos para quem os promovia. Atualmente, os métodos da Operação Condor 2.0 incluem a manipulação de vastas camadas populares por meio da mídia e de censuras explícitas, vide o exemplo do longa-metragem produzido pelo ator e diretor Wagner Moura sobre o próprio Marighella, que tinha a estréia marcada para o dia 20 de novembro no Brasil e foi simplesmente cancelado sem qualquer tipo de explicação plausível.
Na Bolívia, esta semana, Evo Morales, que foi reeleito à Presidência com mais de 47,07% dos votos válidos, foi obrigado a renunciar seguindo uma “recomendação” do exército boliviano para “pacificar o país”. A grande mídia nacional brasileira veiculou o fato alegando que Morales desistiu do mandato por conta dos protestos populares. Em comunicado, a Organização dos Estados Americanos (OEA) disse que “a equipe de auditores (da OEA) não pôde validar o resultado da presente eleição (boliviana), e recomenda outro processo eleitoral. Qualquer futuro processo deverá contar com novas autoridades eleitorais para poder levar a cabo eleições confiáveis.”
No Chile, a repressão do presidente Sebastián Piñera às manifestações populares deixou 160 pessoas cegas por tiros de balas de borracha, segundo dados do Instituto Nacional de Direitos Humanos. Deste total, em 26 casos houve dano aos dois olhos, com perda total da visão. O amigo jornalista Victor Saavedra deu “sorte” e foi atingido na panturrilha pelo disparo dos policiais chilenos. Há três semanas, Bolsonaro disse que as Forças Armadas no Brasil estão preparadas para possíveis confrontos como os do Chile e o seu filho mais novo fez uma referência direta a um possível novo Ato Institucional Número 5, que foi decretado em 1968, ano que coincidentemente, ou nem tanto, também marca o começo da primeira Operação Condor no Cone Sul. Como diria Cazuza: “Eu vejo o futuro repetir o passado. Eu vejo um museu de grandes novidades”. 
Cesar Calejon é jornalista com especialização em Relações Internacionais pela Fundação Getúlio Vargas e escritor, autor do livro A Ascensão do Bolsonarismo no Brasil do Século XXI




quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Xadrez da Amazonia e a soberania nacional, por Luis Nassif


"No “Xadrez de Moro, Dallagnol e Bolsonaro, e a busca do inimigo externo” tentei explicar a lógica de Bolsonaro com a Amazônia: a intenção objetiva de atrapalhar o tratado Mercosul-União Europeia para atender os interesses específicos de Donald Trump. Ao definir privilégios comerciais para a União Europeia, o Tratado poderia prejudicar um futuro acordo de livre comércio com os Estados Unidos."

Do GGN:


Peça 1 – a Amazônia e o conceito de soberania nacional

Leia, primeiro, o artigo de William Nozaki sobre o papel estratégico da Amazonia na indústria petrolífera mundial (clique aqui). Nele se verá que a indústria do petróleo identificou boa potencialidade na exploração do petróleo na região.
Depois, o artigo do Shephen Walth, professor de relações internacionais da Universidade de Harvard, para o Foreign Policy.
Conclui ele:
Eis o que acho que sei, no entanto: num mundo de estados soberanos, cada um fará o que deve para proteger seus interesses. Se as ações de alguns estados estão pondo em perigo o futuro de todo o resto, a possibilidade de confrontos sérios e possivelmente de sérios conflitos vai aumentar. Isso não torna o uso da força inevitável, mas esforços mais sustentados, enérgicos e imaginativos serão necessários para evitá-lo.
Não se trata propriamente de um risco imediato. Mas mostra as modificações que estão ocorrendo na jurisprudência internacional sobre o conceito de soberania nacional.
Esses conceitos já haviam sido modificados pelas leis anticorrupção adotadas no âmbito da OCDE e do Congresso americano, especialmente a questão da jurisdição, pelos quais cada país seria responsável pelas apuração dos crimes cometidos em seu território. Antes dele, apenas os crimes contra a humanidade ficavam sujeitos a tribunais internacionais.
Agora, começam a entrar os crimes ambientais. E há tempos, sendo considerada pulmão do mundo, há uma atenção especial ao que ocorre com a Amazônia.
Há meses pipocaram alertas sobre os riscos que o país corria caso perdesse o selo verde, de boas práticas ambientais (clique aqui).
Em um primeiro momento, a questão da sustentabilidade influencia o comércio e os investimentos internacionais. Em um segundo momento, poderá dar margem a interferências mais agudas.
Não por outro motivo, há pelo menos dois meses, militares ligados ao governo começaram a divulgar estudos preparado pelos setores de inteligência das Forças Armadas, sobre a estrutura de missões americanas no entorno da Amazonia.
Os radares dos militares identificaram cumulus nimbus no horizonte. Porque não se parou Bolsonaro

Peça 2 – a lógica anti-ambiental de Bolsonaro

No “Xadrez de Moro, Dallagnol e Bolsonaro, e a busca do inimigo externo” tentei explicar a lógica de Bolsonaro com a Amazônia: a intenção objetiva de atrapalhar o tratado Mercosul-União Europeia para atender os interesses específicos de Donald Trump.
Ao definir privilégios comerciais para a União Europeia, o Tratado poderia prejudicar um futuro acordo de livre comércio com os Estados Unidos.
Como o tratado impunha restrições ambientais ao Brasil, o caminho encontrado por Bolsonaro consistiu em um conjunto de declarações anti-ambientais, culminando com o dia do incêndio na Amazônia. As últimas informações reforçam essa hipótese, com um agravante: a Amazônia está no preço da eleição.
A eleição de Bolsonaro foi lastreada em grupos conservadores americanos ligados a Donald Trump, tanto no apoio direto, como dos movimentos que surgiram no bojo das redes sociais, como o Movimento Brasil Livre e o Endireita Brasil.
O MBL bancado pela organização Studentes For Liberty, com lideranças treinadas pelo projeto Atlas Network, ambos financiados por grandes empresários da indústria de petróleo, como os irmãos Charles e David Koch, proprietários de refinarias, oleodutos. Um minucioso levantamento foi feito por Euclides Mance, em um PDF “O Golpe, Brics, dólar e petróleo”.
Os Koch foram os principais financiadores dos movimentos conservadores norte-americanos, criando um tal Partido Libertariano.
Desde os anos 80, a plataforma do partido era a seguinte:
* revogação das leis federais de financiamento de campanhas políticas;
* privatização dos Correios;
* contra qualquer forma de tributação de pessoas e empresas;
* a favor de revogação de todas as leis de proteção ao trabalho, como a do salário mínimo;
* o fim das escolas púbicas, porque “conduzem à doutrinação das crianças e interferem na escolha dos indivíduos”;
* a privatização das ferrovias e das estradas públicas;
* fim de todos os subsídios, inclusive aqueles voltados para as crianças.
Finalmente, defendem o fim da Agência de Proteção Ambiental.
Em 2011, o grupo já controlava 425 grupos de estudantes em todo mundo.
Essas ONGs libertárias se juntaram em torno da Atlas Network, uma organização de preparação de jovens lideranças atuando em mais de 90 países.
Em 2012, a Atlas Network organizou e financiou em Petrópolis um encontro que deu origem ao Estudantes Pela Liberdade no Brasil.
O site da Atlas apontava o MBL (Movimento Brasil Livre) como parceiro no Brasil, adiantando que muitos membros do MBL passaram pelo principal programas de treinamento da Atlas Network, o Atlas Leadership Academy, “e agora estão aplicando o que aprenderam no terreno em que vivem e trabalham”.  Em 8 de setembro de 2015, o site da Atlas indicava o MBL como parceiro da entidade no Brasil.
Um dos pontos de convergências dessas ONGs conservadores é a negação da teoria do aquecimento climático. Grupos como os Koch, os Mercer, o Cato Institute, a Heritage Foundation e a Federalist Society financiavam estudos visando rebater a teoria do aquecimento.
Esse movimento recuou no governo Obama, mas voltou forte com Trump.
Quatro dias depois de assumir a presidência, Trump assinou decretos autorizando os oleodutos Keystone XL e Dakota Access Pipeline, que sofriam fortes críticas dos preservacionistas
Em junho, Trump anunciou planos para retirar os Estados Unidos do acordo climático de Paris, o que de fato aconteceu. Em outubro, propôs a revogação do Plano de Energia Limpa, a única política importante do governo federal para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.
Como observou uma reportagem do Huffington Post,
“Os movimentos marcam o primeiro passo sério do novo presidente para reverter os ganhos ambientais de seu antecessor em favor de sustentar uma indústria de petróleo e gás perseguida pelos baixos preços, a concorrência da energia renovável e as regulamentações que visam reduzir as emissões de carbono. Os republicanos, que forçaram Obama a dar luz verde a ambos os oleodutos, saudaram as ordens como uma vitória”.
Kim Kataguiri, do MBL, foi indicado por Rodrigo Maia, presidente da Câmara, como relator da Lei Geral de Licenciamento Ambiental (PL 3.729/2004). Foi acusado por ONGs ambientais de ter apresentado um substitutivo de última hora desmontando o sistema de licenciamentos no país.
“A nova versão traz graves retrocessos, como a exclusão de impactos ‘indiretamente’ causados por obras, dispensas de licenciamento para atividades de ‘melhoria’ e ‘modernização’ de infraestrutura de transportes e a eliminação da avaliação de impactos sobre milhares de áreas protegidas”, escreveu a ONG SOS Mata Atlântica.

Peça 3 – o lobby do Partido Republicano

Ontem, o The Intercept, publicou reportagem mostrando a montagem de lobbies, ligados ao Partido Republicano, visando cooptar empresas americanas para projetos na Amazonia, combinados com o goverobn Bolsonaro.
“Documentos revelam que esses interesses estão sendo incentivados nos EUA por lobistas republicanos favoráveis ao governo Trump, que iniciaram conversas com o governo brasileiro para promover o investimento empresarial na Amazônia”.
Ontem, porta-vozes do governo Bolsonaro anunciaram a criação de um grupo de trabalho com os Estados Unidos, visando desenvolver uma política ambiental conjunta.

Peça 4 – os riscos à soberania nacional

Trump passa, os avanços ambientais permanecem. Entrando nesse jogo com a parte mais barra pesada do empresariado norte-americano, há o risco concreto dessa armação se esboroar nas próximas eleições.
Ocorrendo isso, o país ficará com a broxa na mão. Ontem, já fio anunciado que o governo sueco está analisando os investimentos de seus fundos de pensão no Brasil, em função do fator Amazônia. A parte mais saudável das corporações internacionais já se pauta pelos temas ambientais.
Tardiamente, os militares de Bolsonaro tentam recriar o conceito de defesa nacional em torno da bandeira Amazônia. Foram incapazes de prevenir a venda da Embraer, o desmonte da Petrobras, as próximas jogadas com Eletrobras, todas empresas centrais dentro do conceito de soberania nacional.
Provavelmente só entenderão o risco de uma Amazônia devastada quando a conta bater novamente na porta, e os Bolsonaro não passarem de um pesadelo distante.
Trata-se de um poder que não assimilou conceitos básicos de soberania e interesse nacional.0

sábado, 23 de março de 2019

Do jornalista norte-americano Brian Mier: Brasil está refém dos interesses americanos e Lula é prisioneiro dos Estados Unidos no Brasil




Jornalista norte-americano Brian Mier, residente no Brasil há mais de 20 anos, considera que o Brasil está refém do imperialismo estadunidense, que mantém estrategicamente Lula como "um prisioneiro de guerra"; "A ação que o colocou na cadeia nasceu nos EUA", reflete em análise à TV 247; em referência a Steve Bannon, ele diz ainda que "Bolsonaro nunca terá um espaço sério nos EUA ou Europa dialogando com supremacistas brancos"; assista

247 - O jornalista Brian Mier, editor do site Brasil Wire, comenta a visita que o presidente Jair Bolsonaro fez ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada, e avalia que o Brasil está refém do imperialismo estadunidense, que mantém estrategicamente Lula como "um prisioneiro de guerra". "A ação que o colocou na cadeia nasceu nos EUA", reflete.
Norte-americano, mas residente no Brasil há mais de 20 anos, Mier segue seu raciocínio sobre a subserviência do atual governo e ironiza a proximidade do juiz Sérgio Moro com a CIA (Agência Central de Inteligência): "Quando o Moro visita a CIA, o wi-fi dele já liga direito".
O jornalista acrescenta que, apesar da postura de Bolsonaro e seu clã, "Steve Bannon [articulador da campanha de Trump, que mantém estreita relação com Olavo de Carvalho e sua trupe] é um adorador da Ku Klux Klan (KKK), seita supremacista racial que considera os latinos um povo da lama, uma raça inferior".
"Bolsonaro nunca terá um espaço sério nos EUA ou Europa dialogando com supremacistas brancos", acrescenta. 
Eu apoio o 247

quarta-feira, 20 de março de 2019

VÍDEO: Os sete pecados capitais da destrutiva Lava Jato que abalam o Brasil



Do DCM:

VÍDEO: Os sete pecados capitais da Lava Jato que abalam o Brasil

 
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00:00/00:40Diário do Centro do Mundo
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segunda-feira, 18 de março de 2019

Procuradores da Lava Jato devem explicações à sociedade (parte 1), por Armando Coelho Neto, delegado aposentado da PF e ex-representante da Interpol, e Wilson Luiz Müller, Integrante do Coletivo “Auditores Fiscais pela Democracia” (AFD)


"Agora muitos se perguntam: como chegaram a esse ponto? Porque lhes foi permitido tudo durante mais de cinco anos, pouco importando fosse legal ou ilegal. Por que há pouco tempo, cientes e conscientes das ilegalidades que estavam praticando a serviço do golpe, tentaram criar, junto com a Justiça curitibana, o seu próprio AI 5, com a tal Lei contra a corrupção, por meio da qual queriam sacramentar suas impunidades. "


Procuradores da Lava Jato devem explicações à sociedade (Parte 1)

por Armando Rodrigues Coelho Neto e e Wilson Luiz Müller

GGN. - Quando a sociedade tomou conhecimento do acordo assinado entre a Petrobrás, Departamento de Justiça dos Estados Unidos – Doj e procuradores da Força Tarefa a Jato, muitos se perguntaram como tínhamos chegado a esse ponto. Não foi a divulgação do acordo que escandalizou. O próprio acordo é um escândalo. Os procuradores, no entanto, fizeram de conta que havia somente um mal entendido e acharam que passaria batido se fossem disparados alguns tuítes desqualificando os críticos.
Estavam reeditando o que já ocorrera no passado, quando um delegado da Polícia Federal administrava, em conta pessoal, dinheiro enviado pelos Estados Unidos. É que Tio Sam não confiava na máquina oficial brasileira. Além disso, há por parte de alguns seletos brasileiros a  ideia de que quando o dinheiro cai na vala comum do tesouro nacional, ele acaba sendo aplicado em coisas de menor valor, como por exemplo saúde e educação, quando seria muito mais vantajoso aplicá-lo em coisas mais nobres, como por exemplo, formação de lideranças. Se a mutreta deu certo no passado, por que não daria certo agora, no pós-golpe?
Pois estava vigente  o consenso produzido  sobre quem estava do  lado do bem (capital), e também identificados os que tinham escolhido o lado errado (povo). Estabelecido o consenso, as fichas foram apostadas naquilo que restara após a demolição do quadro partidário e político. No vácuo de poder cresceu a frondosa árvore da Força a Jato, adubada com ódio e desprezo pelos ocupantes dos andares de baixo, ou dos que não habitam em lugar algum. A Força a Jato consolidou-se como força política com programa próprio, com militantes próprios, com poderosos contatos em todas as esferas do poder. Tudo o que levava a assinatura da Força a Jato ganhava ares vestais. Os novos heróis foram logo identificados como “sendo dos nossos”, portadores de uma nova moralidade que não requeria outra coisa senão a promessa repetida do fim da corrupção. Em cima dessas promessas foi-lhes permitido a transgressão de normas e procedimentos legais.
Não havia por que anunciar ou justificar qualquer coisa. Os bons entendedores entendem-se entre si; depois é só uma questão operacional  para encontrar um modo virtuoso de fazer valer a máxima em que o fim justifica os meios. Mas o  fim maior, não anunciado, porém presente desde a primeira hora, era destruir a capacidade de resistência do povo que tinha avançado em seus direitos e sua consciência cidadã. E tinham sido descobertas as enormes reservas de petróleo do pré-sal; e crescia a autoestima dos brasileiros; e tínhamos perdido a síndrome de vira-lata.
Convictos da consolidação do consenso, os procuradores da Força a Jato arriscaram mais uma empreitada que fecharia com chave de ouro o ciclo do golpe. Surgiria, com a fundação bilionária, um robusto movimento em torno de palestrantes que ensinariam aos “cidadãos de bem” o que  é e como se faz política. Milhares de pupilos bem treinados fariam as vezes de partido político sem arcar com os ônus negativos da política tradicional, devidamente demonizada no período anterior.
Agora muitos se perguntam: como chegaram a esse ponto? Porque lhes foi permitido tudo durante mais de cinco anos, pouco importando fosse legal ou ilegal. Por que há pouco tempo, cientes e conscientes das ilegalidades que estavam praticando a serviço do golpe, tentaram criar, junto com a Justiça curitibana, o seu próprio AI 5, com a tal Lei contra a corrupção, por meio da qual queriam sacramentar suas impunidades. Queriam na verdade ficar acima da lei, já que  lei para todos não passava mesmo de filme vagabundo sobre a maior farsa judicialesca da história.
Para entender a mais recente  mutreta é preciso retornar ao noticiário de setembro de 2018, quando a GLOBO anunciou o fechamento do acordo que resultaria depois na Fundação a Jato (G1 de 27/09/2018). Sérgio Moro ainda era o juiz em Curitiba (estranhamente definido pela grande mídia como chefe da Lava Jato (sic) apesar de ser juiz). O presidente da Petrobrás era Ivan Monteiro. Segundo o G1, A Petrobras tinha fechado um acordo bilionário com a Justiça americana para encerrar as investigações sobre corrupção na empresa. “A Petrobras decidiu pagar para não ter que enfrentar a Justiça americana. O acordo para encerrar as investigações custou US$ 853 milhões o que, incluindo impostos, equivale a R$ 3,6 bilhões para a empresa”.
“A investigação tinha sido aberta depois que a Operação Lava Jato revelou a corrupção na Petrobras. Como a empresa tem ações negociadas na Bolsa de Nova York, o Departamento de Justiça americano e a SEC – órgão que regula o mercado de capitais nos Estados Unidos – queriam saber se a Petrobras desrespeitou as regras financeiras de lá”, disse o G1.
“A Petrobras paga a multa nos Estados Unidos, mas, pelo acordo, a maior parte do dinheiro fica para o Brasil: 20% vão para as autoridades americanas; 80%, serão investidos em programas sociais e educacionais no Brasil, que serão monitorados pelo Ministério Público Federal.
“O resultado final foi positivo para a imagem da empresa, sim. Encerra um cenário de incertezas jurídicas, pelo menos nos Estados Unidos. Há um aspecto negativo que deve ser considerado, que é o efeito desse acordo nos processos indenizatórios que estão ainda tramitando, tanto no Brasil, tanto na Argentina, quanto, muito recentemente, na Holanda”, explica João Paulo Naegele, especialista em direito do petróleo.
“No começo de 2018, a Petrobras já tinha fechado um acordo também bilionário para encerrar outra investigação. A ação acusava a empresa brasileira de enganar investidores com informações falsas, ocultando o esquema de corrupção descoberto pela Operação Lava Jato.
“A Petrobras concordou em indenizar quem comprou ações dela na Bolsa de Valores de Nova York entre 2010 e 2014. São quase US$ 3 bilhões que estão sendo pagos em três parcelas. O valor equivale a quase R$ 12 bilhões em valores de hoje. Foi o maior acordo já feito nos Estados Unidos sobre perdas com ações envolvendo uma empresa estrangeira.
“Somando os dois acordos, a Petrobras vai pagar mais de R$ 15 bilhões em multas, muito mais do que ela já conseguiu recuperar do dinheiro que foi desviado da empresa, até hoje, R$ 2,5 bilhões.”
Posteriormente, a Petrobras e o MPF de Curitiba, por meio de outro acordo, definiram que metade do valor depositado pela Petrobras (R$ 1.2 bi) iria para um fundo que tem por objetivo a promoção da cidadania; formação de lideranças; aperfeiçoamento das práticas políticas; e conscientização da população brasileira. A outra metade ficaria depositada como reserva para pagar eventuais ações movidas por acionistas americanos.
Esse acordo posterior dos procuradores da Força a Jato com a Petrobrás ainda precisa ser adequadamente analisado pelo que contém de estranhezas. Apenas para citar uma, parece sem sentido a previsão da reserva de 1,2 bilhão para indenizar eventuais ações futuras de acionistas. Conforme noticiado pela imprensa em 2018, o acordo com os acionistas americanos (aquele dos R$ 12 bilhões de reais) tinha posto fim ao litígio com os acionistas.
Em resumo:
– o acordo de que ora se tem notícia, patrocinado pelos procuradores da Lava Jato, foi firmado em setembro de 2018;
– no início de 2018, a Petrobrás já tinha fechado um acordo com os acionistas americanos, pagando R$ 12 bilhões de reais de multa;
– o placar matemático até agora, pasmem (!) é a entrega de R$ 15 bilhões da Petrobrás para os americanos contra R$ 2,5 bilhões recuperados pela Forca a Jato. A Petrobrás foi a empresa estrangeira premiada com a maior multa da história americana, tudo por conta do valoroso trabalho da Forca a Jato (agora é forca mesmo).
– a Petrobrás fica obrigada no acordo assinado pelos procuradores da Forca a Jato a entregar sistematicamente aos americanos as informações estratégicas da empresa. Espantoso!
– o desfecho de todo o imbróglio é um montante de R$ 2,5 bilhões de reais destinados à fundação da Força a Jato (vez ser pouco provável a utilização da reserva de 1,2 bilhão para novas ações de acionistas americanos)
Analisado o conjunto da obra, constata-se de pronto, que aquela força tarefa assumiu definitivamente seu viés político (jamais jurídico), na medida em que a tal fundação se propõe até a formar lideranças políticas – adequadas aos valores morais, sociais, políticos dos oficiantes do que deram de chamar Operação Lava Jato.
Como saldo fica a sensação de que os brasileiros estão sendo enganados, tomados como idiotas, sendo obrigados a entregar riquezas em troca de palavras bonitas e promessas vazias de um país livre da corrupção. E mais: que a Petrobrás está sendo mal defendida (ou simplesmente não defendida), ao mesmo tempo em que é atacada e lesada por todos os lados, dentro e fora do país.
Leia a parte 2 clicando aqui.
Armando Rodrigues Coelho Neto – delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo
Wilson Luiz Müller- Integrante  do Coletivo “Auditores Fiscais pela Democracia” (AFD)