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domingo, 26 de novembro de 2023

Mídia corporativa porta-voz da direita financista volta a turbinar o fascismo-bolsonarismo, aponta a jornalista Helena Chagas


 A jornalista fez uma análise da edição da Folha e alertou o campo progressista

Helena Chagas, atos golpistas em Brasília (DF) e a marca do jornal Folha de S.Paulo

Helena Chagas, atos golpistas em Brasília (DF) e a marca do jornal Folha de S.Paulo (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | Reprodução | Reuters)

247 - A jornalista Helena Chagas sugeriu neste domingo (26) que a Folha de S.Paulo e outros jornais da imprensa tradicional querem continuar destacando o bolsonarismo e suas pautas. A comentarista sinalizou que representantes do campo progressista da política brasileira precisam reagir.

"Será que governo e forças progressistas precisam gerar mais notícias? Ou será que setores importantes da mídia estão turbinando o bolsonarismo além do que ele representa de fato, e que com isso ele vai mantendo sua relevância?", escreveu a jornalista em postagem na rede social X.

Ao seu comentário, Helena destacou a edição do jornal Folha de S.Paulo. "É apenas uma observação científica de quem já pesquisou mídia: a @folha deste domingo tem oito páginas dedicadas à Política. Dessas, em apenas duas, o governo e as forças do campo progressista são protagonistas no título principal - uma sobre emendas para o PAC e outra sobre a jurista negra Vera Lúcia Santana", afirmou.

"Das outras seis, nada menos do que quatro têm o nome Bolsonaro no título - nenhum em tom propriamente negativo. Uma outra trata de Lira ganhando poder com PEC do STF e outra dos arranjos entre União e PP para federação partidária - ou seja, movimentos também da direita, o que nos dá um placar de 6 x 2 neste domingo, goleada bolsonarista".

sexta-feira, 2 de junho de 2023

“Parte da mídia apostou na derrota de Lula e errou”, diz Helena Chagas

 

De acordo com a jornalista, é 'hora de questionar essa narrativa de que toda vitória na Câmara é de Athur Lira e toda derrota é do Planalto'

Helena Chagas, Luiz Inácio Lula da Silva e a parte interna da Câmara

Helena Chagas, Luiz Inácio Lula da Silva e a parte interna da Câmara (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | ABR)

247 - A jornalista do 247 Helena Chagas questionou a interpretação de jornalistas da imprensa tradicional sobre a aprovação da Medida Provisória (MP 1154/2023), que reestrutura os ministérios. De acordo com a jornalista, não se pode atribuir o resultado da votação apenas ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Ela reforçou que as articulações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aliados foram determinantes para o placar de 337 votos favoráveis e 125 contrários ao texto. 

"Gente, não estou dizendo que o governo não continue em situação instável na Câmara, sem base consolidada. Mas dizer q a aprovação de uma MP por 337 votos — q muita gente dizia q seria derrotada — não é vitória do Planalto é forçar muito a barra. Parte da mídia apostou na derrota e errou, comprou a conversa de Lira — q é uma boa fonte. Simples assim. Hora de questionar essa narrativa de q toda vitória q ocorre na Câmara é de Lira. E q toda derrota é do Planalto. Menas, menas…", escreveu a jornalista no Twitter. 

Se o projeto não fosse aprovado, Lula continuaria com a estrutura ministerial anterior, de 23 e não 37 ministérios. A aprovação representou vitória do governo nas articulações. Mas algumas partes do projeto ainda enfrentam resistência de ativistas e de ministros como Sonia Guajajara (Povos Indígenas). 

Pelo projeto, o Ministério da Justiça e não a pasta dos Povos Indígenas é que fará a demarcação de terras. Também retira o Cadastro Ambiental Rural do Ministério do Meio Ambiente e deixa-o com o Ministério da Gestão. 

Três sistemas de informações sobre saneamento saem da pasta do Meio Ambiente e vão para a das Cidades. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deixa de ser unicamente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e também passa a ser administrada pelo Ministério da Agricultura.

terça-feira, 19 de abril de 2022

Bolsonarismo + Centrão = Festival de corrupção. Artigo de Helena Chagas

 

"O casamento entre o bolsonarismo e o Centrão produziu bem mais do que apoio político-parlamentar. Gerou uma ninhada de casos de corrupção", diz Helena Chagas


www.brasil247.com - Ciro Nogueira e Jair Bolsonaro

Ciro Nogueira e Jair Bolsonaro (Foto: Reuters/Ueslei Marcelino)

Por Helena Chagas, do Jornalistas pela Democracia

O casamento de interesse entre o bolsonarismo e o Centrão produziu bem mais do que apoio político-parlamentar para o atual governo. Gerou uma ninhada de casos de corrupção, num espetáculo sem precedentes de uso escancarado da máquina pública em negócios particulares e crimes contra o erário.

Dos pastores do MEC que, enquanto cobravam propinas de prefeituras, foram 35 (!) vezes ao Planalto de Jair Bolsonaro, à mudança de vocação da Codevasf, que agora parece não ter mais como missão central as obras de irrigação no vale do São Francisco, há uma coleção de fraudes para todos os gostos, envolvendo quase sempre a fauna palaciana e os líderes do centrão.

Nesse último caso, o que envolve a troca das obras de irrigação pelo asfaltamento de redutos políticos de aliados, quase tudo vai desembocar no presidente da Câmara, Arthur Lira, que controle os R$ 16 bilhões das emendas secretas do orçamento. Também tem a digital de Lira a compra, com recursos do FNDE - que também virou território do centrão - de kits de robótica aparentemente superfaturados para escolas sem internet e até sem água encanada.  

Essa filharada, que começa a ser conhecida,  pode até ajudar os líderes do centrão a se eleger, mas já há dúvidas sobre seus efeitos na campanha de reeleição de Bolsonaro. Acendeu-se uma luz vermelha no Planalto, que busca afastar o presidente da República dessa agenda de corrupção - um tema que pretendiam usar para agredir o adversário.

A esta altura, os planos se inverteram. Com a Lava Jato desmoralizada e o ex-presidente Lula com suas sentenças anuladas, quem vai ter que enfrentar o tema corrupção é Bolsonaro. O debate da semana é sobre o impacto disso em sua candidatura, e especialistas em pesquisas já apontam prejuízos com a perda do discurso anticorrupção.

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Helena Chagas: Último orçamento mostra que Centrão manda e Bolsonaro - o dito "mito" - obedece

 

"Quem se deu bem no Orçamento: o centrão, os policiais e os trogloditas da agenda do bolsonarismo", escreve Helena Chagas, do Jornalistas pela Democracia

www.brasil247.com - Jair Bolsonaro e Ciro Nogueira

Jair Bolsonaro e Ciro Nogueira (Foto: Adriano Machado/Reuters)

Por Helena Chagas, para o Jornalistas pela Democracia

Tudo indica - ao menos nas esperanças de uma clara maioria da população - que terá sido o último. Mas o Orçamento 2022, publicado hoje após a sanção de Jair Bolsonaro, é, mais uma vez, a cara dele. É uma peça eleitoral, se vista sob o ângulo dos R$ 89 bilhões destinados ao Auxilio Brasil - mostrando uma súbita, enganosa e oportunista  conversão ao social.

Acima de tudo, a nova lei orçamentária não deixa de reafirmar uma realidade: o presidente continua governando para aqueles vinte e poucos por cento que ainda o apóiam e se lixando para o resto do Brasil. Quem se deu bem no Orçamento: o centrão, os policiais e os trogloditas da agenda regressiva do bolsonarismo.

Os R$ 1,7 bi que, nas palavras do ministro Paulo Guedes, podem abrir as portas do inferno ao dar reajuste salarial apenas para os policiais da esfera federal, deflagrando uma onda de protestos e greves no serviço público, foram mantidos no texto. 

Os cortes de R$ 3,1 bi que foram necessários não produziram um arranhão sequer no bolo de R$ 16 bi destinado às emendas de relator no centrão, as chamadas RP9. Saíram, isso sim, de vetos a programas de combate à violência contra a mulher, de recursos para regularização fundiária e reforma agrária da educação básica e superior e de ações de de demarcação e proteção aos povos indígenas, 

Apesar da pandemia, os vetos de Bolsonaro  também garfaram para pesquisa e inovação em saúde. Apesar dos cortes em programas sociais e em emendas de comissão, ninguém triscou no dinheirinho do centrão, combinado com Arthur Lira e preservados por Ciro Nogueira. 

Às vésperas da campanha, entre ameaças de debandada de aliados, Jair Bolsonaro não  tem coragem. Mais do que nunca, o Orçamento de 2022 mostra quem manda e quem obedece nesse governo.


terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Uma "nova" ópera-bufa: a volta do golpista em 2022. Texto de Helena Chagas

 

"A volta das ameaças boçais à eleição não fez ninguém se mover um centímetro", escreve Helena Chagas sobre a volta da "persona golpista" de Bolsonaro

www.brasil247.com - Jair Bolsonaro e urnas eletrônicas

Jair Bolsonaro e urnas eletrônicas (Foto: Reuters)

Jair Bolsonaro havia aposentado temporariamente a persona golpista depois da chumbregada do 7 de setembro, quando, além de não reunir os apoios necessários ao golpe que pretendia dar, ainda acabou ameaçado de impeachment e prisão de seu filho pelo STF.  Comportou-se uns meses, mas, assim como ferroar é da natureza do escorpião, a aversão à democracia é da natureza de Bolsonaro. A diferença agora é que ele não está conseguindo mais amedrontar nem as emas do Alvorada - aquelas coitadas que foram obrigadas a tomar cloroquina.  

A volta das ameaças boçais à eleição não fez ninguém se mover um centímetro. A crítica aos ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes de que seriam "lulistas" provocou, na verdade, risos nos bastidores do STF - como se Moraes não fosse unha e carne com Michel Temer e como se Barroso, ao longo da Lava Jato, não tivesse votado sistematicamente contra o petista. 

Agora, a nova tentativa de golpe anunciado de Bolsonaro tem tudo para se transformar numa ópera-bufa. Os militares, que em grande número estão trocando o presidente por su ex-ministro Sergio Moro, estão deixando claro, antes de qualquer coisa, que não vão compactuar com tentativas de questionar o resultado das eleições, ganhe quem ganhar.

Todos os seus últimos movimentos - e é desnecessário repeti-los - estão sinalizando o respeito das Forças Armadas às eleições. Vai ser difícil ver esse pessoal tolerando algo na iinha de uma invasão ao capitólio tupiniquim. A presença de um de seus líderes numa diretoria do TSE, o ex-ministro demitido da Defesa Fernando Azevedo, não foi um gesto de submissão ao poder militar, como pensam alguns ingênuos. Foi, acima de tudo, uma jogada de mestre dos ministro do STF, que também presidem a Corte eleitoral.

O Centrão, sugando do governo seus últimos recursos e partindo para a eleição, também já avisou que não está no golpe - já será muito se seus dirigentes apoiarem o presidente até o fim da campanha de reeleição.

Restou a Bolsonaro, portanto, esbravejar e ameaçar - mais ou menos como um leão desdentado e preso na jaula.

Helena Chagas é jornalista, foi ministra da Secom e integra o Jornalistas pela Democracia

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Helena Chagas: Bolsonarização de cúpula militar expõe e desgasta Forças Armadas

 

A jornalista Helena Chagas afirma que é o caso de se indagar como a "bolsonarização" da cúpula militar e o "estrago" na imagem da instituição estão sendo recebidos por oficiais da ativa. "Há indicações de muita insatisfação e efervescência, que não transparece porque, diferentemente dos outros, estes prezam a disciplina militar de não se manifestar politicamente

(Foto: Agência Brasil)

Por Helena Chagas, do Jornalistas pela Democracia

Aconteceu do jeitinho que Jair Bolsonaro queria quando, há pouco mais de três meses, demitiu o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, e forçou a troca dos comandantes das três Forças. "Bolsonarizada", agora a cúpula das Forças Armadas atua politicamente a favor do governo, o que seus antecessores, defendendo-as como instituição a serviço do Estado - e não de governos - recusavam-se a fazer. O outro lado da moeda é que os militares passaram a ser vidraça e entraram no alvo de investigações de corrupção. 

É essa, mais do que o desejo de defender o presidente, a origem da nota ameaçadora contra o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz, na semana passada. Foi uma reação do ministro  Braga Netto, à maré das investigações. As águas já alcançaram as orelhas do ex-secretário executivo da Saúde, coronel Élcio Franco, o pescoço do ex-ministro Eduardo Pazuello e, ao que parece, começam a molhar as canelas do ministro da Defesa - que, como chefe da Casa Civil, coordenou do Planalto as ações relativas à pandemia e à compra de vacinas. 

Braga Netto, antes de tudo, está tentando se defender e evitar um desmoralizante depoimento na CPI. Há dúvidas se realmente ele constrangeu os comandantes do Exército, Paulo Sergio, da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Batista, e da Marinha, almirante Almir Garnier, como se propaga por aqui. Ao menos os dois últimos deram sinais, em entrevistas e posts nas redes, de que apoiam as duras palavras ali colocadas.

Mas é o caso de se indagar como essa "bolsonarização" da cúpula militar, e o consequente estrago na imagem da instituição, estão sendo recebidos pelos demais oficiais da ativa, inclusive do Alto Comando do Exército, que sempre manteve a defesa de posturas profissionais. Há indicações de muita insatisfação e efervescência, que não transparece porque, diferentemente dos outros, estes prezam a disciplina militar de não se manifestar politicamente.

A declaração matinal do vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, de que haverá sim, eleições em 2022, contrariando a ameaça de Bolsonaro na semana passada, foi interpretada por políticos como um bom sinal. Com mais liderança no Exército do que Braga Netto, Mourão teria falado também para dentro - além, obviamente, de fazer o contraponto político previsível que qualquer vice de um presidente tão enfraquecido quanto Bolsonaro faria. Na véspera, pesquisa Datafolha mostrou inversão das preferências populares sobre o impeachment: agora, 54% o apóiam.

Helena Chagas é jornalista, foi ministra da Secom e integra o Jornalistas pela Democracia

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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Moro age para evitar que Haddad termine o primeiro turno na frente, diz Helena Chagas



"Mas se o ato de Moro não tem força de tirar Fernando Haddad do segundo turno da eleição, ao menos se propõe a frear o crescimento do ex-prefeito, que vinha alimentando a expectativa de terminar a votação do dia 7 já na frente de Bolsonaro. É o que avalia Helena Chagas"

Resultado de imagem para Moro tendencioso
Ilustração: Bessina

Jornal GGN - Sergio Moro decidiu "entrar na disputa eleitoral" de vez, divulgando a delação de Antonio Palocci nesta segunda (1º). Não há praticamente nada de novo no que o ex-ministro disse contra Lula e o PT e, até agora, as já conhecidas acusações não foram suficientes para impedir que o candidato do partido venha aparecendo atrás apenas de Jair Bolsonaro nas pesquisas de opinião.
Mas se o ato de Moro não tem força de tirar Fernando Haddad do segundo turno da eleição, ao menos se propõe a frear o crescimento do ex-prefeito, que vinha alimentando a expectativa de terminar a votação do dia 7 já na frente de Bolsonaro. É o que avalia Helena Chagas em Os Divergentes.
Por Helena Chagas
 
 
Em Os Divergentes
 
A seis dias das eleições, o juiz Sergio Moro levantou o sigilo sobre um dos termos de colaboração premiada do ex-ministro Antônio Palocci, que detalha o suposto loteamento de cargos na Petrobras em troca de financiamento para o PT. Moro sempre terá uma justificativa jurídica para cada um de seus atos, mas vai ficar difícil convencer alguém de que ele não está também em campanha.
 
A delação de Palocci, acertada em abril com a Polícia Federal, já tem muitas partes conhecidas, e não teve o efeito de tirar votos do PT ou de Lula até agora. Mas a esperança é a última que morre, e os movimentos antipetistas já se animaram.
 
Afinal, veremos, nos meios de comunicação, mais transcrições de gravações, depoimentos e relatos de reuniões citando Lula e outros personagens dos governos do PT, dos quais Fernando Haddad fez parte. A poucos dias de se encontrar com as urnas, na reta final da escolha, o eleitor será lembrado de tudo o que se falou de PT e Petrobras ao longo da Lava Jato. Mesmo que não tenha nada novo, isso será apresentado com estardalhaço pelos adversários.
 
Não se sabe se a revelação de parte da delação de Palocci terá maior influência sobre o resultado do primeiro turno da eleição, que tende a botar Jair Bolsonaro e Haddad no segundo turno. Mas pode ajudar a estancar, ou reduzir, o crescimento acelerado que poderia levar o petista a chegar em primeiro lugar à etapa final da eleição.
 
Acima de tudo, o que o episódio mostra é a insistência do Judiciário em marcar seu protagonismo, interferindo no processo eleitoral a qualquer dia e a qualquer hora, no papel de dono da bola que assumiu desde a Lava Jato.
 
Também faz parte desse efeito a queda-de-braço dentro do STF em torno da entrevista do ex-presidente Lula, autorizada por Lewandowski, cassada por Fux num raro gesto de censura à imprensa e hoje autorizada de novo por Lewandowski. Depois dizem que o Judiciário não está em campanha.