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segunda-feira, 6 de março de 2017

Bob Fernandes: Os otários, os bobos, a Corte, e a escolha de culpados e inocentes


"Como se sabe, no mundo real empreiteiras financiavam campanhas de grandes, médios e pequenos partidos.
Pagavam com doações legais, declaradas ao TSE. Para a Lava Jato parte dessas doações legais seria propina disfarçada.
Empreiteiras pagavam também via Caixa 2. Com "naturalidade", confessou Marcelo Odebrecht.
Em resumo, Marcelo disse ter financiado todos os partidos e candidatos com perspectiva de Poder e de retribuir.
A intenção, sempre a mesma: ajuda no meu negócio que eu ajudo no seu. Campanhas para presidente, governador, prefeito e legislativos.
Antes de concluídas, ou mesmo iniciadas investigações, vazamentos e manchetes operam para eleger culpados e inocentes."

Fonte do vídeo e sua transcrição textual: TV Gazeta



Ex-diretores da Odebrecht interrogados nesta segunda,6. Fernando Barbosa disse ao juiz Moro que o "italiano" citado em emails e planilhas da empreiteira é o ex-ministro Palocci.
Barbosa dirigia o departamento que pagava propinas. Barbosa disse também não conhecer pessoalmente e não ter tratado de assuntos com Palocci.
Claudio Mello, Alexandrino Alencar e Hilberto Mascarenhas estão sendo ouvidos por Herman Benjamin, do TSE, nesta noite de segunda.
O processo é sigiloso. Em breve, vazamentos.
Esse processo decidirá se Temer será cassado ou não e se Dilma se tornará inelegível.
Como no pós-depoimento de Marcelo Odebrecht teremos, via manchetes, muitas versões. Cada um escolherá seus culpados e seus inocentes.
Como se sabe, no mundo real empreiteiras financiavam campanhas de grandes, médios e pequenos partidos.
Pagavam com doações legais, declaradas ao TSE. Para a Lava Jato parte dessas doações legais seria propina disfarçada.
Empreiteiras pagavam também via Caixa 2. Com "naturalidade", confessou Marcelo Odebrecht.
Em resumo, Marcelo disse ter financiado todos os partidos e candidatos com perspectiva de Poder e de retribuir.
A intenção, sempre a mesma: ajuda no meu negócio que eu ajudo no seu. Campanhas para presidente, governador, prefeito e legislativos.
Antes de concluídas, ou mesmo iniciadas investigações, vazamentos e manchetes operam para eleger culpados e inocentes.
Ao gosto de cada um se decide quando o Caixa 2 é "limpo" e quando o Caixa 2 é "sujo".
Se decide quando e para quais candidatos e partidos a doação é propina e quando é só por amor ao candidato e/ou ao partido.
Porções do dinheiro grande e poderes - formais, informais, e seus porta vozes- trabalham para escalar quem deve ser condenado e quem deve ser absolvido.
Esse tribunal, múltiplo e informal, mira corações e mentes. Busca indicar quem deve sobreviver e quem deve ser abatido antes de 2018.
Num mundo onde, tantas vezes, ficção é vendida e incorporada como realidade, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos informa...
... A Odebrecht pagou cêrca de US$ 1 bilhão em propinas em 12 países.
Marcelo Odebrecht disse se sentir no papel de "otário" e "bobo da corte do governo"... no Brasil.
E nos outros 11 países? Qual foi o papel?


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Lula concede entrevista exclusiva ao cineasta Oliver Stone, diretor do filme SNOWDEN, Wall Street, Platoon e outros




Jornal GGNEm visita ao Brasil para o lançamento do seu novo filme "Snowden", o cineasta norte-americano Oliver Stone foi convidado pelo portal Nocaute para entrevistar o ex-presidente Lula.
O ganhador de três Oscar iniciou a entrevista desejando ver novamente Lula como presidente. Em seguida, o petista iniciou analisando o momento político brasileiro como "um processo de violência contra a democracia". Para o ex-presidente há grandes chances de não haver eleições em 2018. "Não teria sentido eles darem o golpe parlamentar que deram e dois anos depois me devolverem a Presidência!", ponderou. Em, seguida, reconhecendo que o atentado contra a democracia no país tem como proposta evitar sua participação nas eleições de 2018. 
"E eu não sei como é que vai terminar, porque eu tenho desafiado eles a provar que algum empresário tenha me dado dinheiro. Eu vou até pedir ajuda pra CIA, para ver se conseguem descobrir uma conta minha no exterior. (risos)", seguiu Lula sem nunca perder seu tom irônico. Veja a seguir a entrevista completa.
Em visita ao Brasil para o lançamento de seu filme “Snowden”, o cineasta norte-americano Oliver Stone, ganhador de três Oscar, visitou o ex-presidente Lula, com quem almoçou e a quem entrevistou com exclusividade para o Nocaute. Participaram da entrevista o venezuelano Maximilien Arvelaiz e a intérprete Gala Dahlet. Assista ao bloco 1 da entrevista.
Por Fernando Morais
Oliver Stone entrevista Lula para o Nocaute. Bloco 1:
“Temos uma guerra aqui no Brasil. Aconteceu um processo de violência contra a democracia.”
Lula: Quando nós dois nos encontramos em Caracas, não, em Maracaibo, era um momento de muito otimismo na América Latina. Nós acreditávamos que estávamos construindo uma estrutura política mais prolongada. Mas aí veio a morte do Chávez, a morte do Kirchner, a minha saída da Presidência. E aí o trio que tentava organizar a América do Sul não existia mais. Foi uma pena. Uma pena. E eu sei que você tinha muita esperança, muita expectativa, mas precisamos começar tudo outra vez. Eu queria lhe dar os parabéns pelo novo filme, espero que tenha muito sucesso, como os outros. Bem vindo ao Brasil. 
Oliver: Muito obrigado. 
Lula: É uma pena que você veio muito mal acompanhado. (risos) O Max não é uma boa companhia. 
Oliver: Ele me levou a restaurante muito barulhento ontem à noite. (risos) Eu gostaria muito de ver o senhor ser presidente novamente. 
Lula: Olha, temos uma guerra aqui no Brasil. No Brasil aconteceu um processo de violência contra a democracia. Há todo um trabalho de construção de uma teoria mentirosa para justificar o afastamento da Dilma e a criminalização do PT. Eu fico pensando: não teria sentido eles darem o golpe parlamentar que deram e dois anos depois me devolverem a Presidência!
Eu acho que neste momento eles trabalham com a ideia de tentar evitar que eu tenha qualquer possibilidade de participar das eleições de 2018. E como eles não podem evitar a decisão do povo, eles estão tentando via Poder Judiciário. Há uma quantidade enorme de mentiras, as coisas mais absurdas, quem nem uma criança de parque infantil admitiria. E há uma combinação perfeita da imprensa, da Policia Federal e do Ministério Público que constroem, cada um a seu tempo, as mentiras. Só para você ter ideia, de março a agosto o principal canal de televisão aqui do Brasil, no seu principal jornal, teve 14 horas de matéria negativa contra mim. Em cinco meses. 
Maximilien: Ele se refere à TV Globo. 
Lula: E eu não sei como é que vai terminar, porque eu tenho desafiado eles a provar que algum empresário tenha me dado dinheiro. Eu vou até pedir ajuda pra CIA, para ver se conseguem descobrir uma conta minha no exterior. (risos) Agora, por falta de prova, eles dizem o seguinte: não peçam provas, porque o Lula criou um partido, esse partido é uma organização criminosa, o Lula indicou os ministros para roubar, portanto Lula é o chefe. Eu não tenho provas, eles dizem. Nós não temos provas, mas temos convicção. Então o que deixa eles preocupados é que quando eles fazem pesquisa de opinião pública eu apareço em primeiro lugar para 2018. Então eu não sei como é que vai ficar. Por enquanto, paciência. 
Oliver: o senhor tem grandes parceiros com quem pode contar, que lhe deem apoio? 
Lula: Nós entramos com um processo nas Nações Unidas, em Genebra, temos um movimento sindical internacional fazendo campanhas de denúncias, e vamos trabalhar agora os processos juridicamente.
Oliver Stone entrevista Lula para o Nocaute. Bloco 2:
“Se quiserem me derrotar vão ter que ir pra rua disputar comigo.”
Oliver Stone entrevista Lula para o Nocaute. Bloco 3:
“Nós aprovamos uma lei em que o petróleo era do povo brasileiro. E isso deixou muita gente irritada.”
Oliver Stone entrevista Lula para o Nocaute. Bloco 4:
“A questão do Irã foi a única coisa que me deixou decepcionado com o Obama.”
Oliver Stone entrevista Lula para o Nocaute. Bloco 5:
“Hillary Clinton não gosta da América Latina.”

sábado, 12 de dezembro de 2015

Para o professor e pesquisador Wanderley Guilherme dos Santos, a "oposição" de hoje não admite a democracia

Para pesquisador que previu o golpe de 1964, oponentes de Dilma querem assumir papel que caberia ao Supremo

O pesquisador Wanderley Guilherme
Alexandra Martins
No Estadão (também apresentado no Contexto Livre)

O cientista político Wanderley Guilherme dos Santos notabilizou-se em 1964 ao prever em artigo o golpe militar que depôs o então presidente João Goulart. Hoje, aos 80 anos, sustenta que o processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff carece de base jurídica. A postura da oposição, diz, de declarar ilegítimo o governo atual é “antidemocrática”. “Eles estão se colocando na posição de juízes. Quem tem que fazer isso é o Supremo”, diz o autor do livro À Margem do Abismo (Ed. Revan), lançado em outubro.

Qual balanço o senhor faz de 2015, considerando o processo de impeachment, investigações, ruas?

Primeiramente, no médio prazo, não acredito em nenhuma das seguintes coisas: que o Supremo convalide a posição do (presidente da Câmara, Eduardo) Cunha, que o núcleo pró-impedimento consiga 2/3 da Câmara e que sejam capazes de fazer significativos de rua. Enquanto o Supremo Tribunal Federal continuar dando respaldo, não nos resta outra opção senão considerar que nada efetivamente criminoso cometido pelo Judiciário está acontecendo. É impossível dizer qual vai ser o comportamento do PT, PSDB, PMDB daqui a 48 horas. Mesma coisa em relação ao Judiciário, ao Legislativo, ao Executivo. Tratando-se então de um processo de grande envergadura em execução, não parece prudente já falar em saldo. Neste momento, nós estamos em processo de investigação do desempenho da democracia brasileira.

O processo de impeachment representa tentativa de golpe?

A questão desde o início com relação ao problema do golpe é se havia ou há sustentação objetiva de crimes legalmente apurados e estabelecidos que, conforme a Constituição, autorizem o movimento de impedimento. Até agora, isso não se constituiu, não ficou evidente para o público em geral que há um comprometimento da pessoa pública da presidente da República que justificasse um pedido de impedimento. Os parlamentares da oposição têm qualquer direito de se manifestar. Para isso serve a democracia. Uma vez que não há essa base, então essa é uma atitude, obviamente, de violação das regras da democracia.

O fato de o Tribunal de Contas da União ter rejeitado as contas do governo fortalece o argumento pró-impeachment?

O processo decisório do TCU foi contaminado. Não ficou convincente para mim que estariam justificadas as desconsiderações de todos os precedentes, inclusive as do próprio Tribunal de Contas. Precedente não é só do governo, é do tribunal também. Eles são cúmplices ao longo de muitos anos em que aprovaram contas semelhantes. Não podem jogar responsabilidade em apenas um dos lados. Não foi uma decisão racional. Foi contaminada por emoção. O tribunal é um tribunal de assessoria. Ele não rejeitou as contas do governo, apenas não recomendou sua aprovação pelo Congresso, o que já é uma forma de alterar os nexos institucionais reais entre uma coisa e outra.

Nesse contexto do impedimento, a oposição tem desempenhado um papel sadio para nossa democracia?

A oposição tem todo o direito de querer o impedimento da presidente. Agora, por conta de que não é possível fazer mais nada enquanto não for aprovado o impedimento, e com isso se negarem a governar e obstruir o governo sem que esteja provado que existam dados para isso, eles estão se colocando na posição dos juízes e, consequentemente, na medida em que podem, estão impedindo o governo de governar. Isso é antidemocrático. Eles estão violando as regras democráticas por conta de uma ideia que teria que ser. Enquanto isso não acontecer, tudo o mais é ilegítimo? Quem tem que dizer isso é o Supremo. Ao tomar o lugar do Supremo e declarar o governo ilegítimo, eles estão violando a democracia.

O senhor defendeu recentemente que o governo deveria dar um ‘chute no traseiro’ do PMDB. Ainda pensa assim?

Não acho isso. Acho que a coalizão feita no primeiro mandato da presidente Dilma foi excessiva. Aí não mais só por conta do PMDB. Continuo achando que a coalizão-baleia (grande e feita de vários partidos) que ela constituiu não está sendo operacional. Nos últimos dois ou três anos, essa coalização desgastou muito o processo político institucionalizado brasileiro. Tanto que essa coalizão vem perdendo capacidade de se repetir. Os partidos da coalizão votam cada um por si no Parlamento. A esta altura, a questão partidária está subordinada à questão maior de salvaguardar o processo político e suas instituições. Neste momento, ninguém manda no processo. Procuradores e juízes não sabem o que as pessoas que eles estão prendendo vão dizer.

A cassação de Eduardo Cunha favoreceria o governo Dilma?

Para o governo, a cassação dele não representaria nada. Hoje os fatos a favor do governo têm que vir ou da economia ou do próprio desdobramento da Lava Jato, que está colocando sob suspeição toda a trajetória do PT no governo. É daí que tem que vir. Enquanto isso não acontecer, nada do que aconteça na Câmara traz benefícios para o governo.

Nada?

A rotina do governo, embora seja uma rotina importantíssima, não está servindo para trazer nenhum dividendo para o governo. Neste momento, o governo, o Legislativo e o Congresso em geral, nada que eles fizerem de bom será aplaudido. O que for positivo será interpretado pela sociedade como: ‘Não fizeram mais do que a obrigação’. Mas se fizerem algo ruim, vão ser cobrados ainda mais. Eles só podem piorar.