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quarta-feira, 17 de julho de 2019

Mídia tradicional esconde atentado a evento com Glenn Greenwald em Paraty, por Alceu Castilho



"Ninguém me contou, eu estava lá na mesa ao lado de Sérgio Amadeu, Sabrina Fernandes e Gregório Duvivier, além do próprio Glenn. O clima de tensão era enorme. Nossas falas eram interrompidas por rojões", afirmou Castilho


Foto: Reprodução/A Postagem
Por Alceu Castilho
No Facebook, reproduzido pelo Jornal GGN
A miserável imprensa brasileira conseguiu esconder – ou amortecer – o que aconteceu de principal, ontem, em Paraty: rojões foram atirados contra a mesa onde estava o jornalista Glenn Greenwald e na direção de uma multidão com pelo menos mil pessoas, por um grupo de apoiadores barulhentos do juiz Sérgio Moro. Ironicamente, durante um debate sobre “Jornalismo em tempos de Lava Jato”.
Os rojões foram disparados por dois homicidas em potencial. Chegaram bem perto do barco pirata da Flipei. Mas os coleguinhas da imprensa preferiram outras narrativas. Como se não fosse essa a notícia, em qualquer lugar sério do mundo. E não apenas o fato de os fascistas (não, não usaram essa palavra exata) terem abafado com som alto boa parte do debate.

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O Globo foi quem chegou mais perto da notícia. Ainda que a tenha confinado ao subtítulo. Os demais veículos, nem isso. Folha e UOL tinham pelo menos três repórteres no local, fora os fotógrafos, mas elas preferiram passar ao largo do atentado – contra a liberdade de expressão e contra uma multidão.
Ninguém me contou, eu estava lá (embora o 247 tenha amputado minha participação), na mesa ao lado de Sérgio Amadeu, Sabrina Fernandes e Gregório Duvivier, além do próprio Glenn. O clima de tensão era enorme. Nossas falas eram interrompidas por rojões. O início do debate quase não foi ouvido pelo público.
Foto: Karen Garcia/OGlobo
Uma das repórteres da Folha, curiosamente convidada pelos organizadores da Flipei para acompanhar Glenn na chegada ao barco, em uma voadeira, escreveu um texto deslumbrado com o próprio furo. Mas não enxergou maior importância nos rojões, disparados na horizontal. Em determinado momento do texto, pareceu indignada ao informar que os organizadores infiltraram-se em grupos de Whatsapp da extrema-direita.
Sim, repórter, e foi com isso que eles souberam que haveria a manifestação. O que possibilitou a interrupção da passagem pela ponte – já que a polícia (indiferente ao atentado, assim como a organização da Flip) se entrincheirou por ali. Esse que foi o grande pecado político dos últimos dias? Ficar à mercê de uns rojõezinhos na cabeça, como você ficou, como eu fiquei, tudo bem, né?
Estamos tentando fazer jornalismo em tempos de barbárie. A Lava Jato é apenas uma expressão com resquícios de legalidade dessa violência abjeta, dessa celebração do grotesco. Um simulacro nadando no pântano, em meio a esta radicalização da história brasileira da infâmia.
Alguns de nós, jornalistas, continuaremos resistindo. Outros preferem fazer de conta que são intrépidos repórteres independentes, até mesmo “investigativos”, quando estão a serviço de uma narrativa putrefata – a de que ainda vivemos em tempos normais.
E não diante de gente que tem quase alguma ideia na cabeça. E alguns rojões na mão.

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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

A censura às universidades quer produzir medo, mas a democracia prevalecerá sobre o fascismo. Por Kiko Nogueira



"A censura às universidades busca produzir, na melhor das hipóteses, medo e, na pior, um cadáver. Um novo Cancelier.
"O repúdio é necessário. A solidariedade a estudantes e professores é fundamental."
Do DCM:


Resistência na Faculdade de Direito da UFPR

A censura às universidades busca produzir, na melhor das hipóteses, medo e, na pior, um cadáver. Um novo Cancelier.
O repúdio é necessário. A solidariedade a estudantes e professores é fundamental.
Nos últimos dias, ao menos 35 instituições foram alvos de operações da Justiça Eleitoral para fiscalizar suposta prática de propaganda.
Houve ações em eventos com temas como fascismo, democracia e ditadura na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e na da Grande Dourados, no Mato Grosso do Sul.
A faixa com os dizeres “Direito UFF Antifascista” teve de ser retirada da escola de direito da UFF, em Niterói.
Na Paraíba, ocorreu uma inspeção do TRE em aulas da Universidade Federal de Campina Grande e apreensão de material. 
É um ataque frontal à liberdade de expressão e à autonomia universitária. 
Noves fora o fato de que ele Jair Bolsonaro veste definitivamente a carapuça de fascista ao buscar reprimir. Um aperitivo do que pode vir.
O Ministério Público Federal se posicionou de maneira firme, declarando que medidas para impedir a livre manifestação são incompatíveis com o regime constitucional.
“É lamentável que, em uma disputa tão marcada pela violência física e simbólica, pelo engano e pela falsificação de fatos, o ataque do sistema de justiça se dirija exatamente para o campo das ideias”, diz a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.
‘Polícia só deve entrar em universidade se for para estudar’, apontou o ministro do STF Luís Roberto Barroso.
Para seu colega Marco Aurélio Mello, a interferência é “incabível”. A reação é tardia? Pode ser. Mas antes tarde que mais tarde.
Na sexta, dia 26, um corpo foi encontrado dentro de um carro com marcas de tiro na Faculdade de Direito da UFRJ. A vítima estava no banco do carona. 
Uma postagem do centro acadêmico registrava a presença do Sendero branco durante uma aula pública.
O homem não era ligado à faculdade — mas não é esse o ponto. O recado dos bandidos é que pode vir a ser.
A polícia está apurando o caso, mas é evidente que não vai dar em nada.
O bolsonarismo saiu do armário e seus capangas estão agindo à luz do dia.
Em nome de Luiz Carlos Cancelier e dos alunos e mestres brasileiros, é hora de resistir.
Em nome de nós e de nossos filhos, o pensamento livre e a democracia vão prevalecer.
Em post do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da UFRJ, vê-se o carro onde foi encontrado o cadáver enquanto uma aula pública era realizada