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domingo, 7 de junho de 2020

Antifascistas e Antinazistas em luta pela Democracia ocupam a Esplanada dos Ministérios em ato contra Bolsonaro (vídeo)


A manifestação é “pela democracia e contra o racismo e o fascismo”. Os manifestantes usam máscaras e vestem preto

Manifestação em Brasília
Manifestação em Brasília (Foto: Reprodução/Twitter/George Marques)

247 Manifestantes antifascistas já ocupam a Esplanada dos Ministérios em Brasília neste domingo (7). Eles carregam faixas contra o fascismo e uma bandeira do Brasil e gritam palavras de ordem contra Jair Bolsonaro.
Os organizadores afirmam que o ato é “pela democracia e contra o racismo e o fascismo”. Os participantes, dentre eles torcidas organizadas e integrantes de movimentos sociais, usam máscaras e vestem preto.
Ocorre também na Esplanada, ao lado direito, protestos pró-governo Jair Bolsonaro.
Há por enquanto um clima de tranquilidade na capital federal.



Participe da campanha de assinaturas solidárias do Brasil 247. Saiba mais.

domingo, 19 de abril de 2020

Grupo de juristas divulga nota em defesa da democracia e contra os golpistas bolsonaristas



Manifestação de advogados e juristas ocorre após carreatas e manifestações contra isolamento social realizadas neste final de semana


Foto: Reprodução
Jornal GGN As manifestações contra o isolamento social e pela intervenção militar foram alvo de crítica do Grupo Prerrogativas, que congrega juristas e advogados de todo país.
Em nota, a entidade reprova as carreatas e manifestações realizadas nesse final de semana, “não apenas aquelas em prol da supressão de medidas de isolamento social indispensáveis ao combate da pandemia do novo coronavírus, mas sobretudo as que desafiaram abertamente a estabilidade democrática, a preservação das liberdades e a integridade das instituições”.
De acordo com o grupo de juristas, “nenhum segmento do aparato estatal que mantenha dignidade institucional e respeito mínimo à Constituição poderá tolerar ou mesmo ficar inerte diante de ameaças explícitas de subversão militar, estimuladas pelo próprio presidente da República”.
“As atitudes perigosamente golpistas e antidemocráticas, patrocinadas por grupos irresponsáveis que semeiam o rompimento da ordem constitucional e do equilíbrio federativo, mediante a pregação de medidas de exceção e de intervenção militar, merecem o enfático repúdio das lideranças do Congresso Nacional, do Poder Judiciário, do Ministério Público, das Forças Armadas e da sociedade civil organizada”, ressalta o grupo de juristas e advogados.
Por outro lado, os juristas dizem que a adesão pessoal do presidente da República a semelhantes manifestações, “estranhas à normalidade democrática e institucional, com incentivo concreto mediante discurso dirigido aos manifestantes”, deve levar à instauração de providências que o façam recuar e responder pela grave transgressão da elevada responsabilidade do cargo.
“O momento requer paz social e equilíbrio no encaminhamento de medidas em defesa da saúde e da vida de grandes contingentes da população brasileira, bem ao contrário da mobilização perturbadora fomentada pelo chefe do Poder Executivo”, diz o grupo.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Para todos os que resistem ao mal e ao autoritarismo, por Urariano Mota


"A vida é o que resiste. Que contradição mais estranha, eu descubro e me digo: a vida, tão breve, é tudo que resiste. É que existe uma resistência na duração do momento..."

Para todos resistentes
Por Urariano Mota
Trecho do romance “A mais longa duração da juventude” para a resistência hoje e sempre:
“A vida é o que resiste. Que contradição mais estranha, eu descubro e me digo: a vida, tão breve, é tudo que resiste. Mas que paradoxo: se ela está no tempo que se dirige para o fim, se ela é naquilo que deixará de ser, como resistirá à Irresistível? – É que existe uma resistência na duração do momento, pela intensidade, luz ou cintilação do breve. É como o brilho da estrela distante que recebemos agora, “agora” ainda. Mas esse agora simultâneo não há. O que vemos já não mais existe, tamanha foi a distância que a luz percorreu no espaço até atingir a nossa percepção. Mas isso é do terreno da física, mecânico, do reino dos trezentos mil quilômetros por segundo. O que escrevo é de outra natureza.
A resistência, que é vida, se faz na brevidade pelas ações e trabalho dos que partiram e partem. Mas nós, os que ficamos, não temos a imobilidade da espera do nosso trem. Nós somos os agentes dessa duração, o trem não chegará com um aviso no alto-falante, ‘atenção, senhor passageiro, chegou a sua hora’. Até porque talvez chegue sem aviso, e não é bem o transporte conhecido. O trem é sempre de quem fica. E porque somos agentes da duração, a nossa vida é a resistência ao fugaz. Nós só vivemos enquanto resistimos”.

sexta-feira, 8 de março de 2019

No dia de hoje, 8 de março… Esperamos que o martírio dessas meninas, moças, filhas, mães, irmãs, exposto à luz da história, impeça o martírio de outras meninas, moças, filhas, mães, irmãs



por Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos

No dia de hoje… 
08 de março é dia de prestar nossas homenagens – nesta série de textos sobre a violência estatal e suas vítimas – às mulheres que, direta ou indiretamente, foram atingidas pela violência do Estado.
Como fizeram Aldir Blanc e João Bosco, é preciso lembrar das Marias e Clarices, que choraram, mas que sobretudo resistiram criando seus filhos após terem visto seus maridos serem presos e recebido uma comunicação falsa de suicídio.
É preciso lembrar das Marias, Mahins e Marielles, mulheres negras e imortais, que lutaram contra a escravidão e a injustiça que se instalou mesmo após a abolição.
Fica aqui registrado o nosso agradecimento à Mangueira, por nos ensinar que o nome do Brasil é Dandara, guerreira, mulher de Zumbi dos Palmares, que se suicidou quando foi presa para nunca mais voltar a ser escrava.
Hoje é dia de lembrar de Isabel e de Janaína, que conheceram a violência estatal ainda crianças de tenra idade, para que suas mães fossem forçadas a entregar informações sobre seus familiares; de Criméia Alice que, grávida de seu companheiro na Guerrilha do Araguaia, André Grabois, voltou para a cidade, mas caiu em mãos sujas que a colocaram num pau de arara; de Patrícia, irmã de um sobrevivente da chacina da Candelária, e que luta em nome dele e de tantas outras crianças vitimadas apenas por terem nascido pobres e negras; de Débora, que teve seu filho, jovem e já trabalhador há 07 anos – como gari -, gratuitamente assassinado pela Polícia Militar no fatídico mês de maio de 2006; de Ana Rosa, Heleny, Ísis, Walquíria, Lenira e de tantas outras resistentes, assassinadas por forças estatais, mas que sequer tiveram seus corpos entregues às famílias para sepultamento.
Esperamos que o martírio dessas meninas, moças, filhas, mães, irmãs, exposto à luz da história, impeça o martírio de outras meninas, moças, filhas, mães, irmãs.
“Para que não se esqueça, para que não se repita”.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

A estupidez fascista, Bolsonaro e a banalidade do Mal, por Lucas Eduardo Silveira de Sousa


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"O repertório do candidato é velho conhecido e vai desde o atentado simbólico contra mulheres, negros e homossexuais até discursos de nuances marcadamente fascistas, como o apoio a torturadores militares e a incitação pública da violência e do ódio."


Do Justificando:
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Quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Eleições, Bolsonaro e a banalidade do mal


Nas atuais eleições presidenciais do Brasil, a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) é a que mais se associa às forças autoritárias e nacionalistas no rol de presidenciáveis prováveis a ganhar o pleito. O repertório do candidato é velho conhecido e vai desde o atentado simbólico contra mulheres, negros e homossexuais até discursos de nuances marcadamente fascistas, como o apoio a torturadores militares e a incitação pública da violência e do ódio. Entender o que Bolsonaro representa é fácil; o difícil mesmo é compreender os que compactuam com suas ideias. Como o discurso autoritário vem a se tornar uma opção viável em eleições democráticas?
Refletir sobre o apoio popular de Bolsonaro exige superar os ânimos momentâneos e ir além da questão de um desvio de caráter pessoal. Ainda que aspectos morais possam participar dessa síntese que resulta no eleitor bolsonarista, eles sozinhos não são capazes de contar a história toda. De antemão, cabe reafirmar que o eleitor de Bolsonaro é tão ordinário quanto outro qualquer. Está em nossa família, no círculo de amizades, na turma do trabalho, na fila da padaria, no pequeno comerciante ou no grande empresário; acorda cedo, trabalha duro, paga suas contas, frequenta a igreja aos domingos, brada contra a corrupção política, vê-se indignado com o retorno ineficiente dos impostos; acredita ocupar-se do Brasil real, longe das tratativas ininteligíveis da trama política de Brasília. Considera-se um descrente da política que o conduziu até os dias atuais. É o típico cidadão comum.
Filosoficamente falando, nenhuma intelectual compreendeu tão bem a cooptação do cidadão comum pelas dinâmicas do totalitarismo quanto Hannah Arendt (1906-1975). Mais que pensadora dedicada ao mundo das ideias, a filósofa alemã de origem judaica testemunhou o mal concreto do nazismo e fez do totalitarismo o objeto de sua investigação em diversas obras. A resolução de Arendt sobre a “banalidade do mal” se tornou a sua marca mais forte, sendo aqui também o guia dessa reflexão.
Arendt compreendeu a banalidade do mal após analisar o julgamento de Adolf Eichmann, responsável pela morte de milhares de judeus durante o regime nazista. No julgamento, chamou a atenção da filósofa o fato de o responsável por tamanha atrocidade ter sido um senhor comum de meia idade, pai de família e burocrata de carreira, cuja motivação maior era corresponder com aquilo que a administração esperava dele, sem traços de perversidade e razão maligna aparentes. Durante o julgamento e até mesmo diante da própria execução, Eichmann reproduzia clichês oficiais e palavras de ordem do regime nazista, demonstrando, assim, a falta de profundidade de seu pensamento e a sua incapacidade de autorreflexão sobre o próprio papel que cumpria na sociedade nazista. A sua normalidade, e não a sua excepcionalidade, era o fator estarrecedor em sua figura, motivo pelo qual Arendt conclui: o maior mal é o mal perpetrado por ninguém.
Não se trata de admitir que o Brasil atual e a Alemanha totalitarista são a mesma coisa, o que a mim pareceria, de fato, forçar a mão da análise. O elo entre a sociedade totalitária descrita por Arendt e os nossos tempos não está na presença de campos de concentração ou na perseguição oficial a judeus, mas na degradação da empatia social e na naturalização da violência. A banalização do mal ganha nuances novas e se torna perceptível em praça pública quando discursos de ódio são aplaudidos inofensivamente por milhares de quaisquer uns.
Bolsonaro já afirmou publicamente que não entraria num avião pilotado por cotistas e nem se submeteria a um procedimento cirúrgico realizado por médico egresso de políticas afirmativas; sugeriu o fuzilamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em rede aberta e rendeu homenagem a torturador durante voto pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff no Congresso nacional; insultou negros quilombolas em evento político; tornou-se réu por apologia ao estupro de mulheres, além de uma série de insinuações que relacionam a homossexualidade a desvios comportamentais a serem combatidos.  Isso sem falar em seu parceiro de chapa, Hamilton Mourão (PRTB), que engrossa consideravelmente o caldo do autoritarismo, do preconceito e da misoginia.
Estes não são exemplos excepcionais, mas uma constante do bolsonarismo que passa incólume e sem estranheza ao crivo de seu eleitorado.  Se ideias que atentam contra a diversidade e a dignidade humana são tão irrazoáveis e extremadas em pleno século XXI, como o discurso de Bolsonaro soa trivial ao ouvido de seus apoiadores? Sob o pretexto de uma pretensa liberdade de expressão, estão aí propagados a castração de nordestinos, o linchamento de marginalizados, a apologia ao estupro, propagação da violência de gênero contra mulheres, a expulsão de cubanos, a violência contra homossexuais, entre outros. Hoje em dia o mal é banalizado à velocidade de um compartilhamento nas redes sociais.
Na sua famosa expressão, Arendt buscou demonstrar que a banalidade do mal carrega essa potencialidade mesma de florescer em sociedades cuja capacidade de refletir e estabelecer juízos sofre certo grau de deterioração. Segundo a filósofa, essa diluição da atividade de refletir e de estabelecer limites éticos entre o que é bom e o que é mal assume um efeito prático evidente no cotidiano de sujeitos medíocres. “Estará entre os atributos da atividade do pensar, em sua natureza intrínseca, a possibilidade de evitar que se faça o mal? Ou será que podemos detectar uma das expressões do mal, qual seja, o mal banal, como fruto do não-exercício do pensar?”. Afinal, até mesmo as atrocidades cometidas em nome do nazismo contaram com o respaldo popular à figura de seu líder supremo, e, no entanto, nem por isso parece ser plausível o argumento de que o povo alemão fora acometido de uma maldade eminentemente genuína.
A ascensão de Bolsonaro dá-se em momento de crise política e econômica, de retrocesso nos direitos sociais, piora geral na qualidade de vida, de polarização ideológica e de um profundo questionamento das instituições públicas. O cenário crítico dos últimos anos agiu favoravelmente para o ganho de forças de setores radicais que até então encontravam-se amortizados. Esse panorama não é restrito ao Brasil, mas fruto de uma tendência global em que persistem crise migratória, a desintegração europeia, o fortalecimento de lideranças iliberais e de movimentos nacionalistas mundo afora.
Sobre o fenômeno Bolsonaro, há duas ponderações a serem feitas, uma de forma e outra de conteúdo. A forma simplista com que trata pautas importantes de economia, educação, saúde e segurança é um elemento de proximidade entre o candidato e o seu eleitor. Bolsonaro encontra imediata repercussão naquela parcela da população que se identifica com formas simplificadoras e universalizantes para problemas complexos da atividade governamental. Por outro lado, o conteúdo autoritário de suas proposições no tocante às questões sociais encontra respaldo naquela parcela que se identifica no campo do ceticismo e da incredulidade diante das saídas pouco efetivas que a democracia tem imposto. A junção dos aspectos de forma e conteúdo faz com que Bolsonaro resulte em um personagem de expressa identificação. O elemento simplista e não convencional do candidato contrasta diretamente com a previsibilidade típica da tradicional classe política brasileira. Trata-se da versão tupiniquim do efeito Trump na sociedade estadunidense.
Por fim, é evidente que os lados contra e pró não estão levando a discussão sob as mesmas premissas. Enquanto, para um lado, o posicionamento extremado de Bolsonaro é justamente o fator que o descaracteriza como alternativa legítima ao mais alto posto do Executivo nacional, para o outro, é justamente nessa postura que reside a sua legitimidade para a presidência. No primeiro grupo estão os que evidenciam em seu discurso autoritário os aspectos antidemocráticos e iliberais inadmissíveis à figura de um republicano; no segundo grupo estão aqueles que realçam justamente os aspectos de força, coragem e espontaneidade como bem quistos à figura de um forte líder político. Em outras palavras, os fatos se tornam secundários quando o embate entra no campo das narrativas que se fazem deles.
Sob o ponto de vista eleitoral, a potencialidade do candidato é também a sua maior debilidade. As narrativas de resistência aumentam à medida que a campanha joga luz sobre essas contradições. A resistência organizada, principalmente pelas mulheres, em torno dos movimentos “ele não”, “ele nunca” e “mulheres contra o fascismo” tem um potencial importante a ser explorado contra o candidato. Pouco a pouco a crítica e a reflexão confrontam a irrazoabilidade da figura de Bolsonaro. Tudo leva a crer que este é um movimento sem volta e que só faz ganhar adeptos entre setores intelectuais, políticos, de movimentos sociais e da classe artística nacional.
Por fim, cabe ressaltar que Arendt não pretendeu abdicar Eichmann e os nazistas das responsabilidades cometidas em nome do fascismo. Tampouco deu a ele o aspecto monstruoso que pintavam. Demonstrou, contudo, como os homens e mulheres de bem em conjunturas históricas adversas são levados a apoiarem ideias equivocadas e extremadas. O mal é de certa forma tão corriqueiro que acaba por ser incorporado como algo extremamente trivial.
Para compreender o apoio massivo às posturas autoritárias assumidas por Bolsonaro e Mourão, e tantos outros que se identificam com eles, é preciso inevitavelmente questionar, enquanto sociedade, em que aspectos da esfera pública estamos falhando no sentido de tornar figuras autoritárias uma opção viável. Compreender, nas palavras da filósofa, é “encarar a realidade sem preconceitos e com atenção, e resistir a ela – qualquer que seja”. Celso Lafer adiciona que “restaurar, recuperar e resgatar o espaço público que permite, pela liberdade e pela comunicação, o agir conjunto” esteve na centralidade das preocupações filosóficas de Hannah Arendt. Pensamento este formulado há mais de meio século e tão pertinente nos dias atuais.

Lucas Eduardo Silveira de Souza é mestrando em Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB).