quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Tutela, soberania e Forças Armadas, por Francisco Celso Calmon

 

O golpe militar que derrubou Pedro II e instaurou a República instituiu, desde então, o signo da tutela como marca da nova forma de governo no Brasil.

Do Jornal GGN:

    Foto de Marcelo Casal Jr - Agência Brasil

Tutela, soberania e Forças Armadas

por Francisco Celso Calmon

A recente declaração de um general brasileiro, registrada em publicação vinculada a uma instituição militar sediada nos Estados Unidos, recolocou no debate público uma questão estrutural da história política nacional: o papel das Forças Armadas na definição dos rumos do Estado. Ao afirmar que a liderança militar pode influenciar decisões estratégicas, institucionais e políticas, o general André Luís Novaes Miranda explicitou uma concepção ampliada da atuação militar – concepção que dialoga diretamente com a tradição de tutela sobre o poder civil que marcou sucessivos momentos da experiência republicana brasileira.

Historicamente, as Forças Armadas ocuparam um lugar central e contraditório nesse processo. Instituições indispensáveis à defesa territorial e à integridade nacional, foram, ao mesmo tempo, reiteradamente mobilizadas como instrumentos de intervenção interna, culminando no regime autoritário instaurado em 1964. Essa ambiguidade se estrutura a partir de uma concepção tutelar, onde os militares assumiram a função de poder, legitimando sua interferência nos ciclos de instabilidade política.

O golpe militar que instaurou a República instituiu, desde então, o signo da tutela como marca da nova forma de governo no Brasil.

As redemocratizações não foram capazes de desmontar plenamente essa lógica tutelar.

Ao longo dos três governos Lula, não se construiu um planejamento sistemático e de longo prazo voltado à desarticulação da tutela no interior das Forças Armadas. Faltaram políticas continuadas de formação, presença institucional consistente, diálogo político permanente e, sobretudo, uma estratégia clara de disputa de projeto. O resultado foi a manutenção de um distanciamento estrutural entre o poder civil democrático e a instituição militar, abrindo espaço para a reprodução autônoma de heranças ideológicas.

A conjuntura recente tornou esse limite ainda mais visível. De um lado, a responsabilização de militares de alta patente envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 sinaliza que certos marcos institucionais começam, ainda que tardiamente, a ser afirmados. De outro, persiste a ausência de uma estratégia estatal consistente para reinserir as Forças Armadas no campo da soberania nacional e da legalidade democrática.

Em 2024, o Supremo Tribunal Federal reafirmou, por unanimidade, que a Constituição de 1988 não confere às Forças Armadas qualquer papel de poder moderador. Ao julgar ação que questionava interpretações distorcidas do artigo 142, a Corte deixou explícito que a atuação militar está estritamente subordinada ao poder civil e limitada à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, de forma excepcional, da lei e da ordem. A decisão buscou afastar leituras que vinham sendo instrumentalizadas no debate político recente para justificar intervenções indevidas na dinâmica institucional.

É nesse contexto que as declarações do atual ministro da Defesa, José Múcio, ganham maior densidade política. Ao confirmar sua permanência no governo e sinalizar disposição para contribuir com o projeto de reeleição do presidente Lula, Múcio desloca o debate sobre as Forças Armadas para o centro da disputa política nacional. Esse movimento, contudo, é marcado por tensões. Ao longo do governo, o ministro acumulou divergências com setores do próprio campo governista e assumiu posições controversas, como a defesa de tratamento leniente aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.

Ao fazer essa declaração, Múcio deu no governo um golpe de MMA, evitando qualquer mudança que o Presidente pudesse pensar em demovê-lo.  

Múcio era peça-chave na intentona bolsonarista, não concretizada porque Janja exclamou GLO é golpe! 

Tais gestos evidenciam os limites de uma condução que, embora reconheça a centralidade da defesa e da soberania, permanece atravessada por ambiguidades políticas. Dessa maneira, torna-se evidente que a redefinição do papel das Forças Armadas não pode depender exclusivamente de figuras pouco alinhadas a um projeto democrático e popular.

Cabe ao governo assumir, de forma ativa, a disputa pelos sentidos da instituição militar e por sua inserção estratégica no projeto de país que se pretende construir.

Reconhecê-las como instituição de Estado – e não como um bloco homogêneo – é condição para qualquer projeto democrático consistente.

Nenhum dos governos Lula estruturou uma política contínua capaz de disputar, no interior das Forças Armadas, os sentidos de soberania, democracia e projeto nacional. A ausência dessa disputa, não apenas fragilizou o controle civil, como permitiu que visões autoritárias e tuteladoras permanecessem latentes, prontas para se reativar em momentos de crise.

Esse debate precisa ser situado na conjuntura internacional pela sociedade civil organizada.

As recentes movimentações do governo Donald Trump, marcadas pelo fortalecimento de uma lógica imperialista explícita e de viés fascista, recolocam no centro da cena a disputa por territórios, recursos e zonas de influência.

As veias abertas do continente permanecem abertas, irrigando o capital estrangeiro e fortalecendo o poder político das potências imperialistas, enquanto os países do Sul Global seguem submetidos a estruturas de dependência que limitam sua autonomia estratégica.

É precisamente nesse ponto que o papel das Forças Armadas se torna incontornável. Elas ocupam um lugar estratégico na proteção do território, dos recursos e da autonomia política do país. Mas, para que cumpram essa função, é indispensável romper com heranças ideológicas que historicamente as afastaram da sociedade civil e as aproximaram, reiteradas vezes, de projetos alheios ao interesse nacional.

Pensar a soberania brasileira hoje, exige, portanto, abandonar leituras simplificadoras. Defender a democracia implica enfrentar, simultaneamente, os discursos autoritários internos e as estruturas internacionais, as quais historicamente condicionam os países do Sul Global.

É indispensável, pois, que o Brasil disponha de Forças Armadas preparadas, profissionalizadas e politicamente presentes em um projeto nacional comprometido com a soberania popular – não como instância tutelar, mas como instrumento legítimo de defesa do país e de sua autodeterminação. Por isso mesmo, reafirmamos, como mantra, a necessidade de um Projeto de Nação.

Nessas eleições é uma situação propícia e necessária para formular o projeto do Brasil que queremos.

É com essa compreensão que defendemos, há algum tempo, a revogação do artigo 142 da Carta Magna. Ainda que o Supremo Tribunal Federal tenha firmado entendimento claro sobre seus limites, consideramos que sua exclusão é politicamente necessária, sobretudo para não seguir alimentando interpretações golpistas no interior das Forças Armadas.

A garantia da lei e da ordem não deve caber às instituições militares, mas às forças policiais, como previsto em um Estado democrático. As Forças Armadas, subordinadas ao comando supremo do presidente da República, devem ser acionadas apenas em situações estritamente excepcionais, quando efetivamente necessárias.

Este texto contou com a colaboração de Lucas Cedro.

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.



Reinaldo Azevedo – Discurso de Macron em Davos dá uma dimensão dos desastres de Tump

 

Do Canal BandNews FM:




domingo, 18 de janeiro de 2026

Da BBC: O 'pavor' de imigrantes brasileiros em Massachusetts em meio a violências e deportações em massa nos EUA

 

Da  BBC Brasil:

Desde setembro, o Estado americano de Massachusetts tem sido alvo de uma nova fase de combate à imigração irregular o governo de Donald Trump. Massachusetts abriga a segunda maior comunidade brasileira nos Estados Unidos, com aproximadamente 440 mil pessoas, atrás apenas da Flórida. Desde o início da operação Patriot 2.0, agentes do ICE (a agência migratória americana) se espalharam pelas cidades de Massachusetts em busca de imigrantes sem documentos. O enviado da BBC News Brasil Leandro Prazeres percorreu o interior do Estado e conversou com pessoas e famílias brasileiras que têm sido alvo das operações. Alguns têm evitado ir buscar os filhos no ponto de ônibus escolar, com medo de serem presos e deportados - tendo de deixar as crianças para trás. Confira na reportagem especial.



Deutshe Welle: Como a vida de imigrantes e latinos tornou-se muito pior nos EUA de Donald Trump

 

Da Deutsche Welle:

Os Estados Unidos estão em uma encruzilhada, divididos em duas realidades marcantes. Para milhões de famílias sem documentos, o sonho americano tornou-se um pesadelo de medo e incerteza. Agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, na sigla em inglês) estão intensificando as prisões, varrendo bairros e locais de trabalho e deixando comunidades paralisadas. Enquanto isso, em Washington, ativistas da Geração Z, como Mary, estão reagindo, arrecadando fundos para famílias dilaceradas pelas deportações. Em outras partes do país, vozes conservadoras da Geração Z pedem leis mais rigorosas, exigindo uma nação que priorize os americanos. A divisão é profunda, desde bailes de gala em Nova York a esforços comunitários em bairros latinos. É uma batalha sobre identidade, pertencimento e o significado da cidadania. Duas Américas, uma geração — e um futuro pendendo na balança.




O dossiê do GGN sobre o caso Master(envolvendo Ibanês e Tarcísio de Freitas)

 

"Este texto mostra como Tarcísio de Freitas se envolveu inadvertidamente no caso do Master, ilustrando a dimensão política do escândalo e os riscos de promiscuidade entre governo, mercado e instituições financeiras."

Do Jornal GGN:


O dossiê do GGN sobre o caso Master

Uma compilação das investigações, dos envolvidos e das revelações que expõem a maior crise do mercado financeiro brasileiro



O escândalo envolvendo o Banco Master, revelado pelo jornalista Luis Nassif e a equipe do Jornal GGN ao longo de várias semanas, expõe um dos maiores casos de fraude financeira e desrespeito às instituições brasileiras.

Entre pirâmides financeiras, falhas de fiscalização e interesses corporativos e políticos, este dossiê reúne as principais matérias publicadas pelo GGN, oferecendo uma visão detalhada e cronológica dos fatos, dos envolvidos e das investigações em andamento.

Veja a cobertura completa a seguir:

Em maio de 2025, Nassif já alertava sobre a escalada do escândalo do Banco Master e do INSS, apontando que os indícios de irregularidades financeiras poderiam se transformar em um dos maiores casos de fraude da história recente, com impactos sobre beneficiários e o mercado.

19/11 – Master na mira da Fictor
Nesta reportagem, Nassif revela os negócios obscuros da Fictor, uma holding financeira que tentou adquirir o Banco Master. A empresa operou por meio de 17 sociedades em conta de participação, com sócios ocultos e patrimônio líquido negativo, levantando suspeitas sobre transparência, governança e risco de lavagem de dinheiro.

22/11 – Fitch e o golpe do Master
A próxima análise mostra como a agência de classificação de risco Fitch contribuiu, de forma indireta, para o golpe do Master, emitindo ratings que davam falsa credibilidade ao banco, facilitando a atração de investidores e a expansão da pirâmide.

23/11 – Master, BRB e clubes esportivos
Aqui, Nassif expõe os interesses cruzados entre o Banco Master, o BRB e grandes clubes esportivos, revelando como patrocínios e parcerias eram usados para legitimar operações suspeitas e influenciar decisões políticas e financeiras.

26/11 – BC e CVM permitiram pirâmides
Abaixo, uma matéria detalhando como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários deixaram de agir frente à formação de pirâmides financeiras, permitindo que esquemas fraudulentos se consolidassem sob o olhar omisso das autoridades reguladoras.

02/12 – Tarcísio de Freitas e o Master
Este texto mostra como Tarcísio de Freitas se envolveu inadvertidamente no caso do Master, ilustrando a dimensão política do escândalo e os riscos de promiscuidade entre governo, mercado e instituições financeiras.

26/12 – Pirâmide era óbvia
Aqui, João Pacífico afirma que a pirâmide financeira do Master era evidente e que o mercado já tinha conhecimento das irregularidades, reforçando a suspeita de conivência ou omissão de players estratégicos do setor financeiro.

08/12 – Bobagens sobre advogados e o Master
Esta matéria critica as interpretações equivocadas sobre a atuação de advogados no caso Master, desmontando mitos destacados principalmente pelos jornalões.

11/12 – Fundo Bravo: golpe de R$ 72 bilhões
Nassif revela o esquema bilionário do Fundo Bravo, que se conecta ao Master, detalhando o tamanho do golpe e as implicações para investidores e para a credibilidade do mercado financeiro nacional.

23/12 – Malu Gaspar e reunião sigilosa
A jornalista Malu Gaspar expôs uma reunião que, embora chamada de sigilosa, teve ampla repercussão pública, mostrando a tentativa de encobrir decisões estratégicas relacionadas ao Master.

28/12 – Banco Master e R$ 160 milhões em patrocínio
O banco ligado ao Master destinou R$ 160 milhões em patrocínios à Globo, levantando suspeitas sobre a utilização de recursos ilícitos para fortalecer imagem institucional e influenciar a mídia.

07/01 – Banvox, Fundo Estocolmo e Gafisa
A matéria destaca lacunas nas investigações do Master, apontando que importantes atores financeiros como Banvox, Fundo Estocolmo e Gafisa ainda não haviam sido devidamente investigados, sugerindo omissões relevantes.

08/01 – Modelo Nelson Tanure e controle da Gafisa
Nassif analisa o papel do empresário Nelson Tanure e o controle da Gafisa, revelando a forma como grandes grupos corporativos se beneficiaram da estrutura do Master, ampliando o alcance da fraude.

11/01 – Maior crise institucional do mercado
O texto aponta que o Master representa a maior crise institucional do mercado financeiro brasileiro, afetando a confiança nas instituições, expondo vulnerabilidades regulatórias e revelando uma rede complexa de interesses.

14/01 – Polícia Federal chega a pontos-chave
A Polícia Federal começa a avançar sobre os principais núcleos financeiros do Master, indicando que as investigações estão alcançando agentes centrais e confirmando a dimensão sistêmica do esquema.

14/01 – PF avança contra núcleo financeiro
Complementando a matéria anterior, a PF intensifica ações contra o núcleo financeiro do Master, destacando a atuação coordenada para desmantelar a pirâmide e recuperar ativos desviados.

15/01 – Master, ponta do iceberg
Nassif sugere que o caso Master é apenas a ponta do iceberg, implicando que outros esquemas financeiros e irregularidades similares podem existir no mercado nacional, necessitando de investigações mais amplas.

15/01 – BTG e Vorcaro
O texto revela como o BTG pode facilitar manobras de desvio de patrimônio da liquidação do Master, envolvendo interesses corporativos e financeiros na proteção de ativos questionáveis.

15/01 – Promiscuidade de Brasília
Por fim, Nassif denuncia a promiscuidade institucional em Brasília, mostrando que todos os poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário — tiveram algum nível de envolvimento ou omissão no caso Master, amplificando os riscos de impunidade.

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Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN



sábado, 17 de janeiro de 2026

Dossiê: a estratégia brasileira para a nova guerra do agronegócio dos EUA sobre o Brasil. Artigo de Luis Nassif

 

Quando o Congresso dos EUA manda sua inteligência olhar para o agro brasileiro, é porque a guerra já começou – só não tem tiros.

Do Jornal GGN:


Com auxílio da Inteligência Artificial, apresentamos um dossiê amplo, sobre causas e consequências da guerra do agro, e as estratégias à disposição do Brasil, a partir do documento National Defense Authorization Act for Fiscal Year 2026, que cria um acompanhamento geopolítico estratégico sobre o agronegócio brasileiro.

CAPÍTULO 1 – O PREÇO DO ATRASO

Como os EUA acordaram tarde para a China no agro brasileiro

Quando o Congresso dos Estados Unidos decidiu obrigar por lei sua comunidade de inteligência a investigar os investimentos chineses no agronegócio brasileiro, fez algo raro: admitiu oficialmente uma derrota estratégica.

A Seção 6705 do National Defense Authorization Act 2026 não é um estudo acadêmico. É um pedido de socorro geopolítico. Pela primeira vez, Washington manda seus espiões olhar para o Brasil não como parceiro comercial, mas como campo de disputa com a China

1. A confissão que veio em forma de lei

Não é comum o Congresso legislar sobre onde a inteligência deve investigar. Quando isso acontece, significa que:

✔️ o problema já escapou do controle
✔️ a diplomacia falhou
✔️ o Executivo dormiu no ponto

Ao exigir que o Diretor Nacional de Inteligência avalie em 60 dias a presença chinesa no agro brasileiro, os EUA assumem:

“Perdemos espaço no celeiro do mundo.”

É a primeira vez, em décadas, que Washington admite em papel que outro país disputa seu poder sobre alimentos.

2. O alvo real não é terra – é poder

A definição legal de “setor agrícola” é propositalmente ampla:

• terras
• energia
• infraestrutura
• insumos
• logística

Ou seja:

Não é sobre fazenda.
É sobre quem controla silos, portos, ferrovias e contratos futuros.

A lei autoriza os EUA a tratarem como “agro” tudo que influencia:

🌾 produção
🚢 exportação
⚡ energia
📊 dados de estoque

É o controle invisível que preocupa.

3. O medo americano: comida como arma

O relatório exigido deve avaliar impactos na:

• cadeia global de suprimentos
• preços internacionais
• segurança alimentar mundial

Tradução geopolítica:

“E se a China decidir quem come e quanto paga?”

Nos bastidores, o receio é claro:

  • Pequim usar estoques como instrumento político
  • contratos fora do dólar
  • pressão inflacionária nos EUA

Comida vira:
🍽️ poder
📈 inflação
🗳️ voto

4. A guerra fria da soja

Durante décadas:
us EUA controlaram
• bolsas
• trading
• financiamento
• seguros

Agora:
🇨🇳 a China compra
• originação
• terminais
• infraestrutura
• dados

O Brasil virou:

o tabuleiro onde os gigantes jogam xadrez.

E os EUA chegaram atrasados para a partida.

5. Consequência interna: munição eleitoral

Como o relatório é obrigatório por lei, ele vira:

🔥 combustível político
🔥 arma partidária
🔥 munição eleitoral

Republicanos e democratas já disputam:

• quem “perdeu a América Latina”
• quem foi “fraco com a China”
• quem “abandonou o agro americano”

O tema vai parar:
🏛️ em audiências
📺 na TV
🗳️ na campanha

6. Retorno da Doutrina Monroe 4.0

O relatório é só o começo.

O que vem depois:

✔️ pressão diplomática
✔️ financiamentos “alternativos”
✔️ lobby contra investimentos chineses
✔️ condicionamento de acordos
✔️ narrativa de “segurança alimentar”

Tradução:

O quintal voltou a importar.

Só que agora o quintal é estratégico.

7. Risco de colisão com o Brasil

O dossiê americano cria um dilema para Brasília:

🔹 aceita pressão
🔹 mantém autonomia
🔹 equilibra EUA x China

Se o Brasil reagir:
• discurso de soberania
• recusa a ingerências
• defesa do multilateralismo

Washington pode responder com:
⚠️ mídia hostil
⚠️ think tanks
⚠️ pressão comercial

8. O custo do atraso

Os EUA agora terão que:

💰 investir mais
🕊️ reconstruir influência
📉 aceitar perda de controle
📈 disputar narrativa

Resumo:

O cheque geopolítico chegou.

Conclusão

O relatório sobre o Brasil não é sobre o Brasil.

É sobre:
🇺🇸 o medo americano
🇨🇳 a estratégia chinesa
🌎 quem controla o prato do mundo

A comida virou arma.
A soja virou míssil.
E os EUA acordaram quando o jogo já estava em andamento.

Quando o Congresso dos EUA manda sua inteligência olhar para o agro brasileiro, é porque a guerra já começou – só não tem tiros.

CAPÍTULO 2 – ENTRE DOIS IMPÉRIOS

Como o Brasil virou o campo de batalha da guerra alimentar global

Se para Washington o agro brasileiro virou ameaça estratégica, para Brasília o problema é outro: como sobreviver entre dois gigantes sem virar colônia de nenhum.

O Brasil não escolheu ser protagonista.
Foi empurrado para o centro do tabuleiro.

1. O dilema brasileiro: vender para quem compra

A matemática é simples:

🇨🇳 China
• maior compradora de soja
• maior destino do milho
• cliente-chave da carne

🇺🇸 EUA
• maior poder financeiro
• maior influência política
• maior pressão diplomática

Pergunta que ninguém responde em público:

Como agradar o comprador sem irritar o xerife?

2. O jogo duplo de Brasília

Nos bastidores:

✔️ acordos com a China
✔️ discursos de “soberania”
✔️ defesa do multilateralismo

No palco:

🤝 encontros com EUA
📜 promessas de transparência
🕊️ discurso de “equilíbrio”

Tradução:

O Brasil tenta dançar com dois parceiros sem pisar no pé de nenhum.

Missão quase impossível.

3. Quando investimento vira dependência

O problema não é capital estrangeiro.

É:
• concentração
• gargalo
• controle indireto

Exemplo:
Não importa quem é dono da fazenda.
Importa quem controla:

🚢 porto
📦 silo
📊 contrato
💰 crédito

Se o gargalo é estrangeiro:

a soberania vira teórica.

4. O risco invisível: dados agrícolas

Pouco discutido, mas crucial:

• produtividade
• estoque
• rotas
• safra futura

Quem tem esses dados:
📊 antecipa preços
📈 manipula mercado
💰 lucra antes do resto

O agro virou:

big data rural.

5. A nova pressão americana

Com o relatório em mãos, Washington poderá:

• questionar aquisições
• pressionar reguladores
• condicionar acordos
• usar o tema em fóruns internacionais

Tradução:

“Ou vocês se alinham, ou vamos complicar.”

Sem sanção oficial.
Só constrangimento diplomático.

6. A resposta chinesa: silêncio e capital

Pequim não responde com discurso.

Responde com:
💵 financiamento
🏗️ obras
🤝 joint ventures
📦 compra garantida

Estratégia:

Menos fala, mais cheque.

7. O agro brasileiro no meio do fogo cruzado

Produtores querem:
• preço
• crédito
• comprador certo

Pouco importa:
🇨🇳 ou 🇺🇸

O risco:

o setor virar peça de xadrez sem direito a voto.

8. O fantasma da tutela

Nos bastidores de Brasília cresce o temor:

• “interferência”
• relatórios estrangeiros
• pressão de embaixadas
• narrativas prontas

O Brasil já viu esse filme:

📽️ Guerra Fria
📽️ FMI
📽️ Consenso de Washington

E sabe como termina:

com soberania negociada em parcelas.

9. O que está realmente em jogo

Não é soja.
Não é milho.
Não é carne.

É:

🌎 poder
📊 controle
💰 moeda
🍽️ comida

Quem manda na comida:

manda no mundo.

Conclusão

O Brasil entrou na guerra sem querer.

Agora precisa decidir:

1️⃣ ser tabuleiro
2️⃣ ou virar jogador

Porque quem não joga: é jogado.

Entre a China que compra e os EUA que pressionam, o Brasil precisa escolher se quer ser ponte ou muro.

CAPÍTULO 3 – O MAPA DO PODER

Quem são e onde estão as empresas chinesas no agronegócio brasileiro

Se os EUA mandaram investigar o agro brasileiro, o alvo não são fazendas.
O alvo são as engrenagens invisíveis do sistema.

Quem controla:
📦 originação
🚢 escoamento
📊 dados
💰 financiamento

não precisa ser dono da terra.

1. A porta de entrada: trading, não trator

A China não entrou no Brasil comprando boi ou soja no varejo.
Entrou onde realmente manda:

👉 nas tradings globais.

COFCO – o braço do Estado chinês

A COFCO International virou uma das maiores compradoras de grãos do Brasil.

Ela controla:
• terminais portuários
• silos
• logística
• contratos de exportação

Tradução:

a China compra direto na fonte.

Não depende mais:
🇺🇸 Cargill
🇺🇸 ADM
🇺🇸 Bunge

O que isso significa?

Menos intermediação americana
Mais controle chinês da origem.

2. O jogo silencioso: joint ventures

A lei americana exige mapear joint ventures com empresas brasileiras.

Porque é aí que o controle fica invisível.

Modelo clássico:
• empresa brasileira “na vitrine”
• capital chinês no bastidor
• contratos de longo prazo
• preferência de compra

No papel:

parceria
Na prática:
dependência.

3. Sementes: onde nasce o poder

A China não quer só colher.
Quer definir o que nasce.

Syngenta (ex-ChemChina)

Hoje controlada por capital chinês, a Syngenta domina:

🌱 sementes
🧪 defensivos
📊 dados agronômicos

Ou seja:

quem controla a semente controla a safra futura.

4. Infraestrutura: os gargalos estratégicos

Aqui está o ponto-chave.

A China investe onde:

• soja passa
• milho escoa
• carne sai

Alvos típicos:

• portos do Arco Norte
• terminais fluviais
• ferrovias
• armazéns
• energia para agroindústria

Quem controla gargalo:

controla o ritmo do país.

5. Terra: menos compra, mais arrendamento

Diferente do discurso alarmista:

👉 A China não compra terra em massa.
Compra:

• arrendamentos
• direitos de uso
• garantias contratuais
• participação indireta

Assim:

evita conflito político
mantém controle prático.

6. O novo ouro: dados agrícolas

Pouco visível, mas decisivo:

• produtividade por região
• previsão de safra
• gargalos logísticos
• estoques

Quem tem isso:
📊 antecipa preços
📈 opera mercado futuro
💰 lucra antes de todo mundo

O agro virou:

big data rural.

7. Por que isso assusta os EUA

Porque historicamente:

🇺🇸 Wall Street controlava
• trading
• seguros
• financiamento
• hedge

Agora:
🇨🇳 Pequim controla
• originação
• logística
• dados

Ou seja:

o poder saiu da bolsa e foi para o porto.

8. O que o relatório americano vai procurar

Prepare-se para ver no documento:

✔️ lista de empresas
✔️ participações cruzadas
✔️ contratos de exclusividade
✔️ financiamentos
✔️ garantias ocultas
✔️ controle de infraestrutura

Não é caça às bruxas.
É mapa de guerra.

9. O silêncio estratégico de Brasília

O governo brasileiro:

• não divulga dados consolidados
• não tem política clara
• evita confronto
• finge normalidade

Enquanto isso:

o tabuleiro muda.

Conclusão

A presença chinesa no agro brasileiro:

❌ não é colonização clássica
❌ não é tomada de terras
✔️ é controle dos gargalos
✔️ é domínio da logística
✔️ é poder silencioso

Quem manda no porto: manda no país.

A China não compra o Brasil – ela compra as chaves do galpão.

CAPÍTULO 4 – O LOBBY QUE NÃO APARECE

Como os EUA operam nos bastidores do agronegócio brasileiro

Se a China compra com dinheiro, os EUA jogam com outra arma: influência.
Menos cheque. Mais pressão.

O relatório exigido pelo Congresso é só a parte visível do iceberg.
Abaixo da linha d’água existe um sistema organizado de lobby geopolítico.

1. A diplomacia que não sai na foto

Oficialmente:
🤝 encontros protocolares
📜 comunicados amistosos
🕊️ discursos sobre parceria

Nos bastidores:
• alertas reservados
• “briefings” a portas fechadas
• pressão sobre ministérios
• recados via embaixada

Tradução:

“Estamos observando.”

Sem ameaça explícita.
Só constrangimento estratégico.

2. Think tanks: a fábrica de narrativas

Antes da pressão política, vem a narrativa.

Quem produz:
• Atlantic Council
• CSIS
• Wilson Center
• Heritage Foundation

Temas recorrentes:
• “China captura o agro brasileiro”
• “Risco à segurança alimentar global”
• “Brasil vulnerável”
• “Influência autoritária”

Depois:
📰 vira matéria
📺 vira debate
🏛️ vira pauta no Congresso

O roteiro é conhecido.

3. A imprensa como instrumento

A pauta nasce em Washington
e chega traduzida:

“China amplia controle sobre o agro brasileiro”
“Pequim avança no celeiro do mundo”

Fontes:
• “oficiais que pediram anonimato”
• “relatórios vazados”
• “especialistas”

Tradução:

operação de opinião pública.

4. O cerco regulatório

Pressão não vem com tanque.
Vem com papel timbrado.

Os EUA podem:

• questionar licenças
• acionar organismos internacionais
• sugerir “boas práticas”
• pressionar CVM, CADE, Bacen
• condicionar financiamentos

Nada explícito.
Tudo “técnico”.

5. O agro americano em ação

Lobby pesado:

🌽 produtores de milho
🌾 sojicultores
🐄 pecuaristas

Objetivo:

dificultar a vida do concorrente brasileiro.

Como?
• barreiras sanitárias
• questionamento ambiental
• dumping
• subsídios cruzados

Guerra comercial sem declaração formal.

6. O papel das multinacionais

Empresas americanas:
• Cargill
• ADM
• Bunge

Elas:
• perderam mercado para a China
• pressionam Washington
• querem “campo nivelado”

Tradução:

Ou vocês nos ajudam, ou perdemos o jogo.

7. O uso político do relatório

Quando sair:

✔️ audiências no Congresso
✔️ manchetes
✔️ discursos duros
✔️ pressão sobre o Brasil

O documento vira:

arma diplomática.

8. O Brasil na berlinda

Brasília enfrenta:

• perguntas públicas
• pedidos de explicação
• insinuações
• constrangimento internacional

Se reage:

acusam de “alinhamento com a China”
Se não reage:
acusam de “submissão”.

É o xadrez da culpa.

9. O objetivo final

Os EUA querem:

• recuperar influência
• frear a China
• voltar a mandar no jogo
• reocupar espaço perdido

Não por altruísmo.
Por poder.

Conclusão

A disputa não é só econômica.
É psicológica, política e narrativa.

A China compra ativos.
Os EUA compram discurso.

E o Brasil: é o palco.

Enquanto a China investe, os EUA enquadram.

CAPÍTULO 5 – O SILÊNCIO DOS BARÕES

Como o agronegócio brasileiro reage à guerra geopolítica

Enquanto Washington investiga e Pequim investe, o agro brasileiro faz o que sempre fez melhor: calcula em silêncio.

Não há notas públicas.
Não há manifestos.
Não há posicionamento coletivo.

Só planilha.

1. O pragmatismo do produtor

No campo, a lógica é brutalmente simples:

Quem paga melhor, leva.

Para o produtor:
🇨🇳 China = comprador garantido
🇺🇸 EUA = pressão política

Ideologia?

Só na televisão.

Na fazenda:
📦 contrato
💰 preço
📆 prazo

2. O medo que não sai no jornal

Nos bastidores das associações:

• receio de retaliação americana
• medo de sanções indiretas
• insegurança regulatória
• temor de “lista negra”

Mas ninguém fala em público.

Porque: o agro odeia holofote quando é risco.

3. O lobby discreto

Enquanto o governo fala em soberania,
o agro opera:

🤝 reuniões reservadas
📞 telefonemas
📑 emendas silenciosas
🍽️ jantares estratégicos

Objetivo:

não virar alvo.

4. A divisão interna

O setor não é monolítico.

Exportadores

• defendem China
• querem estabilidade
• rejeitam ideologia

Tradings americanas

• pressionam contra a China
• falam em “risco geopolítico”

Produtor médio

• quer previsibilidade
• não quer guerra

Resultado:

racha silencioso.

5. O jogo duplo do agro

Em Brasília:
• discurso técnico
• defesa do mercado
• neutralidade

Em Pequim:
• contratos longos
• visita comercial
• expansão

Em freezing: dupla cidadania geopolítica.

6. O fantasma da punição

O medo real:

• bloqueio sanitário
• embargo informal
• investigação ambiental
• pressão financeira

Tudo pode ser usado como:

arma política.

7. O que ninguém quer admitir

O agro sabe:

sem a China, o Brasil quebra.

Ela compra:
• soja
• milho
• carne
• algodão

Em volume.
Em dólar.
Sem discurso.

8. A reação possível

Nos bastidores, surgem ideias:

• diversificar mercados
• reforçar UE
• ampliar Oriente Médio
• acordos com África

Mas: ninguém substitui a China.

9. O paradoxo

O setor que mais fala em “soberania”
é o mais dependente de um único comprador.

Ironia?

Não.
Economia.

Conclusão

O agro brasileiro não escolheu lado.

Escolheu:

sobreviver.

E numa guerra entre impérios,
sobrevivência é estratégia.

Enquanto os gigantes brigam, o produtor só quer colher.

CAPÍTULO 6 – A CORDA BAMBA

O governo Lula entre Washington e Pequim

Se o agro calcula em silêncio, o governo equilibra no fio da navalha.

De um lado:
🇺🇸 EUA
• pressão diplomática
• discurso de “segurança alimentar”
• relatórios de inteligência

Do outro:
🇨🇳 China
• maior parceiro comercial
• investimentos
• crédito
• contratos de longo prazo

No meio:
🇧🇷 Brasil
• soberania retórica
• dependência prática

1. A herança histórica

Lula conhece esse jogo.

Já enfrentou:
• FMI
• OMC
• pressão cambial
• guerra comercial

Aprendeu:

diversificar parceiros é sobrevivência.

É por isso que:
• aproxima-se da China
• mantém diálogo com EUA
• reforça BRICS
• fala em multipolaridade

2. O discurso público

Oficialmente:

🕊️ “O Brasil não escolhe lados”
🕊️ “Defendemos multilateralismo”
🕊️ “Queremos parceria com todos”

Mas nos bastidores:

• telefonemas tensos
• pressão por “alinhamento”
• pedidos de explicação
• relatórios circulando

Diplomacia em modo silencioso.

3. O relatório como instrumento de pressão

Quando o documento americano sair:

✔️ perguntas diretas ao Planalto
✔️ cobrança do Itamaraty
✔️ audiências no Congresso dos EUA
✔️ mídia internacional

Pergunta-chave:

“O Brasil virou área de influência chinesa?”

É uma armadilha retórica.

4. O risco eleitoral

Nos EUA:
• tema vira campanha
• China = inimigo
• Brasil = “caso de estudo”

No Brasil:
• oposição acusa alinhamento
• governo fala em soberania
• redes inflam

O agro vira:

palanque.

5. A carta que Lula tem

A força real:

📊 balança comercial positiva
🌽 peso global no alimento
🌎 liderança no Sul Global

Lula pode dizer:

“Sem o Brasil, o mundo passa fome.”

Não é bravata. É dado.

6. O perigo do erro

Se Lula:
➡️ se alinhar demais aos EUA
• perde China
• quebra exportação

➡️ se alinhar demais à China
• perde financiamento
• vira alvo político

Qualquer passo em falso:

cobra juros geopolíticos.

7. O jogo dos bastidores

O que já ocorre:

• emissários discretos
• diplomacia paralela
• recados via empresários
• pressão via imprensa

Nada oficial.
Tudo eficaz.

8. O dilema estrutural

O Brasil não é potência militar.
Mas é:

🌾 potência alimentar
⚡ potência energética
🌎 potência ambiental

Isso dá poder.
Mas também atrai disputa.

9. O que o governo tenta fazer

Estratégia:

✔️ diversificar mercados
✔️ reforçar UE
✔️ expandir África
✔️ usar BRICS
✔️ evitar confronto direto

Resumo:

ganhar tempo.

Conclusão

Lula não joga para vencer.

Joga para:

não perder.

E numa guerra entre gigantes,
empatar já é vitória.

Entre Washington e Pequim, o Planalto caminha como equilibrista: um passo em falso, e cai.

CAPÍTULO 7 – A ARMA SILENCIOSA

O risco de sanções e retaliações na guerra do agro

Nenhum país vai declarar guerra por soja.
Mas todos sabem:

sanção dói mais que míssil.

O relatório americano abre caminho para um arsenal invisível.

1. Como se pune sem parecer punição

Washington não precisa anunciar nada.

Basta:

• travar licenças
• endurecer regras sanitárias
• questionar certificações
• atrasar portos
• “revisar procedimentos”

Tudo legal.
Tudo técnico.
Tudo político.

2. O manual clássico de pressão

Já vimos esse filme:

🇮🇷 Irã
🇻🇪 Venezuela
🇷🇺 Rússia

O roteiro é sempre o mesmo:

1️⃣ relatório
2️⃣ narrativa
3️⃣ justificativa moral
4️⃣ sanção “técnica”
5️⃣ colapso econômico gradual

Não se chama guerra.
Chama-se “compliance”.

3. As armas possíveis contra o Brasil

Washington poderia usar:

• barreiras sanitárias
• restrições ambientais
• revisão de acordos
• pressão em bancos multilaterais
• trava de crédito
• ações na OMC

Tudo sem dizer:

“Estamos punindo vocês.”

4. O medo do agro

Nos bastidores:

• exportadores nervosos
• tradings em alerta
• seguradoras atentas
• bancos recalculando risco

A pergunta que ninguém faz em público:

“E se os EUA fecharem a torneira?”

5. A resposta chinesa

Se houver pressão americana:

🇨🇳 Pequim pode:

• ampliar compras
• antecipar contratos
• oferecer crédito
• financiar infraestrutura

Tradução:

blindagem comercial.

É o escudo chinês.

6. O efeito dominó

Se os EUA apertarem:

➡️ UE observa
➡️ fundos recuam
➡️ rating balança
➡️ câmbio reage
➡️ inflação sobe

Tudo conectado.

7. O dilema do Brasil

Reagir?
• vira “insubordinado”

Aceitar?
• vira “submisso”

Ficar neutro?
• vira “suspeito”

É o xadrez da pressão.

8. O fator ambiental

Aqui está a bomba:

🌳 desmatamento
🔥 queimadas
🐄 carbono

Qualquer deslize:

vira pretexto.

Ambiental é a nova sanção “limpa”.

9. O risco real

Não é embargo total.

É:

• aumento de custo
• perda de mercado
• insegurança jurídica
• retração de investimento

Morte lenta.

Conclusão

Sanção moderna não quebra.

sangra.

E quem sangra devagar
não aparece no jornal.

Hoje não se pune com tanque – se pune com formulário.

CAPÍTULO 8 – DE TABULEIRO A JOGADOR

Como o Brasil pode sair da guerra alimentar com poder próprio

Depois de sete capítulos de pressão, disputa e risco, sobra a pergunta central:

O Brasil vai continuar sendo o campo de batalha
ou vai sentar à mesa como jogador?

Porque poder não se herda.
Se constrói.

1. A vantagem que o Brasil ainda não usa

O país é:

🌎 maior exportador líquido de alimentos
🌽 líder em soja, milho, carne
⚡ potência energética
🌳 dono do maior bioma do planeta

Isso é:

alavanca geopolítica.

Mas o Brasil usa como:

commodity barata.

Erro histórico.

2. Estratégia nº1 – Vender poder, não volume

Hoje o Brasil vende:
• grão
• boi
• tonelada

Precisa vender:
• contrato estratégico
• previsibilidade
• segurança alimentar

Exemplo:

Acordos de longo prazo
com cláusulas de estabilidade
e preço mínimo.

Não é exportar soja.
É exportar segurança.

3. Estratégia nº2 – Infraestrutura sob controle nacional

Se o gargalo é o poder:

👉 o gargalo tem que ser brasileiro.

• portos
• ferrovias
• silos
• energia

Com:
• participação estatal estratégica
• fundos soberanos
• golden share
• regulação forte

Sem xenofobia.
Com soberania.

4. Estratégia nº3 – Dados são soberania

O novo petróleo do agro:

📊 dados de produção
📈 estoques
🗺️ rotas
🌾 previsão de safra

O Brasil precisa:

✔️ banco nacional de dados
✔️ controle público
✔️ proteção regulatória

Quem controla dados:

controla preço.

5. Estratégia nº4 – Multipolaridade real

Não é China x EUA.

É:

🇪🇺 Europa
🇸🇦 Oriente Médio
🇮🇳 Índia
🇯🇵 Japão
🇦🇫 África

Quanto mais compradores:

menos chantagem.

6. Estratégia nº5 – Agro como política externa

Hoje:
• Itamaraty fala de diplomacia
• agro fala de exportação

Tem que unificar:

diplomacia alimentar.

Missões:
• fechar contratos estratégicos
• criar alianças
• usar comida como soft power

Brasil como:

garantidor de estabilidade global.

7. Estratégia nº6 – Valor agregado

Chega de:

❌ vender grão
✔️ vender proteína
✔️ vender biotecnologia
✔️ vender alimentos processados

Quem industrializa:

manda no preço.

8. O papel do Estado

Não é estatizar.

É:
• regular
• planejar
• proteger gargalos
• usar BNDES estrategicamente
• criar fundos soberanos

O mercado sozinho:

não defende país.

9. O salto civilizatório

O Brasil pode ser:

1️⃣ fazenda do mundo
2️⃣ ou potência alimentar

A diferença:

política.

Conclusão geral da série

A guerra alimentar já começou.

Não com bombas.
Mas com contratos.

China compra.
EUA pressionam.
Brasil decide.

Ou vira:

tabuleiro.

Ou vira:

jogador.

Quem controla a comida controla o futuro – e o Brasil precisa decidir se vai entregar ou comandar.

Dossiê: a estratégia brasileira para a nova guerra do agronegócio

Com auxílio da Inteligência Artificial, apresentamos um dossiê amplo, sobre causas e consequências da guerra do agro, e as estratégias à disposição do Brasil.

CAPÍTULO 1 – O PREÇO DO ATRASO

Como os EUA acordaram tarde para a China no agro brasileiro

Quando o Congresso dos Estados Unidos decidiu obrigar por lei sua comunidade de inteligência a investigar os investimentos chineses no agronegócio brasileiro, fez algo raro: admitiu oficialmente uma derrota estratégica.

A Seção 6705 do National Defense Authorization Act 2026 não é um estudo acadêmico. É um pedido de socorro geopolítico. Pela primeira vez, Washington manda seus espiões olhar para o Brasil não como parceiro comercial, mas como campo de disputa com a China

1. A confissão que veio em forma de lei

Não é comum o Congresso legislar sobre onde a inteligência deve investigar. Quando isso acontece, significa que:

✔️ o problema já escapou do controle
✔️ a diplomacia falhou
✔️ o Executivo dormiu no ponto

Ao exigir que o Diretor Nacional de Inteligência avalie em 60 dias a presença chinesa no agro brasileiro, os EUA assumem:

“Perdemos espaço no celeiro do mundo.”

É a primeira vez, em décadas, que Washington admite em papel que outro país disputa seu poder sobre alimentos.

2. O alvo real não é terra – é poder

A definição legal de “setor agrícola” é propositalmente ampla:

• terras
• energia
• infraestrutura
• insumos
• logística

Ou seja:

Não é sobre fazenda.
É sobre quem controla silos, portos, ferrovias e contratos futuros.

A lei autoriza os EUA a tratarem como “agro” tudo que influencia:

🌾 produção
🚢 exportação
⚡ energia
📊 dados de estoque

É o controle invisível que preocupa.

3. O medo americano: comida como arma

O relatório exigido deve avaliar impactos na:

• cadeia global de suprimentos
• preços internacionais
• segurança alimentar mundial

Tradução geopolítica:

“E se a China decidir quem come e quanto paga?”

Nos bastidores, o receio é claro:

  • Pequim usar estoques como instrumento político
  • contratos fora do dólar
  • pressão inflacionária nos EUA

Comida vira:
🍽️ poder
📈 inflação
🗳️ voto

4. A guerra fria da soja

Durante décadas:
🇺🇸 EUA controlaram
• bolsas
• trading
• financiamento
• seguros

Agora:
🇨🇳 a China compra
• originação
• terminais
• infraestrutura
• dados

O Brasil virou:

o tabuleiro onde os gigantes jogam xadrez.

E os EUA chegaram atrasados para a partida.

5. Consequência interna: munição eleitoral

Como o relatório é obrigatório por lei, ele vira:

🔥 combustível político
🔥 arma partidária
🔥 munição eleitoral

Republicanos e democratas já disputam:

• quem “perdeu a América Latina”
• quem foi “fraco com a China”
• quem “abandonou o agro americano”

O tema vai parar:
🏛️ em audiências
📺 na TV
🗳️ na campanha

6. Retorno da Doutrina Monroe 4.0

O relatório é só o começo.

O que vem depois:

✔️ pressão diplomática
✔️ financiamentos “alternativos”
✔️ lobby contra investimentos chineses
✔️ condicionamento de acordos
✔️ narrativa de “segurança alimentar”

Tradução:

O quintal voltou a importar.

Só que agora o quintal é estratégico.

7. Risco de colisão com o Brasil

O dossiê americano cria um dilema para Brasília:

🔹 aceita pressão
🔹 mantém autonomia
🔹 equilibra EUA x China

Se o Brasil reagir:
• discurso de soberania
• recusa a ingerências
• defesa do multilateralismo

Washington pode responder com:
⚠️ mídia hostil
⚠️ think tanks
⚠️ pressão comercial

8. O custo do atraso

Os EUA agora terão que:

💰 investir mais
🕊️ reconstruir influência
📉 aceitar perda de controle
📈 disputar narrativa

Resumo:

O cheque geopolítico chegou.

Conclusão

O relatório sobre o Brasil não é sobre o Brasil.

É sobre:
🇺🇸 o medo americano
🇨🇳 a estratégia chinesa
🌎 quem controla o prato do mundo

A comida virou arma.
A soja virou míssil.
E os EUA acordaram quando o jogo já estava em andamento.

Quando o Congresso dos EUA manda sua inteligência olhar para o agro brasileiro, é porque a guerra já começou – só não tem tiros.

CAPÍTULO 2 – ENTRE DOIS IMPÉRIOS

Como o Brasil virou o campo de batalha da guerra alimentar global

Se para Washington o agro brasileiro virou ameaça estratégica, para Brasília o problema é outro: como sobreviver entre dois gigantes sem virar colônia de nenhum.

O Brasil não escolheu ser protagonista.
Foi empurrado para o centro do tabuleiro.

1. O dilema brasileiro: vender para quem compra

A matemática é simples:

🇨🇳 China
• maior compradora de soja
• maior destino do milho
• cliente-chave da carne

🇺🇸 EUA
• maior poder financeiro
• maior influência política
• maior pressão diplomática

Pergunta que ninguém responde em público:

Como agradar o comprador sem irritar o xerife?

2. O jogo duplo de Brasília

Nos bastidores:

✔️ acordos com a China
✔️ discursos de “soberania”
✔️ defesa do multilateralismo

No palco:

🤝 encontros com EUA
📜 promessas de transparência
🕊️ discurso de “equilíbrio”

Tradução:

O Brasil tenta dançar com dois parceiros sem pisar no pé de nenhum.

Missão quase impossível.

3. Quando investimento vira dependência

O problema não é capital estrangeiro.

É:
• concentração
• gargalo
• controle indireto

Exemplo:
Não importa quem é dono da fazenda.
Importa quem controla:

🚢 porto
📦 silo
📊 contrato
💰 crédito

Se o gargalo é estrangeiro:

a soberania vira teórica.

4. O risco invisível: dados agrícolas

Pouco discutido, mas crucial:

• produtividade
• estoque
• rotas
• safra futura

Quem tem esses dados:
📊 antecipa preços
📈 manipula mercado
💰 lucra antes do resto

O agro virou:

big data rural.

5. A nova pressão americana

Com o relatório em mãos, Washington poderá:

• questionar aquisições
• pressionar reguladores
• condicionar acordos
• usar o tema em fóruns internacionais

Tradução:

“Ou vocês se alinham, ou vamos complicar.”

Sem sanção oficial.
Só constrangimento diplomático.

6. A resposta chinesa: silêncio e capital

Pequim não responde com discurso.

Responde com:
💵 financiamento
🏗️ obras
🤝 joint ventures
📦 compra garantida

Estratégia:

Menos fala, mais cheque.

7. O agro brasileiro no meio do fogo cruzado

Produtores querem:
• preço
• crédito
• comprador certo

Pouco importa:
🇨🇳 ou 🇺🇸

O risco:

o setor virar peça de xadrez sem direito a voto.

8. O fantasma da tutela

Nos bastidores de Brasília cresce o temor:

• “interferência”
• relatórios estrangeiros
• pressão de embaixadas
• narrativas prontas

O Brasil já viu esse filme:

📽️ Guerra Fria
📽️ FMI
📽️ Consenso de Washington

E sabe como termina:

com soberania negociada em parcelas.

9. O que está realmente em jogo

Não é soja.
Não é milho.
Não é carne.

É:

🌎 poder
📊 controle
💰 moeda
🍽️ comida

Quem manda na comida:

manda no mundo.

Conclusão

O Brasil entrou na guerra sem querer.

Agora precisa decidir:

1️⃣ ser tabuleiro
2️⃣ ou virar jogador

Porque quem não joga: é jogado.

Entre a China que compra e os EUA que pressionam, o Brasil precisa escolher se quer ser ponte ou muro.

CAPÍTULO 3 – O MAPA DO PODER

Quem são e onde estão as empresas chinesas no agronegócio brasileiro

Se os EUA mandaram investigar o agro brasileiro, o alvo não são fazendas.
O alvo são as engrenagens invisíveis do sistema.

Quem controla:
📦 originação
🚢 escoamento
📊 dados
💰 financiamento

não precisa ser dono da terra.

1. A porta de entrada: trading, não trator

A China não entrou no Brasil comprando boi ou soja no varejo.
Entrou onde realmente manda:

👉 nas tradings globais.

COFCO – o braço do Estado chinês

A COFCO International virou uma das maiores compradoras de grãos do Brasil.

Ela controla:
• terminais portuários
• silos
• logística
• contratos de exportação

Tradução:

a China compra direto na fonte.

Não depende mais:
🇺🇸 Cargill
🇺🇸 ADM
🇺🇸 Bunge

O que isso significa?

Menos intermediação americana
Mais controle chinês da origem.

2. O jogo silencioso: joint ventures

A lei americana exige mapear joint ventures com empresas brasileiras.

Porque é aí que o controle fica invisível.

Modelo clássico:
• empresa brasileira “na vitrine”
• capital chinês no bastidor
• contratos de longo prazo
• preferência de compra

No papel:

parceria
Na prática:
dependência.

3. Sementes: onde nasce o poder

A China não quer só colher.
Quer definir o que nasce.

Syngenta (ex-ChemChina)

Hoje controlada por capital chinês, a Syngenta domina:

🌱 sementes
🧪 defensivos
📊 dados agronômicos

Ou seja:

quem controla a semente controla a safra futura.

4. Infraestrutura: os gargalos estratégicos

Aqui está o ponto-chave.

A China investe onde:

• soja passa
• milho escoa
• carne sai

Alvos típicos:

• portos do Arco Norte
• terminais fluviais
• ferrovias
• armazéns
• energia para agroindústria

Quem controla gargalo:

controla o ritmo do país.

5. Terra: menos compra, mais arrendamento

Diferente do discurso alarmista:

👉 A China não compra terra em massa.
Compra:

• arrendamentos
• direitos de uso
• garantias contratuais
• participação indireta

Assim:

evita conflito político
mantém controle prático.

6. O novo ouro: dados agrícolas

Pouco visível, mas decisivo:

• produtividade por região
• previsão de safra
• gargalos logísticos
• estoques

Quem tem isso:
📊 antecipa preços
📈 opera mercado futuro
💰 lucra antes de todo mundo

O agro virou:

big data rural.

7. Por que isso assusta os EUA

Porque historicamente:

🇺🇸 Wall Street controlava
• trading
• seguros
• financiamento
• hedge

Agora:
🇨🇳 Pequim controla
• originação
• logística
• dados

Ou seja:

o poder saiu da bolsa e foi para o porto.

8. O que o relatório americano vai procurar

Prepare-se para ver no documento:

✔️ lista de empresas
✔️ participações cruzadas
✔️ contratos de exclusividade
✔️ financiamentos
✔️ garantias ocultas
✔️ controle de infraestrutura

Não é caça às bruxas.
É mapa de guerra.

9. O silêncio estratégico de Brasília

O governo brasileiro:

• não divulga dados consolidados
• não tem política clara
• evita confronto
• finge normalidade

Enquanto isso:

o tabuleiro muda.

Conclusão

A presença chinesa no agro brasileiro:

❌ não é colonização clássica
❌ não é tomada de terras
✔️ é controle dos gargalos
✔️ é domínio da logística
✔️ é poder silencioso

Quem manda no porto: manda no país.

A China não compra o Brasil – ela compra as chaves do galpão.

CAPÍTULO 4 – O LOBBY QUE NÃO APARECE

Como os EUA operam nos bastidores do agronegócio brasileiro

Se a China compra com dinheiro, os EUA jogam com outra arma: influência.
Menos cheque. Mais pressão.

O relatório exigido pelo Congresso é só a parte visível do iceberg.
Abaixo da linha d’água existe um sistema organizado de lobby geopolítico.

1. A diplomacia que não sai na foto

Oficialmente:
🤝 encontros protocolares
📜 comunicados amistosos
🕊️ discursos sobre parceria

Nos bastidores:
• alertas reservados
• “briefings” a portas fechadas
• pressão sobre ministérios
• recados via embaixada

Tradução:

“Estamos observando.”

Sem ameaça explícita.
Só constrangimento estratégico.

2. Think tanks: a fábrica de narrativas

Antes da pressão política, vem a narrativa.

Quem produz:
• Atlantic Council
• CSIS
• Wilson Center
• Heritage Foundation

Temas recorrentes:
• “China captura o agro brasileiro”
• “Risco à segurança alimentar global”
• “Brasil vulnerável”
• “Influência autoritária”

Depois:
📰 vira matéria
📺 vira debate
🏛️ vira pauta no Congresso

O roteiro é conhecido.

3. A imprensa como instrumento

A pauta nasce em Washington
e chega traduzida:

“China amplia controle sobre o agro brasileiro”
“Pequim avança no celeiro do mundo”

Fontes:
• “oficiais que pediram anonimato”
• “relatórios vazados”
• “especialistas”

Tradução:

operação de opinião pública.

4. O cerco regulatório

Pressão não vem com tanque.
Vem com papel timbrado.

Os EUA podem:

• questionar licenças
• acionar organismos internacionais
• sugerir “boas práticas”
• pressionar CVM, CADE, Bacen
• condicionar financiamentos

Nada explícito.
Tudo “técnico”.

5. O agro americano em ação

Lobby pesado:

🌽 produtores de milho
🌾 sojicultores
🐄 pecuaristas

Objetivo:

dificultar a vida do concorrente brasileiro.

Como?
• barreiras sanitárias
• questionamento ambiental
• dumping
• subsídios cruzados

Guerra comercial sem declaração formal.

6. O papel das multinacionais

Empresas americanas:
• Cargill
• ADM
• Bunge

Elas:
• perderam mercado para a China
• pressionam Washington
• querem “campo nivelado”

Tradução:

Ou vocês nos ajudam, ou perdemos o jogo.

7. O uso político do relatório

Quando sair:

✔️ audiências no Congresso
✔️ manchetes
✔️ discursos duros
✔️ pressão sobre o Brasil

O documento vira:

arma diplomática.

8. O Brasil na berlinda

Brasília enfrenta:

• perguntas públicas
• pedidos de explicação
• insinuações
• constrangimento internacional

Se reage:

acusam de “alinhamento com a China”
Se não reage:
acusam de “submissão”.

É o xadrez da culpa.

9. O objetivo final

Os EUA querem:

• recuperar influência
• frear a China
• voltar a mandar no jogo
• reocupar espaço perdido

Não por altruísmo.
Por poder.

Conclusão

A disputa não é só econômica.
É psicológica, política e narrativa.

A China compra ativos.
Os EUA compram discurso.

E o Brasil: é o palco.

Enquanto a China investe, os EUA enquadram.

CAPÍTULO 5 – O SILÊNCIO DOS BARÕES

Como o agronegócio brasileiro reage à guerra geopolítica

Enquanto Washington investiga e Pequim investe, o agro brasileiro faz o que sempre fez melhor: calcula em silêncio.

Não há notas públicas.
Não há manifestos.
Não há posicionamento coletivo.

Só planilha.

1. O pragmatismo do produtor

No campo, a lógica é brutalmente simples:

Quem paga melhor, leva.

Para o produtor:
🇨🇳 China = comprador garantido
🇺🇸 EUA = pressão política

Ideologia?

Só na televisão.

Na fazenda:
📦 contrato
💰 preço
📆 prazo

2. O medo que não sai no jornal

Nos bastidores das associações:

• receio de retaliação americana
• medo de sanções indiretas
• insegurança regulatória
• temor de “lista negra”

Mas ninguém fala em público.

Porque: o agro odeia holofote quando é risco.

3. O lobby discreto

Enquanto o governo fala em soberania,
o agro opera:

🤝 reuniões reservadas
📞 telefonemas
📑 emendas silenciosas
🍽️ jantares estratégicos

Objetivo:

não virar alvo.

4. A divisão interna

O setor não é monolítico.

Exportadores

• defendem China
• querem estabilidade
• rejeitam ideologia

Tradings americanas

• pressionam contra a China
• falam em “risco geopolítico”

Produtor médio

• quer previsibilidade
• não quer guerra

Resultado:

racha silencioso.

5. O jogo duplo do agro

Em Brasília:
• discurso técnico
• defesa do mercado
• neutralidade

Em Pequim:
• contratos longos
• visita comercial
• expansão

Em freezing: dupla cidadania geopolítica.

6. O fantasma da punição

O medo real:

• bloqueio sanitário
• embargo informal
• investigação ambiental
• pressão financeira

Tudo pode ser usado como:

arma política.

7. O que ninguém quer admitir

O agro sabe:

sem a China, o Brasil quebra.

Ela compra:
• soja
• milho
• carne
• algodão

Em volume.
Em dólar.
Sem discurso.

8. A reação possível

Nos bastidores, surgem ideias:

• diversificar mercados
• reforçar UE
• ampliar Oriente Médio
• acordos com África

Mas: ninguém substitui a China.

9. O paradoxo

O setor que mais fala em “soberania”
é o mais dependente de um único comprador.

Ironia?

Não.
Economia.

Conclusão

O agro brasileiro não escolheu lado.

Escolheu:

sobreviver.

E numa guerra entre impérios,
sobrevivência é estratégia.

Enquanto os gigantes brigam, o produtor só quer colher.

CAPÍTULO 6 – A CORDA BAMBA

O governo Lula entre Washington e Pequim

Se o agro calcula em silêncio, o governo equilibra no fio da navalha.

De um lado:
🇺🇸 EUA
• pressão diplomática
• discurso de “segurança alimentar”
• relatórios de inteligência

Do outro:
🇨🇳 China
• maior parceiro comercial
• investimentos
• crédito
• contratos de longo prazo

No meio:
🇧🇷 Brasil
• soberania retórica
• dependência prática

1. A herança histórica

Lula conhece esse jogo.

Já enfrentou:
• FMI
• OMC
• pressão cambial
• guerra comercial

Aprendeu:

diversificar parceiros é sobrevivência.

É por isso que:
• aproxima-se da China
• mantém diálogo com EUA
• reforça BRICS
• fala em multipolaridade

2. O discurso público

Oficialmente:

🕊️ “O Brasil não escolhe lados”
🕊️ “Defendemos multilateralismo”
🕊️ “Queremos parceria com todos”

Mas nos bastidores:

• telefonemas tensos
• pressão por “alinhamento”
• pedidos de explicação
• relatórios circulando

Diplomacia em modo silencioso.

3. O relatório como instrumento de pressão

Quando o documento americano sair:

✔️ perguntas diretas ao Planalto
✔️ cobrança do Itamaraty
✔️ audiências no Congresso dos EUA
✔️ mídia internacional

Pergunta-chave:

“O Brasil virou área de influência chinesa?”

É uma armadilha retórica.

4. O risco eleitoral

Nos EUA:
• tema vira campanha
• China = inimigo
• Brasil = “caso de estudo”

No Brasil:
• oposição acusa alinhamento
• governo fala em soberania
• redes inflam

O agro vira:

palanque.

5. A carta que Lula tem

A força real:

📊 balança comercial positiva
🌽 peso global no alimento
🌎 liderança no Sul Global

Lula pode dizer:

“Sem o Brasil, o mundo passa fome.”

Não é bravata. É dado.

6. O perigo do erro

Se Lula:
➡️ se alinhar demais aos EUA
• perde China
• quebra exportação

➡️ se alinhar demais à China
• perde financiamento
• vira alvo político

Qualquer passo em falso:

cobra juros geopolíticos.

7. O jogo dos bastidores

O que já ocorre:

• emissários discretos
• diplomacia paralela
• recados via empresários
• pressão via imprensa

Nada oficial.
Tudo eficaz.

8. O dilema estrutural

O Brasil não é potência militar.
Mas é:

🌾 potência alimentar
⚡ potência energética
🌎 potência ambiental

Isso dá poder.
Mas também atrai disputa.

9. O que o governo tenta fazer

Estratégia:

✔️ diversificar mercados
✔️ reforçar UE
✔️ expandir África
✔️ usar BRICS
✔️ evitar confronto direto

Resumo:

ganhar tempo.

Conclusão

Lula não joga para vencer.

Joga para:

não perder.

E numa guerra entre gigantes,
empatar já é vitória.

Entre Washington e Pequim, o Planalto caminha como equilibrista: um passo em falso, e cai.

CAPÍTULO 7 – A ARMA SILENCIOSA

O risco de sanções e retaliações na guerra do agro

Nenhum país vai declarar guerra por soja.
Mas todos sabem:

sanção dói mais que míssil.

O relatório americano abre caminho para um arsenal invisível.

1. Como se pune sem parecer punição

Washington não precisa anunciar nada.

Basta:

• travar licenças
• endurecer regras sanitárias
• questionar certificações
• atrasar portos
• “revisar procedimentos”

Tudo legal.
Tudo técnico.
Tudo político.

2. O manual clássico de pressão

Já vimos esse filme:

🇮🇷 Irã
🇻🇪 Venezuela
🇷🇺 Rússia

O roteiro é sempre o mesmo:

1️⃣ relatório
2️⃣ narrativa
3️⃣ justificativa moral
4️⃣ sanção “técnica”
5️⃣ colapso econômico gradual

Não se chama guerra.
Chama-se “compliance”.

3. As armas possíveis contra o Brasil

Washington poderia usar:

• barreiras sanitárias
• restrições ambientais
• revisão de acordos
• pressão em bancos multilaterais
• trava de crédito
• ações na OMC

Tudo sem dizer:

“Estamos punindo vocês.”

4. O medo do agro

Nos bastidores:

• exportadores nervosos
• tradings em alerta
• seguradoras atentas
• bancos recalculando risco

A pergunta que ninguém faz em público:

“E se os EUA fecharem a torneira?”

5. A resposta chinesa

Se houver pressão americana:

🇨🇳 Pequim pode:

• ampliar compras
• antecipar contratos
• oferecer crédito
• financiar infraestrutura

Tradução:

blindagem comercial.

É o escudo chinês.

6. O efeito dominó

Se os EUA apertarem:

➡️ UE observa
➡️ fundos recuam
➡️ rating balança
➡️ câmbio reage
➡️ inflação sobe

Tudo conectado.

7. O dilema do Brasil

Reagir?
• vira “insubordinado”

Aceitar?
• vira “submisso”

Ficar neutro?
• vira “suspeito”

É o xadrez da pressão.

8. O fator ambiental

Aqui está a bomba:

🌳 desmatamento
🔥 queimadas
🐄 carbono

Qualquer deslize:

vira pretexto.

Ambiental é a nova sanção “limpa”.

9. O risco real

Não é embargo total.

É:

• aumento de custo
• perda de mercado
• insegurança jurídica
• retração de investimento

Morte lenta.

Conclusão

Sanção moderna não quebra.

sangra.

E quem sangra devagar
não aparece no jornal.

Hoje não se pune com tanque – se pune com formulário.

CAPÍTULO 8 – DE TABULEIRO A JOGADOR

Como o Brasil pode sair da guerra alimentar com poder próprio

Depois de sete capítulos de pressão, disputa e risco, sobra a pergunta central:

O Brasil vai continuar sendo o campo de batalha
ou vai sentar à mesa como jogador?

Porque poder não se herda.
Se constrói.

1. A vantagem que o Brasil ainda não usa

O país é:

🌎 maior exportador líquido de alimentos
🌽 líder em soja, milho, carne
⚡ potência energética
🌳 dono do maior bioma do planeta

Isso é:

alavanca geopolítica.

Mas o Brasil usa como:

commodity barata.

Erro histórico.

2. Estratégia nº1 – Vender poder, não volume

Hoje o Brasil vende:
• grão
• boi
• tonelada

Precisa vender:
• contrato estratégico
• previsibilidade
• segurança alimentar

Exemplo:

Acordos de longo prazo
com cláusulas de estabilidade
e preço mínimo.

Não é exportar soja.
É exportar segurança.

3. Estratégia nº2 – Infraestrutura sob controle nacional

Se o gargalo é o poder:

👉 o gargalo tem que ser brasileiro.

• portos
• ferrovias
• silos
• energia

Com:
• participação estatal estratégica
• fundos soberanos
• golden share
• regulação forte

Sem xenofobia.
Com soberania.

4. Estratégia nº3 – Dados são soberania

O novo petróleo do agro:

📊 dados de produção
📈 estoques
🗺️ rotas
🌾 previsão de safra

O Brasil precisa:

✔️ banco nacional de dados
✔️ controle público
✔️ proteção regulatória

Quem controla dados:

controla preço.

5. Estratégia nº4 – Multipolaridade real

Não é China x EUA.

É:

🇪🇺 Europa
🇸🇦 Oriente Médio
🇮🇳 Índia
🇯🇵 Japão
🇦🇫 África

Quanto mais compradores:

menos chantagem.

6. Estratégia nº5 – Agro como política externa

Hoje:
• Itamaraty fala de diplomacia
• agro fala de exportação

Tem que unificar:

diplomacia alimentar.

Missões:
• fechar contratos estratégicos
• criar alianças
• usar comida como soft power

Brasil como:

garantidor de estabilidade global.

7. Estratégia nº6 – Valor agregado

Chega de:

❌ vender grão
✔️ vender proteína
✔️ vender biotecnologia
✔️ vender alimentos processados

Quem industrializa:

manda no preço.

8. O papel do Estado

Não é estatizar.

É:
• regular
• planejar
• proteger gargalos
• usar BNDES estrategicamente
• criar fundos soberanos

O mercado sozinho:

não defende país.

9. O salto civilizatório

O Brasil pode ser:

1️⃣ fazenda do mundo
2️⃣ ou potência alimentar

A diferença:

política.

Conclusão geral da série

A guerra alimentar já começou.

Não com bombas.
Mas com contratos.

China compra.
EUA pressionam.
Brasil decide.

Ou vira:

tabuleiro.

Ou vira:

jogador.

Quem controla a comida controla o futuro – e o Brasil precisa decidir se vai entregar ou comandar.