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terça-feira, 3 de julho de 2018

Após ser repreendido por Toffoli, Moro diz que "aparentemente" estava "equivocado"



Jornal GGN - O G1 divulgou na tarde desta terça-feira (3) o posicionamento de Sergio Moro após ser repreendido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, que cassou decisão do juiz de piso que impunha a José Dirceu uma série de medidas cautelares, incluindo a tornozeleira eletrônica.
Segundo Toffoli, Moro desrespeitou a decisão da segunda turma do Supremo, que concedeu habeas corpus de ofício, em caráter liminar, para que Dirceu fosse colocado em "liberdade plena", enquanto a Corte não conclui o julgamento de seu recurso contra a prisão a partir de condenação em segunda instância. Em nenhum momento o STF definiu que Dirceu deveria retornar à situação anterior, que era de liberdade condicionada a medidas cautelares.
Além disso, Toffoli expôs que Moro não só desrespeitou o Supremo como ainda "usurpou" a competência do Juízo do Distrito Federal que é o responsável pela execução da pena de Dirceu, cumprida na penitenciária da Papuda, em Brasília. Ou seja, Moro não tinha sequer poder para impor medidas cautelares ao ex-ministro petista.
Apesar do puxão de orelha de Toffoli, Moro emitiu nota em que, segundo o G1, afirma que "estava aparentemente equivocado" sobre o habeas corpus de Dirceu. "O juiz federal lamentou que o fato de ter restabelecido as medidas cautelares tenha sido interpretado como 'claro descumprimento' da decisão do STF, quando ele na verdade buscava cumpri-la", diz o portal, sem mencionar se houve alguma explicação de Moro sobre ter usurpado a função de outro magistrado.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Bob Fernandes sobre a hipocrisia da mídia golpista e da onda fascista no caso da soltura de José Dirceu



"Quatorze milhões de desempregados. Temer com mesmos 9% de Dilma. Onde os brados, editoriais, manchetes, e panelas, pela queda ou renúncia?
Silêncios. Porque segue sendo feito o serviço pelo mandato recebido longe , fora das urnas."



José Dirceu solto. Em votação do Supremo que já havia decidido: prisão definitiva só depois de condenação em 2ª Instância.
Se seguidas decisões anteriores e a 2ª Instância confirmar as penas, Dirceu voltará à prisão. Por ora e por conta do relaxamento da prisão, brados, editoriais e manchetes.
Tudo é escolha. Dos 620 mil presos no Brasil, 40% sequer foram julgados. Onde estavam editoriais, manchetes e brados cotidianos a respeito?
Cobrou-se queda ou renúncia de Dilma. Por conta de denúncias de corrupção e erros do governo. E dos escassos 9% de apoio, fruto das cobranças.
Temer over citado nas delações. Acusados de crimes diversos, oito dos seus ministros serão investigados...
Quatorze milhões de desempregados. Temer com mesmos 9% de Dilma. Onde os brados, editoriais, manchetes, e panelas, pela queda ou renúncia?
Silêncios. Porque segue sendo feito o serviço pelo mandato recebido longe , fora das urnas.
Por que a súbita temporada de relaxamento de prisões? Uma boa resposta pode ser encontrada nos recados que, da cadeia, Eduardo Cunha tem mandado.
Os 9% que restam a Temer, e a capacidade mínima de seguir esse simulacro, dependem da língua de Cunha.
A anunciada delação que seria feita por Palocci também ajuda explicar esse repentino fervor legal contra costumeiras prisões preventivas.
Quem aposta ser Lula alvo primordial de Palocci esquece as relações do ex-ministro da Fazenda com o Dinheiro Grande.
E com as Vozes e seus donos.
É evidente que a Lava Jato está sob cerco do pelotão "Estancar a sangria".
Como é evidente que o Juiz Moro segue escrevendo a Crônica de uma Condenação Anunciada: a de Lula.
Condenação em 2ª Instancia tira Lula da eleição presidencial.
Demais grandes investigados estão a cargo do Supremo. Coisa para, no mínimo, dois, três anos.
E assim todos poderão ser candidatos, tentar mandato para seguir longe da 1ª Instância... Se persistir de pé o Foro privilegiado.
Se conseguirem estancar a Lava Jato, desejo anunciado há já um ano e em pleno andamento, restará atingido o grande objetivo. O de sempre. Lula.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

"Dirceu outra vez"... Artigo de Jânio de Freitas em sua coluna da Folha de São Paulo, seguido de artigo de Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo



  José Dirceu ficou, à espera. Não quis fugir. Isto tem um significado. Não há como deixar de tê-lo. As suposições a respeito podem variar, sobretudo ao compasso das posições políticas, mas só o próprio Dirceu mostrará qual é.

 Dirceu outra vez



 Texto de Jânio de Freitas, publicado na Folha de São Paulo




Charge de Laerte

A prisão de José Dirceu foi a menos surpreendente de quantas a Lava Jato faz desde março do ano passado. Se justificada ou não, vamos saber quando os integrantes da Lava Jato apresentarem em juízo o que veem como provas convincentes. A carga pesada de acusações apenas verbais, feitas pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, desde logo criou uma imprecisão sujeita a reparo histórico e atual. Foi quando definiu Dirceu como "o instituidor e beneficiário" do "esquema" de corrupção na Petrobras.

Dizê-lo instituidor é aliviar de um grande peso acusatório os empreiteiros e ex-dirigentes da Petrobras que têm feito delação premiada e, por isso, são chamados pelos componentes da Lava Jato de "colaboradores". Ainda que não seja por deliberação, a transferência de responsabilidades, concentrando-as em um só, é como um prêmio adicional à delação já premiada.

A corrupção na Petrobras investigada pela Lava Jato seguiu o "esquema" praticado há décadas pelas grandes empreiteiras nas licitações e acréscimos de custo, em contratos com estatais e administração pública. Se houve um "instituidor" do "esquema", seu nome perdeu-se na desmemória do tempo.

Caso o Ministério Público e a Polícia Federal se dessem ao trabalho de verificações retroativas, tanto encontrariam histórias de honestidade como de vidas enriquecidas a partir de passagem por um cargo alto na Petrobras. Mas, no Brasil, nem por curiosidade é acompanhada a evolução das condições de vida de políticos e ex-dirigentes públicos.

Na geração atual dos funcionários elevados a dirigentes corruptos da Petrobras, Pedro Barusco, que é tido como o mais inteligente dos delatores premiados, já explicou que vem desde meados da década de 90, ao menos desde 1997, as transações com a atual geração de dirigentes de empreiteiras.

Também resulta como prêmio adicional aos delatores já premiados a ideia de que o "esquema na Petrobras repetiu o do mensalão". Um nada tem a ver com o outro. Na Petrobras, o dinheiro manipulado estava embutido no custo de obras e de serviços ou bens como sondas. No mensalão, os meios envolvidos foram banco e publicidade.

No caso pessoal de Dirceu, chama atenção a disparidade entre as toneladas de atribuições que o procurador Santos Lima lhe despeja e a sua espera quase passiva, em casa, pelos emissários da Lava Jato. Quem se soubesse autor de tantos e tão graves atos ilegais, e da gana de é que alvo, saberia também que o esperava uma condenação esmagadora. José Dirceu teve farta oportunidade de fugir. Com a experiência de quem entrou e viveu no Brasil da ditadura com rosto e nome mudados, e levou vida tranquila por anos, poderia evaporar por aí sem dificuldade.

José Dirceu ficou, à espera. Não quis fugir. Isto tem um significado. Não há como deixar de tê-lo. As suposições a respeito podem variar, sobretudo ao compasso das posições políticas, mas só o próprio Dirceu mostrará qual é.

A prisão de Dirceu dividiu ainda mais um país já rachado em dois. Por Paulo Nogueira


Precisava?
Precisava?
Mais uma vez, com a prisão de Dirceu, o juiz Sergio Moro promove uma divisão no Brasil.
Num país já visceralmente dividido, é uma péssima notícia.
Sobre a competência de Moro o tempo vai falar. Desde já está claro que ele tem um papel de divisor, e não de somador.
A direita festejou, como era de esperar. Nas redes sociais, antipetistas trataram Dirceu da forma como a mídia o retratou, com a ajuda milionária da Justiça, desde que o PT subiu ao poder: como um demônio.
Os fanáticos de direita não querem apenas que Dirceu seja preso. Querem que ele morra, que ele apodreça na cadeia.
Mas eles são apenas parte do todo.
Do outro lado, os progressistas ficaram extremamente incomodados com a prisão. Prender alguém que já estava preso? Preventivamente, como se Dirceu pudesse fugir para a Venezuela ou o que for?
E provas, onde as provas? Dirceu não pode efetivamente ter prestado serviços para as empresas, amparado em sua rede de relacionamento?
Ou é só gente do PSDB que recebeu, sempre, dinheiro limpo em consultorias depois de deixar o governo?
Moro tem uma questão de imagem a ser trabalhada. Para muitos brasileiros, seu rigor é unilateral. Ou melhor, é excludente. Exclui os tucanos.
O PSDB recebe doações. O PT propinas. Esta parece ser a visão de Moro e da Polícia Federal.
O mundo deve ser mais complexo que isso.
Pairou também sobre muitas pessoas a seguinte questão: Perrela está solto. Ricardo Teixeira está solto. Marin só foi preso por estar fora de sua zona de proteção no Brasil. Cássio Cunha Lima, o líder do PSDB no Senado, está solto, mesmo tendo sido flagrado comprando votos de desvalidos paraibanos com dinheiro público.
Pior.
Eduardo Cunha está solto. Com as ameaças contra quem podia desmascará-lo, com uma propina de 5 milhões obtida com métodos de gangster, com o depoimento em rede nacional de uma advogada que largou tudo para se livrar da sombra aterrorizante de Cunha.
E Dirceu preso. Sempre ele? Sempre petistas?
Alguma conta não fecha aí.
Não à toa, entre os progressistas floresceu a hipótese de que a prisão cumpria dois objetivos.
Um, tirar do centro das atenções o atentado contra o Instituto Lula. Dois, atiçar os ânimos dos antipetistas para o protesto contra Dilma em poucos dias.
Que Moro já mostrou gostar de estardalhaço para suas movimentações, está claro.
Isso não é nada bom para ele, que pode se achar mais importante do que é e depois, como Joaquim Barbosa, sofrer com a perda dos holofotes.
Mas é muito pior para a sociedade.
Se Moro não for capaz de provar que é mais do que um homem que divide, seu legado na história será melancólico.
A dúvida é se ele ainda tem tempo – e vontade — para reformar a imagem de juiz partidário.
(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).
Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A farsa do sequestro-bomba, o desespero dos coxinhas e mais um golpismo espetaculoso midiático

Seguem texto de Cíntia Alves, extraído do JornalGGN e Luis Nassif Online, e de Luiz Müller do blog Luiz Müller:

Globo noticia ação "terrorista" em Brasília associando hotel a José Dirceu


 Jornal GGN - Os produtos jornalísticos da Rede Globo parecem reciclar o expediente adotado no sequestro de Abílio Diniz, que mudou os rumos da eleição de 1989, para noticiar uma "ação terrorista" que acontece nesta segunda (29), em Brasília.

 O portal G1 e a Globo News pulicaram que um sequestro ocorre por motivação política no mesmo hotel que pretendia contratar o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT), condenado na Ação Penal 470.

 De acordo com a polícia, por volta das 8h da manhã um homem com cerca de 30 anos deu entrada no hotel Saint Peter. Ele foi de quarto em quarto apenas no 13º andar e pediu que os hóspedes esvaziassem o edifício. Segundo fontes ouvidas no local, não se trata de roubo ou sequestro com a finalidade de pedir algo em troca, mas sim de "terrorismo".

 No início desta tarde, cerca de 300 hóspedes já haviam deixado o local. O sequestrador faz de vítima um dos mensageiros do hotel, que aparece frequentemente na sacada de um quarto, portando um cinto que supostamente contém explosivos. A polícia ainda não confirmou essa informação, mas estima que se de fato a carga for real, ela tem potencial para danificar a estrutura do prédio.

 A polícia identificou que o sequestrador tentou uma vaga de vereador no Tocantins pela coligação PP, PTB e PSDB, mas não foi eleito. Segundo informações da Globo News, a corporação avalia que o infrator apresenta desequilíbrio emocional e diz que sua motivação é de ordem política. Em frases desconexas, ele pede a extradição de Cesare Battisti e ampliação da Lei da Ficha Limpa.

 A emissora também associou o episódio ao hotel que contrataria Dirceu - algo equivalente a associar um acidente na linha do Metrô paulista ao caso Alstom.


  Caso Diniz

 Faltando cinco dias para o primeiro turno das eleições, a grande mídia parece insistir em uma bala de prata contra a vantagem da candidata Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas de opinião. A lembrança de Dirceu no sequestro de hoje lembra a cobertura de grandes jornais sobre o sequestro do empresário Abílio Diniz, executivo do grupo Pão de Açúcar, em 1989.

 Naquele ano, o caso foi revelado às vésperas do segundo turno das eleições. Fernando Collor de Mello (PRN) e Luís Inácio Lula da Silva (PT) disputavam a Presidência. À época, a grande mídia levantou suspeitas sobre o envolvimento do PT no sequestro de Diniz. Após a vitória de Collor, as acusações foram desmentidas. A investigação apontou que os envolvidos na ação foram obrigados a vestir uma camisa da campanha de Lula.

Sequestro em Brasília:A grande mídia brasileira, mentirosa e parcial, é a culpada pela loucura

Luis Müller

  Ligar TV, ouvir rádio ou ler jornais no Brasil é um exercício de psiquiatria. O mundo inteiro elogia o Brasil pelas conquistas sociais do últimos anos, os avanços na saúde, o menor índice de desemprego da história, os salários sobem acima da inflação, a educação avançou, e muito. Nunca se construíram tantas casa populares, o Pré Sal colocou o Brasil entre os maiores donos de reservas de petróleo e o país saltou da 13ª posição entre as maiores economias do mundo para a 7ª economia do mundo. Desenvolvimento Econômico com desenvolvimento Social. 

  Mas nada disto é destacado na mídia. As vezes um único caso negativo ganha repercussão nacional e vira discurso contra o governo, alimentando uma oposição sem programas claros. Só notícias negativas são publicizadas e repetidas diuturnamente. Goebels invejaria a capacidade da mídia tupiniquim em transformar mentiras repetidas em verdades no senso comum. O que Goebels conseguiu com sua máquina de propaganda, nós sabemos. Deixou um povo inteiro refém do medo e enlouquecido, capaz de destruir a humanidade inteira numa guerra insana e assassina. Pois a mídia brasileira faz exatamente a mesma coisa. E orientados pelo ódio disseminado pelos meios de comunicação, era de se esperar que começassem a aparecer loucos do tipo suicida e homem bomba, dispostos a salvar o mundo do demônio, e a resgatar a pátria do “comunismo”.

  Na mídia não faltarão menções ao Hotel que “iria contratar Zé Dirceu”, a falsa informação de que Dilma teria proposto negociar com o tal “estado islâmico”, que Césare Battisti não foi extraditado e outras mentiras e negatividades escondidas nas largas mangas da mídia tupiniquim.

  Está na Hora da Lei dos Meios pra acabar com o monopólio das (des)informações. E com os golpistas oligopólios máfio midiáticos que continuam a se arvorar como detentores da verdade única, tal qual Hitler e Goebels. A continuar assim, teremos como resultado o mesmo que aquela nefasta semeadura de 1933.

 Reeleger Dilma, eleger uma Constituinte Exclusiva e efetivar a Lei dos Meios ajudará a salvar o Brasil dos golpistas…e dos loucos terroristas como este de Brasília.

  Em tempo: A loucura pode ser do sujeito ou pode ser da própria mídia e da oposição brasileira. Em 1989 Abílio Diniz, milionário dono do Grupo Pão de Açúcar, foi sequestrado. Não havia nenhuma conotação política no sequestro. Mas “arranjaram” uma camiseta do PT para um dos sequestradores. E lá foi a Globo, capitaneando os oligopólios midiáticos, a distribuir a versão de que o sequestro teria sido feito para arrecadar recursos para o PT. 

  O ódio da mídia e da Classe dominante ao PT não é de agora. Vem desde a sua criação. O PT veio pra mudar a história do Brasil, colocando pobres, trabalhadores e o todos os “diferentes” na história. E é por isto que eles tem ódio ao PT e o semeiam diuturnamente. Se não dermos um basta nisto, geraremos cada vez mais loucos defensores de posturas nazistas e fascistas. Eles detestam a democracia que o PT tanto defende e busca sempre ampliar mais.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Erros midiaticamente condicionados do STF se voltarão politicamente contra a direita


texto de Miguel do Rosário

Fonte: O cafezinho

Vendo as primeiras reações de José Dirceu e José Genoíno, a repercussão que recebem, na própria grande mídia, percebe-se que já houve uma virada na opinião pública. Criou-se um núcleo forte, duro, sagaz, de pessoas dotadas de uma consciência ética, jurídica e política muito avançada.
Entre os que estudaram o processo do mensalão, acompanharam as votações dos ministros do STF, e participaram dos embates de informação, criou-se o entendimento de que houve um golpe contra a justiça. Um golpe contra o próprio supremo, que ficou sequestrado por uma lógica construída fora do âmbito das provas, uma lógica eminemente política ou ainda pior, midiática. Até o último dia do julgamento, vimos que os ministros aliados de forma mais ostensiva com os meios de comunicação e os partidos de oposição, como Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, apelaram quase que para a força física, falando muito alto em plenário, gritando mesmo, em tom sempre ameaçador, lançando todo o tipo de insinuações sobre os colegas, sobre tudo.
Eles conseguiram transformar Dirceu numa espécie de mártir pós-moderno. Em seu afã de vingança, entregaram uma poderosa ferramenta simbólica em mãos do ex-ministro.
O erro da mídia, como sempre, deriva de sua arrogância. Em outros tempos, a mídia conseguiria silenciar Dirceu. Não pode mais fazê-lo. Há um hiato crescente entre o poder de influência da grande mídia sobre setores sociais, como o próprio STF, cujos ministros são altamente vulneráveis à imagem de si que os jornais podem construir ou desconstruir, e o poder desta mesma mídia de silenciar e censurar quem pensa diferente. Antigamente, eles se aliaram à ditadura e efetivamente conseguiram amordaçar os críticos. Hoje não.
A verdade possui o tempo a seu lado. A mentira, não.
Uma das maiores mentiras, por exemplo, é falar na “demora” no julgamento do mensalão. Eram 39 réus! Desde que efetivamente o julgamento começou, ele veio à jato, com tempo curtíssimo para os réus apresentarem suas defesas. Foi um julgamento televisionado em que a acusação tinha 99% do tempo e a defesa menos de 1%. Isso nas instituições públicas. Nos meios de comunicação, a relação era ainda mais desequilibrada, com a acusação com 99,99% e a defesa com menos de 0,001%.
Mas o tempo não pára. Por quanto tempo eles vão conseguir bloquear as contradições e inépcias da Ação Penal 470? A pessoa que aprova a condenação, por uma razão e outra, apenas se apega superficialmente à convicção de que a Justiça trabalhou com normalidade. Mas se ela se aprofundar um pouco sobre o tema, e se lhe forem mostrados as inconsistências das acusações, e a maneira viciada como o processo foi construído, poderá mudar de parecer. E vai ficar aborrecida com as fontes de informação deficientes.
Os resultados das eleições de 2012 já indicavam uma tendência neste sentido. O golpe já foi assimilado para uma boa parcela do eleitorado. A relação matemática entre a quantidade de cidadãos com uma consciência “midiática” crítica e os submissos às armadilhas teóricas armadas pelos barões da imprensa, entre um e outro, já alcançou um ponto de não-retorno e de mudança qualitativa.
Os erros do STF e o mau caratismo da mídia voltar-se-ão contra a direita. Ironicamente, portanto, o julgamento do mensalão pode ser o elemento político necessário para revigorar a esquerda organizada e prepará-la para permanecer mais algumas décadas no poder.
Leia abaixo, a entrevista de Dirceu dada hoje à Monica Bergamo.
‘Nenhuma prisão vai prender minha consciência, diz Dirceu
MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA
O ex-ministro José Dirceu afirmou nesta sexta-feira (15) à Folha que a prisão não vai abatê-lo nem tirá-lo da vida política. “Eu não vou me dobrar. Eu vou continuar lutando. Nenhuma prisão vai prender a minha consciência.”
Dirceu deu a afirmação por telefone de sua casa, em Vinhedo (a 100 km de São Paulo). Ele está na cidade esperando as definições do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre como serão efetivadas as prisões dos réus do mensalão.
Com ele estão as três ex-mulheres e os quatro filhos –Zeca Dirceu, Joana, Camila e Antonia. O ex-ministro não quis dar entrevista. Mas fez um rápido desabafo.
“O que eu não posso aceitar é essa coisa medieval, de inquisição. Não basta as pessoas serem condenadas, elas têm que ser linchadas? Como é que publicam a foto da minha filha de 3 anos nos jornais? Isso é proibido em qualquer lugar do mundo, é o direito de uma menor”, disse ele, referindo-se a uma fotografia divulgada por jornais e sites em que ele aparece na praia ao lado de sua filha, Antonia, na Bahia.
“Eu faço a disputa de peito aberto, mas esse tipo de linchamento eu não aceito.” “Estão plantando o ovo da serpente. E a primeira vítima será a própria imprensa, os jornalistas. Foi assim em 1937 [ditadura do Estado Novo], em 1964 [ditadura militar]. Os que apoiaram [os golpes] foram os primeiros a sofrer depois.”
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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A grande mídia no julgamento do Mensalão: a sentença e a execração


Do Observatório da Imprensa, 16 de setembro de2013



JULGAMENTO DO MENSALÃO

A sentença e a execração

Por Luciano Martins Costa em 13/11/2012 na edição 720
Comentário para o programa radiofônico do OI, 13/11/2012

Os jornais celebram a pena imposta ao ex-ministro José Dirceu no julgamento da Ação Penal 470, conhecida como o caso do “mensalão”. Também há profusão de referências à sentença de José Genoíno, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, mas todo o arsenal do discurso jornalístico é dirigido contra Dirceu.

Ele incorpora, por seu temperamento incisivo e sua absoluta dedicação à política, tudo que a imprensa detesta na alternativa de poder representada pelo PT. Pela mesma razão, ele acumulou também desafetos no próprio partido, que mal conseguem dissimular o alívio por vê-lo aparentemente exilado do núcleo mandatário.

Folha de S.Paulo e Estado de S.Paulo dedicam cadernos especiais ao assunto, que de novo tem somente a definição das penas, e aproveitam para fazer a apologia do processo sobre o qual, claramente, pesou a influência da própria mídia.

Na contramão

Destaque-se, de início, a diferença entre narrativa e discurso. A narrativa, linguagem própria da literatura, ganha validade no jornalismo quando tem como pressuposto a busca da fidelidade com relação ao fato narrado. Embora literatura e jornalismo se confundam em suas origens, já faz muito tempo que se diferenciam justamente pela narrativa.

O discurso, ao contrário, não tem relação natural com nenhum dos dois gêneros. Trata-se de uma estratégia comunicacional de convencimento. O Globo, o Estadão e a Folha oferecem, nas edições de terça-feira (13/11), uma oportunidade valiosa para a análise dessa linguagem.

Os dois jornais paulistas dedicam cadernos especiais ao acontecimento, mas é na Folha que as escolhas editoriais explicitam mais claramente o propósito da execração: não há justificativa, no campo jornalístico propriamente dito, para a decisão de ilustrar a primeira página do suplemento com uma grade de cadeia sobre o título “José Dirceu é condenado a 10 anos e 10 meses de prisão”.

Mesmo em casos muito escabrosos, em que foram expostas ao público ações de autores de crimes hediondos, são raras as ocasiões em que a imprensa chegou tão baixo.

O editorial na primeira página da Folha, outra raridade descolada para o acontecimento que a imprensa considera histórico, comemora sem pudores o que os jornais consideram uma decisão jurídica exemplar.
Há divergências na própria Folha, como a que é apresentada por Janio de Freitas sob o título “A voz das provas”, mas esse texto foi publicado no espaço comum da editoria “Poder” e não foi incluído no caderno que será guardado pelos leitores.

Janio de Freitas expõe o que considera contradições do relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, afirmando que ele “se expandiu em imputações compostas só de palavras, sem provas”. Na contramão de praticamente toda a imprensa, Freitas não considera que o julgamento representa a refundação do poder Judiciário ou da própria República: na sua opinião, cresce o descrédito, e a decisão sobre as penalidades “decepciona e deprecia (o Supremo Tribunal Federal) – o que é péssimo para dentro e para fora do país”.

Um alívio para muitos

Oficialmente, a Folha considera que foi “um julgamento minucioso, que resulta em condenações fundamentadas solidamente em nexos fatuais e lógicos”. O jornal paulista, como seus pares, faz uma aposta em um novo futuro para a Justiça, e observa que “outros casos, a começar pelo das relações de Marcos Valério com o PSDB de Minas Gerais, terão de ser examinados sem demora”.

Poderiam ser acrescentados ainda outros casos que aguardam o mesmo empenho do poder Judiciário, como o escândalo do Banestado, o verdadeiro paradigma dos crimes financeiros e de corrupção no Brasil, mas nesse vespeiro ninguém – nem a imprensa – vai mexer.

O Estadão, que já havia criticado o que considerava excessos do ministro relator, em editorial intitulado “Os ‘barracos’ no STF” (09/11), sai com uma edição mais contida. Chama seu caderno especial de “Mensalão – um julgamento histórico”, mas oferece ao leitor uma coleção mais equilibrada de interpretações. Mesmo o texto conclusivo, uma entrevista na qual um historiador considera que o julgamento “pode mudar nossa cultura política”, evita o tom triunfalista.

A natureza da imprensa, composta basicamente de fragmentos de fatos que podem ou não compor a história e a própria cultura, não autoriza afirmações grandiloquentes como essa. Pode-se dizer também o contrário: que o Supremo Tribunal Federal exerceu o máximo de seu poder discricionário para consolidar uma campanha da imprensa, produzindo um fato jurídico que atende a conveniências políticas no campo oposicionista e no partido do governo.