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quarta-feira, 10 de abril de 2019

O economista olavista do setor financeiro, Abraham Weintraub posto no MEC, e seus absurdos bolsonaristas contra o Nordeste, por Marcos Silva



Sobre a indicação de um economista para o Ministério da Educação (Abraham Weintraub), a visão do governo Bolsonaro do Nordeste e as políticas do seu governo pensadas para a região


Presidente Jair Bolsonaro e novo ministro da Educação, Abraham Weintraub Valter Campanato/Agência Brasil
Por Marcos Silva
O economista Abraham foi nomeado para o Ministério da Educação por Carlos (perdão pelo cacófato!) e em fala anterior ao ato, agiu como se mudasse antecipadamente o nome do órgão para Ministério da Deseducação: anunciou e garantiu que o Nordeste brasileiro não deveria se dedicar a Filosofia nem a Sociologia, e sim a convênios com Israel no campo da Agronomia.
É um trajeto de velocidade espantosa, entre Hermes/Mercúrio (que também cuidava de negócios, embora fosse mais sábio, promovesse relações entre povos, não apenas com um povo) e o personagem de quadrinhos e cinema Flash.
Em termos geográficos, onde é mesmo que se pensa?
Em qualquer lugar! Europa, França e Bahia, na antiga metáfora popular.
E quem escolhe como pensar?
Os Pensadores!
Quem são esses Pensadores?
Todas as mulheres e todos os homens do mundo!
Ministério da Educação (ou da Deseducação, como Abraham parece preferir) pode contribuir para o Pensamento com verbas e profissionais da primeira área (a Deseducação fica a cargo de qualquer burocrata), jamais com normas definidoras de áreas e tarefas. Ministério da Deseducação não pensa no lugar dos outros.
Alguns homens e mulheres, naquela parte do Brasil que costumamos designar como Nordeste, pensaram filosófica e sociologicamente sem autorização de Abraham, bem antes de seu nascimento. Houve mesmo quem se antecipasse ao conceito de Nordeste, às universidades propriamente ditas (mais que soma de unidades de ensino superior dedicadas a diferentes especialidades) e, já no século XIX e no começo do século XX – quando as regiões geográficas começavam a ser discutidas sistematicamente e os cursos de ensino superior no Brasil antecipavam universidades ao abordarem Filosofia e Sociologia nos quadros de Direito, Medicina e Engenharia -, ousasse filosofar ou sociologizar. Sylvio Romero (1851/1914), advogado, foi um deles, escreveu sobre uma cultura brasileira que mesclava elementos portugueses, africanos e indígenas. Manoel Bomfim (1868/1932), médico, combateu o racismo ao debater a História do Brasil nos quadros da América Latina, e comentou criticamente a Educação na sociedade republicana. Depois, já no tempo de região e universidade mais consolidadas, vieram Gilberto Freyre (1900/1987), graduado em Artes Liberais nos EEUU, que falou sobre africanos como formadores do Brasil; Nise da Silveira (1905/1999), médica, que articulou o trabalho terapêutico em Psiquiatria com Arte e Trabalho, tratando loucos com dignidade; Josué de Castro (1908/1973), médico, que mapeou fome e sociedade, saber de combte; Celso Furtado (1920/2004), advogado, que repensou Economia e Região; e Paulo Freyre (1921/1997), advogado, que ressignificou a Educação no universo popular São Pensadores tão diferentes cada um do outro, tão insistentes em percorrerem Sociologias e Filosofias, referências para universidades no Brasil e no mundo! E até hoje, inúmeros outros Pensadores nordestinos transitam por Filosofia, Sociologia e mais campos de saber em seu trabalho cotidiano, agora com cursos específicos, sem estribos governamentais sobre como pensar. Filosofia e Sociologia existem no Nordeste porque os Nordestinos (como os demais homens e mulheres do mundo) pensam!
Não estamos diante de ecletismo ou indefinição intelectual. Quando advogados, médicos e outros profissionais apelam para Filosofia e Sociologia, apenas demonstram que possuem rigorosa formação universitária.
O que é mesmo uma Universidade?
Mais que aglomerado de cursos e tarefas, universidades são conjuntos de núcleos de estudos sobre múltiplos saberes, articulados uns aos outros.
Cada campo de conhecimento está na universidade porque precisa dos outros e é invocado pelos demais.
E o que é mesmo Nordeste?
Existe uma região que é definida administrativamente – órgãos e verbas governamentais, respectivos poderes.
Outra que é invocada ideologicamente, justificativa para práticas de poder.
E também outra nasce inventada pelo preconceito, em nome de dominação e atos de excluir.
Mas não é possível esquecer a região recuperada por dominados e preconceituados, contra essa prática, como afirmação de poderes alternativos e críticos, presente tanto no cotidiano dos designados como paraíbas ou baianos quanto na produção artística reflexiva.
O Nordeste de administração e ideologia pode dispensar Filosofia e Sociologia porque essa é sua lógica instrumental e produtora da ignorância. Algo semelhante ocorre no mundo do preconceito, alheio ao Pensamento. Mas o Nordeste crítico, dos preconceituados, contra os dominantes, reivindica para si aqueles e outros universos de Pensamento porque… pensa.
Nordeste não é apenas um lugar físico do mapa, é um universo de homens e mulheres portadores de culturas que são mais que região e estão além daquele recorte. Nordestinos estão em New York e Paris, assim como New York e Paris estão nos Nordestes – textos, imagens, danças, cantos, lutas… E regiões não apagam Gêneros, Classes Sociais, Etnias e tantas outros faces de experiências humanas.
O desejo de Abraham não sobreviverá ao fazer crítico dos Nordestes. Filosofia e Sociologia existem ali porque os Nordestinos pensam, contra a Deseducação governamental e preconceituosa.
Convênios universitários podem e devem ser feitos com todos os países, inclusive Israel e Autoridade Palestina. Convênio não é parasitismo: existem pesquisas no Brasil sobre irrigação e outros campos de Agronomia. O Nordeste recebe pesquisadores estrangeiros nessa e noutras áreas de estudos e envia seus pesquisadores para tantos outros país. Existem Filósofos e Sociólogos em diferentes universidades do Nordeste brasileiro e do resto do planeta, assim como Físicos, Linguistas, Historiadores, Psicólogos e demais pensadores gabaritados.
Todo apoio aos convênios entre as universidades brasileiras nordestinas (e de outras regiões do país) e suas congêneres do mundo inteiro. Universidade é para isso mesmo, para ser universo.
*Marcos Silva é do Departamento de História da FFLCH/USP
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quarta-feira, 1 de março de 2017

Marcelo Odebrecht entrega Padilha, que pediu os R$10.000.000,00 no Jaburu em nome de Temer




Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil de Michel Temer, não tem mais condições de retornar de sua licença médica; nesta tarde, o empreiteiro Marcelo Odebrecht afirmou que foi ele quem pediu R$ 10 milhões para o PMDB, em 2014, num jantar em pleno Palácio do Jaburu, com a presença de Temer; os recursos, que ajudaram a pagar 140 deputados favoráveis ao golpe de 2016, saíram do departamento de propinas da empreiteira e foram levados, em parte, ao escritório de José Yunes, melhor amigo de Temer, que disse ter sido "mula" de Padilha; desesperado para se manter no cargo que usurpou da presidente eleita Dilma Rousseff, Temer pedirá a anulação do depoimento de Marcelo Odebrecht (Do Brasil 247)


O empreiteiro Marcelo Odebrecht implodiu de vez Eliseu Padilha, ministro licenciado da Casa Civil, no depoimento que prestou nesta tarde ao ministro Hermann Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral.
Segundo Marcelo, foi Padilha quem pediu R$ 10 milhões para o PMDB, em 2014, num jantar em pleno Palácio do Jaburu, com a presença de Temer. Marcelo disse ainda que os pagamentos foram feitos via caixa dois.
Na realidade, os recursos saíram do departamento de propinas da empreiteira e foram levados, em parte, ao escritório de José Yunes, melhor amigo de Temer, que disse ter sido "mula" de Padilha.
Yunes afirmou que recebeu um envolope de Lucio Funaro, empresário tido como operador de Eduardo Cunha, preso há quatro meses em Curitiba. Funaro lhe teria dito que 140 deputados estavam sendo pagos pelo PMDB – o que indica que o impeachment foi comprado.
Desesperado para se manter no cargo que usurpou da presidente eleita Dilma Rousseff, Temer pedirá a anulação do depoimento de Marcelo Odebrecht.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Na luminar São Paulo dos 20 anos seguidos do PSDB "acima de qualquer suspeita", a policia afirma hereticamente que o "Esquema da merenda foi uma verdadeira farra"...

"Os delegados da Operação Alba Branca, que apura fraudes na merenda escolar no Estado de São Paulo, afirma que as fraudes eram uma "verdadeira farra como o dinheiro público". A expressão aparece no pedido de prisão de sete pessoas ligadas à Cooperativa Agrícola Familiar (Coaf), da cidade de Bebedouro, documento que foi base para a deflagração da operação."

Esquema da merenda foi verdadeira farra, diz Polícia Civil


Propina apreendida pela polícia com funcionário da Coaf
Jornal GGNOs delegados da Operação Alba Branca, que apura fraudes na merenda escolar no Estado de São Paulo, afirma que as fraudes eram uma "verdadeira farra como o dinheiro público". A expressão aparece no pedido de prisão de sete pessoas ligadas à Cooperativa Agrícola Familiar (Coaf), da cidade de Bebedouro, documento que foi base para a deflagração da operação.
De acordo com a polícia, o esquema se aproveitou da lei federal que prevê incentivos para a compra de até 30% de produtos da merenda escolar de pequenos produtores rurais. Segundo os delegados, o esquema envolvia propinas nos contratos com o governo estadual e prefeituras. A Coaf participava das chamadas públicas simulando disputa com outras cooperativas ligadas a ela e combinando preços superfaturados. Em janeiro polícia apreendeu R$ 95,6 mil reais na cidade de Taiuva, vizinha de Bebedouro.
Pouco espaço na capa
Apesar dos documentos e da apuração dos repórteres do jornal, a capa do site do Estadão dava pouco destaque para a matéria. No começo da manhã de hoje, ela tinha apenas uma linha, aparecendo abaixo da chamada sobre a delação de Fernando Moura, na Operação Lava Jato. Erroneamente, a notícia sobre o delator do esquema da Petrobras aparecia sob o 'chapéu' Operação Alba Branca, que é a investigação que apura os crimes relacionados à merenda escolar.
Do Estadão
POR RICARDO BRANDT, FAUSTO MACEDO E PEDRO VENCESLAU
Em janeiro, Polícia Civil prendeu com um dos funcionários da cooperativa Coaf, que fraudava contratos de merenda com Estado e prefeituras, R$ 95 mil em dinheiro vivo que seria entregue a lobista foragido
Os delegados da Operação Alba Branca afirmam que o esquema mantido pela Coaf (falsa cooperativa de produtores rurais) na venda de produtores para a merende escolar no governo do Estado, em São Paulo, e em prefeituras era “uma verdadeira farra com o dinheiro público”.
O termo consta do pedido de prisão de sete pessoas ligadas à Cooperativa Agrícola Familiar (Coaf), de Bebedouro, assinado pelos delegados da Polícia Civil Mario José Gonçalves, Paulo Roberto Montelli e João Vitor Silvério. O documento foi a base para deflagração da Alba Branca, no dia 19 de janeiro, que desmontou um esquema de corrupção e fraudes em contratos do governo do Estado e de 22 prefeituras. O esquema, segundo a polícia, se aproveitou da legislação federal, que estipula e prevê incentivos para compra de até 30% de produtos da merenda escolar de pequenos produtores rurais.
A representação dos delegados aponta que o esquema envolvia propinas, chamadas pelos investigados de “comissões”, que giraram entre 10% e 20% em contratos com governos de estado e prefeituras para fornecimento de produtos para merenda, como suco de laranja e arroz. A Coaf participava das chamadas públicas simulando disputa com outras cooperativas ligadas a ela, combinando preços, que eram superfaturados – um litro de suco de laranja, que para a entidade custava R$ 3,70, era vendido a R$ 6,80. Para garantir os contratos com o governo e prefeituras, era feito a certo de “comissões”.
“Tais valores, via de regra, são entregues em dinheiro ao representante do órgão público participante do esquema, no caso, alguém que funcionava como um ‘lobista’”, informa relatório da Alba Branca.
Apreensão de propina. Com base em horas de escutas telefônicas e nos depoimentos de pelos menos seis funcionários da Coaf, incluindo o presidente da entidade, Cássio Chebabi, foi possível detalhar como eram feitos as entregas de pacotes de dinheiro vivo, depósitos em contas e acertos em postos de combustível às margens de rodovias.
Num dos trechos do documento, a Polícia Civil aponta que foram identificados a “entrega de valores, sendo uma no valor de R$ 130 mil, uma segunda de R$ 80 mil e, uma terceira, que iria ser efetuada no valor de R$ 95 mil”.
Considerada pela Alba Branca “importante prova material da efetiva existência dessa organização criminosa”, a polícia apreendeu R$ 95,6 mil reais em notas de R$ 50 e R$ 100, no dia 9 de janeiro, na cidade de Taiuva – vizinha a Bebedouro, sede da Coaf.
O dinheiro estava com Cesar Bertholino, funcionário do setor financeiro da Coaf, que em depoimento admitiu fazer entrega de propinas. No seu depoimento, no dia 19, ele afirmou que “os R$ 95.600 apreendidos na rodovia” “seriam entregues para Marcel, fruto da última parcela do contrato com a Secretaria Estadual de Educação”.
O dinheiro seria a propina paga a Marcel Ferreira Julio, filho do ex-deputado Leonel Julio, que atuaria como lobista que fazia a ligação entre a Coaf e os agentes públicos do governo do Estado e das prefeituras. Ele está foragido.
“Junto com o dinheiro, os policiais ainda localizaram uma anotação com o montante transportado, como ainda divisão de porcentagem e ainda a inscrição “pai” com a anotação de valores na frente”, informa o relatório. A Alba Branca acredita que “seria referente ao montante que seria destinado ao estranho personagem Leonel Julio, pai do investigado Marcel”.
Nos depoimentos, os funcionários e o dirigente da Coaf disseram que Marcel ficava com 10% de comissões nos contratos fechados com o poder público. Seu pai teria uma cota de 2% dessa comissão.

trecho alba relatorio 1

trecho alba relatorio 2

Pressão. Bertholino detalhou como foi a tentativa de entrega frustrada pela polícia. “Naquela ocasião foram sacos da conta da Coaf R$ 181 mil”, diz ele apontando os nomes dos funcionários responsáveis pela retirada no banco. “R$ 1 mil se destinavam a cobrir suas despesas de viagem, já que visitaria prefeituras também (Mairiporã e Barueri), R$
60 mil foram repassados para o vendedor Carlos Luciano que os repassaria para Joaquim, de Campinas, que havia feito vendas para a Coaf e R$ 120 mil se destinavam a Marcel, dois quais a pedido dele segurou parte consigo, que depositaria na conta da esposa dele, onde havia cheques a cobrir e lhe levaria pessoalmente os R$ 95,6 mil apreendidos.”
Depois da apreensão da última parte da propina pela polícia, Marcel ligou para o declarante (Bertholino) e para o vendedor Adriano, pressionado-os para lhe entregasse o dinheiro que julgava devido, pois ele alegava que apreensão não era problema dele.
A entrega, segundo o funcionário da Coaf, foi efetivada. “Em razão da pressão de Marcel, posteriormente o declarante e Adriano com carro alugado da Localiza, levaram-lhe os aludidos R$ 95,6 mil, entregues numa padaria de São Paulo.”
Marcel Julio está foragido, foi o único só sete alvos da Alba Branca a não ser localizado no dia 19. Ele foi flagrado nas escutas telefônicas feitas pela operação com autorização judicial e teve seu nome citado.
“Essa apreensão, obviamente somente ocorrera em razão do andamento do procedimento especial de interceptação telefônica”, escrevem os delegados.

domingo, 4 de outubro de 2015

O PMDB e as 30 moedas de Judas

O PMDB e as 30 moedas de Judas

No comando do Congresso, o PMDB sempre teve uma força maior que Dilma e o PT e sempre cobrou, cada vez mais caro, por sua cooperação com o governo
por Jean Wyllys — Carta Capitalpublicado 22/09/2015 18h41, última modificação 22/09/2015 20h33
Lula Marques/ Agência PT
PMDB
No governo Dilma, o PMDB ocupa a vice-presidência da República e a presidência da Câmara e do Senado Federal


Entre uma crise política grave, que reflete diretamente no desempenho econômico do País e na confiança de seu povo, e uma crise internacional das commodities puxada pela desaceleração brusca da economia chinesa, que derrubou o valor de mercado dos bens brutos - agropecuários ou minerais - nos últimos anos a uma pequena fração do que já valeram, a situação da presidenta Dilma é extremamente delicada.
O isolamento político do que ainda resta da base governista, as propostas para uma saída da crise que, na prática, implicam a penalização daqueles que mais pagam impostos - ou seja, os mais pobres, que pagam imposto sobre a totalidade da sua renda e que, por conta das altas taxas de impostos embutidos neste consumo, têm seu poder de compra severamente afetado -, dos funcionários públicos e das políticas de assistência social, acabam servindo como um prato cheio para a oposição de direita, hoje capitaneada pelo PMDB, que deseja que, sangrando, o PT saia do governo e lhes dê, automaticamente, o cargo de chefia do Executivo.

Dilma e sua equipe, mais uma vez - que não é a primeira, e provavelmente não será a última - recorrem à benevolência de quem, hoje, lhes apunhala, e pedem a Cunha que participe da reforma ministerial que servirá para reduzir gastos com a máquina pública em tempos de aperto. Cunha, como não poderia ser diferente, recusou. A ele cabe o papel de algoz, autoproclamado. Quanto pior, melhor para ele e para seu partido: hoje o PMDB ocupa a vice-presidência, a presidência da Câmara e a presidência do Senado. Comandando o Congresso, sempre teve uma força muito maior que a de Dilma ou do Partido dos Trabalhadores, e sempre cobraram o aluguel de sua cooperação com o governo. Quando queriam mais, impunham ao Executivo sucessivas derrotas.
Plutocratas, sabiam impor seu poder econômico, evidenciado no tamanho de sua bancada. Sim, no Brasil o poder econômico influi diretamente no resultado das eleições: Cunha, por exemplo, teve tantos investidores em sua campanha que cada voto recebido teve um custo equivalente a 30 reais - apenas com as doações oficiais!

Cleptocratas de carteirinha, há trinta anos no poder, direta - com Sarney na presidência do país - ou indiretamente, são estes políticos com extensa ficha corrida de envolvimento em escândalos de corrupção que agora se impõem como peças chave do movimento pelo impeachment da presidenta, e é a eles a quem Dilma ainda recorre em busca de salvação.
Contra Cunha pesam acusações de crimes contra a administração pública, enquanto foi presidente da  Companhia de Habitação do Estado do Rio de Janeiro na década de 90, sonegação de impostos, a falsificação de documentos públicos, improbidade administrativa, compra de votos, abuso do poder econômico durante as eleições e, agora, é investigado por envolvimento nos episódios de corrupção na Petrobrás. Renan Calheiros, que não fica para trás, deu nome a um escândalo - o Renangate - que envolvia empresas, lobistas e sua atuação como presidente do Senado, ao qual renunciou à época, mantendo, porém, seu cargo graças ao corporativismo e ao voto secreto que ainda imperava.
São estes mesmos que pautam parte da imprensa e a opinião pública, que hoje atribuem ao PT a culpa de tudo, inclusive daquilo que não passa diretamente pelo controle do governo federal, mas que, claro, poderiam não ser vulnerabilidades tão grandes caso as gestões petistas tivessem tido, quando havia um bom cenário, a coragem de promover reformas e reajustes de rota. Isso afeta injustamente a credibilidade de toda a esquerda, porque embora as políticas desse governo não sejam de esquerda, são identificadas dessa forma pela simbologia do partido governista.
Nada foi feito, senão maximizar o lucro das instituições bancárias, penalizar ainda mais a população e, por fim, pagar o alto custo disto com uma desastrosa política de austeridade, quando sabemos que é perfeitamente possível contornar a crise sem tirar do prato e do bolso dos mais pobres. Com isto os algozes não se importam, o urgente é aprofundar a crise política e colher seus frutos, e disto, infelizmente, a população só se dará conta quando for tarde demais!
Nós, como bancada do PSOL, sempre lutaremos contra os joguetes políticos e também contra qualquer iniciativa que transfira para a população o ônus de uma administração ineficiente, marcada, assim como as que a antecederam, por escândalos de corrupção que juntam Legislativo e Executivo no mesmo balaio do enriquecimento ilícito, e por isto mesmo estamos à vontade para criticar tanto o governo quanto o bloco da oposição de direita.
Cunha já anunciou que lerá na quinta-feira 24 o parecer sobre o possível impeachment da presidenta. A ver. 

sábado, 7 de março de 2015

Da Rede Brasil Atual: "Acreditar que a mídia tradicional se abrirá ao contraditório é ilusão"


Extraído da Rede Brasil Atual:

VOZES

Acreditar que a mídia tradicional se abrirá ao contraditório é ilusão

É uma grave falha da democracia exigir que governantes eleitos pelo voto popular sejam obrigados a se dirigir à sociedade por meios privados, controlados por minorias que os querem ver apeados do poder
por Lalo Leal publicado 07/03/2015 13:40, última modificação 07/03/2015 15:03
CC / MAISUMGRAFITENOMURO
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Na primeira reunião ministerial do segundo mandato, a presidenta Dilma Rousseff convocou seus auxiliares para a “batalha da comunicação”. Foi enfática: “Nós devemos enfrentar o desconhecimento, a desinformação sempre e permanentemente. Vou repetir: sempre e permanentemente”.
Nada mais justo. A desinformação contrária ao governo campeia pelo país, orquestrada pelos grandes meios de comunicação. A reação da presidenta é justificável. Resta saber quais são as armas que ela e seus ministros possuem para essa batalha. Se esperam contar com a benevolência dos meios tradicionais, podem tirar o cavalo da chuva. A batalha estará perdida antes de ser travada.
Alguns veículos até publicam o que chamam de “outro lado”, mas sempre de forma discreta e submissa à pauta criada para fustigar o governo. A desproporção entre o ataque da mídia e a possibilidade de resposta através dela mesma é brutal. Constata-se uma grave falha da democracia ao exigir que governantes eleitos pelo voto popular sejam obrigados a se dirigir à sociedade por meios privados, controlados por minorias que os querem ver apeados do poder.
Além disso a participação do governo na batalha da comunicação não pode ser apenas reativa aos ataques da oposição midiática. É preciso tomar a iniciativa e buscar canais despoluídos para que as mensagens cheguem ao público sem ruídos.
Para ampliar a liberdade de expressão uma lei de meios é fundamental, embora não seja o único caminho. Outro, de construção mais rápida, é o da comunicação pública, indispensável para o jogo democrático. Dela, já há o embrião constituído pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), com suas duas emissoras de televisão, oito de rádio, duas agências de notícias e um portal na internet. Resta tirá-la da irrelevância. Não para se tornar porta-voz do governo mas para fazer jornalismo de qualidade, livre de ingerências partidárias e comerciais.
A primeira medida é dar a esses veículos abrangência nacional, atendendo a um dos princípios básicos da comunicação pública que é o do acesso universal. Toda pessoa tem o direito, em qualquer parte do país­, de receber os sinais desses meios de forma rápida e fácil. A TV Brasil, por exemplo, deve ser sintonizada em qualquer lugar da mesma forma com que hoje sintonizamos a Globo ou a Record.
Com a digitalização e a consequente multiplicidade de canais, torna-se possível segmentá-los constituindo um conjunto formado pelo canal generalista já existente, ao lado do infantil e do noticioso. Seria o núcleo básico ao qual poderiam ser agregados canais de filmes, de música, de arte e esportes.
Quanto ao rádio, cabe lembrar que ele continua sendo a segunda fonte mais utilizada para a informação e o entretenimento no Brasil. Ao controlar um leque de emissoras que vai da histórica Rádio Nacional do Rio de Janeiro à estratégica Rádio Nacional do Alto Solimões, o serviço de rádio da EBC tem potencial para se tornar uma alternativa importante em relação ao que hoje é oferecido ao público.
Necessidade imediata nesse sentido é a constituição de emissora noticiosa 24 horas no ar, capaz de produzir uma narrativa distinta das produzidas pelas rádios comerciais que tornam homogênea a informação radiofônica em circulação pelo país.
No caso da internet, a Agência Brasil já exerce um papel importante voltado para o público leitor e para o municiamento informativo de um número expressivo de veículos em todo o território nacional. Cabe popularizar e ampliar esse serviço tendo como uma das janelas o portal da EBC, dando a ele formas de acessibilidade e fidelização semelhantes às obtidas pelos portais informativos vinculados à mídia comercial.
Com a existência de canais públicos fortes, abertos aos interesses mais gerais da sociedade, a batalha da comunicação seria travada em termos um pouco mais equilibrados, dando ao público o direito de uma escolha real.