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sexta-feira, 6 de março de 2020

Bolsonaro coloca a milícia virtual para atacar a jornalista Patrícia Campos Mello novamente


Jair Bolsonaro divulgou no Twitter um texto da repórter Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, publicado em 2014, quando ela diz que o “Brasil marcou um golaço ao financiar Mariel”, em referência à construção do porto em Cuba. “Você sabe quem é essa jornalista, tão defendida por seus pares?”

Jair Bolsonaro e Patricia Campos Mello


Jair Bolsonaro e Patricia Campos Mello (Foto: Carolina Antunes/PR | Rick Reinhard/Inter-American Dialogue)

247 - Jair Bolsonaro voltou a incitar a milícia virtual contra a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, autora de reportagens sobre fake news comandada pelo ocupante do Planalto durante a campanha eleitoral. O capitão divulgou no Twitter um texto da repórter, publicado em 2014, quando ela diz que o “Brasil marcou um golaço ao financiar Mariel”, em referência à construção do porto em Cuba.
“Você sabe quem é essa jornalista, tão defendida por seus pares?”, questiona Bolsonaro na publicação. “A jornalista mais mentirosa desse país. Bilhões do pagador de imposto pra esse porto. Triplex é nada perto desse crime!”, complementou.
“Ela só queria dar um furo”, diz outro seguidor, em referência à fala do presidente sobre a jornalista após depoimento mentiroso de Hans River, que seria sua fonte, à CPMI das Fake News.

Não é a primeira vez que a jornalista é atacada por Bolsonaro por causa de matérias sobre fake news. Em fevereiro, ele insultou a repórter com insinuação sexual, ao falar em "furo" - no jargão jornalístico também quer dizer informação em primeira mão.
"Ela [repórter] queria um furo. Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim [risos dele e dos demais]", acrescentou.
A jornalista é a mesma autora de uma reportagem, publicada na campanha de 2018, denunciando uma campanha ilegal contra o então presidenciável Fernando Haddad (PT) financiada por empresas e que teve como base a divulgação de fake-news (notícias falsas) no WhatsApp para favorecer Bolsonaro. A matéria apontou, ainda, que cada contrato chega a R$ 12 milhões e, entre as empresas compradoras, está a Havan. 

domingo, 15 de dezembro de 2019

O fascismo machistóide e as torcidas organizadas, por Andre Motta Araujo



O elemento psicológico, o machismo, o culta da violência, o punho cerrado, o grito de guerra são os efeitos do gestual fascista assemelhados ao das torcidas organizadas
Faixa antissemita exibida na torcida da Lazio: "Auschwitz vossa Pátria, os fornos vossas casas"
O fascismo italiano completa 100 anos este ano. O maior historiador do fascismo foi Renzo de Felice, falecido em 1996, com uma obra de grande porte, BREVE STORIA DEL FASCISMO. Dos vivos, Emilio Gentile é hoje o maior historiador do fascismo. Ele traça uma linha interessante entre o fascismo e o futebol, vendo estreita relação entre a ideologia da ultra-direita e as torcidas organizadas.
Gentile assinala que o LAZIO de Roma tem a torcida mais fascista entre todas, seguida pelo INTER de Milão e por dois times de 2ª divisão, o VERONA e o VARESE. O elemento psicológico, o machismo, o culta da violência, o punho cerrado, o grito de guerra são os efeitos do gestual fascista assemelhados ao das torcidas organizadas que se transportam para a America Latina, em torcidas violentas que lembram os grupos de “camisas negras” nas ruas de Roma dos anos 20 e 30, tipologias gêmeas.
A APROPRIAÇÃO DO CONCEITO FASCISTA
Gentile também se reporta ao uso inapropriado do termo “fascista” para qualquer movimento de direita e assinala que essa visão é errônea e leva a análises imperfeitas. O FASCISMO é um movimento específico delineado por eventos históricos de época como foi na Itália onde o movimento nasceu em 1919.
A Itália sai da Grande Guerra de 1914 se sentindo lesada porque não lhe foram devolvidos territórios que eram historicamente italianos.
É bom lembrar que a Itália trocou de lado na Grande Guerra ( e também na Segunda Guerra Mundial) perdendo com isso capital de manobra diplomática.
Mas o lastro social maior do FASCISMO foi a crise econômica e social do pós Guerra, com altíssimo desemprego e fome, sem que os governos democráticos de então tivessem algum tipo de solução ou projeto para sair da crise, e nesse ponto Gentile vê raízes que explicam movimentos populistas de direita e que também poderiam ser de esquerda, ambos em busca de uma saída mágica para uma crise insuperável.
Os “fascismos” nunca são iguais, assinala Gentile, embora o instrumental seja parecido. O nazismo alemão era muito diferente do fascismo italiano e em um certo sentido, muito mais anti-civilizatório, o fascismo mussoliniano não era anti-cultural e nem anti-religioso, fez um histórico reconhecimento do Vaticano como poder, mas outros movimentos equiparados ao fascismo, como o franquismo espanhol e o salazarismo português, tinham características próprias, assim como as derivações sul-americanas, como o Estado Novo brasileiro, diretamente inspirado no fascismo italiano, e o peronismo argentino e seu alicerce sindical fascista.
O fascismo italiano poderia ser tudo mas não era caótico, era um movimento organizado e dentro de seu objetivo razoavelmente eficiente especialmente na economia e na proteção  social, por isso, era popular até o momento do grande erro de Mussolini, a aliança com o Terceiro Reich – lembrando que até 1935, Winston Churchill era um admirador de Mussolini, o ponto de inflexão foi a invasão da Abissinia que atingiu o coração do imperialismo britânico na África, e levou Mussolini ao caminho da fatídica aliança com Hitler, sua perdição e tragédia do regime e da saga mussoliniana.
No Brasil, poucos se lembram da profunda aliança de Vargas com a Itália fascista, especialmente entre 1933 e 1938, quando Mussolini enviou sua filha e colaboradora, a Condessa Edda Ciano, ao Brasil para uma viagem longa, de 80 dias. Edda Mussolini percorreu todo o Brasil sendo homenageada com todas as honras pelo regime varguista e pelas colonias italianas.
A ligação do Brasil com o fascismo se projetou na legislação trabalhista, uma cópia da “Carta del Lavoro” de Mussolini, especialmente na estrutura sindical gêmea de patrões e empregados, que perdura até hoje. No pós guerra de 1945, boa parte da elite fascista emigrou para o Brasil, entre os quais um dos fundadores principais do movimento, o Conde Dino Grandi, que morou em São Paulo de 1945 a 1951, e as filhas da Condessa Ciano e netas de Mussolini, Raimonda e Zenaida, que viveram em São Paulo até seu falecimento.


A assustadora revivescência de movimentos proto-fascistas na Itália, onde há desde os anos 80 um partido politico fascista, o MSI (Movimento Social Italiano) e outros movimentos de ultra direita na Itália, Áustria, Polônia, Hungria, França, cada qual com diferenças mas  com mecanismos parecidos e hoje também  no Brasil, traz de volta a necessidade de leituras reveladoras de Renzo de Felice e Emilio Gentile, cientistas que explicam a gênese do fascismo e que trazem a conclusão histórica definida, o fascismo como ideia e movimento sempre acaba mal, a transitoriedade é sua marca histórica.
AMA

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Às vésperas de Davos, jornal suíço Les Temps compara Bolsonaro a Pinochet e diz que ele despreza as mulheres e admira ditadores

jornal Le Temps, o único francófono na Suíça, publicou um artigo sobre Bolsonaro na última quarta feira, 16, assinado por Charles Wyplosz, comparando-o a Pinochet.


DCM. - Na semana que vem, Bolsonaro fará sua estreia internacional no Fórum Econômico Mundial, em Davos.
Ficará quatro dias na cidade, um recorde — o costume é um pernoite. Trump, Angela Merkel e Emmanuel Macron já anunciaram que não vão.
jornal Le Temps, o único francófono na Suíça, publicou um artigo sobre Bolsonaro na última quarta feira, 16, assinado por Charles Wyplosz, comparando-o a Pinochet.
Alguns trechos:
O novo presidente do Brasil despreza abertamente as mulheres e defende uma atitude particularmente agressiva em relação às populações indígenas da Amazônia. Ele é um admirador dos generais ditatoriais dos anos 70 e de todos os militares que torturaram e executaram aqueles que protestaram.
Admira ainda mais Pinochet, que executou ainda mais pessoas do que seus colegas brasileiros e entregou as chaves das questões econômicas aos Chicago Boys. Esse atalho é importante: como Pinochet era um ditador particularmente cruel, tudo o que ele fazia era nojento. (…)
Como muitos outros populistas em todo o mundo, Bolsonaro foi eleito porque, há muito tempo, os brasileiros estão desesperados. As desigualdades são terríveis. A violência atingiu níveis alarmantes. A corrupção é generalizada. O orçamento é insustentável. Na década de 1990, o presidente Cardoso, um homem de centro-direita, parou a inflação líquida que durante anos ultrapassou mil por cento. Seu sucessor de esquerda, Lula, reduziu a desigualdade por meio de programas inteligentes, especialmente na educação. Ele cedeu o poder a Dilma Rousseff, que praticava o populismo de esquerda, arrastando Lula em sua queda. (…)
O sucesso de Bolsonaro é, acima de tudo, o fracasso da política brasileira desde o retorno da democracia em 1985. Diante do crime, ele pretende responder com a força. (…)
Ele nomeou como ministro da Justiça Sergio Moro, o pequeno juiz que mandou Lula para a prisão e que parece ter feito da luta contra a corrupção e a violência o negócio de sua vida. (…) Na economia, Bolsonaro recorreu a Paulo Guedes. Com um Ph.D. em Chicago, ele é altamente competente. Fervorosamente ligado aos benefícios da economia de mercado, ele obviamente pensa nos “Chicago Boys” de Pinochet.
Mas se o Chile tem agora a economia com melhor desempenho na América do Sul, isso deve muito aos Chicago Boys. Em um país como o Brasil, devastado por lobbies e corrupção, gastos públicos de interesse mais do que duvidoso e um sistema de pensões particularmente negligente, um retorno aos fundamentos não é insano, mesmo que a luta contra a pobreza seja esquecido ou, pior, revertida. (…)
Em questões fundamentais para o Brasil – violência, corrupção, economia pervertida -, a chegada ao poder de Bolsonaro representa uma aposta. Aposta arriscada, já que o personagem é sulfuroso e inexperiente, mas não necessariamente perdida com antecedência. O que é certo é que a outra questão essencial, das desigualdades, será esquecida.
00:00/00:40Diário do Centro do Mundo
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

‘Discurso de Bolsonaro fortalece a banalização da agressão contra a mulher’, diz pesquisadora. Por Débora Fogliatto


"Ao mesmo tempo em que os números (de violência contra a mulher no início do ano) são alarmantes, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) anunciou nesta quarta-feira (9) que retiraria a pauta da igualdade entre homens e mulheres e do combate à violência contra a mulher dos livros didáticos. Após pressão popular, o Ministério da Educação voltou atrás e cancelou a portaria que determinava as alterações nas regras para o material."



Pâmela Stocker menciona que, para além do discurso, posições de Bolsonaro agora definem as diretrizes do governo | Foto: Arquivo pessoal

Publicado originalmente no site Sul21.
POR DÉBORA FOGLIATTO
Na primeira semana de 2019, foram registrados pelo menos 21 casos  e 11 tentativas de feminicídio no Brasil. Como geralmente ocorre nesse tipo de crime, na maioria deles o agressor mantinha alguma relação com a vítima, seja como marido, namorado ou ex-namorado. Apenas em dezembro do ano passado, o Ligue 180 registrou denúncias de 391 mulheres agredidas por dia no Brasil.
Ao mesmo tempo em que os números são alarmantes, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) anunciou nesta quarta-feira (9) que retiraria a pauta da igualdade entre homens e mulheres e do combate à violência contra a mulher dos livros didáticos. Após pressão popular, o Ministério da Educação voltou atrás e cancelou a portaria que determinava as alterações nas regras para o material.
Em seu material de campanha, Bolsonaro só mencionava a temática da violência contra a mulher ao mencionar o estupro. Ou seja, nenhuma palavra sobre agressões domésticas e feminicídio – termo que, aliás, ele não apoia. Quando deputado, o agora presidente votou contra a Lei do Feminicídio, aprovada em 2015, que determina a tipificação dos assassinatos de mulheres relacionados ao fato de serem mulheres. Durante a campanha eleitoral de 2018, milhares de mulheres em todo o país se uniram contra a candidatura de Bolsonaro no movimento que ficou conhecido como “ele não”.
Também em 2018, quando questionado sobre o assunto, Bolsonaro disse acreditar que as mulheres prefeririam ter ‘uma arma na bolsa’ à lei do feminicídio, acrescentando ser a favor de 30 anos de prisão para quem mata “sem motivo”. Ao longo dos anos, ele ganhou antipatia do eleitorado feminino por suas declarações machistas, tendo inclusive dito à deputada Maria do Rosário (PT), em 2014, que “não a estupraria” porque ela “não merece”.
Ao mesmo tempo, ele defende a castração química para estupradores, a qual comprovadamente não resolveria o problema da violência contra a mulher. Declarações e ações como essas, propagadas por alguém que agora se encontra na presidência da República, acabam gerando o fortalecimento da “cultura de toda herança da banalização da agressão contra a mulher”, conforme avalia a doutora em Comunicação e Informação Pâmela Stocker.
Integrante do coletivo Aquenda- Núcleo de Estudos em Comunicação, Gêneros e Sexualidades, Pâmela pesquisa justamente a respeito dos discursos relacionados à violência contra a mulher. Em 2016 e 2017, ministrou o curso de extensão ‘Gêneros, Sexualidades e Comunicação: desconstruindo normatividades e refletindo dissidências’, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), instituição onde também obteve seu mestrado e doutorado.
“A gente vem numa luta para que haja uma mudança de valores e comportamento e esse tipo de discurso vai reforçar a manutenção daqueles velhos padrões machistas e patriarcais, que de alguma forma acabam autorizando e até justificando que alguns crimes sejam cometidos”, aponta ela. Ao mesmo tempo, levando em conta que Bolsonaro já está na presidência do país, Pâmela menciona que neste momento não se trata apenas de discurso, e sim de ações de governo, o que é ainda mais preocupante.
“Já no governo [de Michel] Temer temos a extinção da Secretaria de Políticas  para as Mulheres (SPM), que na época foi incorporada ao Ministério de Direitos Humanos, e agora um novo ministério, que é das Mulheres, Família e Direitos Humanos. Então não é mais só o discurso, temos aí um novo posicionamento de governo que está ligado à justamente fortalecer essa banalização das agressões, de olhar para isso como ‘mimimi’, como algo sem importância”, destaca.
Leia o texto completo aqui.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Políticas anunciadas pelo governo Bolsonaro ameaçam direitos das mulheres, diz Debora Diniz



Foto: Divulgação/STF
Jornal GGNA antropóloga e pesquisadora do instituto Anis Debora Diniz afirmou em entrevista ao El País que as políticas anunciadas pelo governo Bolsonaro representam uma ameaça aos direitos das mulheres. Ela está exilada por conta de ameaças que vem sofrendo desde que ajudou a mover no Supremo Tribunal Federal uma ação para descriminalizar o aborto até a 12ª semana de gestação. Na semana passada, uma rede de criminalistas anunciou apoio à defensora dos direitos humanos.
“Orientadas por uma lógica religiosa messiânica, as políticas anunciadas pelo novo governo e a futura ministra [Damares Alves] colocam em risco os direitos das mulheres", comentou.
Damares Alves é pastora da Assembleia de Deus e militante contra o feminismo, o ensino de religiões de matriz afro nas escolas e pela evangelização de indígenas. Ela foi nomeada por Jair Bolsonaro para cuidar da Pasta que fundiu Direitos Humanos, Mulheres e a Funai. Na semana passada, ela anunciou que uma de suas prioridades é aprovar uma lei que garanta apoio financeiro para vítimas de estupro concluírem a gestação. A iniciativa existe ao menos desde 2015 e foi apelidada de "bolsa estupro".
Na entrevista, Diniz comentou que saiu do Brasil porque familiares, amigos e colegas de trabalho foram ameaçados por grupos extremistas. “Não saí do Brasil porque fui ameaçada, mas para proteger outras pessoas. Se as ameaças fossem somente contra mim, eu jamais sairia. Mais do que nunca, mesmo à distância, eu sigo fazendo meu trabalho. Não vão me calar.”

O site informou ainda que um grupo de criminalistas decidiu atuar em defesa de Diniz e outros militantes dos direitos humanos. A ideia é defender que o País continue sendo livre para desenvolver pesquisas, com salas de aula permeadas de "debate de ideias", sem que as pessoas morram por pensar ou defender determinadas posições políticas.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

#NotHim, #EleNão, chega aos Estados Unidos: Mourão levou Bolsonaro ao “The New York Times”, por Fernando Brito




"Ele (Mourão) deu o coice que faltava para Jair Bolsonaro alçar-se ao status de cavalgadura internacional, quando chamou as mulheres  que criam filhos sós de “fabricantes de desajustados”."

Do Tijolaço:




O General Hamílton Mourão pode se orgulhar.
Ele deu o coice que faltava para Jair Bolsonaro alçar-se ao status de cavalgadura internacional, quando chamou as mulheres  que criam filhos sós de “fabricantes de desajustados”.
Reavivou todas as fornalhas acesas por Bolsonaro e o elevou a fenômeno de grosseria no The New York Times, em texto da correspondente Sasha Darlington.
Uma campanha de mídia social chamada # EleNão – ou #NotHim – é o exemplo mais recente de como as mulheres no Brasil estão se mobilizando contra um político que chamou publicamente as mulheres de ignorantes , feias demais para estuprar ou indignas do mesmo salário que os homens . Em um discurso, Bolsonaro, pai de quatro filhos e uma filha, disse que ter uma criança do sexo feminino é um “momento de fraqueza”.
Sábado, por todo o país – e nas áreas de classe média e alta que ainda lhe são celeiros de votos – as  ruas vão se encher de mulheres sob a bandeira do “EleNão”.
E quanto mais os “minions” se mobilizam para reagir, mais pioram as coisas.
Protagonizaram, no Recife, o espetáculo dantesco do “têm mais pelos  que cadelas” para as mulheres “de esquerda” (tradução, as que não gritam pelo “Mito”). No Rio, ajustaram sua minúscula manifestação em Copacabana para receber uma tropa de centenas de ex-paraquedistas e policiais  numa corrida de “calça e coturno, com a parte superior do corpo exposta”, como determinavam seus organizadores.
Só mesmo o torso nu e a pele morena os diferenciavam dos camisas pardas de Hitler.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Mourão, vice do "coiso" e falso mito, diz que famílias chefiadas por mulheres são "fábricas de desajustados", logo ele que, filho do Mourão de 64, deseja de volta a ditadura militar... Veja a reportagem do The Intercept




"Quando não pensou meia vez para dizer que famílias pobres “sem pai e avô, mas com mãe e avó” são “fábricas de desajustados” que fornecem mão de obra ao narcotráfico, o militar feriu com gravidade a verdadeira família tradicional brasileira: a de mulheres que criam filhos e netos sem a presença masculina."

Do The Intercept Brasil:

Homenagem da família da colunista a sua tia-avó, dona Nunu, a única remanescente da linha de mulheres que por seis gerações criou a todos os filhos e netos sozinhas.
Foto: Alice Kohler


SOMOS 11,6 MILHÕES DE MULHERES DESAJUSTADAS



A FRASE do general Mourão – candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro – caiu quadrada nos ouvidos de uma parcela enorme da nação brasileira. Quando não pensou meia vez para dizer que famílias pobres “sem pai e avô, mas com mãe e avó” são “fábricas de desajustados” que fornecem mão de obra ao narcotráfico, o militar feriu com gravidade a verdadeira família tradicional brasileira: a de mulheres que criam filhos e netos sem a presença masculina. Para citar um exemplo pessoal, meu pai foi criado pela mãe e a avó. Ambas também foram criadas unicamente por suas mães e avós em locais muito carentes de tudo. Tenho seis gerações de familiares que, a julgar pelo critério do general, forneceriam matéria prima para o crime. Segundo dados do IBGE, na Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílios (PNAD), o número de mulheres que chefiam suas famílias sozinhas saltou de nove milhões para 11,6 milhões em quinze anos. Ou seja: de 2001 a 2015, houve um aumento de 20%.
Tenho seis gerações de familiares que, a julgar pelo critério do general, forneceriam matéria prima para o crime.

A polêmica da vez, como sempre, correu em memes pelas redes sociais e um deles me chamou especialmente a atenção. Para atenuar o impacto negativo da fala do candidato a vice na chapa que lidera as pesquisas, em um cenário já difícil junto ao eleitorado feminino, associaram frase do general a uma entrevista do ex-presidente americano Barack Obama ao jornal New York Times, dez anos atrás. Durante sua campanha eleitoral de 2008, o então candidato afirmava que mais da metade de todas as crianças negras vivem em lares monoparentais e que crianças que crescem sem pai têm cinco vezes mais chances de viver na pobreza e cometer crimes, nove vezes mais chances de abandonar as escolas e vinte vezes mais chances de acabar na prisão. Vejamos.


Barack Obama foi um menino negro criado apenas pela mãe, desta forma, jamais poderia dar o tom determinista que o militar brasileiro deu quando Mourão afirma que “a partir do momento em que a família é dissociada, surgem os problemas sociais. Atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai e avô, mas sim mãe e avó. Por isso, é uma fábrica de elementos desajustados que tendem a ingressar nessas narcoquadrilhas”. A diferença básica está em ser ciente da sobrecarga feminina e fazer um chamamento à responsabilidade dos homens na história toda, ao invés de associar à criação das crianças exclusivamente por mulheres à suposta existência da tal “fábrica de elementos desajustados”.
Considerando que as famílias nas comunidades mais violentas da nação são negras, a crítica do candidato a vice recai em cheio no colo das mulheres negras que são a maioria da população e que muitas vezes só possuem isso mesmo para oferecer aos seus filhos: colo. Pelo que vemos, não passou por um único minuto na cabeça do oficial culpar o acesso negado (durante muito tempo por lei) desde o Brasil colônia à educação, à saúde, ao saneamento básico e aos direitos mais primários de qualquer ser humano. Não passou por sua mente culpar a ausência do Estado no cuidado aos seus cidadãos e a exclusão nas oportunidades para justificar o surgimento de bandidos em série, mas ele não hesitou em pôr nos ombros de quem já muito carrega, o fardo de ver sua prole no beco sem saída.
O exposto acima ainda não tocou em outro ponto crucial: o da jornada dupla ou tripla de trabalho, visto que, além de trabalhar, cuidar da casa e dos filhos, a mulher muitas vezes ainda estuda. Não por acaso, os maiores índices de escolaridade são dominados pelo público feminino em todos os níveis. Ainda assim, a corrida fica ainda mais desigual na remuneração, pois em pleno 2018 as mulheres ainda ganham menos do que os homens para exercer as mesmas funções. Uma situação que é apoiada, aliás, pelo parceiro de chapa do general na já famosa frase de que “mulher deve ganhar menos porque engravida”.
O racismo e a misoginia parecem ser a principal doença crônica nacional.
Minha bisavó, Damiana da Silva Santos, faleceu com 104 anos. Ela nasceu no ano da abolição da escravidão, em 1888. Na próxima semana, Damiana completaria 130 anos de nascimento. Ela foi abandonada pelo marido, assim como também foi sua filha, Celina, e como havia sido sua mãe, Martha, nascida da Lei do Ventre Livre, e sua bisavó, Anolina, que foi seguidamente abusada pelo senhor. A mãe desta… bem, esta veio de África e, portanto, sequestrada dos seus. Conto este breve histórico familiar para dizer que o racismo e a misoginia parecem ser a principal doença crônica nacional. Um mal que não tem hora para manifestar suas pústulas, no tecido roto de uma nação dilacerada por um processo eleitoral, a meu ver, entre os mais cruéis da nossa trajetória.
Uma frase proferida pela velha Damiana como mantra e que carregamos como lema familiar é: quem tem o conhecimento, tem o poder. Nossa turma de “desajustados” está estudando, trabalhando, criando e produzindo. O narcotráfico vemos apenas pelo noticiário, pelas séries televisivas e na fala dos generais candidatos a governar um país que, pelo visto, não apenas desconhecem, mas principalmente depreciam.
Foto em destaque: Homenagem da família da colunista a sua tia-avó, dona Nunu, a única remanescente da linha de mulheres que por seis gerações criou a todos os filhos e netos sozinhas.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Voto das mulheres vira pesadelo do falso mito da extrema-direita, que não consegue com elas nem metade das intenções de votos que tem entre homens . Veja a reportagem de Mário Magalhães do The Intercept


“Nós temos que acabar com o mimimi, acabar com essa história de feminicídio”, declarou Jair Bolsonaro no ano passado. No começo do mês, o deputado falou: “Se uma pessoa matar o meu pai ou a minha mãe, eu vou me sentir triste de qualquer maneira”; “não tem que ter Lei do Feminicídio”. O candidato a presidente omitiu que o padrão é companheiro matar companheira, e não o contrário.

Do The Intercept Brasil:

SÃO PAULO, SP, 08.08.2018: PROTESTO-ABORTO-SP - Mulheres de diversos movimentos sociais participam de um protesto à favor da legalização do aborto na frente do consulado da Argentina, na avenida Paulista, região central de São Paulo, nesta quarta-feira, 08. O grupo luta pela legalização do aborto e o controle da escolha de decidir sobre o destino do próprio corpo. (Foto: Fábio Vieira/FotoRua/Folhapress)
Foto: Fábio Vieira/FotoRua/Folhapress


VOTO DAS MULHERES VIRA PESADELO DE BOLSONARO


LUÍS FELIPE MANVAILER espancou Tatiane Spitzner no carro, na garagem, no elevador, até ela despencar do quarto andar do prédio onde moravam. Se foi empurrada, morta ou viva, ou pulou em desespero pouco importa: foi assassinato. Anderson da Silva contou ter asfixiado Simone da Silva na frente do filho deles, de três anos. Ao matá-la, ele sabia que ela estava grávida.
A Justiça decretou a prisão de Pedro Paulo Barros Pereira, suspeito de ser o mandante da execução de Karina Garofalo, baleada diante de um menino de 11 anos, filho de ambos (“Papai mandou matar mamãe”, teria dito o garoto). Altamiro Lopes dos Santos agrediu até a morte Patrícia Mitie Koike. Rodrigo Bessa Paixão foi preso pela suspeita de ser o autor dos três disparos que tiraram a vida de Natasha Conceição Fonseca da Silva. Duas vezes Natasha prestara queixa de Rodrigo, por agressão e ameaça.
Na cidade paranaense de Guarapuava, no complexo do Alemão, na Barra da Tijuca, em Nova Iguaçu e Jacarepaguá, os suspeitos, acusados ou assassinos confessos eram marido, ex-marido, namorado ou ex-namorado das mulheres mortas. O gênero das vítimas foi determinante para os crimes, todos deste ano. Por isso, a tipificação apropriada é feminicídio.
De 2016 para 2017, os episódios de feminicídio subiram 22% (929 para 1.133), embora persistam resistências à aplicação da norma sancionada em 2015 por Dilma Rousseff. Os registros de violência doméstica somam anualmente 221.238, ou 606 por dia. No aniversário de 12 anos da Lei Maria da Penha, Brasília despertou com mais dois feminicídios.
Lei 13.104 alterou o Código Penal e introduziu o feminicídio “no rol dos crimes hediondos”. Definiu-o como delito “contra a mulher por razões da condição do sexo feminino”. Decorre de “violência doméstica e familiar”, de “menosprezo ou discriminação à condição da mulher”. A pena é dez anos maior do que a de homicídio. A taxa de feminicídio no Brasil é a quinta mais alta do mundo.
“Nós temos que acabar com o mimimi, acabar com essa história de feminicídio”, declarou Jair Bolsonaro no ano passado. No começo do mês, o deputado falou: “Se uma pessoa matar o meu pai ou a minha mãe, eu vou me sentir triste de qualquer maneira”; “não tem que ter Lei do Feminicídio”. O candidato a presidente omitiu que o padrão é companheiro matar companheira, e não o contrário.
No jornalismo, há quem teime em chamar de “crime passional” o que é feminicídio. Paixão e amor são uma coisa. Ódio, outra. Quem ama não mata.

Mentira tem pernas curtas

Na sexta-feira, no debate da RedeTV!, Bolsonaro perguntou a Marina Silva sobre posse de armas de fogo – para não esquecer o tema, ele consultou uma cola anotada na palma da mão esquerda. A ex-senadora mudou o rumo da prosa. Disse que o adversário desconhece “o que significa uma mulher ganhar um salário menor do que um homem e ter as mesmas capacidades, a mesma competência e ser a primeira a ser demitida, ser a última a ser promovida”.
Candidatos à Presidência da República participam do segundo debate das eleições de 2018
Marina desafia Bolsonaro no debate realizado pela RedeTV! e Revista Isto É, em São Paulo.

Foto: Diego Padgurschi/Folhapress

O concorrente do PSL contra-atacou: “Temos aqui uma evangélica que defende o plebiscito para aborto e para maconha”. A candidata da Rede viveu seu momento mais glorioso na campanha até agora: “Você acha que pode resolver tudo no grito, na violência”; “você um dia desses pegou a mãozinha de uma criança e ensinou como se faz para atirar”.
Bolsonaro encarou Henrique Meirelles. O candidato do MDB indagou sobre desigualdade salarial entre mão de obra feminina e masculina. O deputado engrossou: “É mentira que eu defendi em qualquer época da minha vida que mulher deve ganhar menos do que homem! É mentira! Não existe um só áudio, uma só imagem minha nesse sentido”.
Bastou uma visita ao YouTube para assistir ao que Bolsonaro descartara como mentira. No programa Superpop, ele se abriu: “A mulher, por ter um direito trabalhista a mais, no caso a licença gestante [maternidade], o empregador prefere contratar homem […]. Muitas vezes, por ser mulher, prefere dar um emprego ganhando menos”. A apresentadora Luciana Gimenez questionou: “O que você acha?” Ele respondeu: “Eu não empregaria com o mesmo salário”.
O repórter José Roberto de Toledo conferiu o programa de governo de Bolsonaro e descobriu: a palavra “mulher” é mencionada uma vez. “Deus”, 82.

Rogando pela morte de Dilma

No Brasil que o veterano capitão pretende administrar, o desempregoentre os homens é de 11%; entre as mulheres, de 14,2%. O de pretos alcança 15%, e o de brancos permanece aquém dos 10%. A mulher negra é a mais afetada pela falta de ocupação. Nem um terço das crianças até três anos têm acesso a creches, sobrecarregando muito mais as mães do que os pais.
A Agência Nacional de Cinema divulgou que três em cada quatro dos 142 longas-metragens nacionais que estrearam comercialmente em 2016 foram dirigidos por homens brancos, e nenhum por cineasta negra. Em junho se soube que uma mulher pobre, Janaína Aparecida Quirino, fora submetida a laqueadura por determinação judicial. Não havia diagnóstico clínico que respaldasse a ordem.
A Polícia Militar do Paraná instituiu o critério de “masculinidade” num edital para 16 vagas de cadetes. Explicou o quesito como “capacidade do indivíduo de não se impressionar com cenas violentas, não se emocionar facilmente, tampouco demonstrar interesse em histórias românticas e de amor”. Depois da grita, a PM reformulou o edital. De vez em quando eu, que me delicio com comédias românticas, choro vendo filmes; devo ser fraco em matéria de “masculinidade”.
Para contornar a obrigação de encaminhar ao menos 30% do fundo eleitoral para as mulheres, partidos as escalam como suplentes de candidatos homens ao Senado, contabilizando o dinheiro que se destina aos postulantes titulares. No “Roda Viva”, Manuela D’Ávila foi interrompida no mínimo 40 vezes pelos entrevistadores. Ciro Gomes, oito. Guilherme Boulos, nove. A deputada vestia uma camiseta com a inscrição “Lute como uma garota”.
Bolsonaro praguejou, em 2015, sobre o mandato da então presidente: “Eu espero que acabe hoje, [com ela] infartada ou com câncer, [de] qualquer maneira”.
No passado recente, Dilma tinha pelejado contra o câncer.

‘Ideologia mata!’

As mulheres vão à luta contra a injustiça e a covardia. No campus de Belém da Universidade Federal Rural da Amazônia, estudantes protestaram contra colegas que disseminaram por WhatsApp mensagens misóginas, homofóbicas e racistas. Um dos interlocutores incitou, aparentemente em referência a uma aluna: “Bora logo meter o estupro”. Outro emendou: “Estupro não, sexo surpresa”.
Na quinta-feira, secundaristas da rede carioca de colégios Pensi denunciaram no Twitter assédio sexual cometido por diretores, professores e inspetores (#AssédioÉHábitoNoPensi). Elas relataramcomentários, cantadas, carícias, abraços, toques – um conjunto de abordagens não consentidas e intimidadoras, portanto abusivas. A gota d’água foi a demissão de duas professoras que as apoiavam.
Anteontem, houve manifestações em várias unidades da rede e em outros colégios, com gurias e guris vestidos de vermelho. Uma garota carregou um cartaz que ensinava: “Quem cala as vítimas é cúmplice”. As manifestantes entoaram: “Não acabou, tem que acabar, eu quero o fim do assédio escolar!”
Jornalistas esportivas lançaram em março a campanha#DeixaElaTrabalhar, contra o assédio, o machismo e a violência de que são alvo no ambiente do futebol. Exigiram respeito. “Sai daqui, puta”, uma delas ouviu de um cafajeste travestido de torcedor, antes de ser agredida por ele. Outras foram surpreendidas por quem tentou lhes agarrar enquanto trabalhavam. Na Copa da Rússia, um cretino quis beijar a repórter Julia Guimarães, que se preparava para entrar no ar. “Eu não permito que você faça isso!”, ela reagiu altiva, em inglês. “Nunca!”
Mobilizadas por movimentos feministas e outras entidades, manifestantes acompanharam neste mês a audiência pública do Supremo Tribunal Federal que discutiu a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação –uma questão de saúde pública. O procedimento só é legalmente autorizado em casos de estupro, risco da mulher e anencefalia do feto. O Ministério da Saúde estima que no ano passado tenham ocorrido de 938 mil a 1,2 milhão de abortos provocados, quase todos clandestinos. Ao menos 224 mulheres morreram ao interromper a gestação, numa estimativa afetada por subnotificação.
Na barca Rio-Niterói, na sexta-feira, um PM contrariou-se com um passageiro que o fotografava e sacou a arma. O sargento encrencara com a candidata a deputada federal Talíria Petrone e militantes que carregavam material de campanha. A vereadora do PSOL em Niterói, contudo, não distribuía panfletos. “Arma mata!”, advertiu Talíria. “Ideologia mata mais!”, esbravejou o sargento. O fotógrafo Bruno Kaiuca filmou a truculência, documentando a grotesca tirada filosófica do policial.
Quem matou Marcos Vinícius da Silva foi um policial civil, asseguraram testemunhas. Em junho, o adolescente de 14 anos caminhava para a escola no complexo da Maré, onde morava. Sua mãe, a empregada doméstica Bruna da Silva, narrou o último diálogo com o filho. “Ele falou ‘mãe, eu sei quem atirou em mim, eu vi quem atirou em mim. Eu falei ‘meu filho, quem foi que atirou em você?’ ‘Foi o blindado, mãe. Ele não me viu com a roupa da escola’”.
Carregando a camisa escolar ensanguentada do filho, Bruna participou em São Paulo de um protesto de mães. Desabafou: “Eu criei meu filho na comunidade até os 14 anos sem tomar tiro do poder paralelo. Aí, o Estado, que era para proteger e servir meu filho, alveja e assassina ele. Não pode. Chega! Aquela blusa do meu filho é uma vergonha para o Estado e para o Brasil!”.
Hoje faz 161 dias que Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados. O crime continua sem punição.

Sufragistas

Na nova pesquisa presidencial do Ibope, Bolsonaro é o único dos oito primeiros colocados que não colhe no eleitorado feminino nem metade da intenção de votos que obtém no masculino: 13% entre as mulheres e 28% entre os homens, no cenário que Lula lidera com folga. No total, o deputado atrai 18%, atrás de Lula (37%) e à frente de Marina (6%), Geraldo Alckmin e Ciro (ambos com 5%).
O desempenho de Bolsonaro entre os homens é 115% melhor. Outro contraste expressivo, que contribui para o deputado minguar entre as entrevistadas, é de Marina: a ex-ministra atinge 15% entre elas – 50% a mais – e 10% entre eles. Se somente eleitoras votassem, a dianteira de Lula, com 39%, seria mais ampla (ele se limita a 35% no eleitorado masculino). A candidatura do ex-presidente está na iminência de ser cassada pelo tapetão.
A vantagem de Lula sobre Bolsonaro é imensa também no universo dos brasileiros mais pobres. Entre os de renda familiar até um salário mínimo mensal, o ex-presidente ganha por 53% a 12%. Entre os com mais de cinco salários, Bolsonaro prevalece, com 32% a 17%. A esmagadora maioria das mulheres pobres recusa Bolsonaro.
O problema do extremista de direita é ainda mais grave porque as mulheres compõem 52,5% do eleitorado, com 7.436.871 inscritas a mais. Elas podem fazer a diferença, sobretudo em eventual segundo turno.
Bendita a hora em que as sufragistas saíram às ruas.
Foto em destaque: Mulheres protestam a favor da legalização do aborto na frente do consulado da Argentina, em São Paulo.
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