Investigação confirma denúncias do GGN sobre "plataforma" de lavagem de dinheiro; grupo tentou comprar Banco Master antes de quebra.
Do Jornal GGN:
PF mira CEO do Grupo Fictor em esquema que une “Faria Lima” e Comando Vermelho
ReproduçãoA Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (25) a Operação Fallax, confirmando as suspeitas levantadas pelo GGN em série de reportagens investigativas. O principal alvo das buscas é Rafael de Gois, CEO e fundador do Grupo Fictor, suspeito de chefiar uma estrutura financeira que movimentou R$ 500 milhões e serviu como “plataforma” de lavagem de dinheiro para a facção criminosa Comando Vermelho (CV).
Ao todo, os agentes cumprem 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Embora Rafael de Gois e o ex-sócio Luiz Rubini sejam alvos centrais da operação, com buscas em seus endereços na capital paulista, a Justiça Federal determinou também o sequestro de R$ 47 milhões em bens e a quebra de sigilo de 172 empresas ligadas ao conglomerado.
O “Dossiê GGN” e a engenharia do golpe
Há meses, o GGN detalhou a fragilidade e a opacidade das operações da Fictor. A investigação jornalística apontou que o grupo operava por meio de 17 sociedades em conta de participação (SCPs), com sócios ocultos e patrimônio líquido negativo. O modelo consistia na utilização de ativos sem liquidez para capitalizar artificialmente empresas de fachada — técnica que a PF agora descreve como o cerne do esquema criminoso.
Segundo o relatório da Federal, a organização cooptava funcionários de bancos para inserir dados falsos nos sistemas, permitindo a obtenção de créditos fraudulentos em instituições como Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Safra. O dinheiro era “lavado” e convertido em criptoativos e bens de luxo para dificultar o rastreamento.
A conexão entre a Faria Lima e o Comando Vermelho
O aspecto mais contundente da investigação é a simbiose entre o núcleo empresarial e o tráfico de drogas. O esquema funcionava como uma lavanderia profissional: recursos oriundos do Comando Vermelho eram inseridos na rede da Fictor para ganhar aparência de legalidade.
O GGN já havia alertado para o custo de captação atípico da empresa — cerca de 30% ao ano, ou 200% do CDI. Esse patamar indicava uma necessidade desesperada de atrair recursos para sustentar o que se assemelhava a uma pirâmide financeira, ignorada pelos órgãos reguladores até o colapso iminente.
O episódio do Banco Master e a queda
A Fictor ganhou as manchetes nacionais em novembro passado, quando tentou adquirir o Banco Master em uma operação de R$ 3 bilhões com supostos investidores árabes. O anúncio ocorreu poucas horas antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição de Daniel Vorcaro.
“A tentativa de compra do Master foi o ato final de uma estratégia megalomaníaca“, aponta a análise de Luís Nassif, do GGN. Após o fracasso da transação, a Fictor enfrentou uma crise de reputação que levou ao resgate de R$ 2 bilhões por investidores e ao pedido de recuperação judicial da Fictor Holding e Fictor Invest, cujas dívidas superam os R$ 4 bilhões.
Crimes e penas
Os envolvidos na Operação Fallax responderão por gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Caso sejam condenados, as penas somadas podem ultrapassar 50 anos de reclusão.
A operação desvenda o que o GGN já classificou como a infiltração do crime organizado em estruturas sofisticadas do mercado financeiro paulista.


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