quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Sergio Moro, o parcial e oportunista ex-juiz construído pela Globo e os EUA, já não tem salvação. Mas e os outros? Bolsonaristas esperam ganhar para terem imunidade parlamentar e terem seus crimes prescritos

 

"Se forem eleitos, os investigados e processados do bolsonarismo estarão contando tempo para esquecimentos e prescrições", diz o colunista Moisés Mendes

Por Moisés Mendes, do Jornalistas pela Democracia

www.brasil247.com - Ato contra a impunidade, Planalto, Flávio, Jair, Eduardo e Carlos Bolsonaro

Ato contra a impunidade, Planalto, Flávio, Jair, Eduardo e Carlos Bolsonaro (Foto: ROBERTO PARIZOTTI | ABr | Roberto Jayme/TSE/Ascom)

Sergio Moro já não tem salvação. Mas e os outros?

Sergio Moro não volta mais na segunda temporada. Já morreu fazendo vários personagens, como juiz, ministro de Bolsonaro, futuro ministro do Supremo e como consultor.

E agora vai morrendo aos poucos também como pré-candidato a presidente. Moro foi um quase isso e quase aquilo várias vezes nos últimos seis anos.

Quase foi o maior juiz brasileiro de todos os tempos, quase foi o homem de confiança de Bolsonaro, quase protegeu os filhos do sujeito, quase ganhou uma cadeira no STF, quase foi diretor de fato da Alvarez e Marsal e quase foi levado a sério como candidato a presidente.

Moro não entregou nada do que prometeu do jeito que foi prometido. Pode ter entregue o encarceramento de Lula, mas fez um serviço sujo e mal feito e acabou fracassando. Lula nunca esteve tão forte.

Moro é o melhor exemplo dos fracassos da direita e uma explicação para a existência de Bolsonaro como opção extremista para os brasileiros desamparados pelo tucanismo.

Se os tucanos morreram e se a terceira via não existe, resta Bolsonaro. Moro é um dos inventores de Bolsonaro, com a Globo, os empresários da Fiesp, o mercado, os colegas da Justiça e as omissões do Supremo.

O chefe de Deltan Dallagnol iludiu a classe média que antes era apenas coxinha e agora convive com nazifascistas. O ex-juiz enganou quem quis ser enganado com o que seria uma caçada moralista aos corruptos.

Mas o próprio Moro deve se perguntar: eu cheguei ao fim, mas e os outros? E os cúmplices do lavajatismo? E os grandes criminosos da área privada, incluindo sonegadores, contrabandistas e lavadores de dinheiro vestidos de verde-amarelo?

Moro é um caso a caminho de um desfecho político e de um sério impasse judicial. Falta enfrentar o resto. Os patrocinadores do gabinete do ódio (que é muito mais do que uma fábrica de fake news), grileiros, garimpeiros e perseguidores de jornalistas que expõem seus rolos.

Falta pegar, e talvez nunca peguem, as facções da cloroquina e das vacinas superfaturadas. Falta, sempre vai faltar, Aécio Neves, que ficou pra trás.

Muitos deles vão obter ou renovar imunidades, conseguindo ou reafirmando algum mandato para alguma coisa na eleição deste ano.

Não serão poucos. Militantes da extrema direita se socorrem do que combatem para ter a proteção da democracia. O voto vai tornar inimputáveis, talvez por muitos anos ou para sempre, figuras investigadas pelos mais variados crimes.

Podem ficar imunes e impunes, além dos filhos de Bolsonaro, Eduardo Pazuello, Damares Alves, Onyx Lorenzoni, Ricardo Salles, Braga Netto, o véio da Havan, Fabrício Queiroz, Daniel Silveira.

O pessoal da direita e da extrema direita desfruta de um recurso inacessível à maioria, em especial a negros e pobres. Eles gozam com frequência da prescrição, algo raro quando o réu não tem dinheiro e bons advogados ou é de esquerda.

Se forem eleitos, os investigados e processados do bolsonarismo estarão contando tempo para esquecimentos e prescrições.

A prescrição é a anistia de muitos pilantras que sonegam e têm contas no Exterior. E com a imunidade, tudo ficará mais fácil.

Sergio Moro, que já foi juiz, mesmo que um juiz suspeito, sabe como a prescrição bem gerida corre solta no Judiciário. Mas para ele, como candidato moribundo a presidente, não há saída.

Moro está num brete do qual só conseguirá se livrar se andar em marcha a ré e buscar a proteção de um mandato parlamentar, para sentar-se no Congresso ao lado de Queiroz e de Damares. Sergio Moro é hoje a maior vítima do lavajatismo.

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Reinaldo Azevedo: Quebra de sigilo de Moro e 12 braços da norte-americana Alavrez &Marsal

 

Do Canal BandNews FM:




Putin para Otan: Beijo, me liga. Debate sobre geopolítica com Fernando Horta & Gustavo Conde

 

Do Canal de Gustavo Conde:

Depois do amadorismo e da irresponsabilidade de Biden em assediar a Ucrânia para a Otan, Putin faz uma imensa limonada: finca pé novamente no leste da Ucrânia e captura o discurso da manutenção da paz.

É uma das maiores derrotas estratégicas da história dos EUA.



Bob Fernandes: Guerra à caminho no hemisfério norte? Mandem o Jair. No Brasil, a falta de vergonha na cara

 

Do Canal do Analista Político Bob Fernandes:



CRÉDITOS Direção Geral: Bob Fernandes Direção Executiva: Antonio Prada Produção: Eliano Jorge Edição: Mikhael Theodoro Arte e Vinhetas: Lorota Música de abertura e encerramento: Gabriel Edé Este é um vídeo do canal de Bob Fernandes. Vídeos novos todas terças e quintas, sempre, e demais postagens a qualquer momento necessário.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Vídeo Extra do Portal do José: URGENTE! Putin eleva o tom! Tropas em movimento. OTAN em xeque. Biden sumiu? Conflito chega aqui?

 

Do Canal Portal do José:

22/02/2022 - Faltam 222 dias para mudarmos o rumo do Brasil. Mas o mundo se encontra em tensão absoluta. O que isso pode acarretar ao Brasil? Faremos uma análise de alguns fatos desconhecidos aqui no Brasil para que entendamos melhor o momento das tensões mundiais. Sigamos.

Vídeo 01:

Vídeo 02:


22/02/2022- 222 dias para as nossas eleições presidenciais. Teremos muito o que debater. Mas até lá, estamos com as nossas atenções voltadas à possibilidade de um conflito de grandes proporções.

Putin está demonstrando que está respaldado pelas forças políticas e militares em seus país.

Hoje o parlamento russo aprovou por uma unanimidade incrível, os atos de Putin no dia de ontem. Reconhecimento de duas novas nações e continuidade nos atos políticos externos que reforcem suas posições.
Será crível que Biden falará algo importante nesse momento? Prometerá sanções econômicas e não outras sanções. Falará de democracia e liberdade. Blá Blá Blá! Bidem fala pelos interesses dos grupos econômicos de seu país! Putin se mostra um estadista capaz de mexer no tabuleiro da geopolítica com maestria.
Os EUA estão sem condições de realizarem sanções além das econômicas. Russos não sentirão nada com essas medidas.
Aqui, Bolsonaro continua a rebolar na cadeira presidencial sem saber o que fazer, onde ir e com quem falar em meio ao conflito.
Lunáticos continuam a sofrer as consequências de seu negacionismo, teimosia e burrice política. Perdemos todos, mas os seguidores de Bolsonaro estão mais expostos aos danos provocados por acreditarem em um insano à frente de nosso país.
Lamentável. Sigamos.

PRONUNCIAMENTO DETERMINANTE - PARA TRADUZIR USE FERRAMENTA GOOGLE https://www.youtube.com/watch?v=lJl6u... MERCENÁRIOS NA UCRÂNIA https://time.com/6076035/erik-prince-... BORIS https://www.youtube.com/watch?v=v9YnD... ZELENSKY AMEAÇA https://www.youtube.com/watch?v=-QqwP... https://www.youtube.com/watch?v=kcKWu... https://www.youtube.com/watch?v=KbnY3...


A herança maldita de Bolsonaro, por Paulo Kliass

     "Bolsonaro promoveu e ainda está promovendo uma terrível destruição do Estado brasileiro. Ao longo de seus mais de três de (des)governo, o ex capitão defensor da tortura e da pena de morte também avançou em um impressionante processo de desmonte das políticas públicas."



A herança maldita de Bolsonaro

por Paulo Kliass

A cada nova divulgação de pesquisa de opinião a respeito das tendências para as eleições de outubro próximo, observam-se movimentos diversos por parte da maioria dos atores e forças políticas em nosso País. O fato inequívoco é a consolidação da candidatura de Lula em primeiro lugar, seguido de Bolsonaro bastante atrás. A possibilidade de viabilização de uma terceira via parece não apresentar mais fôlego eleitoral nem capacidade de articulação partidária para seguir o jogo até o fim.

Mas o que mais interessa é o risco de um comportamento do tão famoso quanto perigoso espírito do “já ganhou”, que parece estar tomando conta da direção da campanha do ex presidente. É sempre importante reter algumas máximas dos mais experientes na dinâmica de disputas eleitorais. Uma delas diz que “pesquisa é fotografia e processo eleitoral é filme”. Assim, por mais que uma série longa de fotogramas possa constituir uma ação em movimento, o fato é que não se pode considerar esse difícil jogo como estando já definido por antecipação. Bolsonaro é ainda um animal vivo, com muitas ferramentas a seu dispor para delas fazer uso até o mês de outubro.

Vamos lembrar que a condição de Presidente da República lhe oferece a possibilidade de lançar mão do “poder da caneta” para distribuir favores, cargos e verbas em sua busca pela ampliação de sua aceitação no universo político-eleitoral.  A subestimação da capacidade de Bolsonaro eventualmente conseguir recuperar pontos nas próximas sondagens pode provocar surpresas desagradáveis na reta de chegada do pleito, marcado para daqui alguns poucos meses.

Lula para mudar.

A única preocupação que parece dominar a agenda do comitê que centraliza a campanha de Lula reside na ampliação de contatos em direção ao centro e à direita do espectro político e partidário. Parece óbvio que articular um candidato a vice-presidente com o perfil de Geraldo Alckmin é uma ação estratégica necessária que deve colaborar para facilitar o trânsito do candidato em setores da elite que não aceitariam tão facilmente votar em Lula desta vez. No entanto, a tática de jogar parado em uma campanha que promete ser bastante tensa – e até mesmo bem violenta – oferece ao adversário a possibilidade de também definir as condições em que se dará a disputa.

Bolsonaro promoveu e ainda está promovendo uma terrível destruição do Estado brasileiro. Ao longo de seus mais de três de (des)governo, o ex capitão defensor da tortura e da pena de morte também avançou em um impressionante processo de desmonte das políticas públicas. Apesar de Paulo Guedes não ter logrado êxito em sua promessa de entregar um Estado-zero no final de 2022, o fato concreto é que a privatização de empresas em setores estratégicos na área de energia é bastante complicadora para a capacidade de recuperação do necessário protagonismo do setor público em áreas tão sensíveis da economia e da sociedade.

Estão aí os casos da Petrobrás e da Eletrobrás para demonstrar que a definição de tarifas de bens e serviços essenciais não pode ser objeto apenas das chamadas “leis de mercado”. Esta é apenas uma das inúmeras facetas da herança maldita a ser deixada por Bolsonaro para um futuro governo que o derrote nas eleições de outubro. Esta bomba de efeito imediato e futuro deve ser desativada o mais rápido possível e a campanha de Lula não pode se omitir a esse respeito. Não basta apenas fazer declarações genéricas a respeito de necessidade de mudanças nas políticas de preços de derivados de petróleo – outro crime contra a economia nacional que vem sendo cometido de forma sistemática, desde a consumação do golpeachment contra Dilma Roussef e a chegada de Michel Temer ao Palácio do Planalto.

Aproximar a campanha da população.

É fundamental que o novo governo deixe claro à população a necessidade de recuperar a soberania nacional em termos energéticos. Isso significa apontar de forma cristalina a necessidade de reestatização das empresas do setor que foram vendidas ao capital privado, a exemplo da BR Distribuidora e de subsidiárias do grupo Eletrobrás. Além disso, é preciso que seja alterada a orientação atual de que o Brasil continue exportando óleo bruto e importando gasolina e óleo diesel, por exemplo. Com isso, pode-se retomar a condição de autossuficiência na cadeia do petróleo. A exploração das novas reservas permitida pelas descobertas do Pré Sal deve ser articulada com a retomada das condições de refino nas unidades da Petrobrás espalhadas por todo o território nacional.

O governo Bolsonaro estabeleceu uma lista de oito refinarias da Petrobrás a serem privatizadas. Deste total, três já tiverem seus processos concluídos e foram repassadas ao capital privado. Trata-se das unidades de refino na Bahia (RLAM), no Amazonas (REMAN) e no Paraná (unidade de industrialização do xisto – SIX). A manutenção da capacidade de refino em escala nacional nas mãos do Estado é condição fundamental para a reversão da atual crise na área energética. Atrelar os preços de gasolina, óleo diesel e gás de cozinha praticados nas refinarias às oscilações verificadas no mercado internacional das “commodities” é abrir mão de soberania nacional e praticar uma dependência absolutamente desnecessária em relação à especulação existente nas transações globais do petróleo.

A mudança praticada na institucionalização da independência do Banco Central (BC) também se apresenta como outra explosiva herança maldita do bolsonarismo a ser deixada para um governo que o suceda. A partir da aprovação da Lei Complementar nº 179, de 24 de fevereiro de 2021, as novas regras de funcionamento da autoridade monetária estabelecem a existência de um mandato de 4 anos para os diretores do BC. Assim, o atual presidente da instituição nomeado por Bolsonaro vai ficar no cargo até a metade do próximo mandato do Presidente da República. Além da questão ideológica envolvida na matéria, relacionada à impossibilidade de o chefe do Estado atuar diretamente em um segmento essencial do comando da política econômica, o fato concreto é que a permanência de alguém com o perfil ultramonetarista e conservador, como é o caso de Roberto Campos Neto, à frente do Banco pode operar como um sabotador de qualquer expectativa de redirecionamento do projeto governamental em direção ao rumo desenvolvimentista.

Superar a herança maldita: privatização e armamento.

Outro aspecto fundamental refere-se ao legado a ser deixado pela passagem de Bolsonaro pelo poder na esfera das milícias. Sua estratégia de estimular o armamento generalizado da população e seus constantes apelos à intervenção política das forças ligadas ao submundo do crime e das práticas paramilitares pode operar como contraponto a uma desejável transição democrática do poder na esfera federal. Depois de editar vários decretos facilitando o porte de armas pela população, observou-se um crescimento de mais de 70% no número de armas oficialmente registradas, sem contarmos a expansão igualmente expressiva do armamento ilegal e clandestino. Atualmente o total de revólveres, pistolas, espingardas e fuzis devidamente legalizados junto aos órgãos responsáveis já supera a assustadora marca de 1,5 milhão. Os elogios públicos de seu entorno político mais próximo a ações claramente golpistas e violentas, como foi a tentativa do putsch do Capitólio pela tropa trumpista nos Estados Unidos, oferece o risco envolvendo as próximas eleições aqui no Brasil.

Ora, frente a um quadro complexo como esse, parece evidente que não basta o sentimento equivocado da campanha de Lula de que as eleições já estão ganhas por antecipação. Além de derrotar Bolsonaro nas urnas, é necessário assegurar a posse do vencedor em primeiro de janeiro do ano que vem. Por outro lado, é igualmente fundamental contar com apoio no interior da nova composição do Congresso Nacional para conseguir os votos necessários para que sejam desativadas as bombas da herança maldita que dependem de alteração de regras legais e constitucionais.

Para tanto, a campanha de Lula precisa contar com apoio popular maciço. O Brasil necessita voltar a mostrar a sua cara, com a população se manifestando e expressando nas ruas o seu desejo de mudança e a direção das alterações que se fazem necessárias. A criação de comitês de apoio à candidatura do ex presidente por todo o território nacional permitirá a popularização do movimento e a aproximação do povo ao espírito da campanha mudancista. Isso permitirá mobilizar e debater as perspectivas de um novo governo nos bairros, nos locais de trabalho, nas escolas, nas igrejas, nas universidades, nos campos, enfim por toda a parte. Por outro lado, a apresentação de candidatos experientes no campo da esquerda e com força política para ocupar os cargos em disputa para a Câmara dos Deputados e para o Senado Federal são passos essenciais para que a herança maldita seja desfeita e que o Brasil consiga recuperar o caminho do desenvolvimento com redução das desigualdades de toda sorte.

Os desafios são muitos e as dificuldades a serem superadas também. Apenas manter o clima da campanha na chamada “articulação por cima” não será suficiente para ganhar nem para governar na direção desejada. A introdução do ingrediente da participação popular e a aproximação do espírito mudancista com a capacidade de mobilização do povo brasileiro deverão atuar como um contrapeso em direção à superação da herança maldita do bolsonarismo.

Paulo Kliass é doutor em economia e membro da carreira de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental do governo federal.

Ruína institucional é legado deplorável dos Anos Temer-Bolsonaro. Remover esse entulho é desafio da campanha para o Congresso. Artigo de Luís Costa Pinto

 

Em menos de 7 anos, a dupla Michel Temer e Jair Bolsonaro fez o País retroceder à desordem que as instituições democráticas experimentaram na ditadura militar




Por Luís Costa Pinto – Por seis meses, em seu primeiro mandato, o ex-presidente Lula conviveu com Geraldo Brindeiro como procurador-geral da República. Esgotado o mandato daquele que se perpetuou como “engavetador-geral”, em de 30 de junho de 2003 tomava posse na PGR Cláudio Fontelles, o mais votado da lista tríplice entregue pelos Subprocuradores-gerais à Presidência.

Ao nomear Fontelles, Lula inaugurou a tradição – só seguida por ele e por Dilma Rousseff – de prestigiar a decisão autônoma do Ministério Público Federal. Em 2005, o escolhido foi Antônio Fernando de Souza, que meses depois tentaria virar uma espécie de “paladino” anticorrupção patrocinando ações espetaculosas no âmbito do “escândalo do mensalão”.

Passaram-se dois anos e Antônio Fernando traiu a categoria, apresentando seu nome para novo mandato e sendo o vitorioso em nova lista tríplice. Lula o nomeou, quando podia não fazê-lo se tivesse usado os métodos que Michel Temer consagraria no futuro – fazendo de Raquel Dodge, segunda mais votada na lista a seu tempo – a escolhida para o posto depois da usurpação do poder na esteira do golpe de 2016. Com desfaçatez inédita, Bolsonaro superou Temer nomeando e renomeando Augusto Aras, que sequer se submeteu ao escrutínio dos Subprocuradores federais, em 2019 e em 2021.

Há que se perguntar, numa remissão histórica e olhando para trás, a Lula e a Dilma Rousseff, a ex-presidente que nomeou Roberto Gurgel, sucessor de Antônio Fernando e patrocinador da denúncia da Ação Penal 470 (Mensalão) no Supremo Tribunal Federal em 2011, e Rodrigo Janot, o permissivo PGR que viu nascer e deu asas à “Força Tarefa da Lava Jato”: valeu a pena seguir a institucionalidade?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

The Intercept: MORO NEGOCIOU DUAS PALESTRAS A R$ 77 MIL COM ATIVA INVESTIMENTOS PARA DISCUTIR CAMPANHA ELEITORAL

 

Encontro sigiloso no Rio com plateia selecionada debateu propostas e viabilidade financeira da campanha. Assessoria diz que dia foi ‘sem agenda’.


    Foto: Patricia de Melo Moreira/AFP via Getty Images


19 de Fevereiro de 2022, 7h20


NA TERÇA-FEIRA, 15 de fevereiro, o pré-candidato a presidente Sergio Moro estava no Rio de Janeiro. Sua assessoria afirmou que ele não teve agenda. Mas um contrato ao qual o Intercept teve acesso revelou a provável razão da viagem: Moro participou de uma reunião fechada com gestores do mercado financeiro selecionados a dedo pela empresa contratante, a carioca Ativa Investimentos. Embora o assunto tratado tenha sido a campanha, o encontro foi remunerado: o contrato revela que Moro e seu agente negociaram R$ 110 mil para falar em palestras para os gestores financeiros no Rio e em São Paulo.

Deste montante, R$ 77 mil são para empresa do ex-juiz, a Moro Consultoria e Assessoria em Gestão Empresarial de Riscos LTDA. O pagamento será feito “em 2 (duas) parcelas iguais e sucessivas de R$ 38.500,00 (trinta e oito mil e quinhentos reais) cada, com vencimento no dia 10 de fevereiro de 2022 e 28 de fevereiro de 2022, respectivamente, mediante emissão de nota fiscal e depósito em conta bancária de titularidade desta, a ser oportunamente informada”. Segundo o contrato, cada “encontro” deve durar duas horas.

Entre os assuntos tratados no primeiro encontro, estava a viabilidade financeira e o programa de governo do ex-juiz. A Lei Eleitoral permite que um pré-candidato possa apresentar a pretensão de se candidatar, dar entrevistas e falar de projetos, mas sem pedir voto. No entanto, não há clareza sobre a contratação de uma empresa do pré-candidato para que ele apresente suas propostas de governo de forma remunerada.

Os demais R$ 33 mil do contrato, um terço do valor, são para pagamento, nas mesmas datas e condições, à empresa Delos Produções Culturais Ltda, que é um braço do grupo DC Set Participações, controlado por Jorge Sirena, marqueteiro de Moro. Dody Sirena, como é conhecido, também é empresário do cantor Roberto Carlos e foi multado em março do ano passado em R$ 25 mil pelo Banco Central por não ter declarado dentro do prazo bens e valores que mantinha no exterior. À época, Moro já tinha deixado o governo Bolsonaro e fechado contrato com a empresa de Sirena para que o empresário promovesse suas palestras na área corporativa e cuidasse de sua imagem.

A empresa Delos Produções Culturais Ltda consta no contrato como “interveniente anuente”, ou seja, uma terceira pessoa que pode ser afetada ou beneficiada pela negociação entre contratante e contratado. O documento considera que a empresa de Dody “está apta a agenciar e administrar os interesses e atividades” da empresa de Moro. Questionei Sirena e Moro sobre a relação que ambos possuem e a participação de cada parte no evento, mas não obtive resposta.

O contrato – que não será publicado para preservar a fonte – também tem cláusulas de confidencialidade. Isso talvez explique por que não foram divulgadas fotos e nenhuma das partes do contrato confirmou ou negou o evento. Um dos itens do documento chama a atenção para o fato do palestrante ser pré-candidato. A “CONTRATADA [empresa de Moro] declara-se ciente de que o Palestrante é pré-candidato a Presidente da República e que, consequentemente, as datas dos Encontros deverão, necessariamente, observar as restrições do calendário eleitoral, conforme legislação vigente”, diz o documento.

O documento de 10 páginas, com as informações sobre local, data, participantes e condições do encontro foi entregue ao Intercept por uma fonte anônima antes de a reunião acontecer. Todas as partes assinaram esta versão do contrato, exceto o ex-juiz. O acordo foi firmado pelo diretor e representante da Ativa Investimentos, Attilio de Souza Mello Boselli, e do procurador da empresa, Guilherme Uchôa Coelho, por meio de assinaturas digitais. Constam também a assinatura do diretor da Delos, Rodrigo Bertho Mathias, e de duas testemunhas, Talitha Angelo da Silva, advogada da Ativa, e Amauri Carvalho, não identificado por seu cargo.

O documento estipula que cabe à contratante, Ativa Investimentos, arcar com todos os “custos que, direta ou indiretamente, for (sic) relacionada à realização dos Encontros e da participação do Palestrante”, assim como “as licenças, impostos e taxas incidentes sobre a realização dos Encontros”.

A empresa de Moro que aparece no contrato é a mesma que ele utilizou para prestar serviços à consultoria Alvarez & Marsal, nos Estados Unidos. O Tribunal de Contas da União investiga o eventual conflito de interesse e os ganhos do ex-juiz com a empresa, que tem entre os clientes companhias que foram alvo de decisões da Lava Jato tomadas por Moro.

Em 28 de janeiro, para explicar os valores que recebeu no seu período junto a Alvarez & Marsal, Moro fez uma live ao lado do deputado federal Kim Kataguiri, do MBL e do DEM de São Paulo. Durante a apresentação, Moro disse que embolsou R$ 3,6 milhões por cerca de um ano de trabalho, entre novembro de 2020 e outubro de 2021.

Durante a transmissão, Moro defendeu que todos os candidatos à Presidência abrissem suas contas e dessem transparência a seus rendimentos. No entanto, ao contrário do que ele prega, o ex-juiz não quis esclarecer os R$ 77 mil que constam do contrato com a Ativa Investimentos. Procurei pela sua assessoria entre os dias 16 e 18 de fevereiro, e, apesar de terem recebido meus questionamentos, não deram respostas sobre o contrato, a reunião com a Ativa Investimentos e a relação com empresário e marqueteiro Dody Sirena.

Dody Sirena e Sergio Moro.

Empresário de Roberto Carlos, Sirena se tornou responsável por promover as palestras de Moro e cuidar de sua imagem. Mas, apesar do pagamento de R$ 33 mil, ele não estava no encontro no Rio, segundo um dos presentes.

 

Foto: Reprodução/Instagram

Reunião às escondidas

Das duas reuniões previstas no contrato, uma estava agendada para as 10h30 de 15 de fevereiro, no luxuoso hotel Janeiro, no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro.

No dia 15, a assessoria de Moro me informou que ele não teve agenda naquela data. Já a assessoria de imprensa da Ativa Investimentos confirmou apenas que “periodicamente, faz encontros e palestras com personalidades públicas para clientes institucionais da corretora”, mas não confirmou ou negou o encontro com Moro. Na nota, informou também que “os eventos são reservados para convidados e com o único objetivo de traçar os melhores cenários econômicos para seus clientes”.

A recepção do hotel, por telefone, me informou que não poderia passar tais informações. Naquele mesmo dia, a reunião foi noticiada no jornal O Globo, sem informações sobre a remuneração a Moro, os participantes, o nome da empresa Ativa Investimentos e a relação entre Moro e os empresários. Um dos temas do encontro, segundo a colunista Malu Gaspar, foi a viabilidade financeira da campanha de Moro.

O ex-ministro do ex-presidente Michel Temer, Carlos Marun, do MDB, me confirmou a realização do encontro no local, a hora e os participantes descritos no contrato. “O candidato Moro expôs seu plano inicial de governo, suas ideias iniciais e se estabeleceu quase um bate-papo, já que era esse o objetivo. Um encontro pequeno onde as coisas pudessem ser conversadas com tranquilidade”, me disse Marun.

O emedebista me confirmou que Moro se apresentava como pré-candidato no encontro e tratava de propostas de um eventual governo.

Pedi à especialista em contabilidade eleitoral Denise Goulart Schlickmann, membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, uma avaliação sobre a legalidade do encontro. Fiz um questionamento hipotético, citando as informações desta reportagem, sem revelar o nome da empresa Ativa e de Sergio Moro.

Schlickmann considerou que há uma zona cinzenta na legislação sobre regras para pré-candidatura e que apenas se esse caso específico fosse analisado juridicamente pelas autoridades eleitorais poderia se avaliar, por exemplo, uma doação de dinheiro realizada por uma pessoa jurídica, o que é proibido pela lei.

“Nesse período de pré-campanha, como ele não está regulamentado, a única coisa que podemos dizer com segurança na lei das eleições é que o partido político pode promover eventos. Mas o pré-candidato não. Ele está sempre sujeito a uma avaliação da Justiça Eleitoral que pode não ser favorável”, comentou.

“O melhor dos mundos seria ter isso [a regulamentação] às claras. O que, efetivamente, as pessoas podem ou não fazer. Usar uma pessoa jurídica, se for isso realmente o que aconteceu, pretensamente a seu favor, de sua propriedade ainda, com certeza não seria uma prática considerada lícita”, concluiu ela.

Sergio Moro, Brazil's minister of justice, speaks during the Brasil Investment Forum in Sao Paulo, Brazil, on Friday, Oct. 11, 2019.

Moro superou as antigas diferenças para a ‘conversa tranquila’ sobre seu plano de governo.

 

Foto: Patricia Monteiro/Bloomberg via Getty Images

Régua moral

Por uma ironia da conjuntura, na terça-feira, Moro se sentou à mesa com um crítico do seu trabalho como juiz. Em 2019, enquanto trabalhava na defesa política de Cunha, Carlos Marun acusou os procuradores da Lava Jato de medirem “os outros por sua pequena ou inexistente régua moral”.

Mediador do evento na Ativa, Marun ficou conhecido como um dos principais membros da tropa de choque do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do MDB, e ajudou a dificultar a cassação do colega parlamentar o quanto pôde. Com a ascensão de Michel Temer ao poder, o então deputado foi alçado a ministro da Secretaria de Governo.

O ex-deputado me contou que presta consultoria para a Ativa Investimentos, mas que apareceu neste encontro gratuitamente, como convidado.

“O encontro foi promovido por uma empresa de investimento para seus clientes com o ministro Moro, e fui convidado para fazer comentários políticos, e o economista Étore [Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos] foi convidado para fazer comentários na área econômica”, me disse Marun. Além de Étore Sanchez, Marun não quis dar os nomes de outros participantes, apenas comentou que Moro estava acompanhado de uma assessora e não havia outros políticos no local.

“Reunião pequena para poucas pessoas, e eu não tenho conhecimento em relação aos clientes da empresa. Não sei [dizer] quem estava presente”, desconversou Marun. Questionei a Marun se Dody Sirena estava na reunião. Ele disse que o empresário não estava e fez questão de me demonstrar que o conhece. “Eu sei porque eu conheço Dody, e ele não estava presente”, falou.

Na terça-feira, dia da reunião, liguei para Sanchez, mas ele não atendeu. Por mensagem no seu WhatsApp, evitou comentar o assunto e pediu para que procurasse a assessoria de imprensa da Ativa Investimentos.

Um segundo evento com Moro e a Ativa Investimentos deverá ocorrer em “São Paulo/SP, em data e horário a serem ajustados em comum acordo entre as Partes”, de acordo com o contrato.

Procurei o empresário Dody Sirena por meio de sua página no Instagram e no telefone da DC Set, empresa controladora da Delos. Por e-mail, pedi informações e esclarecimentos para o diretor da Delos que assina o contrato com Moro, Rodrigo Mathias. Até o final da tarde de sexta-feira, nenhum deles se posicionou.

Correção: 19 de fevereiro de 2022, 8h24
O total negociado foi R$ 110 mil, e não R$ 100 mil. O texto foi corrigido.

Pepe Escobar: A poderosa indústria militar da Guerra S.A. deu uma festa-invasão criando um clima de tensão na Ucrânia e não veio ninguém até o dia 20 de fevereiro

 

O Combo Democrático que controla remotamente o senil Presidente dos Estados Unidos por fone de ouvido/teleprompter nunca foi acusado de ser o aluno mais sabido da turma - de qualquer turma.

Isso explica por que um de seus membros, Nancy Pelosi, na ABC News, entregou todo o jogo da "invasão" russa dois dias - ou três, dependendo da matemática usada - antes do "cancelamento" do não-acontecimento.

www.brasil247.com - Kremlin

Kremlin (Foto: Reuters)

Por Pepe Escobar, para o Strategic Culture

Tradução de Patricia Zimbres para o 247

O Combo Democrático que controla remotamente o senil Presidente dos Estados Unidos por fone de ouvido/teleprompter nunca foi acusado de ser o aluno mais sabido da turma - de qualquer turma.

Isso explica por que um de seus membros, Nancy Pelosi, na ABC News, entregou todo o jogo da "invasão" russa dois dias - ou três, dependendo da matemática usada - antes do "cancelamento" do não-acontecimento.

Primeiro ela disse: "Se não estivéssemos ameaçando com sanções e tudo o mais, Putin certamente iria invadir". E então o trunfo na manga: 

"Se a Rússia não invadir, não quer dizer que ela nunca teve essa intenção. Quer dizer apenas que as sanções funcionaram".

Aqui, totalmente a descoberto, vemos a totalidade da "estratégia" democrata: uma "vitória" de política externa de eficácia duvidosa, que irá se desfazer meses antes da inevitável derrota nas eleições de meio de mandato.

Maria Zakharova, a versão eslava e feminina de Hermes, o Mensageiro dos Deuses da Grécia Antiga, chegou mais perto da verdade ao descrever a operação psicológica: O 15 de fevereiro de 2022 entrará na história como o dia do fracasso da propaganda bélica ocidental. Humilhados e destruídos sem que um único tiro fosse disparado".

Acrescente-se a isso o que o Chanceler Sergey Lavrov, sem papas na língua, disse sobre o "terrorismo da informação": "Temos muito a aprender com os truques usados [por nossos colegas ocidentais]".

Putin, mais uma vez, aplicou Sun Tzu para ganhar sem uma única batalha: "ganhar" aqui querendo dizer alcançar os objetivos colocados para esta rodada. 

Mas vai ficando cada vez mais perigoso. A Duma, por uma maioria de 78%, aprovou pedir ao Presidente que reconhecesse as Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk como estados "separados, soberanos e independentes". 

A decisão final cabe a Putin, que já sugeriu o que virá a acontecer a seguir. Embora qualificando "o que vem acontecendo em Donbass como um "genocídio" - usando como contexto os últimos oito anos - ele apontou que "temos que fazer todo o possível para resolver os problemas de Donbass, embora, acima de tudo, atendo-nos à (...)  implementação dos acordos de Minsk".

O que isso significa é que Putin dará a Kiev uma outra - e última? - chance de implementar Minsk: o acordo - sacramentado como lei pela ONU – que os americanos vêm sabotando de facto desde 2015.

O Conselho de  Segurança da Rússia não se deixará enganar, declarando que "O Ocidente vem conduzindo contra a Rússia uma operação de informação cuidadosamente planejada, com base no conceito de "guerra híbrida". O Conselho de Segurança também reafirma que "os países europeus serão responsáveis por provocações muito prováveis por parte de Kiev contra as Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk". Essas são palavras de Patrushev, e não de Jake Sullivan, o veado-paralisado-pela-luz-dos faróis. 

A parada de neo-nazistas

A visita do Primeiro-Ministro alemão Scholz a Moscou não foi exatamente um Porsche deslizando na pista de Nurburgring. Ninguém cospe banalidades impunemente ao conversar com Putin. Scholz: "Para nossa geração, uma guerra na Europa é inimaginável".  Putin: "A OTAN já provocou uma contra Belgrado".

Após semanas da incessante mistura americana de histeria e febre belicista, talvez seja tentador imaginar que Macron e Scholz pensem da mesma forma que Putin, exigindo que Kiev se sente à mesa com Donetsk e Luhansk para elaborar as emendas constitucionais necessárias para garantir a autonomia das duas regiões. Esse seria o único caminho para uma possível solução. Mas não há garantias de que esse caminho venha a ser tomado, tendo em vista o inamovível veto americano. 

Valentina Matvienko, a presidenta do Conselho da Federação Russa, mais uma vez enfatizou a única possibilidade de a Rússia chegar ao ponto de "intervir": "no caso de uma invasão das duas Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk pelas Forças Armadas da Ucrânia, a resposta russa será proporcional à escala da agressão".

Até mesmo Scholz, meio que timidamente, mais ou menos concordou que, da mesma forma que a OTAN na Iugoslávia, a Rússia, neste caso, teria o direito de invocar o Responsabilidade de Proteger (R2P) com o objetivo salvar milhões de detentores de passaportes russos das tropas de choque  da oligarquia do Banderastão/neonazista que Andrei Martyanov memoravelmente descreveu como o país 404.

Entre elas, o Batalhão Azov – que recruta neonazistas por toda a Europa - exibindo no braço insígnias Wolfsangel vindas diretamente da SS, e que agora se incorporou à Guarda Nacional da Ucrânia. As vastas e "revitalizadas"  redes stay-behind operadas pela CIA/MI6. E, é claro, o esquema de dez bilhões de dólares de Eric Prince (Blackwater/Academi) para montar um exército mercenário privado por meio de uma parceria entre a empresa Lancaster 6 e o serviço de inteligência ucraniano controlado pela  CIA.

Os dois desdobramentos cruciais 

A ofensiva-em-série americana de fake news/operação psicológica/nevoeiro de guerra conseguiu obscurecer os dois desdobramentos verdadeiramente cruciais dos últimos e estonteantes dias.

  1. A invasão de fato das águas territoriais russas por um submarino nuclear dos Estados Unidos, descrita como "completamente  irracional"  pelo Ministro da Defesa russo Sergei Shoigu.
  2. O recente voo do Sr. Kinzhal’s a Kaliningrado a bordo de um MIG-31K "Foxhound com capacidade Mach-3". Caso os palhaços do OTANistão continuem tendo ideias esquisitas, eles poderiam fazer uma ligação ao Sr. Khinzal. Ele responderá a chamada em velocidade hipersônica. Literalmente. 

 

Antes de a "invasão" não-invasão russa ser cancelada, Martyanov, deliciosamente, resumiu a situação:  "a ambivalência estratégica da Rússia agora aterroriza os americanos, porque os Estados Unidos não sabem o que virá depois da falsa bandeira, caso essa falsa bandeira consiga enganar os poodles europeus e reduzi-los à mais total submissão".

Sim, mas não termina até o transgênero gordo cantar. Uma falsa bandeira (ou bandeiras) continua no  radar  - considerando as toneladas de armas despejadas no 404; as tropas de mais de 150 mil homens aglomeradas bem na frente da linha de contato, equipadas com foguetes  120mm Grad absolutamente letais, com ogivas que, ao serem explodidas, soltam milhares de fragmentos metálicos afiados; e os milhares de mercenários treinados por instrutores poloneses, britânicos e da Blackwater/Academi.

O que realmente aconteceu nas ilhas Kuril, entre Hokaido e Kamchatka, diplomaticamente descrito por Shoigu, acabou por chegar à mídia russa. A primeira explicação foi que uma embarcação russa teria lançado torpedos de advertência contra o submarino americano. 

O que aconteceu foi que o submarino nuclear foi detectado pela SSK ou pela SSN russa, houve uma varredura e então, a fragata Marechal Shaposhnikov usou um sonar para intimar os visitantes intrusos  a se retirarem. Isso foi um gesto muito cortês. Em qualquer outra circunstância, o submarino teria sido afundado.

Isso, é claro, deve ser interpretado de forma realista: como mais uma ilustração patente de que a "nação indispensável" perdeu sua invulnerabilidade marítima. Para a Rússia, certamente. E, não vai demorar muito, também para a China. 

E isso é uma consequência direta do estado lamentável do setor de defesa americano, a principal área de estudo de Martyanov, e exemplificado pelo mais recente relatório da Associação Industrial de Defesa Nacional (NDIA).

A íntegra do relatório pode ser encontrada aqui. Deem uma olhada, por exemplo, nessa tabela mapeando a ênfase  na pesquisa e nas tecnologias emergentes.

Tecnologias

Emergentes

Ano Fiscal 2018

Ano Fiscal 2019

Ano Fiscal 2020

Alteração

relativa de interesse

Audiências

% Total

Audiências

% Total

Audiências

Inteligência Artificial

40

10,30%

39

8,99%

Espaço

38

9,79%

38

8,76%

Hipersônicas

24

6,19%

30

6,91%

Cíber

30

7,73%

39

8,99%

Ciência Quântica

21

5,41%

29

6,68%

C3 em rede

12

3,09%

10

2,30%

5G e próxima G

3

0,77%

21

4,84%

Biotecnologia

8

2,06%

5

1,15%

Microeletrônica

7

1,80%

6

1,38%

Autonomia

13

3,35%

11

2,53%

Energia Direcionada

11

2,84%

8

1,84%

Total de audiências

388

434

233

* de 2019 a 2020

Tabela 9.1, Fonte: Congressional Interest in Emerging Technologies (AF 2018-2020). Consideraram-se as audiências nas quais alguma forma relacionada à tecnologia emergente tenha sido mencionada pelo menos cinco vezes.

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91      Office of the Under-Secretary of Defense for Research and Engineering, "Modernization Priorities - DOD Research and Engineering", acessado em 10 de janeiro de 2022.

 

Áreas-chave, tais como espaço, tecnologia hipersônica e cibernética apresentaram uma queda. Paralelamente, há um "aumento" em três áreas interconectadas: Inteligência Artificial, C-3 (comando, controle, comunicações) totalmente integrado em rede e microeletrônica. O que sugeriria a tão conhecida  obsessão americana, desde Rumsfeld, com o emprego de um "campo de batalha inteligente". 

O ponto principal talvez seja o aumento na área de biotecnologia. Porque isso apontaria para um Império desesperado - já superado pela Rússia e em breve a ser neutralizado pela China – recorrendo à guerra biológica. Não é de admirar que a crucial declaração conjunta Rússia-China de 4 de fevereiro se refira enfaticamente ao perigo dos laboratórios de armas biológicas dos Estados Unidos. 

Para a lata de lixo, Batman!

Moscou não se desviou sequer por um momento do enfoque Sun Tzu – ao mesmo tempo em que, repetidamente, detalhava todas as suas exigências e linhas vermelhas. Washington e Bruxelas foram advertidos, em termos nada vagos, de que caso eles convençam seus capangas/mercenários a atacar Donbass, o 404 será reduzido a frangalhos. E, de todo o pacote, isso é o de menos: todos os sistemas de segurança do OTANistão serão também destruídos. 

A Rússia está esperando - como um exército de monges taoístas. Depois da "invasão" cancelada, ela pode até se dar ao luxo de desfrutar de um certo alívio cômico. As respostas "tecno-militares" estão prontas e, mais uma vez, é sua ambiguidade estratégica que vem enlouquecendo os americanos. Eles estão começando a se dar conta de que têm que negociar  a indivisibilidade da segurança e dos mísseis no Leste Europeu, porque ninguém, no Império Ucranizado, sabe qual será o próximo passo de Putin, Shoigu e Gerasimov.

E há também as galinhas sem cabeça. Após a "invasão" não ter acontecido da forma programada, os chanceleres do G-7 terão uma reunião de "emergência" ao final desta semana, na Alemanha, para coçar suas cabeças coletivas e tentar imaginar por que razão a invasão não ocorreu tal como esperado.

Da forma como as coisas andam, na calmaria que antecede a próxima tempestade, vamos nos acomodar, relaxar e lembrar-nos de 16 de fevereiro de 2022: o dia em que a mais recente fake news/operação psicológica de espectro total, planejada de comum acordo, acabou por lançar a "credibilidade" do OTANistão em uma viagem sem volta à lata de lixo da história.