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quinta-feira, 4 de abril de 2019

Paulo Ghiraldelli: Em explícita montagem com vistas à manipulação pública, a Globo, por meio do Jornal Nacional, e por seus interesses apresenta Paulo Guedes como "herói" da reforma da Previdência



Do Canal de Paulo Guedes, sobre a gritante (mas não a primeira vez feita) manipulação da Rede Globo a favor da Reforma da Previdência distorcendo explicitamente o debate ocorrido no CCJ da Câmara dos Deputados em que Guedes foi, para todos os analistas sérios, vencido....


domingo, 27 de janeiro de 2019

Breno Altman discute os reais interesses da Globo e dos Marinhos na guerra explícita contra a Globo: Bater para negociar... A Globo quer garantir seu predomínio midiático



Do Canal do Brasil 247:




Em análise à TV 247, o jornalista Breno Altman expõe que a Rede Globo está “apavorada com Bolsonaro”. “Menos por conta da redução das verbas publicitárias e mais pelo fato dele inflar as emissoras concorrentes, principalmente a Rede Record e o STB", elucida.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Com João de Deus, Manchinha e bonapartismo de Bolsonaro, a Globo aperta os nós para 2019. Texto de Wilson Roberto Vieira Ferreira




Depois de décadas de controvérsias, acusações de assassinato, pedofilia e abusos sexuais, repentinamente “a verdade bateu à porta”, como disse Pedro Bial, e seu programa deu a partida para a caça ao médium-celebridade João de Deus, com atualizações diárias que já rivalizam com a meganhagem também diária das prisões da PF nas telas. Sabemos que para o jornalismo da Globo não basta apenas a verdade “bater a porta” – é necessário a “verdade” ter timing e oportunismo dentro das estratégias políticas da emissora. Soma-se a isso a também repentina indignação e atualizações diárias sobre o espancamento e morte do cão “Manchinha” em um hipermercado em Osasco/SP, uma notícia que na paginação tradicional dos telejornais seria colocada no bloco das notícias diversas. Tudo na semana do vazamento de movimentação atípica de dinheiro na conta de assessor de Flávio Bolsonaro, pressão da grande mídia por explicações e a resposta “bonapartista digital” de Jair Bolsonaro na sua diplomação no TSE: “o poder popular não precisa de intermediação”, apostando nas novas tecnologias para governar o País sem a grande mídia. Fala-se que a Globo “não dá ponto sem nó”:  quais nós a TV Globo está apertando para 2019 com essas “anomalias” jornalísticas no final do ano?  
 Esses últimos dias que culminaram com a diplomação da chapa Bolsonaro/Mourão pela Justiça Eleitoral, foram marcados por inúmeros lances de xadrez midiático. Traçando de antemão as estratégias do tabuleiro do jogo político do próximo ano.
Em primeiro lugar, aquilo que mais chamou a atenção: a repentina e feroz investida dos canhões do telejornalismo da Globo contra o médium-celebridade João de Deus. Poucas vezes se testemunhou um ataque tão violento e sistemático contra um alvo – descontando-se, claro, as investidas do consórcio judiciário-policial-midiático que vem sustentando nos últimos anos a presença diária nas telas da meganhagem da Polícia Federal no âmbito da Lava Jato.
Sabemos que esses irruptivos ataques, em geral, são atos de vingança quando algum interesse da Globo é atingido. Como, por exemplo, as denúncias de Nicéia Pitta em rede Nacional no Globo Repórter acertando em cheio seu ex-marido Celso Pitta em 1999 – a ´prefeitura havia barrado na Justiça a final do campeonato brasileiro no meio da semana à tarde, derrubando a grade de programação de final de ano da emissora (clique aqui). 
Ou quando, no início da administração Doria Jr. (o “queridinho” da Globo naquele momento), em São Paulo, dezenas de caminhões-caçamba ocuparam o Viaduto do Chá contra uma decisão da prefeitura. Ato contínuo, o telejornalismo global disparou uma série de matérias figurando os motoristas como contraventores e baderneiros (clique aqui).
Denúncias de Nicéia Pitta em 1999 no Globo Repórter: a verdade com timing de vingança

A verdade “bateu a porta”
Tudo começou com o programa “Conversa com Bial” na sexta-feira (07/12) entrevistando a coreógrafa holandesa Zahira Lieneke Mous – a única mulher que aceitou mostrar o rosto e denunciar com detalhes os abusos sexuais cometidos por João de Deus. O making off do programa informa que a apuração levou “três meses”, ouvindo-se dez depoimentos de vítimas. No início o propósito era um programa com João de Deus no formato talk show– dentro dos cânones do chamado “infotenimento”.
Mas “repentinamente” mudou quando a produção “esbarrou” em denúncias de abuso sexual e “começou a correr atrás da história”. Obrigando a reformatar totalmente o programa com a presença dos depoimentos da holandesa Zahira e da americana Amy Biank – sem banda, plateia e reduzido número de técnicos no estúdio.
Desde o dia sete, diariamente, todos os telejornais nacionais da emissora vêm sustentando a suíte jornalística, com direito a imagens de repórteres indo ao encalço do médium na sua residência. Previsivelmente, o Ministério Público de Goiânia quer entrar no show, com uma célere “força tarefa” para também tomar depoimentos – previsível, dentro da atual “linha de passe” Justiça/Globo.
Qual a surpresa? Há décadas João de Deus é uma figura, no mínimo, controversa: acusações e julgamentos em torno de assassinato, atentado ao pudor, assédio sexual, pedofilia e contrabando de minério. Por que só agora? João de Deus é muito poderoso e intimida a todos? Nos últimos tempos o jornalismo da Globo esteva muito ocupado em derrubar um governo e turbinar a Guerra Híbrida brasileira?
No caso da TV Globo, nada é por acaso e nunca dá um ponto sem nó – seu jornalismo sempre foi regido pelo senso timing e oportunismo, e não pelo senso do dever jornalístico de Pedro Bial: para Bial, ele é “jornalista”, e o seu “talk show que procura refletir a realidade e seus fatos não pode deixar de receber a verdade quando ela se apresenta. E a verdade bateu à nossa porta”.
A verdade "bateu na porta" de Bial: qual era a oportunidade e o timing?
Bonapartismo digital
Para além de toda a justa indignação de dezenas de vítimas de abuso pelo médium-celebridade em, no mínimo, 30 anos, é necessário refletir sobre a repentina e feroz investida contra um notório charlatão. 
Paralelo a tudo isso, a Globo repercutiu vazamento da coluna de Fausto Macedo do Estadão sobre a movimentação atípica de dinheiro na conta de assessor de Flávio Bolsonaro – deputado estadual e senador eleito, filho mais velho de Jair Bolsonaro. Investigação da Operação Furna da Onça do MPF realizada no mês passado, mas só AGORA vazada.
Denuncia que atingiu em cheio o clã Bolsonaro, fazendo o futuro ministro da Casa Civil, Onix Lorenzoni, ser grosseiro com repórteres e o futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, dar às costas aos jornalistas que cobravam um posicionamento. 
Depois dos sete minutos do escândalo no “Jornal Nacional” e de a revista Exame manchetar que Bolsonaro seria diplomado “com patrimônio familiar sob suspeita”, a resposta do futuro presidente foi rápida no seu discurso na cerimônia do TSE: “O poder popular não precisa mais de intermediação. As novas tecnologias permitiram uma relação direta entre o seu leitor e os representantes”. 
Uma afirmação rica em consequências tanto para a ciência política (um bonapartismo civil digital? – “bonapartismo civil”: tipo de governo em que o Poder Legislativo perde força e o Executivo se fortalece através do culto à personalidade) quanto para o campo da cibercultura – de como o tempo real das redes digitais é uma ameaça à democracia representativa – tema já discutido pelo Cinegnoseclique aqui.
Sem falar nas consequências em política de comunicação social: Bolsonaro dará uma banana para a generosa “mídia técnica” dos tempos petistas que enchiam de dinheiro os cofres da Globo.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Está ficando clara qual a estratégia da Globo, da Veja e outros da mídia elitista nada democrática: eles querem alguém que possa vencer Haddad e este não é Bolsonaro, então, elimine-se Bolsonaro para outro que possa faze-lo



"Ficou claro que Bolsonaro tinha chegado ao teto  – ou até alguns pontos acima dele, em razão do episódio de Juiz de Fora – mas não teria a menor condição de fazer frente, num segundo turno, ao candidato de Lula.
"Nos pouquíssimos dias que faltam para o pleito vão tentar estimular o crescimento de quem tenha chance de fazê-lo e, para que alguém cresça é preciso fazer desmanchar o “Mito”. " - Fernando Brito

Está claro: querem quem possa vencer Haddad, não Bolsonaro

A violenta reportagem de Veja, com a história do cofre roubado, imóveis escondidos e renda inexplicada é a marcha de um plano evidente de demolição da candidatura de Jair Bolsonaro, amplificado pelas mais que desastradas críticas de seu vice, general Mourão, ao direito do 13° salário aos trabalhadores.
Ficou claro que Bolsonaro tinha chegado ao teto  – ou até alguns pontos acima dele, em razão do episódio de Juiz de Fora – mas não teria a menor condição de fazer frente, num segundo turno, ao candidato de Lula.
Nos pouquíssimos dias que faltam para o pleito vão tentar estimular o crescimento de quem tenha chance de fazê-lo e, para que alguém cresça é preciso fazer desmanchar o “Mito”.
Mitos, como se sabe, são passíveis desta dissolução por não serem orgânicos, estruturados, sólidos. São emanações do imaginário social que se corporificam em algo ou alguém.
A questão é que, acima do mito estão os estados psicológicos que o criaram. E tenho sérias dúvidas de que, a esta altura, estes possam ser redirigidos para aquele que o “Comando Marrom” – expressão que Brizola usava para definir a corporação midiática – ungir como seu escolhido.
Não será fácil erodir Bolsonaro o suficiente para tirá-lo do segundo turno, mas não é impossível, porque ele não tem estruturas convencionais que lhe retenham o voto: partidos e aliados candidatos. Além do mais, não tem TV e está retido em um quarto de hospital.
Até o momento, porém, não há indicativos de que o consigam. Mas, numa eleição regida por pesquisas, ainda é cedo para dar respostas firmes.
É mais difícil, porém, fazer crescer seu substituto, até porque Geraldo Alckmin, candidato natural a este papel, está perdido numa teia de traições, de agressividade e tão pouco se parece com o perfil “cowboy” que esta substituição lhe exigiria.
Ciro, que poderia ser uma alternativa, seria um salto no escuro.
Ironicamente, quem deu o famoso “cavalo de pau à beira do precipício” foi a mídia.
E o precipício é a derrota para um homem que, preso numa cela em Curitiba, mostrou que era de fato uma ideia.




sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A Globo e a intervenção militar no Rio, por Hildegard Angel



"O telejornais da Globo repetiram com requintes a campanha feita pela emissora contra o governo de Brizola, quando conseguiram satanizar os CIEPS com seu ensino em tempo integral. Projeto do visionário Darcy Ribeiro, que Brizola concretizou, e os jornalões, com grande eco da elite e da classe média, detonaram o que puderam. Findo o governo Brizola, cresceu mato nos Cieps. Foram abandonados, junto com o sonho de uma juventude carente salva das ruas e do crime, através do tempo integral na escola, até sua profissão. Hoje temos aqueles menores – abandonados pela sociedade – feitos bandidos." - Hildegard Angel


Resultado de imagem para Globo golpista

por Hildegard Angel (em seu blog)

Sabendo dessa súbita decisão de se intervir militarmente no Rio, temos que dar o devido crédito à Globo, que fomentou, através de seus veículos, esse clima de horror e insegurança na população do Rio de Janeiro, onde não parece que houve carnaval. Só crimes.
No último mês todos os telejornais da emissora iniciaram com crianças mortas em tiroteios no Rio. Todos. E flagrantes de assaltos. Três ou quatro imagens de celulares, que eles repetiam à exaustão. Carnaval do Recife só tinha frevo. Da Bahia, só axé. Do Rio, só destacaram violência, o carnaval vinha depois. Vergonha. Como os jornalistas da emissora se prestam a isso? Vão arder no mármore do inferno dos comunicadores.
Repetiram com requintes a campanha feita pela emissora contra o governo de Brizola, quando conseguiram satanizar os CIEPS com seu ensino em tempo integral. Projeto do visionário Darcy Ribeiro, que Brizola concretizou, e os jornalões, com grande eco da elite e da classe média, detonaram o que puderam. Findo o governo Brizola, cresceu mato nos Cieps. Foram abandonados, junto com o sonho de uma juventude carente salva das ruas e do crime, através do tempo integral na escola, até sua profissão. Hoje temos aqueles menores – abandonados pela sociedade – feitos bandidos.
E ninguém se lembra. E todos reclamam disso, reclamam daquilo, mas não assumem as próprias responsabilidades, quer como mídia, quer como cidadãos. Reclamar é bom, né? Distancia a imagem de quem reclama do problema e exibe apenas seu dedo acusador. Mas não custa lembrar que, no local do primeiro CIEP, o CIEP modelo, no Panorama Palace Hotel, no Morro do Cantagalo, em Ipanema, o que há hoje é a sede do Criança Esperança. E o que se disse quando lá se instalou a escola para crianças pobres, em local nobre, de grande visibilidade e bem perto da favela do Cantagalo? “Que absurdo! Vão enfiar um monte de pivetes ao lado da casa da gente em Ipanema pra assaltar todo mundo”. Pois é. Parece que “pivete” de Criança Esperança é mais bem-vindo do que os de escola pública. E assim caminha a hipocrisia nacional, até…. esta segunda campanha massiva e obsessiva contra o Rio, com fins e endereço certo: intervenção militar.
Serve bem ao propósito de muitos, que gostam de brincar de guerra, de metralhar cidadãos (pobres, sobretudo), de matar sem ter que dar satisfação. Afinal, foi aberta a alta temporada de caça, com soldadinhos de chumbo já em marcha em direção à Venezuela…

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Temer,o ilegítimo, taxa Netflix e a Globo que o pôs no poder agradece, por Altamiro Borges



Do blog do Miro (também publicada no GGN)
 
A bondade presidencial atende a uma antiga demanda dos impérios midiáticos, que reclamavam da 'concorrência desleal' que fez desabar as audiências da TV.
 
por Altamiro Borges
Na virada do ano, o Judas Michel Temer deu mais um presentão às emissoras privadas que exploram as concessões públicas de rádio e tevê. Ele sancionou a lei complementar que determina a cobrança do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) para as transmissões online de áudio e vídeo, conforme publicação do Diário Oficial da União de sexta-feira (30). Desta forma, Netflix, Spotify e outros serviços online serão taxados, o que elevará os seus preços. A bondade presidencial atende a uma antiga demanda dos impérios midiáticos, que reclamavam da "concorrência desleal" que fez desabar as audiências das emissoras de tevê e rádio e diminuir os bilionários anúncios publicitários. 
Pelo projeto sancionado pelo usurpador também estão sujeitos à cobrança do imposto os serviços de "processamento, armazenamento, hospedagem de dados, textos, imagens, vídeos, páginas eletrônicas, aplicativos e sistemas de informação, entre outros formatos, e congêneres". A produção de programas de computadores, "inclusive de jogos eletrônicos, também passa a ser taxada, assim como a disponibilização, sem cessão definitiva, de conteúdos de áudio, vídeo, imagem e texto por meio da Internet", informa o Diário Oficial. A alíquota mínima do imposto foi estipulada em 2%. A cobrança segue a regra de considerar que o ISS é devido ao município onde está a sede do prestador de serviço.

Queda de até 20% no faturamento

Na era da internet, as transmissões online de filmes, shows e de outros atrações afetaram duramente o modelo de negócios da mídia tradicional. Em artigo publicado no jornal A Tarde neste domingo (1), o jornalista Ricardo Feltrin demonstrou a gravidade da crise. "2016 não termina nada auspicioso para as TVs abertas. O ano foi difícil para toda a economia, e não foi diferente para as TVs: especialistas ouvidos pela coluna estimam que haverá retração de 10% a 20% no faturamento (dependendo da emissora), a despeito de o país ter sediado os Jogos Olímpicos do Rio". Como efeito, "Record, SBT e Band terminam o ano fazendo cortes de custos e de equipes".

"Perto das demais, a situação da Globo pode ser considerada fantástica. Afinal, ela é a única emissora aberta do país que continua registrando lucro líquido no final de suas operações. Record, SBT, Band e RedeTV! devem fechar 2016 com prejuízo ou no limite; mas a Globo segue num vibrante azul. Em 2015, por exemplo, o lucro líquido do Grupo Globo foi de cerca de R$ 2 bilhões. Deve ficar um pouco abaixo disso em 2016. Mas o grupo também tem novos percalços no ano que começa hoje, e o maior deles é o surgimento de concorrência pesada na TV por assinatura: agora há grupos tão ou mais fortes como o Turner (Esporte Interativo) e Fox".
 
Já Maurício Stycer, outro especialista em mídia, publicou na Folha, em 25 de dezembro passado, um artigo que mostra os impactos diretos da internet no setor. Vale conferir:

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Demorou um pouco, mas a Globo, finalmente, aceitou que não há mais como trazer para a televisão linear parte do público que a trocou pela internet. O ano de 2016 se encerra com acenos explícitos a este espectador desinteressado em seguir a grade rígida da emissora. 
 
No último domingo (18), no início da tarde, no intervalo de 'A Cara do Pai', a Globo informou aos espectadores que o seu aplicativo online iria exibir às 16h30 um programa especial sobre os bastidores do 'Melhores do Ano', uma atração que a emissora programou para as 17h30. 
 
Ou seja, convidou o público a trocar a própria Globo, no momento em que estaria exibindo um filme, "O Espetacular Homem-Aranha", pelo Globo Play (acessível via laptop, smartphone ou mesmo o próprio aparelho de TV), onde poderia ver o blogueiro Hugo Gloss entrevistando atores da emissora.

Não que a Globo tenha desistido da TV aberta. Pelo contrário. Ela ainda é, no Brasil, o principal motor da indústria audiovisual, na qual estão concentrados os maiores investimentos em publicidade e os principais esforços de criação. Mas me parece altamente simbólico o reconhecimento de que é preciso competir no mesmo campo em que outras gigantes já estão nadando de braçada. 
 
A Amazon, por exemplo, acaba de lançar o seu serviço de vídeo por streaming em 200 países. Ainda que o conteúdo oferecido deixe a desejar, convém lembrar, como fez o jornalista Andre Mermelstein, do Teletime, que o faturamento da Amazon é 15 vezes superior ao da Netflix -e, portanto, a sua capacidade de investir em conteúdo próprio e licenciamento é enorme".

Nos Estados Unidos, a "velha mídia" já se deu conta, há mais tempo, da necessidade de se adequar aos novos tempos. O anúncio da compra da Time Warner pela AT&T em outubro, por US$ 85,4 bilhões, foi o sinal mais recente - e eloquente - de que é preciso se armar para a guerra.

Como disse Randall Stephenson, principal executivo da AT&T, assumir o controle da HBO e da Warner Bros., entre outros ativos, vai permitir à empresa oferecer conteúdo de vídeo on demand de maneira a compensar as perdas com a divisão de TV via satélite do grupo, a DirecTV.

Diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, a legislação brasileira não permite que uma mesma empresa atue na produção de conteúdo e na sua distribuição, o que obrigará a AT&T, caso a fusão seja aprovada, a vender a Sky no Brasil. Trata-se da segunda maior empresa de TV por assinatura no país, com 5,3 milhões de assinantes.

No final de novembro, a AT&T lançou nos EUA o DirecTV Now, um serviço de streaming com 60 canais, incluindo alguns considerados indispensáveis, como ESPN e Disney, por US$ 35 mensais (cerca de R$ 115).

Como observou o "New York Times", é um serviço claramente dirigido aos "cortadores de cabo", ou seja, consumidores que desistiram de pagar por TV a cabo (ou satélite), mas dispõem de internet banda larga.

A associação entre plataformas que oferecem conteúdo audiovisual e provedores de internet, sem vinculação a operadoras de TV paga, é outra tendência dando seus primeiros passos no Brasil. A HBO lançou o seu serviço, seguida pela Crackle, ambas ainda limitadas a alguns Estados.

A crise econômica ainda ajuda quem aposta no atraso, mas o ritmo das mudanças parece mais acelerado do que nunca.
 
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Outras duas notícias recentes confirmam a crise no setor. Na semana passada, o SBT anunciou o fim do mais antigo telejornal da emissora, o "Jornal do SBT", que era apresentado por Hermano Henning e estava no ar desde 1991. Num comunicado lacônico, a empresa de Silvio Santos alegou tratar-se "de uma nova estratégia na grade de programação". Na prática, foi mais uma medida de corte de custos. Em julho passado, o "Jornal do SBT" já havia deixado de ser ao vivo e passou a ser gravado no final da noite, algumas horas antes de ir ao ar. Na época, a emissora estimou economizar cerca de R$ 1 milhão por ano com a medida, que reduziu gastos com horas extras e adicional noturno.
 
Outro notícia preocupante foi dada pelo mesmo Ricardo Feltrin, desta vez no site UOL. "Nas últimas semanas tanto a Kantar Ibope como a GfK começaram a divulgar alguns dados estatísticos a respeito do hábito de consumo dos telespectadores em outros aparelhos, que não as TVs. O Ibope, por exemplo, chegou a calcular que, em outubro, cerca de 5 milhões de indivíduos no Brasil assistiram a algum tipo de programa de TV de forma não-linear - o chamado TSV (Time Shifted Viewing) - por pelo menos 1 minuto. Ou seja, essas seriam as supostas pessoas que viram programas de TV por meio de 'on demand', ou deixaram atrações gravadas como futebol e novelas para ver depois, ou mesmo baixaram algum episódio de alguma série num pendrive, com a mesma finalidade".

Mesmo questionando a validade destes números, o jornalista concluiu: "Quase NINGUÉM no Brasil assiste a conteúdo de televisão em celulares, laptops ou outros aparelhos. Isso mesmo. Com raras exceções, como um ou outro trecho de capítulo final de novela, um jogo de futebol ou algum trecho de episódio de reality show culinário (como o 'Masterchef' da Band), as emissoras entram em 2017 sem conseguir arrastar seus telespectadores para as outras telas. Em outras palavras, a audiência de TVs abertas ou pagas nos chamados 'devices' é equivalente a um inexpressivo traço de audiência. Zero... Eis um grande problema para as TVs não só para 2017 como para os anos vindouros: como fazer o público consumir seus produtos em outros aparelhos que não o caseiro televisor?".