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domingo, 31 de março de 2019

Vídeo esclarecedor e emocionado da filósofa e escritora Márcia TIburi


Do DCM:

VÍDEO: “A gente vai ter que recolher os cacos”, diz Márcia Tiburi, emocionada, no exílio

 

00:00/00:40Diário do Centro do Mundo
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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

sábado, 4 de março de 2017

Jeferson Miola: Relato de José Yunes, grande amigo de Temer, esclarece a história do Golpe PSDB-PMDB 2016




por Jeferson Miola
GGN. -No relato ao MP, José Yunes fez revelações esclarecedoras sobre os preparativos do golpe. Sabe-se agora que no processo eleitoral de 2014, Michel Temer e Eduardo Cunha financiaram com propinas as campanhas de 140 deputados oposicionistas que, em contrapartida, assegurariam a eleição de Cunha à presidência da Câmara Federal em fevereiro de 2015.
O depoimento do Yunes é também importante porque elucida o papel do Eliseu Padilha e do doleiro Lúcio Funaro no esquema de Temer e Cunha. Yunes ainda ajuda a entender porque o juiz Sérgio Moro, já em novembro de 2016, atuou como advogado do Temer e anulou as perguntas sobre o próprio Yunes que Cunha direcionou ao presidente usurpador.
Mas as revelações de Yunes ganham maior relevância porque jogam luz nos eventos precedentes da trama golpista, e que eram até então desconhecidos.
Mesmo sendo vice-presidente e candidato à reeleição com Dilma, na eleição de 2014 Temer fez jogo duplo e tomou parte da estratégia conspirativa premeditada com Eduardo Cunha – que foi quem liderou, com Sérgio Cabral e Geddel Vieira Lima, a dissidência peemedebista que aderiu à campanha de Aécio Neves.
Como dissidente, Cunha foi tratado a pão-de-ló por Temer. O plano, como agora se sabe, era eleger uma numerosa bancada de deputados de oposição a Dilma que elegeria Cunha presidente da Câmara Federal, como de fato ocorreu.
Seria ocioso dissertar sobre o poder da presidência da Câmara no acolhimento, no trâmite e, finalmente, na aprovação do impeachment sem fundamento jurídico naquela "assembléia geral de bandidos comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha", como a imprensa internacional chamou a sessão da Câmara de 17 de abril de 2016.
O que era suspeita ficou confirmado no relato do Yunes: Temer fez jogo duplo desde o período eleitoral de 2014 até março de 2016, quando anunciou o rompimento formal do PMDB com o governo, passando então a se engajar abertamente – e não mais clandestinamente – no golpe para a deposição da Presidente.
Este período foi marcado por traições e lances folclóricos do Temer, como a falsa neutralidade na eleição para a presidência da Câmara, quando na realidade estava empenhado em eleger Cunha; a sabotagem aos interesses do governo quando Dilma confiou-lhe a tarefa de articulação política; a carta patética com queixas e lamúrias à Dilma, prenunciando a saída do governo; e o agravamento da crise política com o inusitado apelo para se credenciar ao lugar da Presidente – "o país precisa de alguém capaz de reunificar a todos".
É sintomático que, apesar das agressões covardes e canalhices contra a Presidente Dilma, Temer não tenha emitido uma única nota de solidariedade para com sua parceira de governo e chefe constitucional.
Como o Brasil está sob a vigência de um regime de exceção, a denúncia do Yunes não terá os efeitos criminais e políticos que corresponderiam a uma situação de tamanha gravidade, vivesse o país um contexto de normalidade institucional.
Se o Brasil estivesse na plenitude do Estado de Direito, o impeachment fraudulento seria anulado e a Presidente Dilma reconduzida ao cargo para o qual foi eleita com 54.501.118 votos. Temer e Padilha seriam julgados por associação criminosa com Eduardo Cunha e por conspiração para derrubar uma Presidente legitimamente eleita.
Moro, por seu turno, seria demitido do cargo de juiz federal e responderia criminalmente – no mínimo, por prevaricação [sem esquecer a prática corrupta de receber salário acima do teto constitucional].
No contexto do golpe de Estado e do regime de exceção, contudo, a conseqüência máxima da denúncia de Yunes será, se tanto, o afastamento do Padilha, e isso porque sua manutenção no ministério seria de uma indecência insustentável até mesmo para uma oligarquia e uma mídia golpista que perderam todo e qualquer pudor.
Apesar de não gerar as conseqüências devidas, a revelação de Yunes já adquiriu importante valor para a historiografia do golpe; é uma espécie de "wiki leaks" do golpe.
Hoje se sabe que, sem os preparativos armados por Temer e Cunha, a estratégia golpista que foi posta em marcha pelo PSDB, judiciário, MP, PF e pela mídia hegemônica – com a Rede Globo à frente – ficaria seriamente dificultada.


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1 comentário

Comentários

ESPAÇO COLABORATIVO DE COMENTÁRIOS

 
 

É a história definitiva do golpe

Parabéns, meu caro! Esta é a história do golpe, de 2014 a 2016, narrado com uma lucidez extrema, destacando o papel do personagem principal, Michel Temer.
O bom da internet é que, como a circulação das notícias e opiniões não é monopolizada nem filtrada pela grande mídia, se pode chegar a uma versão lúcida da história (ou parte dela) ainda no olho do furacão dos acontecimentos. Antes isto acontecia décadas depois, o que livrava os personagens e a mídia (narradorees) da incoveniência de conviverem com seus atos e mentiras.
Hoje, isto não é mais possível. Para quem é minimamente informado e não fecha os olhos diante da verdade (como certa classe média moralista-morista) a mídia e os políticos de golpe se desmoralizaram antes de o consolidarem. Estamos na era da mentira (pós-verdade), mas[...]ver mais

domingo, 24 de julho de 2016

O terror midiático do ministro da Justiça, por Altamiro Borges



Alexandre de Moraes, o ex-secretário de Segurança Pública de Geraldo Alckmin que ganhou fama ao comandar a brutal repressão aos estudantes que ocuparam as escolas paulistas, adora os holofotes da mídia. Ele faz de tudo para aparecer e até chegou a sonhar em ser candidato à prefeitura de São Paulo. Agora, como ministro interino do covil golpista de Michel Temer, ele voltou a “brilhar” ao chefiar a “Operação Hashtag”, que prendeu dez pessoas acusadas de planejarem ações terroristas durante as Olimpíadas no Rio de Janeiro. O seu show, porém, parece que não agradou os próprios usurpadores que assaltaram o Palácio do Planalto, conforme revelou uma notinha de Mônica Bergamo na Folha desta sexta-feira (22):

“O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, ficou até de madrugada no Palácio do Jaburu, na quinta (21), em reunião com o presidente interino Michel Temer. Logo cedo, voltou ao gabinete dele, para em seguida anunciar a prisão de pessoas acusadas de preparar atos terroristas no país. Ministros de Temer acreditam que a atitude do titular da Justiça, de anunciar as prisões com espalhafato, pode ter efeito duplo: de um lado, mostra firmeza. De outro, pode aumentar o pânico e afugentar turistas que vêm para o evento. O próprio governo trabalha com a informação de que 20 mil pessoas cancelaram reservas em hotéis para a Olimpíada no Rio por causa das notícias, veiculadas pelas próprias autoridades”.

No mesmo rumo, o site da revista Época, que até paparicou a operação “antiterrorista”, postou uma notinha neste sábado que confirma o mal-estar criado pela ação policial. “Não foram só os assessores de Temer que ficaram contrariados com o comportamento ‘pavônico’ do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, na Operação Hashtag. O próprio Michel Temer não gostou de como Moraes chamou para si a responsabilidade da operação, que contou com a participação de outros órgãos. Temer deverá ter uma conversa séria com ele e dirá que o momento exige mais sobriedade e cautela. Moraes tem pensado demais em ser candidato ao governo de São Paulo em 2018”, relatou o jornalista Murilo Ramos.

Factoide para limpar a imagem dos golpistas

Até agora, a midiática operação antiterrorista gerou muita desconfiança. Não há explicações plausíveis para as prisões de jovens aparentemente inocentes – como a do paulista Vitor Barbosa Magalhães, que trabalha na funilaria do seu pai para sustentar os seus dois filhos; ou a do gaúcho Israel Pedra Mesquita, que é criador e vendedor de galinhas no município de Morro Redondo. Também não há qualquer justificativa para tanto alarde numa ação policial, que deveria ser mais cautelosa até ser eficiente no combate ao suposto terrorismo. O que já fica evidente é que o covil golpista, tendo a frente o egocêntrico ministro, tentou criar um factoide político para melhorar a própria imagem do “golpe dos corruptos”.

Como lembra o blogueiro Luis Nassif, “delegados da Polícia Civil de São Paulo cunharam o apelido de Kojak para o então secretário Alexandre de Moraes. Em parte, pela calva. Muito pela fixação nos holofotes. Ele fazia questão de ser comunicado sobre as operações mais irrelevantes, para ser a pessoa a anunciar a operação e os resultados para a TV. O carnaval em torno dos supostos terroristas que criavam galinhas seguiu essa linha. Mas, aí, com uma irresponsabilidade monumental. O estardalhaço em cima de um factoide não só ajudou a carregar mais nuvens sobre os céus das Olimpíadas, como a chamar a atenção dos malucos sobre a possibilidade de atentados terroristas no evento”.


Essa “irresponsabilidade monumental”, porém, não incomoda Alexandre de Moraes. Como aponta Luis Nassif, ele é “um caso clássico do político sem princípios”. Nas passeatas contra o impeachment de Dilma, ele “agiu como polícia política, reprimindo manifestações, invadindo a sede de torcidas organizadas críticas do golpe, fechando as ruas que davam para o local de eventos fechados. Ele provavelmente é a mais nefasta figura que surgiu no universo político nas últimas décadas. Não apenas por colocar permanentemente a carreira acima dos princípios e valores, mas por ter sido responsável pelo aumento expressivo de mortes na periferia. Literalmente, ele está asfaltando a carreira política com o sangue dos jovens assassinados”.

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