domingo, 11 de outubro de 2015

Jânio de Freitas escreve sobre as hipócritas vozes da (i)moralidade, as mais corruptas







JANIO DE FREITAS - Folha de são Paulo

Vozes da moralidade

Taradinhos do impeachment e remanescentes do governo FHC preservam o presidente da Câmara, Eduardo Cunha
A situação pessoal embaraçosa, com o presumido risco de perder milhões de dólares resguardados no exterior para não os perder, deve ter mexido com a frieza de Eduardo Cunha. Mas Eduardo Cunha exagera, supondo-se "execrado". Muito ao contrário. Eduardo Cunha não está sozinho, não foi abandonado por causa de acusações. E tanto conta com fraternidades espontâneas, como dispõe de armas para produzir interessados em não o incomodar. Ou só fazê-lo em último desespero de causa.

A verdadeira atitude do PSDB, até ontem (10), de benevolência quando as provas contra Eduardo Cunha já levam a pedidos de sua cassação, provém de duas vertentes. Os taradinhos do impeachment preservam o presidente da Câmara porque esperam dele que instale a ação para a derrubada de Dilma e não têm pudor de dizê-lo. Aécio Neves não foi sugerir a Eduardo Cunha que se licenciasse coisa nenhuma, se nem disfarçou o desejo de que seja poupado para encaminhar o processo. O "aquilo" em que esses taradinhos só pensam não é aquilo, é o impeachment.

A outra vertente de proteção peessedebista a Eduardo Cunha veio dos mais velhos que ainda influem no partido. São remanescentes do governo Fernando Henrique. Ou seja, do escândalo das privatizações causado por grampos telefônicos que levaram à saída forçada de ministros e de outros do governo, comprometidos com fraudulências surpreendidas pelas gravações.
Confrontado de repente com uma pergunta sobre a origem das fitas, o general Alberto Cardoso, da Casa Militar, disse que foram encontradas sob um viaduto em Brasília. A verdade era outra. A maior parte dos procedimentos para as privatizações transcorreu no Rio, sede das empresas e do BNDES, além das extensões de ministérios também envolvidos, como Indústria e Fazenda. Tudo se passava, portanto, nos domínios territoriais e operacionais de Eduardo Cunha, presidente da Telerj, a telefônica estatal do Rio, no governo Collor e até a posse de Itamar Franco.


Logo, nada de extraordinário que, pelas investigações ou por dedução, o circuito fechado do governo Fernando Henrique desse as gravações como obra de Eduardo Cunha, que em anos recentes já fora dado como responsável por grampos em série. No seu "diário" de presidente, Fernando Henrique refere-se a Eduardo Cunha deste modo, transcrito da revista "piauí" pelaFolha: "O Eduardo Cunha foi presidente da Telerj, nós o tiramos de lá no tempo do Itamar porque ele tinha trapalhadas, ele veio da época do Collor". Esse "nós" é invenção da vaidade. Fernando Henrique estava indo para Relações Exteriores e nada teve com a exoneração rápida de Eduardo Cunha, decidida e feita por Itamar. Sem sequer considerar trapalhadas, mas, como muitas outras demissões, por ser ligado a PC Farias.

Gravações clandestinas não começam no exato momento comprometedor da conversa. Quem as instalou pode fazer coleções de conversas, personagens e assuntos. E quem sabe que gravações podem trazer-lhe complicações, diretas ou indiretas, não ousa contra o possível colecionador. A não ser quando o veja batido, esvaído, inerte. Como muitos têm esperado ver Eduardo Cunha, para lembrar-se de que são grandes defensores da moralidade. Privada e pública.

Mas não só de grampeamentos se fazem coleções biográficas. Como ex-presidente da Telerj, Eduardo Cunha sabe –e ninguém duvide de que também comprove– que a estatal dava dinheiro a políticos. Quantias fixas. Mês a mês. Por nada.
E Eduardo Cunha não só investigou. Também pagou. Se vai cobrar, ainda não se sabe.

    Bob Fernandes: Faltou quórum... sobram farsantes, julgamentos, “podridão”, “velhacaria”...





     Segue vídeo (e sua transcrição textual) sobre as manipulações de Cunha e do PSDB (e aliados) em ações nada benéficas ao Brasil


     Faltou quórum... sobram farsantes, julgamentos, “podridão”, “velhacaria”...


    Inspirado por Eduardo Cunha, presidente da Câmara, pela terceira vez o Congresso negou quórum para votar vetos da presidente Dilma às "pautas-bomba".
    Aprovadas com apoio do PSDB, DEM, PMDB, entre outros, tais "bombas" acrescentam dezenas de bilhões anuais aos gastos do governo.
    Quase os mesmos que aprovaram as "bombas" negaram quórum para votar os vetos. Ação como tantas que buscam expor as fragilidades do governo... e derrubar Dilma.
    Gilmar Mendes - e Dias Tóffoli que a oposição amava odiar - agora jogam juntos. E o TSE, que havia aprovado as contas de campanha de Dilma, reabriu ação que pede a cassação da dupla Dilma /Temer.
    Já o TCU condenou na noite desta quarta, 7, as chamadas "Pedaladas Fiscais". Augusto Nardes foi relator do processo.
    Polícia Federal e Procuradoria encontraram indícios de que este mesmo relator das "Pedaladas", Nardes, pode ter recebido R$ 1,65 milhão de empresa suspeita de fraude, e da qual já foi sócio.
    Os indícios surgiram no rastro da Zelotes, aquela submersa investigação que investiga propinas pagas a integrantes do Conselho da Receita (CARF) e os consequentes prejuízos, estimados em R$ 19 bilhões.
    A empresa que teve Augusto Nardes como sócio chama-se... "Planalto Soluções e Negócios".
    A propósito. Procuradores suíços revelaram ter avisado a Eduardo Cunha:
    -Já sabem das suas contas e milhões na Suíça...
    Cunha nega. Sibá Machado, líder do PT, espera "provas". Carlos Sampaio, líder do PSDB, dá o "benefício da dúvida" ao grande aliado Eduardo Cunha.
    Alberto Goldman, vice-presidente do PSDB, decretou: "Cunha é carne morta".
    E Joaquim Barbosa - ex- presidente do Supremo que governistas amavam odiar- desabafou no Twitter:
    -Contra o presidente de uma das Casas do Congresso há acusações de crimes graves, mas ele é apoiadíssimo pelo PSDB. Dá pra levar a sério essa gente? Não dá, né?
    Quando presidente, Fernando Henrique registrou autoconfissão agora revelada no seu novo livro, "Diários da Presidência". Escreveu à época o presidente FHC:
    -...começo a sentir o travo amargo do poder no seu aspecto mais podre de toma lá, dá cá, porque é isto: se eu não der algum ministério o PTB não vota...
    Escreveu também algo que - quem sabe em favor do futuro? - joga luzes sobre as relações na Política no passado recente e no presente. Nos tempos em que sentia na pele, constatou e registrou o então presidente:

    -...se eu não puser Luiz Carlos Santos, o PMDB não cimenta, e muitas vezes fazemos tudo isso e eles não entregam o que prometeram. Este é o Brasil de hoje, onde a modernização se faz com a podridão, com a velhacaria...
    Etc...

    sexta-feira, 9 de outubro de 2015

    Eclosão dos Ovos Ofídicos do Fascismo: 50% quer "bandido morto". E no velório, "petista bom é petista morto". Comentários e análise de Bob Fernandes




     Veja o vídeo (e sua transcrição textual) do comentarista político Bob Fernandes, da Tv Gazeta, sobre o a vanço do ódio fascista no Brasil, com incentivo da mídia:




    O DataFolha informa: para 50% da população, "bandido bom é bandido morto".
    Para atender tal desejo de metade da população, matar todo "bandido", seriam necessárias medidas drásticas. Afinal, o Brasil tem hoje 610 mil "bandidos" presos.
    Isso sem somar demais crimes e "bandidos". Segundo estatísticas, só os inquéritos de homicídios parados são uns 150 mil.
    Portanto, de saída - e a seguir-se a pregação de ódio de programas de Tv e rádio Brasil afora- seriam uns 760 mil candidatos à morte.
    Dúvida: copiar nossa média anual de homicídios, 56 mil, ou matar os 760 mil ao mesmo tempo?
    Não é tarefa simples, exige logística. Mas há precedentes. Alguns personagens na História já usaram métodos rápidos e eficientes para assassinato em massa.
    Segundo pesquisa recente, metade da população não confia... na polícia. A Anistia Internacional denúncia: 15% dos homicídios em 2014 tiveram policiais envolvidos.
    E policiais também morrem nas ruas... Fundação Getúlio Vargas e Secretaria Nacional de Segurança Pública fizeram pesquisa em 2014.
    De 21 mil policiais, 99% entendem ganhar mal, 98% dizem ter "formação e treinamento deficiente" e 94% citam "corrupção" como obstáculo à Segurança Pública...
    ...e 43% dos policiais defendem inocentar policial que mata um suspeito. Daí surge outro problema: como identificar quem é o "bandido"?
    Exemplo: da sequência de chacinas na região de Osasco, com 29 mortos, um PM preso até agora.
    Seguindo-se a lógica do "bandido bom é bandido morto", uma pergunta: quem são os "bandidos" nas chacinas dos 29? Quem mata muito nas periferias pobres?
    Ainda o ódio em suas diversas manifestações...
    Nesta segunda, 5, no velório do ex-senador do PT, José Eduardo Dutra, protesto de um tal "Grupo Patriotas" em Belo Horizonte.
    Cartazes contra Dilma e Lula à porta de um... velório. E panfletos atirados de um carro pregando: "Petista bom é petista morto".
    Tudo isso não é Cidadania nem Política. É doença conhecida como Psicose. (Neurose, neuróticos, para ser exato, correto, e não usar um vulgo indevido). Quando transformada em Política chama-se Fascismo. Que gosta de matar, e muito.

    Do Grande Irmão ao Big Data: a concretização cada vez mais real do Controle Social




    Como Estados e mega-corporações praticam, juntos, vigilância permanente. De que modo isso corrói vida privada — sem a qual não pode, segundo Rousseau e Hannah Arendt, haver liberdade

    Controle social, do Grande Irmão ao Big Data


    Por Ignacio Ramonet | Tradução: Inês Castilho Fonte: Outras Palavras
    A ideia de um mundo colocado sob “vigilância total” pareceu durante muito tempo um delírio utópico ou paranóico, fruto da imaginação mais ou menos alucinada dos obcecados pela conspiração. Mas é preciso reconhecer a evidência: vivemos, aqui e agora, sob o olhar de uma espécie de império da vigilância. Sem que saibamos, cada vez mais nos observam, nos espiam, nos vigiam, nos controlam, nos ficham. A cada dia novas tecnologias tornam-se mais refinadas, na perseguição do nosso rastro. Empresas comerciais e agências publicitárias registram nossa vida. Mas, sobretudo, sob o pretexto de lutar contra o terrorismo ou contra outras mazelas (pornografia infantil, lavagem de dinheiro, narcotráfico), os governos – incluindo os mais democráticos – se erigem em Grande Irmão e já não têm dúvidas em infringir suas próprias leis para nos espionar melhor. Secretamente, os novos Estados orwellianos buscam construir arquivos completos de nossos contatos e dados pessoais, exatamente como aparecem em diversos suportes eletrônicos.
    Depois da onda de ataques terroristas que golpeou, há anos, cidades como Nova York, Paris, Boston, Otawa, Londres ou Madri, as autoridades não tiveram dúvidas em utilizar o grande pavor das sociedades abaladas para intensificar a vigilância e reduzir ainda mais a proteção de nossa vida privada.
    Compreendamos: o problema não é a vigilância em geral, é a vigilância maciça clandestina. Num Estado democrático, as autoridades têm legitimidade, baseando-se na lei e com a autorização prévia de um juiz, para colocar sob vigilância pessoas que considerem suspeitas. Como disse Edward Snowden: “Não há nenhum problema em colocar sob escuta Osama Bin Laden. Sempre que os investigadores tenham que obter a permissão de um juiz – um juiz independente, genuíno, não um juiz secreto – e possam provar que existe uma boa razão para emitir uma ordem, podem executar esse trabalho. O problema surge quando nos controlam a todos, em massa, o tempo todo e sem nenhuma justificativa” (1).
    Com a ajuda de algoritmos cada vez mais aperfeiçoados, milhares de pesquisadores, engenheiros, matemáticos, estadistas e profissionais de informática buscam e classificam a informação que geramos sobre nós mesmos. Satélites e drones de visão penetrante nos seguem do espaço. Nos terminais dos aeroportos, escâners biométricos analisam nosso andar, leem nossa íris e nossas impressões digitais. Câmaras de infravermelhos medem nossa temperatura. As pupilas silenciosas das câmeras de vídeo nos examinam nas calçadas das cidades ou nos corredores dos hipermercados. Também seguem nossa pista no trabalho, nas ruas, no ônibus, no banco, no metrô, no estádio, nos estacionamentos, em elevadores, em shoppings, nas estradas, nas estações, em aeroportos …
    A revolução digital que vivemos, que já transformou tantas atividades e profissões, também modificou completamente os serviços de informação e de vigilância. Na época da internet, a vigilância passou a ser algo onipresente e imaterial, imperceptível, indetectável. Caracteriza-se tecnicamente por uma simplicidade espantosa. Acabaram-se os trabalhos de alvenaria para instalar cabos e microfones, como no célebre filme “A Conversação” (2), no qual podíamos ver como um grupo de “encanadores” apresentava, em uma feira dedicada às técnicas de vigilância, aparatos mais ou menos elaborados, equipados com caixas “informantes” transbordantes de cabos eléctricos que precisavam ser escondidas nos paredes ou no chão.
    Vários escândalos ruidosos dessa época – o caso Watergate nos Estados Unidos, o dos “encanadores” do jornal Le Canard Enchaîné  na França –, fracassos humilhantes dos serviços de informação, demonstraram os limites desses antigos métodos mecânicos, facilmente detectáveis e localizáveis.”
    Hoje, colocar alguém sob escuta passou a ser feito com facilidade desconcertante. Uma pessoa comum que queira espionar alguém à sua volta encontra no comércio, vendido livremente, um vasto leque de opções: meia dúzia de programas de informática para espiar (mSpy, GsmSpy, FlexiSpy, Spyera, EasySpy), que “leem” facilmente os conteúdos dos telefones celulares, mensagens de texto, correios eletrônicos, contas de Facebook, Whatsapp, Twitter etc. Com o auge do consumo on line, a vigilância comercial também se desenvolveu enormemente, criando um gigantesco mercado de dados pessoais que se converteram em mercadorias. Em cada conexão a uma pagina da rede, os cookies registram o conjunto das buscas realizadas e permitem estabelecer nosso perfil de consumidor. Em menos de vinte milésimos de segundo, a página visitada vende aos possíveis anunciantes a informação que nos diz respeito, revelada pelos cookies. Apenas alguns milésimos de segundo mais tarde, a publicidade que supostamente nos atinge com maior impacto aparece em nossa tela.
    De alguma maneira, a vigilância se “privatizou” e “democratizou”. Já não é um assunto reservado aos serviços estatais de informação. Mas ao mesmo tempo, a capacidade de os Estados em matéria de espionagem maciça cresceu de modo exponencial. Isso também se deve à estreita cumplicidade com as grandes empresas privadas que dominam as indústrias de informática e de telecomunicações. Julian Assange afirma: “As novas organizações como Google, Apple, Amazon e Facebook armaram estreitos vínculos com o aparato de Estado em Washington, em particular com os responsáveis por Assuntos Exteriores” (3). Este complexo da segurança e do digital – Estado + aparato militar de segurança + indústrias gigantes da Web – constitui um verdadeiro império da vigilância cujo objetivo, muito concreto e muito claro, é colocar a Internet (toda a Internet e todos os internautas) sob escuta. Para controlar a sociedade.
    Para as gerações de menos de quarenta anos, a rede é o ecossistema em que poliram sua mente, sua curiosidade, seus gostos e sua personalidade. De seu ponto de vista, Internet não é só uma ferramenta autônoma, utilizada para tarefas concretas. É uma imensa esfera intelectual onde se aprende a explorar livremente todos os saberes. Uma ágora sem limites, um fórum onde as pessoas se reúnem, dialogam, trocam e adquirem, frequentemente de modo compartilhado, cultura, conhecimentos e valores.
    A Internet representa, aos olhos destas novas gerações, o que era para os mais velhos, de modo simultâneo, a escola e a biblioteca, a arte e a enciclopedia, a pólis e o templo, o mercado e a cooperativa, o estádio e o palco, a viagem e os jogos, o circo e o bordel… É tão fabuloso que “o indivíduo, em seu prazer por evoluir num universo tecnológico, não se preocupa em saber, e menos ainda em compreender, que as máquinas gerenciam seu dia a dia. Que cada um de seus atos e gestos é gravado, filtrado, analisado e, eventualmente, vigiado. Que, longe de libertá-lo de seus obstáculos físicos, a informática da comunicação constitui a ferramenta de vigilância e de controle mais incrível que o ser humano jamais pode criar” (4).
    Essa intenção de controle total representa um perigo inédito para sociedades democráticas: “Permitir a vigilância da Internet – afirma Grenn Greenwald, o jornalista norte-americano que defundiu as revelações de Edward Snowden – é o mesmo que submeter a um controle estatal completo praticamente todas as formas de interação humana, inclusive o pensamento propriamente dito” (5).
    Essa é a grande diferença em relação aos sistemas de vigilância que existiam antes. Sabemos, desde Michel Foucault, que a vigilância ocupa uma posição central na organização das sociedades modernas. Estas são “sociedades disciplinadoras”, onde o poder, por meio de técnicas e de estratégias complexas de vigilância, busca exercer o maior controle social possível (6).
    Esta vontade por parte do Estado, de saber tudo sobre os cidadãos, está legitimada politicamente pela promessa de maior eficácia na administração burocrática da sociedade. O Estado afirma que será mais competitivo e, portanto, servirá melhor os cidadãos se os conhecer da forma mais profunda possível. Ao ter se tornado cada vez mais invasiva, a intrusão do Estado terminou provocando, já faz tempo, rejeição crescente entre os cidadãos que apreciam a proteção da vida privada. Desde 1835, Alexis de Tocqueville já assinalava que as democracias modernas de massa produzem cidadãos privados, cuja principal preocupação é a proteção de seus direitos. E que isso faz com que sejam particularmente exigentes e hostis às pretensões intrusivas e abusivas do Estado (7).
    Esta tradição prolonga-se atualmente na figura dos “lançadores de alertas”, como Julian Assange e Edward Snowden, perseguidos ferozmente pelos Estados Unidos. Em sua defesa, Noam Chomsky afirma: “Para esses ‘lançadores de alertas’, sua luta por uma informação livre e transparente é uma luta quase natural. Terão êxito? Depende de nós. Snowden, Assange e outros agem na qualidade de cidadãos. Estão ajudando o público a descobrir o que fazem seus próprios governos. Existe acaso uma tarefa mais nobre para um cidadão livre? Mas são castigados severamente. Se Washington pudesse colocar as mãos neles, seria pior ainda. Nos Estados Unidos existe uma lei de espionagem que data do Primeira Guerra Mundial; Obama a tem usado para evitar que a informação divulgada por Assange e Snowden chegue ao público. O governo vai tentar de tudo, até mesmo o indizível, para proteger-se de seu ‘inimigo principal’. E o ‘inimigo principal’ de qualquer governo é o seu próprio povo” (8).
    Na era da Internet, compartilhamos nossos pensamentos mais pessoais e íntimos, tanto profissionais como emocionais. Quando o Estado, com ajuda de tecnologias superpoderosas, decide escanear nosso uso da rede, não somente rebaixa suas funções como profana nossa intimidade, descarna literalmente nosso espírito e saqueia o refúgio da nossa vida privada.
    Sem saber, fomos reduzidos, aos olhos dos novos “Estados de vigilância”, em clones do herói do filme “O Show de Truman” (9), expostos ao olhar de milhares de câmaras e à escuta de milhares de microfones que expõem nossa vida privada à curiosidade planetárias dos serviços de informação.
    A esse respeito, Vince Cerf, um dos inventores da web, considera que “na época das tecnologias digitais modernas, a vida privada é uma anomalía…” (10). Leonard Kleinroc, um dos pioneiros da Internet, é ainda mais pessimista: “Basicamente – considera –, nossa vida privada acabou e é impossível recuperá-la” (11).
    Por um lado, muitos cidadãos se resignam, como se o fim do direito ao anonimato fosse uma fatalidade de época. Por outro, esta preocupação de defender nossa vida privada pode parecer reacionária ou “suspeita”: só os que têm algo a esconder tentariam esquivar-se à vigilância do Estado. Este discurso – “Dá-me um pouco de tua liberdade, e a devolvo centuplicada em garantia de segurança” – é uma cilada. A segurança total não existe, nem pode existir. No entanto, a “vigilância total” converteu-se numa realidade indiscutível.
    Contra a cilada da segurança, cantilena de todos os poderes, recordemos a lúcida advertência lançada por Benjamin Franklin, um dos autores da Constituição norte-americana: “Um povo disposto a sacrificar um pouco de liberdade por um pouco de segurança não merece nem a primeira nem a segunda. E acaba perdendo as duas”. É uma sentença de atualidade perfeita, e que deve nos encorajar a defender o direito à vida privada. Jean-Jacques Rousseau, filósofo iluminista e primeiro pensador a “descobrir” a intimidade, deu o exemplo. Ele foi, também, o primeiro a se rebelar contra a sociedade de seu tempo e contra a sua vontade inquisidora de querer controlar a consciência dos indivíduos.
    “O fim da vida privada seria uma autêntica calamidade existencial”, sublinhou igualmente a filósofa contemporânea Hanna Arendt em seu livro “A condição humana” (12). Com formidável clarividência, sua obra aponta os perigos, para a democracia, de uma sociedade na qual a distinção entre a vida privada e a vida pública estaria estabelecida de forma insuficiente, o que, segundo Arendt, significaria o fim do homem livre. E arrastaria nossas sociedades, de maneira implacável, para novas formas de totalitarismo.
    Notas
    (1) Katrina van den Heuvel et Stephen F. Cohen, “Edward Snowden: A ‘Nation’ Interview”, The Nation, Nova York, 28 de outubro de 2014.
    (2) A Conversação, 1973. Direção: Francis F. Coppola. Intérpretes: Gene Hackman, John Cazale, Cindy Williams, Harrison Ford, Robert Duvall. Palma de Ouro 1974 no Festival de Cannes.
    (3) Ignacio Ramonet, “Entrevista a Julian Assange: ‘Google nos espia e informa ao Governo dos Estados Unidos’”, Le Monde diplomatique em espanhol, dezembro de 2014.
    (4) Jean Guisnel, em seu prefácio do livro de Reg Whitaker, Tous fliqués. La vie privée sous surveillance, Denoël, París, 2001
    (5) Glenn Greenwald, Sem lugar para esconder, Edward Snowden, a NSA, e a espionagem do governo americano, Editora Primeira Pessoa, 2014.
    (6) Michel Foucault, Vigiar e punir, Editora Vozes, Petrópolis, 1987
    (7) Alexis de Tocqueville, A democracia na América, Martins Fontes, 2005.
    (8) Ignacio Ramonet, “Entrevista com Noam Chomsky: Contra o império da vigilância”, Le Monde diplomatique en español, abril de 2015.
    (9) O Show de Truman (The Truman Show) (1998). Direção: Peter Weir. Intérpretes: Jim Carrey, Ed Harris.
    (10) Marianne, París, 10 de abril de 2015.
    (11) El País, Madrid, 13 de janeiro de 2015.
    (12) Hanna Arendt, A condição humana, Editora Forense Universitária, Rio de Janeiro, 2007.

    quinta-feira, 8 de outubro de 2015

    Guilherme Boulos, na Folha, questiona: "E quem julga o TCU"?, citando o histórico nada imaculado de seus membros



      "O atual presidente do Tribunal, Aroldo Cedraz, foi deputado federal pelo então PFL (hoje DEM). O relator das contas de Dilma, Augusto Nardes, começou a carreira na ditadura militar, como vereador pela Arena. Quando foi indicado ministro era deputado pelo PP, o partido mais comprometido na Lava Jato.  As tais "pedaladas fiscais" – atraso nos repasses orçamentários aos bancos públicos para atingir a meta fiscal – não foram inventadas pelo governo Dilma. Começaram em 2001, na gestão de Fernando Henrique Cardoso e repetiram-se anos a fio. Agora, 14 anos depois, parecem ter virado motivo para derrubar presidentes." - Guilherme Boulos


    da Folha
    Guilherme Boulos


    O Tribunal de Contas da União (TCU) rejeitou ontem o julgamento das contas do governo Dilma em 2014. O que seria uma votação protocolar –até então nunca uma conta presidencial havia sido rejeitada– converteu-se em grande evento nacional.

    O PSDB e a parte do PMDB menos satisfeita com a distribuição do butim ministerial enxergam na rejeição a chance de atribuir crime de responsabilidade à presidenta da República, abrindo caminho para o impeachment. As contas de 2014 tornaram-se o atalho para governar o país sem ganhar eleições.

    As tais "pedaladas fiscais" –atraso nos repasses orçamentários aos bancos públicos para atingir a meta fiscal– não foram inventadas pelo governo Dilma. Começaram em 2001, na gestão de Fernando Henrique Cardoso e repetiram-se anos a fio. Agora, 14 anos depois, parecem ter virado motivo para derrubar presidentes.

    É claro que o buraco a que chegou o governo Dilma foi cavado, antes de tudo, por ele próprio. Desde as eleições iniciou-se uma comédia de erros e opções antipopulares. A agenda foi marcada pela política econômica recessiva e ataques a direitos sociais. Quanto mais a direita avança, mais o governo se endireita.

    A política deste governo é a grande responsável por sua impopularidade recorde e não deve ser defendida. Isso é uma coisa. Outra coisa é usar essa situação para manobras golpistas –seja pelo TCU, pelo TSE ou pelo Congresso– que institucionalizem uma saída à direita ante da crise do governo petista.

    Ministros do TCU decidiram de uma hora para a outra apresentarem-se como arautos da moralidade pública. E, embora as conspirações de bastidores vazem aqui e acolá, tentam tingir seu julgamento como imparcial e apolítico.
    Apolítico é tudo o que o TCU não é. Dos nove ministros, seis são indicados pelo Congresso Nacional e três pelo presidente da República, com regras mais restritivas.

    O atual presidente do Tribunal, Aroldo Cedraz, foi deputado federal pelo então PFL (hoje DEM). O relator das contas de Dilma, Augusto Nardes, começou a carreira na ditadura militar, como vereador pela Arena. Quando foi indicado ministro era deputado pelo PP, o partido mais comprometido na Lava Jato.

    O ministro Vital do Rego Filho, o Vitalzinho, era senador pelo PMDB. Raimundo Carreiro e Bruno Dantas foram indicados pela proximidade com Renan Calheiros. E por aí vai, passando por PTB, PSB e indicados por Fernando Henrique. A maquiagem "técnica" e "apolítica" fica um tanto desbotada quanto se considera a procedência dos ministros.

    Quanto à defesa da moralidade pública, convenhamos que há ministros do TCU devendo algumas explicações à sociedade, a começar pelo relator das contas de Dilma.
    Augusto Nardes, novo herói da oposição, está sendo investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal sob suspeita de ter recebido irregularmente R$ 1,65 milhão de uma empresa envolvida em fraudes fiscais,de acordo com a Operação Zelotes. Em mensagens interceptadas pela PF, os investigadores supõem que o ministro recebia a carinhosa alcunha de "tio", dado que seu sobrinho e sócio também tinha participação no negócio.

    Nardes –ao lado do também ministro do TCU Mucio Monteiro– já havia aparecido nas páginas de jornais em 2013 no caso conhecido como dos "supersalários". Os ministros acumulavam o salário do TCU com a aposentadoria do Congresso Nacional, chegando a receber até R$ 47 mil por mês, quase o dobro do teto do serviço público.

    Já Vital do Rego foi alvo de denúncia em julho deste ano por suposto desvio de R$ 10 milhões em contrato da Prefeitura de Campina Grande (PB) com uma empreiteira. O prefeito era seu irmão e, de acordo com o denunciante (ex-tesoureiro da prefeitura), o dinheiro teria ido para a campanha ao Senado do atual ministro.

    Aroldo Cedraz, atual presidente do Tribunal, e seu vice Raimundo Carreiro foram citados na delação premiada de Ricardo Pessoa, que disse ter comprado por R$1 milhão uma decisão favorável do TCU à continuidade da licitação da usina de Angra 3 (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/06/1648578-delator-diz-que-comprou-decisao-no-tcu.shtml). Pessoa disse ainda que pagava uma mesada de R$50 mil a Tiago Cedraz, filho de Aroldo, para obter informações sobre o processo.

    Isso para citar os casos mais recentes e emblemáticos envolvendo ministros do TCU. Causa estranheza que o Tribunal e seus ministros sejam a grande esperança daqueles que dizem querer limpar o país da corrupção.

    A indignação seletiva está se tornando um mal epidêmico no Brasil. Os novos "caçadores de marajás" andam de mãos dadas com Eduardo Cunha e exaltam a probidade do TCU. Não convencem.

    As contas do governo foram julgadas pelo TCU. Agora, fica a pergunta: quem julgará as condutas dos ministros do TCU?

    quarta-feira, 7 de outubro de 2015

    A Mídia e sua modelagem, à imagem de seus interesses, da República Primitiva do Brasil


       "Estou perplexo com a continuidade  desse enredo manjado que virou a nossa história: e o que a imprensa está fazendo, gente? Como explicar a óbvia pretensão de esconder as falcatruas de Eduardo Cunha com o claro objetivo de preservá-lo, já que ele é peça fundamental para o impeachment de Dilma Rousseff? O problema não é a corrupção? Então...e aí? Como explicar a falta de ética de reportagens mentirosas que buscam incriminar o ex-presidente Lula com factoides? Forjar informações não é pior que roubar dinheiro? Você rouba o direito que a pessoa tem de ser bem informada e ter os fatos contextualizados!" - Marcelo Sanches

    A República Primitiva do Brasil, por Marcelo Sanches

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    A República Primitiva do Brasil
    Por Marcelo Sanches
    O que você faz quando descobre que algumas pessoas que ama são idiotas? Ou, na melhor das hipóteses, midiotas? Não pense que a mídia propaga as coisas para pessoas inocentes, carentes de ideologias e preconceitos, não,não. VEJA escreve para um público certo, que clama por aquelas páginas laboriosas cheias de verdades prontas, pois muitos de seus leitores  substituíram a Bíblia pela tal revista por ter reinventado a noção do bem e do mal, dos bandidos e mocinhos, assim como a TV Globo faz com suas novelas  (nas quais é comum uma pessoa com baixo grau de instrução assumir uma grande empresa da namorada e prosperar,se...claro, começar a ralar para o patrão sem reclamar de aumentos salariais nunca!) e com  o William Waack (ou será Bonner? Tanto faz!), com aquela cara de lobo esfomeado, sobrancelhas franzidas, dando as manchetes avisando que o apocalipse chegou, graças ao PT!
    Se você prestar atenção, verá que na Bíblia as coisas são mais complexas, como nos lembra o Professor Leandro Karnal em um de seus livros: Noé encheu a cara de vinho e saiu peladão pela praia depois que as águas do diluvio (atenção, Alckmin!) abaixaram e com isso assustou seu filho, julgado a seguir por ver o pai nu, um ato imperdoável; isso hoje parece uma história sem nexo, não é redondinha, né? Ainda antes, Lúcifer iniciou as brigas politicas, hoje tão comuns, com ninguém mais ninguém menos do que DEUS, e foi acusado de inventar o mal. Mas, para os gregos, ele não era exatamente o representante do mal, e sim uma entidade que ia para alémdo bem e do mal, e segundo algumas interpretações também antigas, era o instigador da liberdade e da felicidade humanas. Muito complexo. A gente precisa de historinhas com começo, meio e fim. Não é? Portanto, o casamento entre a mídia e seu público é perfeito: seus filhos são os midiotas.
    Por que comecei esse texto assim? Porque estou me sentindo muito estranho. Estou me isolando cada vez mais de minha família e de amigos de infância, simplesmente por não ter mais paciência em lidar com tamanha aberração preconceituosa e discriminatória que jorra de um determinismo hipócrita que insiste em identificar “bandidos” e “mocinhos” no quadro politico atual da Brazuca.
    Estou perplexo com a continuidade  desse enredo manjado que virou a nossa história: e o que a imprensa está fazendo, gente? Como explicar a óbvia pretensão de esconder as falcatruas de Eduardo Cunha com o claro objetivo de preservá-lo, já que ele é peça fundamental para o impeachment de Dilma Rousseff? O problema não é a corrupção? Então...e aí? Como explicar a falta de ética de reportagens mentirosas que buscam incriminar o ex-presidente Lula com factoides? Forjar informações não é pior que roubar dinheiro? Você rouba o direito que a pessoa tem de ser bem informada e ter os fatos contextualizados!
    Por que não dar destaque ao fato de que, apesar de seus inúmeros erros, de sua incrível inabilidade política  e do abandono das propostas eleitorais, a presidente quer reduzir seu salário e de seus ministros? O prefeito de São Paulo comete erros, mas também acertos e, de qualquer forma, está tentando devolver - ainda que timidamente -  para o espaço público essa cidade planejada para o mundo privado. Esses são gestos bem raros no mundo político-administrativo. Mas dar destaque ao prêmio de Alckmin como “gestor da água” é mais importante.... Façam-me rir. É a velha ladainha: os bandidões e os mocinhos, os comunistas cubanos e os liberais  bonzinhos, santa paciência! O Alckmin não tem o perfil do comissário Gordon, do Batman dos anos 60? Querem transformar Lula no Pinguim...de qualquer jeito!
    Experimente tentar explicar que o PT não inventou a corrupção, embora tenha se entregado a ela, lamentavelmente. Mas, meu amigo, quer você queira quer não, a coisa é mais truncada, a vida merece estudos e reflexões sobre a história. E aí você vai ver que o bicho pega, e que você está lá no meio, contribuindo de alguma forma para que as coisas sejam do jeito que são. Eu também. Mas os ratos sempre vêm da casa do vizinho. A corrupção está em outro lugar, não aqui, no meu quintal.
    Lugar comum: há que se criticar o PT e condená-lo pela manutenção da corrupção, muito bem, eu concordo, mas por acaso não se odiava o PT mesmo quando era conhecido como o “partido da ética”? Você já se perguntou por que? Se não, se dispuser de dinheiro sobrando, vá consultar um psicólogo para saber a resposta. Aí tem coisa mais íntima. Medo do outro, medo da invasão. Coisas do mundo. Foucault escreveu que todas as leis nasceram da necessidade de se defender das invasões e dos abusos dos reis. Isso é até normal, até certo ponto, claro. Somos seres sociais e a negociação exige limites. Mas espere aí: parar o Brasil porque quer no tapa tirar a presidente eleita do poder concedido a ela legitimamente? Faça-me um favor! Aí você vai me xingar e dizer: “é lógico que tem de tirá-la, até os paralelepípedos pensam assim”, como nosso grande Juca de Oliveira declarou agora...lógico? Será, Juca?
    O ódio se espalha como um vírus, e isso aqui tá parecendo uma zumbilândia. Ei, Alexandre Padilha, ei, Zé da Justiça, vocês tomam porrada e ficam de lero-lero, isso não é da politica não, isso não é ser republicano não, isso é ser conivente com as bestas soltas na praça pelo apocalíptico Jornal da Globo. É quase dizer “sim, eu tenho culpa, desculpem aí”.
    A comunicação não existe - não deveria existir - para confundir. Lembrando palavras de Bertrand Russell, foi por necessidade de comunicarmo-nos que surgiu a linguagem que, por sua vez, abriu caminho para os homens se entenderem, chegarem a um acordo. Nem que seja para discordarem. Esse é o ponto de partida da lógica. Antes da linguagem, havia a selvageria, onde os homens não negociavam nada, pelo contrário, conseguiam as coisas à força. Aliás, assim nasceu o ódio nas sociedades primitivas, tempo em que não havia esquerda nem direita. Digo isso porque tem neguinho carequinha e moderninho por aí dizendo que a esquerda inventou o ódio. Tolinho. O ódio sempre existiu, mas criaram-se outras opções para as diferenças humanas que não a selvageria. Ou será que a ditadura foi só uma brincadeira de forte apache? Será que vivemos ainda na República Primitiva do Brasil? Porque aqui se fala, ou se tenta falar, e não se é ouvido. Viu, Dilma?
    Quer queiram quer não - e isso não é desculpa para justificar a perdição do PT-, roubou-se sempre neste país, a miséria e a desigualdade são provas disso, provas vivas, que andam pelas ruas e pelas favelas e nos noticiários policialescos - e pouca gente dá  importância para isso.  Ninguém agrediu Paulo Maluf nos bares e restaurantes. Pelo contrário. Aplaudiram. Ninguém fez panelaço para Eduardo Cunha no dia em que apareceu como um paciente psiquiátrico no programa de seu partido, lendo teleprompter e olhando para o lado como se não tivesse coragem de olhar nos olhos da gente, face to face.
    Santo Deus, a internet está aqui, é fácil clicar no Google e comparar os dados econômicos da era FHC e ver que os números  –ah, os números-  não querem dizer que Dilma e os governos do PT e do PMDB (sim, o PMDB também é governo e também está envolvido em corrupção) foram os inventores da inflação, do dólar alto, da criação de mais  impostos e da distribuição de propinas. Não precisa ir longe no tempo. Outro dia, o Cunha, esse que hoje é poupado por FHC e suas Panteras e pela imprensa, declarou que foi ele, FHC, quem abriu a porteira da corrupção na estatal. Vai lá, rapaz, se liga no YouTube! Não espere que a TV Globo te lembre dessas coisas, meu amigo. Pois ela é a principal porta-voz da República Primitiva do Brasil e quer que você continue esquecendo o fato de que é um bípede e não um quadrúpede. É isso aí. Valeu
    MARCELO SANCHES É SOCIÓLOGO E COMPOSITOR MUSICAL.

    A mídia golpista chocou os ovos da serpente... Fascismo e imbecilidade estão à solta....

    A mídia chocou os ovos da serpente

    rastejantes

    O que faz um grupo jogar panfletos dizendo que “petista bom é petista morto” no velório de um homem que nenhum mal lhes fez?

    O que faz um homem com idade suficiente para não ser um guri babaca e uma senhora já com idade de dar educação aos netos se portarem sem o mínimo de respeito a uma cerimônia fúnebre?

    São perguntas deprimentes, mas nenhuma delas pior do que a que vem a seguir.

    Quem fez com que eles perdessem a vergonha de se portarem assim?

    A essa pergunta, a resposta é clara: a mídia brasileira.

    Qualquer canalha sabe que hoje será notícia ao produzir macabras papagaiadas como estas.

    Os jornais, que perderam, mais que eles, toda a vergonha de descer abaixo da lama quando se trata de atacar Lula e o governo.

    Chamam de “manifestantes”  dois ou três profanadores senis que se deslocam a um velório, deliberadamente, para fazer o que sabem que será “notícia”, embora seja apenas uma demonstração da  estupidez desumana.

    Gente – se merece nome assim – sempre existiu, mas a ferocidade e a falta de escrúpulos com que se portam deve-se  única e exclusivamente aos nossos meios de comunicação, que agem igual ou pior do que os desmiolados, porque acham que realmente “vale tudo” para atacar.

    Qualquer aspirante a mentecapto vira objeto útil para seus propósitos políticos.

    E da “descivilização”.

    Que produziu uma impensável  ressurreição pública do nazismo no Brasil. Quem  ainda não viu, logo verá.

    Estou velho e triste em ver, em meus país, estes pequenos seres rastejantes serem “notícia”.

    E,  mesmo sendo um homem de paz,  triste também que os “modos civilizados” e o “politicamente correto” os impeçam de levar o bofetão que em outros tempos mereceriam, melhor ainda se de uma mulher, da idade deles, para que não posassem de vítimas e carregassem  no rosto o vermelho da vergonha.

    domingo, 4 de outubro de 2015

    O PMDB e as 30 moedas de Judas

    O PMDB e as 30 moedas de Judas

    No comando do Congresso, o PMDB sempre teve uma força maior que Dilma e o PT e sempre cobrou, cada vez mais caro, por sua cooperação com o governo
    por Jean Wyllys — Carta Capitalpublicado 22/09/2015 18h41, última modificação 22/09/2015 20h33
    Lula Marques/ Agência PT
    PMDB
    No governo Dilma, o PMDB ocupa a vice-presidência da República e a presidência da Câmara e do Senado Federal


    Entre uma crise política grave, que reflete diretamente no desempenho econômico do País e na confiança de seu povo, e uma crise internacional das commodities puxada pela desaceleração brusca da economia chinesa, que derrubou o valor de mercado dos bens brutos - agropecuários ou minerais - nos últimos anos a uma pequena fração do que já valeram, a situação da presidenta Dilma é extremamente delicada.
    O isolamento político do que ainda resta da base governista, as propostas para uma saída da crise que, na prática, implicam a penalização daqueles que mais pagam impostos - ou seja, os mais pobres, que pagam imposto sobre a totalidade da sua renda e que, por conta das altas taxas de impostos embutidos neste consumo, têm seu poder de compra severamente afetado -, dos funcionários públicos e das políticas de assistência social, acabam servindo como um prato cheio para a oposição de direita, hoje capitaneada pelo PMDB, que deseja que, sangrando, o PT saia do governo e lhes dê, automaticamente, o cargo de chefia do Executivo.

    Dilma e sua equipe, mais uma vez - que não é a primeira, e provavelmente não será a última - recorrem à benevolência de quem, hoje, lhes apunhala, e pedem a Cunha que participe da reforma ministerial que servirá para reduzir gastos com a máquina pública em tempos de aperto. Cunha, como não poderia ser diferente, recusou. A ele cabe o papel de algoz, autoproclamado. Quanto pior, melhor para ele e para seu partido: hoje o PMDB ocupa a vice-presidência, a presidência da Câmara e a presidência do Senado. Comandando o Congresso, sempre teve uma força muito maior que a de Dilma ou do Partido dos Trabalhadores, e sempre cobraram o aluguel de sua cooperação com o governo. Quando queriam mais, impunham ao Executivo sucessivas derrotas.
    Plutocratas, sabiam impor seu poder econômico, evidenciado no tamanho de sua bancada. Sim, no Brasil o poder econômico influi diretamente no resultado das eleições: Cunha, por exemplo, teve tantos investidores em sua campanha que cada voto recebido teve um custo equivalente a 30 reais - apenas com as doações oficiais!

    Cleptocratas de carteirinha, há trinta anos no poder, direta - com Sarney na presidência do país - ou indiretamente, são estes políticos com extensa ficha corrida de envolvimento em escândalos de corrupção que agora se impõem como peças chave do movimento pelo impeachment da presidenta, e é a eles a quem Dilma ainda recorre em busca de salvação.
    Contra Cunha pesam acusações de crimes contra a administração pública, enquanto foi presidente da  Companhia de Habitação do Estado do Rio de Janeiro na década de 90, sonegação de impostos, a falsificação de documentos públicos, improbidade administrativa, compra de votos, abuso do poder econômico durante as eleições e, agora, é investigado por envolvimento nos episódios de corrupção na Petrobrás. Renan Calheiros, que não fica para trás, deu nome a um escândalo - o Renangate - que envolvia empresas, lobistas e sua atuação como presidente do Senado, ao qual renunciou à época, mantendo, porém, seu cargo graças ao corporativismo e ao voto secreto que ainda imperava.
    São estes mesmos que pautam parte da imprensa e a opinião pública, que hoje atribuem ao PT a culpa de tudo, inclusive daquilo que não passa diretamente pelo controle do governo federal, mas que, claro, poderiam não ser vulnerabilidades tão grandes caso as gestões petistas tivessem tido, quando havia um bom cenário, a coragem de promover reformas e reajustes de rota. Isso afeta injustamente a credibilidade de toda a esquerda, porque embora as políticas desse governo não sejam de esquerda, são identificadas dessa forma pela simbologia do partido governista.
    Nada foi feito, senão maximizar o lucro das instituições bancárias, penalizar ainda mais a população e, por fim, pagar o alto custo disto com uma desastrosa política de austeridade, quando sabemos que é perfeitamente possível contornar a crise sem tirar do prato e do bolso dos mais pobres. Com isto os algozes não se importam, o urgente é aprofundar a crise política e colher seus frutos, e disto, infelizmente, a população só se dará conta quando for tarde demais!
    Nós, como bancada do PSOL, sempre lutaremos contra os joguetes políticos e também contra qualquer iniciativa que transfira para a população o ônus de uma administração ineficiente, marcada, assim como as que a antecederam, por escândalos de corrupção que juntam Legislativo e Executivo no mesmo balaio do enriquecimento ilícito, e por isto mesmo estamos à vontade para criticar tanto o governo quanto o bloco da oposição de direita.
    Cunha já anunciou que lerá na quinta-feira 24 o parecer sobre o possível impeachment da presidenta. A ver.