quinta-feira, 3 de março de 2022

O Swift se tornou arma de espionagem e manipulação dos Estados Unidos

 

A comissão do 11 de setembro instou o governo em seu relatório de julho de 2004 sobre as falhas de inteligência dos EUA que levaram aos ataques terroristas a colocar mais ênfase no rastreamento do fluxo de fundos, em vez de tentar interrompê-los, para aprender como as redes terroristas são organizadas.

Nos últimos dias, Swift tornou-se tema central da guerra da Ucrânia. Trata-se de um sistema que permite o registro de trocas de reservas entre bancos. Julgou-se que, expulsando a Rússia, ela seria isolada do sistema financeiro internacional.

O que se esqueceu é que, há pelo menos 16 anos, Swift tornou-se um instrumento de espionagem americana.

O artigo abaixo foi publicado em 23 de junho de 2006 no Los Angeles Times

US Secretly Tracks Global Bank Data – Los Angeles Times

EUA rastreiam secretamente dados de bancos globais

POR  JOSH MEYER E GREG MILLER

23 DE JUNHO DE 2006 1

REDATORES DO TIMES

WASHINGTON — O governo dos Estados Unidos, sem o conhecimento de muitos bancos e seus clientes, há anos se envolve em um esforço secreto para rastrear o financiamento do terrorismo, acessando um vasto banco de dados de informações confidenciais sobre transferências de dinheiro entre bancos em todo o mundo.

O programa, administrado pelo Departamento do Tesouro, é considerado uma arma potente na guerra contra o terrorismo por causa de sua capacidade de monitorar clandestinamente transações financeiras e mapear redes terroristas.

É parte de um arsenal de medidas agressivas que o governo adotou desde os ataques terroristas de 11 de setembro que geram novas informações, mas também contornam as tradicionais salvaguardas contra abusos e levantam preocupações sobre invasões à privacidade. 

Sob esse esforço, o Tesouro adquire rotineiramente informações sobre transferências bancárias da maior rede de comunicação financeira do mundo, que é administrada por um consórcio de instituições financeiras chamado Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication, ou SWIFT.

 A rede SWIFT transporta até 12,7 milhões de mensagens por dia contendo instruções sobre muitas das transferências internacionais de dinheiro entre bancos. As mensagens geralmente incluem os nomes e números de contas de clientes bancários – de cidadãos americanos a grandes corporações – que estão enviando ou recebendo fundos.

 Por meio do programa, o Tesouro construiu um enorme – e sempre crescente – repositório de registros financeiros extraídos do que é essencialmente o sistema nervoso central dos bancos internacionais.

Em um grande afastamento dos métodos tradicionais de obtenção de registros financeiros, o Departamento do Tesouro usa um poder pouco conhecido – intimações administrativas – para coletar dados da rede SWIFT, que tem operações nos EUA, incluindo um hub principal de computadores em Manassas, Va. As intimações são secretas e não são revisadas por juízes ou grandes júris, assim como a maioria das intimações criminais.

 “É difícil exagerar o valor desta informação”, disse o secretário do Tesouro John W. Snow na quinta-feira em um comunicado que emitiu depois que o The Times e outros meios de comunicação relataram a existência do Programa de Rastreamento de Financiamento do Terrorismo.

 A SWIFT reconheceu quinta-feira, em resposta a perguntas do The Times, que forneceu dados sob intimação desde pouco depois de 11 de setembro de 2001, um salto impressionante na cooperação de banqueiros internacionais, que resistiram por muito tempo a essas intrusões da lei na confidencialidade de suas comunicações.

 Mas a SWIFT disse em um comunicado que trabalhou com autoridades dos EUA para restringir o uso dos dados para investigações de terrorismo.

 O programa faz parte da dramática expansão da capacidade de coleta de inteligência do governo Bush, que inclui espionagem sem mandado de telefonemas internacionais de alguns residentes dos EUA. Os críticos reclamam que esses esforços não estão sujeitos a análises governamentais independentes destinadas a evitar abusos e acusam de colidir com as leis de privacidade e proteção ao consumidor nos Estados Unidos.

Steven Aftergood, diretor do Projeto de Segredo Governamental da Federação de Cientistas Americanos, disse que o programa SWIFT levanta questões semelhantes. “Tudo se resume a uma questão de fiscalização, tanto interna quanto externa. E nas circunstâncias atuais, é difícil ter confiança na eficácia de sua supervisão”, disse ele. “A política deles é ‘Confie em nós’, e isso pode não ser mais bom o suficiente.” 

Um ex-funcionário do Tesouro expressou preocupação de que o programa SWIFT permita o acesso a grandes quantidades de dados confidenciais que podem ser abusados ​​sem salvaguardas. O funcionário, que disse não ter conhecimento independente do programa, questionou o que acontece com os dados, alguns deles supostamente relacionados a clientes bancários inocentes.

 “Como você separa o trigo do joio?” disse o ex-funcionário. “E o que você faz com o joio?”

 Mais de uma dúzia de atuais e ex-funcionários americanos discutiram o programa sob condição de anonimato, citando sua natureza sensível.

 O esforço vai contra as expectativas de privacidade e segurança que são sacrossantas na comunidade bancária mundial. A SWIFT promove seus serviços principalmente divulgando a segurança da rede, e a maioria de seus clientes não sabe que o governo dos EUA tem acesso tão amplo às suas informações financeiras privadas.

Autoridades dos EUA, algumas das quais expressaram surpresa pelo fato de o programa não ter sido revelado anteriormente pelos críticos, reconheceram que seria controverso na comunidade financeira. “Certamente não vai ficar bem no mercado mundial”, disse um ex-funcionário de contraterrorismo. “Isso provavelmente poderia minar a integridade do SWIFT.”

Funcionários do governo Bush pediram ao The Times que não publicasse informações sobre o programa, alegando que a divulgação poderia prejudicar sua eficácia e que existem salvaguardas suficientes para proteger o público.

Dean Baquet, editor do The Times, disse: “Pesamos cuidadosamente os argumentos do governo, mas no final determinamos que era do interesse público publicar informações sobre o alcance extraordinário deste programa. É parte do debate nacional contínuo sobre as medidas agressivas empregadas pelo governo.”

De acordo com o programa, o Tesouro emite uma nova intimação uma vez por mês, e a SWIFT entrega enormes quantidades de dados financeiros eletrônicos, de acordo com Stuart Levey, subsecretário de terrorismo e inteligência financeira do departamento. As intimações administrativas são emitidas sob autoridade concedida na Lei Internacional de Poderes Econômicos de Emergência de 1977.

As informações do SWIFT são adicionadas a um enorme banco de dados que as autoridades vêm construindo desde pouco depois de 11 de setembro. Levey observou que o SWIFT não tinha a capacidade de pesquisar seus próprios registros. “Podemos, porque construímos a capacidade de fazer isso”, disse ele.

O Tesouro compartilha os dados com a CIA, o FBI e analistas de outras agências, que podem fazer consultas sobre indivíduos e contas específicas que se acredita terem conexões terroristas, disse Levey na quinta-feira em entrevista ao The Times.

Levey disse que “dezenas de milhares” de buscas no banco de dados foram feitas nos últimos cinco anos.

O programa era inicialmente um segredo bem guardado, mas recentemente se tornou conhecido por um círculo mais amplo de funcionários do governo, ex-funcionários, executivos de bancos e especialistas externos.

Autoridades atuais e ex-funcionárias dos EUA disseram que o esforço foi apenas marginalmente bem-sucedido contra a Al Qaeda, que há muito tempo começou a transferir dinheiro por outros meios, incluindo o sistema bancário altamente informal comum em países islâmicos.

O valor do programa, disseram Levey e outros, está no rastreamento de agentes e financiadores terroristas de nível baixo e médio que acreditam que não foram detectados, e grupos militantes, como Hezbollah, Hamas e Jihad Islâmica Palestina, que também operam organizações políticas e de bem-estar social.

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Não é segredo que o Departamento do Tesouro tenta rastrear o financiamento do terrorismo, ou que esses esforços aumentaram significativamente após os ataques terroristas de 11 de setembro. Mas o programa SWIFT vai muito além do que foi divulgado publicamente sobre esse esforço em termos da quantidade de dados financeiros que as agências de inteligência dos EUA podem acessar.

O programa também representa uma grande mudança tática. Os investigadores dos EUA há muito tempo conseguem intimar registros de contas ou transações específicas quando podem mostrar a causa – um processo meticuloso projetado principalmente para coletar evidências. Mas o acesso ao SWIFT permite que eles sigam rastros financeiros suspeitos em todo o mundo, identificando novos suspeitos sem precisar buscar assistência de bancos estrangeiros.

SWIFT é um consórcio fundado em 1973 para substituir as mensagens de telex. Tem quase 7.900 instituições participantes em mais de 200 países – incluindo Bank of America, JP Morgan Chase Bank, Citibank e Credit Suisse. A rede lidou com 2,5 bilhões de mensagens financeiras em 2005, incluindo muitas originadas em países como Arábia Saudita, Paquistão e Emirados Árabes Unidos, que os Estados Unidos examinam de perto em busca de atividades terroristas.

O sistema não executa a transferência efetiva de fundos entre bancos; que é realizado pelo Federal Reserve e suas contrapartes internacionais. Em vez disso, os bancos usam a rede para transmitir instruções sobre essas transferências. Por essa razão, os dados da SWIFT são extremamente valiosos para os serviços de inteligência que buscam descobrir redes terroristas.

Agentes da CIA tentando rastrear o dinheiro de Osama bin Laden no final dos anos 1990 descobriram maneiras clandestinas de acessar a rede SWIFT. Mas um ex-funcionário da CIA disse que funcionários do Tesouro bloquearam o esforço porque não queriam irritar a comunidade bancária.

Historicamente, “sempre houve uma linha de discórdia” dentro do governo, disse Paul Pillar, ex-vice-diretor do centro de contraterrorismo da CIA. “A posição do Tesouro estava colocando uma alta prioridade na integridade do sistema bancário. Havia uma preocupação considerável desse lado sobre qualquer coisa que pudesse ser vista como comprometedora da integridade dos bancos internacionais”.

Antes de 11 de setembro, disse um ex-executivo sênior da SWIFT, fornecer acesso a seus dados confidenciais seria um anátema para o consórcio com sede na Bélgica. Mas os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono levaram a uma nova mentalidade em muitos setores, incluindo telecomunicações.

A SWIFT disse que o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro enviou a primeira intimação logo após 11 de setembro, buscando “conjuntos limitados de dados” para saber como a Al Qaeda financiou os ataques.

Ao contrário das linhas telefônicas e comunicações por e-mail, a rede SWIFT não pode ser facilmente grampeada. Ele usa logins seguros e tecnologia de criptografia de última geração para evitar que mensagens interceptadas sejam decifradas. “É sem dúvida a rede mais segura do planeta”, disse o ex-executivo da SWIFT que falou sob condição de anonimato. “Esta coisa está trancada como Fort Knox.”

A SWIFT disse que estava respondendo a intimações compulsórias e negociou com autoridades americanas para reduzi-las e estabelecer proteções para a privacidade de seus clientes. A SWIFT também disse que nunca deu às autoridades americanas acesso direto à sua rede.

“Nosso princípio fundamental tem sido preservar a confidencialidade dos dados de nossos usuários enquanto cumprimos as obrigações legais nos países onde operamos”, disse a SWIFT em seu comunicado.

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Funcionários atuais e antigos dos EUA familiarizados com o programa SWIFT o descreveram como uma das armas mais valiosas na guerra financeira contra o terrorismo, mas se recusaram a fornecer evidências anedóticas de seus sucessos.

Um ex-oficial de alto escalão da CIA disse que foi um sucesso, e outro funcionário disse que permitiu que as autoridades de contraterrorismo dos EUA seguissem um grande número de pistas. Funcionários da CIA buscam pistas no exterior, e o FBI e outras agências buscam pistas nos Estados Unidos, onde a CIA está proibida de operar.

Autoridades disseram que o programa é usado especialmente quando conversas de inteligência de interceptações de telefone e e-mail sugerem um ataque iminente, transmitindo inteligência em tempo real para operações de contraterrorismo.

O ex-executivo da SWIFT disse que muito pode ser aprendido com as mensagens da rede, que exigem um nome e endereço reais tanto do remetente quanto do destinatário, ao contrário de telefonemas e e-mails, nos quais os agentes terroristas podem facilmente disfarçar suas identidades.

“Há uma boa quantidade de detalhes lá”, disse ele.

Como a guerra global contra o terrorismo conseguiu eliminar alguns terroristas de alto escalão e seus financiadores, particularmente dentro da Al Qaeda, a organização e suas muitas afiliadas procuraram se mudar para locais ocultos e transferir seu dinheiro por meio de representantes como instituições de caridade, organizações de ajuda e frentes corporativas.

Os funcionários disseram que as informações do SWIFT podem ser usadas na “análise de links”. Essa técnica permite que os analistas identifiquem qualquer pessoa com quem um suspeito de terrorismo tenha transações financeiras – mesmo aquelas sem conexão com o terrorismo. Essas informações são então mapeadas e analisadas para detectar padrões, mudanças na estratégia, contas específicas de “pontos quentes” e locais que se tornaram novos refúgios para atividades terroristas.

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O programa SWIFT é apenas um dos programas pós-setembro do governo Bush. 11 iniciativas para coletar informações que podem incluir informações sobre residentes nos EUA.

A Agência de Segurança Nacional, que pode interceptar comunicações em todo o mundo, está escutando telefonemas e e-mails de alguns residentes dos EUA sem obter mandados. E foi acusada de pedir às empresas de telecomunicações que ajudassem a criar um banco de dados dos registros de chamadas telefônicas de quase todos os americanos.

O Departamento de Justiça também pediu às empresas de Internet que mantenham registros dos sites que os clientes visitam e das pessoas para as quais enviam e-mails por dois anos, em vez de dias ou semanas, o que expandiria muito a capacidade do governo de rastrear atividades online.

Numerosas ações judiciais foram movidas contra o governo e companhias telefônicas, desafiando os esforços da NSA. O governo pediu aos tribunais que os expulsem, invocando o privilégio dos “segredos de Estado” e argumentando que os julgamentos comprometeriam a segurança nacional. A interceptação de telefonemas da NSA também foi criticada por não ter um processo de revisão independente para garantir que as informações não sejam abusadas.

O programa SWIFT levanta preocupações semelhantes, dizem alguns críticos.

Defensores da privacidade questionaram a “análise de links” porque ela pode atrair pessoas inocentes que têm transações financeiras rotineiras com suspeitos de terrorismo.

E nenhum órgão externo de supervisão governamental, como o Tribunal de Vigilância de Inteligência Estrangeira ou um grande júri, monitora as intimações feitas no SWIFT.

Levey disse que o programa está sujeito a verificações e balanços “robustos” projetados para evitar o uso indevido dos dados. Ele observou que os pedidos de acesso aos dados são analisados ​​pelo secretário adjunto de inteligência do Tesouro; que os analistas só podem acessar os dados para pesquisas relacionadas ao terrorismo; e que os registros de cada busca sejam mantidos e revisados ​​por um auditor externo quanto à conformidade.

Levey disse que houve um caso de abuso em que um analista realizou uma busca que não atendeu aos critérios relacionados ao terrorismo. O analista foi posteriormente negado o acesso ao banco de dados, disse ele.

Durante os últimos cinco anos, os funcionários da SWIFT levantaram preocupações sobre o escopo do programa, principalmente no início, quando estava entregando praticamente todo o seu banco de dados. A quantidade de dados entregues a cada mês foi reduzida.

“As salvaguardas não estavam todas lá em setembro de 2001”, reconheceu Levey. “Começamos a reduzi-lo desde o início.”

Novas salvaguardas foram adicionadas, disse ele, observando que os funcionários da SWIFT agora podem estar presentes quando os analistas pesquisam os dados e levantam objeções com altos funcionários.

Autoridades de outras agências do governo levantaram a questão do acesso aos registros para outros fins investigativos, mas Levey disse que tais propostas foram rejeitadas – em grande parte por preocupação de que isso possa prejudicar o apoio ao programa.

Questionado sobre o que impediria que os dados fossem usados​​para outros fins no futuro, Levey disse que isso provavelmente desencadearia objeções da SWIFT e do auditor externo.

Um representante da SWIFT disse que a Booz Allen Hamilton, uma empresa de consultoria internacional, é a auditora, mas não forneceu mais detalhes sobre como funciona o processo de supervisão.

Embora as buscas se concentrem em atividades suspeitas de terrorismo no exterior, as autoridades dos EUA reconheceram que investigam as atividades financeiras dos americanos, observando que as leis de privacidade não protegem indivíduos que se acredita estarem agindo como um “agente terrorista estrangeiro”.

Autoridades disseram que o governo informou aos comitês de inteligência do Congresso sobre o programa SWIFT. Em contraste, as informações sobre as escutas telefônicas da NSA foram compartilhadas apenas com os principais legisladores. Um assessor do Congresso disse que os comitês têm “um bom controle sobre o que o poder executivo está fazendo para rastrear o financiamento do terrorismo” e geralmente apoiam esses esforços.

Mas a operação parece ter sido mantida em segredo de segmentos-chave do setor bancário, incluindo executivos seniores nos Estados Unidos e no exterior.

John McKessy, presidente do grupo de usuários SWIFT nos Estados Unidos, disse que não tinha conhecimento de nenhum programa desse tipo. McKessy representa empresas e instituições que não são membros da cooperativa SWIFT, mas usam seu sistema de mensagens.

A SWIFT observou que suas políticas publicadas indicam claramente que coopera com as autoridades policiais e que as intimações foram “discutidas cuidadosamente dentro do conselho”, composto por membros de 25 grandes bancos. A SWIFT disse que também manteve informado um comitê de supervisão formado pelos bancos centrais dos principais países industrializados.

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O programa SWIFT preenche uma lacuna nos esforços globais para rastrear o financiamento do terrorismo.

Nos Estados Unidos, as autoridades policiais podem acessar os registros bancários se obtiverem permissão por meio do processo legal. O FBI também tem várias maneiras legais de obter acesso quase instantâneo aos registros financeiros. E as leis bancárias dos EUA exigem que as instituições financeiras apresentem Relatórios de Atividades Suspeitas, mas as autoridades acreditam que a Al Qaeda e outros grupos terroristas sabem como evitar as atividades que desencadeiam tais sinais de alerta.

Autoridades dos EUA, no entanto, há muito reclamam que não podem ter acesso a registros financeiros no exterior e que alguns pedidos de cooperação de governos e instituições financeiras estrangeiros levaram meses, enquanto outros foram rejeitados.

“O tipo de noções do século 18 sobre essas coisas me deixa louco”, disse um alto funcionário do contraterrorismo dos EUA. “Alguém pode movimentar dinheiro com o clique de um mouse, mas levo seis meses para encontrá-lo. Se esse é o mundo em que vivemos, você precisa entender os custos envolvidos nisso.”

A comissão do 11 de setembro instou o governo em seu relatório de julho de 2004 sobre as falhas de inteligência dos EUA que levaram aos ataques terroristas a colocar mais ênfase no rastreamento do fluxo de fundos, em vez de tentar interrompê-los, para aprender como as redes terroristas são organizadas.

Lee Hamilton, ex-congressista e copresidente da comissão que disse ter sido informado sobre o programa SWIFT, disse que as agências de inteligência dos EUA fizeram progressos significativos nos últimos anos, mas ainda estão aquém. “Ainda não posso apontar sucessos específicos de nossos esforços aqui no financiamento do terrorismo”, disse ele.

“Graves vícios da Lava Jato”: Lewandowski suspende ação penal sobre os caças Gripen contra Lula promovido sem provas pela direita do MPF ligada à Lava Jato

 

"Não é possível ignorar que os Procuradores referente à compra dos caças suecos agiam de forma concertada com 'Lava Jato' de Curitba"

Do Jornal GGN:


Foto: Ricardo Stuckert

Expondo “graves vícios” na tentativa de incriminar o ex-presidente Lula, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a última ação penal que tramitava contra ele, a da compra dos caças Gripen para a Aeronáutica.

A ação, que teve início na Operação Zelotes, da Polícia Federal, envolveu colaboração dos procuradores da Lava Jato, como revelada pelas mensagens da Vaza Jato, para tentar reunir indícios contra o ex-presidente, com a tese de suposta corrupção e tráfico de influência por Lula na compra dos caças suecos para a Aeronáutica.

Em recurso ingressado pela defesa de Lula, solicitando o arquivamento definitivo da ação, o ministro admitiu haver “graves vícios que maculam as investigações conduzidas contra o reclamante pela extinta força-tarefa ‘Lava Jato’ de Curitiba no tocante à aquisição dos referidos caças, a qual produziu elementos – supostamente – probatórios, depois aproveitados, de forma acrítica e tendenciosa, pelos subscritores da denúncia apresentada perante a 10ª Vara Federal Criminal do DF.”

Ainda tratando da colaboração da força-tarefa da Lava Jato na apuração de Brasília, Lewandowski narrou que “para dar sequência aos seus desígnios, compreendidos no contexto daquilo que chamavam de ‘Plano Lula’, os Procuradores da República constituíram (…) um grupo específico de troca de mensagens no aplicativo Telegram, denominado ‘Chat Caças Zelotes – LJ’, integrado por diversos membros da ‘Lava Jato'”.

“Não é possível ignorar, pois, que os Procuradores República responsáveis pela denúncia referente à compra dos caças suecos agiam de forma concertada com os integrantes da ‘Lava Jato’ de Curitba, por meio do aplicativo Telegram, para urdirem, ao que tudo indica, de forma artificiosa, a acusação contra o reclamante, valendo lembrar que investigações do mesmo jaez, relativas aos casos ‘Triplex do Guarujá’ e ‘Sítio de Atibaia’, foram consideradas inaproveitáveis pelo Supremo Tribunal Federal, por afronta, dentre outros, aos princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório.”

“Não obstante a opinião reiterada e unanimemente esposada pelos participantes desses grupos de mensagens no sentido da inconsistência dos elementos de convicção que estavam a engendrar, os integrantes da extinta ‘Lava Jato’ resolveram dar continuidade às investigações”, continuou.

Segundo o ministro, as tentativas da Zelotes de incriminar Lula foram, ainda, “levadas a cabo, ressalte-se, ao arrepio do ‘princípio do promotor natural’, dada a flagrante a incompetência de seus condutores – as quais acabaram resultando na formulação da denúncia ora impugnada”.

Assim, o ministro atendeu à suspensão cautelar da Ação Penal, “diante da gravidade dos fatos que lhe foram trazidos na exceção de suspeição”. Sem data, o processo ainda precisa ser julgado em seu mérito pelo plenário do Supremo, aonde deve receber a mesma interpretação do ministro.

quarta-feira, 2 de março de 2022

FIFA abre investigação que, por causa de Bolsonaro, pode banir o Brasil da Copa do Mundo de 2022. Vídeo de Thiago dos Reis

 

Do Canal Plantão Brasil:




Portal do José: CRISE. ONU aperta cerco. Espremer Putin será eficaz? E no Brasil: Bolsonaro, praia e Leite Moça.

 

Do Portal do José:

Parcelas da opinião pública do mundo ocidental estão apoiando a demonização de Putin. Isso já vem de longe. segundo entrevista de Noan Chomsky, Putin está sendo tratado como um doente mental com transtornos graves e perigosos. Se isso fosse um fato, certamente nós não estaríamos por aqui.


02/03/22 - Faltam 214 dias para o Brasil mudar de rumo. Bolsonaro está curtindo praia, pão e leite condensado. Enquanto isso, o mundo está em tensão máxima.

Parcelas da opinião pública do mundo ocidental estão apoiando a demonização de Putin. Isso já vem de longe. segundo entrevista de Noan Chomsky, Putin está sendo tratado como um doente mental com transtornos graves e perigosos. Se isso fosse um fato, certamente nós não estaríamos por aqui. Não acredito em bolas de cristal que são as ferramentas de muitos analistas. Ninguém será capaz de prever o que acontecerá.
O que estamos vendo é o ocidente tentar encurralar a Rússia e seu líder. Esse é um caminho muito perigoso.
Devemos torcer (é o que nos resta), para que esse conflito se encerre rapidamente. Uma eventual queda de Putin colocará os arsenais nucleares nas mãos de quem? A questão é muito complexa.
Tudo figura ao lado de uma amnésia seletiva. O Ocidente respaldou os EUA naquilo que fez no Iraque. É para esquecer?
O mundo precisa mudar. E precisa mudar em relação a todos.

ENTREVISTA COM NOAN CHOMSKY - FEZ PREVISÃO HÁ EXATOS 7 ANOS https://www.youtube.com/watch?v=5Ni3j... PUTIN DOIDO? https://www-psychologytoday-com.trans... BAGDÁ - RECEBENDO "DEMOCRACIA" https://www.youtube.com/watch?v=CowOd... FATIMA BERNARDES E OS SALVADORES DE BAGDÁ https://www.youtube.com/watch?v=ZQptL...

Aquias Santarem: a tendenciosidade e parcialidade, além da mediocridade maniqueísta da grande mídia atrelada aos interesses do mercado e mandatários do poder no relato ou silêncio sobre guerras e conflitos internacionais ou na criação de herois e vilões

 


Do Canal Critica Brasil, de Aquias Santarem:




A OTAN e os EUA em busca de um inimigo (que eles incentivam) e as correntes do capitalismo e sua mídia. Debate entre o jurista Alysson Mascaro e Leonardo Attuch sobre o que fez eclodir o conflito Rússia-Ucrânia

 


Do Canal TV 247:

O jornalista Leonardo Attuch entrevista o professor Alysson Mascaro, da Universidade de São Paulo, sobre a guerra na Ucrânia.



Flávio Dino sobre o estado do mundo diante do conflito Rússia-Ucrânia, a mediocridade de Bolsonaro e a relevância diplomática e administrativa de Lula

 

Do Canal Plantão Brasil:




terça-feira, 1 de março de 2022

A guerra é o mal maior. Texto de Chris Hedges, jornalista vencedor do Pulitzer Prize (maior prêmio do jornalismo nos EUA)

 

A Rússia foi seduzida à guerra pelo descumprimento de uma série de acordos por parte do ocidente - incluindo a promessa de Washington de não estender a OTAN além das fronteiras da Alemanha unificada -, porém isso não absolve o seu criminoso ato de agressão (...) A guerra destrói todos os sistemas que sustentam e nutrem a vida – familiar, econômica, cultural, política, ambiental e social. Não existem guerras boas. Nenhuma. Isso inclui a Segunda Guerra Mundial, que foi higienizada e mitologizada para celebrar falsamente o heroísmo, a pureza e a bondade dos EUA.

www.brasil247.com -

(Foto: Reuters/Umit Bektas)

Por Chris Hedges

(Publicado no ScheerPost, traduzido com exclusividade para o Brasil)

Tradução e adaptação: Rubens Turkienicz, para o Brasil 247

A guerra preventiva, seja no Iraque ou na Ucrânia, é um crime de guerra. Não importa se a guerra é lançada com base em mentiras e fabricações, como foi o caso no Iraque, ou por causa do descumprimento de uma série de acordos com a Rússia – incluindo a promessa de Washington de não estender a OTAN além das fronteiras da Alemanha unificada, de não posicionar milhares de tropas da OTAN na Europa Oriental, de não interferir nos assuntos internos de nações na fronteira com a Rússia e a recusa de implementar o acordo de paz Minsk II. Suponho que a invasão da Ucrânia nunca teria acontecido se essas promessas fossem cumpridas. A Rússia tem todo o direito de sentir-se ameaçada, traída e irada. Porém, entender não é perdoar. De acordo com as leis pós-Nuremberg, a invasão da Ucrânia é uma guerra criminosa de agressão.

Eu conheço o instrumento da guerra. A guerra não é uma política feita por outros meios. Ela é demoníaca. Passei duas décadas como correspondente de guerra na América Central, no Oriente Médio, na África e nos Balcãs – onde cobri as guerras na Bósnia e no Kosovo. Carrego comigo os fantasmas de dúzias daqueles que foram engolidos pela violência – incluindo o meu amigo próximo Kurt Schork, correspondente da Reuters, que foi morto numa emboscada em Serra Leoa junto com outro amigo, Miguel Gil Moreno.

Conheço o caos e a desorientação da guerra, a constante incerteza e confusão desta. Num tiroteio, você só percebe o que está acontecendo a alguns metros no seu entorno. Você luta desesperadamente, e nem sempre com sucesso, para discernir de onde vêm os tiros, na esperança de evitar ser alvejado.

Senti a importância e o medo paralisante que, anos depois, se abate sobre mim como um trem de carga no meio da noite – deixando-me envolto em  espirais de terror, com o meu coração disparando e meu corpo pingando de suor.

Ouvi os gemidos dos convulsionados pela dor quando agarravam os corpos de amigos e familiares, incluindo crianças. Eu ainda os ouço. Não importa a língua. Espanhol. Árabe. Hebraico. Dinka (língua sudanesa). Servo-croata. Albanês. Ucraniano. Russo. A morte atravessa as barreiras linguísticas.

Eu sei o que os ferimentos parecem. Pernas explodidas. Cabeças implodidas numa massa polposa de sangue. Buracos abertos no estômago. Poças de sangue. Gritos dos que estão morrendo, às vezes pelas suas mães. E o cheiro. O cheiro da morte. O sacrifício supremo feito para benefício das moscas e das larvas.

Fui espancado pelas polícias secretas do Iraque e da Arábia Saudita. Fui aprisionado pelos contras na Nicarágua – os quais falavam por rádio com a sua base em Honduras para ver se deviam me matar - e novamente em Basra, depois da primeira guerra no Iraque, sem jamais saber se eu seria executado, estando sob guarda constante e muitas vezes sem comida, bebendo em poças lamacentas.

A lição básica em guerra é que nós não temos importância enquanto indivíduos distintos. Nos tornamos números. Forragem. Objetos. A vida, antes preciosa e sagrada, torna-se sem significado, é sacrificada ao insaciável apetite de Marte. Em tempo de guerra, ninguém está isento disso.

“Nós éramos descartáveis”, escreveu Eugene Sledge sobre as suas vivências como fuzileiro naval no Pacífico Sul, na Segunda Guerra Mundial. “Isso era difícil de aceitar. Viemos de uma nação e uma cultura que valoriza a vida e o indivíduo. Encontrar-se numa situação onde a sua vida tem pouco valor é a solidão última. É uma experiência vexatória.

O panorama da guerra é alucinógeno, desafia a compreensão. Você não tem ideia do tempo num tiroteio. Alguns minutos. Algumas horas. Num instante, a guerra oblitera lares e comunidades que eram familiares antes e deixa atrás ruínas fumegantes e um trauma que você carrega pelo resto da sua vida. Você não consegue compreender o que vê. Senti suficientemente o gosto da guerra, o suficiente do meu próprio medo, meu corpo transformado em gelatina, para saber que a guerra é sempre um mal, a mais pura expressão da morte, vestida em jargões patrióticos sobre liberdade e democracia e vendida aos ingênuos como um bilhete para a glória, a honra e a coragem. Ela é um elixir tóxico e sedutor. Como escreveu Kurt Vonnegut, aqueles que sobrevivem lutam depois para reinventar-se e ao seu universo – o qual, em algum nível, jamais fará sentido de novo.

A guerra destrói todos os sistemas que sustentam e nutrem a vida – familiar, econômica, cultural, política, ambiental e social. Uma vez iniciada a guerra, ninguém – mesmo aqueles que nominalmente estão incumbidos de fazê-la – pode adivinhar o que ocorrerá, como a guerra se desenvolverá, como esta pode levar exércitos e nações à loucura suicida. Não existem guerras boas. Nenhuma. Isso inclui a Segunda Guerra Mundial, que foi higienizada e mitologizada para celebrar falsamente o heroísmo, a pureza e a bondade dos EUA. Se a verdade é a primeira vítima na guerra, a ambiguidade é a segunda. A retórica belicosa aplicada e amplificada pela imprensa estadunidense – demonizando Vladimir Putin e elevando os ucranianos ao status de semideuses, exigindo uma intervenção militar mais robusta, junto com as sanções aleijantes cuja intenção é a de derrubar o governo de Vladimir Putin – é infantil e perigosa. A narrativa das mídias russas é tão simplista quanto as nossas.

Não havia discussões sobre pacifismo nos porões de Sarajevo quando estávamos sendo atingidos por centenas de bombas sérvias por dia e sob o fogo constante dos franco-atiradores. Fazia sentido defender a cidade. Fazia sentido matar ou ser morto. Os soldados sérvios no Vale de Drina, em Vukovar, Srebrenica, demonstraram amplamente a sua capacidade de infligir violências assassinas, incluindo o fuzilamento de centenas de soldados e civis e o estupro por atacado de mulheres e meninas. Mas isso não salvou qualquer um dos defensores de Sarajevo do veneno da violência, da força destruidora de almas que é a guerra. Conheci um soldado bósnio que ouviu um som atrás de uma porta quando estava patrulhando nos subúrbios de Sarajevo. Ele disparou uma rajada do seu fuzil AK-47 através da porta. Um atraso de alguns segundos em combate pode significar a morte. Quando ele abriu a porta, encontrou os restos ensanguentados de uma menina de 12 anos. A filha dele tinha 12 anos. Ele jamais se recuperou.

Apenas os autocratas e políticos que sonham com um império e a hegemonia global, com o poder quase-divino que vem com o uso de exércitos, aviões e frotas navais de guerra, junto com os mercadores da guerra, cujos negócios inundam países com armas – só estes lucram com a guerra. A expansão da OTAN à Europa Oriental rendeu bilhões em lucros para a Lockheed Martin, a Raytheon, a General Dynamics, a Boeing, a Northrop Grumman, a Analytic Systems, a Huntigton Ingalls, a Humana, a BAE Systems e a L3Harris. O abastecimento do conflito na Ucrânia lhes renderá muitos bilhões mais.

A União Europeia alocou centenas de milhares de euros para comprar armas para a Ucrânia. A Alemanha quase triplicará o seu orçamento de defesa para 2022. O governo Biden pediu ao Congresso dos EUA para prover US$ 6,4 bilhões de fundos para ajudar a Ucrânia, suplementando os US$ 600 milhões de ajuda militar à Ucrânia ao longo do ano passado. A economia de guerra permanente opera fora das leis de oferta e demanda. Ela é a raiz do atoleiro de duas décadas dos EUA no Oriente Médio. Ela é a raiz do conflito com Moscou. Os mercadores da morte são satânicos. Quanto mais cadáveres eles produzem, mais se incham as suas contas bancárias. Eles ganharam dinheiro com este conflito – um que agora flerta com o holocausto nuclear que exterminará a vida na Terra como nós a conhecemos. 

A perigosa e tristemente previsível provocação da Rússia – cujo arsenal nuclear coloca a espada de Dámocles sobre as nossas cabeças – ao expandir a OTAN foi entendido por todos nós que reportamos na Europa Oriental em 1989, durante as revoluções e o desmembramento da União Soviética.

Esta provocação, que inclui o estabelecimento de uma base de mísseis da OTAN a 100 milhas (cerca de 160 quilômetros) da fronteira da Rússia, foi insensata e altamente irresponsável. Jamais fez sentido geopolítico. No entanto, isto não desculpa a invasão da Ucrânia. Sim, os russos foram seduzidos. Mas eles reagiram apertando o gatilho. Isso é um crime. O crime deles. Rezemos por um cessar-fogo. Trabalhemos por um retorno à diplomacia e à sanidade, por uma moratória sobre embarques de armas para a Ucrânia e pela retirada das tropas russas do país. Tenhamos a esperança por um fim à guerra, antes que tropecemos num holocausto nuclear que devore a todos nós.


Bernie Sanders afirma que posição dos EUA sobre a crise na Ucrânia é 'hipócrita'

 


O senador norte-americano afirmou que os EUA estão
condenando uma política externa que eles mesmo praticam por meio da Doutrina Monroe

O senador norte-americano Bernie Sanders, parlamentar independente do estado de  Vermont, advertiu que o mundo poderá  enfrentar “a pior guerra europeia em mais de 75 anos”, e conclamou os EUA a “fazerem todo o possível para tentar encontrar uma solução diplomática para o que poderia ser um conflito enormemente destrutivo”. 

Sanders não isenta Putin de responsabilidade pela crise, mas também disse que Moscou tinha “preocupações legítimas” com a expansão da OTAN para o leste em direção à Rússia e que a rejeição das preocupações russas por parte dos EUA era “hipócrita”. Sanders expressou preocupação com “as batidas familiares dos tambores em Washington” e advertiu contra a “retórica belicosa que se amplifica antes de cada guerra”.

O senador por Vermont, uma liderança progressista no Capitólio, disse que o reconhecimento das “raízes complexas das tensões” na região é fundamental para promover uma resolução pacífica da crise. “É bom conhecer alguma história… A invasão pela Rússia não é uma resposta; nem a intransigência da OTAN”, disse Sanders. “Também é importante reconhecer que a Finlândia, um dos países mais desenvolvidos e democráticos do mundo, faz fronteira com a Rússia e escolheu não ser membro da OTAN.

Wikicommons
Bernie Sanders descreve posição dos EUA sobre a crise na Ucrânia como 'hipócrita'


“Putin pode ser um mentiroso e um demagogo, mas é hipócrita para os Estados Unidos insistir que não aceitamos o princípio de ‘esferas de influência'”, disse Sanders. Ele apontou a  longa tradição da política externa dos EUA ser baseada na Doutrina Monroe, que diz que os EUA podem essencialmente fazer o que quiserem, especialmente no continente americano. Sanders observou que ela tem sido usada para derrubar “pelo menos uma dúzia de governos”.

Ele disse que mesmo que a Rússia não fosse governada por “um líder autoritário corrupto” como Putin, o governo russo “ainda teria interesse nas políticas de segurança de seus vizinhos”. “Alguém realmente acredita que os Estados Unidos não teriam algo a dizer se, por exemplo, o México fosse formar uma aliança militar com um adversário norte-americano?” perguntou Sanders.

“Os países deveriam ser livres para fazer suas próprias escolhas de política externa, mas fazer essas escolhas sabiamente requer uma séria consideração dos custos e benefícios”, acrescentou Sanders. “O fato é que os EUA e a Ucrânia entrando em uma relação de segurança mais profunda provavelmente terá alguns custos muito sérios para ambos os países”.

Estados Unidos bombarderam a Somália em 22 de fevereiro e não houve nada de sanções, críticas e destaques na grande mídia

 

Do Monitor Mercantil, em 25 de fevereiro de 2022:


Não se sabe o número de mortes.

Os Estados Unidos (EUA) bombardearam instalações de radicais do Al-Shabaab, uma filial da Al-Qaeda, na Somália, no Chifre da África, na última terça-feira. É primeiro ataque militar dos EUA no país desde agosto do ano passado.

Nesta quinta-feira, o comando militar dos EUA na Somália informou, por meio de nota, que fez um ataque aéreo contra membros do Al-Shabaab (grupo islâmico) depois que de terem feito um ataque perto de uma comunidade chamada Duduble.

Não se sabe o número de mortes. O comando militar ainda está fazendo avaliação, porém o que tudo indica é que não há vítimas civis.

A Somália vive turbulência política em meio a atuação de grupos extremistas e operações do exército somali e dos militares dos EUA.