sábado, 21 de fevereiro de 2026

Jornalista revela bastidores do antidemocrático conselho editorial da Globo

 

Paulo Nogueira, editor do Diário do Centro do Mundo, que já integrou este grupo, como responsável pelas revistas da casa, revela como é o processo de comando no grupo de mídia dos Marinho, com destaque para o papel de Ali Kamel, diretor de Jornalismo, e do colunista Merval Pereira. "Pareciam odiar Lula e qualquer coisa que partisse do governo petista. E pareciam também querer que João Roberto [Marinho, um dos donos] soubesse disso", diz ele

Do Brasil 247:

    Jornalista Paulo Nogueira revela bastidores do conselho editorial da Globo


247 - O jornalista Paulo Nogueira, ex-diretor da Abril e da Globo, decidiu revelar como funciona, por dentro, o conselho editorial do grupo de mídia dos Marinho. Confira:

Como funciona o Conselho Editorial das Organizações Globo

Sob o comando de João Roberto Marinho, o Conedit reúne os editores das diversas mídias da Globo para alinhar ações e debater assuntos. As reuniões são realizadas às terças, por volta das 11 horas, no prédio da Globo no Jardim Botânico, no Rio. Frequentei-as ao longo dos dois anos e meio em que fui diretor editorial das revistas da Globo. Quando cheguei, Kamel já estava lá, e ali permaneceu depois que saí.

A referência mais longa que eu tivera dele veio de um jornalista da Abril que o procurara em busca de emprego. A operação deu certo. O jornalista me contou que lera que Kamel valorizava gente que tivesse passado por revistas, por ser mais apta a mexer com palavras. O próprio Kamel passara pela Veja no Rio antes de se fixar nas Organizações Globo.

Kamel não confirma o folclore do carioca simpático, ao contrário de outros editores com quem convivi naquelas manhãs de terça. Seu chefe, Carlos Schroder, um gaúcho afável e sempre com um sorriso no rosto, parece mais carioca que ele.

De um modo geral, o ambiente no Conedit reflete o humor, a alegria, a capacidade de rir dos cariocas. (E também a falta de pontualidade.) Mesmo Merval Pereira, colunista de várias mídias da Globo e ex-diretor do jornal, ri com frequência – uma surpresa para quem lê seus textos em geral num tom de elevada preocupação, quase sempre ligada a um pseudopecado mortal de Lula.

Kamel, pela importância da TV, é uma presença destacada no Conedit. Sua expressão solene sublinha esse papel. Não sei se Kamel costuma beber no bar com os amigos para falar bobagens como futebol, mas não me pareceu.

O que inicialmente mais me chamou a atenção em Kamel, e em muitos outros ali, foi a obsessão com São Paulo. “Os jornais de São Paulo” são constantemente citados, como se representassem o mal. Não sou exatamente um admirador nem do Estadão e muito menos da Folha, mas achava engraçada a presença dos  “jornais de São Paulo” nos debates. Nós, jornalistas de São Paulo, jamais nos referimos aos “jornais do Rio”.

Não é exatamente confortável ser um paulista naquele plenário, logo entendi. Eu me sentava num canto próximo da porta, por razões de conforto. “Este é o canto dos paulistas”, ouvi, em tom de brincadeira, uma vez, de Luiz Erlanger, uma espécie de RP do alto escalão das Organizações.

Havia uma alta rotatividade naquele canto. O ambiente é carioca, para o bem e para o mal. E o ressentimento pelo tamanho que São Paulo tomou no Brasil acaba repercutindo, de uma forma ou de outra, em paulistas que participem do Conedit.

Ali Kamel não facilita a vida de ninguém, logo vi. Não é hospitaleiro. Lembro o dia em que Kamel foi apresentado ao jornalista Adriano Silva, na sede da Globo no Rio de Janeiro. Adriano estava sendo contratado com a missão de chacoalhar o Fantástico.

Adriano fizera isso na Superinteressante. Daí o interesse da Globo. Quem negociou com Adriano foi Carlos Schroder, então diretor de telejornalismo da Globo e hoje seu diretor-geral. Eu estava com ambos no prédio do Jardim Botânico quando Ali se aproximou.

Não deu um sorriso para Adriano. Seco, quase ríspido, colocou a Superinteressante na conversa — afirmou que a enteada a lia — para comentar supostos erros da revista. Ficou claro naquele momento que a vida de Adriano perto de Kamel não seria fácil. Não foi.

Adriano logo foi tocar sua vida longe da Globo, e o Fantástico continuaria a padecer dos problemas que levaram a Globo a procurá-lo — desinspiração editorial, perda de repercussão e um Ibope brutalmente em queda para um programa que se confundira com a noite de domingo dos brasileiros por muitos anos.

O caso do Fantástico me faria lembrar um comentário que certa vez ouvi, segundo o qual a força criativa da Globo repousava em Boni, “um fanático guardião da qualidade”. Achei isso podia fazer sentido ao ler que, numa corrida em que Galvão Bueno gritou triunfal “eu já sabia, eu já sabia!” quando Senna entregou a vitória ao segundo piloto de sua equipe, Boni teve uma reação irada no bastidor. “Se sabia, por que não contou para o espectador?”, perguntou a Galvão.

No Conedit, numa mesa em forma de U, João Roberto se senta no centro, na reunião. À sua esquerda,  numa das laterais, fica Merval. Na esquerda, na outra lateral, Kamel. Há uma tensão muda entre os dois, uma espécie de duelo pela preferência e pela simpatia do chefe. São os que mais falam lá.

Não daria o prêmio de simpatia a Kamel. E nem o de originalidade. Logo percebi que ele expressava com ênfase, com a fé cega de um jihadista, amplificando-as, as conhecidas ideias das Organizações Globo.

Não havia desafio a essas ideias, não havia uma tentativa de reolhá-las e reavaliá-las.  Bolsa Família? Assistencialismo. Ponto. Cotas em universidades? Absurdo, Ponto.

Um dia comentei isso com Luiz Eduardo Vasconcellos, sobrinho de Roberto Marinho e acionista das Organizações. Luiz teve cargos executivos durante muitos anos, mas depois se recolheu às funções de acionista minoritário.

É simpático, interessado nas coisas do mundo, simples no traje e no trato, como aliás os primos. Você não diz que ele é um dos donos da Globo se se sentar numa reunião do Conedit sem conhecê-lo.

“Sinto falta de pensamentos alternativos na reunião”, comentei com ele num almoço depois da reunião do Conedit. “A sensação que tenho é que as pessoas, principalmente o Kamel e o Merval, falam apenas as coisas que imaginam que o João vai gostar de ouvir.”

Quanto isso devia estar me incomodando estava claro em meu ataque de sinceridade no almoço. Era evidente o risco de que meu comentário fosse espalhado, ainda que Luiz Eduardo sempre tenha me parecido discreto e reservado.

Nas eleições de 2006,  meu diagnóstico do Conedit pareceu se confirmar para mim. João Roberto tinha um tom sereno ao debater a campanha. Vi João criticar várias vezes ações de militantes petistas, mas jamais o vi sair do tom no Conedit.

Curiosamente, dada sua posição de dono, o ambiente muitas vezes não refletia a tranquilidade de João Roberto. Kamel e Merval davam um tom épico, em branco e preto, a muitas discussões políticas. Pareciam odiar Lula e qualquer coisa que partisse do governo petista. E pareciam também querer que João Roberto soubesse disso.

Se o julgamento deles fosse acertado, Lula teria errado em todas as decisões que tomou em seus oito anos de administração. Quanto aquela inflamação toda era genuína ou não, é uma dúvida que carrego até hoje. Será que eles pensam mesmo aquilo, ou no bar, com os amigos, dão uma relaxada?

Não sei.

Minha intuição é que, como o poeta segundo Fernando Pessoa, o fingimento é tanto que uma hora você acredita no que fingia antes acreditar. A alternativa é um sentimento automassacrante de que você é uma pena de aluguel.

Há uma lenda urbana segundo a qual Kamel seria o homem por trás da ideologia das Organizações Globo, o “Ratzinger” da empresa. Kamel não é nenhum Hayek, ou Friedman. Não é formulador de pensamentos, não é um filósofo, não é carismático, não é nada daquilo que confere a alguém o poder de persuadir outras pessoas pelo vigor não dos gritos mas das ideias.

Uma designação provavelmente mais próxima da realidade é que Kamel comanda os “aloprados” da Globo. Relembremos. Num determinado momento da campanha de 2006, veio à cena, na mídia, a expressão “aloprados”, para designar petistas mais apaixonados. A certa altura, Lula disse a João Roberto Marinho que seguraria os “seus aloprados”, mas que queria que os “aloprados do outro lado” também fossem controlados.

Foram? Basta ouvir um comentário de Jabor ou um artigo de Merval para saber que não. A cobertura em 2010 do atentado da bolinha de papel contra Serra, ou mais recentemente a forma como foi tratado o julgamento do Mensalão, mostra que os aloprados estão de mãos livres na Globo.

Uma possibilidade que deve ser considerada é que aloprados não sejam exatamente alguns comentaristas ou colunistas, ou mesmo diretores da área jornalística – mas a própria Globo, em sua alma e em sua essência.

A CAMPANHA MIDIÁTICA (GLOBO) NOS MOLDES LAVAJATISTAS CONTRA O STF CONTINUA... - LUIS NASSIF

 

Da TV GGN:




sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

"Estamos prisioneiros de um modelo que concentra riqueza" | José Kobori no Juca Kfouri Entrevista

 

Da Rede TVT:




Luis Nassif e convidados discutem sobre os interesses da grande mídia em proteger os crimes da Lava Jato e da Faria Lima por meio dos ataques ao STF

 

Da TV GGN:


Vídeo 01


Vídeo 02:


Luis Nassif discute como O Globo da família de Roberto Marinho e filhos se aliou ao lavajatismo e ao bolsonarismo contra o STF visando garantir a direita nas eleições 2026

 

Qualquer pessoa com um discernimento razoável acharia as medidas de Moraes contra vazamentos adequadas à gravidade do crime.


Do Jornal GGN:

Como O Globo se aliou ao lavajatismo e ao bolsonarismo contra o STF


Vamos a uma demonstração, ao vivo e em cores, sobre como funcionam as parcerias visando o lançamento da Lava Jato 2.

Houve indícios claros de tentativa de quebra de sigilo de Ministros do Supremo Tribunal Federal e familiares. Quebra de sigilo fiscal é crime, se cometido contra qualquer cidadão. Contra um Ministro do Supremo, é crime gravíssimo.

A investigação foi conduzida pela Receita Federal e, depois do relatório inicial, Alexandre de Moraes ordenou colocar tornozeleira nos suspeitos e segurar os passaportes.

Imediatamente, O Globo montou uma operação visando escandalizar a atitude de Moraes. Todas as manifestações, atribuídas a auditores da Receita e a outros Ministros do STF, baseadas em fontes anônimas, basearam-se em um velho truque:

  1. Encontre alguém crítico à medida, na Receita e no STF.
  2. Utilize o coletivo para dar mais ênfase à declaração em off. Se for de UM Ministro do STF, use um genérico Ministros.

O Globo ouviu a diretoria da Unafisco e membros do STF. Em princípio não significa nada. Se for 1 ou 2 ou 3 membros do STF, não há a menor diferença, sabendo-se das divisões internas.

Esse jogo desmoralizante do off resultou nas seguintes manchetes, apenas na edição de ontem:

Qualquer pessoa com um discernimento razoável acharia as medidas de Moraes adequadas à gravidade do crime.

Conversei com auditores fiscais, por exemplo, que estavam escandalizados com a cobertura de O Globo. Poderia manchetar: “Fiscais sentem-se incomodados com as manchetes de O Globo”, mas seria um abuso do uso do coletivo. Mas O Globo usa e abusa dos coletivos e do verbo “incomodar”.

Vamos fazer algo diferente: individualizar os críticos.

Kleber Cabral – presidente da Unafisco, personagem central das matérias de O Globo sobre as supostas arbitrariedades de Moraes.

Em 2022 foi candidato a deputado estadual pelo Podemos, tendo como cabo eleitoral Deltan Dallagnol.

No início de 2019, mandou instalar outdoor na saída do aeroporto de Brasília dando boas vindas ao Presidente da República recém-eleito, Bolsonaro. Durante o mandato, manteve estreita relação com Flávio Bolsonaro e outros parlamentares da extrema-direita. 

Aqui, a defesa que Deltan faz do seu correligionário.


O Globo incluiu, nessa cobertura, um número recorde de 6 repórteres experientes. Nenhum deles levantou as raízes bolsonaristas de Kleber Cabral? Aqui, Júlio César, ex-secretário (da direção Nacional a qual o Kleber presidiu) com Bolsonaro.

Ricardo Mansano de Moraes – O auditor fiscal da Receita, que recebeu as tornozeleiras, está no cargo desde 2007, e atua na Equipe de Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório (Eqrat). Segundo O Globo, “em suas redes sociais, o auditor fiscal segue perfis de políticos de direita, como do ex-presidente Jair Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e dos deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Kim Kataguiri (UNIÃO-SP)”. Ele teria acessado alguém de sobrenome Feitosa. Suspeitou-se que fosse alguma parente de Guiomar Feitosa, ex-esposa de Gilmar Mendes. Ele esclareceu que era seu amigo Ricardo Feitosa, que ele pretendia reencontrar. Uma desculpa fajuta mas que esclarece outros pontos.

Quem é Ricardo Pereira Feitosa? Foi um fiscal afastado, depois demitido do serviço público federal, por acesso indevido a dados fiscais sigilosos de adversários de Jair Bolsonaro, especialmente Paulo Marinho, Gustavo Bebianno e Eduardo Gussen (procurador geral da Justiça do Rio de Janeiro).

Na época, Feitosa ocupava o cargo de Coordenador-Geral de Pesquisas e Investigações, do núcleo de inteligência da Receita Federal. Estava no centro da inteligência da Receita, levantando informações contra inimigos de Bolsonaro.

Julio Cesar Vieira Gomes, ex-secretário da Receita Federal no governo Bolsonaro.

Todos esses bravos auditores da Receita, utilizados para atacar o Supremo, são bolsonaristas de carteirinha. Os jornalistas de O Globo, deveria ler o Relatório Final da Policia Federal, nos autos do IPL nº 2023.0022161 – CGCINT/DIP/PF:

Diz ele:
O contexto da reunião revela uma articulação cujo objetivo era criar um fato contra servidores da Receita Federal do Brasil, utilizando alegações de existência de uma organização criminosa no órgão para deslegitimar os procedimentos da Corregedoria-Geral do órgão. Essa narrativa, baseada em acusações não comprovadas, tinha como objetivo final anular na origem, as apurações relacionadas às movimentações financeiras suspeitas envolvendo o Senador FLÁVIO BOLSONARO, deflagradas a partir de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) emitido pelo COAF – Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

Ou seja, a banda bolsonarista da Receita – com integrantes da Unafisco – juntou-se aos bolsonaristas para atingir auditores e o corregedor do Rio de Janeiro, empenhados em uma investigação sobre as rachadinhas de Flávio Bolsonaro.

Esses são os personagens aos quais O Globo recorreu, para deslegitimizar o Supremo Tribunal Federal.

Querem mais? Segundo o IPL:

Conforme queríamos demonstrar, estão aí os primeiros movimentos para a Lava Jato 2, entre mídia e os porões do funcionalismo público. E mostra o erro do governo de não ter degolado a Hidra de Lerna desde o início. Quando mais adia, mais perigoso fica.

LEIA TAMBÉM:

Artigo de Heloisa Villela apresenta evidência de que o suspeito de acessar dados de ministros do STF é bolsonarista e ligado a integrante da ‘Abin paralela’

 

"Ricardo Pereira Feitosa foi coordenador geral de Pesquisa e Investigação da Receita Federal, a equipe de inteligência do órgão, durante parte do governo Bolsonaro. Ele foi acusado de usar o cargo que ocupava para procurar informações fiscais de ao menos quatro desafetos da família Bolsonaro."

Do ICL Notícias:


Suspeito de acessar dados de ministros do STF é ligado a integrante da ‘Abin paralela’

Feitosa foi demitido por usar o cargo que ocupava para procurar informações fiscais de ao menos quatro desafetos da família Bolsonaro

Por Heloisa Villela

Ricardo Manzano de Moraes, auditor da Receita Federal teve o passaporte apreendido e usa hoje uma tornozeleira eletrônica por ser suspeito de acessar informações sigilosas de ministros do Supremo Tribunal Federal. Ao tentar se explicar à corregedoria da Receita, ele surpreendeu por trazer à tona um nome ligado à investigação da ‘Abin paralela’, esquema ilegal de espionagem montado dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro.

Manzano disse que acessou os dados de uma nora do ministro Gilmar Mendes, do STF, porque estava em busca do contato de um amigo de sobrenome Feitosa, o mesmo sobrenome da nora do ministro, porque imaginou que eles fossem parentes. A nora de Gilmar e Feitosa, amigo de Manzano, não têm grau de parentesco algum. Além disso, a justificativa não é convincente, já que para esse objetivo seria mais fácil tentar a internet, as mídias sociais ou outros colegas.

Mas quem é o Feitosa que Manzano dizia procurar? Ricardo Pereira Feitosa foi coordenador geral de Pesquisa e Investigação da Receita Federal, a equipe de inteligência do órgão, durante parte do governo Bolsonaro. Ele foi acusado de usar o cargo que ocupava para procurar informações fiscais de ao menos quatro desafetos da família Bolsonaro. Entre eles o procurador José Eduardo Gussem, que denunciou o esquema de rachadinha de Flávio Bolsonaro.

O caso foi descrito no relatório que a Polícia Federal entregou ao STF, em junho do ano passado, a respeito da compra e do uso da ferramenta de espionagem First Mile. O documento tem uma sessão dedicada à interferência do governo Bolsonaro na Receita Federal. O processo administrativo contra Feitosa é mencionado no fim dessa sessão como motivo de preocupação dos agentes envolvidos com a chamada Abin paralela.

Kleber no relatório da ‘Abin paralela’

Outro nome que aparece nas páginas do relatório da PF é o de Kleber Cabral, hoje presidente da Unafisco, a Associação Nacional dos Fiscais da Receita Federal. Ele foi intimado a depor à PF, nesta sexta-feira (20), às 15 horas, para esclarecer declarações que deu aos meios de comunicação. Ele disse que os servidores da Receita têm mais medo de investigar ministros do Supremo do que membros da facção criminosa PCC.

Foi uma reação às medidas cautelares adotadas pelo ministro Alexandre de Moraes contra quatro servidores considerados suspeitos de vazar dados fiscais de membros da corte e de parentes dos magistrados. Mas esses quatro funcionários não participavam de investigação alguma. E foram detectadas várias consultas a dados pessoais de autoridades sem justificativa.

Trecho do relatório da PF sobre a Abin Paralela que cita o nome de Kleber Cabral

Um desses servidores é Ricardo Manzano que disse estar em busca de um contato com Feitosa. Os nomes de Feitosa e Kléber fazem parte do relatório da PF sobre a Abin paralela justamente no capítulo que trata da operação montada pelo ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, condenado no processo do 8 de janeiro e hoje foragido em Miami, nos Estados Unidos, para blindar Flávio Bolsonaro das investigações sobre a suspeita de esquema de rachadinha.

Kleber é citado por tentar pressionar Guilherme Bibiani a não aceitar o cargo de corregedor da Receita Federal. O nome de Bibiani não era do interesse dos envolvidos com a ‘Abin paralela’ e de Flávio Bolsonaro, que queria no posto alguém de sua total confiança.

Ricardo Pereira Feitosa é citado no relatório da PF por conta do processo aberto para averiguar o acesso indevido a dados da Receita. Ao fim da investigação, Feitosa acabou demitido do serviço público em outubro de 2023, por usar o cargo “para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública”, segundo expressou na época a portaria assinada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.