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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Jesus ao lado dos excluídos e atacados pela hipocrisia de uma sociedade elitista, machista, homofóbica e fascista... Assim foi o memorável desfile da Mangueira no Carnaval 2020 oprimido por PMs, milicanos e bolsonaristas


Jornal GGN Entre as sete escolas de samba que abriram os desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio neste ano, a Mangueira novamente foi destaque e materializou a crítica política na Marques de Sapucaí. Além do samba-enredo intitulado “a verdade vos fará livre”, a escola trouxe Jesus como jovem negro, LGBTQ e como mulher.
Já conhecida por trazer as críticas políticas ao Carnaval, a Mangueira desta vez carregou a hipocrisia religiosa e as violências sofridas por minorias no Brasil na letra do samba. Para reforçar a letra, a figura de Jesus desfilou em mulher, índio, LGBTQ e jovem negro com marcas de balas pelo corpo.
A rainha da bateria, Evelyn Bastos, foi uma das que interpretou Jesus Cristo na noite deste domingo (23). Sem sambar, a entrada de Evelyn impactou: “A gente pensou em fazer um Jesus mulher, tapado. Não vai ser um Jesus que samba. Vai ser um Jesus sem a necessidade de sexualizar. Vai ser ser um Jesus que não samba, porque a gente quer que as pessoas enxerguem Jesus primeiro, independente de gênero.”
“Vai ser o maior desafio pra mim, o maior da minha vida. Eu que sempre sambei, vou abdicar de sambar, desse amor para pregar o amor. (…) Pensamos em vir de soldado romano, mas não queria vir como opressor, daí só batemos o martelo em janeiro. E fechamos nesse Cristo mulher”, completou a rainha de bateria.
Para representar a comunidade LGBTQ, pessoas penduradas em cruzes, com a frase “só ame” acompanhavam as cores do arco-íris com a pergunta: “Vai tacar pedra?”. Outra ala da escola de samba, ainda, trouxe a violência policial, com frases como “bandido bom é bandido morto”, e apóstolos dançando funk sobre a Santa Ceia.

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terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Aquias Santarém: Críticas a Bolsonaro a partir do exemplo de Cristo ou, como querem "cristãos" que fazem arminha, blasfêmias no Carnaval da Mangueira? Não há Messias de arma na mão!


Do Canal de Aquias Santatarém:




A Verdade vos Fará Livre

Samba enredo da Mangueira, Carnaval 2020

Letra abaixo



“Não existe futuro sem partilha, nem Messias de arma na mão”: o samba que o Brasil de Bolsonaro precisa ouvir

Enredo da Mangueira resgata os ensinamentos de Cristo em oposição ao avanço do conservadorismo e intolerância no País
Jornal GGN “Será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque, de novo, cravejaram o meu corpo, os profetas da intolerância. Favela, pega a visão: não tem futuro sem partilha, nem messias de arma na mão.”
Com essas palavras, a Mangueira, campeã do Carnaval no Rio em 2019, retorna à avenida em 2020 com mais um enredo político. Dessa vez, a escola de samba resgata os ensinamentos de Jesus Cristo, em defesa do oprimidos, pelo “amor sem fronteiras” e contra a intolerância.
O tema foi decidido há meses, mas calha com um momento em que o País vive, de um lado, atentados à liberdade das religiões de matriz afro e, de outros, ataques à liberdade de expressão de artistas que criticam a intolerância de alas conservadoras, caso do coletivo Porta dos Fundos.
Em “A Verdade Vos Fará Livre”, a escola afirma que Jesus já nasceu de “punhos cerrados”, com “rosto negro, sangue índio, corpo de mulher”.
Na Sapucaí, promete levar Maria Madalena barbada e vestida com as cores LGBT, e Nossa Senhora das Dores de luto, segurando uma bandeira que diz “estado assassino” no lugar de “ordem e progresso”.
A proposta já gerou protestos entre conservadores, que organizam um abaixo-assinado contra o desfile e ameaçam com processos judiciais.
Abaixo, o enredo com legendas:
[Enredo: A Verdade Vos Fará Livre]
Senhor, tenha piedade
Olhai para a terra
Veja quanta maldade
Senhor, tenha piedade
Olhai para a terra
Veja quanta maldade
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra no buraco quente
Meu nome é Jesus da Gente
Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro, desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil
Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque, de novo, cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais na escuridão
Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão
Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E ressurgi pro cordão da liberdade
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra no buraco quente
Meu nome é Jesus da Gente
Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro, desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil
Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque, de novo, cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais na escuridão
Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão
Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E ressurgi pro cordão da liberdade
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também