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segunda-feira, 30 de agosto de 2021

A estratégia eleitoreira dos golpistas de direita

 

Há um cálculo frio por trás das declarações cada vez mais radicalizadas dos políticos da ultradireita. Eles sentem que a fatia eleitoral de seu grupo declina; em meio à queda, cada um se esfalfa para abocanhar a parte que lhe sobra do naco

Por Renato Sérgio de Lima e Marco Antônio Carvalho Teixeira, na Piauí

A revelação feita pelo repórter Marcelo Godoy, do Estadão, de que o coronel da PM Aleksander Lacerda, responsável pelo Comando de Policiamento do Interior da região de Sorocaba, em São Paulo, compartilhava em sua página pessoal no Facebook conteúdos com ataques antidemocráticos contra autoridades e poderes caiu como uma bomba de gás lacrimogêneo para enevoar a cena política que antecede o próximo Sete de Setembro – data vendida pelo discurso ultrarradical e golpista de apoio ao presidente Bolsonaro como uma “nova libertação do país”.

Um grande temor de que um golpe será tentado no dia 7 tomou conta da mídia e ocupou diversos analistas. E não à toa, pois o episódio do coronel Aleksander Lacerda trouxe um elemento até então menos visível, o fato de o coronel estar na ativa e, por norma, não poder fazer manifestações político-partidárias. Até então os porta-vozes da infiltração bolsonarista nas polícias eram da reserva e/ou estavam em cargos políticos.

Levantamento da consultoria Arquimedes feito a pedido da piauí mostra que na segunda, dia 23, dia da reportagem, as convocatórias para o dia 7 dominaram as redes sociais, e o caso do coronel Aleksander foi vastamente utilizado para criticar o governador João Doria e chamar para os atos programados. Nas postagens, os porta-vozes são, como esperado, da reserva, mas tentam inflar o episódio e destacar o fato de um policial da ativa falar abertamente. Ganhou destaque o chamado para as manifestações feito pelo ex-comandante da Rota Ricardo de Mello Araújo, que hoje preside a Ceagesp e, em 2017, ainda na ativa, disse que “abordagens policiais nos Jardins e na periferia têm de ser diferentes”.

Dois outros oficiais da reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) também tiveram destaque, sendo o primeiro o coronel Homero Cerqueira, que foi presidente do ICMBio durante a gestão de Ricardo Salles, quando a pasta do Meio Ambiente transferiu cerca de 19 milhões de reais para a PMESP oriundos de pagamentos de multas ambientais. Já o segundo, o deputado federal Coronel Tadeu, eleito por São Paulo pelo PSL em 2018 com 98.373 votos, anunciou a locação de cinquenta ônibus para policiais se deslocarem do estado todo para a Avenida Paulista.

A partir da movimentação deste último, o roteiro do golpe ficou mais explícito, passando pelo assédio e pela cooptação das forças policiais da ativa. Ou seja, radicalizar posições junto a um eleitorado visto como cativo e se tornar visível faz parte não só do processo de ruptura institucional. Caso ela não ocorra, ajuda na estratégia de fazer frente ao fim das coligações partidárias, tema ainda em discussão no Congresso, e tentar se reeleger em 2022. E isso mostra-se ainda mais forte quando constatamos que, ainda segundo a Arquimedes, das dez postagens das redes sociais sobre o Sete de Setembro que mais geraram engajamento, duas delas eram da deputada Carla Zambelli, também eleita por SP pelo PSL, com 76.306 votos, e uma das mais proeminentes representantes do bolsonarismo radical.

Dito de outra forma, 2018 foi um ano eleitoral muito atípico – e nada disso deve se repetir em 2022. Na última eleição presidencial, o antipetismo turbinou o bolsonarismo e criou um resultado artificial para o repaginado PSL, partido que se propôs a abrigar o capitão. Movidos pelo antipetismo, paulistas e paulistanos deram, somados, quase 3 milhões de votos a Eduardo Bolsonaro e Joice Hasselmann. No total, somando votos nominais e de legenda, o PSL recebeu 20,90% dos votos válidos para deputado federal, mais que o dobro dos 9,80% destinados ao PT, partido com mais de quarenta anos de existência e tido como o preferido dos brasileiros. Foi essa enxurrada de votos que possibilitou a eleição dos peselistas Coronel Tadeu e Carla Zambelli, entre outros,  já que sozinhos eles não chegariam nem perto do quociente eleitoral, que, em 2018, foi de 301,9 mil votos.

Além disso, o bolsonarismo está em baixa e, ao invés de atrair apoios fáceis como o Bolsodória em 2018, encontra dificuldades em angariar aliados. O PSL, por sua vez, rachou. Hasselmann é considerada estrela dissidente do bolsonarismo e hoje, junto com outra ex-estrela do PSL, Alexandre Frota, cerra as fileiras dos que pedem o impeachment do presidente. Eduardo Bolsonaro, assim como já aconteceu com Carlos Bolsonaro no Rio de Janeiro em 2020, deverá ver sua votação substancialmente diminuída.

Ou seja, a reeleição dos que permanecem fiéis ao bolsonarismo move a radicalização de seus discursos em busca sobretudo do eleitorado mais fiel ao “mito”. O episódio do coronel Aleksander caiu como uma luva para isso, pois envolveu João Doria, um dos principais antagonistas de Jair Bolsonaro, e um oficial da ativa da PMESP de São Paulo, cujo tamanho e história são chaves para a segurança de todo o país. O risco de esses bolsonaristas fiéis não se reelegerem aumenta exponencialmente o risco de erros de avaliação em relação ao que pode ser feito diante do comprometimento das polícias pelo bolsonarismo.

Na segurança pública, o bolsonarismo não é um pensamento único, mas hoje é a forma hegemônica por meio da qual os policiais compreendem o ser e fazer polícia no Brasil contemporâneo. As tentativas de radicalização e assédio protagonizadas por próceres bolsonaristas buscam criar um clima de mobilização e revolta entre os 650 mil policiais da ativa do país. Lembremo-nos de que o bolsonarismo, enquanto ideologia política, tem raízes históricas muito mais profundas do que a atuação direta do presidente Jair Bolsonaro durante os primeiros anos de sua gestão. Ele atualiza narrativas conservadoras e autoritárias que há séculos informam lugares institucionais, culturas organizacionais e representações sociais sobre como o Estado deve lidar com crime, medo e violência.

Assim, vemos que o grupo político de Bolsonaro tem investido ativamente na propagação de suas bandeiras e na formação política ideológica de policiais. Nos dois primeiros anos de mandato, o presidente Jair Bolsonaro já participou de 24 formaturas de militares ou policiais. As participações continuam em 2021 e, em junho, durante uma delas, o então comandante geral da PM do Distrito Federal encerrou a cerimônia oficial com o lema de campanha do presidente.

Olavo de Carvalho, astrólogo que se declara filósofo e é uma das grandes referências ideológicas da extrema direita brasileira, oferece gratuitamente, desde meados de 2019, seu curso online de filosofia para policiais brasileiros. O vereador no Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, filho do presidente e responsável pela comunicação de Bolsonaro nas redes sociais, reconheceu no seu perfil do Twitter que a oferta gratuita de cursos é uma “excelente estratégia para que as Forças de Segurança Pública possam se dispor a aprender mais sobre a cultura esquerdista maléfica que nos cerca […]”.

Tudo isso sob o aplauso e apoio de parcelas significativas da população. Pesquisa sobre medo da violência e a propensão a valores autoritários, de 2017, com base em um survey nacional que aplicou a famosa Escala F, de Theodor Adorno, calculou que, em uma escala de 1 a 10, o escore médio de apoio a posições autoritárias no país foi de 8,1. Entre as assertivas que mais se destacaram nesse estudo, a que se mostrou mais significativa foi a dimensão originalmente nomeada por Adorno como submissão à autoridade. Bolsonaro moldou-se perfeitamente ao perfil do imaginário social que vê a necessidade nacional de encontrar um “salvador”, que “coloque ordem na casa” e retome a “autoridade” perdida, segundo os discursos de ultradireita, para a agenda de direitos civis, políticos e sociais da Constituição brasileira.

A agenda de direitos foi e é vendida, portanto, como a responsável pela decadência “moral” e “cívica” da nação, não obstante termos visto que ela ainda é um projeto inconcluso no que diz respeito à segurança pública. Direitos coletivos e humanos têm sido associados a criminosos, enquanto são realçadas bandeiras como a defesa irrestrita da ampliação do porte e da posse e a revogação de qualquer política de controle e rastreabilidade de armas de fogo.

Há um reforço em temas morais e de costumes e, na medida em que a garantia da ordem social democrática inaugurada pela Constituição de 1988 é feita pelo Congresso Nacional e pelo STF (Supremo Tribunal Federal), por exemplo, o discurso bolsonarista busca desconstruir a legitimidade de tais poderes da República. Ataques contra integrantes desses poderes passam a ser parte do jogo político. A gravidade do problema aumenta exponencialmente quando esse projeto político e ideológico consegue mobilizar parcelas significativas dos policiais brasileiros a ponto de estes publicarem manifestações antidemocráticas aceitando que instituições da República sejam fechadas e que o presidente Jair Bolsonaro intervenha para romper com a ordem constitucional democrática do Brasil.

Isso é o que revela estudo do FBSP do ano passado, que mostra que o alinhamento ao discurso do bolsonarismo antidemocrático e radicalizado representa ao menos 12% de policiais militares, 7% de policiais civis e 2% de policiais federais que possuem contas nas redes sociais e interagem publicamente em grupos e páginas do Facebook. Se extrapolarmos a amostra do estudo, tais percentuais representam um grupo de aproximadamente 120 mil policiais convertidos para discursos golpistas e autoritários, que aceitariam rupturas institucionais sem maiores constrangimentos éticos ou morais. Tais percentuais não se resumem apenas aos apoiadores de Jair Bolsonaro. Revelam as visões de mundo que regem as representações sociais do conjunto dos policiais acerca de ordem social e pública. Nas redes sociais, apenas 68% dos policiais que criticaram o Congresso e o STF apresentaram interações diretas em ambientes ligados ao bolsonarismo radical. Ou seja, a força do discurso hiperconservador de Bolsonaro nas polícias é bem maior do que o engajamento em si dos policiais a um projeto político específico. Corroborando os números captados nas redes sociais, o instituto de pesquisa de opinião Atlas (2021) aplicou um survey especificamente junto a policiais e apurou que 21% deles (o equivalente a cerca de 140 mil policiais) são a favor da instalação de uma ditadura militar no Brasil.

Mas não é preciso uma ruptura radical para subverter o ordenamento democrático e colocar em risco a capacidade de o estado de direito lidar com suas forças de segurança. No plano do burocrata do nível da rua, a contaminação das tropas é algo já bastante visível, revelada pela quantidade cada vez maior de casos de policiais militares acusados de agir de forma político-partidária contra opositores do governo. Entre janeiro de 2020 e agosto de 2021, foram registrados ao menos dezessete casos de policiais militares atuando para reprimir ou prender adversários de Jair Bolsonaro, segundo levantamento do Estadão e do FBSP. Antes desses episódios, um primeiro caso ocorreu logo no início da gestão do atual presidente, quando a Polícia Militar do Estado de Minas Gerais proibiu um tradicional bloco de Carnaval da cidade de Belo Horizonte de desfilar fazendo críticas a Bolsonaro.

Seja como for, duas pesquisas, com metodologias diferentes (survey e tracking de redes sociais) e feitas por instituições diferentes, estimaram que entre 120 mil e 140 mil policiais aderiram ao discurso bolsonarista mais radical que defende medidas antidemocráticas e fechamento das instituições. Em termos comparativos, esses números representam cerca de 20% das forças policiais brasileiras. Bolsonaro reforçou, ao que tudo indica, uma tendência de conservadorismo dos policiais brasileiros que, associada ao quadro de disjunção política e organizacional da segurança pública do país, acende alertas importantes acerca da capacidade de contenção e/ou mitigação dos riscos de ruptura institucional.

A questão, portanto, não é apenas de convergência ideológica dos policiais. Bolsonaro se fortalece no amálgama de condições políticas, ideológicas, jurídicas e institucionais que dão forma ao modelo de ordem social e pública violento e desigual aceito e “naturalizado” pela maioria dos policiais brasileiros. Ao fazer isso, ele estimula que policiais não aceitem questionamentos ao seu projeto político e reprimam manifestações e movimentos sociais de oposição. A oposição passa a ser sinônimo de antipatriotismo, de “mal” e de desordem. Com o enfraquecimento de lideranças policiais tradicionais, que até o início da gestão de Jair Bolsonaro eram capazes de representar os anseios de suas categorias profissionais, os policiais assumem o culto da personalidade e da figura do “mito”, cuidadosamente construída pelos responsáveis pela comunicação do atual mandatário do Brasil. A nosso ver, esse é o principal risco da radicalização policial, o de confundir um líder populista com a própria noção de Estado, de Pátria e de Nação.

Polícias são instituições de Estado. Elas são o braço armado do Estado em tempos de paz e, se não reguladas, viram-se contra, até mesmo, os seus integrantes que destoam do pensamento hegemônico. A população está submetida à incerteza. Diante de tal quadro, o caso do coronel Aleksander serve para mostrar que, mesmo potencializados por políticos bolsonaristas, muitos deles oriundos das polícias, há problemas sérios que exigem a mobilização de governadores, Ministérios Públicos e Judiciário para que possamos interromper as rupturas democráticas já em curso. No planejamento de poder bolsonarista, o Sete de Setembro é só mais um passo para naturalizar a ideia de golpe e de ruptura. Por ele, as polícias são peça-chave mesmo que, ao fim e ao cabo, sejam esses mesmos policiais que, por serem da ativa, poderão ser processados e presos por motim ou revolta caso embarquem no canto da sereia da nau do capitão.


sábado, 16 de maio de 2020

O bolsonarismo faz do Estado brasileiro um puxadinho da própria casa. Por Marcos Vinícius Gontijo



  "A família Bolsonaro e seus aguerridos e inacreditáveis 30% — os quais eu não gostaria de inocentar sob a pecha de ruminantes — se comportam, sem dúvida, como se a praça dos Três Poderes fosse o quintal familiar, o qual aos domingos é preenchido pelos entes queridos em torno de uma abastada churrasqueira."


Do site de estudos e crítica jurídica Justificando:

O bolsonarismo faz do Estado brasileiro um puxadinho da própria casa


 Sexta-feira, 15 de maio de 2020

O bolsonarismo faz do Estado brasileiro um puxadinho da própria casa

Foto: Getty / Arte: Justificando


Por Marcos Vinícius Gontijo

Durante o período de entreguerras (1918-1940), há pouco mais de um século, assistiu-se à gradual crise do liberalismo, a qual envolvia à crise econômica de 1929, mas, fundamentalmente, à ascensão do fascismo nos países europeus e do nazismo alemão, com a nomeação de Adolf Hitler a chanceler do Reichtag em 1933, pelo então presidente conservador Paul von Hindenburg. Enquanto isso, no Brasil, testemunhou-se o fim da Primeira República (1889-1930), originado pelo conflito entre as elites políticas do período em torno das eleições presidenciais, que fomentara, em seguida, o golpe civil-militar, conhecido por Revolução de 1930, dando início a ainda chamada Era Vargas (1930-1945), período este contraditório na história brasileira. 

Durante o governo Vargas, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) foi responsável pela propaganda governamental, a qual era difundida até mesmo via livros didáticos[1], e que possuía semelhança direta com aquela produzida na Alemanha nazista pelo ministro da propaganda, Joseph Goebbels (1897-1945). Outra de suas funções era o controle e censura dos meios de comunicação e da produção artística.

Além disso, o varguismo se nutria do personalismo baseado no culto à imagem de Getúlio Vargas, aos modos da figura do Füher, da aproximação com as classes trabalhadoras e do intermédio das relações trabalhistas a partir da tônica do progresso, repleto de sentimentos nacionalistas e da exacerbação dos símbolos pátrios. Em 1937, um burburinho, que permite analogias ao incêndio do Reichtag em fevereiro de 1933, circulava sobre um suposto plano comunista de tomada do poder — uma espécie de parente distante das atuais fake News. A dita existência do intitulado Plano Cohen permitira que Getúlio Vargas decretasse estado de sítio em defesa da lei e da ordem, com o consequente fechamento do Congresso. A ação comunista nunca viera as vias de fato, pois se baseava em um documento fraudulento, como viera a se saber depois, forjado pelo capitão do exército Olímpio Mourão Filho. Em seguida, instaurou-se o chamado Estado Novo, nome que buscava aparentar a ruptura com a chamada “República Velha”, logo, com a “velha política”. 

Entre os anos de 1937 e 1945, o Brasil fora governado por um Estado autoritário, no seio do qual intelectuais, jornalistas e figuras públicas foram perseguidos e aprisionados, ao mesmo tempo em que a sociedade era gerida pelas vias da negação e da negligência das diferenças e contradições que continha em si mesma. Essa é uma característica comum dentre os regimes fascistas e totalitários, os quais procuravam, de acordo com a historiadora Maria Helena R. Capelato, “impedir a expressão de conflitos e manifestações autônomas com sentido de oposição, [negando] o princípio da pluralidade da vida social, característica das experiências democráticas, substituindo-o pela proposta de construção de uma sociedade unida e harmônica”.[2]

É nesse contexto que fora publicado pela primeira vez o ensaio que ao lado de Casa-grande & senzala (1933), de Gilberto Freyre, e Formação do Brasil contemporâneo (1942), de Caio Prado Jr., que compôs a tríade fundamental da historiografia brasileira — sejam feitas as críticas, por favor. Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Hollanda, em 1936, procurava por saídas diante da fragilização das instituições democráticas e do retraimento do liberalismo no país. Desse modo, uma das respostas sugeridas pelo ensaio é como a formação da sociedade brasileira, desde a colônia, esteve acompanhada do desenvolvimento e enraizamento das projeções das relações familiares, isto é, da esfera privada, sobre as relações formais, legais, burocráticas, atingindo, por fim, a própria individualidade, ou seja, aquelas peculiares à esfera pública. Cunhou-se, portanto, o conceito a partir do termo, apropriado do escritor Ribeiro Couto, de “homem cordial”. Este que é, equivocadamente, interpretado e restringido pelo senso comum à hospitalidade, bonança, carisma e festividade do caráter brasileiro. Entretanto, o significado dessa cordialidade vai além, sendo mais crítico do que lisonjeiro. 
 A definição etimológica de cordial, segundo o dicionário Houaiss, deriva do latim cordialis, isto é, aquilo que é relativo ao coração. Em Raízes do Brasil, no entanto, o termo ultrapassa a intimidade sentimental do sujeito cordial, pois demonstra como tal cordialidade produz certa adversidade para com as relações formais, típicas do mundo do trabalho e da esfera pública. O homem cordial, portanto, é aquele que é resistente às características do individualismo e da imparcialidade das instituições e das relações externas à família. Sérgio Buarque vai direto ao ponto, logo no início do nono capítulo: “O Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda menos, uma integração de certos argumentos, de certas vontades particularistas, de que a família é o melhor exemplo. Não existe, entre o círculo familiar e o Estado, uma gradação, mas antes uma descontinuidade e até uma oposição.”[3] Como que para suprir a distância necessária à dinâmica pública, a cordialidade estenderia as relações familiares de modo a gerir aquilo que lhe é externo ao seu favor. 
O chamado “jeitinho brasileiro” é produto dessa marca cultural, bem como o é, por lógica, a corrupção. O patrão que trata o empregado como um membro da família e o empregado que age como se o patrão lhe fizesse um favor ao empregá-lo; o infrator, pego alcoolizado no volante, que procura se aproximar do policial à procura de um sentimento de camaradagem fraternal; ou uma figura política que compreende que o cargo público lhe confere o direito de ceder espaços aos familiares no interior de instituições públicas ou a direção da Política Federal aos amigos, são características que demonstram essa confusão entre o público e o privado. 
Esse equívoco ainda faz parte da nossa realidade. Getúlio Vargas, ao modo do que havia de mais moderno na comunicação do período, imprimia seu rosto no papel-moeda, aparecia em fotografias abraçando e beijando crianças, entrava nas casas através do rádio. Fomentava na população um sentimento de proximidade e de um comprometimento paternal com o povo, como se este fosse um só. Quase um século depois, assistimos a lives, cada um de seu aparelho, como telespectadores que adentram em um pequeno espaço da intimidade daqueles que transmitem. Algumas figuras, como a do atual presidente aparece de chinelo, roupas esportivas e até mesmo sentado diante de uma mesa caótica após um confortável café da tarde em família. 

Essas imagens que circulam pelos nossos aparelhos veiculam uma mensagem, podem parecer espontâneas pelo fato da figura maior do Poder Executivo aparecer com a barriguinha de fora e uma quase corriqueira coronha de pistola sobressaindo pela cintura do calção, porém não o são. Produzem um efeito de espontaneidade procurando demonstrar que Bolsonaro não age “para inglês ver”, tudo ali é verdadeiro, é isso que ele é, não faz politicagem, ou melhor, representa a negação da “velha política”. Para comprovar essas afirmações, desrespeita as regras gramaticais, apela para a deselegância, desacata autoridades públicas e falta com o decoro parlamentar. Afinal, ele só está falando o que pensa e sendo o que ele é, desvirtuando a definição básica de ética e liberdade de expressão: não se pode ser livre aquele que vai de encontro com a liberdade e o bem-estar de terceiros. Como na década de 1930, salvo as diferenças históricas, claramente, Bolsonaro chama para si mesmo a novidade ao romper com algo que, supostamente, era antigo. Contudo não há nada de novo “nisso daí”, pelo contrário, Bolsonaro e outras figuras obscuras da política brasileira atual apelam para as reminiscências e resquícios do que há de mais arcaico em nossa sociedade e na trágica história do século XX.

Outra característica das imagens do ambiente familiar bolsonarista é relativa aos sujeitos que nelas aparecem, quando há alguém além de Bolsonaro. Em geral, no centro da imagem aparece o pai e, em seu redor, os filhos. Observa-se aí não só a família, mas a lógica patriarcal que a sustenta. Esta carrega e defende, ao mesmo tempo, uma perspectiva educacional e, por isso, didática. Os filhos são educados em prol da família, para a ela servirem, e não para o convívio social. É gerida, sobretudo, pela obediência cega e acrítica: a figura paterna tudo sabe e tudo pode. Não espanta que um dos projetos bolsonaristas seja a educação domiciliar. Os filhos devem ser uma progressão da família e não de indivíduos distintos e autônomos em relação aos pais. O historiador brasileiro afirmava, nesse sentido, que nos lugares onde esse tipo de formação predomina, sobretudo se patriarcal, a transformação social  “tende a ser precária e a lutar contra fortes restrições à formação e evolução da sociedade segundo conceitos atuais”[4]. Isto é, o conservador é aquele que nega as transformações históricas sob a ilusão de manutenção de costumes inertes ligados, em especial, à família, que, na verdade, já se alteraram, embora sejam utilizados para legitimar ações e perspectivas autoritárias no presente.

A família Bolsonaro e seus aguerridos e inacreditáveis 30% — os quais eu não gostaria de inocentar sob a pecha de ruminantes — se comportam, sem dúvida, como se a praça dos Três Poderes fosse o quintal familiar, o qual aos domingos é preenchido pelos entes queridos em torno de uma abastada churrasqueira. Quando esse espaço é ocupado por ideias, posicionamentos e corpos distintos, como a manifestação dos profissionais da saúde, ficam ouriçados, agressivos e se comportam como se o espaço público fosse como aquelas “pessoas da sala de jantar”. Enquanto a enfermeira e os jornalistas são perseguidos e humilhados, o presidente estaciona o jet-ski ao lado de uma lancha, todo bonachão, para trocar um dedo de prosa e tecer comentários irresponsáveis e canalhas sobre a vida pública atual do país que ele supostamente deveria governar. Pode ser que até governe, mas governa para os seus, ninguém mais. Esta cena, em particular, é sintomática acerca dessa suposta civilidade da classe média, a qual a filósofa Marilena Chaui tão bem analisa e critica, o bonacheirão presidencial desfrutando da tranquilidade do passeio em um jet-ski estaciona, amigavelmente, para conversar com os eleitores, ao passo que o policial, sentado em sua garupa, representa o medo, a violência, a canalhice e o caráter fascista de Bolsonaro e de seus eleitores. Uma sensação traduz o cenário: o mal-estar causado pelo absurdo. O mesmo sentimento produzido pela fala de Regina Duarte, para quem a morte e a dor alheias são apenas incômodas pela “morbidez”, um incômodo que atrapalha seu mundinho ensolarado e patético. Uma completa banalização do horror, de um cheiro tenebroso de fascismo.

Enfim, esse texto não tem a presunção de resumir esse show de horrores chamado bolsonarismo, no qual, infelizmente, vivemos — contra o qual, em contrapartida, felizmente podemos lutar. Pretende, talvez, salientar as características estruturais que persistem em nossa sociedade, não obstante a peculiaridade histórica desse período. O patrimonialismo, o autoritarismo e a repulsa à democracia não têm nada de novo, assim como não tem o desejo de fazer do Estado brasileiro um puxadinho da própria casa, como o faz a família Bolsonaro e seu séquito.


Marcos Vinícius Gontijo é pesquisador e historiador, mestre em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e doutorando em História e Culturas Politicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Notas:
[1] À direita, imagem publicada em cartilha escolar, “A juventude no Estado Novo”, publicada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) durante o Estado Novo. Nela Getúlio Vargas interage com estudantes de forma sorridente e paternal. À esquerda, Adolf Hitler, representado em situação semelhante pela propaganda nazista à Juventude Hitlerista. A estética de ambas as imagens é semelhante, a imagem do líder aparece engrandecida em virtude da perspectiva em contra-plongée, isto é, de baixo para cima. Além disso, estão sorridentes e afetuosos, como pais zelosos do futuro da nação.
[2] CAPELATO, Maria Helena R. Multidões em cena: propaganda política no varguismo e no peronismo. Campinas: Papirus, 1998, p. 19.
[3] HOLLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 141.
[4] HOLLANDA, op. cit., p. 144.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Com um ‘bullshiter’ no Planalto, covid-19 pode virar a peste negra brasileira, evidencia o jornal alemão Deutsche Welle




Se o coronavírus infectar milhares de brasileiros nas próximas semanas, o maior culpado já tem nome: Jair Bolsonaro. O Brasil é governado por um psicopata que age de forma criminosa, escreve Philipp Lichterbeck.


Em 15 de março, Bolsonaro participou de protestos que havia pedido para serem cancelados

do jornal Deutsche Welle

Com um ‘bullshiter’ no Planalto, covid-19 pode virar a peste negra brasileira

por Philipp Lichterbeck

Antes das eleições de 2018, escrevi aqui sobre a hostilidade do bolsonarismo em relação à ciência. Agora, está comprovado aonde isso leva. Direto para a catástrofe. A situação no Brasil pode muito bem ser comparada à Idade Média na Europa. Naquela época, o fanatismo religioso fez com que fossem esquecidos os conhecimentos dos gregos e romanos no campo da higiene. Um resultado: a peste negra atravessou a Europa e matou milhões que nem sabiam como pegaram a doença, porque o veículo de transmissão – pulgas que passavam de ratos para humanos – era desconhecido.
A covid-19 é a peste negra do Brasil. Se o novo coronavírus fizer com que milhares de brasileiros adoeçam nas próximas semanas e levar não apenas o sistema de saúde, mas também a sociedade brasileira à beira do caos, haverá para isso um principal culpado. O nome dele é Jair Bolsonaro, ele é chefe de Estado de 210 milhões de pessoas e disse que não se importa com o coronavírus. Ele age de forma criminosa. O Brasil é liderado por um psicopata, e o país faria bem em removê-lo o mais rápido possível. Razões para isso haveria muitas. Também não parece mais absurdo que os generais já estejam fartos do caos que o presidente está causando, enquanto uma pandemia ameaça o Brasil.
O problema não é apenas a maldade do presidente, que, por vaidade e cálculo político, coloca em risco a vida de centenas de pessoas e desrespeita acintosamente as recomendações da Organização Mundial da Saúde. É, antes, sua limitação cognitiva. A visão de mundo de Bolsonaro e de seus seguidores é, na sua primitividade, algo difícil de superar. Tudo o que é complexo demais para eles, descrevem como invenção da mídia e dos comunistas. Foi o que o bispo Edir Macedo, chefe da medieval IURD, acabou de dizer, literalmente, sobre o coronavírus.

O colunista da DW Brasil, Philipp Lichterbeck
O colunista da DW Brasil, Philipp Lichterbeck

Já em 2019 foi possível ver até onde a hostilidade à ciência do bolsonarismo pode levar, quando o presidente demitiu um dos cientistas mais respeitados do país ao ficar contrariado com seus dados sobre os incêndios florestais na Amazônia. Isso deveria ter sido um aviso. Porque decisões responsáveis são tomadas com base no conhecimento, e não no delírio. Quando se trata de resolver problemas reais, como a pandemia do coronavírus, a verdade tem uma clara vantagem prática: ela funciona. E, da mesma forma: quem sabe muito, se torna humilde; quem sabe pouco, arrogante. E arrogância é, definitivamente, algo que não falta a este presidente e à sua turma.
Na Europa e, especialmente, na Ásia, vê-se agora como a ciência é importante para lidar com a pandemia do coronavírus. Aumenta novamente a demanda por cientistas e políticos sóbrios, enquanto os populistas, com suas mentiras e teorias da conspiração, são postos de lado. A situação é extrema demais para ser relegada a extremistas. Mas no Brasil, o extremista ocupa o mais alto cargo do Estado.
O governo brasileiro teve tempo suficiente para evitar o pior quando os dois primeiros casos de covid-19 foram notificados em São Paulo. Se o governo cuidasse do bem-estar dos brasileiros, rapidamente teria começado a restringir a vida pública e a preparar a população. Hoje, se conhece, a partir dos exemplos de China, Itália, Espanha e França, a forma rápida e devastadora com que o coronavírus pode se espalhar. Também está claro que isso não interessa ao presidente e a seus seguidores.
O filósofo Harry G. Frankfurt escreve em seu livro On Bullshit (Sobre falar merda) que o “bullshitter” é pior que o mentiroso, porque este último ainda tem pelo menos uma conexão com a verdade que ele nega. Já o bullshitter não se importa com nada. Ele diz qualquer absurdo para agradar seus seguidores e satisfazer sua vaidade.
Se o bullshitter é seu vizinho José ou sua tia Márcia, pode até ser bastante divertido. Mas se o bullshitter é o presidente do Brasil e se, ao mesmo tempo, o país enfrenta uma pandemia, então realmente é possível que venha o pânico contra o qual todos estão alertando. O problema não se chama coronavírus. Ele se chama Bolsonaro. O tempo está voando.
—
Philipp Lichterbeck queria abrir um novo capítulo em sua vida quando se mudou de Berlim para o Rio, em 2012. Desde então, ele colabora com reportagens sobre o Brasil e demais países da América Latina para jornais na Alemanha, Suíça e Austria. Ele viaja frequentemente entre Alemanha, Brasil e outros países do continente americano. Siga-o no Twitter em @Lichterbeck_Rio.

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domingo, 15 de março de 2020

O imponderável matou Bebianno na data do assassinato de Marielle?


  "Os Bolsonaros são hospedeiros da desesperança e da morte. Esta semana, conseguiram a façanha da suspeita de que teriam contaminado Trump. A comitiva dos Bolsonaros saiu na capa do New York Times como uma ameaça contagiosa ao homem mais poderoso do mundo."



Do Brasil 247:

Ministro de Estado da Economia, Paulo Guedes e Jair Bolsonaro
Ministro de Estado da Economia, Paulo Guedes e Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR)


Para Moisés Mendes, do Jornalistas pela Democracia, "o imponderável pode fazer com que a semana que vem não seja dos Bolsonaros, mas de Paulo Guedes", cuja "aparência nunca foi tão depressiva". "A estranha morte de Gustavo Bebianno já fechou a quota de Bolsonaro pelos próximos dias", diz ele


Por Moisés Mendes, para o Jornalistas pela Democracia - É impossível prever, mesmo como brincadeira de bêbados, o que o mundo dos Bolsonaros – o pai, os filhos, os milicianos, os amigos e os ex-amigos – pode produzir de esdrúxulo ou assombroso nos próximos dias.
O imponderável, no mundo dos Bolsonaros, não é apenas imponderável. Morrem mais ex-aliados no mundo dos Bolsonaros do que portadores do coronavírus em todo o Brasil.
Os Bolsonaros são hospedeiros da desesperança e da morte. Esta semana, conseguiram a façanha da suspeita de que teriam contaminado Trump. A comitiva dos Bolsonaros saiu na capa do New York Times como uma ameaça contagiosa ao homem mais poderoso do mundo.
E ainda foram acusados de transmitir notícia falsa a uma emissora da direita. Um Bolsonaro é capaz de ser entrevistado por uma emissora de TV americana para dizer que não disse o que a emissora garante que ele disse horas antes. E a emissora sacaneada por Eduardo Bolsonaro é a poderosa Fox, amiga deles.
No Brasil, o imponderável nos apresenta Bolsonaro num dia desqualificando o coronavírus, e no outro dia seu secretário de Comunicação adoece. E no dia seguinte o próprio Bolsonaro aparece com máscara por causa de um possível contágio pelo coronavírus.
De Miami, o prefeito da cidade manda dizer que foi contaminado pela peste depois de encontro com a comitiva de Bolsonaro que esteve na Flórida. Os Bolsonaros já estão consagrados como espalhadores de doença.
Mas Bolsonaro já não é visto como presidente. Nem pelos que votaram nele. Os que o apoiam sabem que continua cumprindo a missão de ser o antiPT, o anticomunista, antigay, mas não comanda nem lidera nada. O mercado financeiro também sabe.
Bolsonaro virou um traste do fascismo sob a proteção de um grupo de militares. Ninguém quer saber o que Bolsonaro pensa do desastre da economia, da queima de reservas, da explosão do dólar, do desemprego e do fato de que Rodrigo Maia é que governa.
Racionalmente, não importa o que Bolsonaro pensa de qualquer assunto, muito menos do coronavírus. O que interessa é ver sua performance, como curiosidade, e tirar algum proveito do grotesco do fato produzido.
Mas o imponderável pode fazer com que a semana que vem não seja dos Bolsonaros, mas de Paulo Guedes. A estranha morte de Gustavo Bebianno já fechou a quota de Bolsonaro pelos próximos dias.
Pode ser a vez de Guedes. Nunca, desde que assumiu, a aparência de Guedes foi tão depressiva. Guedes já não tem mais do que dizer, porque já pediu o AI-5, já falou mal das domésticas e já comemorou o aumento do PIB de 1,1%. Agora, diz que o Brasil tem “dinâmica econômica”.
Se alguém ligar a TV neste momento, Guedes estará repetindo que o Brasil tem dinâmica econômica. Que a prosperidade muitas vezes é impalpável.
Poderá ser dele o próximo imponderável. Não será mais, por um bom tempo, de Damares, de Araújo ou de Weintraub. Há muito tempo não é de Carluxo, com seu repertório infantil e manjado.
Se o imponderável do mundo dos Bolsonaros matou Gustavo Bebianno na mesma data do assassinato de Marielle, o que o pode estar preparando para mostrar ainda antes da Páscoa? É a vez de Paulo Guedes.


sexta-feira, 13 de março de 2020

Estupidez olavista-bolsonarista recebe lição de moral até de vírus, diz Reinaldo Azevedo



Reinaldo Azevedo aponta em sua coluna a ironia de uma doença que atinge radicais olavistas

Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo (Foto: Reprodução/Youtube)


247 – O jornalista Reinaldo Azevedo escreve em sua coluna desta sexta-feira sobre a pandemia que se alastra pelo governo Bolsonaro. "A estupidez impune no governo federal e no entorno de Bolsonaro é de tal ordem que essa gente está recebendo lição de moral até de microorganismo. Sim, é uma ironia. Aqueles seres insidiosos, até onde a ciência pode alcançar, são amorais e agnósticos. Fabio Wajngarten, que comanda a guerra que Bolsonaro decidiu travar contra a imprensa, voltou de Miami com a covid-19. Estão, pois, sob observação o presidente da República, todos os que integraram a comitiva e, ora vejam!, até Donald Trump", diz ele. Saiba mais sobre o caso:
(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro foi submetido a exame para o novo coronavírus depois que o secretário de Comunicação da Presidência da República teve a doença confirmada, mas não apresenta sintomas da doença, disse o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, em publicação no Twitter.
Bolsonaro, que cancelou viagem que faria nesta quinta-feira para o Rio Grande do Norte, está aguardando o resultado do exame, acrescentou o parlamentar.
O secretário de Comunicação da Presidência da República, Fábio Wajngarten, que acompanhou Bolsonaro em viagem aos Estados Unidos, foi contaminado com o novo coronavírus, informou mais cedo a Secretaria de Comunicação (Secom) em comunicado.