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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

FLÁVIO BOLSONARO CULPA A GLOBO E JORNALISTAS PARTEM PRA CIMA!

 Do Canal TV Afiada, com trechos da Globo News:

Flávio Bolsonaro joga a culpa na Globo, mas jornalistas reagem e partem pra cima! O clima esquenta e a troca de acusações pega fogo. Assista!



segunda-feira, 13 de maio de 2024

TV AFIADA: DANIELA LIMA DETONA BOLSONARISTAS AO VIVO E EXPÕE FAKE NEWS DA DIREITA

  Dois vídeos disponibilizados pela TV Afiada a partir do Globo News:


Vídeo 01: Daniela Lima expõe as táticas de deturpação e fake news dos bolsonaristas

Daniela Lima detona bolsonaristas ao vivo na GloboNews e explica didaticamente como funciona o mecanismo de fakes bolsonaristas após mentiras sobre o Rio Grande do Sul.


Vídeo 02: Daniela Lima desabafa sobre os ataques dos bolsonaristas a ela

Daniela Lima, que viralizou na TV e na internet por ter mostrado o passo a passo do trabalho de bolsonaristas na criação de fake news sobre a tragédia no Rio Grande do Sul, virou alvo de uma mentira espalhada por eleitores do Bolsonaro. Na informação falsa propagada em redes da extrema-direita, Daniela teria menosprezado o trabalho de voluntários no Rio Grande do Sul.






quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

O calvário da antes toda poderosa Globo, agora vítima dos próprios excessos de arrogância e poder, por Luis Nassif

 

Dia desses vou desenterrar uma coluna que escrevi para a Folha, no final dos anos 90, mostrando como o superpoder transformaria a Globo em um paquiderme acomodado, perdendo toda a vitalidade criativa que marcou a era Bonifácio de Oliveira Sobrinho.

Jornal GGN:

As Organizações Globo continuam em uma corrida insana, na qual os cortes de despesas não têm sido suficiente para compensar a queda de receitas.

São muitas as razões.

Em seu período de quase monopólio da mídia, montou uma operação bastante onerosa, própria de estruturas monopolistas. Mantinha casts permanentes de artistas, embora só utilizasse parte deles em cada temporada. A idéia era simples. Aparecer na telinha da Globo conferia prestígio, transformava a pessoa em personalidade pública, graças à extraordinária audiência que detinha no período áureo. Ela  não queria que concorrentes se beneficiassem do investimento feito em artistas e jornalistas. E tinha bala na agulha para mantê-los a todos como reserva de mercado.

Eram tempos de tanta abundância, que não havia preocupação em identificar sinergia entre os diversos produtos. Jornalistas da Globonews poderiam ser contratados pela CBN, por exemplo, mas como se ambas fossem empresas independentes. Além da alta remuneração, a Globo oferecia ainda o ganho adicional, da abertura para o mercado de palestras, graças à visibilidade proporcionada por sua audiência.

Nesse período, manteve-se absoluta nas novelas e no noticiário. Concorrentes tiveram que cavar espaço em programas populares de auditório ou em uma segunda linha de jornalismo. Concorrentes como Bandeirantes, SBT e Rede TV tiveram que vender espaços para igrejas para conseguir se equilibrar.

Nesse período, a Record foi a mais bem sucedida. Em parte, pelos recursos da Igreja Universal, e pela complementaridade dos negócios. Mas há um ponto interessante na montagem do jornalismo. Em pouco tempo, o R7 se tornou um dos maiores portais de notícias. E o jornalismo conseguiu emplacar programas de domingo para enfrentar o Fantástico e telejornais diários, seguindo o padrão Globo de jornalismo. A montagem dessa estratégia foi de Douglas Tavolaro, que saiu da Record para se tornar sócio da CNN Brasil.

Agora, a análise do modelo CNN, ainda que incipiente, permite identificar melhor as fragilidades do modelo Globo.

No caso da CNN Brasil, há uma intensa integração entre os veículos, uma enorme sinergia que fortalece o conjunto. Por exemplo, entre a rádio CNN (montada em parceria com uma rede nacional), e o jornalismo televisivo. Junto com o jornalismo, a montagem de empresa de eventos, para seminários especializados. Há uma “modernidade”, de disponibilizar repórteres para comerciais, que não cheira bem. Mas é uma exceção. E há o uso intensivo de todas as formas de produtos digitais, endereços nas principais redes, podcasts etc.

A rapidez com que montou seu modelo de negócio mostra uma das grandes vantagens das empresas americanas, a capacidade de montar modelos de negócio eficazes.

Por exemplo, cada passo é tratado com intensa auto-promoção. Celebra por semanas e semanas a contratação de um jornalista conhecido. No final de cada bloco, os apresentadores repetem o slogan de “maior do mundo”. E cada editoria montada é tratada como se fosse uma enorme subsidiária.

Por exemplo, a CNN montou uma editoria de finanças. Deu-lhe o nome pomposo de CNN Business e entregou-a nas mãos competentes de Fernando Nakagawa. Não sei qual a estrutura que tem por trás. Mas o marketing transformou-a em quase um produto independente. Enquanto isto, a Globo controla o principal veículo econômico-financeiro do país, o jornal Valor Econômico, com aproveitamento mínimo no conjunto de veículos do grupo.

Um outro ponto do modelo CNN – aí no plano editorial – é o equilíbrio entre jovens jornalistas e jornalistas seniores. Há uma tecnologia muito bem assimilada de jornalismo.  Todos eles têm um foco permanente na busca de furos e na construção coletiva do fato do momento. Surge determinado tema. Praticamente toda a estrutura de repórteres se mobiliza em torno do tema, contextualizando, trazendo cada peça do quebra cabeças. Repórteres trazem informações. Apresentadores ou acrescentam comentários ou entrevistam os repórteres, procurando arrancar o máximo possível de explicações.

Nem imagino qual seja o trabalho de bastidores, por trás das câmeras, de direção da TV, editores, repórteres apuradores, jornalismo de dados etc. Mas impressiona a sincronização entre os apresentadores, conduzindo os temas, a entrada dos repórteres, as chamadas para novas reportagens, as perguntas feitas pelos apresentadores, que parecem combinadas com o que os repórteres estão trazendo de notícias. Há uma enorme fluidez, passando a sensação de que não existe sequer teleprompter para conduzir as falas.

Tem ciência aí, metodologia das boas. Mas, confesso, não tenho a menor ideia sobre como montaram esse máquina.

Há também, uma boa agilidade na definição das duplas que comandam os diversos horários de programas. Há uma espontaneidade cativante nos jovens apresentadores dos programas matutinos. Depois, gradativamente, uma certa solenidade necessária visando um público mais maduro dos programas da tarde e vespertinos. À noite, a parte analítica pesada, conduzida pelas mãos experientes de William Waack.

Juntar uma redação de jornalistas e dar o devido equilíbrio, entre os mais jovens e os veteranos, a mistura racial e de gênero, não é coisa que se aprende na escola.

Por exemplo, na fase inicial, havia uma preponderância de jovens jornalistas, e algumas âncoras de jornalismo mais experiente, mas apenas nos jornais noturnos. Com o tempo, foram contratados apresentadores seniores para a programação da tarde, para dar equilíbrio ao grupo e refrear um pouco a ansiedade dos mais jovens por uma carreira rápida.

Provavelmente para mostrar que tem feeling jornalístico mais apurado que a concorrência, Tavolaro trouxe dois sólidos jornalistas, desprezados ou mal aproveitados pela Globo, Carla Vilhena e Márcio Gomes. Foi como se dissesse: olha aqui, eu vi o que vocês não viram.

Enquanto isto, a Globonews tenta se repaginar, em cima da competição com a CNN, mas com enorme dificuldade em se reinventar, e enfrentando o esvaziamento da TV aberta, em crise em todo o mundo.

Por aqui, além da nova tendência contrária às TVs abertas, a Globo perdeu a exclusividade do futebol, da Fórmula 1, a preponderância massacrante do jornalismo. Mantém em sua espinha vertebral o modelo das novelas, cada vez mais mexicanizadas, mas vê a TV aberta se esvaindo a cada dia.

Agora, joga todas as fichas no Globoplay. O produto tem o que mostrar. Há um trabalho excepcional feito nos últimos anos no Multishow e GNT, com produtoras nacionais de diversos calibres. Há espaço para parcerias com grandes grupos globais, que disputam mercado com a Netflix. Com o Globoplay, a emissora conseguiu segmentar o público de TV do público de computadores e celulares, exigindo assinatura para assistir os programas da emissora. Mas, pela frente, tem competidores extraordinariamente maiores. E abriu mão, por questões familiares, do executivo que montou a impecável produção dos canais da Globosat.

Sofre, também, uma perseguição implacável de Bolsonaro, com o CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico) proibindo os Bônus de Veiculação exclusivamente para ela; a Receita investindo em cima da pejotização dos salários. Justo ela, que sempre conseguiu o que quis de governos tucanos e petistas. E que montava guerras políticas mundiais contra as mínimas medidas que pudessem afetá-la, como a incrível campanha contra a classificação indicativa, ou os petardos contra a Secom, quando se dispôs a desviar migalhas de publicidade oficial para veículos do interior ou independentes, como se fosse propriedade privada exclusiva dos grupos de mídia e, especialmente, dela, Globo..

Além das perseguições bolsonarianas, a Globo tem uma espada de Dâmocles permanente, nos inquéritos que o Ministério Público Federal mantêm engavetados, dos escândalos da compra de direitos da Copa Brasil. Aí se entende a adesão quase obsessiva da Globo à Lava Jato e de se colocar como uma voz tonitruante de combate à corrupção dos outros. Só que, agora, não tem fantasmas bolivarianos, cubanos, para se fortalecer. Sem o álibi bolivariano, terá que enfrentar a ferro frio os verdadeiros adversários – Google, Facebook, Apple, Netflix.

Há apostas consistentes no mercado que, dentro de algum tempo, a Globo começará a fazer campanha pela abertura do mercado ao capital estrangeiro. Vai ser irônico, principalmente partindo de uma empresa que sempre condenou qualquer defesa de mercado… para os outros.

Dia desses vou desenterrar uma coluna que escrevi para a Folha, no final dos anos 90, mostrando como o superpoder transformaria a Globo em um paquiderme acomodado, perdendo toda a vitalidade criativa que marcou a era Bonifácio de Oliveira Sobrinho.

Agora, está sendo devorada pelo monstro que ela própria ajudou a parir quando, na véspera do cataclisma, se vangloriava de seu poder de derrubar presidentes e reescrever o Brasil.


sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Um candente apelo ao Supremo Tribunal Federal do Brasil à favor da Democracia e da Justiça contra a Ditadura Midiática e da Extrema-Direita!, por Lenio Luiz Streck, jurista



Resumo: De como Globo News, Sarderberg e Roberto da Matta me assustaram!

do ConJur

Um candente apelo ao Supremo Tribunal Federal do Brasil!

por Lenio Luiz Streck

Eu estava no plenário do Supremo, na condição de subscritor da ADC 44 e de amigo da Corte, representando a ABRACIM, quando se retomou o julgamento da presunção de inocência, no último dia 17. Vi e ouvi o Presidente da Corte fazer esclarecimentos. Muito bem-vindos, por sinal. Mas ainda falta dizer algumas coisas. E, aqui, vou tentar contribuir nessa tarefa.
Por isso, hoje a Coluna está bem diferente. Não, não estou pedindo para o Supremo Tribunal julgar de um modo ou de outro. Também não estou fazendo nenhuma apelação e nem recurso extraordinário. Estou apenas fazendo um outro tipo de apelo: gostaria que o STF fizesse uma nota de esclarecimento ao povo brasileiro. Sim, sei que o STF já publicou em seu sítio eletrônico um FAQ – Perguntas e Respostas, contendo uma espécie de glossário sobre o julgamento (ConJur publicou). Mas não foi suficientemente esclarecedor (ao menos, o pessoal da GloboNews e metade da comunidade jurídica ainda não entendeu, ao que se percebe por aí). Explicarei, portanto, meu pedido na sequência.
A ideia me veio de três lugares:
  • primeiro, assistindo ao Sardenberg na Globonews, ocasião em que ele dizia que o STF estaria proibindo prisão em segundo grau e isso geraria o caos. Até Roberto da Mata me assustou com um artigo no jornal O Globo.
  • segundo, um repórter da Globo me perguntou se, depois de o STF proibir a prisão em segunda instância, o Parlamento poderia fazer emenda constitucional em sentido contrário; e,
  • terceiro, um jornalista do jornal mais importante do Rio Grande do Sul, que fez uma coluna – neste caso, a mais lida do estado gaúcho – intitulada Supremo Tribunal da Impunidade. A certa altura do texto, ele afirma: “O STF se encaminha para instalar outra ferramenta de impunidade, proibindo a prisão de condenados em segunda instância“.
Pois, acendeu-se a luz amarela. Houston, Houston, temos um enorme abacaxi para descascar. O ponto em comum nas três pistas: o fato de que o STF poderá proibir a prisão em segundo grau!
Eis o ovo da serpente. Eis o paciente zero da epidemia da desinformação que vem assolando o país. Alguém está pondo lenha na fogueira. A desinformação leva ao ódio. Refletindo sobre isso, pensei em fazer este apelo ao Senhor Presidente da Suprema Corte da República Federativa do Brasil, para que emita uma nota esclarecendo a jornalistas e jornaleiros, repórteres, alunos e professores de Direito (estes estão precisando bastante), médicos, enfermeiros, motoristas, passageiros, caminhoneiros, cantores sertanejos, entre outros.
Queria que o STF dissesse, como palavra oficial (acho que assim a malta vai acreditar – espero), o que, de efetivo, exsurgirá de cada uma das teses acaso vencedores no julgamento das ADCs 43, 44 e 54 (insisto – o FAQ publicado no site do STF não faz suficientes esclarecimentos, a não ser para iniciados). Destarte:
  • Sendo vencedora a tese constante nas ADCs, isto é, pedido de declaração de constitucionalidade do artigo 283 do CPP, disso não resultará a soltura de gente a rodo (p. ex., 180 ou 190 mil presos – o que assustaria qualquer vivente, até mesmo eu); deixar claro também que disso não resultará proibição de prisão em segundo grau (e nem de primeiro grau);
  • Que Sua Excelência, o Presidente da Corte, deixe claro que, se há fundamentados motivos para prender, haverá prisão; aliás, é possível prender a qualquer momento, mesmo após a segunda instância; não é automático poder recorrer em liberdade até o esgotamento dos recursos no STJ e STF, como nunca foi. Pode ser explicado melhor ainda, do seguinte modo: o STF comunica ao povo brasileiro que está decidindo apenas se a partir da segunda instância a prisão é decorrência automática ou se pode ser decretada com um singelo carimbo, ao sabor dos humores de cada juiz ou Tribunal, ou, ainda, se isto só é possível na forma da lei, preventivamente, desde que fundamentadas as razões, ou, mais ainda, após o trânsito em julgado, como dizem a Constituição e o artigo 283 do Código de Processo Penal.
  • Que, com esse esclarecimento, jornalistas como Sardenberg (ele está demais!) e quejandos fiquem cientes de que, se for vencedora a tese vigente, que já existe desde 2016, disso não resultará que todos os condenados em segunda instância irão automaticamente para a cadeia. Que fique claro também que o STF até hoje nunca decidiu nesse sentido. E que só existem dois Ministros que assim pensam, conforme está claro na ADC 54. Se mais Ministros não aderirem à tese da automaticidade, então que fique claro, de uma vez por todas, que a prisão nem será proibida e nem será automática (obrigatória).
Uma nota simples assim. Para que não se continue com essa algaravia informacional. Para que se encerre, enquanto ainda há tempo, esse festival de desinformações. E para que operadores do Direito, do alto e do baixo clero jurídico, parem de operar (estripar) o Direito, tratando o debate jurídico como se este fosse uma modesta conversa de boteco, do tipo Fla-Flu. Para que a verdade – vejam só, há verdades, afinal – seja a verdade, não a fake news de uats que confunde alhos com bugalhos de propósito.
Chega desses mitos do senso comum. Que ao menos se coloquem as cartas na mesa. Não, não vai haver soltura de 190 mil presos; não, não estará proibida a prisão a partir da segunda instância. E, ademais, mesmo que as ADCs não sejam procedentes, jamais poderia ser obrigatória-automática. E, não, o STF não é um órgão plebiscitário; não, o STF não é uma hiena tentando atacar o leão ou os leões.
Enfim, cumprir a Constituição e o CPP apenas é uma coisa normal em uma democracia. Ou não?
Epistemologia de mesa de bar não serve. A imprensa e, mais ainda, os juristas que se propõem a falar sobre o assunto têm responsabilidade.
Que o Supremo Tribunal Federal esclareça à nação que, vejam só, há verdades, afinal
 é jurista, professor de Direito Constitucional e pós-doutor em Direito. Sócio do escritório Streck e Trindade Advogados Associados: www.streckadvogados.com.br.

domingo, 22 de outubro de 2017

Abusos da Lava Jato já são debatidos até na mídia amiga de Sergio Moro. Por Joaquim de Carvalho



David Teixeira de Azevedo, Eloisa Machado e Mônica Waldvogel
Circula pela rede social o vídeo (veja ao final do texto) com a entrevista de dois especialistas em direito sobre a operação Lava Jato, a professora de Direito da Fundação Getúlio Vargas, Eloisa Machado, e o professor de direito penal da USP, David Teixeira de Azevedo. Muito do que os entrevistados dizem nesta entrevista, o leitor do DCM já viu aqui, na série de reportagens sobre a operação.
Quando estas mesmas colocações são feitas no canal de televisão que foi decisivo na promoção de Sergio Moro a herói, o resultado foi o embaraço de quem fez as perguntas e a entrevista teve dupla importância: pelo que os entrevistados disseram e pela reação da apresentadora.
O roteiro estava dado, logo na abertura do programa, quando a experiente Mônica Waldvogel disse:
“A impunidade dos poderosos sempre foi um símbolo do atraso e da desigualdade no Brasil, daí o apoio popular à Lava Jato e a relevância deste momento, em que o combate à corrupção bate de frente com autoridades com foro privilegiado”.
Só que, desta vez, os entrevistados não se portaram como cordeiros a atender a linha editorial da Globo, e deixaram a apresentadora, em vários momentos, sem ter o que dizer. Foi visível o desconcerto.
Criminalista, David Azevedo discordou de Mônica logo na primeira resposta, a respeito da decisão do Senado que contrariou o Supremo Tribunal Federal, no caso das medidas cautelares de Aécio Neves.
— A Constituição sai perdendo, não? — perguntou Mônica.
— Eu acho que a Constituição saiu ganhando — contrapôs  David de Azevedo. Eu acho que o equilíbrio entre os poderes saiu ganhando. Eu acho que a divisão de poderes sai prestigiada. O artigo 53 da Constituição Federal diz que um senador só pode ser preso em flagrante delito por crime inafiançável. É isso o que diz a Constituição. O crime é inafiançável? Não. Havia flagrante delito? Não. O Supremo poderia mandar prender ou dar qualquer outra medida restritiva? Não.
Mônica Waldvogel fez uma concessão:
— A Lava Jato está provocando inovações além da conta?
— Está e não só a Lava Jato — respondeu Eloisa. Quando a gente pensa nas maiores críticas da Operação, que é o uso abusivo das prisões preventivas, o episódio das delações, a gente tem que levar em consideração que o Judiciário brasileiro, em geral, prende muito e prende mal, condena mal.
A conversa segue para o que a Lava Jato teria de bom. Mônica antecipa:
— O balanço é formidável nesses três anos e meio.
Mônica pondera que as “inovações”da Lava Jato seriam necessárias para chegar aos poderosos.
O comum na imprensa é que, diante da senha da apresentadora, o entrevistado concorde. Quase sempre acontece isso. Mas não foi o que Azevedo fez:
— Eu acho que os poderes do Estado sofreram uma degradação. O que se quis e o que se quer com a Lava Jato e o que se está fazendo é uma espécie de degradação, uma espécie de socialização da miséria. Assim como os menos favorecidos, os da base da pirâmide, tinham uma justiça injusta, tinham prisões ilegais, sofriam as misérias de um processo penal, a visão da Lava Jato é: devemos dar igual tratamento àqueles que estão no vértice da pirâmide, ou seja, devemos também suprimir-lhes a garantia, devemos também decretar-lhes a prisão, de modo a que, se estabelecendo uma ética pragmática, os fins justifiquem os meios. Ou seja, o combate à corrupção justificará prisões processuais ilegais.
David Teixeira de Azevedo observa que as prisões da Lava Jato têm objetivo de forçar a delação, o que é ilegal. Mônica defendeu Moro:
— O Sergio Moro disse ao Gerson Camarotti, na entrevista aqui na Globonews, que a imensa maioria desses colaboradores estavam em liberdade.
Eloisa respondeu:
— Eu não tenho dúvida de que houve abuso nas prisões preventivas.
David de Azevedo acrescentou:
Muitas delações foram fechadas em razão de conversas — eu posso citar nomes — com o Ministério Público que ameaçava, com o envolvimento criminal, esposa, filhos, eventualmente sócios da empresa, mesmo sabendo que não havia envolvimento, isso ocorreu, e muito. Moro diz que as decisões dele foram confirmadas. Os acordos de delação, quando eram fechados, implicavam, ilegalmente, a desistência dos recursos. (…) Esta estatística que o Moro faz é uma estatística falsa. (…) Este é o cenário da Lava Jato.
Mônica recorreu a Eloisa:
— Você tem conhecimento de informações assim tão assustadoras, a ponto de a gente se alarmar com a lisura do processo?
— Nós tivemos episódios que foram gravíssimos. O vazamento dos áudios do Lula é um consenso.
Azevedo lembrou ainda que, quanto à legalidade das delações obtidas na Lava Jato, dois juristas portugueses, José Joaquim Gomes Canotilho e Nuno Brandão, deram um parecer para o governo português que consideram as colaborações de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef ostensivamente ilegais e inconstitucionais.
“Ferem o ordenamento jurídico brasileiro e ferem o ordenamento jurídico português. Ferem a ordem pública portuguesa porque, nesses acordos, existe absoluta ilegalidade. Qual é a ilegalidade? O Ministério Público, no acordo, o magistrado homologando, criando condições que não estão previstas na lei, criando uma legislação própria para a delação, isto é ilegal”, afirmou.
Por fim, Mônica Waldvogel perguntou:
— A Lava Jato valeu a pena?
— Nada com violação ao devido processo vale a pena — respondeu Eloisa.
— Nem desmanchar um esquema pronto?
— Não, não. Como advogada de direitos humanos, que viu muita gente torturada, não, não vale nunca a pena violar o devido processo legal para se atingir um fim específico.
Na sua resposta, David lembrou Joelmir Betting, que era bom para explicar casos complicados com metáforas de fácil entendimento:
— Para acabar com os carrapatos, vamos matar as vacas. Lava Jato é alguma coisa parecida. Para acabar com o carrapato da corrupção, matemos as vacas, sacrifiquemos as garantias e os direitos fundamentais, utilizemos uma ética pragmática, uma época de resultado. Não hesitemos em prender, prender sem fundamento legal, desde que se alcance um resultados. Penas altíssimas, descompassadas com a culpa, para estimular outros a delatarem.
A Operação Mãos Limpas, na Itália, em que se inspirou Moro, produziu um resultado muito pequeno em relação à corrupção. Ou seja, segundo ele, o custo de suprimir direitos é muito alto pelo resultado que pode produzir.
Esta entrevista mostra que, diante dos abusos crescentes da Lava Jato, a velha mídia já não consegue controlar o que dizem os entrevistados. E talvez esteja encontrando dificuldade para encontrar quadros qualificados que referendem os pontos de vista da veículo em relação ao juiz Sergio Moro e seus parceiros na República de Curitiba.
O contra-ataque está em curso. A entrevista de Moro a Gerson Camarotti parece fazer parte de um esforço para recuperar o apoio de setores da sociedade brasileira que viam Moro como um super herói. A coordenador da Força Tarefa, procurador Deltan Dellagnol, já tinha dado entrevista para o Blog de Josias de Souza, da Folha.
São representantes do que eles poderiam chamar de imprensa amiga.
Moro e Dallagnol têm um compromisso agendado com outro veículo dócil para a próxima terça-feira , num evento reservado do jornal O Estado de S. Paulo. Eles vão participar do Fórum Estadão Mãos Limpas, juntamente com dois dos magistrados que coordenaram a Operação Mãos Limpas, na Itália – Piercamillo Davigo e Gherardo Colombo.
São todos da imprensa amiga, que fez de Moro um ídolo na campanha para derrubar Dilma Rousseff. As autoridades de Curitiba sabem disso e se recusam, sistematicamente, a conceder entrevista para a imprensa independente.
Eu mesmo já solicitei entrevista com Sergio Moro e também com Deltan Dallagnol.
Dallagnol respondeu uma vez, por escrito, no caso da compra de dois apartamentos do Minha Casa, Minha Vida, em Ponta Grossa. Num encontro que tive com ele, pessoalmente, em uma churrascaria de Curitiba, eu pedi entrevista, ele me direcionou para a assessoria de imprensa. Fiz a solicitação e até agora nada.
Continuarei insistindo. Sempre propus perguntas com respostas sem cortes. É preciso esclarecer muitos pontos da Lava Jato.
A hora chegou.
A Abrahan Lincoln é atribuída a autoria de uma frase que define bem o que já está acontecendo:
“Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo”.
Tudo indica que, para Moro, o jogo acabou.


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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A inglória perseguição da Globo ao Dr Cuca Beludo (e à Internet) — assista

Globo versus Dr. Cuca
Texto de Paulo Nogueira

A luta épica e inglória da Globo contra o Dr. Cuca Beludo simboliza a luta igualmente épica e inglória da Globo contra a internet.

Acostumada a ganhar todas, desde que os militares deram a Roberto Marinho uma rede para promover a ditadura, a Globo ainda não conseguiu entender que desta vez ela perdeu.

A Globo é enorme, mas não é nada perto da internet. Não aceitar esta verdade inquestionável apenas piora as coisas para ela.

A internet vai matar a Globo tal como a conhecemos porque afeta diretamente seu grande negócio: a tevê. Nada vai fazer os telespectadores fazerem de volta o percurso que os levou da novela das oito, ou nove, para a Netflix.

Ponto.

A falta de noção da Globo sobre o mundo digital se revelou espetacularmente no episódio do Dr. Cuca Beludo.

A tentativa de tirar do ar o vídeo em que a apresentadora Maria Beltrão citava ao vivo o já célebre doutor já entrou na antologia das maiores imbecilidades da Era Digital.

A Globo vai tirando do ar o vídeo e os internautas vão recolocando. O que a Globo não entendeu é que o tempo na internet pertence aos internautas, e não a ela.

O Dr. Cuca vai desaparecer quando os internautas quiserem — por cansaço da piada, por uma ideia melhor que surgiu e pegou, ou por qualquer outro motivo.

Não é a Globo que haverá de eliminá-lo.

Provavelmente a empresa contratou um grupo para monitorar o doutor. Todo mundo está trabalhando por dinheiro. Mas os jovens que insistem em devolver Cuca ao ar são movidos por amor à arte e à causa.

Como conglomerado provinciano que é, a Globo parece não haver observado o mundo para ver o que ocorre no universo das pegadinhas das redes sociais. Por ignorância paroquiana, ela faz o contrário das boas práticas que já existem neste campo.

Nos Estados Unidos, a CNN montou, nas celebrações de seu 35º aniversário, uma compilação com os maiores foras — bloopers — que deu. (Você pode ver aqui.)

Isso é inteligência na adversidade. Humor no embaraço.

A CNN não luta contra a internet. Aproveita o que ela tem de bom, e isso vai prolongar sua sobrevivência e sua influência.

A Globo luta contra a internet. Mas, como nos faroestes clássicos, você sabe logo quem vai terminar vivo e quem vai terminar morto no duelo ao entardecer.


Paulo Nogueira
No DCM

sábado, 19 de março de 2016

A Revolta Suicida da atriz LEANDRA LEAL contra a Globo mostra o quanto esta é detestada por seus próprio empregados... Por PAULO NOGUEIRA



Leandra Leal não se conteve
Leandra Leal não se conteve
Uma das coisas mais importantes que esta sexta 18 mostrou foi que ninguém mais suporta a Globo.
Na Avenida Paulista, a Globo foi o principal alvo dos protestos dos que para lá foram na manifestação de defesa da democracia.
No meio da tarde, um grupo cantou: “Puta que o pariu, a Rede Globo é o câncer do Brasil.”
Não me ocorre palavra melhor para definir a Globo: um câncer.
“Você via repórteres de todas os veículos com crachá na Paulista”, conta a advogada Erika Nakamura, que cobriu a manifestação para o DCM. “Você só não via gente da Globo.”
Os jornalistas da Globo estão hoje condenados a se esconder, em eventos como o de hoje, ou de medo ou de vergonha, ou de ambos.
Erika narra um fato interessante. A Globo usou hoje câmaras em cima do Conjunto Nacional. O objetivo era mostrar o pedaço da Paulista que mais demora para ficar lotado em manifestações. A Globo queria passar para seus espectadores a ideia de que o protesto contra o golpe tinha sido um fracasso.
Isso quando noticiava o ato.
Num capítulo particularmente revelador do dia, a atriz Leandra Leal da Globo expressou no Twitter sua revolta com o jornalismo da emissora para a qual trabalha.
Ela endereçou à GloboNews a seguinte mensagem: “Estou trabalhando e assim como domingo e ontem queria acompanhar as manifestações. Cadê a cobertura ao vivo?”
Isso às 16h41, horário em que na Marcha dos Golpistas, no domingo, a Globonews e a Globo cobriam freneticamente as manifestações, com o explícito propósito de inflá-las com tomadas de câmara desonestas.
Este era o espírto da Paulista nesta sexta
Este era o espírto da Paulista nesta sexta
A explosão potencialmente suicida de Leandra Leal é mais uma evidência do grau de insatisfação que reina na Globo com quem não se satisfaz em seguir os desígnios sinistros da família Marinho.
Poucos dias atrás, a também atriz da Globo Mônica Iozzi desqualificou o Jornal Nacional nas redes sociais. Ela lamentou que as pessoas só se informam pelo JN. Ou seja: são intoxicadas pelo veneno editorial apresentado por Bonner.
Como a Globo costuma eliminar de seus quadros pessoas que criticam seu jornalismo tendencioso, você pode imaginar a raiva das duas atrizes para dizer o que disseram.
Provavelmente cometeram um suicídio profissional na Globo. Mas não guardaram seu inconformismo dentro delas.
Pouco tempo atrás, escrevi um artigo com base em relatos de jornalistas da Globo que abominam o que ocorre lá. Chegam com frequência ao DCM depoimentos de gente da casa que sente repugnância pelas orientações dos Marinhos.
O horror à Globo é ubíquo: está fora dela, como se viu na Paulista, e também está dentro dela.
Um dos mistérios corporativos do Brasil é como uma emissora tão brutalmente detestada pelos brasileiros continua a sobreviver. Claro que a Globo sempre se serviu do dinheiro público para seguir adiante, mas nem isso explica o mistério.
É provável que a Era Digital enfim conduza a Globo para o local sonhado por milhões de brasileiros: o cemitério.
O Brasil terá se livrado de um câncer.
Texto de Paulo Nogueira, no DCM