terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Do Le Monde Dilpomatique: O crescimento da desigualdade no capitalismo contemporâneo





A história demonstra que é possível conter a escalada da desigualdade social. Não se trata de um problema de falta de ferramentas para realizar essa empreitada, mas de vontade política para isso. Parte do problema está no funcionamento de algumas democracias modernas, que blindaram a economia da interferência democrática, impedindo que a vontade da maioria prevaleça sobre o poder econômico

Do Le Monde Diplomatique

Em resumo: aquele que pede reformas igualitárias de acordo com os tempos e as circunstâncias, como o socialista, baseia-se na história. Aquele que defende a constituição de uma sociedade igualitária, em que todas as diferenças são consideradas irrelevantes no que diz respeito à distribuição das vantagens e das desvantagens, voa pelos céus da utopia. [i]

No livro “Zombie Economics”, John Quiggin discute alguns pressupostos econômicos que, mesmo após o surgimento de amplas evidências que os provem equivocados, insistem em “não desaparecer”. São as ideias zumbi, que, apesar de todas as provas de que elas deveriam estar enterradas, acabam retornando sob uma nova roupagem. Quiggin argumenta que essas teorias econômicas permanecem vivas porque apresentam alguma utilidade, pelo menos para alguém. [ii]

Um exemplo atualíssimo de uma ideia zumbi é a hipótese do “Trickle down economics” – a teoria do gotejamento. Resumidamente, os crentes na tese do “gotejamento” afirmam que as políticas públicas que favorecem os ricos irão, em longo prazo, inevitavelmente produzir benefícios para toda a sociedade. Ou seja, a riqueza do “andar de cima” eventualmente gotejaria para o “andar de baixo”, melhorando a vida dos mais pobres. Segundo esse raciocínio, a adoção de um sistema tributário leniente com os ganhos dos mais ricos, por exemplo, ensejaria o crescimento dos investimentos, impactando positivamente no emprego e na renda nacional, trazendo ganhos materiais para toda a população. [iii]

O pressuposto largamente aceito pelos economistas liberais de que o enriquecimento dos ricos irá, necessariamente, beneficiar os mais pobres teve um papel preponderante em moldar a institucionalidade do capitalismo contemporâneo e o entendimento – equivocado – que as pessoas têm sobre a economia. De qualquer forma, isso não muda os resultados da economia do gotejamento: enquanto os ricos se tornam cada vez mais ricos, não há uma compensação proporcional que beneficie o restante da população. O resultado é a explosão de desigualdade social.




Fonte: gráfico retirado de: ZUCMAN e SAEZ (2016)

O gráfico acima, retirado de um estudo realizado por Gabriel Zucman e Emmanuel Saez sobre o crescimento da desigualdade nos E.U.A, é emblemático do fenômeno aqui discutido. Se, após a segunda guerra mundial, o 0,1% mais rico se apropriava de 10% da riqueza total, após a década de 1980 é evidente que há uma tendência de concentração da renda: o segmento social mencionado passou a abocanhar mais de 20% da riqueza nos Estados Unidos[iv]. Duas questões são importantes: 1) como explicar o crescimento da desigualdade? 2) Será que a população se beneficiou da concentração da renda?

Em tom didático, Ha-Joon Chang procura derrubar essa ideia zumbi, de que a prosperidade para os mais pobres depende do enriquecimento dos mais ricos. Segundo o autor, a “economia do gotejamento” pode assim ser resumida: políticas públicas “pró-ricos” estimulam o crescimento, ao passo que as medidas “pró-pobres” reduzem o crescimento. Em seu contraponto, Chang pondera que entre os anos de 1960 e 1970, durante a “Era de Ouro do Capitalismo”, quando foi registrada uma queda substancial da desigualdade na maioria dos países capitalistas ricos, a economia cresceu mais de 3% ao ano em termos per capita, enquanto que entre 1980 e 2009 – período em que houve um crescimento acentuado da desigualdade – o crescimento atingiu apenas 1,4% ao ano. [v]

Desde 1980, demos aos ricos uma fatia maior da torta por acreditar que eles criariam mais riqueza, tornando a torta maior. Todavia, o que se verificou foi que se reduziu o ritmo de crescimento da torta. Em síntese: não há garantia alguma de que a maior concentração de renda nos estratos superiores resulta em mais investimentos, e tampouco é seguro dizer que os pobres irão se beneficiar do crescimento da desigualdade. Em poucas palavras: o simples fato de tornarmos os ricos mais ricos não faz com que todo mundo fique mais rico[vi]



Fonte: gráfico retirado de ALVAREDO, F; CHANCEL, L; PIKETTY, T; SAEZ, E; ZUCMAN (2018)[vii]


O gráfico acima, extraído da pesquisa “World Inequality report”, escancara o processo de concentração de renda nos E.U.A, que tem ocorrido nas últimas décadas.  Enquanto que o 1% mais rico, após a década de 1980, passou a se apropriar de uma parcela da renda cada vez maior, o contrário aconteceu com os 50% mais pobres, que perderam espaço na disputa pela renda nacional. [viii]

Uma das explicações mais tradicionais sobre o crescimento da desigualdade social nas últimas décadas, que remete ao economista Gary Becker, aponta que o crescimento da desigualdade está relacionado às transformações tecnológicas e às maiores exigências por trabalhadores qualificados, detentores de mais capital humano. Conforme esse raciocínio, o crescimento da desigualdade seria um reflexo da maior importância do capital humano na sociedade contemporânea: trabalhadores com mais conhecimento, habilidades e aptidões específicas passariam a receber salários cada vez maiores, ao passo que os “desqualificados” estariam fadados à perda salarial. A redução da desigualdade social, segundo essa linha teórica, envolveria mais investimentos em capital humano, com o objetivo de aumentar o “estoque” de conhecimento da população. Por uma questão de oferta x demanda, diminuir-se-ia o “prêmio” dos trabalhadores mais qualificados.[ix]

Portanto, a explicação convencional mencionada acima, chamada de Skill-Biased Technological Change (SBTC), situa as raízes do crescimento da desigualdade em forças competitivas que atuam no mercado de trabalho. Seriam, conforme os adeptos dessa teoria, as inovações tecnológicas e as exigências por trabalhadores mais qualificados os fatores responsáveis por alargar o fosso da desigualdade de renda e rebaixar o salário dos trabalhadores pouco qualificados. Os índices mais elevados de desigualdade de renda, portanto, seriam reflexos da inovação tecnológica e de seus impactos no mercado de trabalho. [x]

Todavia, há motivos suficientes para manter o ceticismo com relação à explicação convencional supracitada. Não há evidências suficientes para provar que a maior demanda por trabalhadores qualificados é a grande responsável pela explosão da desigualdade social verificada nas últimas décadas. Ao dizer que a concentração da renda é um mero resultado das transformações tecnológicas e de seus desdobramentos no mercado de trabalho, certos economistas sobrestimam os efeitos de um modelo simples de oferta e demanda e desconsideram a dimensão política que caracteriza a formação dos salários numa economia. [xi]

David Howell traz uma visão alternativa. O autor salienta que, ao longo das últimas décadas, houve uma mudança na correlação de forças da sociedade: os trabalhadores tiveram seu poder de barganha diminuído, à medida que aqueles melhores posicionados para extrair recursos dos mercados imperfeitos viram a sua influência e o seu poder crescerem. A escalada da desigualdade, diz Howell, está intimamente relacionada ao fortalecimento da ideologia do livre mercado, à desregulamentação da economia, às novas práticas de governança corporativa e ao encolhimento do Estado de bem-estar social. [xii]

Robert Wade, por seu turno, ressalta o papel fundamental que a adesão indiscriminada à ideologia neoliberal teve em aprofundar as desigualdades sociais. A perseguição cega às preferências “do mercado” fez com que a balança de poder pendesse a favor dos endinheirados: como resultado, a distribuição de renda passou a acontecer, cada vez mais, em benefício dos ricos. A parte pouco divulgada dessa história, é que o “mercado”, uma abstração vendida como um mecanismo neutro e impessoal, é, na verdade, uma maneira “educada” de se referir aos donos do capital, especialmente do capital financeiro. [xiii]




O autor de “O preço da desigualdade”, Joseph Stiglitz, afirma que a desigualdade deve refletir a contribuição que cada indivíduo fornece para a sociedade. Contudo, quando a desigualdade deixa de refletir a contribuição individual, mas, sim, a capacidade de apropriação (injusta) de renda ou de benefícios econômicos diversos, tem-se um sinal de que a economia não está funcionando bem. Uma sociedade que possui níveis alarmantes de desigualdade será menos produtiva, menos eficiente e terá menos oportunidades de ascensão social. Em longo prazo, a democracia sofrerá com descrédito e distorções de representação. [xiv]

Se, por um lado, Stiglitz destaca os imensos obstáculos para se alcançar uma sociedade mais justa, o autor também esclarece que a desigualdade é, essencialmente, um problema político. As forças do mercado são, primeiramente, moldadas pela política, pelas leis e pela forma como as democracias modernas estabelecem um quadro legal para os agentes desenvolverem suas atividades econômicas. À vista disso, o economista argumenta que a solução para a concentração da renda envolve a construção de uma regulação econômica que estabeleça um pacto social compromissado com a redução das desigualdades.[xv]

Thomas Piketty, que realizou uma cuidadosa investigação retratando o crescimento da desigualdade de renda e de patrimônio, do século XVIII até os dias atuais, também merece destaque. O seu livro, que analisa o tema por meio de uma lente “convencional”, se afastando de teorias “radicais”, reduzindo assim o seu aspecto “ameaçador”, é uma leitura obrigatória para todos os interessados no assunto[xvi]. Piketty observa que, além do crescimento brutal da desigualdade social que houve nas últimas décadas, os níveis de desigualdade estão chegando nos picos mais altos já verificados[xvii]. O autor de “O Capital no século XXI” passa uma mensagem clara, e que não deve ser menosprezada: a desigualdade social é um problema urgente. [xviii]

A tributação progressiva, que cumpriu um papel fundamental na redução das desigualdades durante o século XX, hoje se encontra ameaçada pela guerra fiscal que existe entre os países. Uma solução eficaz para conter o crescimento da desigualdade repousa em: a) na criação de um imposto sobre o patrimônio em âmbito global; b) restabelecer um sistema tributário progressivo sobre a renda e sobre as grandes heranças. Cumpre mencionar uma importante lição do livro de Piketty, que certos economistas preferem ignorar: a progressividade tributária tem uma estreita relação com a dinâmica da desigualdade.  [xix]

O caso brasileiro é especialmente didático para compreender os efeitos que a regressividade tributária produz sobre a desigualdade social. A partir de dados disponibilizados pela Receita Federal, o estudo realizado por Gobetti e Orairmostra que que o nível de concentração de renda no Brasil  é significativamente maior do que se imaginava: os autores calculam que o  meio milésimo (0,0005) mais rico se apropria de 8,5% de toda a renda nacional. O ponto interessante, explicam os autores, é que esse resultado está relacionado ao sistema tributário brasileiro, que corrobora para que o Brasil tenha uma das maiores concentrações de renda do mundo. Os autores concluem: “os dados revelam que o Brasil é um país de extrema desigualdade e também um paraíso tributário para os super ricos, combinando baixo nível de tributação sobre aplicações financeiras, uma das mais elevadas taxas de juro do mundo e uma prática pouco comum de isentar a distribuição de dividendos de imposto de renda na pessoa física.[xx]

Em primeiro lugar, cumpre lembrar que níveis alarmantes de concentração de renda são disfuncionais para o funcionamento da economia. Em segundo lugar, há de se ponderar os custos políticos que a extrema desigualdade social traz para a democracia. Na medida em que a concentração de renda aumenta o poder econômico dos estratos sociais do topo, e esse poder se manifesta por meio de políticas públicas voltadas à criação de uma institucionalidade que favorece o enriquecimento dos (já) abastados, há uma evidente corrosão dos princípios democráticos. O resultado é um quadro legal típico de um Estado plutocrático, onde o poder do Estado é empregado para para apoiar a concentração de renda, num processo que impulsiona o crescimento da desigualdade. Um círculo vicioso nada trivial de ser interrompido. [xxi]

No panorama hodierno, em que o poder econômico do 1% mais rico influi desproporcionalmente nos processos políticos, haverá uma desigualdade na representação dos interesses da população, o que configura uma distorção na democracia. As “regras do jogo”, que serão definidas conforme as orientações dos poderosos, irão beneficiar e favorecer o “andar de cima.”

David Cameron, que atuou como Primeiro Ministro do Reino Unido, deu um exemplo didático de como o interesse dos ricos é capaz de influenciar a formulação das políticas públicas. Em 2013, Cameron bloqueou os planos para a criação de um imposto sobre mansões (casas cujo valor ultrapassasse de 2 milhões de libras) pelo seguinte motivo: em suas palavras, “nossos doadores nunca concordariam com isso”. [xxii]

A incógnita reside em saber de onde virá a pressão política para a criação um novo pacto social compromissado com a redução da desigualdade. Uma das possibilidades, diz Stiglitz, repousa na luta social: confiar nos 99%; outra opção estaria no reconhecimento, pelos 1% mais ricos, de que um sistema econômico que opera para o benefício de uma ínfima minoria é, na realidade, prejudicial a todos, inclusive para os ricos[xxiii]. Todavia, desde que Stiglitz escreveu seu livro, “O Preço da Desigualdade”, em 2011, a desigualdade segue crescendo. Não há evidência alguma de que a camada mais rica da população está realmente incomodada com os níveis de concentração de renda.

Logo, é justo dizer que o crescimento da desigualdade não é um mero reflexo das forças de mercado, ou de processos econômicos neutros, inevitáveis e fora de controle da política. Em larga medida, o crescimento da desigualdade é uma consequência direta de políticas públicas que definem os mecanismos de concorrência, que moldam os sistemas tributários, que direcionam a despesa pública e, de maneira geral, estabelecem a institucionalidade que irá regular a economia.

O empresário Nick Hanauer, numa palestra “TED TALKS”, apela ao bom senso de seus colegas plutocratas e pondera que, evidentemente, não há problema algum em haver algum grau de desigualdade na sociedade. O problema surge, entretanto, quando a desigualdade social atinge níveis extraordinários. Seu raciocínio segue: na medida em que esse padrão de concentração de renda continuar, nossas democracias capitalistas se transformação em “sociedades rentistas neofeudais”. Por fim, Hanauer lembra que as sociedades com níveis inaceitáveis de desigualdade são caracterizadas ou por um Estado policialesco, ou por uma população pronta para a rebelião. A mensagem do empresário é clara: se algo não for feito para interromper o ritmo de concentração de renda, cabeças vão rolar: “os forcados estão chegando”.

A história demonstra que é possível conter a escalada da desigualdade social. Não se trata de um problema de falta de ferramentas para realizar essa empreitada, mas de vontade política para isso. Parte do problema está no funcionamento de algumas democracias modernas, que blindaram a economia da interferência democrática, impedindo que a vontade da maioria prevaleça sobre o poder econômico. Lamentavelmente, a outra parte do problema reside na defesa ferrenha que a elite faz de seus privilégios, utilizando de seu poder para influir na elaboração de políticas públicas em detrimento do resto da população.

No passado, a vontade política para conter a desigualdade social se fortaleceu após duas guerras mundiais, a crise de 1929, o nazismo e o fascismo. Esperamos que no século XXI a história se desenrole de maneira diferente.

O pessimismo hoje, seja-me permitida mais esta expressão impolítica, é um dever civil. Um dever civil porque só um pessimismo radical da razão pode despertar com uma sacudidela aqueles que, de um lado ou de outro, mostram que ainda não se deram conta de que o sono da razão gera monstros. [xxiv]

*Tomás Rigoletto Pernías é doutorando em Desenvolvimento Econômico pelo Instituo de Economia da Unicamp

[i] BOBBIO, N. As ideologias e o poder em crise. Brasília. Ed: Universidade de Brasília. 1999. p. 46
[ii] QUIGGIN, J. Zombie Economics. New Jersey: Princeton, 2010
[iii] QUIGGIN, J. Zombie Economics. New Jersey: Princeton, 2010
[iv] SAEZ, E; ZUCMAN, G. WEALTH INEQUALITY IN THE UNITED STATES SINCE 1913: EVIDENCE FROM CAPITALIZED INCOME TAX DATA. In: THE QUARTERLY JOURNAL OF ECONOMICS. May 2016, vol. 131. Issue 2.
[v] CHANG, H. J. 23 Coisas que não nos contaram sobre o capitalismo. São Paulo. Ed: Cultrix. 2013.
[vi] CHANG, H. J. 23 Coisas que não nos contaram sobre o capitalismo. São Paulo. Ed: Cultrix. 2013.
[vii] Ver ALVAREDO, F; CHANCEL, L; PIKETTY, T; SAEZ, E; ZUCMAN. Word inequality report. 2018.
[viii] Ver ALVAREDO, F; CHANCEL, L; PIKETTY, T; SAEZ, E; ZUCMAN. Word inequality report. 2018
[ix] ACEMOGLU, D; AUTOR, D. What does human capital do? A review of Goldin and Katz’s the race between education and technology. In: Nber working papers series. 2012
[x] HOWELL, D. R; WIELER, S. S. Skill-biased demand shifts and the wage colapse in the United States: a critical perspective. In: Eastern Economic Journal, Vol. 24, No. 3 (Summer, 1998), pp. 343-366
[xi] HOWELL, D. R; WIELER, S. S. Skill-biased demand shifts and the wage colapse in the United States: a critical perspective. In: Eastern Economic Journal, Vol. 24, No. 3 (Summer, 1998), pp. 343-366
[xii] HOWELL, D. R. The great laissez-faire experiment – American inequality and growth from na internacional perspective. Center for american progress. 2013
[xiii] WADE, R. How inequality plus neoliberal governance weakens democracy. Challenge, 56:6, 5-37. 2013
[xiv] Ver mais em STIGLITZ, J. E. O Preço da Desigualdade. Lisboa. Ed: Bertrand Editora. 2016.
[xv] Ver mais em STIGLITZ, J. E. O Preço da Desigualdade. Lisboa. Ed: Bertrand Editora. 2016.
[xvi] WADE, R. The Piketty phenomenon and the future of inequality. In: Real world economics review. n. 69. 2014
[xvii] PIKETTY, T. O Capital no século XXI. Rio de Janeiro. Ed: Intrínseca. 2014.
[xviii] PIKETTY, T. O Capital no século XXI. Rio de Janeiro. Ed: Intrínseca. 2014.
[xix] PIKETTY, T. O Capital no século XXI. Rio de Janeiro. Ed: Intrínseca. 2014.
[xx] GOBETTI, S. W; ORAIR, R. O. Tributação e distribuição da renda no Brasil: novas evidências a partir das declarações tributárias das pessoas físicas.     In: working paper n. 136, fevereiro. 2016
[xxi] Ver WADE, R. How inequality plus neoliberal governance weakens democracy. Challenge, 56:6, 5-37. 2013
[xxii] HOPE, C; WATT, H. Cameron opens talks with Clegg on second Coalition. The Telegraph. 27 de setembro de 2013. Disponível em http://www.telegraph.co.uk/news/politics/david-cameron/10340948/Cameron-opens-talks-with-Clegg-on-second-Coalition.html. Acessado em 28/12/2017
[xxiii] Ver mais em STIGLITZ, J. E. O Preço da Desigualdade. Lisboa. Ed: Bertrand Editora. 2016.

[xxiv] BOBBIO, N. As ideologias e o poder em crise. Brasília. Ed: Universidade de Brasília. 1999. p. 181


segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

O verdadeiro Filósofo, bem educado e formado, Paulo Ghiraldelli mostra a aberração que é o ex-astrólogo que se diz "filósofo" e vive ninguém sabe como nos EUA e se fez o guru da extrema-direita brasileira, Olavo de Carvalho



Do Canal de Paulo Ghiraldelli:


Filósofo real, Paulo Ghiraldelli discute o envolvimento da ONG de Damáris, Ministra-Pastora de- pasmem - Direitos Humanos da República da Goiabera de Bolsonaro, em tráfico de crianças indígenas



Do Canal do FIlósofo (filósofo real, diplomado e reconhecido como tal), Paulo Ghiraldelli:



Políticas anunciadas pelo governo Bolsonaro ameaçam direitos das mulheres, diz Debora Diniz



Foto: Divulgação/STF
Jornal GGNA antropóloga e pesquisadora do instituto Anis Debora Diniz afirmou em entrevista ao El País que as políticas anunciadas pelo governo Bolsonaro representam uma ameaça aos direitos das mulheres. Ela está exilada por conta de ameaças que vem sofrendo desde que ajudou a mover no Supremo Tribunal Federal uma ação para descriminalizar o aborto até a 12ª semana de gestação. Na semana passada, uma rede de criminalistas anunciou apoio à defensora dos direitos humanos.
“Orientadas por uma lógica religiosa messiânica, as políticas anunciadas pelo novo governo e a futura ministra [Damares Alves] colocam em risco os direitos das mulheres", comentou.
Damares Alves é pastora da Assembleia de Deus e militante contra o feminismo, o ensino de religiões de matriz afro nas escolas e pela evangelização de indígenas. Ela foi nomeada por Jair Bolsonaro para cuidar da Pasta que fundiu Direitos Humanos, Mulheres e a Funai. Na semana passada, ela anunciou que uma de suas prioridades é aprovar uma lei que garanta apoio financeiro para vítimas de estupro concluírem a gestação. A iniciativa existe ao menos desde 2015 e foi apelidada de "bolsa estupro".
Na entrevista, Diniz comentou que saiu do Brasil porque familiares, amigos e colegas de trabalho foram ameaçados por grupos extremistas. “Não saí do Brasil porque fui ameaçada, mas para proteger outras pessoas. Se as ameaças fossem somente contra mim, eu jamais sairia. Mais do que nunca, mesmo à distância, eu sigo fazendo meu trabalho. Não vão me calar.”

O site informou ainda que um grupo de criminalistas decidiu atuar em defesa de Diniz e outros militantes dos direitos humanos. A ideia é defender que o País continue sendo livre para desenvolver pesquisas, com salas de aula permeadas de "debate de ideias", sem que as pessoas morram por pensar ou defender determinadas posições políticas.

Ascensão mundial da direita decorre de ódio da elite e classe média contra minorias



"A democracia liberal não vive um bom momento. “Cada vez mais cidadãos se afastam” dela, afirma em seu último best-seller “O povo contra a democracia” o jovem cientista político americano Yascha Mounk.
"Este sistema, que conjuga soberania popular e contra-poderes (Justiça, imprensa, sociedade civil), é o modelo dominante nos países ocidentais desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Mas, atualmente, este “sistema de governo que parecia imutável dá impressão de que pode despencar a qualquer momento”, resume Mounk."
Do Blog da Cidadania, reproduzindo matéria do UOL:
Primeiro, vieram o Brexit e a eleição de Donald Trump. Depois, em 2018, a vitória dos populistas e nacionalistas na Itália e de Jair Bolsonaro no Brasil. Em 2019, os cenários podem se repetir em eleições como a do Parlamento europeu.
A democracia liberal não vive um bom momento. “Cada vez mais cidadãos se afastam” dela, afirma em seu último best-seller “O povo contra a democracia” o jovem cientista político americano Yascha Mounk.
Este sistema, que conjuga soberania popular e contra-poderes (Justiça, imprensa, sociedade civil), é o modelo dominante nos países ocidentais desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Mas, atualmente, este “sistema de governo que parecia imutável dá impressão de que pode despencar a qualquer momento”, resume Mounk.
A principal causa: as classes médias, base demográfica e política, que esses países deixaram desatendida.
“Construir uma classe média contribui para a estabilidade política”, aponta a americana Kori Schake, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), em um estudo recente do Lowy Institute sobre a “sobrevivência da ordem liberal”.
Empobrecido por uma economia cada vez mais terceirizada, as classes médias se rebelam contra sua decadência, ou até seu desaparecimento econômico, político e cultural, acredita o geógrafo francês Christophe Guilluy em seu livro “No society”.
O presidente francês Emmanuel Macron pode corroborar. Uma parte significativa da população francesa, trajando coletes amarelos, protesta há cerca de um mês na França. A situação pode se tornar rapidamente insustentável para o governo, insistiu.
Uma das exigências desses cidadãos rebeldes é recuperar uma soberania popular que acreditam ter perdido. Assim, apenas 8% dos franceses estimam que os cidadãos têm o poder, contra 54% que acreditam que está nas mãos dos mercados financeiros, segundo pesquisa Ifop de outubro.
O slogan do Brexit “Take back control” (Retomar o controle) é um sinal disso.
A soberania popular é progressivamente reduzida, estima Patrick Moreau, editor-chefe da revista canadense Argument, em uma coluna no jornal Le Devoir. Os culpados são, segundo ele, as regras do comércio internacional e a importância conquistada pelas “minorias”.
As regras “nunca são sujeitas a debates reais” e as minorias tendem a explorar o Estado de direito em seu benefício, uma “retórica dos direitos” que mina “o papel político das maiorias históricas em favor dos tribunais e de pequenos grupos militantes”.
Esse desequilíbrio entre a soberania e o Estado de direito leva, segundo Yasha Mounk, à instalação de uma “forma de liberalismo antidemocrático na América do Norte e na Europa Ocidental”.
“Nesta forma de governo (…) os eleitores concluíram há muito tempo que sua influência nas políticas públicas é mínima”.
E para tentar desafiar esta ordem, as classes mais baixas se afastam dos organismos intermediários (sindicatos, meios de comunicação) que consideram muito próximos do poder e incapazes de representá-los, tendendo a votar em quem promete devolver a eles o que perderam.
O risco potencial para o Estado de direito é que o líder eleito pelo povo, armado com sua legitimidade democrática, comece a desfazer as conquistas importantes para seu país.
Alguns exemplos são a eliminação de liberdades individuais, ataques contra a imprensa ou ONGs. Países como a Hungria e a Polônia são regularmente alvo desse tipo de acusação. Mas, para alguns analistas esta sede de soberania das classes populares também pode ser entendida como uma necessidade mais profunda: consolidar o sentimento de pertencer a uma nação, a um destino comum do qual algumas elites quiseram se afastar para chegar ao topo da globalização, deixando para os demais para trás.
O boom conservador “é explicado por um desejo cada vez mais profundo dos povos de ‘repatriar’ suas classes dirigentes, para impedi-los de escapar”, acredita que a ensaísta francesa Coralie Delaume.
Para Jérôme Fourquet, da Fundação Francesa Jean Jaurès, esse “separatismo social diz respeito a toda uma parte da classe superior da sociedade”. “Uma lacuna cada vez maior” separa os privilegiados do resto da população, destaca.
Do UOL

Do Jornal GGN e CartaCapital: Concussão, peculato, lavagem de dinheiro: os crimes possíveis no caso Coaf-Bolsonaro





    "Se Flávio Bolsonaro ficou com parte do dinheiro movimentado pelo ex-assessor Fabrício Queiroz, o filho do presidente pode vir a ser acusado de concussão. Só este crime rende pena de até 8 anos de prisão, afirma a CartaCapital, que ainda ouviu especialistas que afirmam que, "em tese", há margem para acusações por lavagem de dinheiro e peculato (apropriação de dinheiro público)."




Foto: Agência Brasil
Jornal GGN - Se Flávio Bolsonaro ficou com parte do dinheiro movimentado pelo ex-assessor Fabrício Queiroz, o filho do presidente pode vir a ser acusado de concussão. Só este crime rende pena de até 8 anos de prisão, afirma a CartaCapital, que ainda ouviu especialistas que afirmam que, "em tese", há margem para acusações por lavagem de dinheiro e peculato (apropriação de dinheiro público).

O jornal O Globo informou nesta segunda (17) que os 75 assessores e ex-assessores de mais de 20 deputados do Rio de Janeiro relatados pelo Coaf por terem feito movimentações financeiras suspeitas serão investigados individualmente pelo Ministério Público do Estado.
Como Flávio Bolsonaro deixará o mandato de deputado estadual para assumir uma cadeira no Senado em 2019, a competência passou das mãos do MP-RJ para a Procuradoria Geral da República, afirmou O Globo.

Até o momento, a imprensa divulgou que Fabrício Queiroz, que assessorou Flávio Bolsonaro por cerca de uma década, até pedir exoneração em outubro de 2018, movimentou R$ 1,2 milhão em cerca de 1 ano (de janeiro de 2016 a janeiro de 2017).

A primeira-dama Michelle Bolsonaro foi beneficiada com um repasse de R$ 24 mil, que Jair Bolsonaro, o presidente eleito, afirma ter sido parte de um pagamento de empréstimo feito a Queiroz, no total de R$ 40 mil. Segundo o capitão da reserva, a transferência ocorreu fatia, em 10 vezes de R$ 4 mil.

Pelos dados do Coaf, há indícios de que Queiroz operava como um controlador de uma conta bancária que recebia depósitos em dinheiro de outros 9 assessores contratados pelo gabinete de Flávio Bolsonaro.

O ex-assessor tinha o hábito de sacar o dinheiro em espécie dias após os depósitos. O Coaf entendeu que se trata de uma "conta de passagem", com operações que dificultam a apuração sobre a origem e o destino final dos recursos.

A filha de Queiroz, Natalhia, que teve cargo no gabinete de Jair Bolsonaro, está entre os assessores que depositaram valores na conta suspeita. Levantamento do Estadão mostrou que, em 2016-2017, 99% do salário de Nathália pode ter ido parar na conta de Queiroz.

Apesar das revelações, Flávio Bolsonaro age como se o caso de Queiroz fosse situação isolada e diz que o ex-assessor irá prestar esclarecimentos quando convocado pelo Ministério Público do Rio. O parlamentar ainda não se posicionou sobre os demais assessores.

Segundo criminalistas ouvidos pela CartaCapital, há jurisprudência no sentido de que o parlamentar pode ser responsabilizado em ação por concussão quando seus assessores devolvem parte do salário recebido em seu gabinete. Além disso, há hipótese de peculato e a "incorporação dessa renda ilegal por meio de dissimulação de pequenas transações ou outros artifícios pode configurar em lavagem de dinheiro."

CartaCapital ressalta, porém, que "crimes dessa natureza do Código Penal costumam resultar em ação de improbidade administrativa, em outro setor que não o criminal.


Oficiais da Ditadura Militar chilena de Pinochet que estão presos pedem visita de Eduardo Bolsonaro




Advogado dos ex-oficiais da ditadura de Augusto Pinochet entregou carta ao deputado brasileiro solicitando visita aos presos por  - pasmem! - "razões humanitárias"


A visita de Eduardo Bolsonaro ao Chile, que começou quinta-feira (13/12) e vai até este domingo (16/12), mobilizou os advogados que representam os detentos do complexo penitenciário de Punta Peuco, para promover uma visita do deputado da extrema-direita brasileira aos seus defendidos alegando “razões humanitárias”. Na prisão estão exclusivamente os 112 ex-militares chilenos condenados por crimes de violação aos direitos humanos, tortura, sequestro, desaparições forçadas e execuções políticas durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Raúl Meza, um dos advogados que mais tem atuado para concretizar essa possível visita, chegou a levar uma carta ao filho do presidente eleito Jair Bolsonaro, que está em Santiago realizando encontros com líderes da direita pinochetista chilena como José Antonio Kast, Jacqueline Van Rysselberghe e Ignacio Urrutia.

Trechos da carta de Meza foram reproduzidos por alguns meios chilenos, mostrando os apelos a supostas “razões humanitárias” para que o deputado brasileiro faça um gesto a favor dos seus defendidos: “esperamos que você possa constatar pessoalmente o estado de saúde dos internos, todos eles de avançada idade, todos eles soldados como o seu pai, e que se encontram confinados em um campo de extermínio, com a cumplicidade do governo que ajudamos a eleger”. A última parte da frase faz referência ao atual governo, de Sebastián Piñera, político de direita liberal que iniciou seu segundo mandato não consecutivo em março deste ano (seu primeiro período foi entre 2010 e 2013), e que foi eleito com o apoio dos setores mais conservadores e pinochetistas.

Em outro momento da carta, Meza diz que “não queremos deixar passar a oportunidade de sua estadia no Chile para informar ao Brasil que nosso país ainda possui presos políticos militares que estão encarcerados por terem defendido a sua pátria (...)queremos que você nos ajude, junto com o seu pai, para que possamos organizar a defesa daqueles valores e princípios que nos representam e que foram abandonados”.

Entretanto, os promotores chilenos da visita de Eduardo Bolsonaro negaram ter recebido a carta, segundo o jornal chileno La Tercera. Um desses realizadores seria o também advogado Francisco Javier Leturia, integrante do Conselho para a Transparência e amigo do deputado brasileiro, que afirmou que sua agenda no Chile não contemplaria tal visita.

Não é a primeira vez que ex-agentes da ditadura chilena tentam se aproximar da família Bolsonaro. A iniciativa anterior foi somente uma semana antes, no dia 5 de dezembro, quando um grupo de seis presos (Miguel Estay, Aquiles González, Daniel Guimpert, Carlos Herrera, Eduardo Iturriaga Neumann e Manuel Muñoz) enviaram uma carta diretamente ao presidente eleito Jair Bolsonaro, também solicitando sua visita ao complexo penitenciário – este apelo parte da suposição de que o Chile seria o destino da primeira viagem oficial do futuro mandatário após a sua posse, rumor que tem sido difundido por alguns meios de imprensa chilenos desde novembro.

“Seria de grande valor para nós que o presidente do Brasil se encontrasse com um grupo reduzido de familiares nossos, que são os que mais vêm sofrendo por esta injusta situação que nos afeta há tanto tempo”, expressaram na carta ao presidente eleito.

Punta Peuco

O complexo penitenciário de Punta Peuco foi construído especialmente para os condenados por crimes da ditadura chilena, os quais passaram a ser processados e sentenciados pela Justiça a partir dos anos 1990, graças aos resultados das duas comissões da verdade realizadas no país: o Informe Rettig, de 1991, e a Comissão Valech, cujos trabalhos se estenderam entre 2003 e 2010.

Para muitos ativistas dos direitos humanos e organizações de familiares de vítimas da ditadura, Punta Peuco se trata de uma “prisão de luxo”, onde os presos contam com áreas de lazer como salão de jogos e televisão, quadra de tênis e churrasqueira. Contudo, os diversos recursos judiciais pedindo o fechamento do complexo e o traslado dos presos a presídios comuns jamais foram acatados pela Justiça chilena.

A visita de Eduardo

Eduardo Bolsonaro chegou ao Chile na quinta-feira (13/12) e sua visita vem rendendo algumas controvérsias, pois ele não se encontrou somente com ministros do governo de Sebastián Piñera, como Alfredo Moreno (Desenvolvimento Social) e Felipe Larraín (Fazenda), mas também com representantes da direita extraparlamentar, como o ex-deputado José Antonio Kast, que desde outubro vem se proclamando como o representante do bolsonarismo no país andino.

Em 2017, Kast foi candidato à presidência, ficando em quarto lugar no primeiro turno, com 7,9% dos votos (pouco mais de 500 mil), e desde então está em campanha para 2021. Porém, o colega brasileiro acabou frustrando sua tentativa de fortalecer a imagem de bolsonarista chileno: segundo o meio digital El Desconcierto, Eduardo Bolsonaro declarou, em um de seus encontros, que “se eu fosse chileno, votaria por Jacqueline Van Rysselberghe”, em referência à senadora e presidenta do partido pinochetista UDI (União Democrata Independente), que forma parte da base aliada do governo de Piñera.

Em outras declarações, o parlamentar brasileiro disse que sua visita também tinha como objetivo “observar mais de perto o modelo previdenciário chileno”, que é baseado na gestão de empresas privadas (as chamadas AFP, administradoras de fundos de pensão), embora este seja um dos principais motivos de insatisfação social no país nos últimos anos, com multitudinárias marchas promovidas pelo movimento NO + AFP devido aos valores miseráveis das aposentadorias e pensões entregues aos idosos. Em uma das últimas atividades de sua agenda no Chile, que termina neste domingo (16/12), ele se encontrou com José Piñera, irmão do atual presidente e criador do atual sistema previdenciário – o projeto foi implementado em 1982, quando Piñera era ministro do Trabalho da ditadura de Pinochet.

Em sua conta no Twitter, o deputado federal por São Paulo comentou sobre a visita ao ex-ministro Piñera com a seguinte mensagem: “Esse é um daqueles momentos que não tem preço. Vinho e resenha com José Piñera, o homem que com 29 anos fez as reformas que colocaram o miserável Chile nos trilhos e foram a base para que hoje tenha renda per capita de USD 25.000 e reduzido a pobreza em 50%. Um dia o Brasil chega lá!”. 

No entanto, essa estatística ignora o fato de que o Chile é, justamente desde a ditadura de Pinochet, um dos países com maior diferença de renda e riqueza entre os setores mais ricos e mais pobres da população, segundo estudos de entidades como a CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) e a chilena Fundação SOL, o que impõe um questionamento aos dados sobre a renda média da população.

Talvez estimulado por essa última visita, o filho de Jair Bolsonaro não poupou elogios aos chamados Chicago Boys – os economistas chilenos pós-graduados na Universidade de Chicago, que instauraram o neoliberalismo a ferro e fogo em seu país, tutelados pela ditadura, sendo José Piñera um deles. “O Chile teve a sorte de ter os Chicago Boys nos anos 1980, por isso está tão bem financeiramente. O Brasil agora terá o seu Chicago Boy, que é o Paulo Guedes”, afirmou o Eduardo Bolsonaro, lembrando que o futuro ministro da Fazenda viveu no Chile nos anos 1980, quando foi professor da Universidade do Chile e colega de academia de alguns dos “boys” originais. Também fez elogios ao ditador Augusto Pinochet, dizendo que ele “salvou o Chile de se tornar uma nova Cuba”.

No ÓperaMundi

domingo, 16 de dezembro de 2018

Do Congresso em Foco: Ex-chefe de gabinete de Bolsonaro doava mais que o próprio salário aos filhos do presidente eleito



"Apuração da revista IstoÉ  feita nos gabinetes do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e de seus filhos revela uma prática semelhante ao esquema de caixinha de assessoria: funcionários do clã fizeram doações e prestaram serviços políticos para campanhas eleitorais dos Bolsonaro e, em alguns casos, os valores das contribuições ultrapassavam os próprios rendimentos de quem doava."


Do site Congresso em Foco:

Ex-chefe de gabinete de Bolsonaro doava mais que o próprio salário aos filhos do presidente eleito




A suspeita do Ministério Público de que a família Bolsonaro se beneficiou de um esquema de contribuições a partir de nomeações no Legislativo ganhou mais um desdobramento neste fim de semana. E não apenas devido à atuação do policial militar Fabrício de Queiroz, ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) que, segundo indícios identificados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e apurados pelo MP, administrava uma espécie de caixinha de colaborações dos demais servidores  da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para o mandatário – o Coaf rastreou uma movimentação bancária de R$ 1,2 milhão, "atípica" para quem recebia um salário de R$ 8,5 mil.
Apuração da revista IstoÉ  feita nos gabinetes do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e de seus filhos revela uma prática semelhante ao esquema de caixinha de assessoria: funcionários do clã fizeram doações e prestaram serviços políticos para campanhas eleitorais dos Bolsonaro e, em alguns casos, os valores das contribuições ultrapassavam os próprios rendimentos de quem doava.
A reportagem publicada na edição deste fim de semana mostra o caso do capitão do Exército Jorge Francisco, que trabalhava com Jair Bolsonaro havia 20 anos, no gabinete do deputado do PSL em Brasília, e morreu em abril deste ano. Naquele mês, o presidente eleito deu uma pausa na agenda de compromissos para ir ao velório do amigo e funcionário.
O ex-servidor da Câmara teve papel determinante na eleição de Flávio Bolsonaro como vereador em 2002, diz a revista. A prestação de contas de Flávio naquele ano mostra que Francisco doou R$ 5,9 mil para a campanha do filho mais velho de Jair Bolsonaro. Esse foi, aliás, o valor total que o hoje deputado estadual declarou ter gasto em sua campanha – algo em torno de R$ 18 mil, em valores atualizados.
No ano seguinte, já como membro do gabinete de Bolsonaro em Brasília, Francisco recebia salário de cerca de R$ 15 mil por meio de um cargo de confiança. O assessor parlamentar feitas outras doações, em espécie, à família. Em 2004, foram R$ 10 mil (ou algo como R$ 22 mil, em valores de hoje) doados para a primeira eleição de Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), o filho do meio – ou "02", como Bolsonaro gosta de dizer –, à Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Ao todo, Carlos recebeu R$ 34,5 mil em doações naquele ano, ou seja, Francisco deu cerca de 30% das doações.
"As informações apuradas por IstoÉ constam das próprias contas eleitorais. Em vários casos, servidores de Jair Bolsonaro foram responsáveis por doações, por meio de serviços ou em dinheiro em espécie, aos filhos desde quando eles começaram a disputar eleições, a partir de 2002. Ou seja, parece comum que servidores contratados por eles empregassem – obrigados ou não – o dinheiro proveniente de seus ganhos mensais no apoio político-eleitoral aos Bolsonaro", diz trecho do texto assinado por Wilson Lima.