sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O fascismo no Brasil atual. Reflexões do Canal Notícias Comentadas


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Significado de Fascismo

substantivo masculinoMovimento ou regime político e filosófico que, semelhante ao imposto por Benito Mussolini, na Itália em 1922, baseia-se no despotismo, na violência, na censura para suprimir a oposição, caracterizado por um governo antidemocrático ou ditatorial.[Por Extensão] Tendência para formas autoritárias ou ditatoriais.[Por Extensão] Comportamento ou modo de agir da pessoa fascista. (Fonte: Dicionário Online de Português)

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Links Significado de Fascismo https://www.dicio.com.br/fascismo/ Fascismo http://www.infoescola.com/historia/fa... História - Fascismo Italiano https://www.youtube.com/watch?v=RH3pN... Ditadores - Ascensão do Fascismo (Legandado). https://www.youtube.com/watch?v=o95kX... O que é Fascismo: https://www.significados.com.br/fasci... Fascismo https://pt.wikipedia.org/wiki/Fascismo Um a cada três brasileiros apoia intervenção militar no país http://exame.abril.com.br/brasil/um-a... Dossiê do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral https://pt.wikipedia.org/wiki/Dossi%C... O ranking dos partidos políticos com mais fichas-sujas no Brasil em 2016 http://www.pragmatismopolitico.com.br... ODEBRECHT ENTREGA MICHEL TEMER https://www.youtube.com/watch?v=5J6DQ... GILMAR MENDES PEDE CASSAÇÃO DE REGISTRO DO PT https://www.youtube.com/watch?v=OhhN1...

Do DCM: Tacla Durán, o fim da página da mulher de Moro, a histeria de Dallagnol. Por Kiko Nogueira, do DCM


Do DCM:




O Brasil assiste aos estertores da Lava Jato. Como no apocalipse, os sinais estão em toda parte.
Os mais visíveis são o encerramento da página no Facebook da mulher de Sergio Moro, Rosângela, em homenagem aos feitos do marido; a prisão patética da líder do grupo golpista Nas Ruas, caluniando deputados em nome do juiz paranaense; a histeria de Deltan Dallagnol, agora tentando sabotar as eleições de 2018 com os amigos procuradores.
O depoimento do ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Durán à CPMI da JBS foi a pá de cal.
Durán, como se sabe, não fez acordo de delação premiada. Através de teleconferência, mostrou cópias periciadas de conversas com Carlos Zucolotto, padrinho de casamento de Moro, no que parece uma tentativa de extorsão.
Zucolotto negociaria em nome de um tal “DD”, iniciais naturalmente associadas a Deltan Dallagnol — ou, como está circulando na internet, Duiz Dinácio.
Tacla Durán ainda citou a delação “à la carte” que lhe teria sido oferecida por Marcelo Miller. Ainda que virtualmente ignorada pela imprensa, sua participação na CPI inundou as redes sociais.
série de reportagens do DCM com o GGN mostrou que a Lava Jato tornou-se uma indústria que está deixando muita gente rica — advogados, gente do Ministério Público, delatores –, enquanto o país empobrece.

Que tipo de combate aos corruptos é esse?
A ganância da tal “panela de Curitiba”, de que fala Durán, engoliu os motivos pretensamente “nobres” da operação que pretendia redimir o Brasil de 500 anos de corrupção.
Com tantos peixes graúdos na rede, ela foi instrumentalizada para ajudar a derrubar Dilma Rousseff e perseguir Lula obsessivamente.
Ao final, a desmoralização. A mídia deu uma força inestimável nesse sentido com os vazamentos sem critério e a canonização de picaretas como o Japonês da Federal. Foi o abraço do afogado.
Criaram-se popstars jurídico-policiais como Dallagnol, Carlos Fernando dos Santos Lima, Sergio Moro, Rodrigo Janot e tantos outros fios desencapados, sequestradores das vontades de um STF fraco.
Nenhum país aguenta viver sob uma instabilidade institucional dessa monta. O Brasil foi alvo de uma condução coercitiva da Lava Jato. Quatro anos depois, como diziam os Teletubbies, é hora de dar tchau.
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Os anjos caídos do capitalismo. Artigo do Juiz de Direito André Tredinnick




"Trabalho escravo, narcotráfico, tráfico de armas, de órgãos humanos, de seres humanos, prostituição, jogo ilegal, guerras, fome, miséria, destruição do meio ambiente, aquecimento global, assim como transferência de empresas para o terceiro mundo, que corre para desregulamentar os direitos dos trabalhadores, transferências incessantes de capital especulativo em formulações ultracomplexas, tudo é um negócio em suas mãos etéreas e ele não se desenvolve sem o ilícito, como ilícito ele é em sua gênese e existência predatória.

"Daí que a maior coerência que teriam os juízes ressentidos seria considerar, tal como um tribunal maoísta, esses supostos “anjos caídos” do capitalismo como inimigos da classe trabalhadora.

"Os julgamentos espetaculosos, as condenações morais, baseadas na barganha reiterada com o indigitado criminoso, nas legislações aprendidas nos bancos de faculdades americanas e nos programas de televisão detetivescos igualmente importados, enfim, os paradigmas classemedianos como fundamento da condenação seriam, nesse outro aberrante teatro do absurdo, minimamente coerentes." - André Tredinnick


Do site Justificando:

Os anjos caídos do capitalismo

Sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Os anjos caídos do capitalismo


Foto: Reprodução
“A justiça eternal tinha disposto
Para aqueles rebeldes este sítio:
Ali foram nas trevas exteriores
Seu cárcere e recinto colocados,
longe do excelso Deus, da luz empíria,
Distância tripla da que os homens julgam
Do centro do orbe à abóbada estrelada.
Oh! como esse lugar, onde ora penam,
É diverso do Céu donde caíram!”
(John Milton, O Paraíso Perdido)
Diante do gozo coletivo das prisões espetaculares de políticos e empresários, típico de uma classe média alienada, culturalmente pobre e autoritária, gostaria de escrever sobre as duras sentenças aplicadas a um grupo da sociedade que nunca fez parte da população preferencial das cadeias brasileiras: os super-ricos, assim entendidos o 1% da população brasileira que recebe a renda mensal de R$ 23.128,71 para mais.
De um modo geral, a imensa maioria dos condenados às masmorras nesse país é composta por miseráveis, negros, pobres, semi-alfabetizados, moradores das periferias e favelas. O sistema de justiça criminal brasileiro é como um moedor de carne desses 99%.
Tendo atingido o inglório 4º lugar da maior população carcerária do mundo, com mais de 600 mil pessoas encarceradas, sendo 40% delas sem julgamento definitivo, esse contingente humano é composto por negros (67%), pobres e excluídos (1% possui curso superior completo), e seguimos insistindo na ideia da cadeia como solução para os males do país.
Quando, nas estranhas operações com nomes bizarros e larga cobertura midiática, esses milionários são apenados, em algumas ocasiões juízes, oriundos das classes médias em sua imensa maioria, e, portanto, ressentidos no sentido nietzschiano da palavra, valem-se de expressões de caráter moral para julgá-los.
Não é incomum o uso de termos como “valores espúrios”, “relação espúria”, “ganância” e “corrupção sistêmica”, expressões carregadas de conteúdo moral, e analisam as práticas comerciais como “transações que contrariam a lógica empresarial” para “limpar o capital sujo e reintroduzi-lo no sistema financeiro com aparência lícita”, já que o apenado “sabia ou deveria saber” da “origem ilícita dos valores”, posto que suas maquinações tornariam “mais difícil a identificação da procedência dos valores”.
Para esses julgadores, esses milionários faltam com a verdade, porque possuem todos contas em bancos sediados em paraísos fiscais, sob a forma de offshore, não raro possuem grifes, abrem lojas de luxo e restaurantes caríssimos que não possuem vendas suficientes para bancar as despesas do próprio negócio, e realizam transferências financeiras em transações eletrônicas de difícil compreensão [1], normalmente entendidos como provas da atividade criminosa.
Talvez esses privilegiados não deixem de ser vistos como anjos caídos, exemplares segregados de seu contexto, como aves rarae ou ovelhas negras do seu habitat: o sistema econômico do capitalismo.
Ocorre que esse milionário, inusitado frequentador do banco dos réus do tribunal midiático, não é uma avis rara, uma ovelha negra nem muito menos um anjo caído miltoniano.
O que não veem é que não há como considerá-los exceção. Como exemplares poluídos que se rebelaram contra a divina ordenação econômica e conspurcaram um sistema econômico sacrossanto. O que esses poucos e incomuns usuários do sistema de justiça criminal representam é um vislumbre da própria ordem econômica a qual pertencem.
Uma fagulha cintilando na noite escura do ressentido da classe média que volta contra o abastado sua representação da deus iræO que ele, admirador do capitalismo (que considera a expressão máxima da liberdade e da democracia) não compreende é o que está julgando.
O verdadeiro capitalista que senta no banco dos réus representa o próprio capitalismo. Ele o encarna no palco dos tribunais televisionados.
O sistema econômico do capitalismo é em si um roubo. Um roubo do tempo dos trabalhadores, um roubo das riquezas das nações, dos valores caros da vida como a liberdade, democracia, o meio ambiente, a felicidade, a educação e a cultura.
A mão invisível que tudo regularia é a mão fantasmagórica que tudo enlaça, que torna o capitalismo avesso a qualquer regulamentação e antagonista da verdadeira liberdade e da democracia efetiva.
Por si só exploratório e escorregadio, vive na promiscuidade com os supostos representantes do povo e de escapar a qualquer ônus social, desde a repartição da riqueza e até a mera tributação.
Daí suas intrincadas formulações nessa fase em que sequer produtivo é. Hoje a produção industrial é um acidente. A primeira grande crise especulativa, a bolha das tulipas do século XVII, é hoje a meta do capitalismo financeiro, que subordina os meios de produção à obtenção de lucro pelo mercado financeiro. Seu foco é gerar lucro a qualquer preço, a qualquer custo, sem limites.
Trabalho escravo, narcotráfico, tráfico de armas, de órgãos humanos, de seres humanos, prostituição, jogo ilegal, guerras, fome, miséria, destruição do meio ambiente, aquecimento global, assim como transferência de empresas para o terceiro mundo, que corre para desregulamentar os direitos dos trabalhadores, transferências incessantes de capital especulativo em formulações ultracomplexas, tudo é um negócio em suas mãos etéreas e ele não se desenvolve sem o ilícito, como ilícito ele é em sua gênese e existência predatória.
Daí que a maior coerência que teriam os juízes ressentidos seria considerar, tal como um tribunal maoísta, esses supostos “anjos caídos” do capitalismo como inimigos da classe trabalhadora.
Os julgamentos espetaculosos, as condenações morais, baseadas na barganha reiterada com o indigitado criminoso, nas legislações aprendidas nos bancos de faculdades americanas e nos programas de televisão detetivescos igualmente importados, enfim, os paradigmas classemedianos como fundamento da condenação seriam, nesse outro aberrante teatro do absurdo, minimamente coerentes.
Como nos encontramos nessa armadilha? Como construímos uma sociedade que aposta que os excessos, as prisões ilegais, a fragilidade de provas e as condenações em massa que levam centenas de milhares aos cárceres seria um critério para corrigir os males do país também no andar de cima?
Não existe possibilidade da superação da história sem um radical enfrentamento da nossa realidade. Um dos países com a maior concentração de renda do mundo, aporofóbico, profundamente racista, lgbtfóbico, misógino, não alterará esse cenário com boas discussões sobre o que é o Brasil.
O capitalismo não pode ser concertado ou humanizado. Ele é o defeito e ele é desumano.
Há nessas operações e seus rótulos de marketing uma grande perda de oportunidade histórica.
A pretensão de mudar um sistema exploratório político e econômico com a punição vingativa, produto do julgamento espetacular, moralista, típico da abraâmica lógica binária “bem versus mal” nada pode produzir de bom.
O que os milionários poderiam dizer, não em troca de uma tornozeleira e de ficar preso em casa, ou de décadas de condenação ao cárcere – a princípio, evidentemente – em uma Comissão da Verdade e Reconciliação como fez a África do Sul, dentro da filosofia ubuntu, para enfrentar os crimes do regime do apartheid?
Nessa filosofia, que em essência significa o que é ser uma pessoa humana, se entende que há interconectividade entre a vida e a humanidade, e se reconhece que a humanidade e bem estar de um depende da humanidade e bem estar dos outros.
Portanto, o mundo ubuntu valoriza a totalidade da comunidade e os seus indivíduos, transcendendo categorizações como raça, religião ou classe, criações humanas que não possuem relação com o ser-aí,  e, portanto, não existe a ideia do “outro” como parte da mesma comunidade. Ele é a comunidade, como a comunidade é ele.
Daí a necessidade de observar que o perpetrador atinge a comunidade com sua conduta e também a si mesmo, se desumanizando tanto quanto desumanizou a todos. O objetivo da reconciliação assim é auxiliar as partes conflituosas a se reconciliar, fazer tanto a humanidade da vítima como a do perpetrador poder ser restaurada. Nesse passo, a confiança pode ser restaurada e a harmonia social mantida.
Nesse tribunal, destinado a dar publicidade aos crimes do apartheid, os perpetradores que confessassem seus delitos ficariam imunes a qualquer punição, desde que apresentassem ampla colaboração com a sociedade, divulgando todas as práticas do regime, para que esse nunca mais voltasse a acontecer.
Essa foi a solução negra e africana para os crimes de um regime racista e, portanto, desprezível, mantido pelas potências ocidentais (EUA e Inglaterra) no poder por décadas. 
Cabral, Cunha e demais alcaides do atual governo cumprem – até o presente momento – longas sentenças por levarem uma vida extravagante em que tentaram, como nouveau riches, mimetizar o mundo dos milionários.
O que teriam a dizer em um Tribunal para a Aplicação da Justiça Restaurativa em El Salvador para enfrentar os crimes de lesa-humanidade praticados por regimes autoritários apoiados pelos EUA?
Esse tribunal não tem a intenção de constituir uma justiça dos vencedores de guerra e punitiva, sujeitando abomináveis perpetradores à justiça dos ocupantes do território, leva-los até a forca como fizeram os aliados em Nuremberg.
Ele procura fazer o Estado criminoso contra a humanidade defrontar-se com seus crimes e que as vítimas tenham vozes ativas. Não busca pendurar genocidas numa forca ou jogá-los numa cadeia onde seus crimes serão esquecidos, onde serão considerados exceção de um regime perverso porque não poderia ser diferente do sistema econômico perverso que ele representa.
A esquerda brasileira – presa na ausência de diálogo com a massa de despossuídos – peca grosseiramente por apostar nas mudanças à Torquemada e à Savanarola. Fogueiras geram mais fogueiras, geram julgamentos de Salém e caça às bruxas.
A fratura do sistema conspurcado pelo capitalismo e, portanto, insuperável, pode nos levar, pela enésima vez em nossa história, para outra ditadura cruenta e igualmente corrupta, que promoverá mais exclusão social e miséria.
A esquerda brasileira tem o dever de superar suas inacreditáveis divisões e não reagir, de modo ressentido e despreparado, às investidas contra os direitos humanos. Tem o dever de propor soluções que nos tirem das armadilhas históricas de tentar fazer mais com o mesmo, ou de apostar na solução autoritária para se vingar do inimigo de classe.
Estará aberta para o multiculturalismo, para uma justiça humanizada e transformadora, para a emergência de uma democracia radical, para o enfrentamento real e não pontual das desigualdades desse país?
André Tredinnick é Juiz de Direito no Rio de Janeiro, membro da AJD – Associação Juízes para a Democracia.

[1] Vale a pena conhecer os recentes “Panamá Papers” (cfr. https://www.icij.org/) e “HSBC list” (cfr. https://www.ndtv.com/topic/hsbc-list), só para citar algumas das operações recentemente divulgadas do modus operandi do capitalismo financeiro e seus beneficiários.

Desembargador Rogerio Favreto, do TRF-4: a Lava Jato está livrando os corruptores





Para desembargador do TRF4, Lava Jato está livrando os grandes corruptores
Desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região - quem tem a Lava Jato sob sua jurisdição - o desembargador Rogério Favreto tem se destacado pela defesa das garantias individuais e por ser um contraponto ao punitivismo que se tornou majoritário na Justiça.
Nos próximos meses, caberá a ele julgar as ações cíveis da Lava Jato, entre as quais os acordos de leniência para as empresas, que foram negociados pelo Ministério Público Federal.
Favreto não analisa casos individuais. Mas questiona firmemente os benefícios concedidos a réus e empresas que, segundo ele, colidem com o discurso da Lava Jato, de punição aos corruptores. Não há transparência sobre os benefícios concedidos, diz ele, reforçando as suspeitas que têm sido levantadas pelo GGN.
Crítico do ativismo do Judiciário, considera o envio das 10 Medidas um erro. O apoio às medidas é ilusório - quem assinou, foi induzido pelo discurso de ser contra a corrupção -, e a falta de oportunidade política fez com que boas propostas contidas nelas fossem prejudicadas por outras que afrontam claramente os direitos individuais.
Abaixo, um resumo da entrevista concedida ao Jornal GGN, e que você pode assistir na íntegra:
A judicialização da política
Favreto alerta para a posição do Judiciário, quando entra em cena o agente político.
O ativismo político em tempos de crise
Nesses tempos conturbados se escorrega mais. No passado, o Judiciário tinha preocupações com os direitos individuais. Hoje em dia, não. Acaba sendo conduzido por certos setores da mídia.
Os acordos de delação e de leniência
Se vulgarizou demais o instituto da delação, diz ele. Tanto se prende para depois delatar, quanto por outro lado tem perdão demasiado. Agora, o STF definiu que o Judiciário é quem decide. Hoje já há questionamentos, do fato do MPF fecha r acordos de leniência sem ter legitimidade para tanto.
A validação dos acordos
MPF transige sobre os valores e isso tem sido questionado. Tem que ter alguém que faça uma valoração porque senão, às vezes, com a intenção de ter informações no plano criminal, abre-se mão de recursos do Estado.
Quem fiscaliza o fiscal do acordo
Aparentemente, não há ressalvas internas no MPF sobre acordos fechados. Agora, a nova direção do MPF tem sido mais cautelosa, exigindo mais ponderação nas movimentações de alguns agentes. A lei da delação criou uma regração aberta e se apostou que a doutrina iria fazer o molde. Mas gerou instabilidade. Não se está criando parâmetros, e estudiosos e doutrinadores têm questionado até onde vai essa perdão tanto das penas quanto dos valores.
Sobre as 10 medidas
O problema nasce na sua busca de apoio popular, mais de 2 milhões de assinaturas. Mas era um consulta simples: você é contra a corrupção? Quem não é. Mas são 10 medidas que envolvem 19 projetos de lei, e que as pessoas nem conhecem. Não há consenso nem no Ministério Público Federal. Então não tem apoio popular.
E com o Congresso acuado, a tendência é o oposto, é criar saídas contra os processos. Algumas propostas de inquestionável validade foram comprometidas por outras que violam direitos fundamentais
CNJ contra juízes democráticos
É preocupante a decisão de punir quatro juízes que foram em eventos contra o impeachment porque vedação é contra atividade político-partidário. Além disso, não pode haver seletividade de quem se investiga. Inúmeros magistrados que se manifestam em eventos políticos que não receberam o mesmo tratamento
O ativismo de procuradores e juízes nas redes sociais
Muito perigoso. Quando menos percebem, os colegas terminam pressionados por um pseudo apoio social, o efeito manada das redes sociais. Muitas vezes induzido pela mídia. E o juiz não pode ter que julgar por opinião pública, mas de acordo com a Constituição, os processos, as provas.
O significado da morte do Reitor
A morte mostrou sinal vermelho. Muito perigoso chegar a esse ponto, de alguém cometer suicídio para que se reflita. Há alguns sinais de maior cautela.
A isonomia na falta de direitos
O pior argumento, o de igualar pobres e ricos na mesma falta de direitos.
A insegurança jurídica e os acordos de leniência
Manifestação do TRF4 que entendeu que MPF não tem legitimidade para acordos de leniência que envolvam matérias de recuperação patrimonial. É atribuição da CGU e da AGU. O MPF sabia que não tinha legitimidade. Tanto que buscava em uma das dez medidas.
O presente aos MPFs de outros países
Sobre a proposta do MPF, de destinar parte dos recursos dos acordos de leniência, para a cooperação internacional, se o MPF quiser dar recursos, que dê de seu orçamento, não dos acordos de leniência, que são recursos da União. E é curioso premiar outros países que abrigaram os paraísos fiscais.
O Judiciário e o interesse nacional
A manifestação do Judiciário deve ser restrita à Constituição e às provas. Preocupações em relação à soberania e à sobrevivência das instituições privadas ou públicas devem estar no âmbito da proteção ao emprego. Tem que ter moderação do ponto de vista da decisão jurídica. Mas é difícil para o julgador entrar nessa avaliação.

O que Tacla Durán disse na CPMI que precisa ser aprofundado, por Joaquim de Carvalho



Dentro da série sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM, uma análise de Joaquim de Carvalho do depoimento de Tacla Durán à CPMI da JBS. O depoimento durou 4 horas e o alcance das declarações uma bomba no coração da Lava Jato. Outras matérias da série podem ser vistas aqui.
O que Tacla Durán disse na CPI que precisa ser aprofundado
por Joaquim de Carvalho
O depoimento do advogado Rodrigo Tacla Durán à CPMI da J&F durou três horas e 54 minutos, entre a manhã e o início da tarde de hoje. Durante pelo menos quatro horas, seu nome foi um dos assuntos mais comentados do Twitter, segundo o ranking da rede social, o Trends Topics. Mas, para quem acompanha o noticiário nacional pela velha mídia, é como se esse depoimento não tivesse existido.
Tacla Durán prestou serviços a duas empreiteiras investigadas pela Lava Jato, a UTC e a Odebrecht, mas não houve veículo da grande imprensa interessado em registrar o que ele disse. Por quê? Porque Tacla Durán nada contra a corrente e contesta a narrativa predominante de que Sergio Moro e os procuradores da república da Lava Jato são heróis, na batalha contra a corrupção.
Dar-lhe voz é contribuir para destruir mitos e, com isso, desmascarar a farsa da operação, que até aqui produziu como resultado mais expressivo o golpe contra a presidente Dilma Rousseff.
O que disse Durán que merece ser aprofundado:
1 - Ele não fez acordo de delação premiada, mesmo nas condições favoráveis que lhe teriam sido oferecidas por um amigo de Sergio Moro, o advogado Carlos Zucolotto, por considerar que estava sendo extorquido.
Observação: Pode ser mentira de Tacla Durán, mas ignorá-lo não vai esclarecer o caso. Durán apresenta como prova imagem das conversas com Zucolotto através do aplicativo Wickr - que apaga as mensagens depois de seis dias. Durán fez print screen da tela do celular. As imagens das conversas foram analisadas por um perito da Espanha e, segundo Durán, o laudo concluiu que não houve adulteração.
Durán encaminhou o laudo do perito, bem como a cópia das conversas, num anexo de 45 páginas, precedidas por um ofício (veja no final do texto do texto). Pelas conversas, não fica dúvida: Zucolotto tentou vender facilidade.
Pelas conversas, o interlocutor que seria Zucolotto diz que estava negociando o acordo com DD - é possível que seja Deltan Dallagnol. Mas Tacla Durán não quis dizer de quem eram as iniciais e sugeriu que o amigo de Moro esclareça.
Depois que Dallagnol assumiu a compra de imóveis do Minha Casa, Minha Vida, para especular, atravessando famílias que necessitam de apartamentos a preços mais baixos, uma coisa é certa: Dallagnol faz negócios.
Só para registrar: a compra de imóveis do Minha, Minha Vida, ainda que por pessoas que recebam supersalários (caso de Dallagnol), é legal. E Zucolotto também podia estar usando o nome de DD sem conhecimento deste.
Tacla Durán tem ainda a favor da sua narrativa um antecedente: Zucolotto foi correspondente de seu escritório em Curitiba, conforme documentação apresentada à Receita Federal, quando ele foi investigado, entre 2014 e 2016, sob a suspeita de crime contra a ordem tributária — simular atividade profissional para não recolher imposto.
O juiz Sergio Moro teve um comportamento estranho diante da acusação contra Zucolotto. Embora não fosse acusado de nada, saiu em defesa do amigo, em nota oficial, em que existe pelo menos uma informação que não é verdadeira: ao contrário do que disse Moro, Zucolotto teve, sim, atuação na área criminal, no caso em que Moro processou o advogado Roberto Bertholdo por calúnia, injúria e difamação, há cerca de dez aos, por ter sido acusado de favorecer réus e aceitar provas ilícitas, em acordos de colaboração da época.
O que fazer: Zucolotto teria que ser ouvido pela CPMI para dar explicações. Tacla Durán o acusa de vender facilidade em delação premiada. É uma acusação grave e precisa ser esclarecida. Depois que a jornalista Mônica Bergamo noticiou que a acusação contra Zucolotto constava no livro que Durán começou a escrever, o amigo de Moro fez alterações em seu facebook, e apagou imagens em que ele aparecia com o juiz. A imagem que circula na internet, com Zucolotto atrás de Moro, num show de Samuel Rosa, foi copiada antes que ele a deletasse. A CPMI também tem poderes para quebrar os sigilos bancários, telefônicos e de comunicações digitais de Zucolotto. Com isso, será possível saber de sua relação com os integrantes da Lava Jato. Segundo Durán, ele teria dito que precisava receber honorários por fora para pagar quem o estava ajudando no acordo de delação.
2 - A Lava Jato lhe propôs delação a la carte.
Observação: Rodrigo Tacla Durán narrou o episódio em que o então procurador Marcello Miller lhe apresentou uma alista de políticos e perguntou se podia incriminar algum deles. A colaboração tem que espontânea, não pode ser induzida.
O que fazer: a CPMI pode aprofundar o tema com um novo depoimento de Marcello Miller. Também pode denunciar o caso ao Conselho Nacional do Ministério Público e à Corregedoria do Ministério Público Federal — é quase certo que não dará em nada, mas obriga os órgãos de auto-controle a se posicionar.
3 — A Odebrecht (ou a Lava Jato) plantou provas falsas nos acordos de delação premiada e nas operações de busca da Polícia Federal.
ObservaçãoQue provas são estas? Extratos bancários falsos do Meinl Bank, a instituição de Antígua que a Odebrecht usava para pagar propina. Isso é crime de fraude processual.
O que fazer: ouvir o ex-procurador geral Rodrigo Janot, responsável pelo Ministério Público Federal na época em que esses acordos e essas provas foram produzidos.
4 — O presidente e um diretor da UTC, Ricardo Pessoa e Walmir Pinheiro, mentiram à Procuradoria da República ao dizer que era ele, Tacla Durán, quem faziam as operações de câmbio ilegais.
Observação: essa acusação, feita bem depois do acordo de delação premiada, foi usada para vincular Tacla Durán ao caixa 2 da Odebrecht e, com isso, apertar o cerco contra o PT. Segundo os denunciantes, Tacla Durán entregava a cada dois meses pacotes de reais na garagem da sede da empresa. Mas a própria empresa diz que não tem registros de sua entrada na recepção nem imagens de vídeo. É uma acusação com jeitão de cascata. Para saber se Tacla Durán esteve ou não lá, poderia ser feita uma investigação de seu deslocamento, a partir dos registros das operadoras de telefonia. Não é difícil.
O que fazer: a CPI, além de fazer perguntas a Janot, pode chamar os diretores da UTC.
5 — Um consultor financeiro, Ivan Carratu, ligado à UTC, teria lhe recomendado contratar um advogado da "panela de Curitiba", para acertar a delação.
Observação: essa recomendação lhe teria sido feita por conversa de WhatsApp, cuja cópia foi entregue à CPMI, periciada.
O que fazer: A partir dessa prova, deve ser chamado para depor o consultor financeiro Ivan Carratu.
6 — A Lava Jato ameaçou perseguir parentes de Tacla Durán se ele não fizesse um acordo de colaboração premiada.
Observação: Em razão dessas ameaças, a mulher, a ex-mulher, os filhos, a irmã e a mãe de Tacla Durán deixaram o Brasil e foram morar com ele na Espanha.
O que fazer: É preciso ouvir Rodrigo Janot ou integrantes da Lava Jato para que respondam à acusação, muito grave, pois remonta aos períodos mais sombrios da história do Brasil, os porões da ditadura militar.
7- O Meinl Bank adulterou a contabilidade para impedir o rastreamento de recursos, para ficar com ativos que nunca seriam liberados, bem como proteger delatores.
Observação — Os publicitários João Santana e Mônica Moura tiveram receitas através de contas não reveladas pela Lava Jato — nesse caso, com a aplicação de tarjas sobre registros de movimentação bancária.
O que fazer — Tomar o depoimento dos acionistas do Meinl Bank — dois deles também ex-executivos da Odebrecht —, e de João Santana e Mônica Moura.
8 — Sergio Moro está violando acordos internacionais ao processar no Brasil quem tem outra nacionalidade.
Observação: A Espanha se dispôs a conduzir o processo contra Tacla Durán, no território espanhol, com base nas leis espanholas, mas, para isso, recomendou que o Brasil envie as provas que Moro tem da suposta conduta criminosa do advogado. Moro não fez isso e encaminhou uma citação, para que Durán tome conhecimento lá do processo que ele quer conduzir no Brasil e se defenda, sob pena de ser processado à revelia. Na prática, Moro está estendendo sua jurisdição para o território europeu. Isso nunca será aceito, mas mostra o que pode ser interpretado como comportamento abusivo do magistrado.
O que fazer: solicitar documentos que comprovem o que disse Tacla Durán — a fonte é o Ministério da Justiça e também o Ministério das Relações Exteriores, que mediam o diálogo entre as justiças da Espanha e do Brasil, com base em acordos internacionais. O resultado dessa análise deve ser registrado no relatório da CPMI. Além disso, a comissão deve oficiar o Conselho Nacional de Justiça sobre o que pode ser interpretado como comportamento abusivo de um magistrado. Jurisdição planetária não existe.
Além de aprofundar esses pontos, a CPMI tem a oportunidade de analisar todo o material que foi encaminhado por Tacla Durán. São extratos bancários, registros de conversas por aplicativo, cópias de e-mails e ofícios.
A partir daí, pode determinar diligências, perícias ou novos depoimentos. Não havendo dúvidas sobre a veracidade das informações que comprovem ou indiquem irregularidades ou ilegalidades, esse material pode ser subsidiar um capítulo do relatório.
A CPMI da JBS/J&F foi criada a partir de um fato determinado — o acordo de delação premiada que deu aos controladores e diretores da empresa imunidade judicial (na prática, já revogada, pois eles estão presos) —, mas, através dela, pode haver recomendação para mudanças que aperfeiçoem a legislação.
Até aqui, a CPMI tem demonstrado que é preciso haver controle institucional sobre quem tem a prerrogativa de investigar a tudo e a todos, naturalmente sem tirar-lhes a independência. O limite é a lei, mas parece que os integrantes do Ministério Público e o Judiciário não parecem temê-la, pois parecem contar  que, no caso deles, não há sanção. Lei sem pena é inócua.
O Brasil precisa de uma lei para punir abusos de autoridade.

Jornalões orquestrados ignoram depoimento de Tacla Durán. Por Lourdes Nassif



"Ele falou por 4 horas e foi um dos assuntos mais comentados do Twitter, segundo o Trends Topics. Foi um dos mais comentados no Facebook, que reproduz o movimento do Twitter. Foi o tema principal de todos os blogues e portais de notícias da resistência. E nem uma linha nos jornalões." - Lourdes Nassif



Jornalões orquestrados ignoram depoimento de Tacla Durán




Jornal GGN - O fato mais importante de ontem, dia 30 de novembro, foi o depoimento de Rodrigo Tacla Durán à CPMI da JBS. Ele falou por 4 horas e foi um dos assuntos mais comentados do Twitter, segundo o Trends Topics. Foi um dos mais comentados no Facebook, que reproduz o movimento do Twitter. Foi o tema principal de todos os blogues e portais de notícias da resistência. E nem uma linha nos jornalões.
 
Ontem, no dia do evento, um passeio pelos sítios dos jornais Estadão, Folha e O Globo não mostrava nada. Estão preparando um especial para o dia seguinte, com destaque nas edições impressas, pensaria o incauto. O dia seguinte chegou e as manchetes não trazem nada, as editorias não contemplam o tema, os rodapés foram preenchidos com temas mais importantes, como o esculhambo que Jucá levou no avião, por exemplo.
 
Mais nada.
 
O Estadão tem na barra de opções um item conhecido como Delação da Odebrecht. Nem uma mísera linha sobre o depoimento de Tacla Durán. Nada. No blog de Fausto Macedo, porta-voz da Força Tarefa da Lava Jato, nenhum indício de que existiu qualquer depoimento de Durán.