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terça-feira, 24 de setembro de 2019

A perseguição implacável contra o desembargador Siro Darlan, desafeto da Rede Globo. Por Luis Nassif



Além de garantista, Siro se tornou um dos principais críticos dos privilégios dos tribunais cariocas, uma estrutura de poder polêmica e estreitamente ligada às Organizações Globo.

Do GGN:



Repito para o juiz Siro Darlan o que disse sobre Garotinho: não os conheço o suficiente para garantir que são inocentes; mas há evidências gigantescas de que sofrem perseguição.
Hoje de manhã a Polícia Federal invadiu casa e escritório de Siro. A alegação, segundo O Globo – que move contra ele campanha implacável – é que um presidiário ouviu de outro presidiário que pagou a um intermediário de Siro R$ 50 mil por um habeas corpus.
Pode ser que sim, pode ser que não. O Judiciário está pleno de “intermediários” cobrando taxa de sucesso para determinadas sentenças. Em qualquer sentença, há duas possibilidades: ou o juíz concede, ou nega. Siro é um garantista, isto é, um juiz com tendência a absolver. Não seria improvável que despertasse espertalhões “vendendo” sentenças óbvias.
Não fica nisso. Além de garantista, Siro se tornou um dos principais críticos dos privilégios dos tribunais cariocas, uma estrutura de poder polêmica e estreitamente ligada às Organizações Globo. Além disso, como garantista, tomou decisões contrárias à Lava Jato carioca.
Recentemente, Luiz Zveiter, o polêmico desembargador fluminense, foi alvo de uma representação no Conselho Nacional de Justiça por suspeita de superfaturamento em obras do tribunal. Não se sabe de nenhuma operação da PF contra ele. Já Siro foi alvo com base na declaração de um presidiário que ouviu de outro presidiário que pagou R$ 50 mil a alguém que se disse intermediário de Siro.
Sabendo-se o que se sabe hoje sobre os abusos das delações, não há como ficar com os dois pés atrás em relação a essa operação da PM. Pode ser que Darlan seja culpado. Pode ser que seja inocente. Sendo inocente, quem irá reparar os dados fundamentais à sua imagem e às suas prerrogativas de desembargador?

quarta-feira, 5 de junho de 2019

quinta-feira, 14 de março de 2019

Míriam Leitão diz que Bolsonaro vendeu “ficção eleitoral”, mas omite seu papel e o da Globo no filme, por Kiko Nogueira


"O atual ocupante do Palácio do Planalto prosperou ao longo de três décadas sem ser minimamente incomodado pela Globo, ampliando seus tentáculos para as milícias, botando a família para mamar, atacando a democracia.Enquanto ele crescia, Míriam e quejandos linchavam de maneira obsessiva o PT e o “lulodilmismo”, ajudando a derrubar Dilma, edulcorando gente como Aécio Neves, tratando movimentos fascistas de rua como democratas."

Do DCM:

Míriam Leitão diz que Bolsonaro vendeu “ficção eleitoral”, mas omite seu papel e o da Globo no filme

 
Autocrítica na trave
Míriam Leitão enganou seus leitores ensaiando a autocrítica tão cobrada do PT.
Fez que ia e acabou fondo, como dizia meu amigo Zezinho.
Em sua coluna no Globo, tascou que “Bolsonaro vendeu a ficção eleitoral de que era a nova política”.
“Jair Bolsonaro se apresentar como o representante da nova política é uma ficção eleitoral. O presidente passou 28 anos no Congresso e nunca se notabilizou por fazer de maneira diferente”, escreveu.
“Ele esteve em partidos envolvidos em corrupção, com o PP. Bolsonaro apenas não esteve nos grupos de poder porque era adversário deles.”
Míriam fala da liberação de R$ 1 bilhão em emendas, que Jair prometia não adotar antigas práticas corruptas e na verdade adotou etc etc.
Além do artigo ser raquítico, é desonesto.
O atual ocupando do Palácio do Planalto prosperou ao longo de três décadas sem ser minimamente incomodado pela Globo, ampliando seus tentáculos para as milícias, botando a família para mamar, atacando a democracia.
Enquanto ele crescia, Míriam e quejandos linchavam de maneira obsessiva o PT e o “lulodilmismo”, ajudando a derrubar Dilma, edulcorando gente como Aécio Neves, tratando movimentos fascistas de rua como democratas.
Da última vez em que Míriam esteve cara a cara com o sujeito numa sabatina, acoelhou-se e foi obrigada a ler o clássico editorial lamentando o apoio de seus empregadores à ditadura (outra ficção).
A “ficção eleitoral” não existiria sem a Globo e atores como Míriam Leitão.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A mídia em duas conspirações. Por Nílson Lage


midiagolpe

Em palestra na Udesc, Florianópolis, semana passada, comparei a imprensa brasileira em dois momentos, os que precederam a deposição de João Goulart por abandono do cargo, em 1964, e de Dilma Rousseff, por impeachment, em 2016 – em ambos os casos, com razões formais e ação política.
Em 1964, eu era redator-chefe de Última Hora, rede de diários que tirava 700 mil exemplares/dia rodando em quatro capitais; dois anos antes, editei por uns dois meses o Jornal do Brasil, joia da modernidade editorial da época, justo quando o obrigaram, por irresistível pressão bancária, a aderir à conspiração em curso. Estudo o assunto desde então.
A principal diferença entre os dois períodos é que atualmente a mídia é unânime no que importa e concentrada em cinco ou seis grupos geradores de informação; antes, era plural em tudo e divergia. O Rio de Janeiro, que recém-deixara de ser a capital, reunia os principais formadores de opinião que, hoje, estão em São Paulo, onde fica o estômago da Rede Globo.
A televisão alcançava os mais ricos e urbanos; o rádio era a mídia eletrônica do grande público, dominado ainda pela Nacional, emissora estatal gerida com isenção política. Revistas, duas principais, O Cruzeiro e Manchete
.
A opinião fluía mesmo é nos grandes jornais do Rio, editados por empresas sólidas que ocupavam prédios centrais próprios, de cinco a sete andares.
O JB, fundado em 1891, conquistara influente faixa de leitores entre intelectuais e gestores oriundos do processo de modernização do país. Tentou manter a dignidade com linha editorial errática; depois, perdeu importância.
O Correio da Manhã, de 1901, tinha tradição oposicionista e redação que pesava na formulação da linha editorial; sua repercussão era tal que elegeu em 1966 dois redatores deputados federais – ambos com mandatos cassados nos anos seguintes.
O Diário de Notícias, de 1930, de orientação nacionalista e penetração no meio militar, patrocinara, em 1958, a formulação de um documento acadêmico que se tornaria plano de governo de Jânio Quadros; em 1966, associou-se à campanha pela “frente ampla” que reuniria Carlos Lacerda, João Goulart e Juscelino.
Ultima Hora, de 1951, órgão de linha trabalhista, tinha a peculiaridade de ser um jornal popular orientado por intelectuais do porte de seu diretor de redação, Moacyr Werneck de Castro, uma das pessoas mais cultas que já conheci. No dia mesmo do golpe de Estado, foram empasteladas ou desativadas suas oficinas em São Paulo, Recife e Porto Alegre. No Rio, a redação foi depredada, mas o jornal circulou por alguns anos mais.
O Correio da Manhã e o Diário de Notícias foram asfixiados e seus proprietários perseguidos. Desapareceram na década de 1970.
O Globo, de 1925, participou com os Diários Associados, de Assis Chateaubriand, do núcleo que armou o golpe de Estado. Em 1965, surgiu a TV Globo do Rio e a de São Paulo, que seriam o embrião da “rede de TV da revolução”, montada com verbas públicas entre 1972 e 1982; é hoje quem domina a opinião publica do país, ao lado de dois jornais e uma revista paulistas.
Fonte: Tijolaço

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O que fazer com a manipuladora Rede Globo de Comunicações? por Wanderley Guilherme dos Santos




O que fazer com o sistema globo de comunicação é um dos mais difíceis problemas a solucionar pela futura democracia brasileira. A capacidade de fabricar super-heróis fajutos, triturar reputações e transmitir versões selecionadas e transfiguradas do que acontece no mundo, lhe dá um poder intimidante a que se foram submetendo o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. A referência aos três poderes constitucionais da República resume a extensão do controle que o Sistema Globo detém e exerce implacavelmente, hoje, sobre toda e qualquer organização ou cidadão brasileiro. Só ínfima proporção do povo desdenha ser personagem de um fictício Brasil, nas páginas de seus jornais e revistas, notícias radiofônicas e matérias televisivas. Ainda menor é o número dos que não se abalam com a possibilidade de soçobrar nos planos de perseguição e vingança do portentoso vozeirão do Monstro comunicativo. Nenhum juiz, político, servidor público, organizações do bem ou do mal, passantes inofensivos e supostos detentores de direitos posa de valente diante das bochechas do mau humor Global. O Sistema Globo de Comunicação superou as Forças Armadas e as denominações religiosas, inclusive a inquisitorial Igreja Católica, na capacidade de distribuir pela sociedade os terríveis sentimentos de medo, ansiedade e inquietação. Ele é a fonte do baixo astral e baixa estima dos brasileiros e das brasileiras. O Sistema Globo converteu-se no gerente corruptor e corruptível do medo político, econômico, social e moral da sociedade brasileira, sem exceção.

Denunciar a gênese não contribui para elaborar eficiente estratégia de destruição do Monstro. Aliás, de que destruição se trata? O Sistema fabricou a mais abrangente e veloz rede de transmissão de notícias, através de emissoras e retransmissoras associadas, com comando centralizado e sem rival na sofisticação de sua aparelhagem e na competência de seus operadores. O Sistema Globo de Comunicações é modelo de excepcionalmente bem sucedido projeto de formação da opinião pública e de interpretação conjuntural dos valores cívicos da nacionalidade. É ele quem cria os amigos e os inimigos do País, mediante o controle, pelo medo, das instituições políticas e judiciárias. Com extraordinária reserva de recrutas intelectuais e especialistas, está aparelhada para a defesa de qualquer tese que a mantenha como proprietária praticamente exclusiva do poder de anunciar, em primeira mão, o que é a verdade — sobre tudo e sobre todos.

Não é esse poder tecnológico e de competência que deve ser destruído. Ao contrário, preservado e estimulado a manter-se na vanguarda da capacidade difusora de notícias e de valores, bem como em sua engenhosidade empresarial capitalista. O que há a fazer é expropriar politicamente o Sistema Globo de Comunicações, mantendo-o autônomo em relação aos governos eventuais (ou frentes ideológicas de infiltradas sanguessugas autoritárias), e implodir as usinas editoriais e jornalísticas do medo e de catástrofes emocionais, restituindo isenção aos julgamentos de terceiros. O Sistema Globo constitui, potencialmente, excelente opção para um sistema público de notícias impressas, radiofônicas e televisivas. Politicamente expropriados da tirania exercida sobre o jornalismo da organização, seus proprietários jurídicos podem manter ações e outros haveres econômicos das empresas conglomeradas, sem direito a voto na redação do futuro manual do sistema público de comunicação.

Como está é que não pode ficar. Ou não haverá democracia estável no país.

Wanderley Guilherme dos Santos - Fonte: Contexto Livre

sábado, 27 de agosto de 2016

A Globo, o Poder e o que há de vir após o Golpe



Por trás das cortinas do golpe – O futuro da Globo

Por Bajonas Teixeira de Brito Junior, editor de política do Cafezinho
Pois é. A Globo se tornou grande demais. Já era a segunda maior rede comercial do mundo e o segundo maior complexo televisivo da América Latina, agora passa a ser também a maior força política do país. A emissora, como ninguém ignora, tem sido apontada como agente decisivo dentro do consórcio do golpe.
O problema é que um princípio que rege a história brasileira, e do qual exemplos não faltam,  reza que “quanto maior o homem, maior o tombo”. São tantos os casos, e não só de homens mas também de empresas, de instituições e partidos, que vale analisar o assunto com atenção.
Observando a home da Globo por esses dias, quando o julgamento do impeachment de Dilma Rousseff entra na reta final no Senado, constata-se que seu ardor messiânico não arrefeceu em nada. Como sempre, lá estão as manchetes carregadas, forçadas nas tintas e nas dimensões, sempre negativas para Lula e para a presidenta.  Nem nesse momento,  da etapa final do julgamento no Senado, a empresa achou por bem adotar um tom mais sóbrio e simular alguma neutralidade. Ao contrário. A manchete que ontem ficou seis horas na home do G1, em fonte com dimensões espantosas, era sobre o indiciamento de Lula pela PF. (Pode ser vista aqui)
A imagem que escolhemos para ilustrar esse artigo (imagem da home G1, dia 12 de maio, às 7.34hs), uma dentre inúmeras de um arquivo de cinco mil imagens de homes e matérias que documentam a mídia nos últimos meses, é do início da manhã do dia em que o Senado aceitou o afastamento de Dilma para a continuidade do processo do impeachment. O enorme espaço ocupado pela imagem, cobrindo toda a faixa superior da home do portal naquela dia, e a sensação de cerco e opressão registrados nela, evocam o novo patamar de poder da Globo, deixando claro que o assédio ao Palácio do Planalto, o cerco, foi obra sua.
As intenções da Globo parecem ir muito além de uma mudança de governo, por mais traumática que esta tenha sido para a democracia, e para os 54 milhões de eleitores de Dilma. A empresa de comunicação, pelo que se constata em diversas intervenções nos últimos três meses, ou seja, desde o início da presidência interina de Temer, deixa poucas dúvidas sobre suas pretensões de comandar a política brasileira.
Alguns de seus posicionamentos são de quem pretende formular e conduzir as políticas decisivas para o país, sem se importar se essa condução contrariará os interesses das corporações mais bem situadas no funcionalismo público. Um exemplo importante foi o que veio no editorial da revista Época, que chamava de esquizofrênica a aprovação, em meados de maio, do regime de urgência na Câmara para votar os projetos de lei de aumento do Judiciário e do STF.
A Globo identifica a si mesma como genuína representante dos interesses da nação enquanto, do outro lado, põe as três instâncias do Estado como instituições esquizofrênicas. Estão completamente enlouquecidas pelo delírio salarial:
“A esquizofrenia política brasileira tem uma série de sintomas patológicos. Há uma completa falta de governança entre os Três Poderes – Executivo, Judiciário e Legislativo – no enfrentamento da crise. É um sinal de alheamento da gravidade da situação do país que a cúpula do Judiciário patrocine um projeto de reajuste  de 16,38% dos próprios vencimentos. O STF, que assume cada vez maior protagonismo na cena política, deveria assumir também a vanguarda da austeridade.”
Não só, portanto, a Globo se põe acima da instância executiva máxima do país, ocupada então pelo interino Michel Temer, mas também sobre os dois outros pilares do estado, igualmente tomados pela esquizofrenia.
Temer, o que nesse caso não surpreendeu ninguém, tomou a direção contrária aos ditames da Globo, e aprovou o aumento, até ampliando sua abrangência para outras categorias do serviço público. Esse alargamento se impôs para camuflar a intenção óbvia, de não parecer ingrato e de se precaver contra a fúria insana do STF, que já havia se abatido sobre Dilma. Não podendo dar um aumento exclusivo para o Judiciário e o STF, o que pegaria muito mal, teve que mascarar isso com uma ampliação dos beneficiados.
Matéria no UOL no dia da aprovação dos projetos (02 de junho) estimava o impacto dos aumentos sobre as contas públicas em 58 bilhões.
A Globo reagiu posteriormente com uma chocante cobertura da première da primeira-dama Marcela nas cerimonias públicas, ilustrada por uma imagem para além de qualquer dúvida. De certo, o recado foi bem entendido no Jaburu.  E a humilhação não será facilmente esquecida.
A Globo, por sua vez, apesar de todo seu poder, ou melhor, justamente por todo poder que acumulou como a força mais decisiva para o desenlace do golpe, não ignora que corre grande risco. Sim, por paradoxal que seja, no Brasil, um país meio taoista, todo extremo anuncia a chegada de uma brusca virada. Exemplos?
Os exemplos são inúmeros, dos mais óbvios aos mais modestos. Dos modestos, lembremos de apenas um, Demóstenes Torres, que se ergueu ao posto de senador modelo, diversas vezes premiado, e depois ruiu lamentavelmente como um ídolo de pés de barro. E ainda deste caso trágico, mas de todo previsível, que se pode contemplar na imagem do todo poderoso José Dirceu, que era apontado como o Maquiavel brasileiro, e que também foi tragado por sua insigne grandeza. Em escala ainda maior, observe-se o próprio Lula que chegou a uma altura enorme, e dessa altura colocou Dilma na cadeira presidencial.
A perseguição a Lula, e a vontade de reduzir a nada sua imagem, faz parte dos arcanos mais íntimos da alma brasileira, o que talvez ajude a explicar por que alguns milhões de adeptos, até ontem, permaneceram em casa assistindo passivos à cena da caçada ao líder. O prazer de ver o circo pegar fogo é o que aqui entretém os palhaços.
A lógica que orquestra a loucura brasileira é a do antigo ditado português – “Quanto maior o homem, maior o tombo”. Esse provavelmente será em breve o caso de Gilmar Mendes, e quem sabe até o de Sérgio Moro, como já foi o de tantos outros.
Agora que acumulou tanta musculatura, ao ponto de tornar-se, de fato, a força mais temível, e isso não apenas por um, mas por todos, a Globo ingressou com as próprias pernas em uma zona de grande risco. Agora, seja no velho espírito de horda primordial, daquele tipo freudiano que assassina o pai para apaziguar um temor coletivo, ou, mais próximo do que temos visto, no estilo máfia, que liquida o chefão, porque prefere conviver com várias famílias, do que ter que se subordinar a uma só, não será surpresa se a Globo for a vítima da vez.
Uma vítima imolada em sacrifício, para que os demais possam, em torno do seu cadáver, festejar a renovação da identidade grupal. Sem falar na partilha da herança. Como repetimos desde o dia 06 de março, dentro de um golpe há sempre muitos outros golpes ansiando por ver a luz do dia.
Temer deve ter medo da Globo. Muito medo. E não é o único. O temor aumenta na medida exata da gratidão que todos sentem pelos serviços prestados. Mas, como Stalin ensinou já faz um bom tempo, a gratidão é uma virtude canina. E, se pode acrescentar, os caninos são sempre cínicos.
Não sabemos o fim dessa história. Mas uma coisa é certa: a Globo se tornou grande demais.
Bajonas Teixeira de Brito Júnior – doutor em filosofia, UFRJ, autor dos livros Lógica do disparate, Método e delírio e Lógica dos fantasmas, e professor do departamento de comunicação social da UFES.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

O ódio da "grande mídia" nacional aos blogs, à democracia e o retorno à Ditadura, pelo Professor Bajonas Teixeira de Brito Junior

Mídia pós-golpe não aceita ser contrariada, transforma notícia em ficção e regride mais de 30 anos



A chamada “grande mídia brasileira”, que está cada dia menor, usa a força de seu imenso aparato empresarial para manipular notícias e informações e transformar os fatos em pura ficção. E não é a ficção de Marcel Proust nem a de Thomas Mann, mas a das novelas insípidas da Globo.


O único senão que resta contra o totalitarismo da mídia é a má vontade dos blogs. Sem eles, sem a contradição e sem a exposição da mídia golpista ao ridículo, o mundo seria perfeito. Por isso, o sentimento de ódio e os ataques frequentes que a grande mídia dirige aos blogs.


Vive num mundo de fantasia quem acredita que a mídia não vai transformar seu ódio em guerra de extermínio contra os blogs. Por enquanto, assistimos a uma guerra de desgaste, de atrito, mas isso não vai durar para sempre.


Ainda que a mentira não seja fato novo na mídia, a falta de compromisso com a verdade ultimamente chegou à quintessência do desplante. Retornamos ao período pré-Nova República, aquela época (1984) em que a Globo anunciava no Jornal Nacional que o comício pelas Diretas Já na Praça da Sé, que reuniu 300 mil pessoas, era um evento de comemoração dos 430 anos da cidade de São Paulo.


A Folha de São Paulo, por sua vez, esquecendo sua tentativa de passar uma borracha no passado sinistro e se penitenciar de sua colaboração com a Ditadura, mea culpa que a levou a dar início a um projeto de jornalismo imparcial e equilibrado há 40 anos — mas que não durou tanto, é claro — mergulha novamente em práticas manipulatórias abaixo da linha da decência jornalística.


Enfim, a mídia brasileira regride voltando ao status quo ante, ou seja, à situação pré-Nova República, o que significa tornar-se, nada mais nada menos, que uma mídia de Ditadura. É o que temos hoje.


Um exemplo bem recente, e muito comentado, foi o da manipulação de dados de pesquisa do DataFolha sobre o apoio do eleitorado à figura de Michel Temer. Esse fato, que denuncia a total irresponsabilidade da mídia, agindo como se seus interesses justificassem qualquer distorção, já foi bastante discutido e me contento em remeter o leitor ao segundo artigo de Glenn Greenwald sobre o assunto.


Já que não podemos citar todos, porque são muitos, vejamos quatro exemplos da atual virada da mídia:


Para colaborar no esforço da Globo de promover um clima de ameaça terrorista, reforçando a iniciativa do governo Temer, através do seu ministro de Justiça, de prender um grupo de simpatizantes úteis na véspera das Olimpíadas, o ex-atleta e comentarista Tande recitou o script ditado pela emissora. No quadro que dividiu com Hortência, ex-rainha do basquete, Tande confidenciou que um dos momentos que marcou a sua história foi o atentado nas Olimpíadas de Munique, quando um comando palestino invadiu as instalações, sequestrou e matou diversos atletas israelenses (1972).


É provável que esse trágico acontecimento tenha sido lembrado pela produção do programa depois do episódio ocorrido no dia 22 na mesma Munique, quando um atirador matou 9 antes de cometer suicídio. De fato, são situações nefastas que nunca deveriam ter ocorrido. Involuntariamente, porém, ao fazer sua declaração, que tudo leva a crer nem foi imaginada por ele, o ex-jogador trouxe uma nota cômica. O fato é que o episódio aconteceu em setembro de 1972 e Tande nasceu em março de 1970. Portanto, ele tinha pouco mais de dois anos na ocasião.


É pouco provável que o pequeno Tande, embora a precocidade não possa ser descartada, desse alguma atenção à política internacional naquele período. Não fosse o crescente distanciamento do público (que nem notou) dos critérios de realidade, esse teria seria eleito um dos grandes micos da mídia nos últimos tempos. A cegueira do público (de direita e de esquerda) mostra a atual hipnose coletiva com a aproximação do evento.


Na mesma linha, a home do G1, embalando a atmosfera de terror, deu em letras garrafais a fuga de dois suspeitos de terrorismo para o exterior (22/07). Poderia haver prova mais contundente de que a ameaça terrorista era real do que dois envolvidos fugindo?


Dois suspeitos fogem


O link, contudo, aponta para uma matéria da rádio CBN em que não se encontra uma gota de verdade. Sem qualquer fonte, a matéria afirma com toda segurança informações que logo depois vão ser desmentidas, e cuja única função foi atuar como um factoide coadjuvante para criar a sensação de plausibilidade para as prisões arbitrárias (Vale ler o texto e depois ouvir o áudio, que chega a fazer acusações à mulher de um dos presos envolvendo-a na trama como a pessoa que teria dado o sinal para a fuga dos dois terroristas):


CBN - suspeitos fogem para o Paraguai


Outro episódio interessante, na mesma linha, apareceu na home da Folha-UOL, na qual se estampou uma chamada destinada, ao que parece, a amenizar as críticas que estão vindo à tona (junto com água, fios elétricos, esgoto, e outras impurezas da política brasileira) com os primeiros hospedes que chegam à Vila Olímpica.


O número de problemas de acabamento e defeitos registrados é tão grande que choca as delegações que se aventuram. No afã de amaciar para o governo Temer, uma chamada insistentemente grudada na home do UOL ontem (27/07) nos informava que haveria coisa pior pelo mundo:


Brasileiro já viu coisa pior


Embora não seja coisa agradável de ouvir quando alguém tenta disfarçar a imundície de uma residência, ou de uma Vila, com a alegada menção ao suposto desleixo (“situação pior”) do vizinho, o fato é que até isso na matéria é falso. Lendo a matéria, constatamos que o  halterofilista brasileiro Fernando Reis, em entrevista na terça-feira (26) na Vila Olímpica, disse coisa diferente:


“Já competi em inúmeros eventos nos Estados Unidos e na Europa e nem sempre as condições são as melhores”, emendou, em entrevista na tarde desta terça na Vila.


Uma coisa é ter visto “coisa pior”, outra muito diferente é dizer que “nem sempre as condições são as melhores”. Mas o mais interessante é que o título da matéria insiste em não ser fiel ao que o atleta disse: Atleta brasileiro defende Vila e diz que já competiu em condições piores no exterior. Essa insensibilidade à contradição, ou esse desprezo pela verdade, parece agir na crença de que a mídia tornou-se tão forte, que os títulos viraram palavras mágicas, bastando pronunciá-los para criar um real que se encaixaria perfeitamente no desejo dos patrões.


E não foi isso que a mídia fez no período que antecedeu ao golpe? A mídia dizia “fiat lux”, e fazia-se a luz. Pedia chuva, e chovia. A realidade, formada pela multidão de zumbis, se tornou cada vez mais dócil e amestrada. Não é à-toa, portanto, que o ódio aos blogs cresce diariamente na grande mídia. Eles são o grande obstáculo ao fascínio e à mágica da mídia.


Enfim, parece que chegamos a uma nova situação, em que a mídia está convencida de que bastam suas palavras para que a realidade brote, ofertando suas flores e frutos, não precisando senão que um apresentador, um repórter ou jornalista, as pronuncie. Estamos vivendo a era não do Anti-Cristo, mas do Anti-Nietzsche, já que em vez do crepúsculo dos deuses presenciamos a ascensão de uma nova divindade, a Mídia.


A Mídia divinizada logo ressuscitará os antigos códigos canônicos, aqueles que justificaram as atrocidades da Inquisição, e cobrará do judiciário a imolação dos novos infiéis, os blogs. Como a Globo, do alto do seu poder, tentou bloquear o aumento do Judiciário dizendo que era esquizofrenia temerária, pode ser que o assunto não prospere. É aguardar para ver.


Bajonas Teixeira de Brito Júnior – doutor em filosofia, autor dos livros Lógica do disparate, Método e delírio e Lógica dos fantasmas, e professor do departamento de comunicação social da UFES

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Globo. Meu nome é Rede Globo de Manipulação... Por Davi Santos




Meu nome é Rede Globo de Manipulação, sou líder de audiência, entro em mais de 80 por cento dos lares brasileiros, sou ditadora de modas, comportamentos, há 50 anos venho influenciando, fazendo a cabeça dos grupos sociais, de Leste a Oeste, de Norte a Sul, venho separando, dividindo, fragmentando, ideologizando, alienando, brincando de mentiras e verdades, fazendo novelas globais...


Meu nome é Rede Globo de Manipulação, tenho o povo brasileiro nas mãos, sob meus pés! Jogo sujo com o cidadão da pátria mãe, sou dependente do capital privado, estrangeiro, defendo os interesses dos meus clientes bilionários, tenho que manipular a verdade, distorcer os fatos, direcionar as ideias para poder sobreviver...


Meu nome é Rede Globo de Manipulação, sou um réu confesso, um delator premiado de mim mesmo, sou golpista, estou querendo e trabalhando para derrubar um governo, tirar uma mulher do poder, impedir que o Lula seja presidente do Brasil em 2018...


Meu nome é Rede Globo de manipulação, alienação, confesso que os meus instintos mais primitivos quer destruir, acabar, matar os sindicatos, organizações sociais, acabar com as cotas acadêmicas, conquistas das plebes, guetos, favelados...


Meu nome é Rede Globo de Alienação, pretendo usar métodos nazistas de comunicação para fazer lavagem cerebral nos 53 milhões de brasileiros que votaram no Partido dos Trabalhadores...



Meu nome é Rede Globo de Televisão, sou corrupta, sonegadora de impostos e trabalho pela ideologia das fragmentações, ideologia do quanto mais pior melhor para o meu bloso, melhor para o bolso dos meus fantoches, funcionários, jornalistas antiprofissionais, corrompidos, vendendo a alma por dinheiro, marionetes globais...


David Santos

domingo, 8 de maio de 2016

Panama Papers confirma: filha de João Roberto Marinho pagou à Mossack, empresa “a serviço de delatores e traficantes”. Texto e vídeo do jornalista Luiz Carlos Azenha





Panamá Papers confirmam Viomundo: filha de João Roberto Marinho pagou à Mossack, empresa “a serviço de delatores e traficantes”; em 2009, foram 7 mil dólares para reativar offshore Vaincre LLC



Quando o suspeito era Lula, O Globo denunciou a Mossack e chegou atribuir a propriedade do edifício Solaris ao ex-presidente. Agora, se cala sobre a herdeira de Roberto Marinho

Publicação do blog de Fernando Rodrigues confirma o que o Viomundo denunciou com exclusividade em 22 de março último: a neta favorita de Roberto Marinho, Paula, filha de João Roberto Marinho, fez pagamentos à Mossack & Fonseca relativos à manutenção de três empresas offshore ligadas aos negócios do marido dela, Alexandre Chiappeta de Azevedo.

Além disso, em outubro de 2009 a filha de João Roberto Marinho participou da regularização da offshore Vaincre LLC em Las Vegas, Nevada, de acordo com e-mail publicado por Fernando Rodrigues.

Nevada tem legislação que favorece especialmente a ocultação dos verdadeiros donos de uma empresa de fachada. É que o estado norte-americano permite que a offshore tenha como agente e gerente locais não pessoas em carne e osso, mas outras empresas.

Num artigo de dezembro de 2014 sobre a Mossack, o jornalista Ken Silverstein reproduziu entrevista de um especialista em lavagem de dinheiro, que explicou o que acontece em Nevada: “São organizações integradas verticalmente até o minuto em que aparece um policial ou investigador. Aí elas se desintegram em uma série de entidades desconectadas e todo mundo jura que não sabe nada sobre qualquer outra pessoa no sistema. É um quebra-cabeças montado, que de repente se desfaz quando alguém começa a investigar”.

Foi por isso que Paula ou o marido optaram por reativar a Vaincre LLC em Nevada, que estava inativa desde 2005?

A regularização foi feita com o pagamento de U$ 7.035,00 em atrasados em outubro de 2009, em invoice emitido em nome de Paula, segundo e-mail divulgado por Fernando Rodrigues.

Os motivos para ela ter feito isso permanecem desconhecidos, mas podem ter relação com a Paraty House.

Segundo o escritório de arquitetura que projetou o bunker de concreto na praia de Santa Rita, a casa foi construída em 2009.

Erguida com violação de leis ambientais, a mansão está em nome da Agropecuária Veine. Uma das sócias da Veine é a offshore Vaincre LLC.

É plausível que a Vaincre LLC sirva como biombo para proteger a identidade de sócio/a/os/as oculto/a/os/as da mansão.

Além da Vaincre LLC, são relacionadas aos negócios de Alexandre as offshore A Plus Holdings, do Panama e Juste, nas ilhas Seychelles.

Todas foram criadas pela Mossack & Fonseca, que o próprio jornal O Globo, da família Marinho, definiu como “a serviço de ditadores e delatores”, em reportagem de 28 de janeiro deste ano.

Tais denúncias eram feitas quando se suspeitava que o ex-presidente Lula tinha relação com offshore criada pela Mossack que aparecia como dona de apartamento no edifício Solaris, em Guarujá, onde um triplex foi atribuído ao ex-presidente. Ele nega.

O Globo e a TV Globo, ambos da família Marinho, trabalharam intensamente para ligar Lula ao triplex.



Paula, o avô e o pai: JN não encontrou a herdeira na “cidade do pecado”

Em 28 de janeiro deste ano, o Jornal Nacional esteve em Las Vegas, que descreveu como “a cidade do pecado”, para investigar a Mossack. Mas, ironicamente, não encontrou a Vaincre LLC, ligada mesmo que indiretamente à herdeira de Roberto Marinho.




Paula Marinho está numa lista de 14 empresários de mídia e jornalistas brasileiros que, segundo os Panama Papers, abriram ou operaram offshores através da Mossack.

A forma com que as informações foram divulgadas é quase uma desculpa antecipada: diz-se que empresas criadas em paraísos fiscais, declaradas à Receita Federal, são legais.

Fato: o ex-ministro Joaquim Barbosa usou legalmente uma empresa nas ilhas Virgens Britânicas para comprar um apartamento em Miami, mas admitiu que os motivos foram de ordem fiscal e sucessória. É a chamada “elisão” de tributos, no Brasil ou mesmo nos Estados Unidos.

É no mínimo hipocrisia para quem vive denunciando corrupção alheia.

LEGAL MAS IMORAL?

Num país desigual como o Brasil, a utilização de artifícios para a redução do pagamento de impostos é imoral, lembrou Paulo Nogueira ao tratar do caso de Carlos Henrique Schroder, o chefão da Globo que também aparece nos Panama Papers:

Nogueira escreveu:

Primeiro, vamos deixar clara uma coisa. Criar contas em paraísos fiscais é apenas uma forma legalizada de sonegar. (Legalizada por enquanto, vistos os esforços de múltiplos países para pôr fim a essa mamata que furta dinheiro que construiria escolas, hospitais, portos, estradas e por aí vai.) Isto quer dizer: ainda que você declare a conta ou as contas, você continuará a sonegar. Em países com largos contingentes de miseráveis como o Brasil, esta sonegação (ainda) legalizada é ainda moralmente pior. Amplia e perpetua a desigualdade social.
PAULA MARINHO QUER FAZER PARECER QUE NADA TEM A VER COM ALEXANDRE

No caso específico de Paula Marinho, ela afirmou a Fernando Rodrigues, em sua defesa:

Paula Marinho informa que não tem nem nunca teve participação em nenhuma dessas empresas. O beneficiário era seu ex-marido Alexandre Chiappeta. Seu endereço foi apenas usado para o envio de faturas de manutenção das mesmas. Quanto à casa mencionada, essa informação [veiculada em parte da mídia] não é verdadeira. A propriedade não pertence à família Marinho.
Aqui é preciso sublinhar que Paula Marinho Azevedo foi casada com Alexandre Chiappeta de Azevedo durante longos anos. Portanto, mesmo que não tenha sido sócia formal das empresas que aparecem em nome do marido, foi beneficiária dos negócios dele.

Paula era casada com Alexandre, por exemplo, quando ele obteve o controle do estádio de remo da Lagoa, no Rio, sem concorrência pública, em 1997.

Em 1998, ela assinou como fiadora o primeiro aditamento do contrato com o então governador do Rio, Anthony Garotinho.

Sendo assim, antes da separação em 2015, o casal desfrutou por 18 anos — sim, 18 anos! — de um espaço público nobre da cidade, em plena Lagoa Rodrigo de Freitas, onde passou a implantar um negócio com cinemas e restaurantes.

O MP do Rio move ação para obter de volta todo o investimento público feito no estádio desde então, cerca de R$ 30 milhões.

Considera que os concessionários é que deveriam ter pago pelas reformas das quais se beneficiaram.

O estádio sediará competições de remo e canoagem das Olimpíadas de 2016. O caderno oficial que trata do legado olímpico já adiantou que o estádio continuará entregue à iniciativa privada depois das competições.

Remadores do Rio pedem que seja aberta concorrência pública. Dizem que um negócio ilegal jamais seria mantido por quase 20 anos se o poder da Globo e da família Marinho não estivessem por trás.

Denunciam que a empresa Glen/Glem/Lagoon, de Alexandre Chiappeta Azevedo, não cumpriu a promessa de estimular o esporte, pelo contrário, roubou espaço e prejudicou o desenvolvimento do remo no Brasil.

Afirmam os esportistas que isso será demonstrado quando o Brasil não ganhar nenhuma das medalhas em disputa nas competições de remo nas Olimpíadas do Rio.

As empresas de mídia da família Marinho jamais repercutiram as denúncias dos remadores.

Se Paula nada teve a ver com os negócios do marido, por que esconder as denúncias?



ANOTAÇÕES APREENDIDAS

O nome de Paula, um número de conta bancária que pode ser dela e valores supostamente pagos à Mossack como taxa de manutenção aparecem em documentos manuscritos apreendidos pela Polícia Federal no escritório da empresa panamenha em São Paulo. São pagamentos relativos aos meses de junho e julho de 2015.

As denúncias foram feitas originalmente pelo Viomundo.

Como explicar que Paula tenha feitos pagamentos e agora diga que não tem relação com as empresas offshore?

É muito mais que a Polícia Federal tem em relação ao ex-presidente Lula e o triplex atribuído a ele no edifício Solaris.

A PF não terá dificuldades em esclarecer as anotações reproduzidas acima: basta ouvir o autor delas, Ricardo Honório Neto, que foi preso e depois libertado pelo juiz Sérgio Moro.

Também pode ouvir duas funcionárias ligadas aos negócios de Alexandre: Lúcia Cortes Pinto e Rita de Cássia de Oliveira Wirth.

Lúcia não respondeu a perguntas do Viomundo feitas por telefone.

Segundo os documentos publicados pelo blog de Fernando Rodrigues, é ela a procuradora oficial da Vaincre LLC no Brasil.

Procurada por um jornalista no Rio, Rita disse não ter relação com um negócio no qual o nome dela aparece como procuradora: a importação de um helicóptero por um consórcio do qual participou empresa ligada a Alexandre.

Impossível determinar a esta altura se Rita é mesmo apenas uma laranja, como sugeriu em gravação.

Foi uma pessoa de primeiro nome Rita que trocou e-mail com a Mossack & Fonseca para reativar a Vaincre LLC em 2009, acertando a emissão de invoice em nome de Paula Marinho de Azevedo.



DUPLA BLINDAGEM

Nos papéis da Mossack & Fonseca apreendidos em São Paulo, Lúcia Cortes Pinto aparece como acionista da Juste, a offshore das ilhas Seychelles da qual Paula Marinho pagou pelo menos duas vezes a taxa de manutenção.

Os diretores da Juste aparecem como duas empresas também criadas pela Mossack & Fonseca: Shareton Ltd. e Direhold Ltd.

Este nível de dupla blindagem não é usual e demonstra que se pretendia esconder a qualquer custo a identificação dos verdadeiros donos da empresa.

Uma linha de investigação das autoridades brasileiras poderá fazer o rastreamento das operações feitas em nome das offshore Vaincre LLC, A Plus Holdings, Juste e da Pliwel, uma empresa uruguaia que também apareceu associada aos negócios de Alexandre Chiapetta Azevedo.

Operações superiores a U$ 100 mil devem ser registradas junto ao Banco Central. Se não houver nenhum registro oficial, a pergunta óbvia é: por que ter empresas offshore se não havia pretensão de utilizá-las?

Se foram utilizadas de forma ilegal, serviram para fazer lavagem de dinheiro, para ocultar patrimônio e pagar propinas? Serviram apenas aos donos oficiais das empresas ou a terceiros?

Paula Marinho agora atribui o controle das empresas ao ex-marido, mas por que ela pagava as taxas de manutenção? Há a possibilidade de que o casal tenha servido apenas de fachada para um terceiro, que se perdeu nas brumas da papelada da Mossack & Fonseca?

A pressa da Globo para instalar o governo Temer se justifica.

domingo, 24 de abril de 2016

O artigo que enfureceu La famíGlia Marinho e resultou na humilhação mundial das Organizações Globo




Artigo no jornal britânico The Guardian provocou forte reação das Organizações Globo. Por meio de seu vice-presidente, João Roberto Marinho, o grupo Globo insistiu para que tivesse um direito de resposta ao texto. No entanto conseguiram apenas publicar uma carta em inglês na área de comentários da matéria (introdução extraído de O Cafezinho)

A razão real que os inimigos de Dilma Rousseff querem seu impeachment

por David Miranda, no The Guardian
A história da crise política no Brasil, e a mudança rápida da perspectiva global em torno dela, começa pela sua mídia nacional. A imprensa e as emissoras de TV dominantes no país estão nas mãos de um pequeno grupo de famílias, entre as mais ricas do Brasil, e são claramente conservadoras. Por décadas, esses meios de comunicação têm sido usados em favor dos ricos brasileiros, assegurando que a grande desigualdade social (e a irregularidade política que a causa) permanecesse a mesma.
Aliás, a maioria dos grandes grupos de mídia atuais – que aparentam ser respeitáveis para quem é de fora – apoiaram o golpe militar de 1964 que trouxe duas décadas de uma ditadura de direita e enriqueceu ainda mais as oligarquias do país. Esse evento histórico chave ainda joga uma sombra sobre a identidade e política do país. Essas corporações – lideradas pelos múltiplos braços midiáticos das Organizações Globo – anunciaram o golpe como um ataque nobre à corrupção de um governo progressista democraticamente eleito. Soa familiar?
Por um ano, esses mesmos grupos midiáticos têm vendido uma narrativa atraente: uma população insatisfeita, impulsionada pela fúria contra um governo corrupto, se organiza e demanda a derrubada da primeira presidente mulher do Brasil, Dilma Rousseff, e do Partido dos Trabalhadores (PT). O mundo viu inúmeras imagens de grandes multidões protestando nas ruas, uma visão sempre inspiradora.
Mas o que muitos fora do Brasil não viram foi que a mídia plutocrática do país gastou meses incitando esses protestos (enquanto pretendia apenas “cobri-los”). Os manifestantes não representavam nem de longe a população do Brasil. Ao contrário, eles eram desproporcionalmente brancos e ricos: as mesmas pessoas que se opuseram ao PT e seus programas de combate à pobreza por duas décadas.
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Aos poucos, o resto do mundo começou a ver além da caricatura simples e bidimensional criada pela imprensa local, e a reconhecer quem obterá o poder uma vez que Rousseff seja derrubada. Agora tornou-se claro que a corrupção não é a razão de todo o esforço para retirar do cargo a presidente reeleita do Brasil; na verdade, a corrupção é apenas o pretexto.
O partido de Dilma, de centro-esquerda, conseguiu a presidência pela primeira vez em 2002, quando seu antecessor, Lula da Silva, obteve uma vitória espetacular. Graças a sua popularidade e carisma, e reforçada pela grande expansão econômica do Brasil durante seu mandato na presidência, o PT ganhou quatro eleições presidenciais seguidas – incluindo a vitória de Dilma em 2010 e, apenas 18 meses atrás, sua reeleição com 54 milhões de votos.
A elite do país e seus grupos midiáticos fracassaram, várias vezes, em seus esforços para derrotar o partido nas urnas. Mas plutocratas não são conhecidos por aceitarem a derrota de forma gentil, ou por jogarem de acordo com as regras. O que foram incapazes de conseguir democraticamente, eles agora estão tentando alcançar de maneira antidemocrática: agrupando uma mistura bizarra de políticos – evangélicos extremistas, apoiadores da extrema direita que defendem a volta do regime militar, figuras dos bastidores sem ideologia alguma – para simplesmente derrubarem ela do cargo.
Inclusive, aqueles liderando a campanha pelo impeachment dela e os que estão na linha sucessória do poder – principalmente o inelegível Presidente da Câmara Eduardo Cunha – estão bem mais envolvidos em escândalos de corrupção do que ela. Cunha foi pego ano passado com milhões de dólares de subornos em contas secretas na Suíça, logo depois de ter mentido ao negar no Congresso que tivesse contas no exterior. Cunha também aparece no Panamá Papers, com provas de que agiu para esconder seus milhões ilícitos em paraísos fiscais para não ser detectado e evitar responsabilidades fiscais.
É impossível marchar de forma convincente atrás de um banner de “contra a corrupção” e “democracia” quando simultaneamente se trabalha para instalar no poder algumas das figuras políticas mais corruptas e antipáticas do país. Palavras não podem descrever o surrealismo de assistir a votação no Congresso do pedido de impeachment para o Senado, enquanto um membro evidentemente corrupto após o outro se endereçava a Cunha, proclamando com uma expressão séria que votavam pela remoção de Dilma por causa da raiva que sentiam da corrupção.
Como o The Guardian reportou: “Sim, votou Paulo Maluf, que está na lista vermelha da Interpol por conspiração. Sim, votou Nilton Capixaba, que é acusado de lavagem de dinheiro. ‘Pelo amor de Deus, sim!’ declarou Silas Câmara, que está sob investigação por forjar documentos e por desvio de dinheiro público.”
Mas esses políticos abusaram da situação. Nem os mais poderosos do Brasil podem convencer o mundo de que o impeachment de Dilma é sobre combater a corrupção – seu esquema iria dar mais poder a políticos cujos escândalos próprios destruiriam qualquer carreira em uma democracia saudável.
Um artigo do New York Times da semana passada reportou que “60% dos 594 membros do Congresso brasileiro” – aqueles votando para a cassação de Dilma- “enfrentam sérias acusações como suborno, fraude eleitoral, desmatamento ilegal, sequestro e homicídio”. Por contraste, disse o artigo, Rousseff “é uma espécie rara entre as principais figuras políticas do Brasil: Ela não foi acusada de roubar para si mesma”.
O chocante espetáculo da Câmara dos Deputados televisionado domingo passado recebeu atenção mundial devido a algumas repulsivas (e reveladoras) afirmações dos defensores do impeachment. Um deles, o proeminente congressista de direita Jair Bolsonaro – que muitos esperam que concorra à presidência e em pesquisas recentes é o candidato líder entre os brasileiros mais ricos – disse que estava votando em homenagem a um coronel que violou os direitos humanos durante a ditadura militar e que foi um dos torturadores responsáveis por Dilma. Seu filho, Eduardo, orgulhosamente dedicou o voto aos “militares de 64” – aqueles que lideraram o golpe.
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Até agora, os brasileiros têm direcionando sua atenção exclusivamente para Rousseff, que está profundamente impopular devido à grave recessão atual do país. Ninguém sabe como os brasileiros, especialmente as classes mais pobres e trabalhadoras, irão reagir quando virem seu novo chefe de estado recém-instalado: um vice-presidente pró-negócios, sem identidade e manchado de corrupção que, segundo as pesquisas mostram, a maioria dos brasileiros também querem que seja cassado.
O mais instável de tudo é que muitos – incluindo os promotores e investigadores que tem promovido a varredura da corrupção – temem que o real plano por trás do impeachment de Rousseff é botar um fim nas investigações em andamento, assim protegendo a corrupção, invés de puni-la. Há um risco real de que uma vez que ela seja cassada, a mídia brasileira não irá mais se focar na corrupção, o interesse público irá se desmanchar, e as novas facções de Brasília no poder estarão hábeis para explorar o apoio da maioria do Congresso para paralisar as investigações e se protegerem.
Por fim, as elites políticas e a mídia do Brasil têm brincado com os mecanismos da democracia. Isso é um jogo imprevisível e perigoso para se jogar em qualquer lugar, porém mais ainda em uma democracia tão jovem com uma história recente de instabilidade política e tirania, e onde milhões estão furiosos com a crise econômica que enfrentam.”
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Leia a carta dos Marinho publicada na área de comentários do The Guardian:
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