segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Quando rompe uma barragem, a culpa "é sua", por Daniel S. Lacerda, professor e pesquisador de administração da UFRGS



 "Ora, se uma empresa observa que em tragédias ambientais as multas são frequentemente “perdoadas", a suspensão da licença de operação revertida e os processos penais arquivados - frequentemente tudo isso graças ao lobby da própria empresa e suas bancadas - que valor ela utilizará então para calcular o máximo a ser gastos em seus controles de mitigação de risco? No cálculo dos agentes econômicos auto-interessados, comprar deputados tem se mostrado uma decisão muito mais racional do que investir valores muito maiores em segurança e proteção."


Do Jornal GGN:



Quando rompe uma barragem, a culpa é sua, vou explicar por quê.
Assistindo as coberturas sobre o crime ambiental de Brumadinho, achei curioso ver as emissoras pró-Bolsonaro tentando jogar toda a culpa na Vale, enquanto a Globo empurra a culpa para a falta de fiscalização e punição do Estado. Nesse caso, elas nem precisavam brigar.
Na minha época de consultor, fiz dois projetos de Gestão de Risco, um deles na própria Vale. A Vale é obviamente culpada quando algo assim acontece, mas não mais do que qualquer empresa que trabalhe com extrativismo. Segundo as premissas de funcionamento de mercado, ela existe para dar lucro (empresa não é ONG e nem governo), e tudo tem que ser colocado em uma equação econômica para justificar os empreendimentos. Se não dá lucro, não faz.
O 'risco’ é um evento com determinada probabilidade de ocorrer. Caso esse evento ocorra, haverá um impacto. Toda empresa tem riscos em sua operação, com impactos possíveis de diferentes naturezas (econômica, ambiental, de imagem, etc). Existem duas formas de tratar o risco: mitigando seu impacto (fazendo seguro que cobrirá o sinistro, evacuando pessoas da área de impacto, terceirizando trabalhadores para não ter processos trabalhistas, etc) ou reduzindo as chances de que aconteça (implantação de alarmes, redundância de equipamento, agindo conforme a lei, etc).
Mas todas as formas de gestão de risco implicam em custo, todo controle tem um preço. A grande questão da empresa é decidir: 1) sobre quais riscos agir e quais ignorar; 2) quais medidas de tratamento de risco adotar. E é aí que entra a equação econômica, se os custos dos controles for alto demais a operação não dá lucro. Primeiro, eventos com baixa probabilidade e baixo impacto podem ser ignorados. Para os demais, multiplicando a probabilidade de um evento ocorrer (digamos 1/100.000) pelo seu impacto econômico (digamos R$50.000.000) temos o valor do risco (nesse caso R$500). Esse é o máximo que a empresa gastará no seu tratamento.
E é aqui que entra a culpa do Estado nessa história. Como a empresa transforma o impacto de uma morte em valores financeiros para fazer essa conta? Não existe nada melhor à sua disposição do que o valor da indenização paga para a família (e de perda de um funcionário se for o caso). Como calcular o impacto de uma tragédia ambiental? Pelo valor da multa paga caso isso ocorra. Todos esses valores são calculados pela jurisprudência de casos semelhantes.
Ora, se uma empresa observa que em tragédias ambientais as multas são frequentemente “perdoadas", a suspensão da licença de operação revertida e os processos penais arquivados - frequentemente tudo isso graças ao lobby da própria empresa e suas bancadas - que valor ela utilizará então para calcular o máximo a ser gastos em seus controles de mitigação de risco? No cálculo dos agentes econômicos auto-interessados, comprar deputados tem se mostrado uma decisão muito mais racional do que investir valores muito maiores em segurança e proteção.
Diante dessa ética gerencial, eu só vejo duas saídas possíveis para uma pessoa dotada de preocupações humanitárias:
1) admitir que o capitalismo é um sistema de acumulação orientado ao crescimento infinito que é incompatível com o conceito de “sustentabilidade"; 
2) acreditar que o capitalismo pode ser "social” e eleger/lutar por políticos e políticas que fiscalizem e punam de forma exemplar qualquer dano social/ambiental, concedendo licenças de operação apenas a quem seguir rigorosamente as normas.
Mas o Estado não é uma entidade abstrata autônoma da sociedade. O Estado é também a sociedade civil que pauta o que é importante ou não. Ou seja, o Estado somos nós. Então, hoje é dia de cada um reconhecer a própria parcela de culpa por Mariana e Brumadinho.
Daniel S. Lacerda é professor e pesquisador de administração da UFRGS



Do Justificando: O exílio de Jean Wyllys, os 50 anos do AI-5 e os nossos desafios atuais



 "No caso brasileiro, a Lei da Anistia serve de ilustração de como as narrativas sobre os direitos humanos sempre estiveram em permanente disputa e como os grupos minoritários ainda hoje vivenciam o que é a violência estatal, com o não cumprimento das garantias constitucionais de forma efetiva."


Do Justificando:

O exílio de Jean Wyllys, os 50 anos do AI-5 e os nossos desafios atuais

Sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

O exílio de Jean Wyllys, os 50 anos do AI-5 e os nossos desafios atuais

Foto: Marielle Franco, Jean Wyllys e Monica Tereza Benicio, viúva de Marielle, em foto publicada por Monica no dia 24/01/2019.
Por Maciana de Freitas e Souza

A memória tem uma função política a ser desempenhada neste nosso contexto atual. À propósito, pesquisa feita pelo Datafolha em 2017 [1] mostrou que 38% dos brasileiros são indiferentes a forma de atuação do Estado e acreditam que “em certas circunstâncias é melhor uma ditadura do que uma democracia”. 
Compreendemos que esta concepção se apresenta na medida em que as estratégias utilizadas pelo regime militar e ao longo de todo processo de transição no Brasil promoveram um esquecimento de determinados fatos e eventos, naturalizando os acontecimentos repressivos, a ponto de muitos brasileiros desconhecerem a opressão do período autocrático em nosso país.
No caso brasileiro, a Lei da Anistia serve de ilustração de como as narrativas sobre os direitos humanos sempre estiveram em permanente disputa e como os grupos minoritários ainda hoje vivenciam o que é a violência estatal, com o não cumprimento das garantias constitucionais de forma efetiva.
Ao tratarmos da questão do exílio, o quadro não é diferente. A edição do Ato Institucional n° 5, em dezembro de 1968, que agora em dezembro fez 50 anos, fez com que pessoas e grupos que não possuíam legitimidade frente ao poder estatal (isto é, que eram taxados de bandidos, terroristas, traidores, inimigos, comunistas…) tiveram que sair do país. Tiveram que sair para não serem presos ou executados. 
O exílio não é uma questão de escolha. Compreende-se como resultado de um contexto que não está em sintonia com as liberdades públicas básicas, liberdades necessárias para que direitos fundamentais como a vida sejam mantida. Como Assegura Decca [2]“[…] a memória histórica, ao longo de nosso século, foi sempre o instrumento de poder dos vencedores, para destruir a memória dos vencidos e para impedir que uma percepção alternativa da história fosse capaz de questionar a legitimidade de sua dominação” (p. 133).
É neste contexto que defrontamo-nos com o grande desafio da esquerda se articular novamente e reagir frente ao fortalecimento da extrema direita que através de suas narrativas e estratégias conseguiu vencer o pleito de 2018.
Quando li sobre a decisão de saída do país de Jean Wyllys e a entrega de seu cargo de deputado, pensei no nosso país, em silêncio. Este evento não deve ser visto apenas como uma ruptura política, mas enquanto um acontecimento que denota a crise institucional e política que temos vivenciado nos últimos anos com a desconstrução do Estado Democrático de Direito. Crise essa que se intensificou com o golpe de Estado que forçou a saída da presidenta Dilma Rousseff em 2016. 
Tornar pública as violações dos direitos humanos, colocar essas pautas no parlamento, na mídia e na arena pública com vistas a um processo mais amplo de emancipação social, foram as principais contribuições de Jean Wyllys quando esteve na Câmara dos Deputados. O encerramento dos trabalhos de Jean escreve uma página nova na história do Brasil pós democrático. Como assegura Casara [3]:
que há de novo na atual quadra histórica, e que sinaliza a superação do Estado Democrático de Direito, não é a violação dos limites ao exercício do poder, mas o desaparecimento de qualquer pretensão de fazer valer estes limites. Isso equivale a dizer que não existe mais uma preocupação democrática, ou melhor, que os valores do Estado Democrático de Direito não produzem mais o efeito de limitar o exercício do poder em concreto. Em uma primeira aproximação, pode-se afirmar que na pós-democracia desaparecem, mais do que a fachada democrática do Estado, os valores democráticos. (Casara, 2017, P. 21/22).
Desse modo, em favor do lucro, da circulação do capital financeiro, podemos ver a ausência de limite do poder estatal e a nossa democracia em xeque. Obrigada, Jean por persistir e existir. A luta continua! Que todas as minorias sintam-se protegidas e tenham uma vida plena. Você foi e é grande! David Miranda siga firme! Precisamos de pessoas compromissadas que lutem contrao arbítrio.
Memoria, verdade e justiça. Para que nunca mais aconteça, para que nuca mais se repita!
Maciana de Freitas e Souza é bacharela em Serviço Social pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).
Notas:
[1] https://www.dw.com/pt-br/a-lei-da-anistia-e-o-esquecimento-dos-crimes-da-ditadura-militar/a-45082182
[2] Decca, Edgar. S. (1992). Memória e Cidadania. Em Secretaria Municipal de Cultura. O Direito à Memória: Patrimônio Histórico e Cidadania (pp. 129-136). São Paulo: Departamento Patrimônio Histórico.
[3] CASARA, Rubens R R. Estado pós-democrático: neo:obscurantismo e gestão dos indesejáveis. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017.
Leia mais:
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Brumadinho, Bolsonaro e a Demagogia (Muito além dos seis minutos em Davos), por Armando Coelho Neto, advogado, delegado aposentado da PF e ex-representante da Interpol



  "O consórcio midiático-jurídico-financeiro que, violentando a Democracia, conseguiu abrir espaço para a vitória eleitoral da ultradireita no pleito de 2018, abusou das redes sociais para difundir falácias em caráter sistemático. Dentre os maiores engodos aplicados aos eleitores se incluem as pretensas prioridades à segurança e ao desenvolvimento. Valendo-se de uma argumentação neoliberal rasteira, buscou-se convencer as pessoas que, no Brasil, o Governo intervém demais na atividade econômica, enquanto o “cidadão de bem” fica desassistido na sua luta pessoal contra a “bandidagem”. Libere-se o comércio de armas e munições, aprovem-se “leis mais duras”, incentive-se as forças policiais a recorrer à letalidade e demita-se o Estado das tarefas fiscalizatórias. Promessas ou ameaças de campanha, aliás, que começam a se concretizar já nos primeiros dias de gestão."


Do Jornal GGN:

Brumadinho e demagogia (Muito além dos seis minutos em Davos), por Armando Coelho Neto

Brumadinho e demagogia (Muito além dos seis minutos em Davos)
por Armando Rodrigues Coelho Neto
Atribui-se a Tim Maia a autoria da frase “a demagogia é uma mentira mentirosa”. Sábio vaticínio.
O consórcio midiático-jurídico-financeiro que, violentando a Democracia, conseguiu abrir espaço para a vitória eleitoral da ultradireita no pleito de 2018, abusou das redes sociais para difundir falácias em caráter sistemático. Dentre os maiores engodos aplicados aos eleitores se incluem as pretensas prioridades à segurança e ao desenvolvimento. Valendo-se de uma argumentação neoliberal rasteira, buscou-se convencer as pessoas que, no Brasil, o Governo intervém demais na atividade econômica, enquanto o “cidadão de bem” fica desassistido na sua luta pessoal contra a “bandidagem”. Libere-se o comércio de armas e munições, aprovem-se “leis mais duras”, incentive-se as forças policiais a recorrer à letalidade e demita-se o Estado das tarefas fiscalizatórias. Promessas ou ameaças de campanha, aliás, que começam a se concretizar já nos primeiros dias de gestão.
No que concerne à questão do meio ambiente, por exemplo, entre outros insultos declarados pelo “mito” do conservadorismo tropical, ele ameaçou, e foi filmado, que não se pode conviver com o ambientalismo xiita do IBAMA e do ICMbio. E ameaçou dizendo que, no que estivesse ao seu alcance, iria reduzir o quadro de servidores desses organismos. Pausa para o gesto de arminhas com as mãos, criando o même “lacrador” da semana nos grupos de Whats App. Que beleza, não? Ignorância orgulhosa acima de tudo e grana acima de todos. Vamos ganhar dinheiro poluindo e desmatando à vontade. E liquidar quem estiver contrário. Só que não...
Eis que a realidade, essa inconveniente que teima em não se vergar às convicções voláteis do Facebook, faz ruir a barragem de detritos de mineração da Companhia Vale, soterrando parte do Município de Brumadinho/MG. Desastre ambiental de proporções bíblicas, somente comparável a outro de semelhante natureza, motivado pela mesma empresa no Município de Mariana/MG, em 2015. Para além das centenas de mortos, do sofrimento atroz das famílias, da aniquilação do ecossistema, da perda mesmo dos referenciais de vida das comunidades e da mudança definitiva da morfogeologia local, surge o questionamento: será mesmo tão clara a correlação entre menos fiscalização e mais economia?
Para quem defende que um País mais rico e seguro se faz com mais armas e mais policiais e com menos atuação administrativa, o equívoco já começa na incapacidade de compreender o fenômeno. Prover estabilidade social é talvez a mais complexa e difícil responsabilidade estatal, desde que se tenha em conta que é um somatório de êxitos em diversas outras áreas, em caráter transversal (perpassando desde políticas públicas de assistência e saúde da família, passam pela educação, urbanização, cidadania, participação popular e probidade administrativa).
Na trilha civilizatória, o sistema jurídico de um País elege determinados bens (vida, saúde, infância, família, patrimônio, meio ambiente, moralidade pública, dignidade humana) como valiosos para aquela Sociedade Política. E determina a sua observância e proteção em vários níveis. O Direito Penal, como se ensina em qualquer faculdade, é a “ultima ratio legis”, isto é: entra em cena quando nada mais foi suficiente para evitar a causação de um risco ou de um dano para a coletividade – ou seja, apenas quando falharam a cultura, a religião, a escola, as regras de civilidade, a auto-composição dos conflitos, as esferas estatais administrativas e a seara judicial cível. Essa ordem não pode jamais ser invertida pois, ao menos no edifício civilizatório liberal, a sanção penal se apresenta como a mais drástica. É corolário lógico, assim, não ser a primeira alternativa de mediação da conflituosidade social.
Capacitar forças de segurança, investir em equipamentos e nos salários dos policiais, dar um tratamento previdenciário condigno a quem devota sua vida à proteção dos concidadãos são medidas indubitavelmente relevantes para que se aprimore as condições de vida em Sociedade. Não se pode ter a menor ilusão, contudo, de que segurança se atinge apenas com esforços de manutenção da Ordem Pública. O exemplo desceu o morro. De que adianta, neste momento, uma investigação primorosa, excelência pericial no dimensionamento dos danos ambientais e quantificação dos mortos e feridos? Ninguém poderá restituir a normalidade das vidas dilaceradas pelo desastre em Brumadinho.
Capitão Bozo, contudo, não pensa assim. Nos inacreditáveis seis minutos (esse é o tamanho da intimidade entre o “mito” do conservadorismo tropical e sua “pátria amada”, bem como a presumível profundidade) em que “dissertou” sobre o Brasil em Davos, o mundo assistiu a um governante inseguro e despreparado vender facilidades ambientais e financeiras para que o capital estrangeiro viesse explorar nossas riquezas naturais (algo que os brasileiros, obviamente, não são capazes).
Tenha a certeza de que, se algum investimento vier, não será do tipo que nos ajudará a desenvolver economicamente o País. Por que os investidores de países desenvolvidos não pensam com a lógica superficial das mentiras contadas ao povo brasileiro para enganá-lo eleitoralmente. Mesmo sem ter ouvido Tim Maia. 
Armando Rodrigues Coelho Neto - advogado e jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo

Renato Rovai: Mourão, o militar também admirador de Ustra e saudosista da ditadura, é o acordo com o Supremo, com tudo.



Mourão é o acordo com o Supremo e com tudo. Com a Globo, o mercado (Paulo Guedes ou outro pior), a Lava Jato (Moro ou outro pior) e os militares (e tudo o que há de pior).

Do Blog do Rovai:




Não há nada mais estúpido neste momento que cair na armadilha Mourão.

Mas há uma boa parte do campo progressista que acha que ele pode ser um caminho institucional para escapar do bolsonarismo do tipo a terra é plana. Ledo engano. Ingenuidade. Burrice.

Mourão é o acordo com o Supremo e com tudo. Com a Globo, o mercado (Paulo Guedes ou outro pior), a Lava Jato (Moro ou outro pior) e os militares (e tudo o que há de pior).

Não existe caminho por dentro do bolsonarismo que seja melhor do que o próprio Bolsonaro exercer a presidência para a qual ele foi eleito.

A democracia brasileira é uma falácia. Uma caricatura de democracia. E só por isso Jean Wyllys teve que renunciar o seu mandato.

Um parlamentar não podia descer do seu apartamento para ver o eclipse da lua ou pegar uma pizza.

Era refém de um esquema fajuto de segurança que não lhe garantiu sequer fazer campanha.

Era um sequestrado público. Tinha uma vida farsa. Não errei na digitação. É farsa, não falsa.

Porque tudo que Jean não pode ser chamado é de falso.

E agora alguns militantes que respeito do campo progressista começam a se encantar com o canto da seria global, o Mourão.

Ele não é nada mais do que o arranjo da elite que pode levar o país a 20, 30 anos de inferno.

Mourão era o plano original de uma boa parte do que há de pior das Forças Armadas, que tem gente séria, mas que atualmente é minoria.

Em 2016 conversei com muitas fontes de dentro das casernas que me diziam que Bolsonaro não seria o candidato a presidente. Que o nome das Forças era Mourão ou o general Heleno. Que Bolsonaro sairia a senador pelo Rio de Janeiro.

Mas o capitão cresceu nas pesquisas e houve um acordo. Mourão se tornou vice e general Heleno foi para o cargo mais importante deste governo, o GSI. Abandonou o ministério da Defesa para estar no Palácio.

Os filhos de Bolsonaro já perceberam que tem um governo sequestrado. Estão lutando para manter o pai como líder. Mas sabem que não têm condição de lutar se não mantiverem a bateria da escola de samba ativa. Ou seja, a turma olavista sempre em pé de guerra.

Por dentro já se constrói o dia seguinte com Mourão, o Supremo, Guedes, Globo, Moro e tudo mais.

Não há nada mais burro do que chancelar este caminho, que colocará o Brasil no pior dos mundos.

Não contem com a nossa conivência e ingenuidade para isso. As Forças Armadas brasileiras não podem e não devem ser estigmatizadas e nem criminalizadas do ponto de vista político. Mas o general Mourão não é o que ela tem de melhor a oferecer ao Brasil. Muito ao contrário.

As declarações que parecem sóbrias de Mourão em meio às maluquices de Bolsonaro são uma estratégia para a conquista de um poder total por parte do que há de mais reacionário no país.

Sim, um projeto mais organizado do que o bolsonarismo. E muito mais perigoso.

Que uma parte da esquerda está comprando porque não sabe ler a bula do remédio.

Infelizmente é com isso que contamos hoje.

Mas não contem com este blogueiro para bater palmas para o grande acordo que vai nos levar a um abismo mais profundo.

Mourão não é solução. É a tragédia com a paz sem voz. É a metástase.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Clã Bolsonaro tem muito a explicar, diz Estado de S.Paulo




No editorial de opinião, jornal avalia que “uma fronteira bastante delicada parece ter sido cruzada” entre os Bolsonaros e as milícias
 
Foto: Reprodução
 
Jornal GGNO jornal O Estado de S.Paulo divulgou neste domingo (27) sua opinião oficial sobre os fatos envolvendo a família Bolsonaro e milícias do Rio de Janeiro. No artigo intitulado "Muito a explicar", o editorial destaca que o presidente Jair Bolsonaro perdeu o bom senso ao usar uma recente entrevista à TV Record para afirmar não ser "justo atingir um garoto, fazer o que estão fazendo com ele, para tentar me atingir".
 
O garoto em questão é o seu filho mais velho Flávio Bolsonaro. O senador eleito pelo PSL do Rio de Janeiro tem 37 anos. Durante seu mandato como deputado estadual, manteve como seu motorista na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) o ex-policial Fabrício Queiroz. Uma movimentação de R$ 1,2 milhão em apenas um ano na conta de Queiroz chamou a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf), deflagrando o escândalo.
 
O desenrolar da história foi piorando o lado da família Bolsonaro. O Coaf constatou que Queiroz recebia, periodicamente, em uma conta bancária sua depósitos de outros funcionários de Flávio Bolsonaro na Alerj. "Praticava-se o chamado “rachid” - nome do esquema em que os funcionários a serviço de parlamentares lhes devolvem parte do salário que recebem", pontua o editorial do Estadão ao destacar que não se trata apenas de indícios de que no gabinete de Flávio acontecia a prática de um esquema ilegal.
 
O jornal, lembra, ainda que Queiroz fez um depósito na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro e, mais grave, Flávio contratou para trabalhar em seu gabinete a mulher e a mãe de Adriano da Nóbrega, chefe do chamado "Escritório do Crime”e um dos líderes da milícia de Rio das Pedras, a mais antiga e perigosa do Rio. O grupo começou a ser desmantelado na última semana, com a operação Os Intocáveis, liderada pela Polícia Federal e Ministério Público do Rio de Janeiro.
 
"Em nota, o agora senador eleito, depois de se dizer “vítima de uma campanha difamatória com o objetivo de atingir o governo de Jair Bolsonaro”, afirmou que as duas funcionárias foram contratadas “por indicação do ex-assessor Fabrício Queiroz”. Ou seja, Queiroz, que até aqui se apresentou como um modesto motorista, tinha poder para indicar funcionários no gabinete de Flávio Bolsonaro", opina o Estadão.
 
Para o jornal, a mais recente ligação com uma das mais "terríveis milícias do Rio" só aumenta a potência do "escândalo da clã Bolsonaro". 
 
"Quando deputado estadual, Flávio disse que as milícias se dedicam a “expurgar do seio da comunidade o que há de pior: os criminosos” e que “há uma série de benefícios nisso”. Uma fronteira bastante delicada parece ter sido cruzada, e espera-se que o presidente Bolsonaro e seu filho Flávio afinal deem as explicações que a sociedade, apreensiva, aguarda", conclui. Para ler a opinião do jornal na íntegra, clique aqui. 
 

Leo Stoppa: As elites decidiram que Bolsonaro vai cair... Por isso a Globo e alguma investigação da justiça contra seu clã...


Do Canal do Leonardo Stoppa:




Dessa vez acho que Bolsonaro cai. Não é o fato de terem encontrado as movimentações na conta do Queiroz nem é porque acharam movimentações de 4 milhões de compra de imóveis por Flávio Bolsonaro que apontam para a queda do Bolsonaro. Entenda no vídeo!

Breno Altman discute os reais interesses da Globo e dos Marinhos na guerra explícita contra a Globo: Bater para negociar... A Globo quer garantir seu predomínio midiático



Do Canal do Brasil 247:




Em análise à TV 247, o jornalista Breno Altman expõe que a Rede Globo está “apavorada com Bolsonaro”. “Menos por conta da redução das verbas publicitárias e mais pelo fato dele inflar as emissoras concorrentes, principalmente a Rede Record e o STB", elucida.

Janio de Freitas: Brumadinho e Bolsonaro, tragédias permitidas por falta de fiscalizações rigorosas do Judiciário e Forças Armadas


  "Sentenças rigorosas, e em tempo admissível, para os culpados pela tragédia em Mariana levariam os administradores de barragens a fiscalizações sérias e permanentes."



As tragédias permitidas

Faltaram providências para que administradoras de barragens fizessem inspeções


A par das causas físicas e empresariais, a Procuradoria-Geral da República, os Ministérios Públicos federal e de Minas e o Judiciário destacam-se entre os responsáveis pela segunda tragédia causada por ruptura de barragem.

Sentenças rigorosas, e em tempo admissível, para os culpados pela tragédia em Mariana levariam os administradores de barragens a fiscalizações sérias e permanentes.

E à prevenção devida aos habitantes, seus bens e áreas produtivas atingíveis por possível ruptura –caso óbvio de Brumadinho.

Faltaram ainda àqueles poderes providências, por exemplo, para que todas as empresas administradoras de barragens fizessem, em seguida ao desastre de Mariana, inspeções e laudos formais em prazo determinado.

Talvez evitassem em Brumadinho o desaparecimento de tantas pessoas, colhidas na ingenuidade perversa do perigo. E por certo o fariam em outras barragens também deixadas ao seu potencial ameaçador.

Já sabemos como aqueles poderes procederão outra vez.

ESTÁ NO AR

Excluído do Exército, sob ponderações no Superior Tribunal Militar que puseram em dúvida até seu equilíbrio mental, Bolsonaro ficou à distância de sua classe por muito tempo. 
Embora refletindo-a nas opiniões e, proveito também eleitoral, nas reivindicações.

A perspectiva da candidatura à Presidência mudou sua relação com o passado.

Por utilitarismo, sem dúvida, Bolsonaro empenhou-se em ser dado como capitão, representante legítimo de todas as idiossincrasias e da radicalidade conservadora, anticultural e patrioteira da caserna. O candidato identificado com as Forças Armadas.

Os comandos do Exército aceitaram o risco dessa identificação, apesar da preocupação até revelada. Os da reserva, categoria em que as pretensões de superioridade e os sectarismos podem se mostrar mais, regozijaram-se com a atitude de Bolsonaro.

O então comandante do Exército, general Villas Bôas, que se reconhecera como um dos preocupados, formalizou a aceitação do risco, aparentando dá-lo por extinto.

Em duas semanas após a posse, a preocupação voltou a muitos. Pelo avesso, porém.

Como preocupação com a possibilidade de identificação, aos olhares internos e sobretudo externos, dos militares e seus generais com Bolsonaro, suas ideias irrealistas e o círculo familiar-religioso insustentável.

Desde a terceira semana, o lento desenrolar do caso Flávio Bolsonaro e seus tentáculos até o próprio Bolsonaro tiveram a contribuição do vexame no Fórum Econômico Mundial para agravar o estado de coisas.

Se cá fora, sem comprometimento com a situação, seus possíveis desdobramentos causam inquietações, é fácil imaginar o que se passa com a maioria dos generais, inclusive como contribuintes da identificação militar com o novo e caótico poder.

Nos últimos dias, as interpretações, análises, deduções, dos mais diversos calibres, povoaram as mentes e conversas dos próximos e dos mais atentos às várias movimentações no poder e arredores.

Admitidas exceções, entre os generais do governo militarizado e Jair Bolsonaro o ar já não é o mesmo.

Apesar do esforço, a poluição é perceptível.

Ainda não se conhece poluição que não deixe (trágicas) consequências.

Entenda o que são milícias e como esta forma mafiosa de crime organizado chegou ao poder. Reportagem do TVT.





"A recente descoberta de ligações entre Flávio Bolsonaro e milicianos do escritório do crime, despertou, mais uma vez, o alerta para a força desses criminosos. A equipe do Seu Jornal conversou com especialistas em segurança pública para explicar como essas milícias funcionam."

sábado, 26 de janeiro de 2019

Do El País: O elo entre Flávio Bolsonaro e a milícia investigada pela morte de Marielle



   "Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega. As duas mulheres são o elo entre o senador eleito Flávio Bolsonaro e o grupo miliciano Escritório do Crime, um dos mais poderosos do Rio. O grupo é também suspeito de envolvimento no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, em 14 de março de 2018. Segundo o jornal O Globo, Raimunda e Danielle são, respectivamente, mãe e mulher do capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, vulgo Gordinho, tido pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como uma das lideranças do Escritório do Crime. As duas foram lotadas no gabinete do então deputado estadual Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, mas o filho do presidente diz não ter sido responsável pelas nomeações." 

Do El País:


O elo entre Flávio Bolsonaro e a milícia investigada pela morte de Marielle

Operação Intocáveis busca miliciano que tinha mãe e mulher lotadas no gabinete do então deputado estadual.

Filho de presidente diz que nomeações foram feitas por Queiroz, que confirmou informação


Flávio Bolsonaro e caso Fabrício Queiroz

Flávio Bolsonaro ao lado do pai. 

Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega. As duas mulheres são o elo entre o senador eleito Flávio Bolsonaro e o grupo miliciano Escritório do Crime, um dos mais poderosos do Rio. O grupo é também suspeito de envolvimento no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, em 14 de março de 2018. Segundo o jornal O Globo, Raimunda e Danielle são, respectivamente, mãe e mulher do capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, vulgo Gordinho, tido pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como uma das lideranças do Escritório do Crime. As duas foram lotadas no gabinete do então deputado estadual Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, mas o filho do presidente diz não ter sido responsável pelas nomeações.
Adriano, que está foragido, foi um dos alvos da Operação Intocáveis, realizada nesta terça-feira por uma força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público. Foram presos cinco suspeitos de integrar a milícia que agia nas comunidades de Rio das Pedras e Muzema. Além do suposto envolvimento no assassinato de Marielle e Anderson, o grupo é acusado de extorsão de moradores e comerciantes, agiotagem, pagamento de propina e grilagem de terras.
Entre os detidos esta o major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira, vulgo Tartaruga, que irá a júri popular no caso da chacina da Via Show, ocorrida em 2003. Apesar disso, em 2004 o deputado Flávio Bolsonaro propôs uma “menção de louvor e congratulações” ao então capitão Pereira. Adriano também foi homenageado. Tanto Ronald como Adriano foram ouvidos em 2018 pela Delegacia de Homicídios como parte das investigações caso Marielle.
Apesar do foco da ação desta terça ser o combate às milícias, a operação deve desgastar ainda mais o primogênito do clã Bolsonaro no caso Queiroz. Isso porque, além do parentesco com um suspeito do envolvimento na morte de Marielle e Anderson, Raimunda é mencionada no relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras como sendo responsável por parte dos depósitos feitos na conta do ex-motorista Fabrício Queiroz. Ela e Danielle foram exoneradas do gabinete de Flávio em 13 de novembro, segundo consta no Diário Oficial.
Em nota, Flávio afirmou ser "vítima de uma campanha difamatória com o objetivo de atingir o Governo de Jair Bolsonaro". Segundo ele, "a funcionária que aparece no relatório do Coaf foi contratada por indicação do ex-assessor Fabrício Queiroz". De acordo com o senador, ele não pode "ser responsabilizado por atos que desconheço". Horas depois, o próprio Queiroz confirmou, por meio de nota divulgada por sua defesa, que veio dele a indicação para a contratação, um ato de solidariedade com a família, “que passava por grande dificuldade, pois à época ele [Adriano Nóbrega] estava injustamente preso, em razão de um auto de resistência”.
Não é a primeira vez que o clã Bolsonaro se vê envolvido na discussão sobre milícias. Em 2008, época em que ainda era deputado federal, Jair chegou a defender a atuação destes grupos criminosos no plenário da Câmara. "Existe miliciano que não tem nada a ver com 'gatonet' e venda de gás. Como ele ganha 850 reais por mês, que é quanto ganha um soldado da PM ou do bombeiro, e tem a sua própria arma, ele organiza a segurança na sua comunidade", afirmou. Em outra ocasião, naquele mesmo ano, o capitão da reserva foi ainda mais direto: “Elas oferecem segurança e, desta forma, conseguem manter a ordem e a disciplina nas comunidades. É o que se chama de milícia. O governo deveria apoiá-las, já que não consegue combater os traficantes de drogas".
Queiroz é citado no relatório do Coaf após ter sido identificada uma movimentação atípica no valor de 1,2 milhão de reais em sua conta entre 2016 e 2017, valor incompatível com seus vencimentos de assessor parlamentar segundo o órgão. De acordo com ele, o valor seria fruto de operações de compra e venda de carros usados. Depois que o caso veio à tona, o ex-motorista de Flávio desapareceu. Segundo o colunista do Globo, Lauro Jardim, ele ficou abrigado por duas semanas em uma casa na comunidade Rio das Pedras, onde a milícia alvo da Operação Intocáveis agia.
Nos últimos dias documentos do Coaf divulgados pelo Jornal Nacional apontam que Flávio realizou um pagamento milionário de título bancário, além de ter recebido 96.000 reais pagos em espécie, em vários depósitos de 2.000 reais. Ele afirma que o título é referente ao pagamento de um imóvel adquirido na planta, e que os depósitos são fruto da venda de um apartamento - o comprador, Flávio Guerra, confirma a compra. Segundo ele, a opção por realizar vários depósitos no caixa eletrônico foi feita para evitar "pegar fila" na agência bancária.
A reportagem não conseguiu entrar em contato com a defesa dos acusados.