A chantagem consiste em ameaçar uma pessoa, grupo ou corporação com vistas que a pessoa, grupo ou corporação ameaçada cumpra certas exigências, geralmente para proveito próprio do ameaçador.
Foi isso que os procuradores da força-tarefa da Operação Lava fizeram ao dizer que podem acabar com a operação se o Congresso aprovar a lei que permite punição por abuso de autoridade também a juízes e procuradores.
O procurador do Ministério Público Federal (MPF) Carlos dos Santos Lima foi o verbalizador da ameaça. Ele disse, na entrevista coletiva realizada em Curitiba na tarde desta quarta-feira (30), que a força-tarefa da Lava Jato “pode abandonar os trabalhos”, se o que chama de “proposta de intimidação de juízes e procuradores” for aprovada.
Deltan Dallagnol, o procurador que investe em imóveis do Minha Casa Minha Vida, disse que a aprovação da lei foi o “golpe mais forte efetuado contra a Lava Jato concretamente em toda a sua história”.
A coletiva teve um objetivo claro, colocar a faca no pescoço dos deputados e senadores. O que do ponto de vista institucional é um absurdo completo.
Há uma clara invasão de um poder na atribuição do outro. E ao jogar gasolina na fogueira, esses procuradores estão agindo de forma absolutamente irresponsável.
O Brasil vive uma crise econômica gravíssima muito em decorrência de uma crise política inflada pela forma de agir da força tarefa da Lava Jato e do juiz Sérgio Moro, que buscam o tempo todo por holofotes e aclamação popular.
Essa atitude é mais uma neste sentido. E é inaceitável.
Se a chantagem prosperar, a democracia é que será a vítima.
Tanto na abertura das Olimpíadas quanto na das Paraolimpíadas, umaOperação Passa-Pano foi montada para que vaias e xingamentos não fossem ouvidos na transmissão da TV. Mas não adiantou, o barulho e o constrangimento foram enormes.
E eu tenho a leve impressão de que a operação conta com um braço jornalístico muito eficaz. Há um grande empenho das manchetes e do colunismo em minimizar as vaias e os protestos que o presidente vem sofrendo dia sim, dia sim.
A jornalista Mary Zaidan também tentou estancar a sangria em seu Twitter: “Insisto: só quem votou em Temer está gritando ‘Fora, Temer’”. Nessa livre e ousada interpretação dos fatos, apenas quem votou em Dilma deseja a saída de Temer. Talvez ela ache que esses eleitores deveriam ter consultado as cartas de tarô para descobrir que o vice trairia a plataforma de governo pela qual foi eleito.
Miriam Leitão foi além e terceirizou as vaias de Temer para Dilma. Em coluna na “CBN” intitulada “Vaias a Temer são por decisões tomadas por Dilma”*, a economista deu sua valorosa contribuição para a operação.
O Jornal Nacional fez um breve resumo dos protestos em todo país no dia 7 de setembro e destacou que em São Paulo a marcha foi “liderada por mascarados”, numa clara tentativa de desqualificar os protestos.
O trabalho da operação tem sido árduo. Em poucos meses como presidente, Michel Temer já possui uma vasta coleção de vaias. Ele, que para muitos é um Dom Pedro contemporâneo que nos libertou das garras do bolivarianismo e impediu que nossa bandeira se tornasse vermelha, acordou sendo vaiado no desfile de 7 de setembro e foi dormir sendo vaiado na abertura das Paralimpíadas. Conseguiu a façanha de levar pra casa duas enormes vaias no mesmo dia. Quer dizer, segundo a Globo, ele foi vaiado, mas “algumas pessoas aplaudiram”. Não foi tão ruim assim.
Nos protestos que reuniram milhares de pessoas em todo o Brasil nos dias seguintes ao impeachment, José Serra saiu em defesa do seu presida edesdenhou dos manifestantes. Segundo ele, foram atos de “pequenos grupos organizados”, uma minoria que classificou como “mini mini mini mini mini mini” – seis “minis”.
Quando foi buscar legitimidade na China, o presidente não-eleito respondeu ao ser perguntado se as manifestações poderiam atrapalhar o início de seu governo: “As 40 pessoas que quebram carro? Precisa perguntar para os 204 milhões de brasileiros”.
Parece que o número de pessoas insatisfeitas é um pouco maior que 40, não é mesmo? A insatisfação não é tão mini mini mini mini e nem parte apenas dos que votaram na chapa Dilma/Temer. Haja pano pra passar!
É importante frisar que a nossa querida imprensa não deixou de registrar as vaias. Ela sempre publica tudo, vocês já sabem. Peguemos o Estadão como exemplo. Foi assim que ele publicou as vaias para Lula, na abertura do Panamericano, e para Dilma, na abertura da Copa do Mundo:
Os presidentes foram vaiados na abertura de dois eventos importantes para o país. São fatos muito relevantes, não tinha como não destacá-los em manchetes de capa.
Agora, quando as vaias foram direcionadas para o seu novo queridinho, o jornalismo do Estadão precisou se adequar. Essas foram as capas publicadas nos dias seguintes às aberturas das Olimpíadas e Paraolimpíadas:
O Estadão fez bonito e cumpriu com louvor seu papel na Operação Passa-Pano. É preciso de uma lupa e muita boa vontade para encontrar os protestos contra Temer. Talvez a Família Mesquita não queira que a massa leitora de manchetes nas bancas de jornais fique sabendo desse revés.
Vamos ver até quando os paninhos continuarão sendo passados. Com os protestos ganhando corpo e a rejeição aumentando, a tendência é que a sujeira se acumule. E, segundo a lógica do próprio Temer, será muito difícil que ele chegue ao fim do seu governo. Há um ano, o então vice-presidente fez a seguinte afirmação sobre a ex-presidenta: “Com 7% de aprovação, fica muito difícil concluir seu mandato”. Bem, como vimos, a aprovação de Temer está variando entre 8 a 19% nas capitais.
Eduardo Cunha, Aécio Neves, Agripino Maia, Ronaldo Caiado, Anasatasia, Cunha Lima e assemelhados, com apoio e incentivo dos Marinhos, Civitas, Azevedos e da Fiesp... Gente muito "inocente", "democrática" "sem processo", "sem culpa", sem moral e sem vergonha é quem derruba e julga uma pessoa honesta.... Um país que prende Suplicy por defender gente honesta e oprimida e deixa essa turba solta é muito doente, errado, sem vergonha mesmo, coisa que a mídia internacional está vendo cada vez mais claramente (veja o que diz o The New York Times, abaixo, no meio da primeira página)... - Carlos Antonio Fragoso Guimarães
Após peritos do Senado dizerem que não há pedaladas fiscais de Dilma Rousseff, a Comissão do Impeachment retoma oitiva de testemunhas de defesa. Nesta segunda, dentre as três que serão ouvidas está o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias. Abaixo, assista ao vivo:
Também serão ouvidos como testemunha de defesa: Maria Fernanda Ramos Coelho, ex-secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário; e João Luiz Guadagnin, diretor de Financiamento e Proteção da Produção do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
Sem pedaladas, a farsa do impeachment perdeu objeto legal.
Nos anos 70, quando vivíamos – aqui e na Bolívia – ditaduras, havia uma piada sobre uma festa numa embaixada onde um diplomata brasileiro era apresentado ao Ministro da Marinha boliviano e estranhava que houvesse um ministro da Marinha sem que houvesse mar na Bolívia. E seu interlocutor apenas respondeu: mas vocês, no Brasil, não têm ministério da Justiça?
Amplie a escala e veja o que é, no mundo, um Ministro da Transparência ser flagrado numa “operação-abafa”.
E com direito, como disse ontem, às ilustrações impactantes dos servidores lavando com água e sabão escadas, calçadas e gabinetes do ministério.
Acho que o ministro Jos[e Serra vai passar trabalho fazendo circulares às nossas embaixadas para pedir que convençam o mundo de que aqui não há um golpe que usou a corrupção como pretexto e que, desde o primeiro dia, mostra ter a fina flor da corrupção dentro de si.