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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Jurista alemã e ex-ministra da Justiça, Dra. Herta Däubler-Gmelin, escreve sobre o Lawfare da "Justiça" brasileira contra Lula e a esquerda



A sentença contra Lula ou a luta do Judiciário brasileiro contra a esquerda na política

"As causas desse combate à pessoa de Lula e à política de esquerda são, entre outras, as políticas de nacionalização e distribuição da renda, iniciadas por Lula e por sua sucessora, Dilma Rousseff, com o objetivo de reduzir as desigualdades sociais. Ambas foram claramente na contramão dos interesses políticos e econômicos da rica camada dominante do Brasil e da sua ligação com grupos empresariais internacionais." Dra. Hera Däubler-Gmelin, jurista alemã

Do Justificando:



Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

A sentença contra Lula ou a luta do Judiciário brasileiro contra a esquerda na política


Tradução: Fábio Balestro Floriano
Em 24 de janeiro de 2018, quer dizer, em poucos dias, o TRF-4 de Porto Alegre deverá decidir sobre o recurso do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva contra a condenação imposta pela 13ª Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba. Conduzido pelo juiz federal Sérgio Moro, a corte de primeira instância, em 12 de julho de 2017, sentenciou o ex-presidente a uma pena de nove anos e meio pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A decisão do TRF-4 será importante sob vários aspectos: em primeiro lugar, por estar em discussão a correição da sentença do juízo de primeira instância e a qualidade dessa sentença segundo os padrões do Estado de Direito.
Em segundo lugar, depende da decisão do TRF-4 em Porto Alegre se Lula poderá ou não ser candidato do PT nas próximas eleições presidenciais no Brasil. É justamente isso que os donos do poder no Brasil atual pretendem evitar por todos os meios, em associação com o conglomerado midiático Globo, que pauta a opinião pública. Entrementes, a popularidade de Lula cresce diariamente, ao passo que a credibilidade – não apenas das instituições políticas, mas também dos tribunais brasileiros – diminui cada vez mais em virtude de acusações de corrupção e de decisões políticas contra a população pobre do Brasil.
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Muitos cidadãos brasileiros temem que o TRF-4 confirme a sentença da corte de primeira instância. Para fundamentar esse temor, lembram o fogo cerrado contra Lula – e também contra Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores desde 2013 – que vem sendo alimentado com crescente vigor também por altos representantes do Poder Judiciário. Lula e seu partido são difamados quase que diariamente como “canalhas“ corruptos e “organização criminosa“. A confirmação da sentença de primeira instância poderia resultar na ordem de execução imediata da pena, quer dizer, na prisão de Lula. Por outro lado, Lula ainda dispõe de outras possibilidades recursais na mesma instância, bem como no Supremo Tribunal Federal (STF).
As causas desse combate à pessoa de Lula e à política de esquerda são, entre outras, as políticas de nacionalização e distribuição da renda, iniciadas por Lula e por sua sucessora, Dilma Rousseff, com o objetivo de reduzir as desigualdades sociais. Ambas foram claramente na contramão dos interesses políticos e econômicos da rica camada dominante do Brasil e da sua ligação com grupos empresariais internacionais.
O retrocesso nas políticas social e econômica já iniciou há muito tempo. De acordo com conhecedores da América Latina, o próprio impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, em 31 de agosto de 2016, segue o figurino da nova “forma de golpe de Estado” (Aníbal Pérez Liñan). De resto, esse impeachment, em que pesem as patentes deficiências da sua fundamentação constitucional e sua impugnação junto ao STF – a corte com competência constitucionalmente definida para avalia-lo – simplesmente foi posto de lado pela corte suprema, não tendo sido sequer discutido e muito menos anulado. Não é descabida a suspeita de que o STF somente colocará em pauta a reclamação de Dilma Rousseff depois do transcurso do período de governo do atual Presidente Michel Temer, inquestionavelmente corrupto, para então arquivá-la por perda de objeto.
Sérgio Moro, juiz de primeiro grau em Curitiba responsável pelos casos de corrupção na empresa paraestatal Petrobrás, há muito tempo também já dá margem às suspeitas de que ele seja parte dessa campanha política. Manifestou-se publicamente contra Lula em várias ocasiões, o que em um Estado de Direito deveria, sem dúvidas, acarretar na declaração de sua suspeição. Mas não é o que ocorre no Brasil, onde ele foi sempre respaldado e jamais recebeu qualquer penalidade por suas condutas. Isso tampouco causa admiração, uma vez que até juízes de instâncias superiores aderiram à campanha política antipetista, externando publicamente e com frequência condenações antecipadas de Lula.
Seriam tais práticas compatíveis com os procedimentos usuais na justiça penal do Brasil? Será que elas não vêm há muito violando o que seria tolerável em um Estado de Direito? Um crescente número de indícios reforça o temor de que uma parcela considerável do Judiciário brasileiro se compreende como um braço da elite nacional do poder e do dinheiro, sacrificando com isso, mediante invocação abusiva da independência do juiz, os princípios do Estado de Direito, ancorados também na Constituição Federal.
Apesar da petição do ex-presidente Lula encaminhada ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e da clara condenação, por parte desse órgão, das práticas do Judiciário brasileiro, contrárias ao Estado de Direito e aos Direitos Humanos, a comunidade internacional e também a sociedade europeia – e mormente a alemã – vem dando atenção insuficiente às lastimáveis mudanças da política brasileira nos últimos tempos.
Em parte, isso talvez se deva à afirmação do Judiciário brasileiro (e à campanha midiática por trás dela) de que, no processo contra Lula, estaria em jogo apenas o combate justificado à corrupção. Fosse isso verdadeiro, o Judiciário brasileiro mereceria todo o apoio imaginável no seu empenho, em consonância com os princípios do Estado de Direito, uma vez que o combate eficaz da corrupção é hoje mais necessário do que nunca. Conforme mostram os relatórios da Transparência Internacional, a corrupção há muito tempo é endêmica no Brasil e constitui um problema gigantesco para o Estado, o setor privado e a sociedade. Além disso, ela solapa cada dia mais a confiança da população nas decisões do poder público.
Por isso, o combate à corrupção em todas as suas formas exige leis eficazes, bem como instrumentos e procedimentos repressivos e preventivos. A descoberta e comprovação da corrupção podem ser difíceis, justamente quando se trata da influência em decisões políticas ou da prova do recebimento de uma vantagem. Isso vale para o combate à corrupção em qualquer lugar do mundo, e também no Brasil. Por isso, é digno de nota que durante o governo de Lula não só as leis contra a corrupção foram tornadas mais rigorosas, mas as instituições de combate à corrupção também foram fortalecidas. Seriam, então, as ações penais por corrupção movidas contra Lula resultantes apenas da aplicação dessas leis mais rigorosas – talvez no quadro caracterizado por muitos juristas como “demência normal do Brasil” – resultante de uma ingerência do Judiciário na política, inimaginável em nossas latitudes?
Como já foi aludido, dúvidas são mais do que justificadas aqui. Em primeiro lugar, por causa da considerável tendenciosidade politicamente motivada do combate à corrupção: a corrupção patente, e.g., do atual presidente Michel Temer, bem como de grandes parcelas dos seus sequazes conservadores na Câmara dos Deputados e no Senado, não parecem perturbar os tribunais e a elite política do Brasil. Mas essa unilateralidade – politicamente escandalosa e contrária à credibilidade do Judiciário brasileiro – por si só é insuficiente para uma crítica do Judiciário. A referência ao Judiciário zarolho não exculpa a corrupção em outras áreas nem serve como exigência justificada de impunidade nelas.
Porém, é escandalosa a atuação do Judiciário nas ações movidas contra o ex-presidente. Aqui, os princípios irrenunciáveis do Estado de Direito – e.g. da imparcialidade e ausência de prevenção por parte de juízes, mas também do devido processo legal – têm sido violados ininterruptamente; violações graves de regras processuais na instrução e no julgamento têm sido tão frequentes, e essas têm sido contestadas tão prontamente pelos tribunais de instâncias superiores, que a acusação do abuso de procedimentos judiciais para fins políticos não pode ser afastada.
Tudo isso os advogados do ex-presidente resumiram na sua petição apresentada ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, na qual criticaram tanto o arbítrio na condução coercitiva de Lula ordenada por Sérgio Moro (feita sem intimação prévia, em desacordo com a lei brasileira) quanto a violação dos princípios da presunção da inocência, do devido processo legal e dos direitos à privacidade, especialmente no tocante a gravações de telefonemas e a operação de busca e apreensão no domicílio do ex-presidente. Aqui entra também a gravação de telefonemas dos seus advogados de defesa. Todas essas acusações são confirmadas na sentença do juízo de primeira instância. No entanto, o juiz Moro justifica-as expressamente em cada caso: e não apenas com o argumento da gravidade dos atos imputados a Lula ou com acusações penais à defesa, mas também com a alegação de que Lula teria querido destruir provas, influenciar testemunhas e intimidar o tribunal.
Por conseguinte, a crítica à atuação do Judiciário brasileiro contra Lula não se baseia apenas na “zarolhice” do Judiciário; ou na alimentação constante da campanha midiática por parte de órgãos públicos envolvidos no processo; ou na parcialidade do juiz Moro; mas também na permanente violação de princípios irrenunciáveis do Estado de Direito. É em virtude disso que juristas brasileiros já há muito tempo falam em “lawfare”, ou seja, do fato dos tribunais ocultarem sob o pretexto do combate à corrupção – e mediante o abuso dos seus instrumentos – o combate político da elite do poder no Brasil contra a tão odiada esquerda.
A decisão do TRF-4 deverá tomar tudo isso em conta no dia 24 de janeiro de 2018. Prolatada em 12 de julho de 2017, a sentença de primeira instância do juiz Moro chama a atenção por ser extraordinariamente longa e verborrágica: nos 961 parágrafos distribuídos pelas 186 páginas da versão em inglês, o juiz não discute apenas as acusações. Muito pelo contrário: ele busca criar uma atmosfera propícia à condenação, usando para isso constantes desqualificações de Lula, um sem-número de afirmações vagas e o indeferimento verdadeiramente monótono e não-fundamentado dos requerimentos da defesa.
Fica evidente a intenção subjacente: o encobrimento da saliente falta de provas. A estratégia dá com os burros n’água. Remanesce um excesso de hipóteses, presunções, insinuações e afirmações não documentadas nem documentáveis, baseadas no diz-que-diz ou transmitidas por delatores premiados presos, aos quais a Procuradoria da República ofereceu – sempre com anuência do juízo – vantagens obscuras. Com muita frequência, o conteúdo dessas “barganhas” não é transparente ou comprovável no processo judicial. A credibilidade das alegações dos delatores premiados remanesce também problemática precisamente por não terem sido observadas nem as garantias mínimas exigidas na aplicação desse instituto na Alemanha.
Destarte, a acusação do recebimento de vantagens por Lula com vistas ao dinheiro, mas também com vistas à propriedade, posse ou outras vantagens em conexão com um apartamento sempre aduzido (que Lula teria recebido como contrapartida de empresas favorecidas pelas suas decisões) permanece mais do que vaga. A própria acusação penal – de que Lula teria sido responsável, enquanto presidente da República, pela corrupção na Petrobrás – deve soar extravagante para ouvidos acostumados à linguagem do Estado de Direito, quando não acompanhada da prova da sua intervenção e influência pessoais, ou do auferimento de vantagens pessoais: afinal de contas, nem os delatores conseguiram confirmar no processo mais do que o fato conhecido de que o presidente da República tivera influência para a nomeação dos diretores da estatal.
As hipóteses de Moro adquirem um gosto especialmente picante com a sua estranha inferência de que a conhecida doutrina do “domínio do fato” poderia justificar a acusação de punibilidade pessoal do ex-presidente da República mesmo sem nenhuma prova da sua intervenção ou da obtenção de uma vantagem.
Há ainda outros indícios: a condução do processo pelo juiz Moro, conforme se depreende até dos excertos das atas por ele incluídos na redação da fundamentação da sentença, refletem liminarmente a sua parcialidade. Bastem aqui alguns exemplos: Moro chama várias vezes Lula integrante de um sistema criminoso e interpreta os pedidos da defesa – não apenas o de constatação da suspeição do juiz, mas também as petições apresentadas ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos – como sendo ilícitas, como tentativa de intimidação deplorável do tribunal, da Procuradoria da República e das testemunhas. Manifestações de Lula, nas quais este se defende em público contra a atuação do Judiciário, ele também qualifica como ameaça e difamação, ao passo que justifica posicionamentos públicos de juízes contra Lula.
A atitude preconcebida de Moro diante de Lula, tanto em termos pessoais quanto em termos políticos, manifesta-se com maior clareza no parágrafo 948 da sentença. Ele é tão digno de leitura quanto a sua observação comparativamente memorável no parágrafo 961, no qual Moro afirma que “a presente condenação não traz a este julgador qualquer satisfação pessoal, pelo contrário. É de todo lamentável […]”.
A sentença revela também as contradições no comportamento de Moro: se apenas algumas das suas acusações de supressão de provas e influência de testemunhas fossem comprováveis, conforme pressupõe a elevada pena prisional de nove anos e meio, a decisão ulterior de Moro, de permitir a Lula apelar da sentença em liberdade até a decisão da corte de apelação, seria praticamente indefensável.
Em poucas palavras: O TRF-4 de Porto Alegre deve cassar a sentença de Moro, mesmo se ele com isso admitir que essa ação contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto matéria política, há muito tempo já se transformou no “Caso Moro”.
Mas é mais do que duvidoso que o TRF-4 decida nesse sentido, uma vez que tudo indica que desembargadores desse tribunal também estão demasiado enredados nos conflitos e nas campanhas políticas em curso no Brasil.
Em suma, a confirmação da sentença não prejudicaria apenas a credibilidade e eficácia do combate à corrupção, mas ao mesmo tempo revelaria a inexistência do Estado de Direito no Brasil.
Prof. Dr. Herta Däubler-Gmelin é Ex-Ministra da Justiça da República Federal da Alemanha

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Da alemã Deutsche Welle: ex-ministra da Justiça da Alemanha questiona a politização da Justiça no Brasil



A advogada, que esteve à frente do Ministério da Justiça alemão entre 1998 e 2002, destacou os impactos da corrupção, que, segundo ela, encarece investimentos e desvia recursos necessários para manutenção da sociedade. Ela afirmou que nenhum país do mundo está livre do problema.
"Na Alemanha, também há casos de corrupção, mas são individuais e costumam ser tratados como escândalos públicos. São rapidamente investigados e punidos. A Justiça age com muito cuidado e independentemente", afirmou Däubler-Gmelin, que foi deputada federal por mais de 30 anos pelo Partido Social-Democrata (SPD) e hoje é professora na Universidade Livre de Berlim.

Da Deutsche Welle:

BRASIL

Ex-ministra alemã questiona politização da Justiça no Brasil

Em evento em Berlim com a presença de Dilma, Herta Däubler-Gmelin, que comandou Ministério alemão da Justiça, reforça necessidade de independência do Judiciário e afirma que nenhum país do mundo está livre da corrupção.
Herta Däubler-Gmelin
Däubler-Gmelin: "Na Alemanha, também há casos de corrupção, mas são individuais e rapidamente investigados e punidos"
Em um debate sobre o Brasil na Universidade Livre de Berlim, que contou com a participação da ex-presidente Dilma Rousseff, a ex-ministra alemã da Justiça Herta Däubler-Gmelin abordou nesta terça-feira (14/11) o papel da Justiça no combate à corrupção no Brasil, questionando uma politização da instituição.
"No Brasil, existem leis para combater a corrupção. Mas a transparência também é necessária para isso, além de uma imprensa independente, pluralista e controlada. Por fim, a Justiça precisa ser independente, precisa se posicionar contra qualquer suspeita de corrupção", afirmou Däubler-Gmelin.
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A advogada, que esteve à frente do Ministério da Justiça alemão entre 1998 e 2002, destacou os impactos da corrupção, que, segundo ela, encarece investimentos e desvia recursos necessários para manutenção da sociedade. Ela afirmou que nenhum país do mundo está livre do problema.
"Na Alemanha, também há casos de corrupção, mas são individuais e costumam ser tratados como escândalos públicos. São rapidamente investigados e punidos. A Justiça age com muito cuidado e independentemente", afirmou Däubler-Gmelin, que foi deputada federal por mais de 30 anos pelo Partido Social-Democrata (SPD) e hoje é professora na Universidade Livre de Berlim.
Däubler-Gmelin afirmou que o sucesso do combate à corrupção exige o desejo claro da sociedade e de governos de que a prática não seja tolerada. Ela elogiou as medidas anticorrupção dos governos petistas.
Dilma Rousseff em Berlim
"Não se combate corrupção sem vontade política", disse Dilma em Berlim
Em sua fala no evento em Berlim, Dilma também destacou as medidas anticorrupção promovidas pelos governos do PT – como a Lei da Transparência, que obriga estados, municípios e União a divulgar seus gastos, e a Lei das Organizações Criminosas, que abrange também crimes de corrupção.
"Não se combate corrupção sem vontade política, instituições e leis", disse a ex-presidente. "Fortalecemos a Polícia Federal e nossa relação com o Ministério Público. Aceitamos que o órgão indicasse por eleição os nomes para Procurador-Geral da República (PGR) e escolhíamos o mais votado. Essa questão é hoje controversa", completou Dilma, aproveitando para alfinetar Michel Temer.
Em meados deste ano, o presidente quebrou a tradição petista ao nomear para assumir o comando da Procuradoria-Geral a segunda colocada em votação interna feita pelo Ministério Público, Raquel Dodge.
Parlamentarismo e autoritarismo
Em meio à instabilidade política no Brasil, alguns questionam se o parlamentarismo não seria a solução para o país. Em Berlim, Dilma defendeu o presidencialismo como sistema político ideal para o Brasil.
"Nós não podemos ser parlamentaristas porque as oligarquias regionais têm um grande poder quanto se trata do voto regionalizado. No Brasil, sempre haverá um governo federal, exceto golpista, mais progressista do que seu parlamento”, afirmou.
Enquanto alguns veem no parlamentarismo a solução, outros vislumbram uma volta do autoritarismo ao apoiarem o pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro. Dilma disse não acreditar que o político represente a volta da força militar. "Não acho que as Forças Armadas dão guarida ao tipo de política de Bolsonaro."
Quanto ao PT nas eleições de 2018, Dilma disse que o partido não pode abrir mão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que lutará para isso. "O Lula tem que ser o candidato, não vamos buscar alternativa."
Condenação de Lula
No evento em Berlim, Däubler-Gmelin questionou o processo que levou à condenação de Lula. "Há, com certeza, dúvidas sobre a imparcialidade do processo e a independência da Justiça”, afirmou e ex-ministra alemã.
Em julho deste ano, o juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, condenou o ex-presidente a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá.
"O caso [de Lula] mostra como pode ser prejudicial quando a Justiça emprega a politização e não métodos jurídicos do Estado de Direito, e se preocupa mais em derrubar adversários políticos para proteger o seu interesse de poder", afirmou Däubler-Gmelin.
O evento sobre a situação política e judiciária brasileira que reuniu Dilma e ex-ministra alemã foi organizado pela Fundação Friedrich Ebert, ligado ao Partido Social-Democrata (SPD), e pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Livre de Berlim.
Além de estudantes, brasileiros de várias cidades da Alemanha foram à capital para assistir à palestra da ex-presidente. As inscrições para o evento se esgotaram três dias após a sua divulgação.
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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.