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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Não importam intelectuais do porte de um Jürgen Habermas, de um Chico Buarque, de um Papa Francisco, um Noam Chomsky, de um Leandro Karnal, de um Clóvis de Barros, de um Leonardo Boff, de um Oliver Stone alertarem para o Golpe... No Brasil, a mídia golpista aliena e faz o jogo da velha Casa Grande... Muitos preferem a sapiência de um "faustão" a pensar e ver a realidade....

   "O Congresso Nacional que derrubou o PT é fruto de uma campanha midiática destrutiva do partido desde o dia em que ele chegou ao Poder, porque o PT representa forças opostas à Elite ligada à velha mídia: escravocrata e excludente e antinacional que vive no Brasil. Lembrando que não há um sentido de Nação nessa Elite, este um dado importante, porque somos, na verdade, dotados de uma Elite, que é uma amálgama de indivíduos nascidos em países diferentes e com culturas diversas: não há nela um sentido comum de brasilidade, é o cada um por si."






Análise justa: o que levou ao declínio do PT e das esquerdas nas eleições de outubro de 2016
por Alexandre Tambelli, no Jornal GGN
Lendo o texto: O atestado de um suicídio político, escrito por Ricardo Cavalcanti-Schiel no Periódico Diagonal de Madri - Espanha, que está neste Link do GGN - http://jornalggn.com.br/…/o-atestado-de-um-suicidio-politic…resolvi fazer um contraponto e coloco aqui:
Uma análise correta do que levou ao resultado eleitoral dos executivos e legislativos municipais em 2016 precisa tirar do centro a afirmação de que há uma vitimização do PT e dos petistas.
O PT, nesses anos todos de Governo, não teve o direito de sequer acertar. A Rede Globo & Cia. - a chamada velha mídia - oligopólio que detém/ controla cerca de 90% de toda a informação do cotidiano do Brasil e do mundo que chega a população em Língua Portuguesa não deixaram.
O Congresso Nacional que derrubou o PT é fruto de uma campanha midiática destrutiva do partido desde o dia em que ele chegou ao Poder, porque o PT representa forças opostas à Elite ligada à velha mídia: escravocrata e excludente e antinacional que vive no Brasil. Lembrando que não há um sentido de Nação nessa Elite, este um dado importante, porque somos, na verdade, dotados de uma Elite, que é uma amálgama de indivíduos nascidos em países diferentes e com culturas diversas: não há nela um sentido comum de brasilidade, é o cada um por si.
Quando o PT começou a reversão de um Processo histórico de divisão Casa Grande X Senzala, quando o Brasil estava caminhando para se tornar um País não mais de terceiro mundo e a ter um sentimento Nacional e de Nação, a partir do crescimento acelerado da economia, do desenvolvimento industrial, da geração de empregos com carteira assinada e do aumento do poder aquisitivo da população casado com o discurso positivo e altivo de Lula e em defesa de um Brasil para todos, desenvolvido e independente apareceram contraofensivas da Elite midiática, não só da Elite midiática nacional como de uma Elite internacional pró-imperialismo e mercado financeiro, para estancar o crescimento do País rumo à quinta economia do mundo, dados econômicos de 2013 apontavam que estávamos passando a Inglaterra e assumindo o quinto lugar.
O olho grande na descoberta do Pré-Sal. Mensalão. Lava-Jato e a destruição da Indústria do Petróleo e da Indústria pesada e de defesa do Brasil foram forjadas antes das Jornadas de Junho. A busca da destruição do Governo Dilma e da Petrobrás surgiu com a criminalização da compra de Pasadena, este fato aconteceu no primeiro semestre de 2013. Não tinha o nome Lava-Jato, mas era o seu primeiro sinal de existência programada e de que estavam armando a cama da Presidenta Dilma e a derrocada do Brasil independente, com Justiça Social e desenvolvido que surgia.
O PT cometeu erros no Poder, o principal foi não ter dotado a sociedade de meios de comunicação progressistas com audiência e que pudessem ser um canal de informação de suas ações governamentais e do modelo de desenvolvimento autônomo do Brasil, que o partido e seu Governo defendiam perante o Mundo Desenvolvido. Sem o contraponto à velha mídia o PT foi perdendo forças para reação ao ataque midiático, que foi se tornando agressivo e desleal. E, ainda, dotado da falta de qualquer escrúpulo para com a verdade e com o Jornalismo. A loucura de tirar o PT de cena era a única bandeira que a Elite financeira e antinacional ligada à velha mídia praticou de 2012 para frente com o Julgamento do “Mensalão”.
Qualquer análise que se baseie em junho de 2013 para dizer sobre o PT deve lembrar que os 20 centavos foram encampados pela Elite midiática, em especial a Rede Globo, que nem respeitava a grade de programação, seus telejornais e novelas para mostrar e incentivar e aumentar de tamanho as manifestações em que se queria e se conseguiu dizer: o Brasil do PT não mais era capaz de dar à população o novo, ou seja, um ponto além da inserção via consumo.
Lembram-se dos hospitais padrão FIFA? Do não vai ter Copa? E da mentirosa ideia da incompetência de se ter uma Copa no Brasil? E a Copa foi um sucesso. 1% dos brasileiros nas ruas representava 100%. Mentira fabricada.
A ausência de uma contra narrativa é que fraquejou o PT. O PT não inventou o financiamento privado de campanha, ele estava dado e poderiam participar todos os partidos. Se pensarmos só o PSOL não participou, certo? E ele possui apenas 4 deputados federais. Com 4 deputados o que  se consegue aprovar? Foi esta participação nas regras eleitorais existentes que manteve no Poder a Centro-Esquerda por 13 anos e meio.  E ela só saiu do Poder por um Golpe de Estado, não nos esqueçamos deste dado.
E vamos ser sinceros, a discussão boba de corrupção do PT não é modelo para analisar o que levou ao resultado eleitoral de outubro de 2016.
A corrupção desejada e anunciada sem provas em quase todas as situações pelos meios de comunicação da direita antinacionalista que temos, a serviço do Neoliberalismo e do Imperialismo, Sim! Fugir desta realidade não vai nos dar a verdade dos fatos. O PT não é um partido corrupto, pode haver alguns membros, poucos, que fizeram coisas erradas, mas é a minoria da minoria.
Podemos questionar, e é saudável questionar, que os Governos do PT não foram capazes de realizar uma Reforma Política e uma Reforma da Mídia, provavelmente, por um Projeto de Poder que se crê possível, vencendo eleições democráticas no voto; e comendo pelas beiradas e continuadamente com o PT no centro do Poder Federal.
Projeto de Poder que se mostrou falho. Não deu no voto, a direita midiática foi criando os mecanismos ilícitos de chegar ao Poder por um Golpe de Estado. Projeto de Poder do PT foi degrau acima de um Projeto de Nação, aqui sim, uma discussão boa de ser feita para evitar que ocorra outras ações golpistas na futura retomada das forças progressistas e de esquerda do Poder central.
Projeto de Nação acima de Projeto de Poder, para não haver retrocessos e novos Golpes. A população precisa ser defensora dos interesses nacionais, sendo capacitada para tanto, certo? Não apenas crer que se enrolar numa bandeira é o suficiente para se ter brasilidade e amor pelo Brasil.
Quem sabe se o PT abandonasse o personalismo, deixando a chapa das eleições em 2014 terem um candidato, encabeçando ela, de outro partido, o Golpe de Estado teria fracassado.  Porém, suposições não levam a lugar nenhum nem mudam o cenário atual, apenas ensinam a mudar no futuro.
O PT é a vítima, hoje, desta loucura de extinguir toda a esquerda do mapa eleitoral brasileiro. Vejam os malabarismos para incriminar Lula, que é o símbolo máximo das esquerdas brasileiras, ou o Processo de Impeachment sem crime de responsabilidade de Dilma. Numa sociedade democrática e com uma Justiça imparcial não aconteceriam tais fatos.
Sai o PT e o jogo de criminalização das esquerdas e dos desenvolvimentistas e defensores dos interesses nacionais e de um Estado forte continuam: mudam-se só os personagens e os partidos. Hoje, mais do que nunca, com a força da velha mídia, com o Poder da Rede Globo em direcionar, cooptar parcelas inteiras do Judiciário ao seu intento de destruição dos defensores de um modelo de desenvolvimento para além do neoliberalismo e da associação direta, sem contrapesos, sem questionamentos aos ditames do Imperialismo Norte-Americano.
Torna-se preciso dizer que a Lava-Jato amplificou um senso-comum: o anti-petismo. Fique você 24 horas do dia sendo alvejado no noticiário do País, sem tréguas e sem direito de um contraditório, de uma defesa de sua reputação e veja se consegue sobreviver, se sua reputação se mantém intacta.
As eleições de 2014 foram fraudadas pela Lava-Jato. As de 2016, também. E é um processo de fraude tão avassalador que não se consegue manter um mínimo de lucidez, de noção da realidade existente por parte do cidadão médio. Este ficou totalmente perdido. Ficou, aos poucos, despossuído de qualquer racionalidade, afinal, se diz, 24 horas por dia em quase todas as mídias jornalísticas do País, que tudo o que não dá certo no Brasil foi porque o PT Governou errado, e, ainda, se colou nele todas as mazelas da corrupção. Toda a corrupção do mundo aconteceu a partir de 2003 e se findou com o Golpe de Estado!
E, claro, escondendo dados de avanços sociais maravilhosos como o do Brasil saindo do Mapa da Fome da ONU, os mais de 40 milhões de brasileiros que ascenderam socialmente, o fato de termos dobrado, em 10 anos, o número de universitários formados no Brasil, as inúmeras escolas técnicas e campus universitários, as mais de um milhão de cisternas no Nordeste, os parques eólicos, as reservas internacionais de mais de 350 bilhões de dólares, o aumento do salário mínimo 75% acima da inflação no decorrer dos governos Lula e Dilma, etc. etc. etc.
Seria um processo de perda de memória coletiva?
Lava-Jato e os vazamentos seletivos e a prisão só de petistas, mesmo que sem provas e sem razões de ser. Esse Congresso reacionário. Aécio e a não aceitação da derrota. Eduardo Cunha e as pautas-bombas. A fabricação de uma crise econômica muito maior do que existia negligenciando os fatores ligados a conjuntura internacional: desde a crise de 2008. O negligenciar do preço do barril de Petróleo para a desvalorização do valor de mercado da Petrobrás. A não informação da diminuição do preço das comodities no mercado internacional. O boicote a todas as ações de Governo no segundo mandato de Dilma. O bloqueio do debate político, econômico e do modelo de desenvolvimento para o Brasil por parte da velha mídia, transformando tudo em uma única pauta: a da corrupção. As “pedaladas”, que nunca foram provadas, e a ação intencional do TCU em criminalizar ações corriqueiras de quase todos os governantes, somente do Governo Dilma. A Reforma Eleitoral. Todos estes fatos são centrais em qualquer discussão eleitoral para outubro de 2016.  
Uma observação. O massacre diário ao PT nos levou a uma diminuição de 40% de candidaturas a Prefeito do partido. Pelo desgaste da sigla, o partido preferiu se coligar a outros partidos ao, invés, de encabeçar a chapa. De 1779 candidaturas em 2012 foi para 1004 em 2016. Menos candidatos menos chances de ter prefeituras, certo? A informação está neste link de 2 de outubro de 2016 da EBC.
Estes fatos todos acima levaram ao declínio eleitoral do PT nas eleições do começo do mês. E ascensão de um conservadorismo gigante nos legislativos e executivos brasileiros. É massacre midiático. Toda a esquerda enfraqueceu. 24 horas por dia de anti-petismo elegeu o conservadorismo no Brasil, facilitou o Golpe de Estado e alimentou o Fascismo e a alienação crescente, não decrescente, da população, que não sabe o que fazer diante de uma situação em que o Governo atual, que é impopular e desaprovado pela imensa maioria dos brasileiros, faz o que faz e ninguém se manifesta nas ruas, tirando os mesmos grupos do Pré-Impeachment que, desde sempre, estavam do lado da Democracia e da permanência de Dilma.
Ninguém pode governar sem meios de comunicação capazes de informar com imparcialidade o que está sendo feito pelo Governante. E, muito menos, Governar com receio de estar frente a frente com o povo que Governa. Veja que o Temer e seu Governo vão na frente da tela da TV e falam, mesmo que para dizer o que numa sociedade mais atenta, mais lúcida seria motivo de revolta popular, mas eles vão sem medo. Talvez, porque há todo o respaldo do Judiciário, da mídia para essa situação existir sem questionamentos, ele pode até dar entrevistas tranquilamente e sem questionamentos maiores na velha mídia, detalhe importante. O Governo Dilma poderia ir, à frente da TV, também, tinha um respaldo muito maior: o voto da população em uma Eleição democrática e não foi.
Para terminar.
Se formos fazer uma autocrítica da esquerda no Poder podemos dizer:
A maior falha do PT foi na comunicação.
Em segundo lugar na ideia de que a velha mídia é inofensiva: se estou ganhando com a velha mídia ai, para que enfrenta-la.
E, o PT perdeu o Poder, porque não a enfrentou e ela, a velha mídia, conseguiu criar uma imagem negativa do PT, incompatível com a realidade, porém, fabricada e eficaz. Imagem negativa que produziu em 2014, o Congresso do Golpe e em 2016 o continuado voto na direita antinacional aliada ao mercado financeiro e ao Imperialismo Norte-Americano, direita, agora, mais do que nunca, anti povo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Sabe aquele homem da Fiesp do Pato amarelo do Skaf que deve R$ 6,9 bi à União? Ele participou dos escândalos Banestado e Mensalão

devedores-2016-fiesp-parmalat

Diretor da Fiesp, um dos grandes devedores da União, foi mira do Banestado

por Patricia Faermann, no Jornal GGN
A soma das dívidas de empresas e pessoas para o governo federal já passou da linha do R$ 1 trilhão. Entre apenas aqueles que devem mais de R$ 15 milhões, que se tratam de 13 mil devedores, são responsáveis por cinco vezes o buraco total no Orçamento da União previsto para este ano.
Nesse grupo seleto de maiores devedores, estão casos como o do empresário Laodse de Abreu Duarte, que é um dos diretores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Ele é o número um dessa indesejável lista entre pessoas físicas. Já entre empresas, figuram devedores como a já quebradas Varig e Vasp, mas também a Vale, a antiga Parmalat (Carital Brasil) e Petrobras.
Laodse, que já foi condenado à prisão por crime contra a ordem tributária, mas ainda está com o processo em aberto porque recorreu, concentra R$ 6,9 bilhões de débitos de difícil recuperação. Para se ter uma ideia, o empresário deve mais ao governo federal que os estados da Bahia, Pernambuco ou qualquer um dos outros 16 governos estaduais.
Um dos motivos para a dívida do diretor da Fiesp é a mesma de seus dois irmãos, Luiz Lian e Luce Cleo, que também ultrapassam os prejuízos de R$ 6,6 bilhões. Isso porque a família foi processada pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional por uma de suas empresas, a Duagro, que deve um total de R$ 6,84 bilhões ao governo.
De acordo com o processo tributário, a empresa se empenhou em operações de compra e venda de títulos da Argentina e dos Estados Unidos, sem pagar os impostos devidos entre 1999 e 2002. A Duagro "fraudou a fiscalização tributária", apontou a Procuradoria.
Ainda, os investigadores desconfiam que a empresa realmente tenha firmado títulos, uma vez que alguns não foram sequer registrados na contabilidade, lançando a suspeita de que a empresa serviu como "laranja" em esquema de "sonegação ainda maior, envolvendo dezenas de outras renomadas e grandes empresas, cujo valor somente poderá vir a ser recuperado, em tese, se houver um grande estudo do núcleo central do esquema".
De acordo com o site de busca judicial Escavador, a empresa mencionada, Duagro S/A Administração e Participações, possui 7 processos, sendo dois movidos pelo Banco do Brasil, todos protocolados em 2014 e três estendendo-se até este ano.
Mas não é só referente à Duagro que o empresário e um dos diretores da Fiesp está envolvido. Investigações sobre evasões de divisas e crimes tributários relacionados a Laodse de Abreu Duarte recupera o caso do escândalo do Banestado.
Duarte teve uma de suas empresas, ligada a comércio e exportação de grãos, indicada no esquema do mensalão como recebedora de sete pagamentos de Marcos Valério. Também foi indiciado pela CPI do Banestado, em 2004. Sobre esses casos, o empresário negou qualquer ligação.
"Não mantive relação comercial ou pessoal com os mencionados e não respondo a processo ou procedimentos que tenham ligações ou relacionados a estes", disse, em nota, ao Estado de S. Paulo.
Ainda, em 2003, o empresário chegou a ser condenado por participar de esquema de falsificação de operações de exportação de soja que superaram os US$ 60 milhões. Neste caso, a sentença foi de cinco anos de prisão, mas teve a pena convertida em domiciliar. Em resposta, afirmou que entrou com recurso à sua condenação e aguarda análise do Judiciário.
Outra suspeita contra Laodse de Abreu Duarte foi investigada em 2006, quando o Ministério da Justiça solicitou colaboração aos Estados Unidos para apurar a suspeita de lavagem de dinheiro e crimes financeiros supostamente praticados pelo empresário, por João Francisco Daniel, irmão do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, e Geraldo Rondon da Rocha Azevedo. Mas o inquérito foi arquivado em 2010. A esse respeito, o empresário negou ter "relação de qualquer espécie" com os dois investigados.
Já sobre o caso atual da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, Duarte informou que não houve julgamento ou condenação, o que "torna precipitado qualquer conclusão ou juízo". Mas nega que a Duagro tenha participado do esquema de sonegação fiscal.
Ainda, outra das empresas de Laodse de Abreu Duarte, a J.B. Duarte SA, que leva o nome da família, teve a sua contabilidade analisada por uma consultoria autônoma, em abril deste ano.
Registrada como uma sociedade anônima de capital aberto, constituída em 1936 e sede São Paulo, as atividades registradas da empresa está focada na participação em outras sociedades e desenvolvendo atividades próprias na área de reflorestamento.
Mas o balanço patrimonial da companhia, entre os anos de 2014 e 2015, não foi positivo. O resultado líquido da empresa ao final do exercício de 2015, foi negativo em R$ 4.221 mil, contra um resultado negativo de R$ 10.234 mil ao final do exercício de 2014.
No documento da auditoria, a análise responsabilizou o cenário econômico e político do Brasil do último ano para justificar o balanço. De acordo com a JPPS Auditores Independentes, o "quadro econômico, político e social permaneceu confuso e sem definição até o final do exercício de 2015, e continuou a se agravar no primeiro semestre de 2016", sendo que o que "contribui para a atual situação a dificuldade de conjugação de esforços dos políticos em torno da aprovação do impedimento da atual presidente da República e de medidas a serem propostas por um novo governo venha a propor, caso o impedimento venha a ocorrer".
Ainda, de acordo com o balanço encaminhado aos sócios da empresa, "o único dado positivo que temos até o presente momento (abril/2016), refere-se a da redução da inflação, cuja projeção para o final do exercício de 2016, mostra a possibilidade de fechamento do atual exercício (2016) ao redor dos 7%".
"Os demais fatores anteriormente considerados, ou seja, o agravamento do clima político, o nível dos juros, a apreciação do valor do dólar, o aumento dos gastos de custeio da máquina governamental, o aumento do nível de desemprego, a permanente queda da produção industrial e a perversa perspectiva da situação financeira internacional, permanecem totalmente indefinidos, com perspectivas de alteração caso um novo governo venha efetivamente a ser instalado", concluiu a análise (leia aqui a íntegra do arquivo).
Em nota à imprensa, a Fiesp respondeu que "não tem qualquer vínculo ou responsabilidade sobre questões pessoais, profissionais ou empresariais de seus diretores e conselheiros" e que trabalha visando "o bem do Brasl" por meio de seus projetos do Sistema Sesi/Senai. Entretanto, o sistema S é mantido pelo governo federal.
Além dos devedores pessoa física, entram no ranking topo dos maiores prejuízos à União empresas como a Carital Brasil, antiga Parmalat. A empresa é a segunda da lista de maiores débitos, com um prejuízo de R$ 25,4 bilhões à União, sendo superada apenas pela Vale S.A, com R$ 43,3 bilhões de dívida consolidada.
O Diário Oficial do Estado de São Paulo, do dia 1 de outubro de 2010, publicou notas explicativas às demonstrações financeiras de dezembro de 2008 e de 2009. As notas explicam as condições de controle da então matriz italiana Parmalat SpA, já alvo à época de processos administrativos (acesse aqui o DOSP).
Apesar de também estar incluída na lista, na posição de terceiro lugar, a Petrobras já teve a sua dívida ativa de R$ 15,62 bilhões parcelada e sendo paga ao governo, nos últimos anos.
Os dez inscritos na Dívida Ativa da União com os maiores débitos:
1- Vale S.A: R$ 43,3 bilhões*
2- Carital Brasil Ltda. (ex Parmalat Participações): R$ 25,4 bilhões
3- Petróleo Brasileiro S.A (Petrobras): R$ 16 bilhões
4- Indústrias de Papel R.Ramenzoni: R$ 9,9 bilhões
5- Duagro S.A Administração e Participações: R$ 6,7 bilhões
6- Viação Aérea São Paulo S.A (Vasp): R$ 6,36 bilhões
7- Manole Jancu: R$ 6,34 bilhões
8- Banco Bradesco S.A: R$ 5 bilhões
9- Viação Aérea Rio-Grandense S.A (Varig) (falida): R$ 4,7 bilhões
10- American Virginia Indústria, Comércio, Importação e Exportação de Tabaco: R$ 4,2 bilhões
*Valores da dívida consolidada. Podem incluir montantes parcelados ou suspensos pela Justiça

sábado, 15 de agosto de 2015

Vlademir Safatle sobre Poder e Corrupção



   "É claro que, no Brasil, a arte de falar sobre corrupção costuma ser conjugada só na terceira pessoa. Corrupto é "ele", o outro. A corrupção do partido que grita "corrupto" é outra coisa, não é assim tão grave.
   "Segundo essa lógica, o mensalão tucano não teve nada a ver com o mensalão petista. A compra de deputados feita por FHC foi "outra coisa", assim como a corrupção no metrô de São Paulo: mesmo abrindo processos nas justiça da França e da Suíça, ela não justificaria uma reles CPI no Tucanistão, vulgo Estado de São Paulo. A corrupção do PT foi caixa dois, como sempre foi feito."
- Vlademir Safatle





VLADIMIR SAFATLE

O poder não muda ninguém

No Brasil, a arte de falar sobre corrupção costuma ser conjugada só na terceira pessoa. Corrupto é o outro
O sociólogo Francisco de Oliveira costumava contar uma história envolvendo Celso Furtado. Na época em que era presidente da Sudene, cuja sede estava no Recife, Furtado chamou Oliveira para irem juntos a uma reunião no Rio de Janeiro.

Depois da reunião, os dois foram para seus quartos de hotel. Quando chegou ao quarto, Chico de Oliveira recebeu uma ligação de Furtado: "Chico, acabo de entrar no quarto e vi que há duas camas aqui. Você poderia vir para cá e assim devolvemos a diária do segundo quarto". De certa forma, creio que há gente que ainda não entendeu esta ideia simples: o que a população esperou da esquerda no poder é que ela começasse por querer devolver a segunda diária do hotel.

Quando os escândalos de corrupção estouraram de forma sistemática, não foram poucos os que procuraram "contextualizar" o problema, como se dar muita importância a eles fosse fazer o velho jogo do moralismo udenista. "Focar tudo no problema da corrupção é uma pauta da direita."

Alguns não temeram em dizer que a corrupção era um dado intrínseco do capitalismo, não para porventura mudar o capitalismo, mas para tentar vender a ideia de que ela seria o preço a pagar para se operar no interior das falhas da democracia parlamentar.

Nessa explicação funcionalista crassa, havia uma dose inacreditável de cinismo. A descrição não servia para aumentar a indignação e recusa contra um sistema corrompido, no qual a política se submete aos interesses econômicos do momento, mas para justificar a acomodação subjetiva à lama.

Ao contrário, é hora sim de falar, e muito, sobre corrupção. É claro que, no Brasil, a arte de falar sobre corrupção costuma ser conjugada só na terceira pessoa. Corrupto é "ele", o outro. A corrupção do partido que grita "corrupto" é outra coisa, não é assim tão grave.

Segundo essa lógica, o mensalão tucano não teve nada a ver com o mensalão petista. A compra de deputados feita por FHC foi "outra coisa", assim como a corrupção no metrô de São Paulo: mesmo abrindo processos nas justiça da França e da Suíça, ela não justificaria uma reles CPI no Tucanistão, vulgo Estado de São Paulo. A corrupção do PT foi caixa dois, como sempre foi feito.

Todos nós conhecemos bem esses raciocínios. Mas não, meus amigos, a corrupção do seu partido do coração não é "outra coisa". Ela é a "mesma coisa". É por pensar assim que estamos nesta situação. Ela só terminará quando o último corrupto petista for enforcado nas tripas do último corrupto tucano.

Pois há de se mostrar que é possível falar contra a corrupção de forma ampla, geral e irrestrita. Lembrar que toda e qualquer corrupção é a destruição da noção de bem comum e, ao mesmo tempo, da possibilidade de falar em nome do bem comum.

Ela destrói o ethos do enunciador que se quer anunciador do novo. Na política, tão importante quanto o que você fala é qual sua legitimidade. Por isso, a corrupção é sempre o começo do fim da política.

Como nos ensina Robespierre (que até onde consta não era alguém que "fazia o jogo da direita"), neste ponto não há atenuantes. Valeria lembrar que "contextualizar" a corrupção é mostrar uma ignorância fundamental a respeito do que é a política.

Mais do que um embate a respeito da partilha do poder e da riqueza, a política é uma luta a respeito de formas de vida. Não apenas um problema de redistribuição, mas um problema ligado à possibilidade de criar formas de vida novas.

De maneira astuta, o filósofo italiano Giorgio Agamben um dia afirmou: "O verdadeiro problema da esquerda italiana é que eles, no fundo, gostariam de ter a vida que leva Berlusconi". Era sua maneira de dizer: não é possível combater Berlusconi se você não quer recusar radicalmente uma forma de vida baseada na fixação doentia às ideias de propriedade, posse, bens e primado do indivíduo.

Uma vida que alguém como Berlusconi representa tão bem. Pois se você se deixa afetar da mesma forma que aqueles contra os quais combate, se você no fundo deseja da mesma forma, então chegará um dia que você fará as mesmas coisas. Esse é o verdadeiro sentido de uma bela frase de Pepe Mujica: "O poder não muda as pessoas, ele apenas mostra quem elas realmente são".

Em um país que sempre teve de aturar uma elite rentista e ociosa, que vive de "patrimônios" e é especializada em tomar de assalto o bem público como se fosse posse privada, socializando dívidas e privatizando ganhos, ser revolucionário começa por ter decência em relação à função pública e ter respeito absoluto pelo bem comum. Por isso, vale a pena começar a governar devolvendo a diária do segundo quarto.

    domingo, 1 de dezembro de 2013

    O pó do helicóptero do amigo de Aécio encoberto pela tendenciosidade contra o PT

    Segue artigo de Miguel do Rosário, extraído dos importantes sites TijolaçoO Cafezinho:


    Novidades sobre o helicóptero do pó

    Texto de

    Miguel do Rosário



    Perrela pai com Aécio Neves

    Escrevo há uns quinze anos sobre política, de maneira quase ininterrupta, e tendo ideais progressistas, sempre fui crítico à grande imprensa brasileira. No entanto, nunca me deparei com um grau de degradação tão avassalador como vejo nos últimos dias. O Globo insiste nos “privilégios” dos presos petistas, sem refletir que, ao fazer esse tipo de campanha, contradiz a si mesmo. Afinal, que raio de privilégio é esse em ser achincalhado diariamente nos jornais, mesmo após estar preso injustamente?
    Através do Globo, agora já sabemos os negócios de todos os familiares dos proprietários do hotel que empregará José Dirceu.
    Enquanto isso,  a imprensa trata com inexplicável discrição aquele que pode ser o maior escândalo das últimas décadas, rivalizando até mesmo com o trensalão paulista.
    O Ministério Público de Minas Gerais vai propor, nos próximos dias, uma Ação Civil Pública, para investigar repasses do governo do estado, na gestão de Aécio Neves, para a empresa Limeira Agropecuária e Participações Ltda, proprietária do helicóptero apreendido com meia tonelada de pó. Os repasses aconteceram em 2009, 2010 e 2011.
    Achei reportagens do ano passado com informações sobre suspeitas do Ministério Público contra a Limeira, empresa dos Perrela. O MP apurava possível contratação irregular, sem licitação, pelo governo do estado, além de superfaturamento. A compra da fazenda Guará (a mesma onde o helicóptero foi apreendido), avaliada em R$ 60 milhões, também estava sob a mira dos procuradores, visto que o bem havia sido ocultado pelo senador Zezé Perrela.
    Hoje há uma matéria no Globo sobre o tema, mencionando as suspeitas do Ministério Público, mas sem chamada na primeira página e sem qualquer citação ao partido do governo do estado, e às relações quase íntimas entre os Perrela e o provável candidato do PSDB à presidência da república, Aécio Neves. A reportagem informa que o senador Zezé Perrela (PDT-MG) também pagou com sua verba de gabinete o combustível usado no famoso helicóptero. Zezé e Gustavo, pai e filho, estão cada vez mais enredados no caso.
    O assunto não é interessante? Um possível presidente da república ser tão próximo de políticos suspeitos de serem grandes traficantes de cocaína não é do interesse da nossa imprensa “livre”, “independente”, “profissional”? Será que mais uma vez, os blogueiros terão que assumir a dianteira dessa investigação, com grande risco pessoal?

    terça-feira, 26 de novembro de 2013

    OAB pede que o Conselho Nacional de Justiça investigue Joaquim Barbosa

    UNÂNIME, OAB PEDE AO CNJ QUE INVESTIGUE BARBOSA



    Extraído do Brasil 247

    O documento aprovado por todos os conselheiros federais da Ordem dos Advogados do Brasil, presidida por Marcus Vinícius Furtado Coelho, é ainda mais grave do que uma moção de repúdio a Joaquim Barbosa; a OAB, que liderou movimentos históricos, como o impeachment do ex-presidente Fernando Collor, cobra do Conselho Nacional de Justiça uma investigação sobre a conduta do presidente do Supremo Tribunal Federal; estopim da crise foi a decisão de Barbosa de substituir o juiz responsável pela execução das penas dos condenados na Ação Penal 470; saiu Ademar Vasconcelos, entrou Bruno Ribeiro, filho de um dirigente do PSDB no Distrito Federal; decisão responde a uma cobrança feita, nesta tarde, no 247, pelo criminalista e ex-presidente da entidade José Roberto Batochio

    25 DE NOVEMBRO DE 2013 ÀS 18:50

    247 - Acaba de ser aprovada, por unanimidade, pela Ordem dos Advogados do Brasil, uma decisão que ainda é ainda mais grave do que uma simples moção de repúdio ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. A OAB irá cobrar do Conselho Nacional de Justiça uma investigação sobre a troca do juiz responsável pela execução das penas do chamado "mensalão".

    Após pressões de Joaquim Barbosa, repudiadas por juristas e advogados, o juiz titular da Vara de Execuções Penais, Ademar Vasconcelos, foi substituído por Bruno Ribeiro, filho de um dirigente do PSDB do Distrito Federal. A decisão fere direitos da magistratura e também dos réus.

    A decisão causou espanto na magistratura. "Eu espero que não esteja havendo politização, porque não vamos permitir a quebra de um princípio fundamental, que é uma garantia do cidadão, do juiz natural, independentemente de quem seja o réu", afirmou João Ricardo dos Santos Costa, presidente eleito da Associação dos Magistrados do Brasil. Segundo o jurista Claudio Lembo, já existem razões objetivas para o impeachment de Joaquim Barbosa. Os juristas Dalmo de Abreu Dallari e Celso Bandeira de Mello publicaram um manifesto em que defendem uma reação do Supremo Tribunal Federal, para que a corte não se torne refém de seu presidente.

    A OAB agiu em resposta a uma cobrança pública feita no início desta tarde por um ex-presidente da entidade, José Roberto Batochio, em reportagem publicada no 247.  "Se alguém pode trocar um juiz, porque acha que este será mais rigoroso com os réus, deveria também ser facultado aos réus o direito de escolher o juiz pelo qual querem ser julgados", disse Batochio.

    Pela primeira vez na história, o Conselho Nacional de Justiça receberá um pedido de investigação contra um ato de seu próprio presidente, uma vez que Joaquim Barbosa, como chefe do STF, acumula também o comando do CNJ.

    Leia abaixo a nota:

    segunda-feira, 25 de novembro de 2013 às 18h23

    Salvador (BA) - O Conselho Pleno da OAB aprovou por aclamação o envio pela diretoria da entidade, de ofício requerendo a análise do Conselho nacional de Justiça (CNJ), sobre a regularidade da substituição de magistrado da Vara de Execuções Criminais. A decisão do Pleno foi motivada pela recente substituição do juiz responsável pela execução das penas da AP 470.

    Leia, abaixo, reportagem anterior sobre a cobrança feita por José Roberto Batochio:

    BATOCHIO: "SILÊNCIO DA OAB JÁ FOI ALÉM DO RAZOÁVEL"

    Ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, o criminalista José Roberto Batochio cobra uma postura mais firme do atual presidente da entidade, Marcus Vinícius Furtado Coelho, em relação aos abusos cometidos pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, e faz até uma piada: "se o chefe do Poder Judiciário pode escolher um juiz fora dos parâmetros legais porque acha que ele será mais rigoroso do que o juiz natural, deveria ser dado aos réus o direito de também escolher o juiz pelo qual querem ser julgados"; Batochio aponta "heterodoxia" no caso e critica a postura da OAB; polêmica recente diz respeito à escolha feita por Barbosa do juiz Bruno Ribeiro para tocar as prisões da Ação Penal 470

    25 DE NOVEMBRO DE 2013 ÀS 14:34

    247 - O criminalista José Roberto Batochio, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, cobra da própria OAB uma atitude mais firme diante dos desmandos do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. Segundo ele, o sistema judiciário brasileiro tem dado exemplos recorrentes de "heterodoxia" na Ação Penal 470. Batochio afirma ainda que "o silêncio da OAB já foi além do razoável".

    A polêmica mais recente diz respeito à determinação feita por Joaquim Barbosa para que o juiz da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, Ademar Vasconcelos, que conduzia as prisões da Ação Penal 470, fosse substituído por Bruno Ribeiro, filho de um dirigente do PSDB do Distrito Federal. Em relação ao caso, Batochio faz até uma piada. "Se alguém pode trocar um juiz, porque acha que este será mais rigoroso com os réus, deveria também ser facultado aos réus o direito de escolher o juiz pelo qual querem ser julgados", afirma.
    A decisão, segundo Batochio, desrespeita a magistratura como um todo, uma vez que os juízes têm vários direitos assegurados, e também a defesa – uma vez que todo réu tem direito ao chamado juiz natural.

    Não custa lembrar que Barbosa tentou minar a atuação de Ademar Vasconcelos antes mesmo das prisões, uma vez que, dez dias atrás, já havia mandado as ordens de prisão para Bruno Ribeiro, que estava de férias – e não para o juiz natural.

    Fonte: http://www.brasil247.com/+uihkr

    sábado, 16 de novembro de 2013

    Soneto da Injustiça Consciente





    Soneto da Injustiça Consciente




    (extraído do site  Curso Básico de Jornalismo Manipulativo)


    De tempos mais remotos ao presente,

    Sonhou-se, em desespero, com Justiça:

    Honesta, racional, inteligente,

    Ao ouro e aos poderes insubmissa.

    * * *

    Juízes, entretanto, são humanos.

    E os erros que cometem, inconscientes,

    Agravam sobremodo, com seus danos,

    O justo desespero de inocentes.

    * * *

    Já outros, por covardes ou venais,

    Sucumbem a pressões ou algo mais,

    Em troca de sossego ou recompensa.

    * * *

    Ao réu se impõe a culpa não provada,

    Em nome da doutrina torturada,

    E o crime do processo... é a sentença.



    sexta-feira, 15 de novembro de 2013

    Erros midiaticamente condicionados do STF se voltarão politicamente contra a direita


    texto de Miguel do Rosário

    Fonte: O cafezinho

    Vendo as primeiras reações de José Dirceu e José Genoíno, a repercussão que recebem, na própria grande mídia, percebe-se que já houve uma virada na opinião pública. Criou-se um núcleo forte, duro, sagaz, de pessoas dotadas de uma consciência ética, jurídica e política muito avançada.
    Entre os que estudaram o processo do mensalão, acompanharam as votações dos ministros do STF, e participaram dos embates de informação, criou-se o entendimento de que houve um golpe contra a justiça. Um golpe contra o próprio supremo, que ficou sequestrado por uma lógica construída fora do âmbito das provas, uma lógica eminemente política ou ainda pior, midiática. Até o último dia do julgamento, vimos que os ministros aliados de forma mais ostensiva com os meios de comunicação e os partidos de oposição, como Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, apelaram quase que para a força física, falando muito alto em plenário, gritando mesmo, em tom sempre ameaçador, lançando todo o tipo de insinuações sobre os colegas, sobre tudo.
    Eles conseguiram transformar Dirceu numa espécie de mártir pós-moderno. Em seu afã de vingança, entregaram uma poderosa ferramenta simbólica em mãos do ex-ministro.
    O erro da mídia, como sempre, deriva de sua arrogância. Em outros tempos, a mídia conseguiria silenciar Dirceu. Não pode mais fazê-lo. Há um hiato crescente entre o poder de influência da grande mídia sobre setores sociais, como o próprio STF, cujos ministros são altamente vulneráveis à imagem de si que os jornais podem construir ou desconstruir, e o poder desta mesma mídia de silenciar e censurar quem pensa diferente. Antigamente, eles se aliaram à ditadura e efetivamente conseguiram amordaçar os críticos. Hoje não.
    A verdade possui o tempo a seu lado. A mentira, não.
    Uma das maiores mentiras, por exemplo, é falar na “demora” no julgamento do mensalão. Eram 39 réus! Desde que efetivamente o julgamento começou, ele veio à jato, com tempo curtíssimo para os réus apresentarem suas defesas. Foi um julgamento televisionado em que a acusação tinha 99% do tempo e a defesa menos de 1%. Isso nas instituições públicas. Nos meios de comunicação, a relação era ainda mais desequilibrada, com a acusação com 99,99% e a defesa com menos de 0,001%.
    Mas o tempo não pára. Por quanto tempo eles vão conseguir bloquear as contradições e inépcias da Ação Penal 470? A pessoa que aprova a condenação, por uma razão e outra, apenas se apega superficialmente à convicção de que a Justiça trabalhou com normalidade. Mas se ela se aprofundar um pouco sobre o tema, e se lhe forem mostrados as inconsistências das acusações, e a maneira viciada como o processo foi construído, poderá mudar de parecer. E vai ficar aborrecida com as fontes de informação deficientes.
    Os resultados das eleições de 2012 já indicavam uma tendência neste sentido. O golpe já foi assimilado para uma boa parcela do eleitorado. A relação matemática entre a quantidade de cidadãos com uma consciência “midiática” crítica e os submissos às armadilhas teóricas armadas pelos barões da imprensa, entre um e outro, já alcançou um ponto de não-retorno e de mudança qualitativa.
    Os erros do STF e o mau caratismo da mídia voltar-se-ão contra a direita. Ironicamente, portanto, o julgamento do mensalão pode ser o elemento político necessário para revigorar a esquerda organizada e prepará-la para permanecer mais algumas décadas no poder.
    Leia abaixo, a entrevista de Dirceu dada hoje à Monica Bergamo.
    ‘Nenhuma prisão vai prender minha consciência, diz Dirceu
    MÔNICA BERGAMO
    COLUNISTA DA FOLHA
    O ex-ministro José Dirceu afirmou nesta sexta-feira (15) à Folha que a prisão não vai abatê-lo nem tirá-lo da vida política. “Eu não vou me dobrar. Eu vou continuar lutando. Nenhuma prisão vai prender a minha consciência.”
    Dirceu deu a afirmação por telefone de sua casa, em Vinhedo (a 100 km de São Paulo). Ele está na cidade esperando as definições do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre como serão efetivadas as prisões dos réus do mensalão.
    Com ele estão as três ex-mulheres e os quatro filhos –Zeca Dirceu, Joana, Camila e Antonia. O ex-ministro não quis dar entrevista. Mas fez um rápido desabafo.
    “O que eu não posso aceitar é essa coisa medieval, de inquisição. Não basta as pessoas serem condenadas, elas têm que ser linchadas? Como é que publicam a foto da minha filha de 3 anos nos jornais? Isso é proibido em qualquer lugar do mundo, é o direito de uma menor”, disse ele, referindo-se a uma fotografia divulgada por jornais e sites em que ele aparece na praia ao lado de sua filha, Antonia, na Bahia.
    “Eu faço a disputa de peito aberto, mas esse tipo de linchamento eu não aceito.” “Estão plantando o ovo da serpente. E a primeira vítima será a própria imprensa, os jornalistas. Foi assim em 1937 [ditadura do Estado Novo], em 1964 [ditadura militar]. Os que apoiaram [os golpes] foram os primeiros a sofrer depois.”
    ScreenHunter_2938 Nov. 15 21.35
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