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quarta-feira, 15 de março de 2017

A família Mesquita, do Estadão, que sempre apoiou o golpe, se desespera com o sucesso de DIlma na Europa e decide agredí-la (a tática de sempre dos covardes)



Os quatrocentões da família Mesquita, do Estado de S. Paulo, publicaram editorial em que demonstram seu pânico com o sucesso que o furação Dilma vem causando na Europa, onde a presidente eleita tem falado para platéias lotadas sobre o golpe no Brasil e a tentativa de se impedir a volta de Lula ao poder; segundo os Mesquita, Dilma agride a língua portuguesa e desconhece que "há lei e há instituições no Brasil" – um país que se tornou vergonha internacional ao golpear a própria democracia para instalar seus políticos mais corruptos no poder, como demonstra a lista de Janot



Do 247:


Os quatrocentões da família Mesquita, do Estado de S. Paulo, publicaram editorial em que demonstram seu pânico com o sucesso que o furação Dilma vem causando na Europa, onde a presidente eleita tem falado para platéias lotadas sobre o golpe no Brasil e a tentativa de se impedir a volta de Lula ao poder.
Segundo os Mesquita, Dilma agride a língua portuguesa e desconhece que "há lei e há instituições no Brasil" – um país que se tornou vergonha internacional ao golpear a própria democracia para instalar seus políticos mais corruptos no poder, como demonstra a lista de Janot.
Abaixo, o editorial do Estado:
Dilma, um caso sério
Não satisfeita com o desastre causado ao País pelos seus cinco anos de governo – cujos efeitos daninhos são ainda sentidos diariamente pelos brasileiros –, a ex-presidente Dilma Rousseff dedica-se agora, assim fazem crer suas ações e palavras, a envergonhar o Brasil mundo afora. Seu comportamento em Genebra, onde participou de palestras e seminários, é sinal de que sua falta de discernimento, seja em questões nacionais, seja em relação às suas capacidades pessoais, não tem fim.
É conhecida sua dificuldade para se expressar na língua portuguesa. Como bem sabem os brasileiros, a beligerância de Dilma Rousseff com o idioma pátrio não exige condições especiais, podendo ocorrer até mesmo em casos de comentários triviais ou argumentos despidos de qualquer complexidade. Ela facilmente se embaralha com palavras e pensamentos, o que muitas vezes deu a eventos oficiais no Palácio do Planalto contornos de show humorístico.
Pois bem, essa mesma Dilma Rousseff, que já tanto maltrata a língua portuguesa, achou que podia, em sua viagem à Europa, dialogar em francês. O programa de televisão no qual a ex-presidente teve a ousadia de usar a língua de Victor Hugo é de incomum constrangimento, com alguns apresentadores em sérias dificuldades para manterem a compostura diante de tamanha agressão ao idioma francês. Mais do que simples gafe, a participação de Dilma no programa de televisão corrobora sua invencível incapacidade de realizar qualquer tipo de autocrítica.
Não falta, porém, a Dilma Rousseff discernimento apenas em questões de idioma. Ela ignora – e alardeia sua ignorância mundo afora – questões institucionais. Diante de uma plateia no Instituto de Altos Estudos Internacionais de Genebra, a ex-presidente afirmou haver o risco de que os ocupantes do poder no Brasil tentem impedir nova eleição de Lula da Silva. “Podem tentar condenar o Lula por duas vezes, podem mudar as regras da eleição presidencial, por exemplo, com introdução do parlamentarismo e, terceiro, podem simplesmente adiar a eleição presidencial do ano que vem”, disse Dilma.
É grave que uma ex-presidente fale de forma tão irresponsável sobre a democracia e as instituições no Brasil. Eventuais discordâncias de Dilma Rousseff com a decisão do Congresso de condená-la por crime de responsabilidade não lhe dão direito a tratar o País da forma vil como ela o tem tratado.
Ainda que imperfeita, a Lei da Ficha Limpa contribuiu para a moralidade das eleições no País, ao barrar candidatos que tenham sido condenados criminalmente em segunda instância. E o Poder Judiciário é independente, não mero instrumento de manobra do Poder Executivo, como dão a entender as palavras da ex-presidente. O que ela indevidamente aplica ao Brasil ocorre em países de seu especial agrado, como é o caso da Venezuela. No entanto, a respeito desse abuso Dilma sempre preferiu o silêncio.
Dilma ainda tratou de duas possíveis manobras para afastar Lula da Silva da Presidência da República: o parlamentarismo e o adiamento das eleições de 2018. A ex-presidente manifesta, assim, seu completo desconhecimento da realidade política e institucional do País. Ainda que seja plenamente legítimo, o parlamentarismo não é um assunto atual do Congresso. E a menção a suposto risco de adiamento das eleições é mais do que simples irresponsabilidade. Trata-se de uma acusação grave, sem qualquer prova ou indício, contra a democracia brasileira. Observe-se, a favor de Dilma, que ela não aventou a possibilidade da restauração da monarquia para manter Lula fora do poder.
Por mais que Dilma Rousseff não goste, há lei e há instituições no Brasil. O panorama é bem diferente do que ela alardeou na Suíça. Já em relação ao retorno de Lula da Silva à Presidência da República, os obstáculos estão bem evidentes, dispensando os tremendos esforços mentais de Dilma Rousseff. O principal óbice é ela mesma, pelo estrago que causou ao País. E, em segundo lugar, o próprio Lula, com sua incapacidade de emendar-se.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Mídia patrociona golpe e criminaliza protesto, por Cynara Menezes



Os três jornalões em estado pré-falimentar se uniram para atacar os manifestantes que, em todo o país, estão indo às ruas para protestar pacificamente contra o golpe parlamentar que arrancou do cargo uma presidente da república legitimamente eleita. Repetem assim o papel sujo que tiveram em 1964 de não só promover o golpe como legitimá-lo, criminalizando a oposição. Qual será a próxima etapa? A Folha emprestar veículos para transportar jovens aos porões da tortura?

As palavras se repetem nos textos furibundos dos jornalões, que soam como ameaça aos indignados que desejam ocupar as ruas. “Baderna”, “vandalismo”, dizem sobre os protestos em São Paulo, que já duram quatro dias. Quanta diferença no tratamento que davam às manifestações verde-e-amarelas contra Dilma Rousseff durante os dois anos que duraram seu segundo mandato! Antes, eram “atos cívicos”, “festa da democracia”. Agora viraram “coisa de vagabundos”.

O governo de São Paulo, que nos protestos da burguesia paulistana anti-Dilma liberou as catracas do metrô para quem nunca antes utilizara transporte coletivo, age de forma oposta com os manifestantes contra o governo golpista de Michel Temer. Está dificultando o acesso das periferias às zonas centrais e decidiu simplesmente proibir que os manifestantes se reúnam na avenida Paulista no domingo. A ordem no palácio dos Bandeirantes, isto está claro, é reprimir os movimentos contra o governo. E reprimir com violência.

Todos os relatos sobre a manifestação de anteontem em São Paulo coincidem que a caminhada vinha pacífica pela Consolação até que a Polícia Militar começou a jogar bombas de gás lacrimogêneo nos participante. Não por acaso, os policiais paulistas estiveram até outro dia sob o comando de Alexandre de Moraes, que saiu da secretaria de segurança de Alckmin direto para o ministério da Justiça de Temer. E a PM de Moraes se mostra pouco preparada para atirar com balas de borracha: miram na cabeça das pessoas, quando o correto seria mirar abaixo do pescoço, de preferência nas pernas, a uma distância de mais ou menos 20 metros, ou pode ser fatal.

Foi assim que um fotógrafo perdeu um olho nas manifestações de junho de 2013, ao tomar um balaço de borracha no olho, à queima-roupa –e a polícia ainda foi inocentada de lhe pagar indenização. No dia 31, no protesto em São Paulo, uma garota de 19 anos, estudante universitária, teve o olho ferido por estilhaços e também corre o risco de ficar cega. Dois fotógrafos foram presos sem motivo e um deles teve o equipamento inteiramente destruído. Um advogado em Caxias do Sul foi agredido por policiais após a manifestação ter se dispersado. Revoltado, o filho dele acabou dando um chute na cabeça de um dos policiais. Violência gera violência.

Depois de patrocinar o golpe contra Dilma, agora a mídia chapa-branca clama por “pacificação”, a mesma que foi incapaz de promover após as eleições em 2014. Ora, para temos paz seria preciso que a imprensa condenasse com veemência a violência policial e mais ainda, que exigisse dos comandantes da PM orientar seus subordinados no sentido de proteger os manifestantes, exatamente como atuou em relação aos que faziam selfies na Paulista com fardados –em vez de mandar descer o sarrafo, que sem sombra de dúvidas é a ordem emitida aos policiais ao se dirigirem aos protestos desde que derrubaram Dilma.

(Se você é um dos que perguntam por que nos protestos de direita não acontecem confrontos, esta é a resposta: porque em relação à direita, a ordem recebida é tratar os manifestantes como príncipes. Para a esquerda, sobram tiro, porrada e bomba.)

Ao invés disso, os jornalões estimulam a PM a ser violenta com os manifestantes. Repare nas palavras escolhidas pelo Estadão, o panfleto reacionário dos Mesquita, em seu editorial. “Cabe às autoridades constituídas reprimir a baderna e impedir que a desordem se torne rotina. É preciso saber distinguir o legítimo e democrático direito a manifestação no espaço público da baderna que atenta contra o direito da população de viver seu cotidiano em paz. No primeiro caso, o poder público tem o dever de oferecer aos cidadãos a garantia de se manifestar pacificamente. No segundo, tem a obrigação de impedir a ameaça potencial ou a ação daqueles que infringem a lei. A baderna nas ruas, longe de ser uma forma legítima e democrática de manifestação popular, é um grave atentado ao direito fundamental que os cidadãos, o povo, têm de viver em paz.”

A Folha vai além e, sob pretexto de mirar os black blocs, chama os manifestantes pró-Dilma de “fascistas”, como se os fascistas de verdade não fossem os que marchavam em favor do golpe nas ruas ou os que estão aboletados como colunistas no próprio jornal. “Grupelhos extremistas costumam atrair psicóticos, simplórios e agentes duplos, mas quem manipula os cordéis? O que pretendem tais pescadores de águas turvas? Quem financia e treina essas patrulhas fascistoides? Está mais do que na hora de as autoridades agirem de modo sistemático a fim de desbaratá-las e submeter os responsáveis ao rigor da lei.”

O Globo, em tom de ameaça, mira os simpatizantes do bolivarianismo em editorial intitulado Para Que Nunca Mais Haja Impeachment. “O fortalecimento não é apenas das cláusulas da responsabilidade fiscal, mas da Constituição como um todo, para desaconselhar de vez projetos bolivarianos como o do lulopetismo. Serve de aviso geral à nação.” Cinicamente, o pasquim dos Marinho afirma que não houve ruptura institucional no país, ignorando as ruas em chamas. “É de notável ineditismo, na América Latina, o fato de esses incidentes institucionais no país serem contornados sem as rupturas clássicas na região.”

É mais curiosa ainda a súbita condenação pelos jornais das manifestações de rua no país quando se sabe que, nos últimos anos, a imprensa brasileira tem apoiado e promovido protestos violentos na vizinha Venezuela –e criticado duramente o governo de Nicolás Maduro por reprimi-los. Agora que as manifestações contra o governo ressurgem no Brasil por parte da esquerda, a mídia decadente quer carimbá-las como “baderna” ou “desordem”. Mentira. Nada mais natural que os ânimos estejam acirrados, afinal há golpistas e golpeados, e estes têm todo o direito de estarem bastante zangados com o que ocorreu com Dilma.

O país caminha a passos rápidos para a convulsão social. A esquerda brasileira não aceita que corruptos patrocinados pela mídia tenham deposto uma mandatária honesta. Temos todo o direito de nos manifestar cotidianamente contra um governo que não reconhecemos como legítimo. Não adianta a imprensa burguesa tentar culpar Dilma ou Lula pelas manifestações contra Temer. Não se pode reverter os fatos e passar a culpar as vítimas. A mídia é co-partícipe deste golpe e, já que ela considera o governo de Temer legítimo, tem a obrigação de reconhecer que protestos contra ele também o são. Ao pintar manifestantes de esquerda como párias, é a imprensa, e não Lula ou Dilma, quem incita o ódio.

Ao referendar a violência policial contra manifestantes, a mídia só reforça a impressão de grande parte da imprensa internacional, a de que o Brasil passou por um processo de impeachment às margens da legalidade –não se pode esquecer que a mesma OEA que condenou Maduro também condenou o processo de impeachment de Dilma. A repressão fortalece o sentimento de que vivemos sob um regime TEMERário onde se manifestar livremente contra o governo é proibido, da mesma forma que sempre criticaram no Irã ou em Cuba. Alguém aí falou em ditadura?

UPDATE: agora o blogueiro da Veja pede PRISÃO do líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), Guilherme Boulos. Aqui.

UPDATE 2: o caquético jornal dos Mesquita volta à carga contra os manifestantes, contra Dilma e contra o PT. Leia.

Texto de Cynara Menezes

quinta-feira, 28 de julho de 2016

O ódio da "grande mídia" nacional aos blogs, à democracia e o retorno à Ditadura, pelo Professor Bajonas Teixeira de Brito Junior

Mídia pós-golpe não aceita ser contrariada, transforma notícia em ficção e regride mais de 30 anos



A chamada “grande mídia brasileira”, que está cada dia menor, usa a força de seu imenso aparato empresarial para manipular notícias e informações e transformar os fatos em pura ficção. E não é a ficção de Marcel Proust nem a de Thomas Mann, mas a das novelas insípidas da Globo.


O único senão que resta contra o totalitarismo da mídia é a má vontade dos blogs. Sem eles, sem a contradição e sem a exposição da mídia golpista ao ridículo, o mundo seria perfeito. Por isso, o sentimento de ódio e os ataques frequentes que a grande mídia dirige aos blogs.


Vive num mundo de fantasia quem acredita que a mídia não vai transformar seu ódio em guerra de extermínio contra os blogs. Por enquanto, assistimos a uma guerra de desgaste, de atrito, mas isso não vai durar para sempre.


Ainda que a mentira não seja fato novo na mídia, a falta de compromisso com a verdade ultimamente chegou à quintessência do desplante. Retornamos ao período pré-Nova República, aquela época (1984) em que a Globo anunciava no Jornal Nacional que o comício pelas Diretas Já na Praça da Sé, que reuniu 300 mil pessoas, era um evento de comemoração dos 430 anos da cidade de São Paulo.


A Folha de São Paulo, por sua vez, esquecendo sua tentativa de passar uma borracha no passado sinistro e se penitenciar de sua colaboração com a Ditadura, mea culpa que a levou a dar início a um projeto de jornalismo imparcial e equilibrado há 40 anos — mas que não durou tanto, é claro — mergulha novamente em práticas manipulatórias abaixo da linha da decência jornalística.


Enfim, a mídia brasileira regride voltando ao status quo ante, ou seja, à situação pré-Nova República, o que significa tornar-se, nada mais nada menos, que uma mídia de Ditadura. É o que temos hoje.


Um exemplo bem recente, e muito comentado, foi o da manipulação de dados de pesquisa do DataFolha sobre o apoio do eleitorado à figura de Michel Temer. Esse fato, que denuncia a total irresponsabilidade da mídia, agindo como se seus interesses justificassem qualquer distorção, já foi bastante discutido e me contento em remeter o leitor ao segundo artigo de Glenn Greenwald sobre o assunto.


Já que não podemos citar todos, porque são muitos, vejamos quatro exemplos da atual virada da mídia:


Para colaborar no esforço da Globo de promover um clima de ameaça terrorista, reforçando a iniciativa do governo Temer, através do seu ministro de Justiça, de prender um grupo de simpatizantes úteis na véspera das Olimpíadas, o ex-atleta e comentarista Tande recitou o script ditado pela emissora. No quadro que dividiu com Hortência, ex-rainha do basquete, Tande confidenciou que um dos momentos que marcou a sua história foi o atentado nas Olimpíadas de Munique, quando um comando palestino invadiu as instalações, sequestrou e matou diversos atletas israelenses (1972).


É provável que esse trágico acontecimento tenha sido lembrado pela produção do programa depois do episódio ocorrido no dia 22 na mesma Munique, quando um atirador matou 9 antes de cometer suicídio. De fato, são situações nefastas que nunca deveriam ter ocorrido. Involuntariamente, porém, ao fazer sua declaração, que tudo leva a crer nem foi imaginada por ele, o ex-jogador trouxe uma nota cômica. O fato é que o episódio aconteceu em setembro de 1972 e Tande nasceu em março de 1970. Portanto, ele tinha pouco mais de dois anos na ocasião.


É pouco provável que o pequeno Tande, embora a precocidade não possa ser descartada, desse alguma atenção à política internacional naquele período. Não fosse o crescente distanciamento do público (que nem notou) dos critérios de realidade, esse teria seria eleito um dos grandes micos da mídia nos últimos tempos. A cegueira do público (de direita e de esquerda) mostra a atual hipnose coletiva com a aproximação do evento.


Na mesma linha, a home do G1, embalando a atmosfera de terror, deu em letras garrafais a fuga de dois suspeitos de terrorismo para o exterior (22/07). Poderia haver prova mais contundente de que a ameaça terrorista era real do que dois envolvidos fugindo?


Dois suspeitos fogem


O link, contudo, aponta para uma matéria da rádio CBN em que não se encontra uma gota de verdade. Sem qualquer fonte, a matéria afirma com toda segurança informações que logo depois vão ser desmentidas, e cuja única função foi atuar como um factoide coadjuvante para criar a sensação de plausibilidade para as prisões arbitrárias (Vale ler o texto e depois ouvir o áudio, que chega a fazer acusações à mulher de um dos presos envolvendo-a na trama como a pessoa que teria dado o sinal para a fuga dos dois terroristas):


CBN - suspeitos fogem para o Paraguai


Outro episódio interessante, na mesma linha, apareceu na home da Folha-UOL, na qual se estampou uma chamada destinada, ao que parece, a amenizar as críticas que estão vindo à tona (junto com água, fios elétricos, esgoto, e outras impurezas da política brasileira) com os primeiros hospedes que chegam à Vila Olímpica.


O número de problemas de acabamento e defeitos registrados é tão grande que choca as delegações que se aventuram. No afã de amaciar para o governo Temer, uma chamada insistentemente grudada na home do UOL ontem (27/07) nos informava que haveria coisa pior pelo mundo:


Brasileiro já viu coisa pior


Embora não seja coisa agradável de ouvir quando alguém tenta disfarçar a imundície de uma residência, ou de uma Vila, com a alegada menção ao suposto desleixo (“situação pior”) do vizinho, o fato é que até isso na matéria é falso. Lendo a matéria, constatamos que o  halterofilista brasileiro Fernando Reis, em entrevista na terça-feira (26) na Vila Olímpica, disse coisa diferente:


“Já competi em inúmeros eventos nos Estados Unidos e na Europa e nem sempre as condições são as melhores”, emendou, em entrevista na tarde desta terça na Vila.


Uma coisa é ter visto “coisa pior”, outra muito diferente é dizer que “nem sempre as condições são as melhores”. Mas o mais interessante é que o título da matéria insiste em não ser fiel ao que o atleta disse: Atleta brasileiro defende Vila e diz que já competiu em condições piores no exterior. Essa insensibilidade à contradição, ou esse desprezo pela verdade, parece agir na crença de que a mídia tornou-se tão forte, que os títulos viraram palavras mágicas, bastando pronunciá-los para criar um real que se encaixaria perfeitamente no desejo dos patrões.


E não foi isso que a mídia fez no período que antecedeu ao golpe? A mídia dizia “fiat lux”, e fazia-se a luz. Pedia chuva, e chovia. A realidade, formada pela multidão de zumbis, se tornou cada vez mais dócil e amestrada. Não é à-toa, portanto, que o ódio aos blogs cresce diariamente na grande mídia. Eles são o grande obstáculo ao fascínio e à mágica da mídia.


Enfim, parece que chegamos a uma nova situação, em que a mídia está convencida de que bastam suas palavras para que a realidade brote, ofertando suas flores e frutos, não precisando senão que um apresentador, um repórter ou jornalista, as pronuncie. Estamos vivendo a era não do Anti-Cristo, mas do Anti-Nietzsche, já que em vez do crepúsculo dos deuses presenciamos a ascensão de uma nova divindade, a Mídia.


A Mídia divinizada logo ressuscitará os antigos códigos canônicos, aqueles que justificaram as atrocidades da Inquisição, e cobrará do judiciário a imolação dos novos infiéis, os blogs. Como a Globo, do alto do seu poder, tentou bloquear o aumento do Judiciário dizendo que era esquizofrenia temerária, pode ser que o assunto não prospere. É aguardar para ver.


Bajonas Teixeira de Brito Júnior – doutor em filosofia, autor dos livros Lógica do disparate, Método e delírio e Lógica dos fantasmas, e professor do departamento de comunicação social da UFES